Tolos são aqueles que preferem aprender com a própria experiência. Eu prefiro aprender com a experiência dos outros



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Comte. Carlos Nardin Lima – CLC



carlos.nardin@gmail.com
Tolos são aqueles que preferem aprender com a própria experiência. Eu prefiro aprender com a experiência dos outros”. Bismark
Boa estrela não se adquire nos bancos de escola e nem por vontade própria. O indivíduo já nasce com ela. Boa estrela não é para quem quer e sim para quem merece. O merecimento é fruto das boas ações que você exerce perante Deus, do respeito às leis divinas e universais, do domínio que você exerce sobre tudo o que  aprendeu na escola e desenvolveu ao longo da sua vida profissional.

Nunca espere que algo aconteça de bom na sua vida  se você não cumprir os requisitos necessários para fazer por merecer. Aplique tudo aquilo que você aprendeu de maneira constante, repetitiva e objetiva.

Formule seus próprios métodos de ação sem se opor à lógica e à técnica recomendada. Use sempre uma alternativa, duas ou mais, toda vez que for executar uma manobra de risco. Se nada disso funcionar é porque o destino o colocou no  percentual de fatalidade que está sempre presente em toda ação humana.

- “Se você estiver no comando de um navio e perceber que corre o risco de perdê-lo, encalhe-o; se perceber que vai encalhar, e não quer que isso aconteça, use os ferros, toda a potência de máquina atrás e evite”.

Não, não sou o autor dessas recomendações. Esses conselhos me foram dados por um Comandante de navios da bacia Amazônica onde eu servi como praticante de Prático no navio “Oyapoque” na linha de Belém, Mosqueiro e Soure. Creio que o meu grande mérito foi não ter esquecido a lição.

Em 1973, assumi o comando do navio petroleiro “Taquipe” da Fronape, que acabara de sair do estaleiro após a revisão bienal obrigatória. Eu não conhecia o navio, mas supus que, tendo saído de uma revisão, estivesse em condições de rodar mais dois anos sem apresentar problemas técnicos de grande envergadura. Enganei-me redondamente.

Saímos do Rio de Janeiro carregados com dez mil toneladas de gasolina direto a São Luis do Maranhão. Que maravilha de viagem... O navio desenvolvia uma velocidade de 11nós e tudo funcionava a contento. Ao dobrarmos o Cabo Calcanhar o navio passou a desenvolver 12.5 nós, encurtando a viagem em praticamente um dia.

Tudo corria bem a bordo. Nossa aterragem  ao farol de Santana e entrada da baia de São Marcos, foi perfeita. O sol começava a se por quando demandamos a baia.

Parecia que estávamos navegando em um navio recém construído, tamanha a eficiência do motor propulsor.

Quando nos aproximamos da Ilha do Medo para demandar o porto de Itaqui, percebemos que as luzes da cidade de São Luis, que estavam por trás da Ilha, passavam a uma velocidade relativa muito grande e fora do normal. Ora, o navio estava desenvolvendo uma  velocidade de 15.5 nós, sob o efeito da meia-maré de enchente. Paramos a máquina e resolvemos reduzir a velocidade usando a força da máquina atrás, mas o inesperado aconteceu: a máquina não partiu. A primeira garrafa de ar comprimido foi usada outras vezes na tentativa de partir o motor movimentando os seus nove cilindros e nada. O motor tossia – como se diz na gíria de bordo - e não pegava. A segunda e última garrafa de ar foi acionada e nada do motor partir.

Quando o telefone do passadiço tocou, eu já previa a notícia catastrófica.

– Estamos sem máquinas Comandante! - anunciou o Chefe de Máquinas.

Deixei o Imediato ao telefone e comecei a pensar o que fazer. Carregamos o leme todo a BB na tentativa de encalhar o navio. O porto de minério da Ponta da Madeira ainda não havia sido construído e, imaginei: se o navio encalhar, quando a maré atingir a preamar sairá incólume, considerando que a amplitude da maré em São Luis é de sete metros ou mais.

Ordenei ao Imediato, que as duas baleeiras fossem preparadas para abandonarmos o navio, caso fosse preciso; todos os tripulantes vestiram seus coletes salva-vida e ficaram na expectativa.

À medida que o navio se aproximava de terra, volta e meia tocava num alto fundo de tabatinga reduzindo de alguma forma a velocidade e o ímpeto da maré de enchente. Ao atingirmos a Ponta da Madeira embicamos  o ferro de BB e fechamos o breque do molinete  de proa. O fogo que saía do molinete ao queimar a lona de freio era comparado a fogos de artifício. Saiu à primeira quartelada, a segunda a sexta a oitava e nada do navio parar. Ao sair a nona quartelada entramos à deriva na enseada do porto de Itaqui, entre a Ponta da Madeira e a Ilha de Guarapirá. A nona quartelada partiu na "casa do Braga" e perdemos o ferro de BB, mas o navio já estava praticamente parado; flutuava, atravessado à corrente em direção à Ilha de Guarapirá.

Nosso receio era que o navio ficasse entre a Ilha e o Porto onde havia uma pedra submersa a quatro metros de profundidade; se isso acontecesse o casco do navio furaria ao tocar na pedra, a gasolina vazaria para o mar e não teríamos como evitar uma catástrofe maior. Estávamos com doze metros de calado e havia pescadores em pequenos caiaques próximos ao porto, com lamparinas acesas e, nesse caso, teríamos forçosamente que abandonar o navio porque a área, por certo, viraria uma fogueira só.

Felizmente o navio atracou suavemente na Ilha de Guarapirá com a proa voltada para o porto. Largamos uma quartelada do ferro de BE – para fixar a proa - e ficamos aguardando o próximo passo da mãe natureza.

 Próximo da preamar a nossa estrela brilhou: o navio saiu se arrastando por fora da Ilha de Guarapirá e passou sobre o fundeadouro, e aí, só tivemos o trabalho de largar oito quarteladas do ferro de BE e segurar o navio. Estávamos sãos e salvos graças aos conselhos do Comandante "Bigodinho", lá  da região Amazônica...

Quando abrimos o motor propulsor, dos nove cilindros apenas um conservava os anéis de segmentos intactos; os demais estavam todos partidos o que impedia que o motor atendesse aos comandos de partida.

Momentos críticos como esse só são comparados a um soldado na frente de batalha. Atira para matar ou morre. Não se pensa em outra coisa a não ser superar as dificuldades que se apresentam no momento. Superstição ou não, "A BOA ESTRELA" sempre ajuda.







Aconteceu no N/T “Quererá”

2OM Evandro Felisberto de Carvalho.



evandro.felisberto@bol.com.br

Eu era o segundo Oficial de Máquinas do N/T “Quererá” e o Comandante um certo Luiz Augusto Ventura em seu primeiro comando. Trinta e um de dezembro de 1973, e o navio estava atracado em Itaqui (MA), descarregando fuel-oil. Saí de divisão às 18:00h.


Tomei banho, jantei e senti que o ambiente a bordo estava muito comportado. Eu queria emoções e antevia um “reveillon” acompanhado de uma jovem e bela morena maranhense.

Calça branca com riscas verticais cor de vinho (última moda), camisa de linho branca muito chic, sapato tipo mocassin branco Samello, um toque de perfume Lancaster comprado na última viagem à Argentina e aí estava eu, sentindo-me um verdadeiro Don Juan dos Mares, tomando o destino de São Luís.

Depois de cruzar com alguns oficiais no corredor, olhados com uma ponta de desdém por preferirem passar o ano novo a bordo, cheguei ao portaló e só então me dei conta de que chovia. Uma chuvinha fina e persistente que não dava sinais de parar. Pensei desistir, mas, como agüentar as piadinhas e o deboche da turma?

Segui em frente, eu e Deus, deixando os “gabirus” para trás.

No cais, o mesmo da carga seca, um navio holandês, com a sua tradicional chaminé preta com uma faixa laranja, descarregava um pó branco que, misturado à chuva que caía, produzia um respeitável lamaçal.

Caminhando pelo cais, pisando em ovos para não sujar o Samello branquinho, cheguei a uma cabine telefônica na esperança de conseguir um táxi. O telefone estava enguiçado. Que fazer? Voltar para bordo, nem pensar...

Consultei o relógio. Faltavam duas horas e meia para a meia noite. Subitamente estanca um ônibus. “Estou salvo” – imaginei. Era o transporte dos estivadores... Sem alternativa, pedi carona ao motorista. Dentro do ônibus, uma total imundície. Fiquei em pé, próximo ao motorista quando começaram a embarcar os distintos passageiros. Todos sujos, com uma camada de pó branco molhada que, misturada ao suor, provocavam um odor insuportável no interior do ônibus.

Depois de ocupados todos os lugares, um estivador sentado no último banco, um negão com 1,90m de altura, verdadeiro “armário”, só de calção, mais parecido com um touro holandês por causa do pó branco impregnado no seu corpo, e que parecia ser o xerife da turma, gritou alto para o motorista seguir viagem. A porta da frente se fechou e o ônibus saiu sacolejando, tentando vencer os buracos da pista.

Agarrado como podia, senti-me pior do que nos caturros do “Quererá” navegando em lastro com mau tempo. Havíamos percorrido apenas uma quadra quando o ônibus encalhou, quer dizer, atolou. Imediatamente o negão gritou:

- Todos descem pra empurrar.

Todos obedeceram imediatamente, menos eu que me fiz de desentendido. Rezei pra não ser chamado. E assim fomos até São Luís, aonde chegamos às 2340h, depois de várias atoladas com o negão pagando geral em cada uma.
Tentando me refazer da atribulada viagem e dando prosseguimento aos meus planos, fui para o Sampaio Corrêa, tradicional clube da cidade. Cisquei para um lado e pro outro e nada. As cartas estavam todas marcadas. Todos pareciam se conhecer.

Resumindo a história: passei o “reveillon” sozinho, num cantinho, cabisbaixo, sorumbático e sem ter arranjado ninguém.

Para não voltar muito cedo pra bordo e ficar ouvindo as piadinhas daqueles despeitados, ainda tive de fazer hora debaixo daquela chuvinha miserável, sentindo a maior falta do meu beliche e daquela mesa farta de bordo que deixei pra trás.

Molhado e esfomeado cheguei no navio sem perder a pose. Vangloriei-me contando uma história fantasiosa e deixando todo mundo boquiaberto - ou fingindo, sei lá...

“Reveillon” em São Luís, nunca mais...

CCMM HOMENAGEIA CHEFE DO ESTADO MAIOR DA ARMADA
O Centro dos Capitães da Marinha Mercante homenageou, no último dia 14, no Hotel Guanabara, no Rio de Janeiro, o Chefe do Estado Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Julio Saboya de Araujo Jorge.

Compareceram ao evento altas patentes da nossa Marinha de Guerra, dentre elas o Almirante-de-Esquadra Arnaldo Leite Pereira, ex-Chefe do EMFA, nosso sócio honorário, além dos Almirantes de Esquadra Aurélio Ribeiro da Silva Filho, Comte. de Operações Navais e Diretor Geral de Navegação; Álvaro Augusto Dias Monteiro, Comte. Geral do Corpo de Fuzileiros Navais; José Antônio de Castro Leal, Diretor Geral do Pessoal da Marinha; Marcos Vinicius Oliveira dos Santos, Diretor Geral de Material da Marinha e Luiz Umberto Mendonça, Comte. da Escola de Guerra Naval.

Destacamos ainda a simpática presença da Senhora Rose Sabóia, viúva do saudoso Ministro da Marinha, Almirante-de-Esquadra Henrique Sabóia. Estiveram presentes também Presidente e juizes do Tribunal Marítimo; representantes da armação nacional como o Presidente da Transpetro, Hélio Machado, dirigentes sindicais como o Presidente do Sindmar, Severino Almeida, empresários, representantes de associações de classe e da classe marítima em geral, diretoria e associados do Centro dos Capitães e familiares..

No seu pronunciamento ao homenageado, o Presidente do CCMM, Capitão-de-Longo-Curso Álvaro José de Almeida Júnior, destacou a carreira do Almirante Saboya e analisou que o fato dele ter atingido o alto cargo que ocupa hoje, foi uma conseqüência de sua orientação familiar.

- “O Almirante Saboya pertence a uma família de marinheiros pelo lado materno e de poetas pelo paterno. O resultado dessa interação de DNAs resultou no fascínio pelo mar e no sucesso de sua carreira. Já não existem distâncias. O homem vai até aonde a sua inteligência alcança”- concluiu o Comte Álvaro.

Agraciado com uma placa comemorativa ao evento, o Almirante Saboya agradeceu emocionado.




CCMM HOMENAGEIA SECRETÁRIA DO SINDMAR (SETOR DE APOSENTADOS)


Com a presença de inúmeros associados e convidados, Presidência e Diretoria do Sindmar e seu setor de aposentados, capitaneado pelo nosso colega Mamede, o Centro dos Capitães homenageou, em sua sede, a Sra. Maria Helena Ferraz, ex-secretária do antigo Sindicato dos Oficiais de Náutica da Marinha Mercante e atual secretária do setor de aposentados do Sindmar.

Figura estimadíssima no meio dos oficiais mercantes, Dona Helena incorporou a amiga e às vezes mãe dos jovens oficiais que, ao procurar o sindicato, sempre a encontravam disposta a ajudar e orientar.



Os dizeres da placa oferecida à Dona Helena na ocasião pelo Presidente do CCMM, CLC Álvaro José de Almeida Júnior, é auto-explicativa:


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