Um Homem em Isolamento George Vandeman



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E STÁ ESCRITO

Um Homem em Isolamento

George Vandeman




Jovens. Urbanos. Profissionais. Subindo socialmente e freqüentando lugares privilegiados, eles são os novos consumidores que estão conquistando o mundo arrebatadoramente. Seus gostos são muito simples: querem o melhor. "Yuppies", com expectativas e rendas crescentes, essa nova geração está obtendo muito sucesso e parece achar que já é muito bem sucedida sem Deus.

Estamos acostumados a ouvir falar de Deus como o Grande Salvador, Aquele que levanta a humanidade oprimida, Aquele que nos ajuda a lidar com nossos problemas. Freqüentemente O procuramos em momentos de desespero.

Mas, e aqueles que não estão desesperados? E os bem-sucedidos que não querem ser salvos? Será que precisam de Deus tanto quanto os "fracos e angustiados"? Já pensou nisso? Será que o Grande Salvador é relevante para aqueles que não têm outros problemas senão os relacionados com as oportunidades de investimentos?

Creio que essa é uma questão crucial em muitos países hoje. Será que a velha boa-nova sobre esperança, para os pobres e pecadores, ainda é uma boa-nova? Os bem-sucedidos precisam dela?

Será que os que ascendem rapidamente na escada da vida conseguem cair de joelhos diante do Deus soberano? Muitos parecem estar velejando pela vida muito bem sem Ele.

Encontrei uma resposta a essas perguntas no lugar menos esperado, na pessoa menos esperada. Achei alguém que reflete nosso estilo de vida, abastado e auto-suficiente, com surpreendente precisão.

Então viajem comigo de volta à Babilônia. Vamos rever o monarca mais poderoso de sua época, governante de um vasto império, Nabucodonosor. Naqueles monumentos de pedra, seus traços angulosos e barba bem aparada sugerem nobreza. Seu olhar penetrante lembra alguém acostumado ao poder.

O livro de Daniel registra um confronto extraordinário entre esse rei orgulhoso e o Deus soberano. E o encontro deles joga uma forte luz forte na situação atual.

O rei Nabucodonosor bebia e comia na dourada Babilônia rodeado de tesouros dos reinos conquistados. Ele era um brilhante estrategista militar e o sucesso era o resultado de suas empreitadas.

Vasos de bronze da Armênia, marfim talhado da Síria e pedras preciosas do Egito, se reuniam ao esplendor de seu palácio. Homens servis, disfarçados de profetas, massageavam seu ego em aprovação moral. Ávidos servos satisfaziam todos os caprichos de seu monarca. Nabucodonosor era muito bem cuidado e vivia isolado de quaisquer privações.

Hoje, o estilo de vida de ascendência social também nos isola. Estamos protegidos de toda inconveniência e isolados de toda calamidade. Psiquiatras prometem apaziguar todas as nossas ansiedades; aparelhos de som modernos e videocassetes nos embalam e alegram. Todo problema concebível tem seu especialista de prontidão, remédios ou agências. O homem moderno e abastado parece ter tido êxito sem Deus.

Assim como Nabucodonosor. O poder absoluto daquele monarca podia apagar qualquer oposição. Ele parecia seguro e confortável, até que um dia Deus surgiu em seu caminho.

Tudo começou com um sonho. Primeiramente Deus tocou no ombro desse "homem em isolamento" dando-lhe uma visão assombrosa do além. Nesse sonho, Nabucodonosor viu uma estátua multicor e uma enorme pedra que se chocava com seus pés, muito diferente de suas fantasias habituais. Daniel 2, versículo 1 diz: "... o seu espírito se perturbou e passou-se-lhe o sono."

O rei achou que o sonho tinha algum significado secreto importante.

Inicialmente Nabucodonosor pensou em consultar seus sábios para descobrir a resposta. Esses mágicos, magos e astrólogos alegavam entender todos os mistérios. Nabucodonosor orgulhoso e auto-confiante tinha também suas crenças: guiava-se por presságios, como, por exemplo, o formato do fígado de um animal sacrificado.

A maioria de nós, dos sofisticados anos 90, nos vemos como "homens de sabedoria", "donos do nosso destino". Mas também temos nossos adivinhos, mágicos que são especialistas em conversa filosófica e que sabem inteligentemente anular a culpa e a responsabilidade. Nossa era secular também é repleta de superstições. Pessoas buscando respostas se voltam para mantras, zodíaco, sessões espíritas, gurus e agora, os canais da "Nova Era".

