Xadrez fundamental



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XADREZ FUNDAMENTAL





MI Alexandru Segal



Índice


Prefácio




02

Cap 01

Definições

03

Cap 02

Partida Modelo

05

Cap 03

O que é uma Combinação

09

Cap 04

Análise das fases de uma combinação

11

Cap 05

Divisão das combinações em 10 tipos

14

Cap 06

Combinações baseadas nas peças sobrecarregadas

17

Cap 07

Combinações baseadas na interferência das linhas de ação dos adversários

19

Cap 08

Combinações baseadas no ataque duplo e xeque descoberto

21

Cap 09

Combinações baseadas na abertura de linhas e diagonais

23

Cap 10

Combinações baseadas na fraqueza da última linha

25

Cap 11

Combinações baseadas em “zugzwang”

28

Cap 12

Combinações baseadas no bloqueio ou liberação de uma casa

29

Cap 13

Combinações baseadas na eliminação e expulsão de peças do adversário

31

Cap 14

Combinações baseadas no bloqueio e captura de peças

33

Cap 15

Exercícios

35


Fundamentos de tática: Prefácio

MI Alexandru Segal


Com muita satisfação apresentamos aos nossos visitantes o prefácio e o primeiro capítulo do livro Fundamentos de tática, de autoria do mestre internacional Alexandru Segal.


Conforme contato com o renomado mestre, que nos autorizou a publicação na íntegra de sua excelente obra, decidimos então levar ao leitor amigo um pouco de seu vasto conhecimento sobre tática, que veio a consagrá-lo nacional e internacionalmente. Segal tem uma grande afinidade com essa difícil arte que é o mundo mágico das combinações e suas partidas são exemplos constantes da melhor maneira de explorá-las.




Prefácio

A tática constitui, sem dúvida, um dos mais importantes elementos do xadrez. Sua aplicação causa, além de um resultado concreto e objetivo, uma impressão harmoniosa, onde todos os componentes participam de uma verdadeira “revolução” em determinado instante da partida. No seu desenvolvimento se aprecia, geralmente, o xadrez como verdadeira obra de arte.

Quais os fatores pertinentes à tática? Como, quando e por que ela existe? Qual sua relação com a estratégia? Como aplicar os elementos táticos e como reconhecê-los?

Para essas perguntas acreditamos ter encontrado respostas satisfatórias aos estudantes do xadrez. Baseados na experiência própria e em diversos exemplos extraídos do cotidiano enxadrístico, temos a certeza de podermos prestar aos leitores um cabedal de informações que propiciará uma aprendizado correto.

O presente trabalho contém quinze capítulos. Os quatro primeiros são dedicados às definições e exemplos da tática. Os dez capítulos subseqüentes tratam, em separado, com exemplos elucidativos, cada um dos elementos que compõem as combinações básicas. O último capítulo apresenta uma recapitulação através de uma “bateria de vinte exemplos” sobre a matéria apresentada, com respostas à parte para que os enxadristas possam verificar seu aproveitamento. Nas páginas que se seguem, procuramos colocar os amantes do xadrez dentro do fantástico mundo da combinação. Longe da idéia de esgotar este tema, queremos que os nossos leitores compreendam a essência das combinações e seus elementos básicos. Isto acontecendo, o autor sentir-se-á realmente recompensado.



Alexandru Sorin Segal.

02

Fundamentos de tática: Capítulo I

MI Alexandru Segal



Definições

O objetivo final que um enxadrista persegue quando joga uma partida é dar mate ao rei adversário. Este objetivo é claro e preciso, por isso não é de estranhar que a primeira tendência de qualquer jogador principiante é de decorar algumas ciladas elementares, com a ajuda das quais (e também com a contribuição do adversário) pode dar mate em poucos lances.


No tempo da juventude do xadrez moderno (séculos XVI e XVII) os mestres Paolo Boi, Gioachino Greco (italianos) e Ruy Lopez (espanhol) eram jogadores impetuosos de ataque, seguindo sempre em suas partidas um caminho rápido para mate. Os poucos livros de xadrez que existiam eram cheios sobretudo de ciladas de aberturas, mas sobre o jogo posicional não se sabia quase nada.



