Vai e não peques mais



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Encontro23.02.2019
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VAI E NÃO PEQUES MAIS

Neumoel Stina
 

Há na Bíblia uma história maravilhosa e impressionante de como Jesus devolveu a alegria de viver a uma pobre pecadora.

 

Quase todos queriam a condenação para a vítima, talvez até ela mesma pensasse que este seria o melhor caminho.



 

Mas, Jesus que veio buscar e salvar o perdido, não queria a condenação, mas almejava oferecer o Seu perdão, àquela pobre alma, livrando-a da morte.

 

A Bíblia em João 8: 1 a 11 nos conta esta história: “Mas Jesus foi para o monte das Oliveiras. De manhã cedo apareceu de novo no templo, e todo o povo se reuniu em volta dEle, e Ele se assentou para os ensinar. Os escribas e os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada a em adultério.



 

Puseram-na de pé no meio do grupo, e disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em adultério. Na lei nos ordenou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas. Tu, o que dizes?

 

Eles usavam essa pergunta como uma armadilha, para terem de que acusá-lo. Mas Jesus se inclinou, e começou a escrever na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Ele se endireitou e disse: Aquele que entre vós está sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.

 

Inclinando-se novamente, escrevia na terra. Quando ouviram isto, foram-se retirando um a um, a começar pelos mais velhos, até que ficou só Jesus e a mulher no meio onde estava. Jesus endireitou-se, de novo e disse: Mulher, onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu Ela: Ninguém, Senhor. Disse Jesus: Nem eu tão pouco te condeno. Vai, e não peques mais.”

 

O tumulto podia ser ouvido a um quarteirão dali. Interrompendo o pacífico amanhecer da cidade. E ali, no meio da multidão que se reunira para ouvir a Jesus, ela foi atirada.



 

Descalça e desgrenhada. Transpirando por causa do esforço que fizera, jazia ali. Tinha o cabelo molhado caindo-lhe no rosto. Os maxilares, endurecidos, os dentes, cerrados. Os lábios pressionados em resistência. As narinas dilatadas numa respiração aflitiva.

 

“Adultera!”, acusam-na. “Apanhada em flagrante!” Mas por quem? E por quê? Os Mestres e fariseus pedem que se cumpra a Lei, e querem a pena de morte. Mas para que uma pessoa sofra a pena de morte, a Lei exige que haja pelo menos duas testemunhas. Testemunhas para o ato de adultério.



 

Você pode imaginar a cena? Fariseus que sussurram e espionam, espreitando curiosos à janela da casa onde estava aquela mulher. Por quanto tempo ficaram ali? O quanto teriam visto?

 

Não estariam seus corações igualmente cheios de adultério ao espreitá-la naquele lugar de encontros clandestinos? No mínimo dois testemunharam o ato. Embora sem escrúpulos pelo pecado, e nenhuma compaixão pelo pecador.



 

Quando já haviam visto suficiente, esses protetores da moralidade arrombaram a porta do quarto onde ela estava nua e indefesa.

 

Debatia-se, enquanto eles lutavam para subjugá-la. Enfiaram-lhe as roupas como se fosse um animal capturado num saco, e esperneando e gritando foi levada à praça do mercado.



 

Chegou assim ao templo. Arrancada da privacidade de um abraço roubado e lançada à vergonha pública. Isto, pensava, é o fim. Seu destino sempre ligado ao dos homens. Das mãos deles havia recebido o pão. Agora, pedras.

 

Lá estava ela, sombria e calada, o olhar de ódio. A cada olhar, retorna outro, vindo de cada um que a cerca. Devolvendo-lhe o ódio incandescente que marca sua alma. Todos a encaram, exceto Jesus.



 

Enquanto isso, onde está o seu amante? Permitiram-lhe que escapasse pela janela, com o apoio das testemunhas? Sem dúvida fazia parte da conspiração de apanhar Jesus numa armadilha.

 

Pois não era a mulher que eles queriam destruir, nem tão pouco a Lei que queriam preservar. Ela era apenas a isca; as perguntas que faziam, eram a mola da armadilha.



 

Para desapontamento dos líderes, Jesus não entra no debate. Simplesmente, abaixa-se e concentra-se em pensamentos.

 

O silêncio é impressionante; o drama, intenso. Com os dedos, Ele escreve na areia. As cabeças inclinam-se para decifrar a escrita.



 

Permanecerá para sempre um mistério. Talvez fosse a respeito dos pecados cometidos pelo povo. Talvez fosse uma citação de Moisés. Talvez escrevesse os nomes dos líderes preeminentes da cidade. O que tenha sido, não foi para os nossos olhos, apenas para quem estava lá.

 

Jesus levanta-se: Todos os olhos se fixam nEle. Por fim responde: “Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.”.



 

Uma a uma, as pedras caíram ao chão. E um a um, afastaram-se dali. Começando pelos mais velhos, talvez por serem os mais sábios. . . ou, quem sabe, os mais culpados.

 

Jesus abaixa-se para escrever novamente. Desta vez, apenas para a mulher. Estão a sós, agora - a transgressora e o legislador. É o único que tem poder para condená-la, mas não o faz.



 

Ela dá um longo suspiro. O coração palpitando como uma mariposa presa entre as mãos. O Salvador enfrentou a todos por ela. Ela é a vitória dEle. Levanta-se novamente, desta vez para libertá-la: “Ninguém te condenou?” pergunta.

 

Ao que ela responde num tímido balbuciar: “Ninguém Senhor”. Quieta ela aguarda. Com certeza, Ele lhe preparava um sermão. Mas não houve sermão algum.



 

Só palavras de graça e encorajamento: “Nem eu tão pouco te condeno, vai e não peques mais!”. Ao ouvir estas palavras de verdade: deveria deixar para trás a vida de pecados.

 

O temor diminui. As feições abrandam-se. As rugas da testa se desfazem. Devo ficar? Devo perguntar alguma coisa? Devo agradecer-lhe? As dúvidas percorrem sua mente.



 

Olha-O. O semblante está se descontraindo. Para Ele também havia sido uma provação. Respira fundo, e seu sorriso parece dizer: “Vai, você está livre agora”.

 

Abre a boca para dizer algo. Mas as palavras não vêm. Afasta-se, e antes de dobrar a esquina, pára. . . pensa. . . e olha para trás a fim, de agradecer-lhe.



 

Mas Jesus está sentado, com a face apoiada nas mãos, orando ao Pai. Volta-se então e segue o seu caminho, deixando para trás uma vida de pecados e sofrimento.

 

Não há mais lágrimas agora. Anos mais tarde, haverá. Em alguns momentos durante o dia, quando olhar para os filhos adormecidos em seus leitos; ao despedir-se do marido quanto este sair para o trabalho, de manhã; ao amassar o pão na solidão da cozinha.



 

Um casamento que não deveria ter tido. . .uma vida que não deveria ter vivido. Nada disso importava diante de um tão maravilhoso Salvador. Um Salvador que enfrentara a todos quantos queriam lançar-lhe pedras.

 

Um Salvador que condescendeu em acolhê-la e enviá-la novamente ao seu caminho, perdoada.



 

Um dia Jesus limpará de nossos olhos toda a lágrima, mas enquanto aqui estivermos devemos caminhar segurando na Sua mão.



 

Segurar as mãos de Jesus é como ouvir dEle: “Vai e não peques mais”.



 


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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho




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