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UNIVERSIDADE ESTADAUAL DE SANTA CRUZ – UESC

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL - UAB

UAB/UESC – CURSO DE PEDAGOGIA

DISCIPLINA - FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA

PROFESSORA ANNA LÚCIA CÔGO

ATIVIDADE PARA POSTAGEM - UNIDADE 2 Data da postagem 15 de julho de 2012

1ª TAREFA (5,0)



As relações temporais são as que se desenvolvem mais tarde na criança, e por volta dos 7anos ainda não estão sob seu domínio. A organização dos tempos em velocidade, duração, contemporaneidade (presente) e sucessão (passado e futuro, antes e depois) ocorrem etapa por etapa. Primeiro ela percebe o tempo em que determinada ação ocorreu; depois distingue que várias ações ocorreram em tempos diferentes; e finalmente consegue coordenar a duração e a ordem de sucessão dos fatos, ou seja, descobre que existe um tempo único no qual vários momentos se sucedem. É capaz, por exemplo, de compreender a sucessão de nascimentos em sua família: quem nasceu antes de quem, qual é o mais novo e como as diferenças de idade se mantêm. É a compreensão do conceito de tempo que vai permitir uma apreensão abrangente dos processos de transformação da natureza. A partir da observação dos espaços próximos (escola, bairro, cidade, município) e do questionamento sobre como eram e como poderão ficar, irá se desenvolvendo a noção de um tempo maior, mais amplo e abstrato: o tempo histórico.

Questão proposta:

Tendo por referência os princípios norteadores que envolvem o ensino-aprendizagem das noções de TEMPO nas séries iniciais da escolaridade (Cf. Aulas 4, 6, 7-Módulo), e as sugestões de atividades para o tratamento deste tema em sala de aula (Ver Textos Complementares no ANEXO 1), elabore um plano de aula contemplando aspectos relevantes para a construção da noção de tempo histórico nas crianças/adolescentes, procurando adotar metodologias viáveis à realidade dos educandos (público alvo da aula) e a disponibilidade dos recursos didáticos (na unidade escolar em foco).

2ª TAREFA (2,5 por questão)

O tempo pode ser medido em horas, dias, meses, anos, décadas, séculos... Ele é igual para todo mundo que faz parte da mesma cultura. Para nós o ano tem 365 dias, o mês tem quatro ou cinco semanas, o dia tem 24 horas, a hora tem 60 minutos. A forma de medir o tempo muda, dependendo dos costumes de cada povo. E cada um tem um jeito de sentir o tempo passar. A forma de sentir o tempo depende do que a pessoa vai realizar naquele tempo.



Leia atentamente os textos destacados a seguir:

TEXTO 1 (Poema)

O TEMPO DO TEMPO

Do tempo, eu tiro um pouco de tempo: para brincar, para estudar, para almoçar, para jantar, para trabalhar e dormir.

Do tempo, eu quero muito tempo para as coisas que eu gosto de fazer. Para essas coisas, parece que o tempo não passa... ou então, o tempo é pouco e aí, não acho graça.

Eu tenho muitas maneiras de ver e de sentir o tempo passar. Uma hora de relógio pode ser muito tempo, se não gosto do que faço. Uma hora de relógio pode ser muito pouco, se o que faço é gostoso.

Tempo se mede no relógio de tique-taque, no Sol que se levanta, de manhã bem cedo, ou na noite que acorda quando o Sol vai embora.

O tempo fica marcado na folhinha do ano; a minha fica atrás da porta da cozinha. Além das gravuras, na folhinha, vêm os meses, a semana e todos os seus sete dias.

O calendário também marca um tempo que é de festas. Ele tem o dia de meu aniversário, os dias do Carnaval, São João e os feriados. Nele eu marco os compromissos...

Mas quem sente o tempo do tempo, sou eu: se ele é muito, ou se ele é pouco. Se agora já é tempo, ou se meu tempo ainda não chegou.

O tempo tem outros tempos. Tempo do vovô, do avô de meu avô. Esse tempo é o passado: é tempo para ser lembrado...

O tempo tem outros tempos. O meu, o seu, o tempo que já chegou. Este tempo é agora, é o presente.

