Universidade da beira interior



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Professor: Ricardo Cunha

Ano Lectivo: 2009/10

Data: Todo ano lectivo




Actividade: Acompanhamento e preparação de actividades para os alunos com necessidades educativas especiais.

Ricardo Cunha

Relatório

Considerações Gerais

Desde o início do ano foi solicitado aos alunos estagiários que pudesse constar no currículo do estágio, uma componente do Desporto Escolar. A minha solicitação foi direccionada para os alunos com necessidades educativas especiais em todas as quartas-feiras de manhã. Nesses horários propus e participei em diversas actividades que serão descritas nos pontos mais abaixo. Além deste horário, e a pedido de um dos professores responsáveis desses alunos, existia na turma que leccionava um aluno com estas características, à qual, não sendo eu a ministrar a aula me comprometi a oferecer alguma prática física dentro dos limites do aluno. Refiro por fim que na componente do desporto escolar destes alunos se enquadravam também actividades lúdicas que não tinham implícita actividade física. Contactei com cerca de 10 alunos com estas características, de todo o agrupamento escolar do Teixoso.



Alunos

Na sua maioria os alunos apresentavam problemas ao nível cognitivo com excepção do Aluno João Marcelo que acrescentava principalmente o facto de ser surdo-mudo. Este último foi o aluno que acompanhei mais de perto uma vez que era presente na aula de educação física da turma do 9ºA pela qual era directamente responsável. As idades dos alunos classificados como especiais variavam entre os 7 e os 17 anos. Alguns alunos fazem parte do quotidiano escolar e com eles convivíamos diariamente. Outros só os encontrávamos na equitação por pertencerem ao 1º ciclo.



Estratégias Utilizadas

Desde o início do ano lectivo que estava programada para estes alunos uma componente hipo terapeuta com 7 sessões e que seriam realizadas quando as condições meteorológicas o permitissem pois o picadeiro utilizado não tinha cobertura. Assim e sempre que não fosse possível realizar essa actividade eram utilizadas outras estratégias e modalidades desportivas. De entre as diversas estratégias apresentamos algumas que inclusive foram propostas pelos 2 alunos estagiários responsáveis por esta componente do desporto escolar. A saber a realização de peixes em cartão, pintados por estes alunos, e canas de pesca com um anzol improvisado que teria que agarrar um arco metálico na zona da cabeça do peixe. Era simulada uma actividade que exigia alguma perícia e lazer para os intervenientes. Numa outra aula iniciámos a construção de um jogo de bowling, utilizando garrafas de água plástica que eram enchidas com bolinhas feitas a partir de folhas de jornais. A bola utilizada era de esponja. Numa das manhãs construímos o jogo e na seguinte experimentamos, verificando que os alunos compreenderam o objectivo do jogo e que mostravam grande motivação nessa prática. Estas foram actividades propostas em que os alunos estagiários foram os principais responsáveis pela sua realização.

Desportivamente os alunos realizaram algumas actividades desportivas como o jogo da petanca e minigolfe.

Referindo agora a componente hipo terapeuta composta por 7 sessões e que se revelou como a actividade principal do desporto escolar nestes alunos, verificámos uma grande evolução na relação com o cavalo reflectida em alguns alunos como capaz de aumentar a relação com o ser humano mais directamente com os professores. Muitos dos alunos iniciaram esta prática com uma indiferença completa e com bastante receio em relação ao animal. Nas primeiras sessões muitos alunos rejeitaram por completo a aproximação ao cavalo. Aos poucos e por muito incentivo dos professores foram criando alguns laços com o cavalo reflectidos no toque e no comando do cavalo a partir do solo. Foram capazes de iniciar o chamar e puxar do cavalo para o estaleiro, sendo depois incentivados de modo um pouco forçado a subir para o cavalo e sentir que não existia perigo nesse acto. Depois foi um aumento gradual em que os professores acompanhavam bastante de perto o aluno. Foram aos poucos sendo eliminados os professores da proximidade do conjunto cavalo e aluno, tendo mesmo na parte final alguns alunos, que através do controlo do responsável pela actividade (Sr. João), ficado completamente sozinhos. O deslocamento e trajectórias do cavalo eram proporcionadas pelo orientador mas o aluno estava isolado de apoios externos directos dos professores auxiliares.

Quanto ao acompanhamento do aluno João Marcelo durante as aulas de educação física, procurámos que o mesmo pudesse através de jogos muito simples aumentar a sua força muscular por entre médio de circuitos e jogos com repetição para que em primeiro lugar pudesse compreender os objectivos da actividade e segundo compreendesse o seu movimento para realizar os diferentes jogos. Em segundo lugar proporcionar ao aluno experimentação com diferentes materiais e a sua adaptação em termos de zona de contacto, massa e tamanho. Utilizámos bolas como as de futsal, basquetebol, andebol e Pilatos, mas também cones, marcadores e barras. Além disso existiu também experimentação no mini-trampolim e colchões. Tentávamos também que o aluno pudesse interagir com os restantes alunos da turma essencialmente na fase de aquecimento da aula.





