Tucídides, ktema es aei: a História entre Ciência e Arte



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Na tarde do mesmo dia 21 de fevereiro em que o general Marshall dirigira-se a Princeton, chegaram ao Departamento de Estado, em Washington, duas mensagens do governo britânico, comunicando a total inviabilidade em manter seu esforço de sustentação militar e econômica na Grécia e na Turquia, pelo que anunciava sua decisão de retirada para não mais de trinta e oito dias, já antevendo avanços soviéticos pelas áreas mediterrâneas. Era, ajuiza Louis Halle, o fim da Pax Britânica, a colocar, para os Estados Unidos da América, renovada missão histórica, por que agora assumissem as responsabilidades pelos destinos da ordem mundial. Já a 12 de março, em mensagem dirigida à Special Joint Session of the Congress, o presidente enunciava os termos do que seria a nova orientação da política externa americana, assim consagrada como Doutrina Truman: .

Junho de 1947, agora por pronunciamento feito em Harvard, George C. Marshall anunciava publicamente as diretrizes por que seguiria a política externa america, justamente conhecido por Plano Marshall.

Pelas visitas do Secretário de Estado George Catlett Marshall, ecos de recomendações tucidideanas ressoavam na consciência do mundo acadêmico americano. Guerra Fria e Tucídides agora se conjugavam.
Se a consideração da atualidade da história de Tucídides é assim lembrada no pronunciamento do General Marshall em termos antes apenas genéricos e alusivos, Louis J. Halle, integrante da equipe de planejamento político do Departamento de Estado por inícios dos anos 1950, reitera aquela sua proposição de forma mais decisiva e insistente. Consagrou tal lembrança por três vezes: primeiro numa Conferência ministrada diante da The Literary Society of Washington, a seguir publicada como artigo no Foreign Service Journal de agosto de 1952, e por fim reproduzida como Apêndice em sua obra Civilization and Foreign Policy de 1955.

Por todo o texto perpassa o acentuado entusiasmo por que Halle valoriza Tucídides. Diz do “excitamento de sua descoberta”. Maravilha-se com a constatação da atualidade dos fatos por ele relatados, comportando similitudes progressivamente crescentes com os acontecimentos contemporâneos do século XX: assim já em 1914 com o declínio da era Vitoriana, mais ainda em 1939 com a II Grande Guerra, e sobretudo pela contextualidade histórica do presente ano de 1952. Aprecia a arte trágica na composição de sua história, sistematicamente marcando suas afinidades com a concepção shakespeariana, por que aprecia a evolução histórica de Atenas pelo paralelo das tramas do destino de Macbeth. Por fim, reitera toda sua admiração por um historiador que não só alia superlativamente as virtuosidades de uma arte narrativa primorosa tanto por reportagem viva quanto por amplitude de visão histórica, como ainda excele em saber perene acerca da natureza humana.

Entusiasmo tão irrestrito que, uma vez acusada alguma anomalia no reconhecimento de sua categorização moderna como historiador, antes se decide por reformular a definição conceitual de história, assim dando a entender que é antes por Tucídides que se subordina o ideal do que seja história:

Lord Macaulay said that Thucydides was ‘the greatest historian that ever lived’ – which is a curious thing, in a way, because Thucydides dealt only with what happened in his own lifetime. He had himself seen many of the events that he recorded and he had been an active participant in some. We call such a man a reporter or journalist today; we do not call him an historian. Spengler, in his ‘Decline of the West’, says that ‘the mastery of this man lies in his ... power of making alive and self-explanatory the events of the present’, but he simply dismisses him as an historian in our sense of the term.



Thucydides is so eminently an historian, however, that he discredits any definition which will not encompass him. I prefer to regard history as a certain large view of the affairs of mankind, whether past, present, or future; and I find it impossible to read Thucydides without being exalted by his historical vision. What strikes me as his unique greatness is his ability to apply this detached vision to a scene in which he stood himself and to events in which he was a participant. He had both the close-up view and the distant perspective on his material, and he had them simultaneously, in conjunction, without any disparity or contradicition between them” (262-3)

