Universidade federal de sergipe: de faculdades isoladas a expansãO (1948 2008 )



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE: DE FACULDADES ISOLADAS A EXPANSÃO (1948 - 2008 )

EIXO: História das Instituições e Práticas Educativas

Josefa Eliana Souza

DED/NPGED-GPDEHEA/PROEX - (UFS)/IHGSE/SBHE

elianasergipe@uol.com.br

Patrícia Francisca de Matos Santos

DHI/PROEX/NPGED-GEPHE - (UFS)/SBHE

patyfmatos@yahoo.com.br

Ana Paula Soares Lima

DED/PROEX - (UFS)

livrelima@yahoo.com.br

NalisonMelo

DED/PROEX - (UFS)

nalisonms@yahoo.com.br



RESUMO
A Universidade Federal de Sergipe é primeira instituição publica federal de nível superior, do Estado de Sergipe, fundada em 1968, pelo Decreto-lei nº 269. A instalação se deu graças à reunião das faculdades isoladas, a exemplo da de Ciências Econômicas (1948), Direito e Filosofia - FAFI (1950) e de Ciências Médicas (1961); seguida dos institutos de pesquisa como a Escola de Química (1948) e a de Serviço Social (1954), atingindo o número exigido para a implantação da academia. Esta nasceu sobre o regime militar, tendo como primeiro Reitor João Cardoso do Nascimento Junior. O processo de expansão da UFS concretizou-se sobretudo, nas duas últimas décadas, de modo que, hoje, a instituição se faz presente no interior de Sergipe por meio dos Campis de São Cristovão, Itabaiana, Lagarto(Campus da Saúde), Laranjeiras e os Pólos de Educação a Distancia (CESAD). Esta pesquisa configura-se num estudo histórico acerca da criação, implantação, fundação, reforma e expansão da Universidade Federal de Sergipe. A escolha deste estudo recaiu sobre um tema que tem chamado a atenção de pesquisadores a exemplo de Rollemberg e Santos (1998), Passos Subrinho (1999), Oliva (2003), Araújo (2008), Lima (2009) e Alveolos ( 2008) entre outros. Os referidos pesquisadores abordaram aspectos da História da Universidade Federal de Sergipe: do processo de gestação das escolas superiores isoladas em Sergipe; da reforma universitária e implantação da UFS; e da sua expansão. A construção deste estudo ampara-se nas pesquisas já elaborados em nível de Graduação e Pós-Graduação Latu e Stricto Senso, baseia-se também, no levantamento de fontes bibliográficas, orais, livros de registros de atas, Regimentos, Resoluções, Relatórios, Processos, Portarias, etc. coletadas em instituições a exemplo da Sala dos Conselhos, Departamentos, Centros e Núcleos de Pós-Graduações (UFS), Arquivo Central da UFS, Biblioteca Central/UFS, nas Bibliotecas Epifânio Dória, Conselho Estadual de Cultura; Secretaria de Estado da Cultura e Museu do Homem Sergipano – MUSHE. Defende-se nesse estudo, a exemplo de Fávero (2000, p. 14) que ao tratar da Universidade do Brasil afirmou que para compreender o significado da sua criação, reforma e reorganização que mais do que nos atermos à legislação, às exposições dos documentos “é fundamental conhecê-los e captar o significado de certas medidas, como parte de uma realidade concreta, permeada de contradições”. Esta pesquisa está relacionada com o estudo, em andamento, intitulado Universidade Federal de Sergipe: de Escola Superior a Universidade Multicampi. Portanto, com os resultados parciais da pesquisa pretende-se tratar da história dessa instituição de ensino superior que inaugurou uma nova forma de ver, conviver e conceber a educação, imprimindo sua contribuição para a formação do povo sergipano,assim como de outros estados.
Palavras-chave: Ensino Superior; História da Educação; Universidade Federal de Sergipe.

Introdução

Instalou-se oficialmente a Universidade Federal de Sergipe. Inicia-se uma etapa bem mais árdua e difícil que a longa batalha vencida para sua fundação. Será agora que se fixarão seus rumos futuros e se dará integração na vida sergipana, indo ao encontro das aspirações da juventude que com ela sonha, abrindo novos rumos à educação sergipana.

Não vamos esperar da Universidade, como já se esperou da draga que veio abrir a barra de Aracaju, a solução para todos os problemas do momento, principalmente quando eles estão ancorados na estrutura sócio-econômica dominante. Mas poderá concorrer para a dinamização da vida sergipana, agitando a estrutura arcaica e tradicional que teima permanecer, entravando o processo de nosso desenvolvimento.

Nasce a Universidade Federal de Sergipe, em meio a profundos problemas, uns de natureza nacional, outros de natureza local (NUNES,1968, p.2.).


Anunciando um fato singular na história da educação sergipana, Maria Thétis Nunes, apontava para a importância do acontecimento e também para as perspectivas transformadoras advindas da recém instalada Universidade Federal Sergipe. Segundo a historiadora, a UFS abriria novos caminhos para a juventude sergipana, apesar da universidade brasileira ter surgido de “forma desordenada e tumultuosa sem obedecer a qualquer planejamento ou levantamento das exigências locais” (Nunes, 1968, p. 2). Neste sentido, apontou para a falta de planejamento na criação das universidades no Brasil, naquele momento. A autora destacou também, que a implantação do ensino superior havia ocorrido no século XIX, e nisso se diferenciava dos países hispano-americanos que no século XVI já via surgir a Universidade de São Marcos, no Peru. Portanto, o Brasil estava em descompasso na corrida para o aprofundamento do conhecimento, na relação com irmãos da América Hispânica. Assim, Nunes (1968) dava relevância a transformação que vinha ocorrendo na segunda metade do século XX, com o processo de multiplicação das universidades no Brasil.