O tempo tem outros tempos. Tem aquele que chega amanhã, ou ainda vai demorar. Esse tempo é o futuro.

Você já parou para pensar que pensar no tempo assim parece até difícil?

Mas se você parar e observar o tempo vai notar que ele está o tempo todo na vida da gente.

Você já parou para pensar?

(Fonte/Referência: PEIFER, Kátia. Na Roda: A História. Belo Horizonte: Editora Dimensão, 1996, Vol. 2, p.19 a 22).

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TEXTO 2 (Letra de música)

TEMPO REI (*)

Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos…


Pães de Açúcar

Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento…


Água mole

Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento…


Tempo Rei! Ó Tempo Rei! Ó Tempo Rei!
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei!…


Pensamento!
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos, nem baianos…


Mães zelosas

Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas…


Não se iludam

Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo…


Tempo Rei! Ó Tempo Rei! Ó Tempo Rei!
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei!...


Fonte/Referência: Tempo Rei - Música de Gilberto Gil – CD Raça Humana, Faixa 4, WEA, 1984.

(*) A letra e o clip do Gilberto Gil cantando e interpretando a referida música encontra-se disponível em: http://natrodrigo.wordpress.com/category/gilberto-gil/; acesso em 15 de junho de 2012.

Questão proposta:

A partir da leitura e análise da letra da música e do poema acima citados, procure destacar:



  1. as percepções subjetivas acerca do tempo que a música e o poema deixam sobressair, realçando suas semelhanças e/ou diferenças;

  2. as ideias e expressões mencionadas na música e no poema, e que dizem respeito à noção/concepção de tempo em seus múltiplos aspectos e sentidos, a saber: a relação passado-presente; suas dimensões temporais; mudanças e permanências; dentre outros aspectos inerentes à noção de TEMPO estudados nesta 2ª unidade;

ANEXO 1 - SUGESTÕES DE LEITURAS COMPLEMENTARES NA ELABORAÇÃO DAS TAREFAS E QUESTÕES PROPOSTAS NA 2ª UNIDADE:

A) Sobre o Plano de Aula - O plano de aula é caracterizado pela descrição específica de tudo que o professor realizará em classe durante as aulas de um período específico. Na sua elaboração alguns pontos são muito importantes como:

• Dados de identificação do professor e da escola;

• Os objetivos a serem alcançados com as aulas que serão ministradas;


• Conteúdo que será ministrado em cada aula, o qual deve seguir uma linha cronológica do processo de aprendizagem;
• Os procedimentos utilizados para aprendizagem dos alunos, ou seja, são as fases da aprendizagem;
• Os recursos que serão utilizados para alcançar os objetivos;

• E, por último, as metodologias de avaliação, ou seja, as técnicas avaliativas que o professor utilizará para avaliar o aprendizado do educando.

Na elaboração de um plano de aula devem ser considerados vários pontos e critérios que unidos especificam quais os objetivos finais o professor espera alcançar no decorrer da explicação dos conteúdos. Os critérios que o professor deve estar atento durante a confecção de seu plano de aula são:
• Adequação dos estímulos;

• Especificação operacional;

• Estrutura flexível;

• Ordenação.

Além de conter esses critérios, o plano de aula deve ser elaborado seguindo as fases da aprendizagem, ou seja, deve seguir uma linha de ensino-aprendizagem contínua. São as fases de aprendizagem: apresentação, desenvolvimento e integração. Na aprtesentação o professor prepara a classe para a compreensão de novos conteúdos. No desenvolvimento acontece a análise. Nessa etapa acontece o processo de orientação e aprendizagem do aluno. É nessa etapa que acontece o estudo de um texto, a realização de um experimento, a resolução de exercícios, etc. A integração é a etapa final. Nessa fase o professor faz a verificação dos resultados obtidos pelos alunos na fase do desenvolvimento.

Por Marco Aurélio da Silva

Equipe Brasil Escola

B) Sobre as concepções de tempo, de tempo histórico e outras questões

Cumprir horário, chegar a tempo, seguir a agenda, evitar atraso. Essas são algumas das preocupações mais corriqueiras do nosso dia a dia. A luta contra o relógio é uma batalha difícil que leva muitos a sonhar com um dia com “mais de 24 horas”. Contudo, justamente por ser algo tão corriqueiro, nunca paramos para pensar se o ritmo das pessoas sempre foi esse. Em alguns casos, temos a impressão de que nem conseguimos projetar uma vida levada de um modo diferente.


