Vigotski como filósofo da ciência



Baixar 53,87 Kb.
Encontro09.09.2017
Tamanho53,87 Kb.


Van der Veer, R. & Valsiner, J. Vigotski como filósofo da ciência

___________________________________________________________________________





Vigotski como filósofo da ciência1 2
René Van der Veer3

Jann Valsiner4


Resumo
O psicólogo soviético Lev Vigotski (1896-1934) é aceito atualmente como uma figura importante na história da psicologia. Seleções de seu trabalho foram traduzidas em várias línguas e suas ideias inspiraram pensadores contemporâneos, como Jerome Bruner (por ex. Bruner, 1985), Stephan Toulmin (1978) e Roman Jakobson (1985). Ele publicou artigos e livros sobre temas diversos, como esquizofrenia, pensamento e linguagem, teste de inteligência e crianças com deficiência (Van der Veer, 1985). Mas, comumente, desconhece-se que ele era igualmente um metodólogo no sentido russo da palavra, ou seja, alguém que analisou várias hipóteses e conceitos de diversas correntes psicológicas e da psicologia em geral. Um metodólogo desse estilo precisa ser igualmente um historiador da psicologia e um filósofo da ciência. Vigotski combinava tais qualidades e é nossa convicção que sua importância para a psicologia fundamenta-se precisamente em seu trabalho metodológico. É a maneira pela qual Vigotski lidou com os problemas antigos da psicologia, como os das relações natureza-cultura e mente-corpo que fez dele um dos maiores psicólogos de nosso século.

Abstract

The Soviet psychologist Lev Vygotsky (1896-1934) is now generally accepted as a major figure in the history of psychology. Selections from his work have been translated into many languages and his ideas have inspired contemporary thinkers as Jerome Bruner (e.g. Bruner, 1985), Stephan Toulmin (1978), and Roman Jakobson (1985). He published articles and books on such diverse topics as schizophrenia, thought and language, intelligence testing, and disabled children (Van der Veer, 1985). It is less generally known, however, that he was also a methodologist in the Russian sense of the word, that is, one who analyzes basic assumptions and concepts of various psychological currents and psychology in general. Such a methodologist thus has to be both a knowledgeable historian of psychology and a philosopher of science. Vygotsky combined these qualities and it is our conviction that his importance for psychology lies precisely in his methodological work. It is the way Vygotsky tackled psychology's age-old problems, such as the nature-nature issue and the mind-body problem that makes him one of the major psychologists of this century.



A primeira apresentação, mais ou menos completa, das ideias metodológicas de Vigotski pode ser encontrada em seu artigo "A significação histórica da crise na psicologia" (Vigotski, 1927/1982). Nesse texto, Vigotski analisa as correntes psicológicas de seu tempo e traça um panorama sobre o que as torna compatíveis ou incompatíveis entre si, procurando encontrar material para uma futura metodologia. Como Vigotski lida com problemas da prática na psicologia, história das ideias científicas, problemas de epistemologia e o dualismo nas ciências sociais, os resultados de sua própria postura com respeito aos problemas filosóficos e epistemológicos tornam-se, progressivamente, mais claros.

Um segundo estudo de especial significância para uma apreciação de Vigotski como metodólogo é o artigo não terminado, intitulado "A teoria das emoções. Uma investigação histórico-psicológica" (Vigotski, 1933/1984). Tal estudo, que não foi publicado durante a curta vida de Vigotski e do qual apenas dois pequenos excertos (Vigotski, 1968, 1970) eram conhecidos até o presente, concentra-se na teoria das emoções de James-Lange e suas raízes na história do pensamento ocidental. Desse modo, é mais limitado em seu escopo do que o artigo de 1927, mas exemplifica o interesse que permaneceu durante toda a vida de Vigotski relativo ao problema do dualismo na psicologia. No presente trabalho, nós nos concentraremos no artigo que discute a significância histórica da crise da psicologia.