A autora apontava que a instalação da universidade poderia representar uma quebra na tradição da cultura livresca, presente no país, como também a implementação de outras práticas educativas que visassem, por exemplo o interesse pela pesquisa cientifica e pela formação de uma “mentalidade cientifica” , além de intensificar o ensino das “ciências matemáticas, físico-químicas, biológicas, praticamente aqui inexistentes” (Nunes, 1968, p. 2). A autora encerrou o texto afirmando que a UFS deveria ser “aberta às conquistas culturais do momento, pois de todos os sergipanos ausentes de privilégios e preconceitos oferecendo a oportunidade aos que a busquem conscientemente” (NUNES, 1968, p. 2).

Assim, procurar compreender as transformações verificadas no âmbito da expansão do ensino superior brasileiro constitui-se matéria de interesse de pesquisadores pelo país afora. Esta interação entre passado e presente, também chamada de função social do passado ou da história, foi analisada por Lucien Febvre como um processo sobre o qual, manifestou seu entendimento ao afirmar que “A história recolhe sistematicamente, classificando e agrupando os fatos passados, em função das suas necessidades atuais. É em função da vida que ela interroga a morte” (Lucien Febvre apud Le Goff, 2003, p.26). Inspirada em Febvre, pretende-se analisar o passado da educação superior pública sergipana, entendendo que a interação entre aquele passado e o presente são indispensáveis nesta construção histórica.

Portanto, este artigo configura-se num estudo histórico acerca da criação, implantação, fundação, reforma e expansão da Universidade Federal de Sergipe e representa um exercício de reflexão acerca do objeto de tem chamado a minha atenção, em decorrência do projeto pesquisa, em andamento, intitulado Universidade Federal de Sergipe: de Escola Superior a Universidade Multicampi. A construção deste estudo ampara-se em pesquisas já elaborados em nível de Graduação e Pós-Graduação Latu e Stricto Senso, no levantamento de fontes bibliográficas, orais, livros de registros de atas, Regimentos, Resoluções, Relatórios, Processos, Portarias, etc. coletadas em instituições a exemplo da Sala dos Conselhos, Departamentos, Centros e Núcleos de Pós-Graduações (UFS), Arquivo Central da UFS, Biblioteca Central/UFS, nas Bibliotecas Epifânio Dória, Conselho Estadual de Cultura; Secretaria de Estado da Cultura e Museu do Homem Sergipano .

A Universidade Federal de Sergipe foi instalada em sessão solene, realizada no no dia 15 de maio de 1968, às vinte horas, no Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, com a presença de dom Luciano José Cabral Duarte, presidente do Conselho Diretor da Fundação Universidade Federal de Sergipe, os membros do Colegiado, do Governador do Estado de Sergipe - Dr. Lourival Baptista, de Newton Sucupira - membro do Conselho Federal de Educação, de Tarso Dutra - Ministro da Educação e do Reitor e Vice-Reitor, entre outros1.

A implantação da Universidade Federal de Sergipe está inserida na discussão que trata da Reforma Universitária. Segundo Araújo (2008)2, é necessário ampliar a concepção de Reforma observando os Decretos-Lei nº 53/66 e o nº 252/67, que haviam sido publicados em 1966 e 1967, respectivamente. Os dois decretos, segundoo pesquisador são indispensáveis para compreender as variadas mudanças que já vinham acontecendo, no que diz respeito ao aparato jurídico que regia instituições federais de educação superior. Os dois decretos criaram os institutos federais. Estabelecia a unidade entre ensino e pesquisa e sujeitavam à concentração do ensino e da pesquisa básicos, de maneira a formarem um sistema comum a toda a universidade (Decreto-Lei nº 53/66, Art. 1º, Art.2º - Inciso II e Art. 3º) e o Decreto-Lei 253/67 que complementava o primeiro Decreto, definiu princípios inegociáveis de reestruturação das universidades:

1. Não-duplicação dos meios para fins idênticos; 2. Integração do ensino e da pesquisa; 3. Estudos básicos em um sistema comum de unidades; 4. Unidades próprias para o ensino profissional e para a pesquisa aplicada; 5. Atividades interescolares; 6. Orgão de coordenação central; 7. Sistema departamental obrigatório; 8. Orgãos setoriais (BOMENY, 2001, p.73).

A Reforma Universitária, de acordo com as pesquisas apresentadas pela socióloga, Helena Bomeny (2001), nas discussões no Conselho Federal de Educação – CFE foram iniciadas no princípio dos anos 60. Então, desde o ano de 1962 a 1968, o Conselho teve tempo para pensar tanto o sentido quanto a direção que pretendia imprimir à Reforma.Nesta fase, contou com a colaboração de Anísio Teixeira e assim, foi fortalecida com o projeto da UnB, com o qual estava comprometido. Cabe destacar que o projeto da UnB foi fonte de inspiração da Reforma que se pensava para o país, tanto para Anísio Teixeira quanto para Newton Sucupira. Desse modo, a década de 60 abriu-se trazendo a discussão sobre os modelos universitários, sobre a crise da universidade e na universidade, o exemplo da Universidade de Brasília revigorava a discussão e dava substância as novas ondas reformadoras.

De acordo com escritos publicados na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Newton Sucupira, pensador da reestruturação da universidade brasileira, apontou que a ideia da criação dos institutos era de fundamental importância para a implementação na pesquisa no ensino superior, tanto no que diz respeito a graduação, quanto a pós-graduação.

O movimento para a criação dos Institutos em nossas universidades surgiu da necessidade de se propiciarem condições adequadas ao desenvolvimento da pesquisa científica dentro de uma estrutura universitária reconhecidamente rígida e tradicionalmente orientada para o preparo das profissões liberais. [...] a missão dos institutos dentro da universidade seria a seguinte:1). Centralizar e unificar as atividades de pesquisa de determinada área do saber; 2). Funcionar como uma espécie de “Graduate School”, onde seriam dados os cursos de pós-graduação visando o doutoramento e outros cursos de aperfeiçoamento (SUCUPIRA, 1963, p. 3).

