Tucídides, ktema es aei: a História entre Ciência e Arte



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Daí a terrível miopia ética que estigmatiza suas concepções. assim deficientes de ideais humanos mais excelsos: “Tucidide tuttavia no si avvede che anche le lotte tra pólis e pólis sono fratricide e non auspica un’umanità dominata da vincoli d’amore, un’Ellade pacata e concorde. Nessuno degli antiche vagheggia una pace universale per cui l’uomo sia fratello al fratello: età meravigliosa in cui le energie umane, anzichè esaurirsi nella fatica della guerra, si dedichino ad opere di pace, e la terra diventi veramente un giardino, ricordo dell’Eden perduto, preludio d’un regno celeste” (223)

E é justamente esta a contradição fundamental de que seu pensamento é prisioneiro: “Tucidide vuole eliminare dalle sue Storie il trascendente, ma esso gli appare da ogni parte, anzi lo storico stesso finisce per riportarvelo, per esser ‘troppo loico’ perchè chesta legge che domina per impulso naturale, assurge al valore di Necessità, forza superiore, non legislatrice dell’universo, fonte di giustizia e di ordine, ma di violenza. Ecco l’intima contraddizione che lo storico non sa superare e sente irgere ansiosamente in sè: in Tucidide c’è la aspirazione inconfessata, ma tormentosa, a principi di eticità e di giustizia, che il raziocinio storico politico costringe invece a trascurare e a violare. L’opera tucididea che pare fredda e lontana è invece percorsa da un anellto e turbata da una lotta dello spirito che scorge, di là della ragione umana, il divino e non sa e non vuole credervi” (231)

Faltou a Tucídides, assim apreciado pela leitura de Virginia Paronzini em tempos ainda bem vivos dos horrores fratricidas da guerra recente, a consciência ética que o Cristianismo traria para a história humana.

David Grene
Greek Political Theory. The Image of Man in Thucydides and Plato. Chicago and London, Phoenix Books, The University of Chicago Press, First Phoenix Edition 1965.

Originally published under the title MAN IN HIS PRIDE. A Study in the Political Philosophy of Thucydides and Plato, 1950.

Por uma série de progressivas aproximações identificadoras, David Grene assimila os dilemas do mundo que ele vivencia por meados do século XX, dezembro de 1949 mais precisamente, com os desafios que já Atenas enfrentara pela segunda metade do século V a.C. Ambos tempos de “crise moral”, em que os princípios e valores da “ética tradicional são renegados ou postos em dúvida”. Ambos tempos cujas políticas governamentais experienciam o peso das pressões populares, todavia pelos distintos modos de uma democracia direta para os antigos contra os do mosaico de aglomerados de interesses que atuam nos processos de administração estatal da democracia representativa moderna.102 Ambos “tempos de guerra total” conjugados a “uma crescente concepção técnica da manipulação do poder, quer na guerra quer na paz” (vi). E, especialmente e sobretudo, ambos tempos que conhecem “a total humanidade da vida política”, porém não no sentido de humanitude, “pois ambas as épocas defrontaram-se, sob diferentes circunstâncias, com os extremos da crueldade humana”, e sim no da total convicção de que “o homem, e apenas o homem, desprovido de sanção cósmica ou sobrenatural, fosse tanto a fonte quanto a resolução do conflito” (vi).

Pela leitura de Tucídides mais a de Platão, que retrataram as vicissitudes históricas daquela convivência política antiga, Grene busca apreender as lições que lhe ensejem esclarecer os impasses da realidade contemporânea, assim a projetando como uma espécie de sucedâneo histórico da antiga, dado que se tratam de épocas afins por experiências intercambiáveis: “What seems to me vital in our study of the political likenesses and differences between ourselves and the fifth-century Athenians is not so much the consideration of principles as a knowledge of men and situations and men in situations. We can learn from knowing them, much as we can learn from knowing our contemporaries. Although the knowledge may grow richer by its very distance, it must, however indirectly acquired, be face-to-face knowledge – in essence like one’s understanding of a friend” (vii)