Desde Niebuhr, Humboldt e Ranke, por inícios do século XIX, o projeto de constituição de uma história científica, que respondesse por recomendações de objetividade, privilegiava sua definição como história do passado, para assim instaurar a distância de temporalidade que ensejasse uma sua escrita em perspectiva superior de apreciação dos acontecimentos, já aliviada, por seus procedimentos de análise crítica, das cargas de passionalidade inerentes à sua presentividade. É assim que Louis J. Halle, em 1967, ao publicar The Cold War as History, arrazoa os fundamentos de sua abordagem historiográfica, que conjuga as memórias de testemunhos do passado histórico vivenciado com a amplitude da visão presente propiciada pelo recúo da distância. Ora, Tucídides, ao que ajuiza Halle, realizara tal excelência historiográfica como que imune à tais restrições metodológicas que condicionam e restringem as obras dos demais historiadores: na consecução de sua história, passado e futuro se (con)fundem num só presente, de modo que, por suas excepcionais virtudes de inteligência e discernimento, ele dispensa o afastamento próprio da distância temporal, alcançando-o mesmo sem ou contra ela.

Os acontecimentos e processos históricos que, pois, Tucídides presenciara e relatara sobre a Guerra do Peloponeso, século V a.C., Halle reconhecia nos fatos de sua própria vivência, dois milênios depois, em tempos de imediato pós-guerra:

The present, in which our country finds herself, like Athens after the Persian Wars, called upon to assume the leadership of the free world, brings him virtually to our side. So I feel justified in thinking that, even if you did read Thucydides before the last war, you will be surprised to discover how his meaning has been heightened by the events of our day, how the history that he wrote has become altogether more vivid and poignant” (262)

A consciência dessa afinidade histórica da Atenas tucidideana com a contemporanedidade mundial de meados do século XX, lembra Halle, fora já apontada em 1939 por Elmer Davis, que justo então também recomendava, a todos que aspirassem compreender as vicissitudes de seu próprio tempo, a urgência da leitura do historiador ateniense, preferível a todos os modernos:

“ ... you might as well pass by all the moderns and read Thucydides ... he too grew up, as did those of us who came of age before 1914, in a world more civilized and prosperous than had ever yet been known ... he has written, better than anyone else has ever written it, the story of a peaceful and progressive world blundering into disaster – a world whose ideals and culture were centuries ahead of its political organization ... No one has ever equaled him as an observer of, and commentator on, the deterioration of human nature in the course of a long, uncertain, and increasingly bitter war ... The Peloponnesian War was a model in miniature of all wars between coalitions, and toward its end of all ideological wars as well ... Some of the remarks of the Corcyreans on neutrality could be incorporated verbatim in a speech for repeal of the arms embargo. The address of the Corinthians to the Spartan assembly could be a message from Warsaw to London last august, or from Prague to Paris last year ...” (265)

Assim rememorando as advertências por que a história tucidideana disponilizava aos ingleses e franceses o ensejo de uma melhor reflexão política por inícios da II Guerra, Halle retoma a mesma preocupação, cuidando por bem firmar a valiosidade de seus ensinamentos, justamente apontados por Elmer Davis, agora também para a América do pós-guerra:

It seems to me that since World War II Thucydides has come still closer to us, so that now he speaks at our ear. He might almost be a wise old counselor to the American people” (265).

E a voz do sábio conselheiro Tucídides, firmada por antiga experiência histórica, soa alertas trágicos para os destinos da nova América, a advertir contra destinos desastrosos por que homens, de fraca moralidade e ambições imprudentes, perdem sua nações por leviandades de pragmaticidade interesseira. A história de Atenas espelha exemplo de incisiva contundência:

At the end of the Persian Wars Athens was the admiration of the civilized world, not so much for her undoubted prowess in war, as for her moral character and political competence. She was the first liberal democracy the world had known, devoted to freedom and dedicated to the rights of others as to her own. She was, therefore, trusted by the other Greek cities – she had, as Wendell Willkie might have said, a full reservoir of good will in their world. On their own initiative they invited her to assume the leadership of which Sparta had shown herself incapable – just as Macbeth was invited to assume the honors disgraced by the Thane of Cawdor.

The tragedy of Athens, as Thucydides saw it, lay in her inability to live up to the moral responsibility that had come to her as a result of her moral excellence. She had achieved, by sheer character, the prosperity that corrupts character. Power brought greed for power. She listened, now, to evil counselors, the ‘realistic’ and ‘practical’ men of action in her midst, who said, in effect: ‘What thou wouldst highly, thou canst not have holily’.

Athens had begun as the chosen leader among a coalition of free and equal states. The taste of power, however, excited her appetite; this, associated with fear of rivals, led her to build an overseas empire by reducing her allies to the condition of subjects. She gradually deprived them of their independance, and she did this, at first, largely by financial and economic means.

