Um paíS, um género: a itália e o realismo



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Ter. [05] 19:00 - Sala Dr. Félix Ribeiro

THE OUTLAW

A Terra dos Homens Perdidos de Howard Hughes e Howard Hawks

com Jane Russell, Thomas Mitchell, Jack Buetel, Walter Huston

Estados Unidos, 1943 - 123 min / legendado electronicamente em português

Howard Hughes, embeiçado por Jane Russell, quis fazer dela a verdadeira protagonista desta variação sobre a história de Billy the Kid. Apostou numa “sobrecarga erótica”, em desafio directo ao código Hays, e esse confronto entre Hughes e os censores resultou em sucessivas proibições e remontagens até que o filme pôde finalmente ser estreado. Howard Hawks trabalhou algum tempo no filme, mas desentendeu-se com Hughes e abandonou o projecto (o mesmo acontecendo com o argumentista Ben Hecht).


Qua. [06] 19:00 - Sala Dr. Félix Ribeiro

AT LONG LAST LOVE

de Peter Bogdanovich

com Burt Reynolds, Cybil Shepherd, Madeline Kahn

Estados Unidos, 1975 - 118 min / legendado electronicamente em português

Foi a partir deste filme que a carreira de Peter Bogdanovich começou a dar para o torto. AT LONG LAST LOVE era um ambicioso projecto de homenagem e recuperação do musical clássico americano – mas a maioria do público e da crítica do seu tempo achou que era tudo ridículo e o filme foi um flop monumental. Custa a acreditar, mas ainda hoje se escreve (na América, sobretudo) que AT LONG LAST LOVE é “uma vergonha” e “uma nódoa” na filmografia de Bogdanovich. Um magnífico filme infame, é o que ele é.


Sex. [08] 21:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

PEEPING TOM

A Vítima do Medo de Michael Powell

com Karlheinz Bohm, Moira Shearer, Anna Massey

Grã-Bretanha, 1960 - 101 min / legendado electronicamente em português

O filme “maldito” de Michael Powell, a que só muito tempo depois se prestaram as devidas honras. Um dos mais intensos estudos sobre a paranóia, e também sobre o cinema, através da história de um jovem cineasta amador cuja obsessão pela morte o transforma num assassino para filmar in extremis as reacções das vítimas.


Ter. [12] 19:30 - Sala Luís de Pina

BRANCA DE NEVE de João César Monteiro

com as vozes de Maria do Carmo, Reginaldo da Cruz, Ana Brandão, Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, João César Monteiro

Portugal, 2000 - 72 min

O mais “escandaloso” filme de João César Monteiro, que, ao adaptar uma peça de Robert Walser, deixou a tela quase sempre negra, com raras imagens de outra cor e as imagens sonoras (as vozes dos actores). O “escândalo” fez correr tanta tinta que não vale a pena repetir factos e argumentos. Vale a pena é voltar a ver BRANCA DE NEVE, outra vez e outra vez, no escuro da sala, no quarto escuro.




Seg. [18] 22:00 - Sala Luís de Pina

THE BIRTH OF A NATION

de D.W. Griffith

com Henry B. Walthall, Mae Marsh, Lillian Gish, Robert Harron, Miriam Cooper

Estados Unidos, 1915 - 189 min / mudo, intertítulos em inglês traduzidos electronicamente em português

THE BIRTH OF A NATION é a primeira produção americana de dimensão verdadeiramente espectacular e o primeiro filme que pôs um país a discutir a sua história. Griffith sistematizou e ampliou todas as suas experiências da linguagem cinematográfica, nomeadamente a montagem alternada e o “salvamento no último minuto”. Com este filme, que à época suscitou grande polémica e ainda hoje continua a alimentar discussões aguerridas, o cinema começou a ser uma indústria e foi finalmente reconhecido como arte. Um épico centrado na guerra civil americana e na desaparição do “Old South” e de um modo de vida apoiado num regime esclavagista. Uma obra prima absoluta.


