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UNIP-UNIVERSIDADE PAULISTA

Instituto de Ciências Humanas

Curso de Psicologia

Dinâmicas Grupais

Análise do Filme : 12 Homens e 1 Sentença com o embasada na teoria de Willian Schutz

Elaine Dias Silva RA: 286737-0

Maria Regina Daroz RA: 287047-9

Márcia Liberato RA: 285890-6

Erika Regina Fernandes RA 285661-1

Jundiaí/2011

Introdução

O objetivo desse trabalho, da disciplina Dinâmicas de Grupos é relacionar a teoria das Necessidades Interpessoais de Schutz com o filme Doze Homens e uma Sentença.

Conforme Fritzen (2005) todo indivíduo vem a um grupo com necessidades interpessoais específicas e identificadas. Schutz, diz que os membros de um grupo não consentem em integrar-se, senão a partir do momento em que certas necessidades fundamentais são satisfeitas pelo grupo. Segundo o mesmo autor para Schutz essas necessidades são fundamentais porque todo ser humano, que faz parte de um grupo as experimenta, mesmo que em diferentes graus, porém, por outro lado, essas necessidades são interpessoais e somente em grupo e pelo grupo podem ser satisfeitas.

São três as necessidades identificadas por Schutz: inclusão, controle e afeição. A primeira necessidade identificada, ao sujeito entrar no grupo, é a de inclusão, passando a seguir para a de controle e por último a necessidade de afeição. (Fritzen, 2005).

Considerando o filme acima citado, de 1957 que tem como enredo a estória de um garoto de dezoito anos porto-riquenho que está sendo julgado pelo assassinato de seu pai com nove facadas e que terá seu veredito decidido por um júri popular composto de doze homens, os quais se reúnem por horas em uma sala fechada e argumentam em torno de inocente ou culpado, onde dos doze jurados, onze tem certeza que ele é culpado enquanto que apenas um não o acha culpado, mas também não acredita na sua inocência. É por causa da indecisão do jurado número oito que começa os conflitos no filme. Ele vai tentando convencer os outros jurados a terem a mesma opinião que a dele, pois eles estão lá para decidir sobre a vida de uma pessoa e não de um item qualquer. Procuraremos identificar e relacionar os diálogos desses homens em cenas do filme com a teoria de Schutz. A seguir faremos um breve relato de cada uma das necessidades interpessoais e na seqüência usaremos algumas cenas do filme para identificá-las.

Descrição das necessidades

Nesta parte iremos descrever um pouco sobre as necessidades identificadas por Schutz fazendo um link com o filme Doze homens e uma sentença.

A primeira necessidade é a da inclusão: é a necessidade que todo membro novo de um grupo apresenta, para se sentir aceito e respeitado. Na inclusão os membros procuram evidências no comportamento do grupo de que não são rejeitados pelo mesmo. A inclusão se processa na integralidade quando o indivíduo sente-se fazendo parte nos processo decisórios do grupo. As pessoas que se sentem com a auto-estima baixa vão se comportar de maneira ansiosa, sendo sub-social com atitudes retraídas se afastando das pessoas ou ultra-social com atitudes extrovertidas. (Oliveira, 2011)

Segundo Fritzen (2005) nessa fase o sujeito formula as seguintes perguntas: Como serei aceito? Quem me aceitará? Quem nos rejeitará? Que devo fazer para ser aceito? Em todo grupo onde se estabelece confiança, há um crescimento da estima e confiança pessoal. Para o funcionamento de um grupo eficaz, a satisfação da necessidade de inclusão representa um pré requisito indispensável. Ele ainda diz que qualquer pessoa de um grupo pode colaborar para sua própria inclusão e a dos outros se saudar os participantes de uma reunião, providenciar para que todos tenham um crachá, quando houver membros novos sugerir um exercício de apresentação, fazer sua própria apresentação, oferecer um “cafezinho” no intervalo, promovendo assim maior socialização do grupo.

