Valor nutritivo e composição química de pastagens de amendoim forrageiro ou trevo vermelho



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VALOR NUTRITIVO E Composição química de pastagens de amendoim forrageiro ou trevo vermelho

Resumo

O objetivo desta pesquisa foi avaliar o valor nutritivo e a composição química da forragem de leguminosas consorciadas com o capim elefante (CE) + espécies de crescimento espontâneo (ECE) + azevém anual (AZ) + amendoim forrageiro (AF), como tratamento T1; e CE + ECE + AZ + trevo vermelho (TV), como T2. O CE foi estabelecido em linhas afastadas a cada 4 m. O azevém anual foi estabelecido entre as linhas do CE durante o período hibernal; o TV foi semeado e o AF foi preservado. O experimento foi realizado entre outubro de 2009 e abril de 2010, sendo realizados seis pastejos. Foram coletadas amostras de forragem das leguminosas, simulando o pastejo, para determinação dos teores de matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), digestibilidade in situ da matéria orgânica (DISMO), fenóis totais (FT), taninos totais (TT) e taninos concentrados (TC). Os valores médios de MO, PB, FDN, DISMO, FT, TC e TT foram de 90,8; 20,96; 48,38; 86,68; 1,92; 1,42 e 1,39 %; e de 91,84; 21,41; 41,36; 85,18; 1,90; 1,31; e 0,17 % para o amendoim forrageiro e o trevo vermelho, respectivamente. Valores superiores (P≤0,05) foram observados no teor de TC da forragem do amendoim forrageiro.


Palavras-chave: Arachis pintoi; digestibilidade; fibra em detergente neutro; compostos fenólicos; proteína bruta; Trifolium pratense.
nutritive value and Chemical composition of forage peanut and red clover pastures

Abstract

The objective of this research was to evaluate the nutritive value and the chemical composition of two forage legumes mixed with elephantgrass (EG) + spontaneous growing species (SGS), annual ryegrass (RG) + forage peanut, for treatment T1; and EG + SGS + RG + red clover, for T2. EG was planted in lines with a distance of 4 m each one of them. Ryegrass was sowed between rows of EG during the cool-season; and the red clover was sowed and de forage peanut was preserved. The experiment was carried out from May 2009 to April 2010, in six grazing cycles. Samples of forage legumes were collected by hand-plucking technique to analyze the organic matter (OM), crude protein (CP), neutral detergent fiber (NDF), organic matter in situ digestibility (OMISD), total phenols (TF), total (TT) and condensed tannins (CT). The mean values of OM, CP, NDF, OMISD, TF, TT and CT were 90.8; 20.96; 48.38; 86.68; 1.92; 1.42 e 1.39 %; and 91.84; 21.41; 41.36; 85.18; 1.90; 1.31; e 0.17 %, for forage peanut and red clover, respectively. Superior value (P≤0.05) were observed for CT tenor in the forage peanut.


Key words: Arachis pintoi; digestibility; neutral detergent fiber; phenolic compounds; crude protein; Trifolium pratense.

Introdução

A produção de leite no Rio Grande do Sul é uma das atividades predominantes e mais importantes especialmente nas pequenas e médias propriedades. Em grande parte delas, as pastagens são a principal fonte de volumoso para os bovinos, constituídas especialmente por gramíneas. Nessa estratégia, o capim elefante tem representado em diferentes regiões do País, uma alternativa importante na alimentação volumosa dos animais (SILVA et al., 2002).

Na maioria das pesquisas, avalia-se o capim elefante especialmente no período estival, envolvendo, muitas vezes, o ápice de sua produção, entre o final da primavera e o verão, sendo poucas as referências que analisam essa forrageira no decorrer do ano agrícola (OLIVO et al., 2007).

Nas propriedades, o capim elefante é estabelecido de forma singular, sendo escassos os estudos que avaliam essa cultura em associação com outras espécies, visando à constituição de sistemas forrageiros (SOBCZAK et al., 2005), para uso da pastagem no decorrer do ano agrícola, com maior equilíbrio entre produção e qualidade da forragem.

Nesse sentido, pesquisas vêm sendo feitas com o objetivo de se melhorar a produtividade destes sistemas pela introdução de leguminosas de ciclo hibernal, como o trevo vermelho (PAIM, 1994) ou estival como o amendoim forrageiro (MACHADO et al., 2005), caracterizadas por seu elevado valor nutritivo (OLIVO et al., 2009), por contribuir para a redução de adubação química (SANTOS et al., 2002) e prevenir a degradação das pastagens (AROEIRA et al., 2005). Embora esse potencial forrageiro, possuem também fatores anti-nutricionais com destaque para os taninos, que apresentam-se com teores variáveis nas leguminosas (LASCANO, 1994), podendo influenciar no desempenho dos animais, especialmente quanto ao consumo de forragem. Estudos que avaliam o valor nutritivo e a composição química de leguminosas forrageiras sob consórcio e em condições de pastejo, notadamente quanto aos níveis de taninos, são escassos.

Assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar o valor nutritivo e a composição química de leguminosas (amendoim forrageiro e trevo vermelho) submetidas ao consórcio com gramíneas e pastejadas por vacas em lactação.



