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Universidade Federal Fluminense

Centro de Estudos Gerais

Departamento de Educação Física e Desportos

ANAIS


III

ENCONTRO

FLUMINENSE DE

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Os Parâmetros Curriculares Nacionais

e a Educação Física Escolar

Niteroí


1999

Ribeiro, Tomaz Leite (Org.)

III ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 1999, Niteroí.

Anais... Niteroí: UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, Departamento de Educação Física e Desportos, 1999.


1. Apresentação; 2. Programação; 3. Comunicações livres; 4. Palestras; 5. Avaliação do II EnFEFE.
Departamento de Educação Física e Desportos

Universidade Federal Fluminense

Campus do Valonguinho - Morro São João Batista - s/n

CEP:24020-150 - Centro - Niteroí - Rio de Janeiro - Brasil


UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

REITOR

Prof. Cícero Mauro Fialho Rodrigues
PRÓ - REITOR DE EXTENSÃO

Prof. Dr. Firmino Marsico Filho
DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS GERAIS

Prof. Dr. Humberto Fernandes Machado
CHEFE DO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS

Prof. Ms. Luiz Tadeu Paes de Almeida
COORDENADOR DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

Prof. Dr. Waldyr Lins de Castro
COORDENADOR GERAL DO ENCONTRO

Profa. Ms. Neyse Luz Muniz
COMISSÃO ORGANIZADORA

Prof. Ms. Edmundo de Drummond Alves Jr.

Prof. Ms. Luis Tadeu Paes de Almeida

Prof. Ms. Nelson Teixeira de Carvalho

Profa. Ms. Neyse Luz Muniz

Prof. Ms. Paulo Antonio Cresciulo de Almeida

Profa. Dra. Rosane Carla Rosendo da Silva

Prof. Ms. Tomaz Leite Ribeiro

Prof. Dr. Waldyr Lins e Castro
COMISSÃO CIENTÍFICA

Prof. Ms. Edmundo de Drummond Alves Jr.

Prof. Ms. Luis Tadeu Paes de Almeida

Prof. Ms. Nelson Teixeira de Carvalho

Profa. Ms. Neyse Luz Muniz

Prof. Ms. Paulo Antonio Cresciulo de Almeida

Profa. Dra. Rosane Carla Rosendo da Silva

Prof. Ms. Tomaz Leite Ribeiro

Prof. Dr. Waldyr Lins e Castro
APOIO OPERACIONAL

Equipe de Funcionários do Departamento de Educação Física e Desportos

Núcleo de Imprensa Universitária

Pró- Reitoria de Extensão

Pró-Reitoria de Planejamento

Assessoria de Comunicação Social



APRESENTAÇÃO

É com prazer que estamos realizando o III EnFEFE que vem ocupando o seu espaço e criando a sua clientela e trazendo o assunto da Educação Física Escolar à toda das discussões.

De início queremos explicar porque estamos realizando este III Encontro fora do seu período costumeiro, em junho de 1999 e não em novembro de 98. Já vinhamos pensando em trazer este evento para o primeiro semestre para evitar o acúmulo de encontros nacionais que se realizam no final do segundo semestre. Por outro lado tivemos, em 1998, uma séria e longa greve das universidades federais que também acabou complicando o calendário. Para manter o III Enfefe no final de 1998 teríamos que fazê-lo de afogadilho, sem tempo para que colaboradores e conferencistas tivessem tempo suficiente para produzir seus trabalhos, sem falar nos problemas de divulgação, administrativos etc. Por todos estes motivos resolvemos passar o Encontro para junho, pretendendo manter junho para os próximos Encontros..

Queremos também reforçar o entendimento dos objetivos do Enfefe. Por um lado faz parte (junto com os cursos “latu sensu” e com a revista Perspectivas da Educação Física Escolar) do Programa de Pós-Graduação do Departamento cuja área de concentração é a Educação Física Escolar. Específicamente ele visa dar um espaço ao magistério de primeiro e segundo graus para expor, ouvir e debater suas práticas e preocupações. Não visamos, portanto, termos um congresso de ponta, palco das inovações, mas um congresso de renovação, que discuta os problemas que ficaram para trás. Também não é um congresso voltado para a academia, mas um congresso que pretende fazer a ponte entre a academia e a prática realizada nas escolas.

Por último queremos comunicar o efeito que os Enfefes anteriores trouxeram. A procura pelos nossos cursos “latu sensu” teve enorme aumento. Estávamos com uma turma por semestre, estamos agora com quatro. Mais do que isto. Antes, porque a clientela era pequena, os cursos buscavam atender simultaneamente a duas clientelas: a do magistério de primeiro e segundo grau e a dos que buscavam caminho para a pesquisa e a academia. Agora temos clientela mais do que suficiente para termos quatro turmas dedicadas ao magistério. Pretendemos o mais breve possível oferecer também um curso para os que buscam a academia.