The doom of Athens lay in that first act of despotism as surely as Macbeth’ doom lay in his usurpation of the Scottish throne. For once she had lost the confidence and good will of the Greeks by subjugating them she no longer dared to release them – and from that time on she found herself faced with the increasing union of her entire world against her. The Peloponnesian war was waged against Athens by those who feared that she would subjugate them and those who, having already been subjugated, took the earliest opportunity to revolt” (266-7).

O arrazoado de Halle, ao compor as idéias de sua argumentação em livre trânsito pelas distintas histórias referenciadas – a de Atenas pelo século V, a americana pelo XX, mais o Macbeth shakespeariano a figurar seus modos trágicos – assimila suas (ir)realidades históricas, assim (des)entendendo e (des)conhecendo uma pela outra. Atenas aparece então como primeira “democracia liberal”, congênere das modernas, em particular a americana, assim apreciada, ou na ignorância ou à revelia da célebre diferenciação conceitual firmada já por Benjamin Constant por inícios do século XIX. Indiferenciação conceitual por que Halle então diz de Atenas o que Wendell Wilkie diz da América, assim configurando a identidade do princípio virtuoso de seu(s) poder(es), à semelhança também de Macbeth. E irrelevância de diferenças de historicidade que então lhe enseja projetar sobre a história ateniense as vozes que soam dizeres contemporâneos, transpondo regressivamente para o destino de Atenas quer a opção de missão histórica que a América do pós-guerra estadeava para si quer as mazelas de suas tendências de descaimentos “realistas” ou “pragmáticos” atuais. Discurso, pois, homogeneizador a projetar que um destino histórico vale pelo outro, de modo que os desfechos conhecidos do passado ateniense ensejem descortinar previsivamente os apenas virtuais do presente americano. As lições da história então transparecem cristalinas a acusar os erros desastrosos dos modos despóticos por que Atenas desviou ruinosamente o glorioso destino histórico de sua liderança no mundo grego, assim transmutando os afetos solidários de uma aliança igualitária nos ódios adversos de um mundo conluiado contra um império opressivo.

Lições da história grega que então Halle articula mais cerradamente, lembrando os preceitos políticos já conscientizados pelos sábios antigos, que advertiam contra a irreversibilidade da opção pela tirania, jamais remediável:

“Solon, the first great Athenian statesman, when pressed by his friends to take the government into his own hands, had replied ‘that it was true a tyranny was a very fair spot, but it had no way down from it’. Pericles, the last Athenian statesman, said to his fellow Athenians at the outset of the war: ‘What you hold is, to speak frankly, a despotism; perhaps it was wrong to take it, but to let it go is unsafe’.

There were not lacking voices to warn the Athenians in time against falling into this trap. Let me quote just one statement: ‘The great alliance should not be allowed to degenerate into an Athenian empire surrounded only by satellites and dependencies. Our own ultimate Athenian business is the preservation and development of the freedom of the Athenian people, and if ever we find ourselves the sole masters, with no partners who are our equals, the corruption of our liberty – which even now is not uncontaminated – is certain. For our own sakes we must wish to live among equals, among peoples who trust us but do not fear us, who work with us but do not fawn upon us” (267-8)

Conjugação de memórias antigas, todavia, algo estranhas, pois, se as duas primeiras, por Sólon e Péricles, são facilmente reconhecíveis respectivamente nos textos de Plutarco e de Tuicídides, já a última soa tons de modernidades dissonantes. O mistério logo se desfaz, com Halle então identificando a fonte deste seu último lembrete:

“Now I confess that I have changed one word in that quotation, but only one word. I have put ‘Athenian’ instead of ‘American’. The satement is by Walter Lippmann and it appeared in the Washington Post on January 7, 1952” (268)

Para o público americano em geral, não necessariamente familiarizado com os teores dos discursos clássicos, o truque textual intentava melhor efeito persuasivo, a ser decantado pelo espanto admirado da similitude das histórias assim comutadas: o que vale para América do século XX pode ser ecoado como voz em Atenas do século V.