Qua. [20] 19:00 - Sala Dr. Félix Ribeiro

VIRIDIANA

Viridiana de Luís Buñuel

com Sílvia Pinal, Fernando Rey, Francisco Rabal

Espanha-México, 1961 - 90 min / legendado em português

Buñuel estava há mais de vinte anos radicado no México, quando foi, com alguma pompa, convidado para voltar a filmar em Espanha. Quem se lembrou da brilhante ideia depressa se arrependeu. Buñuel foi ao mais fundo e mais provocatório do seu anti-clericalismo e fez de VIRIDIANA uma ferocíssima sátira ao catolicismo e à sua presença na sociedade espanhola. Para grande embaraço do governo, o filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes. O Director Geral da Cinematografia foi posto na rua, e Franco tentou proibir que a obra fosse estreada na Europa (em Espanha e Portugal claro que foi proibida). Buñuel voltou para o México sem que alguém lhe pedisse para ficar.


Sex. [22] 22:00 - Sala Luís de Pina

JUD SUSS

O Judeu Suss” de Veit Harlan



com Werner Krauss, Ferdinand Marian, Heinrich George

Alemanha, 1940 - 100 min / legendado electronicamente em português

Um fortissimo candidato a filme mais abjecto da história do cinema. Planeado por Goebbels como peça fundamental da campanha anti-semita do regime nazi, JUD SUSS começa logo por ser um projecto profundamente cínico, ao distorcer o sentido do romance de Leon Feuchtwangler que lhe serve de base (e que era, na origem, uma espécie de parábola a denunciar a irracionalidade do anti-semitismo). Depois, constrói-se como uma compilação, tremendamente calculista, de todos os mais elementares esteréotipos anti-semitas. “Though disgusting beyond belief, should be seen at least once, if only to show what a dangerous weapon film can be in the hands of hate merchants”, escreveu um crítico americano.


Qua. [27] 19:30 - Sala Luís de Pina

EXSTASE

Êxtase” de Gustav Machaty



com Hedy Lamarr, André Nox, Pierre Nay

Checoslováquia/França, 1932 - 90 min / legendado em francês

EXSTASE é um clássico do erotismo no cinema, talvez nem tanto pelas cenas de nudez com Hedy Lamarr e mais pela maneira relativamente explícita em que é descrita a componente sexual da narrativa. Deu brado no seu tempo e ainda hoje, mesmo que já não escandalize ninguém, conserva uma certa aura de “transgressão”. Talvez injustamente, a sua fama (ou infâmia) atirou para a sombra a restante obra do checo Machaty. Quanto a Hedy Lamarr, quando a vedeta seguiu para Hollywood, a produção exigiu que todas as cópias fossem queimadas.


Qua. [27] 21:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

SALÒ O LE 120 GIORNATE DI SODOMA

Salò ou os 120 Dias de Sodoma de Pier Paolo Pasolini

com Paolo Bonaccelli, Giorgio Cataldi, Uberto Paolo Quintavalle, Aldo Valletti, Caterina Borato, Hélène Surgère

Itália/França, 1975 - 117 min / legendado em espanhol

O último filme de Pasolini, estreado três semanas depois do homicídio do realizador, transcreve o romance de Sade, Os 120 Dias de Sodoma, para o contexto da República de Salò, fundada por irredutíveis do fascismo no período final da guerra. Quatro homens todo-poderosos mandam raptar algumas dezenas de jovens dos dois sexos e levam-nos para uma mansão isolada. Ali, com método, numa série de “círculos”, as vítimas são humilhadas, profanadas, degradadas, obrigadas a relações sexuais, à coprofagia e, finalmente, torturadas até à morte. Mas esta aterradora alegoria sobre o poder não se refere apenas ao fascismo histórico, aos estertores do regime de Mussolini: também é uma metáfora daquilo que Pasolini denominava o “novo fascismo” da sociedade de consumo, a transformação dos corpos em coisas. Pasolini denominou “escritos corsários” os violentos artigos que escreveu nos seus últimos anos. SALÒ é um filme corsário.


