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UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA


FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS

Curso de Doutoramento em Estudos de Cultura

UNIDADE CURRICULAR: Modernidade e Literatura (6 ECTS) 2009/2010


DOCENTE RESPONSÁVEL: Jorge Fazenda Lourenço 1.º Semestre

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

Este seminário propõe a leitura de A Montanha Mágica (Der Zauberberg, 1924), de Thomas Mann, na perspectiva do “romance de formação”. O Bildungsroman, forma literária que nasce, historicamente, com a modernidade estética, pela pena de Goethe e outros, foi, no início, um meio de propagação dos ideais da Aufklärung, acabando por se transformar num instrumento crítico da cultura burguesa e da civilização ocidental, nas primeiras décadas do século XX. Deste modo, o “romance de formação” afirma-se como um espaço privilegiado de reflexão, no duplo sentido da palavra, da própria Modernidade e do seu regime de conflitualidades estruturantes.

Estrutura do seminário:

1. Caracterização geral da Modernidade. Moderno, modernidade, modernismo, modernização. Modernidade ou modernidades? Modernidade, formação, educação.

2. Modernidade e literatura. O conceito de literatura no contexto da modernidade. Funções da literatura. A literatura como espaço de reflexão, refracção e configuração da modernidade, entendida como um processo e um projecto civilizacional: o conflito entre modernidade estética e modernidade sociológica; a construção das identidades sociais e de género; a metrópole e a estetização da experiência; o novo imaginário das metamorfoses (sujeito, corpo, máquina); o “desencantamento do mundo”.

3. A Bildung e o Bildungsroman no contexto da modernidade. Definições de um género indefinido. Romance de formação (educação, iniciação, aprendizagem) masculina. E feminina? Alguns temas conexos: a educação estética, a adolescência, a busca da felicidade, o imaginário urbano, o género e as identidades.

4. Thomas Mann, a Alemanha, a Europa e a Grande Guerra.

5. A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Análise e comentário.



OBJECTIVOS DA UNIDADE CURRICULAR E COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR


Objectivos: Este seminário visa o desenvolvimento das capacidades críticas e de compreensão sistemática de práticas literárias e problemas culturais, permitindo a produção de conhecimentos científicos e a integração dos doutorandos em equipas de investigação. Em particular, procura-se: apresentar, discutir, problematizar, noções como Modernidade, Educação Estética, Literatura, Experiência, reflectindo sobre a função da literatura na Formação Cultural dos indivíduos e das sociedades; fornecer instrumentos metodológicos que habilitem os doutorandos a proceder a uma investigação autónoma de qualidade.
Competências: Este seminário procura fomentar o alargamento e aprofundamento de conhecimentos e capacidades de compreensão e formulação adquiridos anteriormente; a melhor, porque mais crítica, aplicação desses mesmos saberes e capacidades; a capacidade de recolher, seleccionar e interpretar a informação cultural pertinente, de modo a se descodificarem textos, conteúdos e formatos; o cultivo criativo e inteligente do espírito crítico e do consequente imperativo da formação e pesquisa contínuas; a produção de investigação autónoma, original e de excelência.

BIBLIOGRAFIA PRINCIPAL



Primária

Mann, Thomas (2009), A Montanha Mágica, trad. Gilda Lopes Encarnação, Lisboa: Dom Quixote.
Secundária (a expandir, no decurso do seminário)

Aguiar e Silva, Vítor Manuel de (1982), Teoria da Literatura, 4.ª ed., Coimbra: Almedina.

Aguiar e Silva, Vítor Manuel de (1990), Teoria e Metodologia Literárias, Lisboa: Universidade Aberta.

Bakhtin, Mikhail (2003), “O romance de educação e sua importância na história do realismo”, Estética da Criação Verbal, trad. Paulo Bezerra, São Paulo: Martins Fontes, pp. 205-224.

Berman, Marshall (1982), All That Is Solid Melts into Air: The Experience of Modernity, Londres: Verso.

Braunstein, Florence e Pépin, Jean-François (2001), O Lugar do Corpo na Cultura Ocidental, trad. João Duarte Silva, Lisboa: Instituto Piaget.

Bruford, W. H. (1975), The German Tradition of Self-Cultivation: “Bildung” from Humboldt to Thomas Mann, Cambridge: Cambridge University Press.

Buckley, Jerome Hamilton (1974), Season of Youth: the Bildungsroman from Dickens to Golding, Cambridge, MA: Harvard University Press.

Calinescu, Matei (1987), Five Faces of Modernity. Modernism, Avant-Garde, Decadence, Kitsch, Postmodernism, Durham: Duke University Press.

Castle, Gregory (2006), Reading the Modernist Bildungsroman, Gainesville: University Press of Florida.

Danius, Sara (2002), The Senses of Modernism: Technology, Perception, and Aesthetics, Ithaca e Londres: Cornell University Press.

Dowden, Stephen D., ed. (2002), A Companion to Thomas Mann’s The Magic Mountain, Rochester, NY: Camden House.

Eagleton, Terry (1990), The Ideology of the Aesthetic, Oxford, Blackwell.

Jost, François (1969), “La tradition du Bildungsroman”, Comparative Literature, n.º 21, pp. 97-115.

Lukács, Georg (2000), A Teoria do Romance, trad. José Marcos Mariani de Macedo, São Paulo: Duas Cidades e Editora 34.

Maas, Wilma Patrícia (2000), O Cânone Mínimo: o Bildungsroman na História da Literatura, São Paulo: Unesp.

Matz, Jesse (2004), The Modern Novel: A Short Introduction, Malden, MA: Blackwell.

Moretti, Franco (2000), The Way of the World: The Bildungsroman in European Culture, Londres: Verso.

Robertson, Ritchie, ed. (2003), The Cambridge Companion to Thomas Mann, Cambridge: Cambridge University Press.

Sagarra, Eda e Peter Skrine (1997), A Companion to German Literature: From 1500 to the Present, Oxford: Blackwell.

Simmel, Georg (1997), Simmel on Culture, ed. David Frisby e Mike Featherstone, Londres: Sage.

Tadié, Jean-Yves (1990), Le roman au xxe siècle, Paris: Belfond.

METODOLOGIA DE ENSINO (AVALIAÇÃO INCLUÍDA)



Ensino: Constituindo um espaço de reflexão e de debate, o regime de seminário implica um estudo continuado e a busca de uma produção regular de conhecimento, em termos orais e escritos. Como diz Roland Barthes: “No seminário (é a sua definição), todo o ensino é excluído: nenhum saber é transmitido (mas pode ser criado um saber), nenhum discurso é efectuado (mas procura-se um texto): o ensino é decepcionado. Ou alguém trabalha, investiga, produz, monta, escreve diante dos outros; ou então todos se incitam, se chamam, põem em circulação o objecto a produzir, o processo a compor, que passam assim de mão em mão, suspensos no fio do desejo, como o anel no jogo do anel” (“Ao/No Seminário”, O Rumor da Língua, trad. António Gonçalves, Lisboa: Edições 70, 1987, p. 284).

A obra proposta no programa será objecto de apresentações orais e discussões colectivas, antes da escolha, por cada estudante, do tema dos respectivos ensaios. O seminário possui um horário de atendimento, semanal, dedicado a um acompanhamento mais personalizado do trabalho dos doutorandos.


Avaliação: A avaliação é contínua e tem em conta os seguintes parâmetros: assiduidade e participação de qualidade (15% da nota final); uma apresentação oral (20% da nota final); um relatório de leitura (20% da nota final); um ensaio (45% da nota final), com um máximo de 10 páginas.



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