Bem, depois de uma noite em claro, Nabucodonosor começou a mudar de idéia sobre seus sábios. Talvez tenha se lembrado das respostas ambíguas que haviam dado no passado. Como ele podia saber se suas interpretações eram totalmente corretas? Qualquer um podia inventar um significado para um sonho. Mas, e quanto a ler a mente? Se esses homens realmente tinham dons especiais de sabedoria, poderiam dizer qual tinha sido seu sonho. Sim, esse seria um teste razoável de seus poderes, na opinião dele.

Nabucodonosor chamou seus especialistas em sonhos e mandou que lhe dissessem o que tinha sonhado naquela noite e o seu significado.

Os astrólogos ficaram espantados. Quem poderia fazer isso? Eles protestaram: "...Ninguém há que a possa revelar diante do rei, senão os deuses, e esses não moram com os homens." Daniel 2:11.

Nabucodonosor decidiu testar a validade de seu "grupo de apoio".

Esse foi um passo inicial importante, através do qual Deus começaria atingi-lo. Aqui há um elemento importante para nós também, quando começamos a nos perguntar sobre as repostas contemporâneas. Será que aquele que morre com mais riquezas é realmente um vencedor? Será que a vida não é mais do que carros de luxo, cartões de crédito e banheiras de água quente? Será que todas essas palavras filosóficas realmente lidam com nossos problemas morais básicos? Como podemos saber o que é verdadeiro no meio de todo esse sussurro subjetivo?

Bem, voltemos à Babilônia. Os magos de Nabucodonosor e seus adivinhos não venceram o desafio. O rei ficou furioso com suas desculpas. Ordenou que todos fossem presos e executados. Se eles não podiam cumprir o que alegavam, então estavam dispensados.

Quando as pessoas descobrem que o canto de algum guru ou as promessas de riqueza e saúde de um pastor não resolvem seus problemas, normalmente ficam céticas em relação à religião. Tendem a rejeitar tudo o que é espiritual como falso ou enganador e desprezam toda "grande resposta" é desprezada.

Felizmente Nabucodonosor não ficou em tal desespero. Deus tinha um representante na Babilônia: Daniel, um prisioneiro hebreu com o dom da revelação divina. Esse jovem cativo conseguiu uma audiência com o rei e começou a contar-lhe exatamente qual havia sido o sonho. Daniel tomou o cuidado de identificar a fonte de seu conhecimento: "... mas há um Deus nos céus, o que revela mistérios pois Ele fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser nos últimos dias." Daniel 2:28.

Daniel prosseguiu descrevendo o significado do ouro, da prata, do bronze e do ferro na estátua e os sucessivos reinos que esses metais representavam. Depois revelou o clímax da visão: uma pedra que esmagava a estátua e se transformava em montanha, enchendo a Terra. Isso significava o reino de Deus, que consumiria todos os outros e que nunca seria destruído.

Nabucodonosor tinha um ponto vulnerável em sua armadura de auto-suficiência: a preocupação com o futuro de seu reino. E foi aí que Deus o atingiu. O Todo-Poderoso, através de Daniel, mostrou ao rei seu lugar na história, como ele se encaixava no grande plano divino que teria seu clímax na segunda vinda de Cristo.

A interpretação de Daniel deixou sua marca.

Nabucodonosor se curvou diante do jovem e reconheceu: "Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, o Senhor dos senhores e o Revelador de mistérios..." Daniel 2:47.

A boa-nova que confronta nossa era secular não é apenas outro truque psicológico; não é apenas mais uma resposta no meio de várias. A revelação de Deus contém a grande imagem. É a única resposta a essas persistentes perguntas humanas: quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Deus toca a profundeza escondida da necessidade do homem. Até do homem em isolamento.

Depois de ouvir a revelação de Daniel, o rei Nabucodonosor ficou impressionado, mas ainda não se converteu. Daniel tentou explicar que todo o propósito da História é estabelecer o reino de Deus na Terra. Mas esse ponto central não tinha sido absorvido.

Na planície de Dura, Nabucodonosor construiu uma enorme estátua, de 30 metros de altura. Coberta de ouro da cabeça aos pés, essa imagem de ouro era uma edição "revisada" da boa-nova de Deus. O rei Nabucodonosor planejava fazer o que considerava uma melhoria no plano divino. Por que não estender o ouro da Babilônia até o fim dos tempos?

Assim o rei reuniu todas as autoridades de seu grande império. Espalhados pelas areias de Dura em seus uniformes brilhantes, promoveram um grande espetáculo. A banda real, reunida com flautas, harpas, liras e instrumentos de sopro deveria, num dado sinal, tocar um hino triunfante a Nabucodonosor, e os milhares de convidados deveriam cair prostrados diante da estátua de ouro. O rei queria fazer um discurso sobre a eternidade da Babilônia em alto e bom som, como se o plano de Deus pudesse ser mudado por aclamação!

