Tucídides, ktema es aei: a História entre Ciência e Arte



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most politic historiographer that ever writ’. What is it, precisely, that makes Thucydides writing ‘most politic’?

116 The City and Man, p. 143.

117 The Humanity of Thucydides, p. 3.

118 Love of Glory and the Common Good, p. 7: “It seems obvious, at least initially, that according to Aristotle’s criteria, Thucydides is a historian. We should note, however, that although the word was current, and Herodotus had used it before him, Thucydides never calls his narrative a history, and never calls himself a historian: indeed, the Greek word historia never occurs in his writing”.

119 “The second thing, indeed, that strikes the reader of Thucydides is that he cannot simply be a historian in Aristotle’s sense. There are too many nonhistorical elements in his narrative: first and foremost, of course, the speeches” (7).

120 Também Leo Strauss joga com essa argumentação, fazendo-a incidir, entretanto, contra a assimilação da obra tucidideana pela concepção de história moderna: “Thucydides does not merely narrate and explain actions and quote official documents but he inserts speeches, composed by him, of the actors” (142).

121 “Thucydides is to my taste the true model of an historian. He reports the facts witjout judging them, but he omits none of the circunstances proper to make us judge them ourselves. He puts all he recounts before the reader’s eyes. Far from putting himself between the events and his readers, he hides himself. The reader no longer belives he reads; he believes he sees” (Rousseau, Emile, Book IV). E, todavia, diversamente do sentido por que o (des)entende o recorte destacado por Orwin, o elogio que Rousseau, assim reproduzindo a apreciação plutarqueana, dirige a Tucídides respeita não a um reconhecimento da natureza político-filosófica de sua obra, mas sim à excelência, ou virtuosidade primorosa, de sua práxis historiográfica: transposição narrativa de uma visão transparente dos fatos, não turvada pela opacidade com que a interposição da ótica do historiador a obnubila. Por Tucídides o discurso, a escrita, da história resolve a aporia de seu ideal fundador, assim firmando por um homem a visão cognitiva dos fatos humanos. Ora, ainda mais diversamente do que o postula a lembrança feita por Orwin, Rousseau prossegue em seu comentário dizendo que mesmo Tucídides, de epistemologia assim virtuosa, não decide ainda a primeira recomendação de leitura historiográfica instrutiva para a educação do jovem Emílio. Também sua história não escapou daquela viciosidade sinistra que toma as histórias: infelizmente ele fala sempre em guerra e quase não vemos em suas narrativas senão a coisa do mundo menos instrutiva, os combates.

122 Moralia 347A.

123 Confira-se o artigo de Robert Gilpin, The Richness...., p. 308-310.

124 A indicação, que se refere à obra de 1959, Man, the State, and War, é dada por Laurie Johnson, p. 131.

125 Citado por Robert O. Keohane, Neorealism and its Critics, p. 178.

126 Citado por Robert O. Keohane, Neorealism and its Critics, p. 179.

127 “As Thomas Hobbes told his patron ... it’s a jungle out there”. Anarchy is the rule; order, justice, morality are the exceptions. ... in the world as it is, the final arbiter of things politicas is power. All moral schemes will come to naught if this basic reality is forgotten”: Richness, p. 304.

128 Richness, 305 (grifos nossos: coteje-se contra o texto mesmo de Tucídides, para melhor apreciar os desvios com que Gilpin opera sua aproximação identificadora:

129 No paralelo que aqui Keohane estabelece entre Tucídides e Morgenthau, os recortes na leitura do primeiro, assim restringindo-se às colocações tucidideanas no que respeita à reconstituição apenas dos discursos e obliterando as respeitantes aos acontecimentos mesmos que antes supoõem procedimentos opostos, ficam subsumidas por sua redução aos ditames da leitura do segundo, de modo a assimilar a metodologia de Tucídides pela de Morgenthau: “Both authors also believed that observers of world politics could understand events by imagining themselves, as rational individuals, in authoritattive positions, and reflecting on what they would do if faced with the problems encountered by the actual decisionmakers. They both, therefore, employ the method of rational reconstruction. Thucydides admits that he does not have transcripts of all the major speeches given during the war, but he is undaunted: ‘It was in all cases difficult to carry [the speeches] word for word in one’s memory, so my habit has been to make the speakers say what was in my opinion demanded of them by the various occasions, of course adhering as closely as possible to the general sense of what they really said’. Morgenthau argues that in trying to understand foreign policy, ‘We put ourselves in the position of a statesman who must meet a certain problem of foreign policy under certain circunstances, and we ask ourselves what the rational alternatives are from which a statesman may choose ... and which of these alternatives this particular statesman, acting under these circunstances, is likely to choose. It is the testing of this rational hypothesis against the actual facts and their consequences that gives meaning to the facts of international politics and makes a theory of politics possible’ (Morgenthau 1966: 5)”.

130 Robert O. Keohane, Neorealism and its Critics, p. 163-164.

131 Robert O. Keohane, Neorealism and its Critics, p. 7-8.

132 Há uma viciosidade na construção interpretativa da análise de Forde. Suas asserções obliteram o alcance retórico daquelas colocações em que os atenienses, ao afirmarem a tese da fundamentação de seu império como uma realidade própria da natureza humana, também ambiguamente dela divergem, precisamente porque a justificam em termos da excelência singular do imperialismo ateniense, assim observador dos reclamos de justiça, o que projeta sobre eles, atenienses, algo de uma aura heróica, homens superiores que sobrepujam as meras limitações ordinárias da natureza humana. Sua interpretação assim diz justo o contrário do que o discurso dos atenienses especificamente expressa no texto de Tucídides. Sua leitura assimila, e indiferencia, as singulares dormulações retóricas do império de Atenas configuradas no debate em Esparta com as externadas no diálogo de Melos, de modo a reduzir aquelas a estas. Por tais abordagens de um enfoque temático redutoramente homogeneizador, perdem-se os aportes de significação por que a história tucidideana aprecia a riqueza das singularidades episódicas: as expressões da retórica do imperialismo ateniense condizem com suas específicas circunstancialidades históricas, de modo que sua formulação em tempos imediatamente antecedentes ao desencadear da guerra, sob primado da lideranla pericleana, difere da de tempos de meados do conflito beligerante, já distorcida por seus sucessores: a primeira é apresentada diante de e para Esparta a persuadi-la a que não entre em guerra contra Atenas, ao passo que a segunda o é para Melos, a forçá-la a aliar-se com ela. Mais adiante no arrazoado de Forde ele similarmente assim homogeneiza os alcances retóricos por que ou Péricles ou Nícias, em situações e contextos diversos, ou preceituam ou reprovam os engajamentos “eróticos” da cidadania ateniense pelo poderio de Atenas.

133 Thucydides, Hobbes and the Interpretation of Realism, 1993; The use and abuse of Thucydides in international relations, International Organization 48.1, 1994: 131-153.


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