Viagens na minha terra



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Viagens na minha terra








Ensino Médio

Viagens na minha terra

Estudo da obra de Almeida Garret



Disciplinas/Áreas do Conhecimento:


Língua Portuguesa - Literatura

Competência(s) / Objetivo(s) de Aprendizagem




  • Compreender o contexto histórico representado na obra;

  • Superar barreiras impostas pelo texto;

  • Conhecer as características do romantismo português presentes na obra;

  • Identificar as marcas autorais de Almeida Garret.

Conteúdos:



  • Viagens na minha terra, de Almeida Garret


Palavras Chave:




  • Viagens; Almeida Garret; romatismo português;


Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais





  1. Para conhecer toda a obra digitalizada de Almeida Garret, consulte a Biblioteca Nacional – Portugal – http://www.purl.pt/96/1/

  2. Para visualizar o percurso de Lisboa a Santarém, visite http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&tab=wl

  3. Para conhecer estudos sobre a relação entre do tema ‘viagens’ em outros autores leia a Revista da Pós-Graduação em Literatura Portuguesa - www.omarrere.uerj.br/numero9/amelia.html

  4. Para saber mais sobre a revolução de Vilafrancada, consulte

http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223994964L3gJY0wx8Uk73LA5.pdf

  1. Para apresentar e contextualizar a vida e a obra de Almeida Garret, assista ao vídeo http://www.youtube.com/watch?v=ho2ZqiVUCss

OBRAS:

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura : momentos decisivos. 6.ed., Belo Horizonte, Ed. Itatiaia, 2000.

CANTARIN, Benedito Eduardo Soares de Souza. Análise estilística do romance Viagens na minha terra.

Dissertação de mestrado apresentada a Universidade Presbiteriana Mackenzie. 2009. Disponível em www.dominiopublico.gov.br/dowload/texto/cp136481.pdf

GARRET, Almeida. Viagens na minha terra. 3.ed., São Paulo: Martin Claret, 2012.

Proposta de Trabalho

1ª Etapa: Aproximação com o tema:


Inicie a aula fazendo os seguintes comentários:

  • Almeida Garret é um escritor do romantismo português e esteve engajado no projeto literário que visava à reconstrução da cultura portuguesa, já que havia, em Portugal, uma crise identitária, uma vez que se iniciavam guerras civis entre absolutistas e miguelistas.

  • Antes de publicar a obra Viagens na minha terra, Garret escreve outras obras em que mostra engajamento em relação à pátria, exila-se em 1823 na Inglaterra, por conta da Revolução de Vilafrancada (o golpe miliar de D. Miguel), e tem contato com as obras de Byron, Walter Scott, Shakespeare, e com uma nova concepção artística: o romantismo.

  • A obra Viagens na minha terra é um romance publicado em 1846 e trata da viagem realizada de Lisboa a Santarém pelo autor, entre 17 a 26 de julho de 1843.

Depois de fazer esses comentários, mostre aos alunos o percurso realizado por Almeida Garret no google maps, acessando o item 2 de “Para saber mais” (coloque Lisboa- Portugal em A e Santarém – Portugal em B). Chame a atenção para o fato de, hoje, a viagem ter em torno de uma hora. Nesse momento, explore com os alunos a obra, incialmente, folheando os capítulos, identificando que antes do início de cada capítulo o autor apresenta como se fosse o ‘mote’, ou seja, o assunto a ser tratado no capítulo. Em seguida, faça uma leitura dirigida do primeiro período do Capítulo 1 e analise as referências a outros autores, ressaltando a importância da leitura das notas de rodapé:

Que viaje à roda o seu quarto quem está à beira dos Alpes*, de inverno, em Turim, que é quase tão frio como S. Peterburgo – entende-se. Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até o quintal.”



*É visível alusão ao popular e inimitável opúsculo de Xavier de Maistre, Voyage autor de ma Chambre, que decerto foi principiado a escrever em Turim e que muitos supõem que fosse concluído em S. Petersburgo. A frase que vem como epígrafe abre o primeiro capítulo da obra do autor francês.

Comente como, no trecho anterior, o autor faz uma alusão ao clima do país, mostrando que os ares de Portugal exigem que o escritor saia e ande para ver a paisagem, não se trata de escrever fechado num quarto, mas sim em movimento ao percorrer as terras do país.




2ª Etapa: Contexto histórico e social de Portugal na metade do século XIX


Explique aos alunos que revisitar a pátria com um olhar nacionalista é uma característica do Romantismo, bem como, fugir da realidade e ter uma visão subjetiva. Comente com os alunos que:

  1. Após a independência econômica do Brasil, inicia-se o período moderno em Portugal, tanto na vida social quanto na econômica, havendo uma crise da burguesia, pois se diminuíram as exportações para o mercado brasileiro. A partir disso, a burguesia procura investir na produção agrícola, porém a maioria das terras estava em posse do clero e da nobreza. Em 1820, inicia-se uma luta entre a burguesia e essas classes detentoras da posse da maioria das terras portuguesas.

  2. A guerra civil portuguesa ocorre em decorrência da crise de sucessão ao trono português (1826-1834), pois o partido constitucionalista, liderado pelo ex-imperador D. Pedro I, e o partido tradicionalista, liderado por D. Miguel, rei de Portugal entraram em oposição nessa guerra.

Comente que Garret faz referência direta a esses acontecimentos históricos, leia com os alunos o seguinte trecho do capítulo 8:

Toda guerra civil é triste.



E é difícil dizer para quem mais triste, se para o vencedor, ou para o vencido.