Péricles, ao que afirma a narrativa tucidideana do Discurso Fúnebre, proclamara Atenas como “a escola da Grécia”. As lições por que Grene, por meados do século XX, assim também aprecia a valiosidade da experiência ateniense para a história, situam a maior relevância de sua originalidade criativa antes no âmbito de uma concepção plenamente realista do poder e da práxis política, por pensamentos e reflexões que os equacionam livremente, atendo-se apenas às razões da realidade mesma de suas essências, destravadas de quaisquer ou gravames ou atenuantes de ordem moral : “What she has taught the rest of the Greeks chiefly is to be aware of the creation of power in the name of nothing except itself and to consider the factor of the creation of power openly and rationally. In these two respects – and they go closely together – Athens was unique in terms of suceeding history until our own time” (5). A singularidade histórica de Atenas assim, ao que entende Grene, contrapõe-se, de um lado, à política em sua forma histórica antecedente, a monárquica oriental, em que a realização do poder, consubstanciado por uma pessoa, esvazia de sentido suas implicações morais; e, de outro, à política em sua forma imperial posterior, quer a romana antiga quer a britânica moderna, em que o poder, por consciência de escrupulosa moralidade, apela para representações legitimadoras de seu exercício que revestem seus modos de força e dominação sob projeções “metafísicas” universalizantes, seja a idéia de Romanitas para aqueles, seja a de superioridade cultural para estes.103

No relato tucidideano da Atenas da guerra do Peloponeso, Grene localiza, portanto, o retrato da essência do poder. Sua face é composta pelos delineamentos figurados em um tríptico de exposições textuais tucidideanas, cuja tradução Grene então transcreve em seu ensaio: o discurso dos atenienses em Esparta (433/32), a guerra civil em Corcira (427-425) e o diálogo de Melos (416).


Uma questão de método, todavia, se coloca: como apreender a filosofia política de Tucídides quando esta se expressa apenas na modalidade de uma severa e rígida narrativa historiográfica, que, tendo por dever compositivo a obsessão de ater-se estritamente ao registro dos fatos observados, assim antes a oblitera? Fator complicante tanto mais dilemático por que se trata de considerar uma época histórica que, por seu panorama de revoltante miserabilidade humana, a todo momento instiga, por digna reação emotiva, antes o pessimismo e desespero do homem civilizado? Como então resgatar essa carga de subjetividade de um pensamento político propriamente tucidideano, se sua ética historiográfica antes reprimiu sua intervenção narrativa?

“But, when, as in the case of Thucydides’ lifetime, a man subtle and sensitive might see not only the destruction of what was great in material power – Herodotus, indeed, had the opportunity of observing that – but with it and in some inexplicable way in connection with it the progressive reduction of more and more human beings to sordid misery, the steady increase in the refinement of brutality, the unceasing abandonment of the veil of decency which had heretofore cloaked the worst actions – in the face of such a situation, perhaps the mind of the historian himself tends to focus on the only material to which he can be true in his function as historian. He can stick relentlessly to facts, to what men did and what men said. When he describes the feelings which led them to act and speak as they did, he will put an iron constraint upon himself, so that it is next to impossible in the hard objectivity of the words to discover what emotion lay behind this creation. When at appropriate moments, the death of a leading statesman or the decisive crisis of an action, it is necessary to appraise, the same hidden censor may constrain the historian to talk only of whether the qualities of the man responsible for the policy or the action were such as to be succesful.

And, finally, when this historian comes to write of the great moral catastrophe of his day in general terms – and that at times he must – he will try to handle it, too, in moral abstractions related to concrete moral particulars with the same aloofness with which he may write of the realtion between the symptoms of the plague at Athens and its predisposing physical factors. In such a man there may grow a blind pride in his obstinate refusal to judge or appraise as his father would have appraised. And in face of this obstinacy the reader may gropingly seek to find in the hidden nuances of the moral terms, or words uniquely employed, of the juxtaposition of speeches and actions, all too slim evidence for the political and moral convictions in the light of which the history came into being. But to seek for it is to try to reveal the evolving pessimism and despair of a very civilized man, one moreover who in all probability revised his work or mosto of it, so that the later verdicts come to obliterate or obscure earlier impressions.” (17-19).

A consciência de uma aporia metodológica transita assim, no entender de Grene, do tempo da escrita para o da leitura da história tucidideana, intrigando, entre a prática compositiva do autor antigo e a hermenêutica analítica do intérprete moderno, a percepção da singular filosofia política que opera sua resolução.