Queremos expressar também que o Encontro, como o Programa de Pós-Graduação que estamos construindo, é fruto do nosso compromisso com o mandamento constitucional que a Educação é direito de todos e dever do Estado.

Por último o agradecimento a todos professores que comparecem, trazem seus trabalhos e colaborações, pois sem estas participações nada se teria conseguido.

As Comissões Científica e Organizadora

III Encontro Fluminense de Educação Escolar

III ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

PROGRAMAÇÃO OFICIAL
Local: Faculdade de Educação - Campus do Gragoatá

Dia 18 de Junho – Sexta-Feira

08:00 - Credenciamento

09:00 – Solenidade de Abertura

10:00 – Palestra “A educação brasileira: as diretrizes e os parâmetros curriculares

nacionais (PCNs)”

Palestrante – Profa. Ms. Gelta Terezinha Ramos Xavier (UFF)

Coordenador: Prof. Ms. Luiz Tadeu Paes de Almeida

12:00 – Credenciamento e almoço

14:00 – Temas Livres

Sala 1

Coordenador: Prof. Ms. Paulo de Tarso M. Pinheiro

14:00 às 14:30 - Crítica da crítica dos PCNs: uma concepção dialética.

Prof. Gilbert Coutinho Costa

14:30 às 15:00 - Aproximações da biomecânica para a educação física: análise

qualitativa do movimento - uma proposta em construção -

Prof. Ms. Hajime Takeuchi Nozaki

15:00 às 15:30 - Movimento de reorientação curricular em educação física no

município de Angra dos Reis -

Profa. Edna Ferreira Coelho



Sala 2

Coordenador: Prof. Ms. Tomaz Leite Ribeiro

14:00 às 14:30 - A importância da educação física na escola noturna. Um

caminho pedagógico viável para o ensino regular.

Prof. Antônio Carlos Silva Carvalho

14:30 às 15:00 - Educação física e o referencial curricular nacional (RCN) para a educação infantil - democratizando a discussão

Profa. Rosa Malena de Araújo Carvalho

15:00 às 15:30 - O ensino do esporte nas propostas pedagógicas de educação

física: um relato de experiência.

Prof. Carlos Fernando Ferreira Cunha Junior e outros

16:30 – Intervalo

Dia 18 de Junho – Sexta-Feira (continuação)

17:00 – Palestra “As diretrizes e os parâmetros curriculares nacionais para a educação

física frente à realidade brasileira”

Palestrante – Profa. Ms. Dinah Vasconcelos Terra (UFU)

Coordenador: Edmundo de Drummond Alves Jr
Dia 19 de Junho – Sábado
09:00 – Palestra “As Diretrizes e os Parâmetros Curriculares para a Educação Física:

Interpretações e Alternativas de Implantação”

Palestrante – Prof. Ms. Paulo Ricardo Capela (UFSC)

Coordenador: Prof. Esp. Martha Lenora Queiroz Copolillo

11:00 – Temas Livres

Sala 1

Coordenador: Prof. Ms. Nelson Teixeira de Carvalho

11:00 às 11:30 - A brincadeira no contexto das aulas de educação física escolar

de 1º e 2º ciclos do ensino fundamental: conteúdo escolar ou

estratégia pedagógica?

Profa.Ingrid Ferreira Fonseca

11:30 às 12:00 - Educação física e os temas transversais nos PCNs: A possível

formação do cidadão.

Prof. Gilbert Coutinho Costa

12:00 às 12:30 - A escola regular noturna: a inclusão da educação física para

não exclusão do trabalhador-aluno

Prof. José Ricardo da Silva Ramos



Sala 2

Coordenador: Prof. Ms. Egídio Romário Cardoso

11:00 às 11:30 - A importância da prática desportiva para a formação do

comportamento social de crianças e adolescentes.

Prof. Alexandre Augusto Cruz Oliveira

11:30 às 12:00 - O fenômeno da motivação na aprendizagem motora

Profa. Rosângela de Sena Almeida Viegas

12:00 às 12:30 - Aprendizagem em volibol: uma análise comparativa das

estratégias metodológicas, tradicional e minivolibol, em

escolares

Profa. Sandra Bellas de Romariz e outros

12:30 – Almoço



Dia 19 de Junho – Sábado (continuação)
14:30 – Temas Livres

Sala 1

Coordenador: Prof. Ms. Ana Beatriz L.F. Pinheiro

14:30 às 15:00 - Abordagens interdisciplinares, temas transversais e

valorização da educação física escolar

Prof. Walmer Monteiro Chaves

15:00 às 15:30 - A professora primária e as atividades lúdico-corporais: relação

conturbada ou falta de conhecimento?