Evidentemente que dar mate ao rei adversário todos sabem, mas o caminho para atingir este objetivo não é fácil de ser encontrado. Na época do xadrez moderno se procurava ataque direto ao rei adversário, indiferente da posição. Essa concepção de jogo se manteve por muito tempo pois as partidas jogadas permitiam combinações com espetaculares sacrifícios.



Entretanto, houve um tempo quando, devido à melhoria da técnica de defesa e ao desenvolvimento geral da teoria do xadrez, que os ataques ao rei “de qualquer jeito” começaram a “custar caro”; ainda na época de Philidor (1726-1795), ele mostrou a eficiência de uma defesa correta e mais tarde Morphy e Steinitz (que foi o primeiro campeão mundial oficial e pai da estratégia moderna) demostraram que somente através de um jogo combinativo, tendo como objetivo imediato o ataque ao rei, não se pode ganhar um partida de xadrez contra uma defesa correta.



Partindo dessa constatação, Steinitz sublinhou que o objetivo final da partida – o mate – não pode ser alcançado de uma só vez. Os ataques rápidos no começo do jogo são possíveis somente como conseqüência de erros do oponente, mas frente a uma defesa correta eles são inadequados.



Em decorrência disso, antes de alcançar o objetivo final – o xeque-mate – têm que ser criadas as bases necessárias para que o ataque tenha sucesso e estas bases só podem ser adquiridas através de planos estratégicos elaborados com apreciação objetiva da posição. Essa idéia de acumulação de pequenas vantagens posicionais para decidir partidas, seja através de uma vantagem posicional decisiva ou da criação das condições necessárias para um ataque vitorioso, constitui a base da estrutura moderna do xadrez.



Estabelecer um plano adequado em uma partida, é muito importante, mas apenas isso não resolve o problema. É necessário que este plano seja posto em prática, traduzido em lances. Parece que isso é muito fácil, no momento em que se estabelece um plano: colocar o cavalo numa casa central por exemplo. Mas nesse ponto começam a se complicar as coisas, pois o adversário prevê a nossa idéia e tenta impedi-la. Ele possui o seu próprio plano e quer realizá-lo.

03
Cada uma das partes vai tentar impor o seu plano e ao mesmo dificultar o do oponente.


Dessa maneira nasce a luta tática que mostra claramente a capacidade de cada jogador de transformar as idéias em lances que contribuam o melhor possível à realização do plano proposto. Aqui entra em jogo a habilidade do enxadrista de combinar e calcular uma série de lances (variantes). Devem-se analisar com profundidade os movimentos subseqüentes e as conseqüências decorrentes de uma jogada.
Podemos estabelecer que no xadrez a estratégia consta da elaboração dos planos de menor ou maior envergadura baseados na apreciação objetiva da posição. A tática significa um modo de alcançar esses planos. Daqui resulta logicamente que a estratégia é abstrata e a tática concreta.


Devemos notar que o equilíbrio entre estratégia e tática nunca é estável. Depende da capacidade e preferências de cada jogador e da realidade objetiva do tabuleiro. Há indivíduos que gostam mais do caminho estratégico e outros que se baseiam quase que exclusivamente nos golpes táticos.



Que é mais importante: a estratégia ou a tática? Na história do xadrez, a predominância de uma e outra se alternaram. Estudando partidas de jogadores que representaram o estilo de jogo de suas épocas podemos afirmar que alguém não pode ser um verdadeiro mestre se não domina em primeiro lugar o aspecto tático do jogo.

Isso é facilmente explicável. É inútil chegar a uma posição estrategicamente ganhadora se nesse momento, por uma combinação tática, leva-se mate em dois lances.


O fato de que os golpes táticos têm seqüências imediatas fazem com que a tática apresente uma importância maior que a estratégia.



Por isso todos os grandes jogadores da história do xadrez, independentemente do seu nível, do ponto de vista estratégico, sempre foram excelentes táticos.

04

Fundamentos de tática: Capítulo II

MI Alexandru Segal


Partida Modelo
Como exemplo prático apresentamos uma partida "clássica" que reflete a luta estratégica e tática em todas as fases e que representa após mais de quarenta anos, um modelo maravilhoso.



