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UNIVERSIDADE DE LISBOA
FACULDADE DE LETRAS




O Mundo de James Dean e sua Tradução à Luz da Semiótica Cognitiva


Petra Snjezana Pilipovic
Mestrado em Tradução

2013

UNIVERSIDADE DE LISBOA
FACULDADE DE LETRAS


O Mundo de James Dean e sua Tradução à Luz da Semiótica Cognitiva
Petra Snjezana Pilipovic


Dissertação de Mestrado em Tradução
Sob orientação da Professora Doutora Maria Clotilde Almeida
2013

Dedico este trabalho ao meu irmão, que viverá para sempre no meu coração e na minha alma e que era uma pessoa bonita por fora e por dentro.

A ele aplicaria na perfeição a citação:

“Only the gentle are ever really strong.

Dedico-o também à minha mãe pelo todo o esforço e dedicação que tem feito ao longo da vida. Obrigada, mãe, por tudo.


Para os meus sobrinhos, duas pequenas pessoas, que simplesmente adoro e que me ensinaram muito.

AGRADECIMENTOS

AGRADEÇO À PROFESSORA CLOTILDE DE ALMEIDA POR TODOS OS CONHECIMENTOS SOBRE ESTA ÁREA LINGUÍSTICA FASCINANTE, A LINGUÍSTICA COGNITIVA, ASSIM COMO POR TODOS OS OUTROS CONHECIMENTOS TRANSMITIDOS SOBRE OS MAIS DIVERSOS ASSUNTOS E PELA CONSTANTE DISPONIBILIDADE NA ORIENTAÇÃO DA TESE.
AGRADEÇO À PROFESSORA CLOTILDE DE ALMEIDA O INCENTIVO QUE ME DEU PARA TRANSFORMAR O PRESENTE TRABALHO EM TESE DE MESTRADO E PELO IMENSO PRAZER QUE TIVE EM TRABALHAR COM ELA, ASSIM COMO EM NOSSOS ENCONTROS RELACIONADOS COM O TRABALHO DE ORIENTAÇÃO DA TESE EM QUE ACABÁMOS POR FALAR DE MUITOS OUTROS ASSUNTOS. POR TUDO ISSO, TAMBÉM LHE DEDICO ESTA TESE E DESEJO MUITOS SUCESSOS NA CONTINUAÇÃO DE TODO O TRABALHO QUE TEM DESENVOLVIDO PESSOALMENTE E NO ACOMPANHAMENTO DOS ALUNOS POR SI ORIENTADOS.

RESUMO

A presente dissertação visa comprovar a aplicação metodológica da teoria dos domínios semânticos (Brandt 2004) a contextos de tradução dos textos de James Dean para Português Europeu, na senda de trabalhos anteriores, com especial destaque para Arantes (2011) e Rocha (2011). Postula-se que, em face do cariz fenomenológico universal, inerente aos domínios semânticos e esquemas imagéticos, que lhes estão subjacentes, a abordagem semiótico-cognitiva (Brandt 2004) constitui um instrumento de aferição aplicável à tradução de textos, totalmente distinta de transcrição textual, ancorada na manutenção dos domínios semânticos do texto de partida (Almeida 2011 a, 2011b).

Inscritas nos diversos domínios semânticos encontram-se também diversas metáforas conceptuais que devem ser mantidas no texto de chegada, mediante realizações equivalentes às do texto de partida.

Palavras–chave: semiótica cognitiva e tradução, domínios semânticos, metáforas conceptuais.




ABSTRACT

The present dissertation aims to prove the methodological application of the semantic domains approach (Brandt 2004) to the translation of texts by James Dean into European Portuguese, with special reference to previous studies by Arantes (2011) and Rocha (2011). It is claimed that, due to the universal phenomenological dimension of semantic domains and their underlying image schemas, the cognitive semiotic approach can be accounted for as an adequate tool for the analysis of text translation, which can be distinguished from transcreation processes, anchored in the non-preservation of semantic domains from the source text in the target text (Almeida 2011a, 2011b). It must be taken into account that conceptual metaphors, which are encompassed in the semantic domains must also be maintained in the target text in the form of metaphor realizations equivalent to the source text.

Key-words: cognitive semiotics and translation, semantic domains, conceptual metaphors


INTRODUÇÃO

A presente tese visa comprovar que a análise semiótico-cognitiva de pendor fenomenológico (Brandt 2004) se adequa, no plano metodológico, a contextos de tradução. Escolhi como corpus do estudo alguns textos de James Dean, em virtude do seu cariz fenomenológico, sendo que os mesmos foram traduzidos por mim para Português Europeu, conforme consta no Anexo I.