Prof. Luiz Otavio Neves Mattos

15:30 às 16:00 - Aprendizagem, memória & envelhecimento cerebral

Prof. Carlos Alberto Moreira



Sala 2

Coordenador: Prof. Aurélio Pitanga Viana

14:30 às 15:00 - A dança nos textos de educação física: análise de uma

produção

Profa. Ana Julia Pinto Pacheco

15:00 às 15:30 - O jogo como mediador dialógico no processo ensino-

aprendizagem

Prof. Alexandre Augusto Cruz Oliveira

15:30 às 16:00 - Historiando as brincadeiras tradicionais na escola. Um projeto

pedagógico para as aulas de educação física

Prof. Alexandre Oliveira e outros

16:00 – Avaliação do III EnFEFE



Comissão de Avaliação : Prof. Ms. Hajime Takeuche Nazaki; Profa. Dra. Rosane Carla Rosendo da Silva e Prof. Dr. Waldyr Lins e Castro.
III ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

ÍNDICE DOS TRABALHOS, POR AUTOR

Ingrid Ferreira Fonseca

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 1

Ana Julia Pinto Pacheco

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 5

José Ricardo da Silva Ramos

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 9

Antônio Carlos Silva Carvalho

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 12

Alexandre Augusto Cruz de Oliveira

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 15

Luiz Otavio Neves Mattos

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 18

Walmer Monteiro Chaves

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 24

Sandra Bellas de Romariz Macedo e outros

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 27

Carlos Alberto Moreira

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 33

Hajime Takeuchi Nozaki

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 38

Gilbert Coutinho Costa

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 42

Rosa Malena de Araújo Carvalho

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 44

Gilbert Coutinho Costa

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 46

Alexandre Oliveira e outros

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 48

Edna Ferreira Coelho e outros

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 51

Carlos Fernando Ferreira da Cunha Junior e outros

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 55

Rosângela de Sena Almeida Viegas

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 58

Alexandre Augusto Cruz de Oliveira

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 61

Paulo Ricardo do Canto Capela (Palestrante)

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 64

Dinah Vasconcellos Terra.(Palestrante)

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 69

Gelta Terezinha Ramos Xavier (Palestrante)

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 72

Victor Andrade de Melo (Avaliação II EnFEFE)

' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' ' 75

COMUNICAÇÕES LIVRES
A BRINCADEIRA NO CONTEXTO DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR DE 1º E 2º CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL: CONTEÚDO ESCOLAR OU ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA?
Profª Ingrid Ferreira Fonseca
Resumo: Objetivamos com esta comunicação tecer algumas reflexões em torno da importância do/a professor/a de educação física manter uma relação de equilíbrio na utilização da brincadeira instrumental e da brincadeira essencial nas suas aulas escolares, apontando para a necessidade de uma maior sensibilização dos/as professores/as de educação física para a importância de se engajarem no mundo da criança, buscando entender os seus desejos, as suas expectativas, seus medos e os seus momentos de imaginação e criatividade.

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Introdução

Diferentes estudos têm surgido com grande interesse na discussão da importância da brincadeira para o desenvolvimento geral da criança. Estas pesquisas têm sido realizadas por diversas áreas do conhecimento, como por exemplo, a psicologia, a fonoaudiologia, a medicina, a educação, entre outras.

Em relação a educação física, acreditamos que uma das preocupações que fazem parte desta prática social é a sua inter-relação com a brincadeira no âmbito escolar, especificamente, no primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental.

Alguns estudos como: CARVALHO (1996), PINTO (1996) e SCHWARTZ (!998) têm surgido com o intuito de refletir a maneira pela qual a brincadeira pode ser desenvolvida pelos professores de educação física e possíveis motivos pelos quais o lúdico pode estar em maior ou em menor grau sendo favorecido no espaço da brincadeira durante as aulas de educação física escolar.

Com relação a questão do desenvolvimento da brincadeira nas aulas de educação física escolar, alguns destes estudos, apresentam sugestões próximas aos ideais da cultura corporal de movimento. Esta teoria sugere o desenvolvimento com as crianças de determinados conteúdos culturais, como: o jogo, a brincadeira, o esporte, a luta, a dança e a ginástica. Observa-se a preocupação destes autores em ressaltar a importância deste/a professor/a de educação física em proporcionar a seus alunos espaços para o ato de brincar.

