Universidade do Porto Faculdade de economia Seminário 1 “Rules Rather Than Discretion: The Inconsistency of Optimal Plans”



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Universidade do Porto

Faculdade de economia


Seminário 1
Rules Rather Than Discretion:

The Inconsistency of Optimal Plans”

_____________________________________________________


José Francisco Carvalho Costa 020401107
João Bismarck Amorim Coelho 040401059

Porto, 15 de Dezembro 2009


Universidade do Porto

Faculdade de economia


Seminário 1
Rules Rather Than Discretion:

The Inconsistency of Optimal Plans”

_____________________________________________________


José Francisco Carvalho Costa 020401107
João Bismarck Amorim Coelho 040401059

Disciplina: Seminário 1

Ano: 3.º - 1.º Semestre

Curso: Economia

Instituição: Faculdade de Economia da Universidade do Porto
Orientado por: Prof. Pedro Cosme da Costa Vieira

Porto, 15 de Dezembro 2009


O futuro não é a melhoria do Presente. É outra coisa.”

Agradecemos:
Ao Professor Pedro Cosme, pela atenção e paciência durante os encontros de orientação. Foi como que uma luz a guiar os nossos passos por entre a penumbra.

Se podíamos ter feito este trabalho sem a orientação do Professor Pedro Cosme? Podíamos, mas não seria a mesma coisa!



Resumo
A teoria do controlo (teoria de optimização usada em processos dinâmicos) não pode ser aplicada às políticas de intervenção económica. A aplicação de uma política discricionária, através da qual os governantes optam por uma medida considerada óptima, em cada período, não resulta na maximização da função de bem-estar social, no longo prazo. Num equilíbrio de expectativas racionais, como os agentes económicos alteram as suas expectativas quando existem alterações de políticas, o máximo do bem-estar social atinge-se pela fixação de regras de política.

Indice

Agradecimentos 2

Resumo Analitico 3

Indice 4


Introdução 5

Polìtica Consistente 6

Inflacção e Desemprego 7

Exemplo: Crédito Fiscal ao Investimento 9

Conclusão 10

Bibliografia 11



Introdução

No seguimento da Grande Depressão de 1929, a teoria macroeconómica de Keynes (1936) torna-se justificativa da intervenção do Estado na economia (i.e., das oscilações económicas).1 O modelo keynesiano foi perdendo adeptos pela inexistência de fundamentação microeconómica (modelos menos sensíveis a alterações de política), não enfatizando que alterações na política económica alteram as expectativas dos agentes. (Lucas 1976). O contributo de Kydland e Prescott (1977) é decisivo nesta concepção de que o plano óptimo a priori não é de facto óptimo a posteriori.

N

a prática, regra geral, no estudo dos agregados económicos, estima-se o modelo econométrico para encontrar a política adequada de acordo com a teoria do controlo óptimo. Este modelo permite aos agentes terem algum conhecimento sobre a influência das condições económicas nas decisões políticas subjacentes. As regras de decisão óptimas variam consoante as necessidades das autoridades e as condições de governabilidade, o que vai originar o ciclo demonstrado na figura seguinte:




Reestimar o modelo

Mudança de Politica

Decisão óptima


Verifica-se, empiricamente, que este processo na maior parte dos casos converge, contudo os resultados obtidos são subóptimos relativamente aqueles que se poderiam obter se o estado se comprometesse com algumas regras de politica. É possível ainda encontrar uma estrutura onde, este estado iterativo não converge, antes, tem um efeito perverso contribuindo para a instabilidade económica.


Política Consistente

O bem-estar social (γ) é função da sequência de políticas (α) e das decisões dos agentes económicos correspondentes a essas políticas (β), ou seja,



γ = F(∑αt; βt )

A política óptima, a existir, maximizará esta função assumindo que as decisões dos agentes num período t (β t) dependem das suas decisões nos períodos anteriores e das políticas até ao momento.



β t = F(∑βt ; ∑ αt-n)

A política seleccionada será consistente se, para cada período t se maximizar a função bem-estar social, conhecendo as decisões precedentes dos agentes e considerando que as políticas futuras serão seleccionadas de igual forma.

Uma política consistente não considera os efeitos de políticas em t+1 nas decisões dos agentes em t. Assim, esta apenas será óptima se:


  1. O efeito das políticas futuras nas decisões presentes dos agentes for nulo;

  2. O conhecimento de uma política futura que provoque alteração na decisão actual dos agentes não tem qualquer efeito em γ

Por exemplo, analisando a construção de casas em falésias junto ao mar, numa situação de dois períodos, teríamos que a medida óptima no primeiro período seria não construir, pois existe o risco de derrocada no período seguinte. No entanto, a política de maximização de bem-estar do Governo no período 2 vai influenciar a decisão dos indivíduos no período 1. Desta forma, os agentes sabem que ao decidirem construir as casas num primeiro momento as autoridades vão actuar no sentido de os proteger da derrocada num momento posterior. A sua decisão passa de “não construir” para “construir”, ou seja, o resultado obtido será sub óptimo (porque existe um custo que não é interiorizado).