A crise na psicologia
O artigo de 1927 é, de fato, um trabalho bastante complexo no qual Vigotski lida com muitos problemas da psicologia clássica e contemporânea. Em sua introdução, Vigotski chama atenção para o lamentável estado no qual se encontra a psicologia de sua época. As várias correntes e subcorrentes dela produzem um amontoado de fatos, mas o que falta é uma psicologia geral. Necessitamos de uma subdisciplina da psicologia (poderíamos chamá-la contemporaneamente de psicologia teórica) que aborde as questões importantes, que generalize os achados encontrados nas diferentes subdisciplinas e escolas. Não precisamos de novas abordagens que descubram novos fatos, dizia Vigotski, o que precisamos são de conceitos ou caminhos para interpretar os dados reunidos.

A necessidade dessa estrutura de conceitos e modo de olhar para os fatos pode ser demonstrada pelo estudo da história da psicologia. Em particular, o estudo da descoberta científica e sua disseminação são bastante instrutivos. Vigotski construiu um esboço geral das vicissitudes das descobertas científicas na história da psicologia. Com sua análise, ele queria mostrar que a psicologia, aparentemente, necessita, com urgência, de clarificar seus princípios e conceitos gerais. Cada descoberta, quando possível, é declarada como um princípio explanatório (Kuzulin, 1984). Na parte seguinte do texto a que nos referimos, Vigotski procura mostrar que a diferença entre uma psicologia geral (teórica) e outra empírica é gradual. A ideia de Biswanger (1881-1966) de que a psicologia geral poderia confinar-se em conceitos abstratos e lógicos foi criticada por Vigotski. Fazendo desse modo, ele formulou diversos postulados epistemológicos importantes.


Epistemologia
Vigotski argumentava que a posição de Biswanger era insustentável porque cada conceito, embora abstrato, refere-se, em última instância, à realidade. Não importa se lidamos com conceitos matemáticos ou filosóficos, eles referem-se, em última instância, à realidade concreta, empírica. Ele estava se apoiando, aqui, em Engels (1925/1978, p.530), que tinha considerado toda "frein Schöpfungen und Imaginationen des Menschengeistes" (livre criação e imaginação do espírito humano) uma total impossibilidade. A tão propalada livre criação e imaginação é, de fato, inspirada na realidade concreta. Contudo, embora mesmo se o mais abstrato pensamento contém elementos da realidade concreta, é igualmente verdadeiro que cada fato científico já contenha uma primeira abstração. Não há, portanto, ideias absolutas sem um fundamento material, assim como não há fatos concretos sem uma semente de abstração. Vigotski argumentava que esse estado de coisas é frequentemente esquecido pelos psicólogos que procuram seguir o modelo das ciências naturais, porque ali, supostamente, poderíamos encontrar um registro direto e objetivo dos fatos. Em sua opinião, tais psicólogos participam de uma falsa concepção das ciências naturais. As ciências naturais são apenas, aparentemente, de uma natureza empírica pura. Uma razão para isso é que fazemos uma seleção do fluxo de experiências e outra razão é o fato de que os fatos científicos são apresentados na forma verbal ou simbólica. Com respeito ao primeiro ponto, Vigotski colocava que o olho humano é, naturalmente, um órgão seletivo. O mesmo valendo para nossos equipamentos científicos que, do mesmo modo, só podem registrar parte da realidade e em um modo específico (Vigotski, 1927/1982, p.348). Com relação ao segundo ponto, Vigotski notou o seguinte: nós descrevemos os achados científicos com a linguagem. Fazendo assim, contudo, nós, inevitavelmente, introduzimos abstrações. Toda a assim chamada observação empírica pura é uma mistura da percepção e do pensamento. Não há como separar nosso conhecimento conceitual, imbricado na linguagem, das nossas percepções. Tal linha de pensamento levou Vigotski à tese de que, no empreendimento científico, "no começo estava a palavra" e que a palavra é teoria ou ciência em uma forma embrionária (Vigotski, 1927/1982, p. 358).