Contudo, outros autores ligados, principalmente, à área psicológica percebem a brincadeira como possuidora de cunho formador para a vida adulta.

A partir destas apreciações, podemos observar que no contexto escolar existem duas funções para a brincadeira: a função lúdica e a função instrumental. A função lúdica, aqui chamada por brincadeira essencial, é aquela que conserva os elementos do lúdico, do divertimento, da busca de prazer e não precisa de objetivos específicos para acontecer. O seu potencial está na sua vivência livre e autônoma. A função instrumental, aqui chamada de brincadeira instrumental, é aquela que, muitas vezes, perde o aspecto lúdico essencial, pois direciona as ações para o alcance de objetivos já pré determinados, com o intuito de ensinar algo que poderá completar o indivíduo com relação ao seu saber.

Especificamente, este trabalho, tem como propósito refletir sobre esses diferentes enfoques que podem ser dados as brincadeiras dentro do contexto das aulas de educação física escolar. Destacando-se o não aparecimento do elemento lúdico na brincadeira instrumental, assim como o desequilíbrio da vivência destes dois tipos de brincadeiras, a instrumental e a essencial, durante as aulas de educação física.

A metodologia utilizada nesta pesquisa é do tipo exploratória, na medida que pretende descrever e interpretar o conteúdo da produção acadêmica, cujos temas ser referem as questões do brincar, do brinquedo, da brincadeira, do jogo, do lúdico relacionadas ou não ao universo da educação física.

Acreditamos que este estudo somado as demais pesquisas que vêm sendo realizadas em torno das temáticas: brincadeira, jogo, lúdico seja uma contribuição de grande importância para os profissionais de educação, no sentido de possibilitar um maior esclarecimento em torno dos conceitos usualmente utilizados no cotidiano da vida escolar. E, principalmente, chamar a atenção do/a professor/a de educação física para o valor da reflexão desta temática, pois esta se encontra intimamente ligada a sua prática pedagógica.

Mesmo reconhecendo suas limitações, julgamos que este trabalho apresenta uma visão crítica-reflexiva das formas como a brincadeira pode estar presente no processo ensino-aprendizagem no meio escolar. Além disto, aponta para a necessidade de uma maior sensibilização dos/as professores/as de educação física para a importância de se engajarem no mundo da criança, buscando entender os seus desejos, as suas expectativas, seus medos e seus momentos de imaginação e criatividade.

A brincadeira instrumental e a brincadeira essencial e suas inter - relações com a educação física escolar.

Para refletirmos com maior contextualidade a maneira pela qual podemos desenvolver a brincadeira nas aulas de educação física escolar do 1º e 2º ciclos do ensino fundamental, é interessante destacarmos a qual educação física estamos nos referindo.

Podemos discorrer que a prática da educação física escolar precisa estar voltada para o desenvolvimento corporal da criança, das suas competências motrizes, sem o intuito da performance, possibilitando a vivência de diversas experiências culturais que fazem parte do universo infantil, como podemos citar: os jogos, brincadeiras, ginásticas, danças, entre outros. Além disso, as aulas de educação física devem promover a autonomia da criança, a segurança na realização das atividades, o desenvolvimento da criatividade, da imaginação, do domínio corporal, do prazer e principalmente, da ludicidade.

Neste período escolar da criança, constata-se que a educação física faz interface tanto com o jogo esportivo quanto com o jogo infantil. O jogo esportivo entendido como cultura direcionada para a formação e voltado para a competição. O jogo infantil visto como brincadeira.

Acreditamos que nesta faixa etária, o jogo infantil (brincadeira) seja mais apropriado, visto que trata a questão do brincar como fim em si mesma, onde o lúdico latente e vibrante se encontra presente, fluindo. A expressão, a liberdade, a autonomia, a criatividade, o prazer do brincar da criança ficam assegurados, pois

... o brincar, por sua natureza livre, desvinculada de finalidades outras que o prazer em si da brincadeira, propicia ao ser humano flexibilidade, criatividade e autonomia” (KISHIMOTO, 1996, p. 69-70).

Podemos dizer que esta conceituação de jogo infantil está contemplada no que denominamos brincadeira essencial, isto é, aquela que conserva os elementos do lúdico, do divertimento, da busca de prazer e não precisa de objetivos específicos para acontecer. O seu potencial está na sua vivência livre e autônoma. A brincadeira essencial por possuir este lúdico vivo e irradiante, se apresenta como possibilidade de ser um espaço educativo, visto que por sua essência, não possui finalidade imediata, promovendo a criação e expressão: significados básicos para a existência de uma situação pedagógica.