R.Fine x P.Keres

Torneio ªV.R.O.

Amsterdã - 1938

Abertura Ruy Lopez



1.e4 e5

2.Cf3 Cc6

3.Bb5 a6

4.Ba4 Cf6

5.O-O Be7

6.De2 b5

7.Bb3 d6

8.a4 ...


Atualmente esta variante (de abertura) é pouco encontrada em torneios magistrais. Na época era considerada como a melhor variante especialmente porque Fine havia conseguido expressivas vitórias com essa linha. A intenção das brancas é criar algumas dificuldades de desenvolvimento para as pretas em ligação com o ataque sobre o b7.


Esse plano estratégico estaria correto se as pretas fossem obrigadas a defender o peão, mas como vamos ver, esse plano pode ser combatido de forma tática.



Considerando-se que o objetivo dessa primeira fase da partida é o desenvolvimento rápido das peças, Keres utiliza um método tático bastante usual nas abertura, sacrifica o peão atacado para ganhar tempos tornando suas peças mais dinâmicas, compensando a desvantagem material.



8 ... Bg4

9.c3 OO

10.a4xb5 a6xb5

11.Txa8 Dxa8

12.Dxb5 ...


As brancas decidem respeitar seu plano e tomam o peão. Baseado na experiência desta partida a teoria recomenda o plano mais tranqüilo com 12.d3.


12 ... Ca7!


A idéia tática das pretas começa a se definir. Elas liberam a diagonal a8-h1, obtendo com tempo contra-jogo com ataque sobre e4. A principal variante que Keres teria que calcular seria 13.Da5 Dxe4 14.Dxa7 Bxf3 15.gxf3 Dxb1 16.Dxc7 Dg6+ 17.Rh1 Dd3! 18.Rg1 Ch5 19.Dxe7 Cf4! e as pretas ganham por causa da ameaça de Dg6+ seguido de mate e se 20. Dg5 Ch3+ e ganham, seguido de Ce2+ ou Dg1++. (Se Dh4) ... Dxf3.


13.De2 Dxe4!


Muito mais forte que 13...Cxe4 14.De3! e as brancas equilibrariam a partida.

05


14.Dxe4 Cxe4


A fase de abertura terminou com sucesso para as pretas que conseguiram primeiro desenvolver suas peças e obterão agora por causa de uma ameaça tática, o enfraquecimento da posição dos peões brancos. Por exemplo: as brancas não podem defender satisfatoriamente Bxf3 com 15)Bd1 pois nesse caso seguiria 15...Cc5! e a penetração do cavalo na casa d3 seria desvantajosa para as brancas.



15.d4 Bxf3

16.gxf3 Cg5


Agora a partida entra numa nova fase, a posição nesse momento é favorável às pretas que mantêm a vantagem de desenvolvimento e têm uma estrutura de peões algo melhor. A única compensação das brancas consta no par de bispos, mas a iniciativa está com as pretas que utilizam para seu plano estratégico inicial: procurar enfraquecer ainda mais a estrutura de peões das brancas impedindo ao mesmo tempo a abertura da posição (nesse caso o par de bispos se tornaria perigoso) e assegurar para seus cavalos casas bem defendidas no centro (princípio posicional de Steinitz).
As pretas se baseiam também no fato que não seria bom para seu adversário a troca 17.Bxg5, pois nesse caso desapareceria completamente qualquer contra - chance das brancas e mesmo com bispos de cores opostas guardariam boas especialmente por causa da fraqueza dos peões na ala do rei das brancas.


17.Rg2 Tb8

18.Bc4 exd4

19.cxd4 Ce6


Atacando o peão isolado de d4 as pretas forçam seu avanço, liberando a casa c5 para um dos seus cavalos.



20.d5 Cc5

21.Cc3 Cc8


O segundo cavalo se prepara para entrar no jogo via b6 exercendo pressão sobre o peão fraco de d5.



22.Te1 Rf8

23.Te2 f5?