O trabalho foi subdividido em diversos pontos, a saber, o ponto 1 que se dedica à descrição sucinta da semântica cognitiva, um enquadramento teórico de pendor

experiencialista, com especial destaque para a questão da metáfora conceptual, dos esquemas imagéticos, e fundamentalmente dos domínios semânticos numa abordagem semiótico-cognitiva.

O ponto 2 tem início com a teorização da aplicação dos domínios semânticos a contextos de tradução, conforme estudos de Almeida (2011 a, 2011 b), em que se preconiza que os processos de tradução decorrem necessariamente da manutenção dos domínios semânticos do texto de partida no texto de chegada. São ainda mencionados os estudos de Arantes (2011) e de Rocha (2011) que desenvolvem a metodologia desenvolvida por Almeida. O primeiro aplica o enquadramento metodológico da semiótica cognitiva à análise de textos poéticos ingleses de Fernando Pessoa e respectivas traduções para Português Europeu , ao passo que o segunto confronta, na base da desconstrução da estrutura interna dos domínios semânticos, duas (auto)-biografias de wrestlers, um mexicano e um americano. No ponto 2.2 efectua-se a aplicação do modelo da semiótica cognitiva à análise de textos selecionados de James Dean.

Seguindo os cânones metodológicos desenvolvidos nos trabalhos anteriormente citados, procede-se à identificação e análise dos domínios semânticos, bem como dos esquemas imagéticos e das metáforas conceptuais que lhes conferem sustentabilidade interna.



No ponto 3, são tecidas algumas considerações finais, conducentes à validação do enquadramento metodológico da semiótica cognitiva para análise de textos em contextos de tradução.

ÍNDICE

AGRADECIMENTOS.......................................................................................................2
RESUMO.............................................................................................................................3
ABSTRACT.........................................................................................................................4
INTRODUÇÃO...................................................................................................................5
CAPÍTULO 1: PARADIGMA COGNITIVO..................................................................9

1.1 Fundamentos de Semântica Cognitiva.........................................................................9
1.2 Postulados de Semiótica Cognitiva..............................................................................13
1.3 Questões teórico-metodológicas do enfoque cognitivo................................................15
1.3.1 Ainda os postulados gerais da Semântica Cognitiva.................................................16

1.3.2 Delimitação de conceitos teóricos fundamentais à metodologia de análise............19

1.3.2.1 Definição de domínio semântico e de mapeamento................................................20

1.3.2.2 O conceito de domínio –abordagem fenomenológica (Brandt 2004)....................22
1.4 Esquemas imagéticos.......................................................................................................34
1.4.1 Frames........................................................................................................................... 41
CAPÍTULO 2: APLICAÇÃO DA SEMIÓTICA COGNITIVA À ANÁLISE DE NARRATIVAS.........................................................................................45
2.1 Estado de arte das aplicações metodológicas.................................................................45

2.2 Análise dos domínios semânticos nos textos de James Dean........................................50
2.2.1 A dimensão fenomenológica no seio dos domínios semânticos..................................50

2.2.2 Análise dos textos de James Dean em domínios semânticos......................................51

Discurso 1...................................................................................................................... 52

Discurso 2.......................................................................................................................57

Discurso 3.......................................................................................................................60

Discurso 4.......................................................................................................................64

Discurso 5......................................................................................................................66

Discurso 6......................................................................................................................69
OBSERVAÇÕES FINAIS.....................................................................................................71
CAPÍTULO 3: DOMÍNIOS SEMÂNTICOS E TRADUÇÃO...........................................73
3.1 Domínios semânticos e a sua aplicação à tradução......................................................73
BIBLIOGRAFIA....................................................................................................................95

CORPUS.................................................................................................................................99

SITOGRAFIA........................................................................................................................99

1 PARADIGMA COGNITIVO

1.1 Fundamentos de Semântica Cognitiva
A Semântica Cognitiva surge na década de 70 como reação contra filosofia analítica e objectivismo anglo-americanos, uma vez que considera que o significado linguístico resulta da representação conceptual da experiência. Segundo Talmy, (2000:4), não se pode considerar que a Semântica Cognitiva é em si uma teoria, mas antes um enfoque, mas antes um enfoque teórico que se rege por um conjunto de princípios afins, de entre os quais destacamos:

  1. corporização da estrutura conceptual, originária da tese de cognição corporizada (the embodied cognition thesis);

  2. interligação entre a estrutura semântica e a estrutura conceptual;

  3. indissociabilidade entre significado e experiência;

  4. construção idealizada do significado em contexto.