Num período temporal indeterminado, não é possível recorrer a esta estratégia de decisão para determinar uma política consistente pois não se tem qualquer conhecimento sobre o último período que possibilite iniciar o raciocínio indutivo. No entanto, certas estruturas expressam a consistência através de regras de decisão política.

Considerando:



Ψt+1 = F( Ψt, αt, βt, εt)

Ou seja, o estado da Economia num momento posterior (Ψt+1), depende do estado da economia no presente (Ψt), da política praticada (αt), da escolha dos agentes (βt) e de choques exógenos (εt) no período corrente. Perante esta situação, agentes económicos racionais seguem regras de decisão (Π) que descrevem as escolhas actuais como função da situação futura. A melhor regra de decisão para o período actual está relacionada com a regra usada no futuro:



Πt+1 = f( Πt )

Ao avaliar decisões alternativas, as autoridades políticas vão confrontar os resultados actuais com os previstos para o futuro, considerando as regras de decisão dos agentes como um dado. Assume-se a racionalidade das expectativas dos agentes, ou seja, as previsões dos agentes não estão sistematicamente enviesadas, baseando-se em toda a informação disponível (Muth, 1961). Os governantes seleccionam, então, uma política consistente aproximada para o valor final estimado do fim do período.

Apesar de convergir, o resultado desta política consistente será sub óptimo, pois não é possível, através do mecanismo das expectativas, fazer com que as politicas futuras tenham em consideração os efeitos das suas políticas, via mecanismo das expectativas, nas decisões actuais dos agentes.

Inflação e Desemprego
A hipótese de um trade-off entre inflação e desemprego, assumida nos modelos económicos (através da curva de Phillips, 1958) em que o desemprego num período t (μt) aumenta com a diferença entre a taxa de inflação esperada (πte) e a taxa de inflação corrente (πt) e depende ainda da taxa de desemprego natural (μ*).

μt = δ(πte - πt) + μ* (a)



onde δ é uma constante positiva.

A rigidez dos preços assumida vai implicar informação imperfeita entre as em presas, uma vez que os preços e os salários são estabelecidos antes da realização da procura (Phelps & Taylor, 1975). Se as expectativas sobre preços dependerem, de forma sistemática, dos preços passados, a teoria do controlo revela-se apropriada para encontrar o óptimo entre desemprego e inflação. No entanto, as expectativas são influenciadas por mudanças de Governo e respectivas políticas sobre desemprego e inflação. Como os agentes económicos possuem informação parcial sobre a estrutura económica, as suas expectativas vão estar relacionadas com as políticas presentes e, desta forma, inutiliza a teoria de controlo óptimo.

Aceitando a hipótese das expectativas racionais, i.e., a expectativa em relação à inflação corresponde ao valor esperado dessa mesma taxa (b), assume-se que a função bem-estar social (γ)
relevante para a escolha de política é função da taxa de inflação (π
t) e do desemprego (μt) (c).

πte = E(πt) (b)



γ = F(πt, μt) (c)

A política consistente, a existir, maximiza (c), estando sujeita à restrição (a).
Na figura seguinte encontram-se representadas duas curvas de Phillips (nas rectas com declive -δ-1 e que intersectam o eixo vertical no valor da taxa de inflação esperada, πte) e várias curvas de indiferença que sugerem uma taxa de inflação nula como óptimo social:


Fig.1. Equilíbrio consistente e óptimo

As expectativas são racionais e a política praticada é a melhor, dada a situação actual, se o equilíbrio for consistente. Neste caso, a curva de indiferença terá de ser tangente à curva de Phillips no ponto de interseccção com o eixo vertical.

No entanto, os agentes económicos têm diferentes preferências em relação à taxa de inflação. Governos (no curto prazo) e devedores de empréstimos beneficiam com uma taxa de inflação alta (positiva), enquanto o consumo e o investimento possuem uma relação inversa. O resultado de uma política consistente não será óptimo pois πt deve ser encarada como um desvio da taxa óptima (próxima de zero).

Ao nível da procura agregada uma política consistente não é sensata uma vez que tal política implicaria valores de inflação e desemprego elevados. Comprometendo-se com uma política de fixação de preços, as autoridades políticas proporcionariam um equilíbrio no qual o desemprego seria menor relativamente ao equilíbrio manifestado no ponto C. A política óptima é inconsistente e, logo, não será óptimo continuar com as regras de decisão.