Uma imprecisão tática, as pretas desejam instalar o seu bispo em f6 sem permitir a resposta Ce4, mas o lance da partida enfraquece a casa e6 dando boas contra-chances às brancas. Keres poderia aumentar sua vantagem posicional da seguinte maneira 23...Tb4; 24.Bb5 Ca7 25.Bc6 Cxc6 26.dxc6 Tc4 e o peão branco deveria cair.



24.Cb5 Cb6

25.b3 Cxd5


Esta continuação é praticamente forçada para as pretas porque senão as brancas jogariam Cd4 com jogo excelente. A tentativa tática 25...c6? seria refutada com 26.dxc6 d5 27.c7! Tc8 28.b4 com bom jogo.

06


26.Cd4?!


É interessante observar como o plano estratégico influência o pensamento de Fine, ele segue a partida baseado na utilização da casa e6 para contra-jogo e prefere esse lance. Mas, com a apreciação mais objetiva da posição seria melhor para as brancas procurar salvação no final em que se entraria com 26.Cxd6 Bxd6 27.Bxd5 Cxb3 28.Tb2 Ba3 29.Txb3 Txb3 30.Bxb3 Bxc1 31.Bc2 com boas chances de empate.



26 ... Cb4

27.Bd2? ...



Desta vez as brancas erram decisivamente de maneira tática, jogando 27.Cxf5 Bf6 28.Bf4 elas obteriam boas chances de defesa. Essa continuação aponta outro defeito do lance preto 26...f5 especialmente a fraqueza em si do próprio peão.


27 ... d5!


Keres começa com esta jogada uma bonita continuação, sacrificando a qualidade para obter dois peões passados e unidos na ala da dama. A seqüência que segue é praticamente forçada.



28.Bxb4 Txb4

29.Cc6 dxc4

30.Cxb4 cxb3

31.Cd5 Cd3


Novamente um golpe tático, embora o bispo esteja atacado duas vezes ele de fato não pode ser capturado, pois se 32.Cxe7 Cf4+ 33.Rf1 Cxe2 e ganham. E se 32.Txe7 b2 33.Cc3 Rxe7 e a posição e facilmente ganha para as pretas.


32.Td2 b2

33.Td1 c5?!


Seguindo sua idéia de unir os peões as pretas realizam um lance natural, mas não o melhor. A continuação do jogo tático preciso seria 33...Cc1 34.Cc3 Bb4 35.Cb1 Bc5 e a futura entrada do rei combinada com o avanço do peão de c7 decidiria rapidamente a partida.


34.Tb1 c4

35.Rf1 Bc5

36.Re2 Bxf2!

37.Ce3 c3!







Este lance é fundamental para a combinação, evidentemente que as pretas fossem forçadas a jogar 37...Bxe3 sua vantagem desapareceria e assim não obteriam mais que empate. Se as brancas jogam 38.Rxd3 Bxe3 39.Rxc3 Bc1 e o final se ganha por causa da maioria de peões na ala do rei. Keres começa agora uma seqüência de lances táticos que decidem a partida em seu favor. A continuação teria que ser muito bem analisada pois qualquer erro poderia lhe resultar em empate ou até em perda da partida.





38.Cc2 Ce1!


Os golpes táticos se sucedem sem interrupção, as duas peças pretas estão "en prise", mas nenhuma pode ser tomada, pois se 39.Cxd1 Bxd1(se ameaça c2) 40.Rd3 Bd2 e ganham.

07


39.Ca3 Bc5


Após uma série de lances muito finos de novo as pretas cometem uma imprecisão. A jogada natural 39...Bh4 colocariam as brancas em "zugzwang" pois o único lance possível 40.Rd1 a resposta Cxf3 decide rapidamente. Agora as brancas têm de novo chances de defesa.


40.Rxe1 Bxa3

41.Rd1 Bd6

42.Rc2 ....


As brancas não tinham tempo de jogar 42.h3 por causa da manobra Bc5-g1 que seria ganhadora.



42 ... Bxh2

43.Th1 Be5?!


Mais fácil seria 43...Bf4 44.Txh7 Rf7 45.Th1 Bd2 mas também a continuação escolhida é suficiente para a vitória.



44.Txh7 Rf7

45.Th1 g5

46.Te1 Rf6

47.Tg1 Rg6

48.Te1 Bf6

49.Tg1 g4!