Qui. [28] 22:00 - Sala Luís de Pina

UN CHIEN ANDALOU de Luis Buñuel e Salvador Dali

França, 1929 - 21 min / sem legendas

ZÉRO DE CONDUITE

Zero em Comportamento de Jean Vigo

com Jean Dasté, Robert Le Flon, Du Verron

França, 1933 - 41 min / legendado em português

Buñuel e Dali provocaram uma revolução com o seu ensaio surrealista UN CHIEN ANDALOU, um dos filmes vanguardistas mais famosos de sempre (“un appel passioné au meurtre”, segundo os autores). ZÉRO DE CONDUITE, um dos filmes mais célebres de Jean Vigo, permanece insuperável de graça e juventude: a poesia “anarquista” de Vigo num filme sobre a insurreição e a irreverência de um grupo de alunos num internato onde estão – as penas ao ralenti – alguns dos momentos mais lembrados da sua curta obra. Esteve proibido em França durante mais de uma década, e só já depois da II Guerra a proibição foi levantada.


Sex. [29] 19:30 - Sala Luís de Pina

UN CHANT D’AMOUR de Jean Genet

com Java, André Reybaz

França, 1950 - 26 min / mudo

PINK NARCISSUS de Jim Bidgood

com Bobby Kendall

Estados Unidos, 1971 - 70 min / legendado electronicamente em português

A única experiência na realização de Jean Genet, com UN CHANT D’AMOUR e o seu erotismo desesperado, numa história sobre a solidão de dois presos confinados às suas celas. Em França e nos EUA foi proibido por “obscenidade”, e só nos anos 70 passou a circular com maior frequência. PINK NARCISSUS é um dos mais famosos exercícios de erotismo “gay” e “underground”. Rodado em 8mm, amadoristicamente, tornou-se um “cult movie” de má fama. Durante muito tempo o nome do realizador (que não figura no filme) foi mantido em segredo.


Sex. [29] 21:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

WHITE DOG de Samuel Fuller

com Kristy McNichol, Paul Winfield, Burl Ives

Estados Unidos, 1982 - 90 min / legendado em espanhol

O último filme que Samuel Fuller realizou no quadro de um grande estúdio (a Paramount). WHITE DOG é uma parábola sobre o racismo, centrada num cão treinado para atacar gente de pele negra. Os executivos da Paramount tiveram receio de matéria tão sensível e optaram por não estrear o filme em sala. Nalguns países europeus (não em Portugal) foi distribuído comercialmente, mas na América só teve exibições televisivas (provavelmente em horários “mortos”). A difícil visibilidade do filme, juntamente com a “má fama” de Fuller (ainda o anátema de Sadoul), alimentou alguns mitos: há quem, sem o ter visto, acredite que WHITE DOG é um filme racista. Não é, é o oposto disso.



HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA (continuação)

Continuando o nosso percurso dos Sábados pelos clássicos ainda clássicos e pelos clássicos um pouco esquecidos, poderemos ver ou rever três obras-primas dos mais célebres mestres japoneses, Mizoguchi, Ozu e Kurosawa; obras outrora célebres e que hoje são menos vistas, de Vera Chytilová, Leopoldo Torre-Nilsson, Arne Mattson e Tony Richardson; clássicos europeus, de Ophuls, Renoir, Bresson e Becker; clássicos americanos de Orson Welles, Samuel Fuller e Lubitsch, além de um filme negro e um descabelado star vehicle; um programa de ci-nema experimental americano, unicamente com filmes de Maya Deren; dois dos mais conhecidos filmes soviéticos dos anos 60, de realizadores totalmente diferentes como são Tarkovski e Paradjanov. E cinco programas mudos, que vão de Buster Keaton ao documentário experimental alemão, passando por uma comédia soviética, um filme alemão com alguns elementos “expressionistas” e um filme de aventuras exóticas com Rudolph Valentino.


Sáb. [02] 15:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

THE SPITE MARRIAGE

O Figurante de Buster Keaton e Edward Sedgwick

com Buster Keaton, Dorothy Sebastian, Edward Earle

Estados Unidos, 1929 - 80 min / mudo, intertítulos em inglês

Feito na sequência de uma série de obras-primas, este foi o último filme que Buster Keaton pôde controlar, embora não inteiramente. Desta vez, Buster casa-se com uma vedeta do palco, mas ela só se casou com ele para se vingar do homem que amava realmente e que se casara com outra. Buster tem de conquistar o amor da sua mulher, que adora.