A ideia de que a instituição de nível superior deveria impulsionar o desenvolvimento da pesquisa encontrou amparo na Lei de Diretrizes e Bases (1961), apesar da forma modesta como a pesquisa foi apresentada no Art. 66 que recomendava o seguinte: “O ensino superior tem por objetivo a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, letras e artes, e a formação de profissionais de nível universitário”. Contudo, o Decreto-Lei nº 53/663 e 269/674 serviram de fonte de inspiração para que houvesse unidade entre o ensino e a pesquisa como foi representado pelo Art. 145 do Estatuto da Fundação Universidade Federal de Sergipe (EFUFS), publicado em 17 de Agosto de 1967, como também o Art. 7º 6do Estatuto da Universidade Federal de Sergipe (EUS), publicado em 01 de Fevereiro de 1968. A semelhança entre os regulamentos da Universidade Federal de Sergipe e os textos das normas federais, no que diz respeito a ao princípio da unidade entre ensino e pesquisa deveu-se as “adaptações da academia nascente à Reforma Universitária”(ARAÚJO, 2008, p. 8).

Idéias e iniciativas referentes ao Ensino Superior

A ideia de implantação de ensino superior, em Sergipe, já se ensaiava desde a segunda metade do século XIX, por ocasião da criação do Imperial Instituto Sergipano de Agricultura – IISA7, por D. Pedro II, em sua visita a Sergipe, em 1860. De acordo com os regulamentos do Estatuto do IISA, transcritos por Mott (1986, p. 159):

O Instituto deverá em proporção com os seus recursos:1. Fundar escolas e estabelecimentos normais em que se ensinem os princípios e ensaiem os sistemas mais convenientes de cultura da terra e sua preparação, os métodos que possam melhor concorrer para aperfeiçoar o fabrico dos produtos agrícolas, fazendo às expensas suas a introdução de máquinas e instrumentos que facilitem o trabalho e melhorem os processos até agora empregados.

Como registrou Mott (1986), o IISA nasceu no bojo da criação de Institutos similares nas províncias brasileiras, a exemplo do que já havia acontecido na Bahia. O sucesso desta instituição favoreceu a implantação da Imperial Escola Agrícola da Bahia. Entre os anos de 1877 a 1890 foi a única escola superior de agronomia do Brasil e funcionou oferecendo cursos em dois graus: o elementar e o superior. O elementar deveria preparar o trabalhador agrícola e o superior, formar agrônomos, engenheiros agrícolas e veterinários. Em 1880, 10 agrônomos foram formados, sendo essa a primeira turma da Imperial Escola Agrícola da Bahia. Contudo, o Imperial Instituto Sergipano de Agricultura “nunca chegou a funcionar efetivamente, tendo os responsáveis pela instituição se envolvido em uma mal explicada história de prestação de contas dos recursos que o Imperador Pedro II destinou a sua implantação e funcionamento” (Nascimento, 2004, p. 60).

Contudo, o desejo de implantar escola de nível superior se manteve em Sergipe e as tentativas foram registradas8. Por meio do Ato de 20 de agosto de 1898, o Presidente do Estado, em exercício, Daniel Campos tentou fundar uma Academia de Direito em Sergipe. Porém, segundo Nunes (1984, p. 194), Campos não obteve sucesso. Pautado no intento de criar uma escola de nível superior esteve, também, o Presidente do Estado, Guilherme de Souza Campos, que em 20 de Novembro de 1907, segundo informa Nunes (1984, p. 194) teria disponibilizado um financiamento de vinte contos de reis (20:000$000) para que fosse criada uma Faculdade de Direito.

Assim, após estas tentativas, foi implantado em 1913, durante a administração do Governador do Estado de Sergipe, José Siqueira de Menezes, o Seminário do Coração de Jesus9, pela ação do 1º Bispo de Sergipe, Dom José Tomás Gomes da Silva. Segundo Nunes (1984, p. 219), o Seminário acolheria “ um grande número de jovens sem recursos financeiros, não só de Aracaju como do interior do Estado, estimulando vocações sacerdotais, ali formaram-se sacerdotes que iriam, depois, ocupar altos postos eclesiásticos no país,ou permanecer no Estado prestando-lhe grande contribuição ao desenvolvimento cultural”. A historiadora acrescenta ainda, que o Seminário do Coração de Jesus tornou-se “o primeiro estabelecimento sergipano de ensino superior”.

Esta afirmação também foi defendida por outros pesquisadores, a exemplo de Jackson da Silva Lima (1985, p. 94)10 ao afirmar que “com a primeira turma de formandos em humanidades, o Seminário Diocesano foi compelido a introduzir as chamadas Aulas Maiores, equivalentes ao curso superior (Ciências Eclesiásticas)”. O estudo realizado por Raylane Andreza Dias Navarro Barreto (2004, p. 12)11confirma as informações levantadas por Nunes (1984) e Lima (1985) ao argumentar: “Foi a primeira instituição considerada de nível superior em Sergipe. [...] Quando criado em 1913, o Seminário funcionou como Seminário Menor e Maior, oferecendo os cursos preparatório, filosófico e teológico”.

O Seminário Sagrado Coração de Jesus, a única que oferecia os cursos Superiores de Filosofia e de Teologia, foi importante como patrimônio material da Diocese, em virtude ser um prédio mobiliado que servia de escola de padres, residência de bispo e palácio episcopal. O Seminário teve alta representação no campo religioso, educacional, político e social pois, do seu interior saíram decisões da igreja sergipana e ele representou a manutenção e o aumento do números de clérigos e a concretização de uma instituição, que representava a maioria dos adeptos daquela religião, no Estado Sergipe. Neste sentido, Barreto (2004) afirma que a criação do Seminário foi importante também, porque representou limite ao avanço dos protestantes e espíritas em Sergipe, além de preparar o primeiro grupo de intelectuais com nível superior no estado sergipano. Porem, obedecendo a ordem da Santa Sé, os cursos foram extintos e o Seminário Sagrado Coração de Jesus fechado em 1933. O fechamento fora motivado pela decisão de Roma de manter os seminários nas regiões mais centrais, fechando todos os considerados periféricos.