Com a prática da brincadeira essencial, a criança poderá manter acesa a chama da consciência, da valorização e do respeito ao pluralismo e diversidade cultural.

Como já foi destacado anteriormente, esta forma de ver a brincadeira não é seguramente a única. Temos uma outra que é desenvolvida com aspectos instrumentais, com objetivo que é exterior a sua prática e que aqui chamamos de brincadeira instrumental. Ela é vista com uma função metodológica capaz de ensinar algo que poderá completar o indivíduo em relação ao seu saber. Dependendo da maneira como o/a professor/a de educação física desenvolva esta brincadeira, podemos, muitas vezes, observar a diminuição ou a perda do espaço do lúdico essencial, pois poderá estar havendo um direcionando excessivo das ações das crianças, sem permiti-la vivenciar momentos de escolha de suas ações e de seus papéis, de alegria, de espontaneidade, de prazer, e de descontração.

Postulamos, que o aparecimento da idéia de uma brincadeira instrumental pode ter advindo de um contato que esta começou a manter com a prática pedagógica desenvolvida no cotidiano escolar. A escola aqui pensada como as relações sociais nela presentes e que fazem a todo momento a sua própria reconstrução de significados e estigmas.

Na escola, lugar criado por adultos, pode-se esperar uma grande dose de racionalidade, que tenta sucumbir o lúdico inerente ao ato de brincar. Na grande maioria dos casos, infelizmente, a escola tem a intenção de modelar as ações e de padronizar os elementos constituintes das suas relações, seja por parte do corpo docente, seja pela parte organizacional da escola.

A escola exige certa imobilidade da criança, principalmente quando esta se encontra dentro de sala de aula (FREIRE, 1989, p.13,14). A instituição acaba reprimindo a necessidade que a criança tem de se movimentar, de construir conhecimentos e saberes através dos movimentos e de conhecer um pouco mais sobre as suas potencialidades corporais.

Portanto, a brincadeira não nasceu no seio da escola. Mas, ela foi transportada para dentro da mesma com todas as suas características, ou seja, fim em si mesma, descanso, livre organização, espontaneidade e prazer. No entanto, percebemos que ela vai se adaptando, quando necessário, ao universo da própria da escola, muitas vezes, perdendo um pouco da sua identidade.

É importante que nós entendamos que esta junção, não deve significar que a brincadeira precisa se descaracterizar para se adaptar a escola. Pelo contrário, um dos valores da brincadeira está na sua capacidade de transpor muitos dos seus valores para o íntimo do contexto escolar e dar-lhe mais movimento, mais flexibilidade e mais alegria.

Embora reconheçamos que os jogos e as brincadeiras são uma maneira de linguagem da criança, ainda está bastante tênue a idéia de serem reconhecidos enquanto conteúdos educativos por si mesmos dentro da escola, possivelmente porque ainda possuam uma conotação de não sério no imaginário das pessoas.

Postulamos, que esta questão pode ser uma mola propulsora que faz com que o/a professor/a de educação física necessite dar uma aparência mais séria às suas aulas, utilizando-se de atividades físicas que tenham objetivos exteriores ao próprio ato de brincar/jogar.

Neste sentido, o/a professor/a de educação física deve ter cuidado em não achar que toda brincadeira da criança precisa ter um objetivo pré estabelecido, para que possa ter como justificar a seriedade de sua aula, e assim ter como dizer a si mesmo, que a mesma teve um conteúdo educativo. No entanto, acreditamos que o mais significativo será ele reconhecer a necessidade de, naquele espaço pedagógico, existir a ênfase na criança, nos seus sonhos, fantasias, criatividade, na sua vivência lúdica e perceber que esses elementos são importantes para sua formação.

Logo, uma das questões que precisam ser priorizadas nesta discussão é a importância de proporcionarmos às crianças as brincadeiras instrumentais que não deixam de lado as particularidades do próprio lúdico, isto é, a autonomia, participação, expressão, criação, liberdade, prazer, cooperação, criatividade, interação, imaginação e espontaneidade.

Não podemos perder de vista o lúdico existente tanto nas brincadeiras essenciais quanto nas instrumentais. Esse lúdico se traduz na existência da espontaneidade, da imaginação, da interação. Cabe a nós professores/as darmos ênfase a utilização e a multiplicação dessas brincadeiras essenciais ou das brincadeiras instrumentais que permitem no seu interior este lúdico, onde através dele, aprende-se a brincar e a manejar os símbolos que a sociedade produz e reproduz.



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