Ecos de ensinamentos históricos, assim regressivamente transpostos para o mundo ateniense, que Halle vai também buscar em outras vozes modernas, estas a refletirem agora a experiência do império britânico pelo século XIX adentrando o XX:

Here is a passage from another modern document. This is from a memorandum written in 1907 by the Chief Clerk of the British Foreign Office, Mr. Eyre Crowe: ‘Sea power is more pointed than land power, becaus it is as pervading as the element in which it moves and has its being. Its formidable character makes itself felt the more directly that a maritime State is, in the literal sense of the word, the neighbor of every country accessible by sea. It would, therefore, be but natural that the power of a State supreme at sea should inspire universal jealousy and fear, and be ever exposed to the danger of being overthrown by a general combination of the world. Against such a combination no single nation could in the long run stand, least of all a small island kingdom not possessed of the military strength of a people trained to arms, and dependent for its food supply on oversea commerce. The danger can in practice only be averted – and history shows that it has been so averted – on condition that the national policy of the insular and naval State is so directed as to harmonize with the general desires and ideals common to all mankind, and more partycularly that it is closely identified with the primary and vital interests of a majority, or as many as possible, of the other nations. Now, the first interest of all countries is the preservation of national independence. It follows that England, more than any other non-insular Power, has a direct and positive interest in the maintenance of the independence of nations, and, teherefore, must be the natural enemy of any country threatening the independence of others, and the natural protector of the weaker communities.



Second only to the ideal of independence, nations have always cherished the right of free intercourse and trade in the wrold’s markets, and in proportion as England champions the principle of the largest measure of general freedom of commerce, she undoubtedly strengthens her hold on the interested friendship of other nations, at least to the extent of making them feel less apprehensive of naval supremacy in the hands of a free trade England than they would in the face of a predominant protectionist Power

It is too bad that Mr. Cowe’s memorandum could not have been made available to the Athenian people in the time of Themistocles, when Athens was developing herself as the supreme maritime power of the ancient world. Her failure to anticipate its advice was the cause of the Pelopponesian War, which resulted in her downfall”. (268-9)

Os conselhos de avertência aparecem assim, dados os modos da retórica discursiva de Halle, por tramas aparente e paradoxalmente invertidas, voltadas do mundo moderno para o antigo, a assim as desdizendo face à sua lamentável inviabilidade ontológica. Retórica, então, tanto mais contundente onde ela se vislumbra viável, do passado para o presente, transferindo as experiências ateniense mais britânica de império por seus destinos históricos opostos, assim configurando dupla recomendação histórica para os americanos em meados do século XX, em que se configura o princípio de sua hegemonia mundial. Advertências tanto mais contundentes que, vislumbradas por Halle já em 1952, ainda reverbera seus ecos pelos anos de 1967, quando os americanos começam, pelas desventuras de sua intervenção na Indochina, a conhecer estigmas da Guerra do Vietnan.


Situar Morgenthau e o realismo político
Em artigo publicado em dezembro de 1964, George Kateb firma clara e decidida apreciação sobre “a imensa utilidade” (481) da história tucidideana: um manual de arte política, um compêndio para a educação de estadistas110. (“a major item in the education of would-be statesmen”: 481; “the History of Thucydides almost constitutes a political education in itself”: 481)

Uma história que, pois, configura verdadeiro tratado de propedêutica política, repleto de lições disponibilizadas aos estadistas e agentes governamentais futuros, indicando-lhes os preceitos e princípios por que deveriam mellhor orientar suas decisões. Ensinamentos de várias ordens.

Por um lado, lições respeitantes a observações que, em geral conformadas por um tom de profundo pessimismo, constatam, e assim expõem, as permanências dos modos de ser natureza humana (These observations are marked throughout by a very deep pessimism”: 485).

Por outro lado, lições que compôem verdadeiras advertências que acusam a desintegração dos nexos da vida social mais a falência das disposições morais, desencadeadas quando os homens se encontram em situações extremas, então submetidos às violentas tensões e pressões dos tempos de guerra: o que, ele, Tucídides, descreve para a Guerra do Peloponeso, algo sinistramente diz também dos horrores dos campos de concentração na II Guerra Mundial, já descortinando todos os modos (des)humanos de crueldades e aberrações. (491, 2, e 3: texto).

E, em especial, manual de educação política tanto ainda mais útil dada sua atualidade: similitudes históricas estabelecem um paralelo entre a América contemporânea e o mundo da Guerra do Peloponeso, ambos dominados por conflitos bélicos entre duas superpotências, de modo que as previsões alicerçadas no conhecimento histórico desta guerra passada poderiam ser valiosos para conformar mais sabiamente as orientações por que conduzir os rumos do presente:

“The essence of Thucydides’ story, then, is the contest of two great powers. And the typical political predicaments that it fell to Thucydides to describe were the predicaments in which first-rate powers found themselves. ... at the center of the satge are the causes and the conduct of a war between two first-rate powers “ (494-5).