Uma orientação hermenêutica, espécie de positivismo historiográfico emblematizada pelo ensaio de Richard Jebb de 1907 (The speeches of Thucydides), tende a negar que Tucídides tenha veiculado em sua narrativa qualquer teoria política como tal, nela registrando apenas os fatos concretos. A orientação oposta, espécie de positivismo ético nuançado de intelectualismo consagrada pelo ensaio de Paul Shorey de 1893 (On the implicity ethics and psychology of Thucydides), antes sustenta o enquadramento da obra tucidideana por uma concepção de estrito e ousado realismo político, que percebe a essência da história como “política de poder”: “These then are the two poles between which the discussion of Thucydides as a political scientist has habitually moved – those that affirm that Thucydides is more a historian than any historian has ever been, that he has recorded only the concrete facts of the situation and has no political tehory as such, and those who have fitted him into a ready-made position, rather similar to Hobbes’s, in which Thucydides is the bold proponent of a new scientific theory of politics which disowns the morality of the past and is ‘tough-minded’, as William James would put it, in his contemplation of the present in the light of his new ‘intellectualist’ and positivistic criteria. Put more simply, if the latter view is correct, Thucydides will be seeing the history of Athens as the supreme test of power politics and will judge the human actions involved purely in terms of efficiency and success” (25).

Ambas essas vertentes, no entender de Grene, excedem-se em suas apreciações justo por razões opostas. O extremado e absoluto empirismo cientifico apontado por Jebb retira da obra de Tucídides seu aporte de universalidade: “If there is one historian who busies himself incessantly with the ‘ultimate laws’ which are behind the ‘observed facts’, that historian is Thucydides” (26). Já o não menos extremado ascetismo científico que Shorey projeta no realismo ético de Tucídides, retira de sua obra os extravazamentos particulares de sua genuína humanitude de sentimentos: “Shorey, in order to inject the necessary complacency into Thucydides, has had to manhandle philologically or patronize sentimentally Thucydides’ genuinely pitying comments on the elimination of the decent elements in the citizenry during the class wars, on the last speech of Nicias in the Sicilian campaign, and, finally, on the death of Nicias himself. It is quite plain that the hard-boiled realist that Shorey pictures cannot possibly be unified with the author of these three passages” (27) Contra a tese de Jebb, Grene reclama a perda da filosofia política de Tucídides, e contra a tese de Shorey, a perda da moralidade humanista por que ele a conjuga em sua obra. Pois, esta é a questão que importa, assevera Grene: “What it is important to do is to form some conception from the History whether Thucydides believed that the moral catastrophe of his own time revealed a decisive truth in human nature, a truth which the superficiality of the historians of past times obscured, or whether this moral catastrophe was for him a perverse aberration seen against the normalcy of past times. Such an account must, of necessity, prove only a likely story” (19)

Apreciar a filosofia política tucidideana em termos de uma eventual filiação ou adesão partidária – oligárquica versus democrática – revela-se não apenas insuficiente quanto inadequado, pois, por uma ou por outra, acusam-se deficiências na identificação, nenhuma das quais dá conta plenamente de sua visão política: “We have, then, come to the conclusion that the point of view from which the History is written is not that of a democrat or perhaps even that of an oligarch of the ordinary party affiliation. Not democrat because, quite apart from Thucydides’ numerous unfavorable criticisms of democracy in action, he has gone on record in favor of the constitution of Theramenes, which replaced the older democratic constitution, and specifically rejected the notion of an unlimited franchise, which is the key-stone of the democratic position. Yet he is not the older kind of oligarch certainly, since he has no moral censure for the empire or, in general, for the violation of the old-fashioned autonomy of the various states. ... leaving out of account his party adherence, he is against the avowed principles of the democrats or the oligarchs in rejecting the rule of the many and refusing to criticize the rule of one state over another. What we are looking for, then, in not a third-party affiliation into which the historian fits but a third theoretical position politically” (55).

A problemática política que a história tucidideana coloca alcança mais fundo que a superficialidade da filiação partidária, pois toca no cerne humano envolvido no fenômeno do poder, especialmente considerado em termos da especificidade que individualiza o pensamento político tucidideano no panorama do século V ateniense,: “My contention is that this position consisted in seeing that the aspiration toward power, both in the individual and the nation, is the most basic of human qualities and the quality in the light of which the historian should judge all political actions but that within this framework of a new political theory, widely current in the fifth-century, Thucydides exhibits two personal deviations – an understanding pity for the victims of chance in the game of political power and a unique political value, assigned to the thing created by the aspiration toward power and the relation between it and the man or men who created it” (55)