Esse sacrifício é necessário para poder arrematar a posição.



50.fxg4 f4

51.g5 Bd4

52.Td1 Be3!

53.Rxc3 Bc1

54.Td6+ ...


Se 54.Rc2 Rxg5 e o avanço do peão de f4 é decisivo.



54 ... Rxg5

55.Tb6 f3

56.Rd3 Rf4

57.Tb8 Rg3


As brancas abandonam.


Não se poderia fazer mais nada contra o avanço combinado dos dois peões. Por exemplo: 58.Tg8+ Rf2 59.Tb8 Re1 60.Rc2 f2 61.Te8+ Rf1 62.Tf8 Re2 63.Te8+ Rf3 64.Tf8+ Bf4 e ganham.
Fazendo um resumo desta interessante partida do ponto de vista do conteúdo estratégico e tático podemos dividi-lo nas seguintes fases:



Lances 1 - 16: Fase de Abertura. Com um golpe tático engenhoso as pretas obtêm vantagem posicional e iniciativa.



Lances 16 - 27: Fase de Meio Jogo. As duas partes manobram seguindo objetivos estratégicos diferentes. As brancas tentam obter o desenvolvimento e também uma posição harmoniosa de peças( as pretas tentam impedir isso e enfraquecer mais ainda a estrutura de peões brancos o que elas conseguem) e colocar seus cavalos nas fortes casas centrais. As pretas também desejam pressionar o peão de b2 branco trazendo o bispo para f6. Na realização dessa última idéia cometem uma imprecisão que da muitas chances para as brancas.

Lances 27 - 31: Um erro de cálculo das brancas permite às pretas resolver taticamente o problema da concretização de sua vantagem. Após a combinação efetuada chega-se a um final que necessita de uma nova apreciação estratégica.

Lances 32 - 57: Fase decisiva. A apreciação estratégica da posição após a combinação das pretas mostra uma vantagem decisiva. A realização dessa vantagem pode ser feita somente após um jogo tático muito bom com pequenas combinações características. Teremos que ressaltar que as ligeiras imprecisões das pretas nesta fase da partida somente vieram prolongar a luta sem dar em momento algum chances reais de salvação para as brancas.

08

Fundamentos de tática: Capítulo III

MI Alexandru Segal



O que é uma combinação?
A maioria dos trabalhos que se ocupam com o aspecto tático do xadrez, são consagrados a combinação, que, sem dúvida, constitui o elemento mais importante da tática e ao mesmo tempo o mais interessante. Somente nos últimos tempos foram abordados outros aspectos da tática fazendo-se uma diferença sobre a combinação propriamente dita e a manobra tática.


Que é a combinação no xadrez?


A resposta a essa pergunta não é muito simples de ser dada, pois vários grandes jogadores e analistas do xadrez estudando esse problema chegaram a conclusões parecidas, porém não idênticas, sobre o tema. resumiremos algumas delas.


Em seu trabalho “Manual de Xadrez”, Manuel Lasker, campeão mundial , entre 1894 e 1921, aborda este tema explicando que “em certas posições existam certos lances, chamados forçantes, que criam ameaças inesperadas e fortes, por exemplo: ameaças de mate, de tomada de peça ou coroação de um peão. O objetivo desses lances é trocar todos os valores naturais.


Para contra-atacar esses lances forçantes o adversário tem à disposição lances de defesa igualmente forçantes. Deste jeito o ataque, o contra-ataque, a defesa formam uma seqüência, as vezes simples, as vezes mais complexas, chamada variante. Quando essas seqüências se ramificam, por exemplo quando existem dois ou mais meios de defesa se pode falar em cadeias de variantes”.

Depois dessa definição de variante Lasker passa a definir combinação da seguinte maneira: “se um grupo de variantes contém em si o resultado concreto que merece atenção então a totalidade dessas variantes se chama combinação”.

Como podemos perceber, Lasker trata a combinação exclusivamente do ponto de vista de um jogador prático. Não o preocupa o fato de existir ou não na combinação o sacrifício como elemento constitutivo. Uma outra explicação sobre combinação foi dada por outro ex campeão mundial, Dr. Max Euwe entre 1935 e 1937, que em seu artigo “Estratégia e Tática” publicado em Amsterdã em 1935 dizia que “se partimos do ponto de vista que por estratégia se entende estabelecer um plano e por tática realizá-lo, então a combinação deve ser considera como a mais alta manifestação de tática.