Uma vez satisfeita a necessidade de inclusão, o indivíduo passar para a segunda necessidade que é a do controle: já incluídos pelo grupo, os indivíduos sentem-se responsáveis por tudo aquilo que constitui o grupo, sua estrutura, atividades, objetivos. Tornando-se uma fase onde o jogo de forças assume caráter importante, uma vez que os membros ao procurarem firmar seu lugar no grupo, tentam também mostrar seu poder de influência, liderança e realização. (Oliveira, 2011).

Segundo Fritzen (2005) nessa faze o indivíduo formula as seguintes perguntas: De quem é o controle nesse grupo que participo? Quem tem autoridade sobre quem, em que e por quê? Como posso influenciar esse grupo? Como são feitas as decisões? Que poder tenho eu nesse grupo? Ainda em Fritzen, todo participante de um grupo pode igualmente aprender, praticar e compartilhar a influência e o controle quando: Buscar uma posição de comando ou uma função no grupo, sentir-se a vontade quando os outros buscarem o comando, sentir que aumenta sua própria influência no grupo, aprender os diversos estilos de decisão, aceitar a rotatividade no comando e demais funções do grupo.

A terceira necessidade é a da afeição: onde os indivíduos buscam provas no grupo de que sua presença é fundamental, isto mostra um desejo grande de interação emocional. Na afeição o grupo sente confiança para expressar sentimentos de qualquer natureza na busca do crescimento individual e grupal. Esta é a última fase a emergir no desenvolvimento de uma relação humana ou de um grupo. Os indivíduos dependentes tentam satisfazer suas necessidades de afeto através de relações privilegiadas, desejam relações hiperpessoais. (Oliveira, 2011).

Fritzen (2005) que a necessidade de afeição é considerada fundamental por Schutz em toda dinâmica do grupo. Não somente aquele que se junta a um grupo aspira ser respeitado, ou estimado, por sua competência ou recursos, mas a ser aceito como pessoa humana, não apenas pelo que tem, mas também pelo que é. As perguntas feitas pelo indivíduo são: quem gosta de mim?, a quem eu considero mais, quais as normas usadas no grupo para expressar afeição ou amizade? Os membros de um grupo podem satisfazer suas próprias necessidades e a dos outros, quando: chegarem mais cedo para reunião do grupo com o intuito de conhecerem os outros, expressarem verbalmente o que sentem em relação aos outros ou ainda quando demonstram verbalmente apoiar o trabalho dos outros.



Análise do Filme : “Doze Homens e uma Sentença”

O filme Doze Homens e uma Sentença mostra os fatores envolvidos no processo grupal em um momento decisório, evidenciando como as pessoas trazem para o grupo e para a tomada de decisão seus padrões, condicionamentos e história de vida. Evidencia as diferenças individuais que levam as pessoas à análise de um mesmo fato, visualizarem ângulos e verdades diferentes; e analisa a capacidade e características no processo da negociação.

A história gira em torno do comportamento de grupo, através do enfoque do procedimento dos 12 jurados, com suas diferenças culturais, pessoais e de formação, expressas em seus valores, preconceitos e falsas certezas . Cada um dos jurados tem origem, condição social e idade diferente e, como não podia deixar de ser, diversos tipos de personalidade: entre os doze, há o tímido, o intelectual, o idoso, o de origem humilde, o imigrante, enfim , cada um é um ser único e está ali para decidir sobre o destino de outro ser humano.

Analisando-se este filme, é possível discutir os processos e barreiras comunicacionais que podem ocorrer em uma atividade grupal, expressando os conflitos existentes, bem como as possibilidades de abertura e ressignificação dos fatos e da própria realidade, por meio de recursos comunicacionais.

Segundo Schutz, todo grupo passa por fases ou etapas em sua vida. Estas fases podem repetir-se diversas vezes durante a vida de um grupo, independente da sua duração.