Apesar de sua aparência banal, o uso do nosso tempo pode servir para a proposição de um debate sobre questões interessantes ligadas à própria historicidade contida na relação do homem com o tempo. Para trazer o assunto à sala, sugerimos que o professor primeiro elabore uma atividade em que os alunos façam um quadro demonstrando suas atividades ao longo da semana. Caso prefira, permita que a classe utilize o cotidiano de um parente ou familiar que esteja disposto a relatar sua rotina para o aluno.

Nessa mesma atividade, separe uma questão em que o aluno discorra sobre algum problema ou situação em que teve dificuldade para cumprir um determinado horário. Com isso, podemos abordar o tema a ser explorado por meio de situações cotidianas conhecidas de cada membro da sala. Após o cumprimento dessa primeira etapa, deixe que alguns alunos relatem a rotina e a situação para que esse trabalho seja devidamente prestigiado pelos outros colegas.

Cumprida essa etapa, pergunte a classe se eles acham ser possível organizar a vida de uma pessoa sem a utilização das horas medidas no relógio. Após ouvir algumas opiniões a respeito, exponha à classe o comentário da pesquisadora Janice Teodoro com relação à invenção do relógio. Segundo a autora:

No século XV surgiu na Europa um instrumento que representava muito bem o passar do dia: o relógio. De início, ele despertou muita desconfiança. Ninguém queria se submeter a uma máquina! A luz e os sinos dividiam muito sabiamente o dia e a noite.”

Por meio dessa interessante fala, o professor pode demonstrar aos alunos que, durante a Idade Média e boa parte da Idade Moderna, os homens costumavam regrar o seu tempo por meio de outros referenciais. No caso, não deixe de falar sobre o significado da contagem do tempo realizado pelos sinos das igrejas e de demonstrar que a percepção da passagem do tempo acontecia, muitas vezes, através da simples observação de fenômenos naturais. Dessa forma, o professor pode mostrar uma curiosa diferença entre a forma de se contar o tempo do mundo atual e dos homens que viviam no século XV. Para finalizar essa atividade, sugerimos uma produção de texto onde cada aluno invente um novo tipo de rotina. Para tanto, exemplifique como essa “outra realidade” poderia ser concebida criando outros referenciais de contagem do tempo e uma forma de ordenação das atividades cotidianas diferente daquela que ele coletou na tarefa inicial.

Através desse tipo de proposta, os alunos podem compreender que o famoso “dia de 24 horas” simplesmente reflete uma convenção seguida em várias culturas do mundo contemporâneo. Ao mesmo tempo, essa é uma proposição que permite o exercício da criatividade individual ao abrir espaço para a invenção de um mundo inteiramente modificado.
Por Rainer Sousa - Graduado em História - Equipe Brasil Escola.

http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/o-tempo-cotidiano.htm

Concepções de Tempo Histórico – respostas do site do YAHOO (26/06/12), disponível em: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080211141442AAgGt81



  • Usando uma linguagem bem simplificada, podemos dizer que,ao contrário do tempo geológico, que como o nome já diz está relacionado com as transformações pelas quais passam o planeta Terra, devido a fatores externos e internos, sem a interferência do homem, o tempo histórico, diz respeito a todo processo que tem como agente transformador o ser humano, durante o seu fazer histórico.

  • O tempo histórico pode ser dimensionado diferentemente, considerado em toda sua complexidade cuja dimensão o aluno apreende paulatinamente. O tempo pode ser apreendido a partir de vivências pessoais, pela intuição, como no caso do tempo biológico (crescimento, envelhecimento) e do tempo psicológico interno dos indivíduos (idéia de sucessão, de mudança). E precisa ser compreendido, também, como um objeto de cultura, um objeto social construído pelos povos, como no caso do tempo cronológico e astronômico (sucessão de dias e noites, de meses e séculos).

  • O tempo histórico compreendido nessa complexidade utiliza o tempo institucionalizado (tempo cronológico), mas também o transforma à sua maneira. Isto é, utiliza o calendário, que possibilita especificar o lugar dos momentos históricos na sucessão do tempo, mas procura trabalhar também com a ideia de diferentes níveis e ritmos de durações temporais.