Por combinação se cria uma etapa especial e curta da partida onde se atinge forçado um objetivo precioso. Nesta etapa da partida os lances formam uma seqüência lógica e se encontram numa ligação indissolúvel um após o outro”.

Euwe trata também da característica estética da combinação: “combinações provocam sempre uma expressão estética. O modo em que as coisas incríveis se tornam inesperadamente evidentes e o fantástico se torna realidade, exerce sobre os enxadristas um incrível fascínio...”
Uma opinião não tão “catedrática” mas eloqüente citou o conhecido grande mestre Tartakower que com seu habitual humor definiu a combinação como “uma faísca divina que encontra-se fora do jogo de xadrez e que de fato, despreza aqueles princípios sobre tempo, espaço, material e lógica que gostariam de conduzir o jogo exclusivamente...” ( publicado em Berlim, 1928, no livro “Schachmethodik”).

09

Podemos perceber que o elemento estético é também um fator importante nas combinações. A maioria das combinações, se caracterizam por um elemento que lhes é comum, isto é, o sacrifício. Sacrifício representa o rompimento temporário do equilíbrio quantitativo com o objetivo de obter vantagem material e posicional ou uma definição imediata da partida (mate, xeque perpétuo, afogado, etc).




Aceitando a tese de que o elemento estético é indissoluvelmente ligado a uma combinação é fácil entender porque a maioria dos analistas considera o sacrifício como parte obrigatória da combinação. A combinação é, então, considerada o cume da habilidade tática, representando de fato, uma resolução rápida, precisa e definitiva do problema estratégico contido na posição. Em geral, as mais bonitas combinações contêm normalmente sacrifícios diversos. Existem, entretanto, combinações sem sacrifícios, mas, neste caso, o complexo de lances deve ser forçado e deve produzir uma impressão estética.



A manobra tática significa exatamente este caso onde temos um objetivo claro realizado através de lances forçados, mas onde não se produz o sacrifício. Essa manobre tática se encontra freqüentemente na terminologia enxadrística sobre o nome de seqüência forçada.
Resumindo podemos dizer que combinação é um elemento principal da tática na qual a parte ativa obtém uma vantagem objetiva, com a ajuda de uma série de lances forçados (com ou sem sacrifícios) que na totalidade possui uma impressão estética.
A seguir apresentamos dois exemplos em que se pode perceber a diferença entre a combinação propriamente dita e a seqüência forçada.


O primeiro exemplo apresenta a clássica combinação efetuada por Botwinnik em sua partida contra Capablanca no torneio internacional de Amsterdã em 1938 e o segundo exemplo vem a ser uma manobra forçada numa partida disputada entre Capablanca e Yates. Nos dois exemplos temos um objetivo claro, porém falta ao segundo o sacrifício.




Botwinnik teria a possibilidade de jogar uma forte manobra 1.Ce2 seguido de 2.Cf4 com excelentes possibilidades. Em vez disto começou uma combinação com sacrifícios, calculando mais de dez lances, sendo este não só o mais bonito mas também o mais efetivo meio de obter-se a vitória. 1.Ba3!! Dxa3 2.Ch5+! gxh5 3.Dg5+ Rf8 4.Dxf6+ Rg8 5.e7! Dc1+ 6.Rf2 Dc2+ 7.Rg3 Dd3+ 8.Rh4 De4+ 9.Rxh5 De7+ 10.Rh4 De4+ 11.g4! De1+ 12.Rh5 e as pretas abandonaram.








Capablanca começa agora uma instrutiva manobra forçada 1.Cc3 Tc5 2.Ce4 Tb5 3.Ced6 Tc5 4.Cb7 Tc7 5.Cbxa5. O objetivo dessa manobra era ganhar o peão de a5. O que foi realizado com uma seqüência de lances forçados, sem sacrifícios que na totalidade reduziu uma impressão estética

10

Fundamentos de tática: Capítulo IV

MI Alexandru Segal






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