UtilizaçÃo de 1-mcp no controle de patógenos em pós-colheita na produçÃo integrada do meloeiro



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1-MCP - UMA NOVA TECNOLOGIA NO CONTROLE DE DOENÇAS EM PÓS-COLHEITA NA PRODUÇÃO INTEGRADA DO MELOEIRO
Daniel Terao1

Cynthia Renata Lima Sá1



Renata Damasceno Moura1
O melão destaca-se por sua grande expressão na exportação e contribuição na balança comercial de frutas frescas brasileiras. Na pauta das exportações de 2002, o melão foi a segunda fruta fresca de maior peso econômico, US$ 37,8 milhões, sendo superado apenas pela manga, US$ 50,8 milhões. A produção integrada de frutas tem como objetivo a produção com alta qualidade obtidos em sistemas de baixo impacto ambiental, monitorando toda produção e controle de doenças e pragas. A segurança sanitária, a qualidade e a não apresentação de contaminação biológica ou resíduos de produtos químicos são exigências do mercado internacional. Os frutos são produtos perecíveis, com vida pós-colheita curta, mesmo depois de destacados da planta mãe, necessitando de controle dessa vida pós-colheita para que não comprometa a qualidade e diminua a vida útil do produto. De modo geral, as podridões pós-colheita são de difícil controle e têm sido responsáveis por grande porcentagem de perdas de produtos colhidos. Atualmente, há uma tendência crescente à restrição de uso de qualquer tratamento químico em pós-colheita, visto que o uso de fungicidas neste período é o principal fator de contaminação de frutos. Soma-se a isto, o declínio da eficiência dos principais ingredientes ativos registrados para o controle químico de podridões em pós-colheita, devido ao aumento e predomínio de isolados resistentes dos principais patógenos envolvidos nas podridões. Uma nova ferramenta, 1-metilciclopropeno (1-MCP), tem sido acrescida à lista de opções de produtos que aumentam a vida útil e qualidade de frutas e hortaliças. Acredita-se que o 1-MCP liga-se ao sítio de recepção do etileno inibindo sua ação, reduzindo-se severamente as mudanças associadas ao amadurecimento, prolongando a vida pós-colheita dos frutos. No entanto, a literatura disponível relacionada à utilização de 1-MCP no desenvolvimento de doenças em pós-colheita é ainda bastante escassa, inconsistente, e os resultados demonstram ser espécie-específicos. Em avaliações realizadas na Embrapa Agroindústria Tropical sobre o efeito de 1-MCP aplicados em melão Orange observou-se que este tratamento contribuiu significativamente na redução da respiração do fruto. Apesar do pico de emissão de CO2 ter ocorrido no mesmo período que o da testemunha em virtude do estresse natural que ocorre durante a colheita e o transporte. Os frutos testemunhas mantiveram elevados níveis de respiração até o final da avaliação sendo que em frutos tratados com 1-MCP observou-se uma drástica redução após o pico respiratório. Observou-se que a emissão de etileno em frutos testemunhas apresentou um padrão climatérico com pico ao redor de 5º dia após a colheita com valor ao redor de 20L C2H4.Kg-1.h-1, declinando a partir de então, apresentando a partir do 10º dia uma tendência à elevação. Frutos tratados com 1-MCP, com ou sem refrigeração e testemunha com refrigeração não apresentaram emissão de etileno durante o período de avaliação, demostrando que tanto o tratamento com 1-MCP como a refrigeração atuaram de maneira efetiva no retardamento da produção de etileno. De maneira semelhante, o 1-MCP, independente do ambiente de armazenamento retardou, em média, 12 dias a abscisão do pedúnculo, indicador de maturação. Enquanto frutos testemunha, em armazenamento à temperatura ambiente apresentaram queda drástica na firmeza, reduzindo de 30N para, aproximadamente 15N em apenas cinco dias, sendo completamente descartados aos 12 dias da colheita frutos tratados com 1-MCP, armazenados nas mesmas condições de ambiente, mantiveram valores de firmeza praticamente inalterados até o 15º dia. Quando se combinou o 1-MCP e refrigeração, ocorreu um efeito aditivo no retardamento da maturação, mantendo os frutos tão firmes quanto o dia da colheita, durante todo o período de avaliação, mesmo quando retirados do armazenamento refrigerado. O tratamento com 1-MCP ao mesmo tempo em que retardou a maturação de frutos, controlou a podridão, atrasando o seu início, em média 12 dias em relação à testemunha, apresentando incremento lento da doença, mesmo quando os frutos foram retirados da refrigeração. Em relação à coloração externa e interna, frutos tratados com 1- MCP apresentaram pequenas variações de cor, não diferindo da testemunha demostrando não interferir na qualidade do fruto, apresentando-se como uma alternativa promissora no controle de podridão do fruto de melão.
Embrapa Agroindústria Tropical, Caixa Postal – 3671, Planalto Pici, CEP-60511-110, Fortaleza –CE. E.mail: daniel@cnpat.embrapa.br;




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