Avaliação das actividades

Avaliando os alunos nas diferentes tarefas podemos verificar que em algumas denotámos evolução através da repetição e outras através da compreensão. Nas actividades de petanca, minigolfe e bowling verificámos uma adaptação em relação à velocidade com que os alunos lançavam ou jogavam a bola, com a precisão necessária ao melhor cumprimento da tarefa. Na actividade de pesca lúdica, cada um por si foi entendendo o objectivo e compreendendo como segurar a cana e fazer deslocar o anzol de forma a poder captar o arco e assim poder “pescar”.

Na iniciação à equitação e utilizando o cavalo como forma de desenvolvimento não cognitivo mas relacional com o ambiente exterior. Temos o exemplo da Joana do 1º ciclo que não é comunicativa mas que nas últimas sessões e devido à interacção com uma actividade que se tornou num grande desafio para ela, sempre que terminava a aula deslocava-se para junto de um orientador e despedia-se deixando em perspectiva que a pudessem trazer de novo até aquele espaço onde se sentia bem e onde queria continuar a desafiar-se e a explorar. O aluno João Marcelo que nas últimas sessões e por iniciativa própria aventurava-se na quinta e para junto dos cavalos sem medir o perigo e sem receio de conhecer algo novo. O Márcio que é um aluno que tem pânico em relação às novidades sentia-se à vontade com o cavalo mas apresentava ainda algum receio na subida para o cavalo. Ainda assim foi um aluno que não conseguia estar a menos de 5 metros do animal começando a chorar e até simular indisposição para que não fosse incentivado a aproximar-se. Este aluno também esteve em cima do cavalo ainda que sempre acompanhado de perto por 2 professores. De uma forma geral foi esta foi uma actividade que ajudou as crianças a procurar algo novo e que é também uma experiência da qual não esquecerão e poderão não ter oportunidade de repetir.





Dificuldades do Professor

Nos estudos efectuados durante a licenciatura e mestrado sempre tivemos em atenção um papel fundamental que a escola apresenta em termos de inclusão social. Não apenas os alunos com necessidades educativas especiais representam a classe a ter em conta nessa inclusão mas são um grupo que pode sofrer mais com esta problemática. Desta forma penso que este trabalho desenvolvido ajudou bastante na percepção dessa questão nas escolas e ajudou a perceber de uma forma mais prática como se pode combater essa exclusão. A principal dificuldade sentida por mim no início foi o conhecimento da criança e que características tinham cada um deles para que pudéssemos chegar cada vez mais perto de cada um e contribuir para o seu desenvolvimento de uma forma natural sem que o aluno pudesse rejeitar essa aproximação. Por exemplo um aluno como o Márcio não podia ser confrontado com grandes novidades aquando a tentativa de aproximação. Teria que ser efectuada em particular e através de situações conhecidas por ele. Já o aluno João Marcelo muito curioso sentia-se bem connosco quando o lhe mostrávamos algo novo e que lhe permitisse explorar autonomamente. Estes são alguns exemplos de como deve ser realizada a integração de um professor num aluno que apresenta características diferentes do atribuído como normal. No início a principal dificuldade foi perceber que aluno era e que estratégias arranjar para nos aproximarmos e fazê-lo mais tarde desempenhar tarefas que lhe seriam propostas.

Outra dificuldade foi a de entender que este tipo de crianças devem ser estimuladas a realizar tarefas sozinhas e não entregar tudo feito porque é menos trabalhoso. Dessa forma só os prejudicamos porque não poderemos estar sempre com eles e nunca vão tentar ultrapassar os seus limites, crescendo por si próprios. Em relação às actividades proporcionadas não revelei grandes dificuldades dado que são crianças jovens e actividades muito básicas que sejam novidades no seu esquema corporal já se apresentam como um desafio. Talvez num próximo ano já pudesse sentir mais essa dificuldade porque eles cresceram e é necessário complexificar as suas decisões.



Por fim uma dificuldade sentida não só com estes alunos mas que pode condicionar o nosso relacionamento com estes. Falo da obrigação de uma actividade que estes rejeitam. Obviamente que algumas das actividades propostas foram rejeitadas mas isso não deve implicar uma nova. É necessário adaptar a mesma a algo que os alunos gostem para que se possa chegar à inicial. Não através de chantagem mas porque são alunos especiais e podem demorar mais algum tempo a assimilar que lhes estamos a oferecer algo que eles vão gostar e não algo que eles têm que fazer.


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