Nabucodonosor não estava pronto a se render. Era como se quisesse fazer um trato. Ele e o Deus de Daniel poderiam fazer um acordo razoável. Talvez a Babilônia e o reino de Deus pudessem se unir.

O rei não conseguia perceber a soberania de Deus ao longo da História. Seu próprio esplendor pesava demais para isso.

Nossa era de opulência ainda tem esse problema. Deus nos mostra que podemos participar da revelação de Seus planos maravilhosos, mas preferimos que Ele participe da revelação dos nossos planos. Deus, ou a noção de Deus, se torna uma coisa a qual usamos para os nossos fins. Um meio para nosso futuro sucesso. Ainda nos mantemos no centro, com o Todo-Poderoso supostamente circulando à nossa volta.

Então a banda tocou na planície de Dura. E só houve três notas amargas: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Esses hebreus não tinham esquecido Quem era o verdadeiro Soberano. Então eles não se curvaram.

Nabucodonosor ficou enraivecido com a desobediência. Descobrindo que eram amigos de Daniel, tentou argumentar com eles. Ele também apontou para a fornalha acesa ali perto, mas os três hebreus não cederam. Então o rei esquentou ainda mais a fornalha e mandou que jogassem ali os três.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego desafiaram a verdade-por-aclamação de Nabucodonosor. Eles dariam sua lealdade absoluta apenas ao Deus do Céu. Enquanto estavam sozinhos na planície, essa mensagem ecoava nos milhares de pessoas. Era uma mensagem que o rei não agüentava ouvir. Assim, achou melhor se desfazer dela na fornalha ardente. Mas Deus não queria que Seus servos fossem silenciados tão rápido. Uniu-se a eles nas chamas.

Quando Nabucodonosor viu os três hebreus surgirem ilesos de sua fornalha, foi levado a declarar com grande surpresa: "Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego que enviou Seu anjo e livrou os Seus servos que confiaram nEle, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos a servirem e adorarem qualquer outro deus, senão o seu Deus." Daniel 3:28.

O Deus do Céu tinha finalmente conseguido. Os três hebreus tinham sido provas tão eloqüentes da reivindicação de seu Senhor que até o orgulhoso, auto-suficiente Nabucodonosor ficou humilde diante deles. Ele viu que o Deus do Céu não é apenas um ajudante no meio de vários, é o Todo-Poderoso que se aproxima de nós, Aquele que reina ao longo da História e reina no coração dos homens.

E é isso que convence os bem-sucedidos de hoje também. A boa-nova de Deus pretende um fato único na vida das pessoas. Os que realmente nasceram de novo testemunham uma verdade pela qual vale a pena viver e morrer. A beleza do amor que se auto-sacrifica enfia uma espada naqueles cuja vida consiste apenas em adquirir cada vez mais. Aqueles transformados pela graça demonstram um sucesso na vida que joga as buscas materiais em sombras espessas. Sim, eles tornam claro que há muito mais na vida do que apenas viver com estilo.

Bem, para Nabucodonosor a batalha não tinha acabado. Uma última cidadela na alma deste homem continuava resistindo.

Um dia, o rei estava passeando no terraço de sua residência real. Olhou para sua cidade com palácios resplandecentes, amplas avenidas e templos elegantes. Seus jardins suspensos eram uma das Sete Maravilhas do Mundo.

Diante dessa paisagem urbana, Nabucodonosor se enchia de orgulho e exultou: "...Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com meu grandioso poder e para glória da minha majestade?" Daniel 4:30.

Embora o rei houvesse reconhecido a soberania de Deus, uma grande dose de egoísmo ainda estava enraizada nele. Em princípio, havia um "maior" que todos, mas na prática, Nabucodonosor ainda era o monarca autocrático, ainda era o centro.

O rei tinha muito de que se orgulhar, é claro. A Babilônia era realmente uma capital magnífica. Mas ela havia se tornado um meio de ampliar sua glória pessoal. Todos os prédios da Babilônia tinham o seu nome e exaltavam sua grandeza. Seu orgulho construía mais monumentos e esses monumentos aumentavam seu orgulho. Nesse círculo vicioso, não havia espaço para Deus.

E os bem-sucedidos de hoje, é claro, também têm muito de que se orgulhar. Normalmente foi muito trabalho que comprou esses condomínios de luxo e iates lustrosos, mas essas conquistas quase sempre pesam mais que o Deus soberano. Deus pode ser reconhecido à distância, mas de perto, na correria da vida urbana, geralmente é a nossa própria glória que se torna a busca incessante de toda hora. Deus pode ter Seu trono no Céu, mas é difícil sentir Sua presença na Terra.