Material e métodos

O trabalho foi conduzido em área experimental pertencente ao Departamento de Zootecnia da UFSM, situado na região da Depressão Central (Santa Maria, RS), se localiza cartograficamente a 29º43´45.41´´ de latitude e 53º42´03.62´´ de longitude. As médias de temperatura e precipitação foram de 19,31ºC e 2368 mm. Para a temperatura os valores foram semelhantes às normais. No entanto, no período estival as precipitações excedem a média histórica, exceção feita entre o final de fevereiro e a metade de março, verificando-se déficit hídrico. O clima da região é o subtropical úmido (Cfa) segundo a classificação de Köppen e o solo é classificado como argissolo vermelho eutrófico (EMBRAPA, 2006). Os tratamentos foram constituídos pelas leguminosas, amendoim forrageiro e trevo vermelho, em consórcio com dois sistemas forrageiros, tendo como componentes comuns o capim elefante, as espécies de crescimento espontâneo e o azevém anual.

A área experimental utilizada foi de 0,52 ha (subdividida em quatro piquetes de 0,13 ha cada um), tendo como base forrageira o capim elefante (Pennisetum purpureum Schum.), cv. Merckeron Pinda, estabelecido, desde 2004, em linhas afastadas a cada 4 m. Nas entrelinhas, em dois piquetes, foi estabelecido, em 2004, o amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krap. e Greg.), cv. Amarillo. No dia 11 de maio de 2009, foi semeado o azevém anual (Lolium multiflorum Lam.), cv. Comum, em toda a área entre as linhas formadas por touceiras do capim elefante, à razão de 30 kg/ha, mediante escarificação do solo. Em dois piquetes semeou-se também o trevo vermelho (Trifolium pratense L.), cv. Estanzoela 116, à razão de 3 kg/ha. As áreas foram estabelecidas e manejadas sem uso de herbicidas, permitindo-se o desenvolvimento de espécies de crescimento espontâneo.

Para a adubação foram utilizados 300 kg/ha de adubo N-P2O5-K2O (5-20-20) e 13 kg/ha de KCl, conforme análise de solo e as recomendações para leguminosas perenes (SBCS, 2004). Como adubação de cobertura, fez-se uma aplicação de úreia, correspondendo a 13,5 kg/ha de nitrogênio. A pesquisa foi conduzida entre outubro de 2009 e abril de 2010, correspondendo ao ciclo de produção do amendoim forrageiro. O tempo de ocupação de cada piquete variou de um a dois dias.

Na avaliação, foram usadas vacas em lactação da raça Holandesa, com peso vivo médio de 565,24 ± 33,52 kg, e produção média de leite de 21,5 ± 6,1 kg/dia. Os animais foram submetidos à rotina de ordenha às 7 h e às 16 h. Após as ordenhas, as vacas receberam complementação alimentar de acordo com a produção de leite. Em média foram fornecidos 5 kg de concentrado/dia. As vacas permaneceram nas pastagens das 9 h às 15 h 30 min e das 18 h às 6 h 30 min.

Antecedendo a entrada dos animais, estimou-se a massa de forragem mediante a técnica de dupla amostragem (WILM et al., 1944). No capim elefante os cortes foram feitos a 50 cm do solo e nas entrelinhas rente ao solo. As amostras foram pesadas e homogeneizadas, sendo retirada uma subamostra para estimativa das composições botânica da pastagem e estrutural do capim elefante, sendo posteriormente secas em estufa para determinação da matéria parcialmente seca.

Para a determinação da composição química da forragem, foram retiradas amostras, em cada piquete, simulando o pastejo (EUCLIDES et al., 1992), sendo secas e depois moídas em moinho do tipo Willey, acondicionadas e posteriormente analisadas.

Em todas as amostras foram determinados os teores de matéria seca por secagem em estufa a 105ºC durante 8 horas e cinzas por queima em mufla a 600ºC durante 3 horas. O teor de matéria orgânica foi calculado como MS – cinzas. O teor de nitrogênio total foi determinado pelo método de Kjeldahl, (AOAC, 1995). O teor de fibra em detergente neutro foi determinado conforme método descrito por Silva e Queiroz (2002), adaptado para a utilização de autoclave (SENGER et al., 2008). Para a digestibilidade in situ foi utilizada a técnica desenvolvida por (MEHREZ e ORSKOV, 1977), que avalia a degradação de alimentos em sacos porosos nas condições reais do ambiente ruminal.

Para a determinação dos compostos fenólicos da forragem das leguminosas, as amostras do amendoim forrageiro e do trevo vermelho, foram parcialmente secas, moídas e armazenadas para posterior análise, conforme metodologia descrita por Makkar (2000).

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com dois tratamentos (leguminosas), duas repetições de área (piquetes) e em parcelas subdivididas no tempo (ciclos de pastejo). Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste F, ao nível de 5 % de probabilidade do erro, e de correlação, através do coeficiente de Pearson. As análises foram efetuadas com auxílio do pacote estatístico SAS (1997).

O modelo estatístico referente à análise das variáveis estudadas da pastagem foi representado por: Yijk = m + Ti + Rj(Ti) + Ck + (TC)ik + ijk, em que: Yijk representa as variáveis dependentes; i, índice de tratamentos (sistemas forrageiros, para avaliação da composição botânica e leguminosas, para análise do valor nutritivo e composição química); j, índice de repetições (piquetes); k, índice de pastejos; m é a média de todas as observações; Ti é o efeito dos tratamentos; Rj(Ti) é o efeito de repetição dentro dos tratamentos (erro a); Ck é o efeito dos ciclos de pastejo; (TC)ik representa a interação entre os tratamentos e pastejos; ijk é o erro experimental residual (erro b).



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