Sáb. [02] 19:00 - Sala Dr. Félix Ribeiro

TINI ZABUTYKH PREDKIV

Os Cavalos de Fogo” de Serguei Paradjanov



com Ivan Mikolajcuk, Larisa Kadocnikova, Tatiana Bestaeva

URSS, 1965 - 95 min / legendado em francês

Também conhecido como “SOMBRAS DOS ANCESTRAIS ESQUECIDOS”, o filme mais célebre de Sergei Paradjanov conta a história dos amores contrariados de dois jovens de famílias rivais, que acabam por se reunir na morte. Mas dizer que este filme louco e poético “conta uma história” é limitar o seu alcance. Inspirando-se em lendas ucranianas, Paradjanov também se inspirou nas ricas tradições folclóricas da região, na música, nas cores, nos ritos. Em perpétuo movimento, o filme é um prodigioso emaranhado de imagens de grande beleza, que contam em filigrana a história dos amores infelizes dos protagonistas.


Sáb. [02] 19:30 - Sala Luís de Pina

THE SON OF THE SHEIKH

O Filho do Sheik de George Fitzmaurice

com Rudolph Valentino, Vilma Banky, George Fawcett, Montague Love

Estados Unidos, 1926 - 70 min / mudo, intertítulos traduzidos em português

O último filme de Rudolph Valentino, cuja súbita morte causaria uma onda de histeria das fãs, como nunca se vira até então no cinema. Embora o físico de Valentino não impressione muito os espectadores de hoje, é fácil perceber por que motivo ele foi um sex symbol nos Estados Unidos dos anos 20: com o seu tipo mediterrânico, devia parecer muito exótico e quase animal às senhoras anglo-saxãs e protestantes. THE SON OF THE SHEIKH é uma sequela de THE SHEIKH, realizado cinco anos antes. Trata-se de um típico filme de aventuras exóticas, em que Valentino, no papel titular, se apaixona por uma dançarina, cujo pai é o chefe de um perigoso grupo de bandidos.


Sáb. [02] 21:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

SAMMA NO AJI

O Gosto do Saké” de Yasujiro Ozu



com Shima Iwashita, Shinichiro Ikami, Chishu Ryu

Japão, 1962 -112 min / legendado em francês

SAMMA NO AJI foi o último filme de Yasujiro Ozu. Contando mais uma vez uma história de separação no seio de uma família, devido ao casamento da filha, esta reflexão nostálgica sobre o começo do “Inverno da vida” também é a sua celebração e a despedida ao “gosto do saké”, contendo toda a memória do passado e dos “bons tempos”. Um dos mais perfeitos filmes de Ozu, aquele onde a depuração do seu estilo atinge níveis supremos e também um dos mais comoventes.


Sáb. [02] 22:00 - Sala Luís de Pina

LA MANO EN LA TRAMPA de Leopoldo Torre-Nilsson

com Elsa Daniel, Francisco Rabal, Leonardo Favio

Argentina, 1961 - 90 min / sem legendas

Embora esteja um tanto esquecido, o argentino Leopoldo Torre-Nilsson gozou de grande prestígio crítico na Europa nos anos 50 e início dos anos 60, com filmes como La Casa del Angel, Fin de Fiesta e La Mano en la Trampa Trata-se de um cineasta com grande ambição estilística, marcado pelo cinema americano. Baseado, como muitos dos seus filmes, num romance da sua mulher, Beatriz Guido (que visitou a Cinemateca em 1983), La Mano en la Trampa é um filme um tanto claustrofóbico, que conta uma história de perda da inocência: uma adolescente vem passar as férias com as suas tias, numa cidade de província e acaba por descobrir um terrível segredo. Um filme de atmosfera, com excelentes actores.


Sáb. [09] 15:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

THE SHOP AROUND THE CORNER

A Loja da Esquina de Ernst Lubitsch

com Margaret Sullavan, James Stewart, Frank Morgan, Joseph Schildkraut, Felix Bressart

Estados Unidos, 1940 - 97 min / legendado em português

Um dos filmes mais amados de Ernst Lubitsch, embora bastante diferente das suas obras-primas dos anos 30, em que a elegância igualava o cinismo e que só têm dois temas: o sexo e o dinheiro. Por comparação, THE SHOP AROUND THE CORNER, adaptado de uma peça húngara, é quase sentimental, com a história de dois modestos colegas de trabalho que se vêem todos os dias na loja, sem suspeitarem que trocam um com o outro uma correspondência amorosa. Mas também neste registo a mise-en-scène de Lubitsch é um prodígio de perfeição.