Bem, enquanto Nabucodonosor se gabava no terraço de seu palácio, algo dentro dele se alterou. O rei perdeu sua sanidade. O homem que tinha se voltado para dentro de si, de repente desabou.

O livro de Daniel nos conta o seguinte: "E foi expulso de entre os homens e passou a comer erva como os bois, ..." Daniel 4:33.

O isolamento e a arrogância de Nabucodonosor tinham finalmente desmoronado. Todo o ouro de seu palácio, todas as palavras de seus conselheiros não o salvaram de seu próprio egoísmo.

Esse é o ponto principal nesta nossa era egocêntrica. Auto-ajuda, auto-consciência, auto-realização acabam levando a um beco sem saída. O culto de si próprio acaba terminando em caos e desaba sobre si mesmo. O orgulho auto-suficiente é o câncer que consome nossa alma e nos afasta daquilo que mais precisamos.

Amigos, os auto-suficientes e bem-sucedidos, sem Deus, na verdade são "fracos e angustiados", em seu interior. Podem estar rodeados por seus palácios, seus parques, mas, mesmo assim, são muito vazios por dentro. Confortáveis, mas não confortados; repletos, mas não realizados.

Um mundo que não tem espaço para Deus, por mais guarnecido que seja, é simplesmente pequeno demais, vai acabar nos sufocando.

Nabucodonosor, depois de um período de loucura, finalmente viu a aridez da vida auto-suficiente. Percebeu que dependia totalmente do Rei dos reis.

Ele próprio escreveu: "...Levantei os meus olhos ao Céu e tornou-me a vir o meu entendimento..." Daniel 4:34.

Sanidade finalmente. O monarca orgulhoso encontrou a perspectiva certa e aceitou sua posição como filho de Deus. E nos deu esse testemunho entusiasmado: "... e eu bendisse o Altíssimo e louvei, e glorifiquei o que vive para sempre, ...". Daniel 4:34.

A longa batalha acabou. A parede incrustada de orgulho finalmente sucumbiu aos chamados do Senhor soberano. Apenas Ele merece ser honrado com louvor e de coração. Nabucodonosor estava pronto a se render, na prática, assim como em princípio ao Deus do Céu. Tinha entrado na era da humildade iluminada.

Ouça o que ele disse de coração: "Agora pois ... louvo, exalto e glorifico ao Rei do Céu; porque todas as suas obras são verdadeiras, e seus caminhos justos, ... ". Daniel 4:37.

Nabucodonosor não foi vencido apenas por uma demonstração da força de Deus. Foi pelo caráter de Deus. Ele foi justo e correto ... e atraiu a devoção desse homem eminentemente bem-sucedido. A preocupação de Deus com a humanidade, Sua percepção dos desejos humanos, Sua sábia liderança, tudo isso se uniu e pegou o rei Nabucodonosor de surpresa.

Amigos, alguns de nós também precisamos ser apanhados de surpresa. Nossos sucessos, às vezes, ameaçam ofuscar os grandes feitos de Deus. Nossa subida ao topo não nos deixa cair de joelhos.

Então, como chegamos a esse Deus soberano, a esse Salvador? Chegamos de mãos vazias à cruz. Por quê? Só porque somos pobres e miseráveis? Só porque nossa vida está despedaçada?

Não, nós O buscamos porque Deus é muito mais grandioso que nossos sucessos. Sua revelação cria um significado maior do que qualquer coisa que possamos achar em nosso mundo egocêntrico. Sua retidão perfeita ofusca todas as nossas técnicas de auto-ajuda. Seu inextinguível amor inunda nossa alma vazia. É assim que O buscamos. Seus atos de salvação fazem nossas realizações parecerem tão pequenas... Sua misericórdia e justiça, Sua paciência e auto-sacrifício Lhe conferem o direito de ser o seu Senhor, o meu Senhor, nosso Salvador.

É por isso que devemos buscar Cristo na cruz. É por isso que mesmo os vitoriosos podem cair de joelhos. Cristo é maior. Cristo é mais grandioso. Cristo é melhor que qualquer coisa que possamos ter. E ele Se oferece para assumir nossos pecados e nos dar Sua perfeita justiça. Da cruz Ele nos oferece Seu perdão e uma nova vida.

Será que Cristo penetrou seu isolamento mais íntimo? Você é capaz de admitir que pecou contra Ele por sua indiferença? Você já O aceitou como grande o suficiente para ser o Senhor da sua vida?



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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho




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