1.– Corporização da estrutura conceptual

Este é um dos princípios básicos da semântica cognitiva que deriva do postulado de que a estrutura conceptual da língua surge da sua interacção com o mundo exterior, sendo que é resultante das experiências corporais que lhe conferem significado. A título ilustrativo, podemos utilizar o esquema imagético do Contentor, identificável por experiências com o corpo humano enquanto espaço delimitado com uma zona exterior e interior. Este mesmo esquema é aplicado na representação de experiências de mais diversa índole, com especial destaque para alterações de estado físico ou mental, conceptualizadas como entradas ou saídas de estados físicos ou mentais. São referenciados como representações linguísticas do Esquema do Contentor os seguintes exemplos: a) He´s in love; b) I´m slowly getting into shape; c) He´s coming out of the coma; d) He fell into a depression;

Torna-se, assim, evidente que os estados emocionais ou psicológicos aqui mencionados são plasmados por recurso ao Esquema do Contentor, o que Lakoff e Johnson explicam como uma projecção metafórica deste esquema sobre um domínio conceptual abstracto.


2.- Interligação entre a estrutura semântica e a estrutura conceptual

Este postulado refere-se ao facto de a estrutura semântica emergir da estrutura conceptual, o que, contudo, isso não significa que ambas sejam idênticas. Assim, a semântica cognitiva baseia-se no facto de os significados das palavras isoladamente formarem apenas um pequeno conjunto de possíveis significados, fortemente influenciados pela experiência. Tal significa que a sua estruturação em grupos ou estruturas linguísticas, como é o caso da estrutura gramatical activa e passiva em inglês, é por si portadora de significado:



  1. William Shakespeare wrote Romeo and Juliet (active);

  2. Romeo and Juliet was written by William Shakespeare (passive).(Evans &Green, 2006: 159)

Cada uma das estruturas supracitas aponta para uma conceptualização diferente da cena, segundo perspectivação da mesma, o que lhe confere um significado particular. Deste modo, semântica cognitiva distingue-se de outras abordagens da língua, na medida em que alicerça o significado na intersecção dos planos lexical e gramatical, sem os enquadrar em subsistemas diferentes. Na óptica deste paradigma, os conceitos não existem como produto interno na mente, separados do mundo exterior, mas antes derivam da dimensão experiencial. Por exemplo, o conceito de solteiro poderá ser representativo da forma como a realidade é conceptualizada na base de modelos socioculturais específicos, o que significa que não se pode aplicar a todos os homens adultos casados, como p.ex., ao papa, cujo estatuto marital decorre de uma estruturação interna do seu perfil de homem sem mulher ou família no seio da igreja católica.


3.- Indissociabilidade entre s ignificado e experiência

Este princípio não associa a representação do significado somente à sua apresentação nos dicionários, ou seja, à sua explicação meramente linguística, sendo que preconiza que um conceito está inscrito em modelos socioculturais específicos, que requerem o acesso a conhecimentos mais amplos relacionados com um conceito específico ou um domínio conceptual, tal como foi ilustrado no conceito de solteiro. Nesta base, o significado enciclopédico poderá ser ilustrado através do seguinte exemplo:”Watch out Jane, your husband´s a right bachelor!”

Aqui a representação de um homem casado, o marido da Jane, como integrando a categoria dos solteiros remete para um comportamento sexual promíscuo, associado não apenas ao conceito em si, mas a um conjunto de conhecimentos sobre as sociedades ocidentais monogâmicas. Somos capazes de entender o significado in loco, activando mentalmente o modelo sociocultural em que o conceito de marido nas sociedades ocidentais se inscreve.

4. - Construção idealizada do significado em contexto

Este princípio prende-se com o facto de a língua por si não ser o veículo do significado, sendo que o processo da construção de significado se prende com a conceptualização idealizada do mesmo em contextos discursivos particulares. Tomemos como exemplo a construção de uma contrafactual, invocada por Taylor (2002:530), em que se constrói um cenário alternativo imaginado: “In France, Bill Clinton wouldn´t have been harmed by his relationship with Monica Lewinsky.”

No enquadramento cénico referido, Bill Clinton seria o presidente de França, sendo que neste modelo cultural, habitualmente mais permissivo no respeitante a relações extra-conjugais dos diversos presidentes franceses, esta situação não teria as repercussões mediáticas e políticas que teve nos Estados Unidos.

A fim de se entender este significado contrafactual, segundo Fauconnier e Turner (2002), é necessário processar informação conceptualmente, o que significa construir mapeamentos entre espaços mentais de input e um espaço genérico, o que está na origem da Teoria de Mesclagem Conceptual (Conceptual Blending Theory). Segundo esta teoria, para esta frase teríamos três espaços mentais distintos: um para Bill Clinton como presidente dos EUA a ter caso com Monica Lewinsky; outro para uma figura do presidente de França em que está implícito o conhecimento de que este tipo de comportamento ser considerado do domínio privado e consequentemente não censurável e terceiro em que colocamos Bill Clinton como presidente de França, retirando daí a conclusão que caso fosse presidente de França esse caso amoroso não resultava em escândalo público.

Do espaço de mesclagem resulta um novo significado contrafactual, não imediatamente alcançável através do conhecimento enciclopédico.



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