Sáb. [09] 19:00 - Sala Dr. Félix Ribeiro

LIEBELEI

Namorico” de Max Ophuls



com Magda Schneider, Wolfgang Liebneiner, Louise Ullrich, Willi Eichberger

Alemanha, 1932 - 85 min / legendado em francês

Último filme realizado por Ophuls na Alemanha antes do nazismo e uma das suas obras--primas absolutas. Adaptada de uma peça homónima de Schnitzler, esta dilacerante história de amores contrariados pelo destino, é situada nos finais do século XIX, na Viena do imperador Francisco José. Tratando-se de Viena, as alusões à música são muitas. A acção começa durante uma récita de O Rapto do Serralho, a protagonista é cantora e o “tema do destino” da Quinta Sinfonia de Beethoven acompanha o trágico desenlace.


Sáb. [09] 19:30 - Sala Luís de Pina

LUTCH SMERTI

O Raio da Morte” de Lev Kulechov



com Porfiri Rodobed, Vsevolod Pudovkine, Aleksandra Kholkhlova, Sergei Komarov

URSS, 1926 - 100 min / mudo, intertítulos em francês

Realizador e teórico, Lev Kulechov foi uma das mais fortes personalidades da excepcional primeira geração de realizadores soviéticos. Kulechov realizou duas inteligentes paródias do cinema americano: dos serials policiais com “As Extraordinárias Aventuras de Mr. West no País dos Bolcheviques” e do cinema de ficção científica com “O Raio da Morte”. Neste filme, um operário revolucionário quer pôr uma invenção, o “raio da morte”, ao serviço da causa proletária, enquanto um bando de reaccionários tenta roubar a invenção. O filme tem um ritmo rápido e está recheado de ideias de mise en scène, que era certamente o que mais interessava ao pensador das formas cinematográficas que foi Kulechov.




Sáb. [09] 21:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

HON DANSADE EN SOMMAR

Ela Só Dançou Um Verão de Arne Mattson

com Folke Sundquist, Ulla Jacobsson, Edvin Adolphson, Irma Christensson

Suécia, 1951 - 85 min / legendado electronicamente em português

Antes de Ingmar Bergman chegar, este filme foi a revelação do cinema sueco junto do público internacional. O filme de Mattson tornou-se famoso pelas mesmas razões de ECSTASY de Machaty: uma cena de nu, com a jovem Ulla Jacobsson banhando-se no rio, mas é mais do que isso. É a história da descoberta do amor de uma jovem por um rapaz da cidade de visita à aldeia, e dos preconceitos que têm de enfrentar e conduzirão ao drama.


Sáb. [09] 22:00 - Sala Luís de Pina

THE MAGNIFICENT AMBERSONS

O Quarto Mandamento de Orson Welles

com Orson Welles, Anne Baxter, Joseph Cotten, Dolores Costello, Tim Holt, Agnes Moorehead

Estados Unidos, 1942 - 88 min / legendado em português

O segundo filme de Welles, foi mutilado pelo estúdio, que contratou um outro realizador para acrescentar um happy end. História de uma poderosa família e da sua decadência, em que a casa (com o seu pórtico, as suas escadas, a cozinha, os salões) é um elemento central. Para muitos, THE MAGNIFICENT AMBERSONS, apesar das mutilações, é uma obra ainda mais poderosa do que CITIZEN KANE.


Sáb. [16] 15:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

UN CONDAMNÉ À MORT S’EST ECHAPPÉ

Fugiu um Condenado à Morte de Robert Bresson

com François Leterrier, Roland Monod, Jacques Estaud

França, 1956 - 90 min / legendado em português

Subintitulada “O Vento Sopra Onde Quer”, a quarta longa-metragem de Robert Bresson baseia-se num facto real: a evasão de um homem, em 1943, de um forte de onde teoricamente qualquer fuga era impossível. Bresson aplica de modo ainda mais estrito os austeros princípios de realização do seu filme anterior, JOURNAL D’UN CURÉ DE CAMPAGNE: despojamento da imagem, escolha de actores não profissionais, cenários reduzidos, ausência de música de cinema (só a Grande Missa de Mozart), oposição entre monólogo e diálogo. Um extraordinário filme sobre a coragem, que também é um filme sobre a ideia de que “tudo é Graça”.