Tucídides percebe a história como um processo necessário de “causalidade material” que integra em sua consecução os modos básicos da condição humana, os quais assim comandam a atuação quer dos indivíduos quer das nações: móbiles da prosperidade material (“dinheiro, comércio, força naval, composições e concentração de forças”: 57) movem os homens em suas permanentes aspirações de poderio. “Tal é a mais básica das qualidades humanas” (55) Dai que a perpétua agressividade e consoantes relações de força dispõem as potencialidades naturais que conformam a evolução da história como essencialmente conflituosa e violenta, levando a constituição de impérios e desembocando, como seu estágio mais crítico de evolução, na guerra. A história encadeia assim os homens nos grilhões da necessidade: “The circunstances compelled the concentration of power, and the human reaction to this intensified the consequences of such concentration. The war of one state against another, and of one class against another within the state at the favorable opportunity, and the individual and anarchic war of one man against his society, when poverty or plenty drive him by ‘constarint’ or by ‘pride and insolence’ (e.g., the career of Alcibiades), are parts of the entire chain of necessity with which everyone and every state is fettered” (paráfrase dominantemente da doutrina exposta pelo discurso de Diodoto).

No que a atuação histórica do homem se vê assim circunscrita pelo âmbito da necessidade que tolhe sua liberdade de inciativa, não há lugar para ajuizamento moral, entende Tucídides, seja para censurar a guerra em si ou para condenar o império como tal: “Surely what is being indicated in his introductory account of Greek history to his own time is that as nations grow welthier, and commerce and communication increase, the cumulation of factors, some material and some psychological, makes for the great centralized empires. When this happens, such an empire is bound to clash with whatever neighbors or combination of neighbors its power appears to threaten, and, in this light, we can see that he is correct, according to his theory, in seeing the fear of Athenian power as the basic reason for the Peloponnesian War. He does not indulge in moral criticism of the empire or the empire-makers because it would be out of place so to criticize them as to blame the Athenians for the onset of the plague. The crowding of the population into the city was certainly a major cause of the plague, but the compulsion of necessity enforced the crowding. The empire was certainly a major cause of the murder and devastation of the war – but the compulsion of historical necessity, according to Thucydides, enforced the empire” (64) (59-60; 63).

O humano, particularmente por sua natureza agressiva de estímulos materiais, é então envolvido diversamente pela questão do poder, conforme sua atuação histórica seja solicitada sob condições de necessidade imperativa ou antes quando o acaso dispõe uma liberdade de escolha entre opções, “bem contra mal” (78), em aberto. Para o historiador que relata os fatos e os enquadra por uma ótica de compreensão filosófica ou teórica, no primeiro caso o homem depara-se com um problema de exercício de sabedoria ou ciência política objetiva, não cabendo, pois, um ajuizamento moralizante, que, todavia, é justamente apropriado no segundo caso por implicar atos por exercício de livre arbítrio, quando então o historiador pode dar vazão à humanitude de seus sentimentos: “In other words, alowing for the basic drives of human nature which lead to the potentiality of war between states and the potentialities of war within the society between the few who have and the many who have not, the actualization of human aggressiveness in war and in faction represents the hysterical condition at which point moral comment is no longer significant, since man’s capacity is now entirely limited by circumstances, and neither his will nor his intention has any free play. At such a time the art of politics finds its proper exercise, since it is pre-eminently the art of understanding necessity and operating within the possibilities afforded by necessity. But the area where moral comment is in order is only that in which human beings can be regarded as in some sense operating with freedom to chose between one alternative and another without the direct force of necessity constraining them” (78).

Assim teria agido Tucídides em sua narração histórica, consagrando a figura científica do historiador no primeiro caso, e permitindo-se acrescer a figura moral do homem no segundo (74). De modo que, no primeiro caso, ele não condena nem censura a guerra em si nem tampouco o império ateniense. Mas no segundo, firma expressamente o selo de seu pensamento na narrativa, assim externado por singulares juízos apreciativos reveladores de sua humanitude (74): o episódio do massacre de Micalessos (“This whole city suffered a catastrophe second to no other in its unexpectedness and horror”: VII.29.5); o imerecido infortúnio do virtuoso Nícias (“On this charge, then, or one like it, Nicias died, being the least worthy of all the Greeks of my time to come to such a depth of misfortune, since he had lived all his life in accordance with what is popularly called virtue”: VII.86.5); a excelência política do regime idealizado por Teramenes em 411 (“For now for the first time in my lifetime the Athenians seem to have enjoyed an excellent government; for there was a blend in it of the few and the many, and this was the first thing which lifted the city out of its ill condition”: VII.97.2); a inteligência brilhante e a figura politicamente virtuosa de Antifonte (“but the one who engineered the whole business and the manner in which it was brought to this pass and had thought most deeply about its contrivance was Antiphon, a man among the Athenians of his day second to none in virtue” (81)