Na administração de Mauricio Graccho Cardoso (1922-1926), outros cursos superiores foram criados em Sergipe. O primeiro deles foi o Instituto de Química Industrial, em 1923. A finalidade do Instituto seria a de fazer funcionar laboratórios para analisar produtos do campo da agricultura e da indústria. O Instituto também, deveria oferecer um curso de nível técnico superior que deveria preparar químicos para realizar analises na industria açucareira, exploração de sal, preparação do couro e para o aproveitamento de plantas oleaginosas. O planejamento e a direção da instituição ficaria a cargo do professor Archimedes Pereira de Guimarães12 e de seu auxiliar Antonio Tavares de Bragança13. Depois de funcionar durante dois anos a Escola de Química e o curso foram paralisados.

Segundo Nunes (1984) a paralisação ocorreu devido a falta de capital para manter a instituição. Na opinião de Nascimento (2007), foi motivada pela ausência de aulas, e na de Conceição (2010), em decorrência dos interesses políticos do governante seguinte (Cyro Franklin) que pretendia atribuir menor importância às obras de Graccho Cardoso. Durante o governo de Graccho Cardoso, no ano de 1925, foram criadas a Faculdade Livre de Direito Tobias Barreto que não chegou a funcionar. Também foram criadas a Faculdade de Odontologia e a de Farmácia Aníbal Freire. Estas funcionaram somente no ano de 1926 e fecharam.

De acordo com Ibarê Dantas (1998), o Presidente de Sergipe, Graccho Cardoso tentou ver implantado em nosso Estado, os cursos de Direito, Odontologia e Farmácia. O empreendimento não obteve sucesso e continuamos a assistir a ida de jovens sergipanos para as faculdades de Salvador, Recife, Rio, Ouro Preto em busca da escola de nível superior. Contudo, com o passar do tempo, alguns destes alunos já graduados não retornavam ao nosso Estado, comprometendo assim, o desenvolvimento do Estado sergipano.

Porém, no final dos anos de 40, foram criadas a Escola de Química e a Faculdade de Ciências Econômicas, na administração do Governador José Rollemberg Leite e essas faculdades começaram a funcionar em 1950. Nessa década entraram em exercício os cursos de Ciências Econômicas, a Escola de Química, Direito, Filosofia, História, Geografia, Línguas Neolatinas e Anglo-Germânicas, Ciências Econômicas e o de Serviço Social. Nos anos 60, passaram a funcionar os cursos de Medicina e Pedagogia e na década de 70, os de Administração, Odontologia, Enfermagem, Ciências Biológicas e Educação Física.



Funcionamento da UFS e transformações

No final da década de 60, foi implantada a Universidade Federal de Sergipe. Ela incorporou os bens móveis e imóveis das Faculdades isoladas, além de incorporar também, o corpo discente, docentes e os técnicos-adiministrativos. Após a instalação da UFS e como primeiro para sua estruturação, foi realizado em agosto de 1969, o desdobramento da Faculdade Católica de Filosofia em três unidades: a Faculdade de Educação junto com o Colégio de Aplicação (que serviria de espaço para o estágio de futuros professores dos cursos de licenciatura) e dois Institutos Básicos: o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e o Instituto de Letras, Artes e Comunicação. O outro passo foi a criação do Instituto de Biologia14 em fevereiro de 1969, implantado em março do mesmo ano. Em 1969, também foi implantado o Instituto de matemática e física. Até os fins de 1972, a Universidade Federal de Sergipe era composta por 10 unidades universitária, como informa o fascículo da coleção Brasil Universitário de “Anais Científicos” intitulado Universidade Federal de Sergipe – Uma experiência em marcha de reforma e integração universitária.

Na administração do primeiro Reitor15 da Universidade Federal de Sergipe, João Cardoso do Nascimento Júnior, o crescimento da matrícula foi realizada de modo que o incremento obedecesse a capacidade tanto financeira, quanto estrutural da instituição, para evitar que o crescimento excessivo se refletisse de modo negativo, no futuro. Ao tempo em que procurava ampliar o numero de cursos nas áreas de ensino mais reclamadas pelo desenvolvimento social e econômico do país e de Sergipe. Com estes cuidados, as medidas foram sendo implantadas, de modo que foi possível passar de uma matrícula de 576, no ano de 1967, para 1.054, em 1971, enquanto era prevista a matrícula de 2.028 para 197216.

A administração do reitor João Cardoso do Nascimento Júnior, ocorreu dentro do período do Regime Militar e cabe registrar que o mesmo recusou-se a seguir a imposição ditatorial que definia pela expulsão de trinta seis estudantes acusados de realizarem protestos contra o regime vigente. A atitude do reitor assegurou aos estudantes uma pena mais branda. Assim, ao invés de serem expulsos, foram “apenas” impedidos de serem líderes ou dirigentes estudantis17.

É preciso considerar que para investigar sobre a implantação do ensino superior público, no Estado de Sergipe, é necessário manter–se atento as orientações de Rusen que ao tratar da construção histórica, alerta que “O conhecimento histórico não é construído apenas com informações das fontes, mas as informações das fontes só são incorporadas nas conexões que dão o sentido à história com a ajuda do modelo de interpretação, que por sua vez não é encontrado nas fontes” (Rusen, 2010, p.25). Assim, o caminho elaborado para esta construção histórica parte da premissa que considera a imprensa importante fonte histórica para os historiadores e um espaço no qual as suas páginas trazem as questões mais candentes de uma época. Evidentemente, marcadas pelas imperfeições do cotidiano e, por isso mesmo, favorecem leituras que outras fontes não propiciam.