Com tais observações, Vigostki abriu um ataque frontal à ideia de que as ciências naturais (e a ciência em geral) procedem a partir da reunião de fatos diretos e a-teóricos. Aqui, uma vez mais, ele se refere a Engels e à sua "Dialektik der Natur" (Engels, 1925/1978, pp. 346, 475, 506). Sua ênfase na função da palavra como tal, entretanto, é também claramente relacionada ao pano de fundo linguístico e, especialmente, ao trabalho de Potebnja (Van der Veer, 1985; Potebnja, 1922). O que também teve um papel crucial no desenvolvimento da crise da psicologia, de acordo com Vigotski, foi o "dogma da experiência direta". Em ambas as correntes da psicologia da época, psicologia objetiva e psicologia subjetiva, a experiência direta era enfatizada. Na psicologia subjetiva, toma-se a experiência direta da introspecção como ponto inicial das teorias. No behaviorismo, vemos uma limitação do registro direto dos fatos externos, observáveis. Em ambos os casos não se pode ultrapassar as limitações do momento. Vigotski argumentava que, na psicologia, nós deveríamos quebrar com essa experiência direta através da interpretação. Isso, obviamente, acontece em todas as ciências (outra razão de não conseguirmos fugir à interpretação encontra-se mais abaixo). No que concerne a esse ponto, Vigotski não observa nenhuma diferença entre a psicologia, o estudo da história ou as ciências naturais. Em nenhum desses ramos da ciência pode-se parar nos fatos diretos, mas todas interpretam e extrapolam o passado e o futuro. Tal emancipação de nossos órgãos sensórios não é apenas uma necessidade para a ciência da psicologia, argumentava Vigotski, é uma liberação psicológica e um salto vitale (Vigotski, 1927/1982, p.349). Podemos concluir que o procedimento registrar-indução é considerado por Vigotski como uma ficção. Seja nas ciências naturais, seja na psicologia, nós ultrapassamos sempre tal procedimento. Em todas as ciências, nós nos deparamos com interpretação, análise e reconstrução dos achados. Tais ideias epistemológicas dão-nos uma impressão surpreendentemente moderna. Com efeito, Vigotski parece antecipar alguns dos argumentos usados pelos filósofos pós-positivistas, tais como Popper, Kuhn, Lakatos, Hanson e Feyrabend.

No exato momento histórico em que Carnap cum suis5 desenvolvia o positivismo lógico, seus pressupostos eram minados algumas milhas distantes dali. Parte da explicação para tal fato deveria ser vista no clima filosófico geral na União Soviética daqueles dias. Boeselager (1975), em seu estudo sobre o criticismo soviético do (neo-) positivismo, argumentou que fora Lenin quem enfatizara a função da teoria, na concepção soviética de ciência. É um fato paradoxal que tenha sido Lenin, igualmente, quem enfatizou a importância da prática. Essa combinação única de teoria e prática é claramente refletida nos escritos metodológicos de Vigotski (veja parágrafo próximo).

Nós, aqui, temos um claro exemplo da incorporação sociocultural do pensamento científico social (Valsiner, 1986). Foram as teses de Lenin, em particular sua ênfase na teoria e sua condenação do empirismo (Boeselager, 1975, p.38), que formaram a base para um desenvolvimento diferente da filosofia da ciência, na então URSS, quando comparadas com o (neo-) positivismo.