INCLUSÂO

Podemos notar no começo do filme a fase de inclusão, quando os jurados entram na sala e cada um procura o seu lugar . Observa-se que havia um jurado hipersocial, que tentava conversar com outro jurado e também havia aquele que preferia ficar mais reservado demonstrando se hipossocial.

Exemplo:
No início do filme, quando os jurados entram na sala e cada um procura seu lugar, buscando se estruturar no grupo
4’:00” em diante
4’:47” jurado oferece chiclete para outro, tentando se enturmar
4’:57” ele ajuda o outro jurado abrir a janela e faz comentário sobre a previsão do tempo.

16’:00 tímido e sub-social, defende sua opinião, mas não tenta convencer os outros a concordar com ele.

45’:40” Quer ser aceito, oferece pastilhas. Ainda está na fase da aceitação.

CONTROLE

Na fase de controle que é a fase do poder, da influência e autoridade. No filme apareceram jurados que não queriam expor seus sentimentos, evitando tomar decisões que pudessem influenciar os outros, fugindo assim da responsabilidade do resultado, e outro já totalmente diferente, que se impôs e queria que todos aceitassem suas idéias, teve jurado também que assumiu a responsabilidade do seu voto.

Exemplos:

18’:20” Descreve o que entendeu do depoimento do réu e da testemunha, tenta obter concordância por parte dos outros jurados, tenta manter o controle da situação.

16’:00” Primeira vez dele em um júri, afirmou sua opinião , mas não argumentou. Não tentou convencer outros de sua posição. Absteve-se de tentar convencê-los.

Porém existem também pessoas que querem impor suas idéias e querem obrigar os outros aceitá-las. Receiam não influir sobre os outros, e de vir a ser dominado por eles.

18’:20” Defende sua opinião, demonstra autoridade no que diz e tenta manter o controle da situação.

18’:55” Passa a vez , demonstrando comportamento sub-social.

22’:45” Defende veementemente sua opinião e espera que os outros concordem com ele. Demonstra levar a discussão para o lado pessoa.

23’:18” Liderança e tentativa de manter o controle.

29’00” Grande embate, alguns discutem e outros se abstêm .

48’00” Pessoas de perfil democrático, que se sentem à vontade em qualquer situação, expondo suas idéias e ouvindo as dos outros.



AFEIÇÃO:

A terceira fase é de afeição ou abertura, na qual o clima emocional do grupo pode oscilar entre momentos de harmonia e de insatisfação, hostilidade e tensão. Estes podem ser observados em vários momentos do filme.

Exemplos:

34’:00” Jurado vota contra, mostra que sua presença é fundamental no grupo. Foi ignorado até então, forma que encontrou de se firmar como uma peça importante no grupo.

36’:10” Jurado se desculpa por exaltação anterior, com o objetivo de se manter importante no grupo.

34’:25” Neste momento, algumas pessoas guardam distância das outras, mantendo apenas as relações superficiais, até mesmo demonstrando respeito.

44’:00” Descreve e demonstra ter conhecimento de algo que os outros não têm, tenta se destacar no grupo desta forma.

1:12 Tímido e com comportamento sub-social.



Referências:

FRITZEN S.J. Relações Humanas Interpessoais nas convivências grupais e comunitárias, Ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 2005.

OLIVEIRA, M.N. Lwin, Bion e Schutz: Um olhar a respeito de fases. 2011. Disponível em www.processosgrupais.com.br. Acesso em 10/05/2011.

Filme

DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA. Título original: “Twelve Angry Men”. Direção: Sidney Lumet. Produção/Distribuição: Fox/MGM. Elenco: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley, E.G. Marshall, JackWarden, Martin Balsam, John Fiedler, Jack Klugman, Edward Binns, Joseph Sweeney, George Voskovec, Robert Webber. EUA. 1957. Drama. DVD. 96 min.



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