Ao folhear jornais da década de 70 é possível encontrar notícias que tratam da Universidade Federal de Sergipe. Naquele momento, a criação do Campus Universitário era noticiado com certa intensidade. O Jornal de Sergipe, em 04 de julho de 1979, destacava a ida a Brasília do professor/reitor José Aloísio de Campos e do coordenador técnico administrativo, Geraldo Soares Barreto. Eles foram participar de uma reunião com os reitores coordenadores do ETAS (Escritório Técnico Administrativo) na PREMESU (Coordenadoria de Expansão e Melhoramentos de Ensino Superior). De acordo com a reportagem, do jornal sergipano, a reunião tinha por objetivo avaliar o “desempenho da construção do Campus Universitário” além de, apresentar e discutir sugestões. Acerca da implantação das unidades de ensino foi noticiado que no primeiro semestre, do ano seguinte, o professor Aloísio de Campos estava pensando em transferir os cursos superiores para as novas instalações da instituição, exceto os cursos de Medicina, Odontologia e Enfermagem porque dependiam do Hospital Universitário.

Na edição de 14 de dezembro de 1979, o mesmo impresso fala da primeira fase da obra. Com investimentos da ordem de seiscentos milhões de cruzeiros, o Campus Universitário estava sendo construído, na localidade denominada Jardim Rosa Elze, na antiga capital de Sergipe. Segundo o coordenador técnico administrativo, Geraldo Soares Barreto, doze prédios estavam sendo construídos: restaurante universitário, prédios de didática, administração, biblioteca, Reitoria e Ginásio Poliesportivo, além das obras de infra estrutura (estradas internas, estacionamento, serviços de água, esgoto, eletricidade, sistema de telefonia e arborização). Esta fase seria concluída no ano seguinte.

A Universidade Federal de Sergipe foi instalada no município de São Cristóvão, 6 km a oeste do centro de Aracaju, numa área de 153 hectares, limitada ao norte e ao leste pelo Rio Poxim. Mais ou menos 76% da área foi adquirida em 1974, sob a administração do reitor Luis Bispo e na gestão reitor Aluísio de Campos, os 24% restante. Na administração reitor Gilson Cajueiro de Holanda foi realizada a transferência das atividades das unidades sediadas em Aracaju para a Cidade Universitária Prof. José Aloísio de Campos (Cf. Nunes, Oliveira, Siqueira & Bomfim, 1997, p.4).

Conforme explicita o arquiteto José Wellington Costa (2002), a política que o Ministério da Educação (MEC) adotou na década de 70, para a construção dos Campi Universitários, privilegiou programas arquitetônicos que agrupavam áreas administrativas e acadêmicas representadas no estilo, forma, distribuição, ordenação dos espaços, sintonizadas com a reforma do ensino superior. Seguindo essa orientação, está a ideia que perpassa o plano urbanístico da Cidade Universitária Prof. José Aloísio de Campos. Na visão do arquiteto, acima citado, está presente na localização e distribuição dos prédios, a exemplo da Reitoria, Biblioteca Central, Restaurante Universitário, Didáticas e na Administração Departamental do CCSA, CECH, CCET e CCBS, Setor Esportivo, Colégio de Aplicação e Prefeitura. O estilo arquitetônico está marcado pela fase do Brutalismo18 que vai de 1960-1980. “É a caracterização da arquitetura de massa pela excessiva utilização do concreto e do tijolo aparente, mesclados com painéis de vidro e alumínio” (Costa, 2002, p.16)

A Cidade Universitária foi inaugurada em 01 de agosto de 1980 e nessa década, a pesquisa científica ganhou relevância , sobretudo, em decorrência do credenciamento dos quatro núcleos iniciais, evidenciando as áreas, que, naquele momento mais se desenvolvia na pesquisa: Estuários e Manguezais, Ciências Fisiológicas, Geografia e Ciências da Educação. De modo que, foi no ano de 1988, que a Universidade Federal de Sergipe realizou um balanço que evidenciava as potencialidades dos pesquisadores locais.

Desde os anos 90, a Universidade Federal de Sergipe vem alterando a sua fisionomia, transformando-se numa instituição que cada vez mais intensifica a ampliação do seu quadro de oferta com a criação de novos cursos19 e ampliando a possibilidades de escolha do aluno, que deseja fazer o curso noturno.No vestibular de 2009 foram ofertadas 4455 vagas no sistema presencial, fato que significou um crescimento de vagas em torno de 121,64 % mais que em 2005. Esse crescimento foi motivado pelo crescimento de vagas nos cursos que já existiam, como também pela criação de 41 novas opções de cursos de graduação, em variadas áreas do conhecimento20.

Acrescenta-se ainda, a preocupação em ampliar o seu espaço físico oferecendo mais salas e espaços para facilitar o cotidiano dos que para lá estão indo. Nessa direção está também, a preocupação em aumentar o quadro de professores e no aprofundamento de sua qualificação. A Universidade Federal de Sergipe tem direcionado sua rota no sentido de expandir fisicamente a estrutura mas, sem perder de vista a inclusão social21 e a melhoria da qualidade.

Obedecendo ao processo de interiorização previsto para Universidade Federal de Sergipe, esta instituição concretizou a primeira etapa de seu plano por meio da implantação dos campi nos municípios de Itabaiana e Laranjeiras. Na cidade de Itabaiana, em 14 de agosto de 2006, cerca de 500 alunos inauguraram as instalações do Campus Universitário “Professor Alberto Carvalho”. Esta unidade funciona no antigo CAIC que foi reformado. Assim, a antiga quadra de esportes é, hoje, o auditório que comporta 500 pessoas. A UFS da cidade serrana, tem 95 professores22 efetivos e aproximadamente 2000 alunos, para os quais oferta dez cursos de graduação: Administração, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Física, Geografia, Letras/Português, Matemática, Pedagogia, Química e Sistemas da Informação. Os dados colhidos pela UFS dão conta que a concorrência nos cursos para o vestibular do ano de 2009 foi superior ao do ano de 2007, em torno de 24,7%. Os cursos mais procurados pelos candidatos foram: Licenciatura em Pedagogia (7,54 candidatos por vaga), e o Bacharelado em Administração (com 6,96 candidatos por vaga).