A função da “práxis”
A principal razão para a crise da psicologia, argumentava Vigotski, foi o desenvolvimento da psicologia aplicada. Nos primórdios da psicologia, a psicologia acadêmica olhava com desprezo para a psicologia aplicada. A aplicação do conhecimento era uma espécie de subproduto, um ganho fortuito, que não era seriamente valorizado. Vigotski observou uma mudança radical de tal situação em sua época. O crescimento de ramos da psicologia aplicada, tal qual a psicoterapia, os testes de inteligência e o aconselhamento educacional forçavam os pesquisadores a serem explícitos em seus pressupostos e a refletirem melhor sobre seus conceitos teóricos. Isso significou para Vigotski que a 'práxis' (prática) havia assumido a liderança na ciência. Nos primórdios, a aplicação do conhecimento estava fora do campo da ciência. O fracasso ou a aplicação não tinham qualquer influência na teoria científica (Vigotski, 1927/1982, p. 387). O surgimento da psicologia aplicada mudou essa situação. A prática tornou-se rapidamente o novo critério de verdade da teoria. É por tal razão que Vigotski considerava da maior importância desenvolver uma metodologia para a ciência aplicada. A combinação entre pesquisa aplicada e uma boa metodologia era uma das demandas que tinham de ser resolvidas antes de ser possível solucionar a crise da psicologia. Assim se pronunciou Vigotski a esse respeito:
Embora o valor prático e teórico da escala de Binet ou de qualquer outro teste psicotécnico seja insignificante, embora o teste em si possa ser ruim, ela é valiosa como uma ideia, como um princípio metodológico, como uma perspectiva. As mais complexas contradições da metodologia psicológica são trazidas para o campo da prática e só podem ser resolvidas ali. Aqui a disputa deixa de ser infrutífera, ela caminha para um fim... É por isso que a prática transforma a metodologia científica como um todo. (Vigotski, 1927/1982, p. 388).
Era, pois, uma convicção de Vigotski que a prática, sendo ela um árbitro imparcial, só poderia permitir um ganhador e selecionaria somente uma teoria verdadeira. Nós não podemos usar a filosofia de Husserl (1859-1938) para selecionar motoristas de trem, afirmava Vigotski. E, em última instância, certamente, o critério de aplicabilidade prática levaria ao triunfo da psicologia causal, dialética e materialista.

Isso nos leva para um dos principais temas do texto de Vigotski, que é a bifurcação da psicologia em objetiva e causal, de um lado, e subjetiva e hermenêutica de outro.


A bifurcação da psicologia
No início deste artigo, nós nos referimos às diversas correntes e escolas psicológicas. Nas primeiras décadas do século XX, a psicologia conhecia, entre outras coisas, reflexologia, reactologia, psicanálise, gestaltpsicologia, personalismo e behaviorismo. Seguindo outras pesquisas, Vigotski postulou que tais correntes poderiam ser divididas em dois grupos, cada qual com sua própria concepção de ciência e de abordagem metodológica. De um lado havia a psicologia causal, explanatória e, do outro, havia a psicologia descritiva. Os primeiros tipos de psicólogos propagandeavam a psicologia como Naturwissenschaft e desejavam ser cientistas no sentido atribuído às ciências naturais. O segundo tipo olhava a psicologia como Geisteswissenschaft e procurava compreender ou descrever os processos psicológicos humanos. Eles negavam a possibilidade da abordagem das ciências naturais poderem entender os processos psicológicos superiores, argumentando que nós, apenas, podemos compreender de forma empática tais processos. Já alguns representantes da psicologia descritiva, contudo, admitiam a possibilidade da explicação das ciências naturais dos processos psicológicos simples ou inferiores. Ao mesmo tempo, muitos dos pertencentes à abordagem das ciências naturais eram relutantes em estudar os processos psicológicos superiores. Esses eram, na opinião daqueles, muito difíceis de se investigar ou mesmo inexistentes (aqui, eles caíram vítimas de seu próprio preconceito empiricista, de acordo com Vigotski). Nesse caminho, a divisão no trabalho psicológico envolvia uma psicologia causal que, como ciência natural, estudaria os processos inferiores (por exemplo, o tempo de reação) e a psicologia descritiva, que estudaria os processos superiores (por exemplo, a resolução de problemas). Essa era uma situação altamente insatisfatória, de acordo com Vigotski, que declarava que nós não deveríamos abandonar os processos superiores para a psicologia descritiva, já que eles (os processos superiores) também deveriam ser explicados. Consequentemente, em seu ensaio de 1927, ele optou por uma psicologia inspirada nas ciências da natureza. A psicologia deveria aplicar essa abordagem mesmo para os processos superiores (Vygotsky, 1927/1981, p. 417). A escolha de Vigotski foi efetuada com base em preferências metodológicas: ele preferia um enfoque mais causal e objetivo da psicologia, por causa de seus métodos investigativos mais amadurecidos, mas pensava que os psicólogos descritivos estavam certos ao enfatizar os processos superiores. No pano de fundo de sua análise das diferentes escolas e correntes psicológicas, estava, também, a noção de Lenin de "partijnost'' (partidarismo). Um aspecto dessa noção foi que, na filosofia da ciência, em última instância, apenas duas posições são possíveis. Ou se é materialista ou idealista (Boeselager, 1975, p.30). Não pode existir posição intermediária. Essa é uma das razões do porquê Vigotski tentou reduzir todas as correntes psicológicas de seu tempo a esses dois extremos, deixando explícito que não poderia haver uma terceira possibilidade. O que ele advogava era um materialismo dialético que deveria alargar seu território em detrimento do idealismo. Concluímos, pois, que Vigotski aceitava a distinção entre processos psicológicos inferiores e superiores e que ele buscou explicar ambos de um modo determinístico.