  • "O conceito de tempo histórico pode estar limitado ao estudo do tempo cronológico (calendários e datas), repercutindo em uma compreensão dos acontecimentos como sendo pontuais, uma data, organizados em uma longa e infinita linha numérica. Os acontecimentos, identificados pelas datas, assumem a ideia de uniformidade, de regularidade e, ao mesmo tempo, de sucessão crescente e acumulativa. A seqüenciação dos acontecimentos sugere ainda que toda a humanidade seguiu ou deveria seguir o mesmo percurso, criando assim a ideia de povos “atrasados” e “civilizados” e ainda limitando as ações humanas a uma ordem evolutiva, representando o tempo presente um estágio mais avançado da história da humanidade.

  • Tempo cronológico é o que contamos no relógio: horas/minutos/segundos. Tempo histórico, diz respeito a todo processo que tem com o agente transformador o ser humano, durante o seu fazer histórico.

  • Tempo psicológico - é um tempo subjetivo, vivido ou sentido pela personagem, que flui em consonância com o seu estado de espírito.

  • Tempo cronológico ou tempo da história - determinado pela sucessão cronológica dos acontecimentos narrados.




CONCEITO DE TEMPO

O tempo... Como definir essa grandeza? A resposta não é óbvia. Requer uma análise mais aprofundada, coisa que hoje pouca gente se dispõe a fazer... por falta de tempo! O tão precioso tempo é hoje consumido quase que inteiramente na luta pela vida, na batalha diária que se estende por anos, décadas, até a gloriosa apoteose: a autocondecoração com a medalha de “vencedor”, comenda que outorga ao agraciado o direito de desfrutar do ócio caseiro, com a consciência do dever cumprido. Abrigado nessa última trincheira ele poderá então, finalmente, aproveitar seu tempo. É verdade é que durante o desenrolar dessa luta cotidiana, dessa insana lufa-lufa, conseguimos reservar algumas horas semanais para o lazer e o descanso, mas não para meditar nas questões cruciais da vida. Para essas coisas não dispomos de tempo algum, não podemos absolutamente perder tempo com isso. “Assunto de filósofos!”, dirão muitos num estalo, com o passo apertado e os olhos cravados no relógio. E assim vamos todos nós, filósofos e não filósofos, a correr pela vida afora, sem vivê-la, sem vivenciá-la realmente, sem extrair dela os ensinamentos e reconhecimentos que nos possibilitariam crescer como espíritos humanos que somos. Comemos, bebemos e dormimos exatamente como um rebanho bovino. Talvez um pouco mais, pois também estudamos compulsoriamente, trabalhamos mecanicamente e nos divertimos sofregamente. Exatamente como é de se esperar de um rebanho humano. Mas será que a vida se esgota nisso? Em despender algumas décadas nessas atividades gregárias e só? E o espírito humano? Que faz ele nesse espaço de tempo tomado integralmente pelas necessidades corpóreas tão prioritárias? Para responder a essas perguntas, vamos tentar compreender antes a natureza propriamente do tempo. De acordo com a teoria da relatividade de Einstein, espaço e tempo estão interligados. Em velocidades próximas à da luz, a massa de um corpo aumenta de forma perceptível, o espaço se contrai e o tempo passa mais devagar. O tempo passa mais devagar?... Como é possível isso? Pode o ritmo do tempo alterar sua pulsação sob determinadas circunstâncias? O tempo, aliás, pulsa realmente? Na infância tínhamos a nítida impressão de que o tempo, de fato, passava mais devagar. Muito mais devagar. Decorria uma eternidade até o período de férias chegar; o Natal, sempre ansiosamente aguardado, era um evento que se repetia mui raramente; o dia do aniversário, então, parecia mais um golpe de sorte quando finalmente despontava. À medida que crescemos a história se inverte. Parece que o tempo se acelera. Mal repetimos nossas imutáveis resoluções definitivas de ano novo e as semanas e meses já iniciam sua desabalada carreira. Quando nos damos conta já estamos prestes a ultrapassar o primeiro semestre, para logo nos surpreendermos com os primeiros acordes natalinos. E apesar dessa mudança de