Em agosto de 2006, foi celebrada a cooperação entre o Ministério da Cultura (MinC) para a instalação do Campus da UFS23, na cidade de Laranjeiras. Esse Campus foi incluído no Programa Monumenta, como ação estratégica, que busca cumprir seus objetivos - preservando áreas prioritárias do patrimônio histórico e artístico urbano sob proteção federal; aumentando a conscientização da população brasileira acerca desse patrimônio; aperfeiçoando a gestão desse patrimônio; estabelecendo critérios para a implementação de prioridades de conservação e aumentar a utilização econômica, cultural e social das áreas do projeto. Partindo dessa perspectiva foi pensado o Campus de Laranjeiras para abrigar os cursos de Arqueologia, Arquitetura e Urbanismo, Dança, Música, Museologia e Teatro, por isso a denominação de “Campus das Artes”. Em 22 de fevereiro de 2008, foram concretizadas duas etapas desse campus, com a inauguração da biblioteca24 no Casarão do Oitão25 da Praça da República e a assinatura da ordem de serviço para a restauração do Quarteirão dos Trapiches para abrigar a sede do campus26. O Campus de Laranjeiras, foi inaugurado oficialmente pelo Presidente Lula em 12 de junho de 2009, e oferece aos alunos e técnicos 28 ambientes, dentre eles auditórios, laboratórios de pesquisa, salas de aula, área de convivência, biblioteca, plataformas para portadores de necessidades e teatro.

Sobre a presença da Universidade Federal de Sergipe, em Laranjeiras, a professora Beatriz Góis Dantas em aula inaugural, proferida em 28 de março de 2007, destacou: “O que aqui se instala neste momento, é algo novo: é fruto do esforço da Universidade no sentido de deitar raízes mais profundas e fixar sua presença no interior com ações de ensino mais efetivas e continuadas” (Dantas, s/d, p.4).

Contudo, a presença da Universidade Federal de Sergipe no interior do Estado, também se realiza pela implantação do Centro de Educação a Distância (CESAD). Assim, a instituição de ensino superior pública de Sergipe está integrada à Universidade Aberta do Brasil (UAB)27, programa do Ministério da Educação que levará formação superior para localidades onde não existe campus universitário. 5 municípios sergipanos foram selecionados para abrigar os primeiros polos da UAB.

No ano de 2007, sete Licenciaturas foram implantadas: Letras/Português, Matemática, História, Geografia, Química, Física e Ciências Biológicas na modalidade à distância. Esta modalidade foi realizada em nove cidades-pólo: Arauá, Areia Branca, Brejo Grande, Estância, Japaratuba, Laranjeiras, Poço Verde, Porto da Folha e São Domingos. Foram oferecidas 2.500 vagas e 50% destas vagas foram disponibilizadas para discentes da rede pública, com o objetivo de promover a titulação dos professores já efetivos que ainda não estavam habilitados para o ensino. Os polos de Arauá, Estância, Porto da Folha e São Domingos começaram as suas aulas em novembro de 2007 e no mês seguinte em areia Branca, Brejo Grande, Japaratuba, Laranjeiras e Poço Verde.

O crescimento de oferta e demanda nos pólos tem crescido constantemente. 4.400 vagas foram abertas em 2008 em 15 pólos de ensino semipresencial. As cidades de Carira, Lagarto/Colônia Treze, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Glória, Propriá e São Cristóvão. Em 2007 foram inscritos 4.760 candidatos e 2024 foram selecionados. Em 2008, 11.048 candidatos se inscreveram e 4.007 selecionados.

A Universidade Federal de Sergipe decidiu por descentralizar, desde o ano 2005, as decisões de investimentos da instituição em equipamentos e material permanente. Assim, parte dos recursos do Tesouro foram destinados aquela rubrica. A UFS optou por um modo mais democrático, ou seja; pela aplicação dos recursos do Programa Ensino de Qualidade (PROQUALI) e toda a comunidade acadêmica foi envolvida no processo de compra. Desse modo, os recursos foram partilhados entre os departamentos e núcleos de graduação e pós-graduação, o Colégio de Aplicação e Centros de Ensino. Cada departamento passou “a administrar uma parcela fixa, acrescida de uma parcela variável, calculada a partir do indicador de aluno equivalente” (Relatório de Gestão 2009, p. 149). Deste modo, 50% do montante inicial é destinado para a aquisição de material bibliográfico e a seleção das prioridades, a listagem dos títulos dos livros e dos periódicos, a especificação dos móveis e equipamentos, bem como a estimativa dos valores de referencia para as respectivas licitações passaram a ser de responsabilidade da unidade que solicita. Cada vez mais o montante de recursos tem se expandido: 750 mil reais (2005), 1 milhão (2006), 1,5 milhão (2007) e 2,5 milhões de reais em 2008. Com isso, a Biblioteca teve o seu acervo ampliado, com a aplicação do recursos PROQUALI, entre 2005-2009, na aquisição de 50.648 novos exemplares, ou seja o crescimento foi de mais de 46%. O PROQUALI favorece o planejamento das unidades, além de melhoria que pode ser percebida no processo ensino-aprendizagem; na gestão democrática e mais participativa. Estes fatos vem sendo acompanhados pela necessidade, sobretudo, dos que exercem as chefias de demonstrarem transparência e compromisso com o erário público e desse modo otimiza os recursos e favorece a qualidade de ensino da instituição.

Considerações finais

A Universidade Federal de Sergipe tem contribuído de modo significativo para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão - os três pilares que sustentam as ações desta instituição. Cabe acrescentar que desde o ano de 2009, o Governo do Estado e a Universidade Federal de Sergipe firmaram um documento com a finalidade de instalar um Campus da UFS, no município de Lagarto28 e implantar oito cursos na área da saúde. Cada um deles deverá ofertar 50 vagas e assim serão oferecidas mais 400 vagas para o candidato que desejar concorrer a uma vaga nos cursos de : Medicina, Odontologia, Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Farmácia e Terapia Ocupacional. A escolha para a oferta destes cursos deveu-se ao fato que a região é marcada por altos índices de tanto de pobreza quanto de analfabetismo, aspectos que intensificam os problemas relacionados a saúde pela população e por outro lado foi levado em consideração a pouca facilidade de fixação de profissionais nas cidades do interior, no Nordeste, além do fato que está ocorrendo a interiorização e a ampliação de uma rede hospitalar pelo Governo de Sergipe e estes hospitais irão necessitar de mão de obra qualificada.