Sáb. [16] 19:00 - Sala Dr. Félix Ribeiro

THE GLASS KEY

Sou eu o Criminoso de Stuart Heisler

com Alan Ladd, Veronica Lake, Brian Donlevy, William Bendix

Estados Unidos, 1942 - 85 min / legendado electronicamente em português

Um dos mais célebres filmes negros com o par Alan Ladd/Veronica Lake (o outro é Blue Dahlia). Baseado numa história de Dashiell Hammett, na qual as motivações das personagens são obscuras, como é regra no filme negro, THE GLASS KEY é um grande filme de atmosfera. A presença subjacente do desejo sexual é tão forte neste filme, que se manifesta até nas cenas de violência, como a célebre sova que William Bendix dá a Alan Ladd, que tem evidentes conotações sexuais (“quando bato num bife, gosto que ele me morda”…). O filme é um remake de uma versão homónima de 1935, que também veremos este mês, com Raft e Arnold nos papéis que, em 1942, couberam a Brian Donlevy e William Bendix.


Sáb. [16] 19:30 - Sala Luís de Pina

BERLIN, DIE SYMPHONIE DER GROSSTADT

Berlim, Sinfonia de uma Capital de Walter Ruttmann

Alemanha, 1927 - 66 min / mudo, sem intertítulos

MELODIE DER WELT

Melodia do Mundo” de Walter Ruttmann



Alemanha, 1929 - 55 min / mudo, sem intertítulos

BERLIN, DIE SYMPHONIE DER GROSSTADT é o mais célebre e o mais perfeito dos filmes feitos em meados dos anos 20 sobre as diversas actividades de uma cidade, que é a protagonista do filme. Foi esta obra de Ruttmann que deu nome a este género: sinfonias das cidades. MELODIE DER WELT parte de uma ideia semelhante, mas estende--a ao mundo, procurando mostrar que, apesar das diferenças de cor ou de nacionalidade, os homens são iguais no seu comportamento. Neste período, Ruttmann estava ligado à esquerda e à vanguarda. Não tardaria a aderir ao nazismo e morreria em 1942, na frente do Leste, para onde fora enviado como documentarista.


Sáb. [16] 21:30 - Sala Dr. Félix Ribeiro

YOJIMBO

Yojimbo, o Invencível de Akira Kurosawa

com Toshiro Mifune, Eijiro Tono, Kamatari Fujiwara, Takashi Shimura

Japão, 1961 -110 min / legendado em inglês

Um dos grandes clássicos do filme de samurais, género de que Kurosawa é o mais ilustre representante, que esteve na origem do primeiro clássico do western spaghetti. Com efeito, PER UN PUGNO DI DOLLARI, de Sergio Leone, é um remake do filme de Kurosawa. YOJIMBO conta a história de um samurai mercenário, que se vende a dois grupos inimigos, tirando proveito da situação. E é a densidade desta personagem principal que faz a particularidade deste filme e, segundo o realizador, explica o êxito que teve: “A razão estava no carácter do herói e do que ele faz. É um verdadeiro herói e quando luta tem uma razão para o fazer. Não se limita a andar à volta e a fazer girar a espada no ar”.


Sáb. [16] 22:00 - Sala Luís de Pina

The Loneliness of the Long Distance Runner de Tony Richardson

com Tom Cournenay, Michael Redgrave, James Fox

Grã-Bretanha, 1962 - 105 min / legendado electronicamente em português

Um dos melhores e mais conhecidos filmes do Free Cinema britânico do início dos anos 60. The Loneliness of the Long Distance Runner é uma inteligente parábola sobre a rebeldia enquanto atitude consciente: um jovem delinquente que se encontra num centro de reeducação e é excelente corredor, aceita representar o centro numa competição com uma escola privada. Mas percebe perfeitamente que está sendo manipulado pela direcção da instituição onde está detido e, no último momento, inverte a situação.



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