percepção, sabemos que as intermináveis horas da infância contêm os mesmos fugazes 60 minutos da fase adulta. Como se explica isso? Explica-se pela vivência. É a vivência do ser humano que muda a partir de certa idade, e não o tempo. O tempo não muda. Os movimentos dos ponteiros do relógio apenas registram numericamente a nossa passagem dentro do tempo. O tempo não passa, nós é que passamos dentro dele. O tempo não se altera, ele permanece estacionado. O que muda, conforme dito é a percepção que temos dele, segundo nossa própria mobilidade espiritual. É como numa viagem de trem, em que a paisagem parece passar com maior ou menor rapidez diante da janela, conforme a velocidade da composição. Apesar de dar essa impressão, não é a paisagem que se movimenta, e sim o trem é que passa através dela com velocidade maior ou menor. A paisagem é o tempo, o trem é o espírito humano, a velocidade é a sua capacidade de vivenciar. Vamos tomar um exemplo. O registro da passagem de uma pessoa pela Terra pode ser medido em um bem determinado número de anos. Digamos setenta. Mas isso não significa que esta pessoa tenha vivido tanto quanto uma outra com o mesmo registro de anos. O registro é igual, mas a vivência é diferente. E o que conta realmente, como verdadeira riqueza, como único lucro e substrato da existência terrena, é a vivência. Assim, com base no que foi vivenciado, a primeira pessoa pode ter vivido de fato mais de cem anos, enquanto que a segunda, talvez, não mais de 30 anos. Quanto maior mobilidade apresentar um espírito humano, quanto mais vigilante e atuante for, tanto mais ele vivenciará num mesmo espaço de registro de tempo. Exteriormente isso se mostra como uma aparente dilatação temporal, isto é, para determinada pessoa o tempo parece “esticar”, de forma a permitir que ela faça tudo a que se propusera. Interiormente, porém, dá-se o contrário. Para aquela mesma pessoa o tempo parece “voar”, de modo que mal consegue utilizá-lo como gostaria na consecução de seus objetivos. Contudo, não foi o tempo que voou com tamanha rapidez, e sim a própria pessoa é que atuou diligentemente dentro dele. Foi ela que “voou” dentro do tempo, e por isso, somente por isso, ele pareceu ter passado tão rápido. Conta-se que no fim da vida Leonardo da Vinci se queixou de não ter tido tempo suficiente para fazer tudo quanto queria... Podemos colher um sem-número de outros exemplos dessa relatividade na percepção do tempo. Basta que estejamos profundamente compenetrados em alguma atividade importante, ou mesmo absorvidos pelo enredo de um bom filme ou de um bom livro, e o tempo “voa” novamente. Por outro lado, quando estamos presos à cadeira do dentista parece que descobrimos ali o conceito de eternidade. O espírito humano se movimenta através do tempo, o qual é imóvel e também se encontra indissoluvelmente ligado ao espaço. Tempo-espaço é o binômio concedido a cada criatura para o seu desenvolvimento, esteja ela ainda na Terra ou em qualquer outra parte da Criação. Que tempo e espaço estão interligados, sabemos da obra Na Luz da Verdade, de Abdruschin: "Na Criação nada existe sem tempo e nada sem espaço. Já o conceito da palavra Criação tem de contradizer isso, pois o que é criado é uma obra, e cada obra tem uma limitação. Mas o que tem limitação não é sem espaço. E aquilo que não é sem espaço também não pode ser sem tempo" (E mil anos são como um dia!). Foi por pressentir essa íntima correlação entre tempo e espaço, que Einstein pôde formular a sua teoria da relatividade. O tempo, portanto, existe realmente; todavia ele não "passa" por nós, como temos geralmente a impressão. Nós é que passamos dentro dele. O que muda é, pois, a percepção que temos do tempo, segundo nossa própria movimentação interior, nossa capacidade de vivenciar. O conceito de tempo é que é mutável, e não o tempo realmente. Mesmo aqui na Terra notamos, então, uma mudança na velocidade de assimilação dos fatos a partir da adolescência. A partir daí o tempo parece correr mais rápido. porque as vivências se intensificam...