Assim, a Universidade Federal de Sergipe vem se configurando cada vez mais, numa instituição que tem tentado e vencido dificuldades e tem contribuído para a formação de varias gerações de profissionais de áreas diversificadas do conhecimento humano. E desta forma, tem superado o formato que marcou o seu inicio – as faculdades isoladas e transformando-se numa instituição multicampi que procura estar atenta as aspirações da juventude que sonha em fazer parte dessa instituição e ampliar os seus horizontes com vistas ao rompimento de estruturas arcaicas e favorecer o desenvolvimento e a qualificação do ser humano, como disse afirmou a professora Maria Thétis Nunes, em maio de 1968, sobre a missão da UFS.

1 UFS. Ata de sessão solene de instalação da UFS, 1968.

2 Cf. Gerri Sherlock Araújo (2008) com a monografia A Universidade Federal de Sergipe sob o signo da Reforma Universitária (1968), na qual o autor a partir de instrumentos jurídicos busca identificar as ideias educacionais que delinearam a organização acadêmica e administrativa da UFS, entre os anos 1963 a 1968. Cf. BRETAS, Silvana Aparecida. A política de federalização dos estabelecimentos de ensino superior e a criação da Universidade Federal de Sergipe (1950-1970). Uma contribuição ao debate histórico. IN:FREITAS , Anamaria Gonçalves Bueno de. & SOBRAL, Maria Neide. História e memória: o Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe (1968-2000). São Cristovão: Ed. UFS. 2009.

3 Decreto-Lei nº 53/66, Art. 1º - As universidades federais organizar-se-ão com estrutura e métodos de funcionamento que preservem a unidade das suas funções de ensino e pesquisa e assegurem a plena utilização dos seus recursos materiais e humanos, vedada a duplicação de meios para fins idênticos ou equivalentes.

4 Decreto-Lei nº 269/67, Art. 14 – A Universidade Federal de Sergipe se organizará com estrutura e métodos de funcionamento que preservem a unidade de suas funções de ensino e pesquisa, e assegurem a plena utilização dos seus recursos materiais e humanos, vedada a duplicação de meios para fins idênticos ou equivalentes.

5 Estatuto da Fundação Universidade Federal de Sergipe, Art. 14 – A Universidade Federal de Sergipe se organizara com estrutura e e métodos de funcionamento que preservem a unidade de suas funções de ensino e pesquisa, e assegurem a plena utilização dos seus recursos materiais e humanos, vedada a duplicação de meios para fins idênticos ou equivalentes.

6 Estatuto da Universidade Federal de Sergipe, Art. 7º - A Universidade Federal de Sergipe se organizara com estrutura e e métodos de funcionamento que preservem a unidade de suas funções de ensino e pesquisa, e assegurem a plena utilização dos seus recursos materiais e humanos, vedada a duplicação de meios para fins idênticos ou equivalentes.

7 Conforme informa Luiz Roberto de Barros Mott (1986, p. 160), na transcrição do Art. 1, Capítulo I do Estatuto do IISA , “fundado na Capital da Província de Sergipe por S. M. o Imperador, sob sua imediata proteção, tem por fim animar e desenvolver a lavoura da Província, já diretamente pelos meios a seu alcance, já indiretamente auxiliando o Governo Geral e Provincial em tudo quanto possa concorrer para este fim”

8 Cf. OLIVEIRA, Nayara Alves de. O ensino superior em Sergipe: uma análise historiográfica. Digitado. 2010.

9 Seminário do Coração de Jesus, esta é foi forma como Nunes (1984, p. 219) referenciou.

10 Jackson da Silva Lima na pesquisa Os estudos Filosóficos em Sergipe, toma como objetivo primordial uma análise sobre os estudos filosóficos em Sergipe tendo como ponto de partida a criação de cadeiras preparatórias de Filosofia, em fins de 1831, e conclui com os estudos filosóficos aplicados ao Direito, à Sociologia, à Ciências das Finanças, à Contabilidade por José Amado Nascimento e a filosofia aplicada a história e ao pensamento de Jackson de Figueiredo, por José Silvério Leite Fontes, no século XX.

11 Na dissertação intitulada Os padres de D. José: Seminário Sagrado Coração de Jesus (1913-1933) além de focar a criação do Seminário e da Diocese de Aracaju, também estuda a formação dos “padres de Dom José” como eram conhecidos no Estado de Sergipe e fora dele, mostrando a importância da criação do curso de Filosofia e Teologia na formação de sacerdotes que emprestaram os seus conhecimentos no âmbito do magistério, nas instituições culturais e na vida política e social de Sergipe.

12 Cf. NASCIMENTO, Jorge Carvalho do. O engenheiro e o memorialista: Archimedes Pereira Guimarães e a Química como visão de mundo. V Congresso Brasileiro de História da Educação. Aracaju/SE. CD-ROOM; CONCEIÇÃO, Claudileuza Oliveira da. A Escola de Química de Sergipe: o processo de formação de um campo profissional (1948-1967).São Cristóvão/SE: Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe, 2010. (Dissertação de Mestrado).

13 Cf. AZEVEDO, José Américo de. Bragança no ensino da Química em Sergipe e no desenvolvimento tecnológico sergipano In: Caderno de Cultura do Estudante/UFS. Aracaju/SE: UFS/PROEST, p. 79-80, 1985; O percurso de um intelectual da Química: Antonio Tavares de Bragança IN: CONCEIÇÃO, Claudileuza Oliveira da. A Escola de Química de Sergipe: processo de formação de um campo profissional (1948-1967).São Cristóvão/SE: Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe, 2010. (Dissertação de Mestrado).