Em seus últimos escritos (Vygotsky 1933/1984), ele tentou mostrar que a bifurcação da psicologia fora, de fato, um legado do dualismo cartesiano (Descartes), fora a distinção cartesiana entre um corpo determinado mecanicamente e uma alma livre e indeterminada que ainda assolava a ciência psicológica (cf. Kendler, 1981). Vigotski usou os escritos de Spinoza – contemporâneo de Descartes – para encontrar uma possível solução para essa infeliz divisão da psicologia (Van der Veer, 1986 b). Infelizmente, ele não chegou a desenvolver essa ideia em um programa definitivo ou conclusivo.

Em seus últimos trabalhos, Vigotski também desenvolveu sua teoria histórico-cultural para dar conta da distinção entre os processos inferiores e superiores (Van der Veer, 1985; Van der Veer & Van Ijzendoorn, 1985). Ele, então, deixou claro que o olhar de um ponto de vista genético é a abordagem chave para ultrapassar a bifurcação da psicologia. A ênfase do determinismo histórico-social de Vigotski mostra, então, como a criança incorpora as ferramentas culturais através da linguagem e como a afetividade da criança e os processos cognitivos, desse modo, são determinados, em última instância, por seu entorno sociocultural (Van der Veer, 1986a).
Conclusões
Discutimos vários dos temas principais dos estudos de Vigotski e mostramos alguns de seus panos de fundo. Esperamos que tenha se tornado cada vez mais claro que Vigotski trabalhava intensamente para resolver alguns dos mais significativos problemas psicológicos. Sua oposição a uma abordagem inserida em achados factuais (fatos “puros”) e seu esforço pela construção de uma psicologia teórica ainda merecem ser ouvidos, particularmente, em um momento no qual Departamentos de psicologia teórica em vários países são ameaçados sob a égide econômica com cortes de verbas. A atualidade de sua crítica ao empirismo e positivismo raramente é mencionada. Contudo, em recentes manuais de filosofia da ciência, podem-se encontrar todos os seus argumentos (Chalmers, 1982). Sua ênfase na prática como critério de verdade da teoria é, certamente, ainda matéria de debate na filosofia da ciência de base marxista (Bayertz, 1980). Finalmente, sua análise da bifurcação da psicologia e sua radical crítica a qualquer dualismo é um tópico extremamente atual em nossos dias. Vários estudos (Kendler, 1981; Popper & Eccles, 1977) já deixaram abundantemente claro que a psicologia será assolada pelo problema do dualismo por ainda um longo período de sua existência.

Tudo isso demonstra, assim esperamos, que Vigotski, como filósofo da ciência, demonstrou um profundo conhecimento dos problemas da psicologia e buscou ofertar algumas análises penetrantes desses problemas. Vigotski merece ser conhecido não somente como o excelente psicólogo infantil e da educação que era. Ele foi, igualmente, e provavelmente de um modo mais enfático, um teórico da psicologia e um filósofo da ciência.