Disponível em <http://www.library.com.br/pedrasverdade/tempo.htm> Acesso em 25.jun.12

O ensino de História atualmente está em processo de mudanças substantivas em seu conteúdo e método. No que tange às questões relacionadas ao tempo histórico, revendo a sua dimensão cronológica, as concepções de linearidade e progressividade do processo histórico, as noções de decadência e de evolução. Muitas vezes no ensino fundamental, em particular na escola primária, a História tem permanecido distante dos interesses do aluno, presa às fórmulas prontas do discurso dos livros didáticos ou relegada a práticas esporádicas determinadas pelo calendário cívico. Reafirmar sua importância no currículo não se prende somente a uma preocupação com a identidade nacional, mas, sobretudo no que a disciplina pode dar como contribuição específica ao desenvolvimento dos alunos como sujeitos conscientes, capazes de entender a História como conhecimento, como experiência e prática de cidadania.

Objetivos de História para o primeiro ciclo - Espera-se que ao final do primeiro ciclo os alunos sejam capazes de:

• comparar acontecimentos no tempo, tendo como referência anterioridade, posterioridade e simultaneidade;

• reconhecer algumas semelhanças e diferenças sociais, econômicas e culturais, de dimensão cotidiana, existentes no seu grupo de convívio escolar e na sua localidade;

• reconhecer algumas permanências e transformações sociais, econômicas e culturais nas vivências cotidianas das famílias, da escola e da coletividade, no tempo, no mesmo espaço de convivência;

• caracterizar o modo de vida de uma coletividade indígena, que vive ou viveu na região, distinguindo suas dimensões econômicas, sociais, culturais, artísticas e religiosas;

• identificar diferenças culturais entre o modo de vida de sua localidade e o da comunidade indígena estudada;

• estabelecer relações entre o presente e o passado;

• identificar alguns documentos históricos e fontes de informações discernindo algumas de suas funções.



O que se pretende no ensino de História - O ensino de história não pode reduzir-se a memorização de fatos, a informação detalhada dos eventos, ao acúmulo de dados sobre as circunstâncias nas quais ocorreram. A história não é simplesmente um relato de fatos periféricos, não é o elogio de figuras ilustres. Ela não é um campo neutro, é um lugar de debate, às vezes de conflitos. É um campo de pesquisa e produção do saber que está longe de apontar para o consenso. No ensino de história o principal objetivo é compreender e interpretar as várias versões do fato, e não apenas memoriza-lo. Sem que se identifique, preserve, compreenda, sem que se indique onde se encontram outros fatos e qual o seu valor, não pode haver continuidade consciente no tempo, mas somente a eterna mudança do mundo e do ciclo biológico das criaturas que nele vivem. O conhecimento da história da civilização é importante porque nos fornece as bases para o nosso futuro, permite-nos o conhecimento de como aqueles que viveram antes de nós equacionaram as grandes questões humanas.

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http://meucantinho.pbworks.com/w/page/11380937/Estudos%20Sociais

O trabalho com as dimensões do tempo (o tempo físico e o tempo histórico ou social) prepara o aluno para entender o tempo como dimensão contínua, que passa sem cessar; além disso, a criança passa a ver que o tempo abrange momentos (tempo físico) sobre o qual os homens inscrevem suas diferentes trajetórias, fruto de suas relações sociais (tempo histórico).

A primeira dimensão - tempo físico - vai permitir à criança localizar-se no tempo, situar fatos de sua vida cotidiana e outros dados, construir e interpretar linhas de tempo, trabalhar com as medidas de quantificação do tempo - dias, meses, anos, séculos. Em outras palavras, vai permitir que a criança perceba o passar do tempo e saiba fazer sua quantificação e representação.

A segunda dimensão – o tempo histórico ou social – vai iniciar a criança na análise dos contextos de época, de modo que ela perceba o seu tempo como diferente de outros tempos ou épocas. Vai também permitir que ela compreenda como o tempo é fruto da construção social, de determinantes históricos que a cada momento as sociedades humanas imprimem à época em que vivem. Começando por trabalhar a história de vida de cada criança, depois a história do bairro, ou do estado, a criança perceberá que, num mesmo período cronológico, podem existir diferentes situações de vida, de diferentes sociedades, enfim, diferentes tempos históricos.

