Xadrez fundamental



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Análise das fases de uma combinação



Fazendo uma análise de qualquer combinação conhecida, podemos constatar que a realização desta tem que passar, do ponto de vista analítico, pelas seguintes fases:


1. Estabelecer a existência de premissas favoráveis que torna provável a existência de uma combinação numa certa posição.
2. Estabelecer a idéia (tema) principal da combinação.
3. Calcular concretamente a série de lances (variantes e sub-variantes) que forma a combinação.
4. Apreciar as conseqüências reais da combinação.



Estas etapas resumem o processo de pensamento efetuado por um jogador que faz uma combinação. Durante uma partida é claro que estas etapas se sobrepõem, e o esforço recai especialmente sobre os dois últimos tópicos (cálculo e apreciação). Os bons jogadores táticos conseguem, devido ao talento e experiência, perceber quase instintivamente, a presença das combinações em diversas posições, especialmente se elas decorrem logicamente do desenvolvimento normal do plano estratégico.


Podemos dividir as combinações em duas grandes categorias em função de como aparecem na partida de xadrez:


,

1. Combinações que surgem como conseqüência lógica de um plano estratégico bem elaborado.
2. Combinações que aparecem “ao acaso”.



As combinações do primeiro grupo são conseqüência de um plano estratégico complexo bem elaborado e a sua realização é apenas o desfecho natural desse plano.


Já no segundo grupo temos combinações muito mais difusas. O nome “ao acaso” não tem nem de longe a intenção de diminuí-las, pois estas combinações podem aparecer em qualquer momento devido às infinitas opções táticas que contém o xadrez.

Na base de uma partida qualquer descuido, qualquer erro, qualquer cálculo descuidado ou superficial das variantes podem dar chance ao adversário de realizar um golpe tático inesperado.


A prática demonstrou que as mais bonitas e elegantes combinações são conseqüência da realização de um plano estratégico profundo.

Apresentamos a seguir um exemplo clássico de combinação brilhante derivada de um plano estratégico bem elaborado, a partida disputada entre:


Pachman x L-Bronstein,D

Match – Moscou x Praga (1946)





1.d4 Cf6

2.c4 d6

3.Cc3 e5

4.Cf3 Cbd7

5.g3 g6

6.Bg2 Bg7


7.00 00

8.b3 Te8

9.e4 exd4

10.Cxd4 Cc5

11.Te1 a5

12.Bb2 a4



13.Tc1 c6

14.Ba1 axb3

15.axb3 Db6

11

A fase de abertura terminou já com algum sucesso para as negras na realização do seu plano. Ao preço de uma só fraqueza (d6) suas peças ocupam posições favoráveis exercendo pressão sobre as casas pretas, especialmente d4.


A coluna a está em seu poder e o peão de b3 das brancas é fraco. Para obter contrajogo as brancas teriam que conseguir o avanço f4, porém isso é irrealizável. Na continuação as pretas aumentarão a pressão exercida pelo bispo de g7


16.h3 Cfd7

17.Tb1 Cf8

18.Rh2 h5!



O começo de um plano de ataque muito original. As pretas obtiveram uma melhor posição de peças do ponto de vista de seu plano estratégico. O objetivo desse corajoso avanço é criar uma nova fraqueza na ala do rei branca, obtendo desta maneira, eventuais possibilidades de concretizar sua vantagem posicional através do caminho tático


19.Te2 h4

20.Td2 ....



Parece que as brancas têm defendidas todas suas fraquezas. Mas como acontece freqüentemente em posições nas quais a pressão posicional de uma das partes atingiu uma grande intensidade, é exatamente agora que aparece a possibilidade de as pretas efetuarem uma combinação bastante bonita. Esta combinação é conseqüência lógica do jogo posicional das pretas que criou as premissas para a existência dessa combinação: as forças das brancas estão mobilizadas na defesa das fraquezas na ala da dama e no centro ao tempo que as peças pretas estão colocadas de tal modo que podem começar uma ação combinada nas quais serão usadas todas as vantagens posicionais e o golpe principal será desferido na ala do rei


20... Txa1!!



As pretas calcularam uma série de variantes que as leva à vitória mesmo contra a melhor defesa das brancas. Essas variantes se baseiam na seguinte idéia combinativa: as pretas "viram" que depois de uma série de lances forçados a dama preta penetra em f2 com mate decisivo.
Portanto, o tema dessa combinação é o ataque de mate contra a posição enfraquecida do roque das brancas


21.Txa1 Bxd4

22.Txd4 Cxb3

23.Txd6 Dxf2



Este é o lance sutil em que se baseia toda a combinação das pretas. Agora as brancas não podem jogar 24.Dxb3 por causa da bonita variante 24...hxg3+ 25.Rh1 Bxh3 26.Tg1 Bxg2+ 27.Txg2 Df1+ 28.Tg1 Dh3++.
Por isso as brancas não têm outra defesa a não ser a que tentaram na partida


24.Ta2 Dxg3+

25.Rh1 Dxc3



A combinação das pretas terminou, elas obtiveram duas peças por torre e guardaram o ataque decisivo, que de fato ganhou a partida em alguns lances

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26.Ta3 ....


Seria incorreto 26.Td3 por causa de 26...Dc1


26... Bxh3

27.Txb3 Bxg2+

28.Rxg2 Dxc4

29.Td4 De6



Agora a posição das brancas desmorona em dois lances porque seu está exposto em demasia


30.Txb7 Ta8

31.De2 h3+



e as brancas abandonaram.

Mostraremos a seguir, um exemplo de combinação “por acaso”.




Na posição do diagrama que representa a partida jogada entre Bondarevski e Ufimtzev no campeonato da cidade de Leningrado de 1936, a possibilidade de uma combinação por parte das brancas é totalmente surpreendente. No tabuleiro restaram poucas peças, o rei preto está suficientemente defendido e na verdade as pretas venceriam sem maiores dificuldades após 1...Tc3, porém um lance inesperadamente superficial foi jogado: 1...Bg2?? e agora a partida muda de rumo por completo. A possibilidade de combinação que se oferece é utilizada pelas brancas e se baseia numa idéia de mate característica de finais artísticos 2.Th8+ Rf7 3.Be8+!! inacreditável, o bispo é sacrificado forçando o cavalo preto a abandonar a casa f6 3...Cxe8 4.Rg5 este é o ponto final da combinação. Não há defesa para o mate no próximo lance e percebe-se a razão do sacrifício do bispo em e8, pois se o cavalo preto estivesse em f6 poderia agora dar um xeque salvador ao rei branco. Nota-se também, porque o lance 1...Bg2 foi um erro, pois abriu às brancas a possibilidade de dar o xeque em h8, além de obstruir a casa de xeque da torre preta na coluna g.


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