Exemplo : Crédito Fiscal ao Investimento
Neste exemplo, é criado um quadro de equilíbrio para avaliar uma classe de politicas de crédito fiscal ao investimento. A estrutura tecnológica assumida é semelhante à utilizada por Jorgenson (1963), embora os custos crescentes com ajuste rápido das capacidades seja assumido.

A relação verificada entre o capital produtivo actual, investimento previsto e o capital produtivo futuro é dada por Kt+2=Xt + (1-d)*Kt+1, ou seja, o capital futuro (Kt+2) depende do investimento planeado em t (Xt) e do capital que existe em t+1 (Kt+1) depreciado à taxa (d). Os custos de investimentos associados à decisão de investir ocorrem em t e t+1, isto reflecte o facto do tempo ser necessário para que a empresa consiga aumentar a sua capacidade produtiva. O esforço de investimento no período t é dado por E, e no período t+1 por (1-E). Assim a taxa de investimento Zt é dada por, Zt= E*Xt + (1-E)*Xt-1.

O crédito fiscal ao investimento é oferecido num valor de Wt, por isso haverá uma redireccionamento dos recursos fiscais de Wt*Zt.

O objectivo da empresa será então, maximizar em cada período o valor presente esperado do fluxo liquido de entradas de caixa.

Como 70% do crédito ao investimento refere-se a decisões tomadas em t-1 (E=0,3), a politica óptima do governo é conceder um crédito ao investimento pequeno em t, visto que já não vai influenciar em nada a decisão do agente em t-1. Por sua vez o agente, tendo expectativas racionais e sabendo que essa será a politica óptima do governo em t, opta, em t-1, por fazer um investimento menor. Ora isto vai levar a que o resultado final da soma de todos os períodos seja subóptimo em relação aquele em que o governo se compromete com um crédito fiscal ao investimento fixo para todos os períodos.

Esta situação pode ainda ser pior. Se o crédito fiscal ao investimento depender positivamente da magnitude do stock de capital futuro. Se os agentes investirem menos agora, o stock de capital no futuro será menor e consequentemente os créditos fiscais ao investimento no futuro serão maiores. Devido a esta externalidade, o equilíbrio competitivo não será, em geral, maximizar a utilidade da economia de escala, dada a regra politica.

Conclusão
Em resumo, a teoria de controle óptimo não é apropriada para o planeamento económico dinâmico. Não é apropriada porque as decisões dos agentes económicos dependem das expectativas que fazem quanto à politica futura e estas, não se mantendo invariáveis, alteram as expectativas dos agentes económicos sendo prejudicial à economia.

Se em cada período a decisão politica seleccionada maximizar a função utilidade dos agentes económicos, a politica seleccionada pode ser consistente mas o resultado a longo prazo é sub-optimo. Este ponto é demonstrado no exemplo do crédito fiscal ao investimento, que utiliza um equilíbrio racional da teoria das expectativas, com custos de ajustamento e desfasagem distribuídas para as despesas.

Bibliografia

KEYNES, J.M. (1936) “The General Theory of Employment, Interest and Money”. London: Macmillan. Visto em http://www.econlib.org/library/Enc/KeynesianEconomics.html


KYDLAND, F.E., and EDWARD C. PRESCOTT (1977), “Rules Rather Than Discretion: The Inconsistency of Optimal Plans”, Journal of Political Economy, vol 85-3, pp. 473-491
LUCAS, R. (1976), “Econometric Policy Evaluation: A Critique”, Carnegie-Rochester Conference Series on Public Policy. Visto em http://nobelprize.org/nobel_prizes/economics/laureates/1995/press.html
MUTH, J.F. (1961), “Rational Expectations and The Theory of Price Movements”, Econometrica, 29-3, pp. 315-335.
PHELPS, E.S. and TAYLOR, J.B (1975), “Stabilizing Properties of Monetary Policies under Rational Price Expectations” Department of Economics Working Paper nº 75-7607, Columbia Univ. Visto em KYDLAND, FINN E., and EDWARD C. PRESCOTT (1977), “Rules Rather Than Discretion: The Inconsistency of Optimal Plans”, Journal of Political Economy, vol 85-3, pp. 473-491.
JORGENSON, D. (1963) “Capital Theory and Investment Behavior”, American Economic. Review, Vol. 53, No.2. Visto em http://www.economia.uniroma2.it/lhc/Jorgenson/laudatio.pdf



1 Keynes explica as flutuações de curto prazo na produção e no nível de desemprego como consequência de oscilações na procura agregada.





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