Referências
Bayertz, K. (1980). Wissenschaft als historischer Prozeß. München: Wilhelm Fink Verlag.
Boeselager. W.F (1975). The Soviet critique of neopoiitniim. Dordrecht: Reidel.
Bohring, E.G. (1950). A history of experimental psychology. New York: Appleton-Century-Crofts.
Bruner, J. (1985). Vygotsky: a historical and conceptual perspective. In J.V Wertsch (ed ). Culture, communication, and cognition: Vygotskian perspectives. Cambridge: Cambridge University Press.
Chalmers, A.F (1982). What is this thing called science? Queensland: University of Queensland Press.
Engels, F (1978). Dialektik der Natur. Berlin: Dietz Verlag.
Jakobson, R. (1985). Isbrannye raboty. Moscow: Progress Publishers.
Jarpsevski, M. G. (1985). Posleslovie (Afterword). In: L.S. Vygotsky. Sobranie socinenij. Naucnoe nuledstvo. Moscow: Pedagogika.
Kendler H. H. (1981). Psychology: A science in conflict. New York: Oxford University Press.
Popper, K. R & Eccles. J C (1977). The self and it's brain: An argument for interactionism. Berlin: Springer.
Potebnja, A. A. (1922). Mysl' i jazyk. Odessa: Gosudarstvennoe Izdaiel'suo Ukrainy.
Tolmin, S. (1978). The Mozart of psychology. New York Review of books, 28, 51 – 57.
Van der Veer, R. (1985). Cultuur en cognitis. De théorie »an Vygotsky. Groningen Wolters-Noordhoff.
Van der Veer R (1986). Vygotsky's developmental psychology. Psychological Reports, 59, 527-536. (a).

Van der Veer, R. (1986). Dualism in psychology. A Vygotskian analysis. Unpublished manuscript. (b) Van der Veer, R. & Van Ijzendoorn, M.H. (1985). Vygotsky's theory of the higher psychological processes: Some criticsm. Human Development, 28, 1-9.


Valsiner, J. (1986). Developmental psychology in the Soviet Union. Unpublished manuscript. Vygotsky, L. S. (1968). 0 dvuch napravlenijach v ponimanii prirody emocij v zarubeznoj psichologii v nacale xx veka. Voprosy psichologii, 2, 149-156.
Vygotsky, L. S. (1970). Spinoza i ego ucenie ob emocijach v svete sovremennoj plichonevrologii. Voprosy filosofii, 6, 120-130.
Vygotsky, L. S. (1982). Sobranie socineni j. Voprosy teorii i istorii psichologii. Moscow: Pedagogika.
Vygotsky, L. S. (1984). Sobranie socinenij. Naucnoe nasledjtvo (Collected Works.
Scientific Legacy). Moscow: Pedagogika.

Recebido: 06/11/2013



Aprovado: 08/11/2013

1 Artigo apresentado no Primeiro Congresso Internacional de Teoria da Atividade, Berlim, 1986. Traduzido por Dener Luiz da Silva, com a permissão dos autores.

2 Na presente tradução preferimos utilizar a grafia atualmente consensual no Brasil para o nome de Vigotski (preferindo-se a aproximação sonora à utilização de caracteres ou letras diversas). Nos casos em que há menção à bibliografia acessada pelos autores do artigo, deixou-se com a grafia original sugerida pelos autores (NT).

3 Professor doutor, Universidade de Leiden, Holanda. Endereço: Pieter de la Court Gebouw, Wassennarseweg 52, 2333 AK Leiden, Holanda. E-mail: veer@fsw.leidenuniv.nl

4 Professor doutor, Clark University, EEUU. E-mail: jvalsiner@clark.edu

5 “Com os seus” - expressão latina no original (N.T.)

___________________________________________________________________________
Pesquisas e Práticas Psicossociais – PPP - 8(2), São João del-Rei, julho/dezembro/2014




©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal