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A Lã e a Neve, de Ferreira de Castro: a História escreve-se no presente





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Sétimo romance de Ferreira de Castro, publicado em Lisboa pela Guimarães Editores, em Abril de 1947 (ia o autor a caminho de completar 49 anos), e, indubitavelmente, um dos seus grandes livros, A Lã e a Neve – cuja acção se situa, não por acaso, na Covilhã e na Serra da Estrela, durante o período da II Guerra Mundial –, corresponde ao desígnio que, desde a década anterior, o autor de Eternidade se atribuíra enquanto cronista do seu tempo.

Palavras-chave: A Lã e a Neve, anarco-sindicalismo, anarquismo, Censura,  Covilhã,
Estado Novo, História, personagens, romance social.

Abstract

Set in Covilhã and Serra da Estrela during World War II, Ferreira de Castro’s seventh novel, A Lã e a Neve, one of his greatest books, published in Lisbon by Guimarães Editores in April, 1947 when the author was almost 49 years old, shows the author’s endeavor in becoming a chronicler of his own time.



Keywords: A Lã e a Neve, anarcho-syndicalism, anarchism, censorship, Covilhã, Estado Novo, History, characters, social novel.

  1. Capítulo (opcional; se existir deverá ser numerado)

Nas décadas de 1930 e 1940, a arte portuguesa, em especial a Literatura, conheceu um forte embate ideológico cujas posições extremadas podem grosseiramente ser bipolarizadas pelos partidários da arte pela arte, por um lado, e os da arte útil, por outro, num velho enfrentamento que vinha já do século XIX, tomando, com a ascensão dos fascismos, do triunfo do comunismo soviético e da eclosão da Guerra Civil de Espanha e da II Guerra Mundial, enorme acuidade entre os criadores.

De um lado, os que defendiam que a arte valia por si só, não devendo servir nenhuma causa, sob o perigo de se vender e/ou falsear; do outro, aqueles que não concebiam que a arte pudesse estar ausente das preocupações, das angústias e do destino dos homens. Foi uma contenda longa e, por vezes, entrincheirada, que, por esses anos, tinha vários protagonistas de primeiro plano.

O melhor exemplo de uma das barricadas será o de Álvaro Cunhal, um jovem político do PCP em ascensão, também ele artista plástico, ensaísta e futuro ficcionista (Manuel Tiago), que ao longo da sua longa vida pública nunca descurou a reflexão sobre as questões artísticas. Numa polémica célebre com José Régio, nas páginas da Seara Nova (1936), a propósito de um escrito do poeta aí publicado, tomaria de empréstimo, para melhor ilustrar (e simultaneamente caricaturar) a sua rejeição, o dístico de um poema d’As Encruzilhadas de Deus (1936), que daria o selo a esse diferendo fundamental na história cultural portuguesa novecentista: «Vergo a cabeça sobre o peito / Concentro os olhos sobre o umbigo». Defendia, assim, Cunhal, rejeitando asserções regianas, que a arte deveria estar ao serviço dos valores ascendentes de libertação humana:

«Eu tenho José Régio como um dos mais poderosos e capazes poetas portugueses contemporâneos – quanto ao potencial e capacidade de expressão. Tenho As Encruzilhadas de Deus como uma das mais vibrantes obras poéticas portuguesas contemporâneas. Mas tenho também José Régio, a sua poesia, o conteúdo da sua poesia, como uma expressão dolorosa da fuga, do cansaço, da renúncia, daqueles que não têm força e sensibilidade para permanecerem corajosamente onde se digladiam as multidões. A poesia de José Régio exalta uma posição (e até uma atitude) condenável, fracassada e decadente. Por isso deve ser combatida. Por isso entendo que, embora apreciada sob o ponto de vista “puramente literário”, deve ser preterida.»1



A posição de Cunhal, embora alicerçada numa espécie de imperativo ético, seria perigosa e foi nefasta onde se aplicou, vide o jdanovismo soviético.

Bibliografia

1 Álvaro Cunhal, «Numa encruzilhada dos homens», Seara Nova #615, Lisboa, 27 de Maio de 1939, apud Boletim # 4-5, Vila do Conde, Centro de Estudos Regianos, 1999, pp. 102-104.


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