Pelas três primeiras apreciações – os mercenários trácios em Micalessos, Nícias na expedição à Sicília e Teramenes no regime político instituído em 411 -, Tucídides extravaza, na apreciação dos dois primeiros episódios, sentimentos de genuíno compadecimento humano, suscitados por um estupor aterrorizado face à impiedade, arbitrária e sem sentido, com que os azares do acaso podem vitimar os homens, todavia justo os mais inocentes e virtuosos, que jamais mereceriam tal destino de infortúnio: “But, I think, the peculiar ironies of chance inspired him with a kind of horror, and in these two instances, that of a well-meaning, decent and incompetent man, meaninglessly enmeshed in a task demanding enormous skill, and the simple little country town with its men and women, children and animals, senselessly slaughtered by a hired mercenary army for no conceivable military purpose, the disproportion between the people and their fate awakened a human pity which is nonetheless explicable according to his own theory of history and its development” (76)

Já para o terceiro episódio, consigna toda sua admiração elogiosa pela excelência moral de prudência desinteressada e desvencilhada de comprometimentos partidários com que o lider político, Teramenes, descortinou a alternativa de forma de governo – a Constituição dos Cinco Mil – excelente: “This latter is the case with the Constitution of the Five Thousand. It was, in a way, an academic experiment, since it tried to cure, in a root-and-branch fashion, the basic disease of the Athenian state, the conflict of the few and the many. It did this in preference to setting the winning of the war first, as the democrats would have it, or the establishment of a stable government, by fiat, as the extreme oligarchs wanted. It belongs in one of the rare breathing spaces between the compulsive assaults of necessity and embodies an effort by men consciously and freely to choose, theoretically, a better state. And it is in this spirit that Thucydides comment on it” (78).


Se assim transparecem na narrativa historiográfica tucidideana os escrúpulos morais de sua humanitude ao considerar episódios e situações em que o homem não se vê solicitado pelas injunções da necessidade histórica opressora, é antes justo sob esta circunstancialidade imperativa, que especialmente constrange e põe à prova a virtuosidade do verdadeiro líder político, que ele, Tucídides, expressa o teor mais significativo de sua filosofia política: “The Archaeology and the Fifty Years combined with certain of the speeches indicate to us what he considered the necessity of history to be and the qualities required by statesmen who would be true statesmen in the light of this necessity. What we must try to do now is to discuss where within this area – the necessity of history – the highest praise is given – to satesmen and to state. When men’s free will is effectually curbed by circumstances, and when chance does not obviously confuse the issue – in other words, in the true domain of politics – where does Thucydides find his highest value?” (80)

Conjugando o ajuizamento subjetivo por que Tucídides elogia Antifonte com a apreciação política que ele tece de Péricles, a leitura de Grene descortina a exemplaridade modelar de virtuosidade de liderança que sua filosofia política projeta para a história humana. A excelência virtuosa do estadista, assim reclamada em premências de necessidade histórica, não se confunde por apelos de concepções convencionais de misericórdia ou de humanidade (81), nem se aprecia ou avalia por eventuais sucesso contra fracasso da política por eles conduzida, mas sim pela notável grandiosidade de concepção monumental da obra estatal por ele realizada e consoante sublimação das paixões humanas no exercício do poder por ele excepcionalmente alcançada: “What do we find, positively, on the side of the statesman who commands Thucydides’ admiration and the attribution of admiration? The acheevement of a deed notable in terms of his own History, be that good or bad according to conventional Greek morality. More than that. The achievement must rise to the stature of uniqueness. As Thucydides felt that the historical significance of his time with its clash of these two great empires was unique, so uniqueness is for him, in a way, a gauranty of the importance of a given event. The fleet and the long walls; Athens extraordinary endurance in the war; the destruction of the Athenian liberties of a hundred years’ duration – all these have, for Tucydides, the stamp of singleness and the stamp of greatness. This is perhaps the very key to the personal failure of the statesmen, for the multitude cannot be taken along as a willing partner in the achievement of unique greatness. They constitute the difficulties to be overcome, the barrier that tests the strength of the assailant. And so, when the task is done, the many and the one relapse into their natural condition of antagonism, and, when the conflict becomes personal, the one must be beaten. But in the strange impersonality of self-sacrifice, in the desperate power and will to create something grater than the reach of a single man’s ambition or benevolence, Thucydides found that which he called ‘virtue’” (83-4).



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