“A noção do passado é formada passo a passo, através das vivências das crianças. A construção do passado se dá no momento em que a criança tem a percepção do seu próprio eu e inicia a construção de sua própria identidade” (CASTELLAR, Sônia)

Ter claro onde se quer chegar, que recorte deve ser feito na história para escolher temáticas e que atividades deverão ser implementadas, considerando os interesses do grupo como um todo.É preciso considerar os conhecimentos prévios dos alunos a fim de propor situações onde possam mostrar os seus conhecimentos, suas hipóteses durantes as atividades implementadas, para que assim forneçam pistas para a continuidade do trabalho e para o planejamento das ações futuras.Essa forma de planejar considera a processualidade da aprendizagem, avanços que se dão a partir de desafios e problematizações.Para tanto, é necessário, além de considerar os conhecimentos prévios, compreender o pensamento dos alunos sobre as questões propostas em sala de aula.

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RELATOS

Reflexões sobre o ensino de história: a experiência na disciplina de Fundamentos e Métodos de História

SOTANA, Edvaldo Correa¹



A experiência obtida na orientação do estágio supervisionado realizado por discentes do curso de Pedagogia, da Faculdade de Presidente Prudente, junto à disciplina de História, nas séries iniciais do Ensino Fundamental, permite tecer alguns comentários. Inicialmente, é preciso considerar que todo docente lida com questões complicadíssimas relacionadas com a aprendizagem, o ensino e a escola. No entanto, o docente que ensina história não pode negligenciá-las, mesmo sabendo da dimensão dos problemas ligados a essas questões. (SILVA, 1984, p. 24).  O estágio deve ajudar o discente a superar a dicotomia entre teoria e prática. Configura-se, assim, como um importante instrumento “de luta pela qualidade de ensino”. Não basta apenas apresentar-se num equivocado modelo tradicionalista que, durante muito tempo, procurou denunciar os “supostos erros da escola, sem que houvesse mudanças na escola, nem acréscimos aos estagiários” (SILVA, 2007). Daí, a relevância de aliar a teoria e a prática do estágio para a qualificada formação do discente e, como possível consequência, a modificação do ensino e da própria escola. Essa não é, porém, uma tarefa fácil. Vale considerar, igualmente, os problemas relativos à formação dos estagiários com relação à produção e utilização do conhecimento histórico. Os conceitos, as teorias e os métodos compõem um mundo basicamente inexplorado para o discente de Pedagogia que, além de história, busca um conhecimento de outras áreas. Assim, a formação do discente é norteada pelo desejo de conhecer língua portuguesa, matemática, ciências, geografia, artes e, ainda, gestão, didática e estrutura e funcionamento de ensino. Essa necessidade de conhecer diversas áreas gera algumas limitações à tentativa de aprofundar o conhecimento necessário para o bom exercício na área de história, pois, para conhecer a disciplina de história o discente necessita de anos de estudos, algo que torna sua formação muita lenta e exige o estudo continuadamente. Cabe aqui, então, indicar uma primeira observação ao futuro pedagogo que realiza estágio nas aulas de história: apenas o estágio não parece amplamente suficiente para formá-lo, mesmo com uma apurada observação e uma planejada regência. Por isso, a necessidade de aliar teoria e prática. Sobre esse aspecto, Borges (1993, p. 81-82) observou que a formação universitária de professores de história (no nosso caso, de um pedagogo que trabalha com história) é “demorada, e supõe que o professor conheça muito bem como é produzida essa forma de conhecimento”, pois desse modo “estará ele (ela) em condições de evitar um ensino repetitivo e memorizador”. Ao pensar nessa questão, Borges também indica que a formação do discente pode ser ampliada a partir de um constante contanto com as universidades e, além disso, por uma acirrada defesa da cultura, pautada no acesso ao conhecimento por meio, por exemplo, de realização de leituras e participação em Congressos. Não obstante essa preocupação com a formação continua desse profissional, é possível tecer outros comentários relativos à sua formação. È comum os estudantes ressaltarem  o momento em que serão professores e possivelmente ensinarão sobre a Chegada dos Portugueses ao Brasil, A proclamação da Independência, A Abolição da Escravidão e a Proclamação da República ou então, sobre Pedro Álvares Cabral, Tiradentes ou Getúlio Vargas. Em síntese, muitos discentes de Pedagogia imaginam um ensino de história tradicional, quase sempre a partir dos grandes nomes ou dos fatos marcantes na história nacional, tal como muitos receberam nos anos inicias de estudos. Com relação a esse tema, Cerri (2002, p. 207) informa que: A história nacional tal como é ensinada a partir dos currículos oficiais, apesar de ser apenas uma das histórias possíveis, é a história à qual os cidadãos aderem como sua, por opção de integrar-se ao grupo ou por absoluta falta de conhecimento de outras possibilidades de registro e interpretação do tempo com que se identificar, inclusive a própria memória experimentada em grupos menores. Após essa constatação, parece extremamente relevante parafrasear a indagação de Cerri (2002, p. 195): “Que pensam os brasileiros do Brasil e de sua história ?” Especificamente sobre o tipo de história que os estudantes brasileiros recebem, podemos considerar as indagações outrora formuladas por Sidnei Munhoz (1984, p. 65). Há um bom tempo, esse autor perguntou se buscamos:

  • Uma história dinâmica que vise criar no estudante um espírito crítico?

  • Uma história que busque a compreensão do processo histórico através do estudo?

  • Uma história factual atenta unicamente às coisas do passado, a qual proíbe o contato com o presente?

Preocupar-se com a formação de um espírito crítico e reflexivo, voltado para a compreensão do processo histórico, deve ser objetivo de qualquer professor de história. A produção de saber histórico no ensino e numa escola mais democrática também deve figurar em nosso horizonte educacional. Debater o ensino é fundamental para tudo isso ocorrer. Nesse ponto, parece pertinente a passagem em que Faria Cruz (1984, p. 29) define que a discussão da prática da sala de aula deve figurar como premissa básica na busca de caminhos para romper com o ainda “insistente ensino tradicional”. Convém recordar, contudo, que a história ensinada nas escolas de Ensino Fundamental passou por mudanças significativas nas últimas décadas (FONSECA, 2005, p. 151). Infelizmente, não espaço para discuti-las nesse simples relato. Desse modo, a experiência como docente responsável pela orientação do estágio realizado pelo estudante de pedagogia, na disciplina de história, nas séries iniciais, permite apenas apresentar algumas considerações que podem ajudar no processo de rompimento como “insistente ensino tradicional”. Algumas observações devem estar claras para o estagiário antes que ele chegue à escola. Desse modo, o discente deve: 1) entender que a disciplina de história deve trabalhar com a realidade do aluno e, aos poucos, pode levá-lo a busca do conhecimento mais distante no tempo e também mais abstrato; 2) procurar visualizar as diversas possibilidades de trabalhar com a memória, sobretudo na esfera local; 3) conceber a noção de tempo histórico não apenas como tempo cronológico, linear e progressista, mas principalmente como um “tempo social” marcado pela pluralidade de ritmos, simultaneidade de acontecimentos, anterioridade e posterioridade dos fatos, bem como pelas constantes rupturas; 4) atribuir relevância ao trabalho com documentos históricos para a formação do leitor crítico e reflexivo; 5) entender que a disciplina de história possui a sua peculiaridade mas  que, para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais significativo par ao aluno, deve ser trabalhada em contato com outras disciplinas, como geografia e língua portuguesa; 6) criar produtos a partir do trabalho realizado e não apenas exigir que o aluno decore as informações do livro, do quadro ou de questionários;

É certo, porém, que esses pontos não devem figurar como um receituário. Mesmo assim, investir na formação acadêmica, aliar teoria e prática, romper com um ensino tradicional, refletir sobre a produção do saber histórico e lutar por uma escola mais democrática devem ser postulados básicos para a realização do estágio em história, nas séries iniciais do Ensino Fundamental. O “compromisso dos profissionais” que estudam história “com a construção da cidadania e da democracia” (FONSECA, 2005, p. 152) estão amplamente relacionados com os aspectos apontados acima. Refletir, agir e refletir novamente parece ser o caminho para tornar a disciplina de Fundamentos e Métodos de História mais relevante para o discente. Por isso, ainda há muito a ser feito!







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