14 O Instituto de Biologia e a formação do campo das ciências biológicas no ensino superior em Sergipe (1969-1983) constitui objeto de estudo de Kátia de Araújo Carmo, mestranda do Nucleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe.

15 Os Reitores da Universidade Federal de Sergipe foram os Professores: João Cardoso do Nascimento Júnior (1968- 1972); Luiz Bispo (1972-1976); José Aloísio de Campos (1976-1980); Gilson Cajueiro de Holanda (1980-1984); Eduardo Antonio Conde Garcia (1984-1988); Clodoaldo de Alencar Filho (1988-1992); Luiz Hermínio de Aguiar Oliveira (1992-1996); José Fernandes de Lima (1996-2000) e (2000-2004); Josué Modesto dos Passos Subrinho(2004-2008) e (2008- 2012).

16 Cf. Universidade Federal de Sergipe. Uma experiência em marcha de reforma e integração universitária. Separata de Brasil Universitário de “Anais Científicos, nº 84, Ano XXVII. s/e. 1970, p. 7

17 Em sessão solene dos Conselhos Superiores da Universidade Federal de Sergipe, realizada em 15 de Maio de 2010, no Auditório da Reitoria da referida universidade, as portarias nº 29 (1969), 28 e 76 (1970) responsáveis pelas punições dos alunos foram revogadas. Cf. SUBRINHO, Josué Modesto dos Passos. Discurso proferido durante a sessão solene dos Conselhos Superiores da Universidade Federal de Sergipe.27.05.2010. Disponível em www.ufs.br/index.php?pg=artigo&id=144. Coletado em 10 de janeiro de 2011.

18 Segundo Houaiss, é a arquitetura que faz uso extensivo do concreto aparente, dos volumes puros e ger. maciços, e não oculta a função das estruturas e dos serviços (encanamentos, conduítes etc.) [O termo diz respeito, originalmente, à arquitetura do período final da obra de Le Corbusier (1887-1965), e dos seus seguidores.]

19 De acordo com o Catalogo Geral da UFS em 1999, a instituição ofertava 26 cursos , ao passo que o no Catalogo dos Cursos de Graduação de 2003, já constavam 33 cursos.

20 Cursos novos foram criados, a exemplo de Nutrição, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Engenharia Mecânica, Engenharia de Materiais, Engenharia de Produção, Engenharia de Pesca, Geologia, Sistemas de Informação, Arquitetura, Musica, Teatro, Museologia, Arqueologia, Turismo, Secretariado Executivo, Engenharia Elétrica com habilitação em Eletrotécnica, Engenharia de Computação, Ciências Atuariais, Biblioteconomia e Documentação, Relações Internacionais, Publicidade, Propaganda e Audiovisual (Cf. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. Relatório de Gestão 2004-2008).

21 Desde o ano de 2003, que o Núcleo de Estudos Afro – brasileiros da UFS (NEAB) discute a questão da inclusão de alunos oriundos da escola pública; negros, indígenas e portadores de necessidades especiais por meio do sistema de reserva de vagas. Desde o Ano de 2009 que o Programa de ações Afirmativas da UFS – PAAF, alterou os modos de ingresso do candidato ao vestibular, pois, passou a levar em conta as demandas da sociedade além das políticas públicas e os programas do Governo Federal. Assim, no vestibular de 2009, os alunos candidatos dividiram as vagas em cada curso da instituição, da seguinte forma: 50% da vagas totais para o aluno que cursou sete anos do ensino fundamental na escola da rede particular de ensino. Os outros 50% para os alunos da escola pública (denominada de “Cota Social”). Dentro dos 50% da Cota Social, ficou destinado 70% das vagas para os alunos que se auto-declararem pardos, negros ou indígenas e que optem por concorrer pela reserva de vagas étnicos-raciais, condicionados a comprovação de que são advindos da escola pública, obedecendo as mesmas normas que os optantes pela cota social. Os portadores de necessidades especiais concorrem a 1 vaga em cada curso instalado na UFS. Cf. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. Relatório de Gestão 2009.

22 Desde o primeiro semestre de 2008, o Campus Prof. Alberto Carvalho, contava com 65% de professores doutores, 33% de mestres e 2% de professores graduados. Cf. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. Relatório de Gestão 2004-2008.

23 Foi incluído no Programa de Expansão das Instituições Federais de Ensino Superior, do Ministério da Educação. Esta foi uma ação estratégica para alcançar os objetivos do Programa Monumenta. Este assegurou recursos em torno R$4,2 milhões de reais. Cf. Relatório de Gestão 2004-2008.

24 Dados coletados por meio do Sistema Pergamum que integra todas as bibliotecas da UFS, dão conta que a Biblioteca do Campus de Laranjeiras (até dezembro de 2009) foi frequentada por 1300 usuários e possui782 títulos e 2298 exemplares. Cf. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. Relatório de Gestão 2009.

25 Até o final do século XIX, o Casarão do Oitão abrigou o Teatro Santo Antonio.

26 Cf. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. Relatório de Gestão 2004-2008.

27 Funciona com base no sistema semipresencial de ensino e o estudante conta com a orientação do tutor que pode estar no próprio polo e/ou à distância e cada disciplina é coordenada por um professor. A graduação à distância tem a ementa, disciplinas e duração à semelhança de uma graduação presencial.

28 Lagarto já foi sede de um dos polos do Programa de Qualificação Docente (PQD) que a Universidade Federal de Sergipe em convênio com o governo do Estado de Sergipe manteve entre os anos de 1997 a 2007. O município está localizado na região centro-sul e tem como base econômica a agricultura, além de contribuir política e culturalmente de modo significativo para a história de Sergipe.

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BRASIL. Decreto-Lei n. 269, de 28 de fevereiro de 1967. Autoriza o Poder Executivo a instituir a Fundação Universidade Federal de Sergipe e dá outras providências.Retificação. Diário Oficial da União, 21 mar. 1967.
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