Os ecos modernos da Guerra Fria ressoam pelos recortes dos dizeres da leitura de Tucídides por George Kateb. As declarações de Corinto em Esparta compõem todos os teores da voz política que preceitua “a guerra preventiva”:

“After accusing Athens of a consistently aggressive course toward many of the cities of Greece, Corinth pleads for what is, in effect, a preventive war to be waged by Sparta and its allies against Athens. The policy of not waiting for an enemy to become ‘twice its original size’, and, instead, of ‘crushing it in its infancy’, is recommended by Corinth (I, 69). The underlying assumption of Corinth is that Athens will not, of itself, stop or rest; its ambitions are limiless. All that could be said in favor of preventive war is said by Corinth’s speakers” (495)

Na postura política de Atenas, Kateb percebe as razões justificativas que o realismo político moderno teoriza, em particular questão da mobilização “agressiva” associada ao princípio da segurança nacional, por que os estados temem ameaças expansionistas de outros poderes rivais em um cenário internacional conflitante:

The main point is that Athens was driven to do what it did because of fear for its security, fear of Persian reassertion, fear of some other future foe. What appears to be aggression is, after all, only a policy of defense; to keep what Athens had, Athens had to acquire more. As Machiavelli was to say later, fear of loss can make men act exactly as a desire for gain. The underlying assumption here is that te ordinary rules of morality cannot be applied to the acts of a state bent on self-preservation ...

... Having the same aspirations, the two first-rate states are driven to war on each other, because the world – a world of scarcity, a world in which one state’s advantage can only be gained at the expense of another state – cannot acommodate the aspirations of both.

Thus, early in his book, Thucydides recounts a debate in which most of the perplexities of power politics are laid bare. We are given in that debate words which are adequate to a great occasion. That in itself would be much to be given. When we see, however, that that great occasion was a typical political predicament frequently recurring through time and present in the world today, we can only feel the deepest gratitude. This is not to say that all crises in the careers of first-rate powers can be looked at by means of the speeches at the Congress of Sparta; that would be to make an absurdly large claim for Thucydides. It is only to say that, at the very least, a few passages in Thucydides’ book are a matchless preparation for further thought about the crises of first-rate powers” (494 e 497)

As lições, que o paralelismo histórico entre a Atenas da Guerra do Peloponeso retratada por Tucídides e a América da Guerra Fria assim projeta com vislumbres previsivos, recomendam a atualidade das orientações descortinadas por Péricles, justamente o líder que também delineou, no Discurso Fúnebre, os ideais de qualquer “sociedade democrática ou aberta” (485). Uma política de firme determinação que não se ilude com os enganos discursivos dos adversários e, portanto, não fragiliza a nação por concessões feitas a seus reclamos (498). Uma política que, por realismo consciente da natureza das regras do jogo entre centros de poder conflitantes (498-9), não compromete as razões imperativas da segurança da nação por desvios de perigosas ingerências de ordem moralista que filósofos propugnam, mas que estadistas não se permitem:

“If it is true to say, as R.C. Jebb has said, that Thucydides ‘has not, in the sense of Plato or Aristotle, a theory of ethics or politics’, he does have an attitude toward politics. And it is an attitude which never calls into question the game of politics, as men have always played it. Thucydides believed in moderation; he hated cruelty and excess. But the quest for security, that is, the desire of a city to preserve itself as a city, freem from foreign influence or domination; and beyond security, the quest for greater wealth, for greater prestige, for greater power and influence over others and at the expense of others: all these things, so manifestly at work in the political situation of Greece, Thucydides passes no moral judgement on. Where Socrates, in the Gorgias, could say of Pericles that he had corrupted the Athenians and left them wilder than he found them, Thucydides finds in Pericles the ideal political man. Pericles did not call into question the game of politics; he did not call into question the traditional aims of politics. Rather, he pushed Ayhens to a greatness that it had never known, and the greatness was of the mosto worldly sort. ... From the point of view of moral absolutism, Pericles was an imoral man, corrupt and corrupting; from the point of view of those who took for granted that the game of politics has rules o its own and was not liable to the moral questions of an absolutist, Pericles was a political hero. Thucydides takes his stand with the latter. It is for this very reason that his book is accessible to those who look for a manual of statecraft. ... but in any event, the deeds are done, Athens has an empire, it has made itself many enemies, it has extended its interests and commitments, it has grown to need what it has taken, but there is no giving it back, there can only be armed defense of it. Its life may not be at stake; but its opulence, and honor, and reputation present and future are at stake. And that stake is worth defending, Thucydides no more doubts than Athens and its leaders” (498-9)



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