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Universidade Federal de Santa Catarina

Curso de Cinema

Plano de Ensino da disciplina Teoria do cinema 1

(2010/2 — 4ª fase — 3ª feira — 60 horas aula)
  1. Prof. Dr. Felipe Soares


Ementa

Principais escolas e teorias do cinema. Considerações sobre teorias do cinema e representação. Interseção entre teorias do cinema e teorias da literatura. Análise e crítica de filmes e vídeos.



Objetivos específicos

  • Apresentar a noção de teoria como prática política.

  • Apresentar as primeiras das principais teorias do cinema – até os anos 50 – e suas respectivas possibilidades de inserção entre linhas de força do debate político-cultural.

  • Capacitar o aluno para (e encorajá-lo a) entrar em debates de estudos de cinema.

  • Estimular a autocrítica.

Metodologia

O termo Teoria, nesta disciplina, será entendido como correspondente à construção de um olhar. Teorizar é construir olhares, porém precisa ser construir olhares necessariamente diferentes do usual. Trata-se, portanto, de uma prática que exige criatividade e coragem política, disposição para o enfrentamento. Teoria aqui, em sua intransitividade, alude também àquele campo de práticas intelectuais necessariamente interdisciplinares ou mesmo extradisciplinares, como indica Johnathan Culler – campo exterior às especificidades da História, da Psicanálise, da Sociologia, da Literatura etc. Especificamente, teorizar sobre filmes (a fim, mesmo, de criticá-los) é buscar fundamentação (não necessariamente dentro de um suposto campo do cinema) para uma leitura diferente desses filmes, para dizer deles o que não foi dito, devolver-lhes potência.

A presente disciplina se desenvolve como apresentação e discussão de paradigmas, historicamente construídos, de práticas intelectuais que têm filmes por objetos. Em outras palavras, como busca de uma base teórica paradigmática que ajude os alunos, no futuro, tanto a aproveitar bem, e criticamente, as principais teorias, quanto a desenvolver um pensamento teórico capaz de efetivamente se colocar em relação com essa rede.

A partir desses pressupostos, as aulas terão seções expositivas e debates.



Avaliação

A nota final de cada aluno será a média aritmética de duas notas, relativas a duas provas. Cada prova será individual, aplicada em sala de aula, sem consulta. De cada aluno será exigido demonstrar que conseguiu fixar minimamente a linha central do pensamento de cada teórico estudado ao longo do semestre, estabelecida a partir do encaminhamento do professor e dos rumos de cada debate – o que equivale a dizer que a leitura dos textos, sem a devida atenção à aula, não será suficiente.



Cronograma

1º encontro (10/8/10): Apresentação. Início da discussão sobre Teoria. Introdução à história do pensamento (pontas de iceberg).

encontro (17/8/10): Panoramas grego e medieval (mímesis e metafísica).

Textos: excertos de Heráclito e Parmênides, Platão e Aristóteles, Agostinho e Tomás.

3º encontro (24/8/10): Descartes e Kant.

Textos: trecho de O discurso do método.

trechos de Crítica da razão pura



4º encontro (31/8/10): Hegel e Husserl.

Textos: trechos da Fenomenologia do espírito e da “Sexta investigação”.

5º encontro (14/9/10): Teoria do cinema.

Texto: XAVIER, I. O discurso cinematográfico (trechos).

6º encontro (21/9/10): Hugo Munsterberg.

Texto: XAVIER, I. A experiência do cinema (trechos).

7º encontro (28/9/10): Rudolf Arnheim.

Texto: ARNHEIM, Arte e percepção visual (trechos).

8º encontro (5/10/10): Sergei Eisenstein.

Texto: EISENSTEIN, S.. “Dramaturgia da forma do filme”

9º encontro (19/10/10): Prova. [Congresso da Asaeca]

10º encontro (26/10/10): Siegfried Kracauer.

Texto: KRACAUER, Theory of Film (trechos).

11º encontro (9/11/10): Semana do Cinema.

12º encontro (16/11/10): André Bazin.

Textos: BAZIN, O cinema (trechos).

13º encontro (23/11/10): Maurice Merleau-Ponty.

Textos: MERLEAU-PONTY, O primado da percepção e suas conseqüências filosóficas (trechos).

XAVIER, I. A experiência do cinema (trechos).



14º encontro (30/11/10): Prova.

15º encontro (7/12/10): Recapitulação, recuperação.

Bibliografia básica

COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Tradução de Cleonice Paes Barreto Mourão e Consuelo Fotes Santiago. Belo Horizonte: UFMG, 2001.

CULLER, Jonathan. Teoria literária: uma introdução. SP: Beca, 1999.

DERRIDA, J. A voz e o fenômeno. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. RJ: Paz e Terra, 1984.

XAVIER, Ismail. A experiência do cinema. RJ: Graal/Embrafilme, 1983.



Bibliografia complementar

AGAMBEN, Giorgio. Image et memoire: écrits sur l’image, la danse et le cinéma. Paris: Desclée de Brouwer, 2004.

ANDREW, James Dudley. As principais teorias do cinema: uma introdução. RJ: Zahar, 1989.

ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. SP: Pioneira, 2002.

ABELARDO. Abelardo (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 2006.

AGOSTINHO. Agostinho (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

ARISTÓTELES. Aristóteles (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

ARISTÓTELES. Metafísica. Tradução de Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1969.

BALÁZS, B. El film: evolución y esencia de un arte nuevo. Barcelona: Gustavo Gilli, 1978.

BARTHES, Roland. A câmara clara. Tradução de Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

BAZIN, André. O cinema: ensaios. São Paulo: Brasiliense, s/d.

BERGE, Damião. O logos heraclítico: introdução ao estudo dos fragmentos. RJ: Instituto Nacional do Livro, 1969.

COCCIA, Emanuele. Filosofia de la imaginación: Averroes y el averroísmo. Traducción de M. T. D’Meza. Buenos Aires: Adriana Hidalgo, 2007.

EISENSTEIN, Sergei. A forma do filme. RJ: Zahar, 1990.

EISENSTEIN, Sergei. O sentido do filme. RJ: Zahar, 1990.

GILSON, Etienne. A filosofia na idade média. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

GOMES, Paulo Emílio Sales. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HAYWARD, Susan. Cinema Studies: the Key Concepts. London/New York: Routledge, 2006.

HEGEL. Hegel (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

HUSSERL. Husserl (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). SP: Cia das Letras, 1995.

JANSON, Horst Woldemar. História da arte. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1989.

KANT. Kant (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

KRACAUER, Siegfried. Theory of Film: The Redemption of Physical Reality. Princeton: Princeton UP, 1997.

MERLEAU-PONTY, Maurice. O primado da percepção e suas conseqüências filosóficas. Campinas: Papirus, 1990.

PLATÃO. Diálogos: Menon, Banquete, Fedro. Rio de Janeiro: Globo, 1945.

PLATÃO. Platão (coleção Os pensadores). São Paulo: Abril, 1995.

PLATÃO. A república (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

PLATÃO. O banquete; Fedon; Sofista; Político. São Paulo: Nova Cultural, 1991.

Pré-socráticos (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

RANCIÈRE, Jacques. La fable cinematographique. Paris: Seuil, 2001.

SANTIAGO, Silviano. “Análise e interpretação”. In: Tempo brasileiro, nº 41. Rio de Janeiro, abril-junho de 1975, p. 8-22.

STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003.



TOMÁS DE AQUINO. Tomás de Aquino (coleção Os pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1996.







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