Ponham de parte questões individuais e examinem de boa-fé; verão que, na totalidade de cada facção em que a nação se dividiu, os ganhos, se os houve para quem venceu, não balançam os padecimentos, os sacríficos do passado e, menos que tudo, a responsabilidade pelo futuro.

Peça aos alunos que comentem essas reflexões sobre uma guerra, chamando a atenção para o fato de que Garret ainda afirma que não há possibilidade de ter outro sentimento além de tristeza.


3ª Etapa: Introdução à leitura da obra


Para introduzir os alunos na leitura do livro, apresente o vídeo “Grandes obras: Viagens na minha terra” (link 4 de “Para organizar o trabalho") , no qual se apresenta a obra como uma crônica de viagens e analisa-se o motivo da palavra ‘viagens’ no plural.

Além de se conhecer a vida do autor e, também, a relação desta com a obra. Chame atenção dos alunos para a importância de Garret para a literatura portuguesa moderna, segundo alguns críticos apresentados no vídeo.

Peça para que anotem possíveis dúvidas para que sejam tiradas após o vídeo. Alguns alunos têm dificuldade de entender o português de Portugal, auxilie-os a reconhecer essa variante linguística.

4ª Etapa: Estrutura da obra


Explique aos alunos que a obra divide-se em dois níveis narrativos – o primeiro baseado nas impressões das viagens feitas (1843) e o segundo, que se inicia no capítulo 10, baseado na história de Carlos e Joaninha – ocorrida na época da luta entre os liberais e os miguelistas (1830-1834).

No primeiro plano narrativo, comente sobre a idealização da beleza da pátria e sobre a intertextualidade com outras obras e autores, para ilustrar isso, leia o seguinte trecho do segundo capítulo:

Estas minhas interessantes viagens hão de ser uma obra-prima, erudita, brilhante de pensamentos novos, uma coisa digna do século. Preciso de o dizer ao leitor, para que ele esteja prevenido; não se cuide que são quaisquer dessas rabiscadoras da moda que, com o título de Impressões de Viagem, ou outro que tal, fatigam as imprensas da Europas sem nenhum proveito da ciência e do adiantamento da espécie.”

Analise o uso da função metalinguística, que tem como objetivo mostrar o caráter quase documental da obra, enfatizando que a obra difere-se de outras por ser erudita. Escolha outros trechos em que o autor alude a escritores canônicos para validar a afirmação que faz nesse capítulo.

Peça para que os alunos leiam os capítulos 2 e 3 e vejam quais as aspirações de Garret ao se narrarem essas viagens e, também, o diálogo com o leitor que afirma desapontar “o leitor benévolo”. Pergunte aos alunos por que poderia desapontá-los?



No segundo plano narrativo, início no capítulo 10, mostre aos alunos que Garret chega a Santarém e subjetivamente narra as belezas do lugar, afirmando ser ali “o Éden que o primeiro homem habitou com a sua inocência e com a virgindade do seu coração”. E em meio a este paraíso, ele vê uma janela. Leia com os alunos esse trecho:

Interessou-me aquela janela.



Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali? Parei e pus-me a namorar a janela.

Encantava-me, tinha-me ali como num feitiço. Pareceu-me entrever uma cortina branca... e um vulto por detrás... imaginação, decerto! Se o vulto fosse feminino!... Era completo o romance.”


Comente que aqui se inicia a narrativa dentro da narrativa, na qual eles conhecerão a menina dos rouxinóis, Joaninha, sua avó, seu primo Carlos e um amigo da família, Frei Dinis.

5ª Etapa: Leitura e discussão

Explique aos alunos que serão feitas leituras de trechos de capítulos, que eles devem reconhecer o subjetivismo presente na obra e também a fuga da realidade, apresentada no meio a divagações e digressões, como exemplo, leia com eles o seguinte do capítulo 4:


Aí paramos, e acordei eu.

Sou sujeito a estas distrações, a este sonhar acorro dado. Que lhe ei de fazer? Andando, falando, escrevendo, sonho e ando, sonho e falo, sonho e escrevo. Francamente me confesso de sonâmbulo, de soniláquio, de... Não, fica melhor com seu ar de grego (hoje tenho a bossa helênica num estado de tumescência pasmosa!); digamos sonílogo, sonígrafo...”

Comente que isso se confirma ao longo da narrativa. Exemplifique com o capítulo 5, como a idealização romântica não se confirma quando ele chega ao pinhal de Azambuja, leia o início junto com os alunos para mostrar a indignação do narrador:

Este é que é o pinhal de Azambuja?

Não pode ser.

Esta, aquela antiga selva, temida quase religiosamente como um bosque druídico? E eu que, em pequeno, nunca ouvia contar uma história de Pedro de Mala-artes, que logo, em imaginação, lhe não pusesse a cena aqui perto! ... Eu que esperava topar a cada passo com a cova do capitão Roldão e da dama Leonarda!... Oh! Que ainda me faltava perder mais esta ilusão...”

Depois disso, peça que eles anotem dúvidas enquanto fazem a leitura sozinhos e tirem-nas em sala.


5ª Etapa: Fechamento


Para finalizar o trabalho, solicite que cada aluno analise oralmente pelo menos um capítulo, observando as características do romantismo português.

Peça para que selecionem trechos e discutam com a sala o que há de exemplo sobre subjetivismo, nacionalismo e fuga da realidade.



Idealização e Edição Final NET EDUCAÇÃO | Plano de aula: Profa. Ms. Glaucia Luiz





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