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3. Pedro (Atos 9:32-12:25)
Lucas então, passou a se concentrar em Pedro e na propagação da Igreja em Jerusalém, Judéia e Samaria. Lucas registrou três eventos principais: 1- As obras poderosas de Pedro em Samaria (9:32); 2- Pedro e Cornélio (10:1-11:18) e 3- A prisão e a fuga de Pedro (12:1-25).31
3.1 As poderosas obras de Pedro (Atos 9:32-43)

Lucas relatou que o sacerdócio de Pedro se estendeu até a cidade de Lida e Jope. Pedro curou Enéias, um homem acamado há oito anos. Ele também curou uma mulher crente chamada Dorcas. Esses dois milagres levaram muitos a acreditar no evangelho. Em Atos 9:35-42, pode-se ler: "Todos os moradores de Lida e Sarona o viram, e eles se converteram ao Senhor... Ele se tornou conhecido em toda Jope, e muitos acreditaram no Senhor. E ficou em Jope por muitos dias com um certo Simão, o curtidor".



Lucas relatou também que Pedro exerceu seu poderoso ministério nas regiões de Samaria e Cesaréia, assim como ele fez em Jerusalém. Veremos mais tarde que Paulo exerceu o mesmo tipo de sacerdócio para os Gentios.
3.2. A interação de Pedro com Cornélio

A conversão na casa de Cornélio representa um passo importante para o progresso do evangelho aos gentios. Até este momento, o evangelho tinha sido pregado aos Judeus e aos prosélitos, e a extensão até Samaria era considerada como as "ovelhas perdidas de Israel" e o Eunuco Etíope era um prosélito. Cornélio não era nem judeu nem prosélito. Era um gentio temente a Deus. Esse fato representou uma etapa importante na pregação fora da Igreja e é necessário observarmos todo o contexto do momento para se ter um melhor entendimento de tudo.

A vida judaica era centrada em uma lei e em um templo, localizada em um único lugar - Jerusalém. A lei e o templo eram a base da vida social e religiosa, o que levou ao isolamento nacional. Judeus e gentios interagiam nos negócios, mas em outras relações sociais, como nas questões relativas à comida eles estavam separados. Além disso, algumas leis sociais mantinham as famílias isoladas e separadas. Johnson diz: "Isso era como uma fronteira separando a fidelidade dos crentes a Deus e a rebelião dos incrédulos contra Deus. Para ser um Israelita era preciso estar em aliança com o Deus; e assim para ser um não-israelita era preciso estar entre os inimigos de Deus" (122). Os judeus viviam nas áreas dos gentios, porém eram socialmente divididos. Essa divisão se dava a partir do preconceito que os judeus tinham em relação aos gentios. Era como se existisse uma parede separando os judeus dos gentios, nos aspectos religiosos e sociais (EF 2:14). A extensão dessa divisão era evidente, tendo em vista: a resposta de Pedro ao Senhor ("ele não comeria nenhuma coisa que fosse impura"). Essas foram as palavras de Pedro a Cornélio quando ele afirmou que era ilegal a um homem judeu comer com os gentios (10:28). Do mesmo modo, para horror dos judeus cristãos, que vieram a Pedro e o acusaram de comer com os gentios (11:3). Foi com base nesse princípio, que Pedro "retirou-se entre os gentios, apartando-se deles, quando os judeus de Jerusalém chegaram".(Gálatas 2:11-16).

Pedro foi capaz de superar este preconceito, somente quando percebeu a existência da ação direta de Deus na conversão de Cornélio. Deus preparou Pedro através de duas visões. E logo após essas duas visões, dois homens chegaram. Cornélio, conforme a instrução de um anjo, enviou os homens para encontrar Pedro. Enquanto a visão apontava para a comida, Pedro entendeu que o princípio também se aplicava aos homens (10:28). E mais uma vez, somente através destas ações diretas de Deus, Pedro conseguiu superar finalmente, a sua relutância e entender que Deus havia conduzido as pessoas.

Pedro pregou e enquanto estava pregando, o Espírito Santo desceu sobre os gentios (10:44). Somos informados que eles falaram em diferentes línguas, glorificando a Deus. Muitos judeus que estavam juntos com Pedro ficaram admirados. Pedro ordenou que os gentios fossem batizados em nome de do Senhor, já que haviam recebido o Espírito Santo, do mesmo modo que eles (judeus).

Lucas salienta os seguintes eventos para indicar que:

1- Deus estava levando o evangelho para os Gentios;

2 - Os Gentios não deveriam ser considerados impuros;

3 - As leis relacionadas à comida e ao cerimonial destinadas a separar Israel dos Gentios já não estavam mais em vigor;

4 - Essa verdadeira limpeza foi interna e forjada pelo Espírito;

5 - Qualquer gentio que tivesse a crença em Deus teria que ser batizado em nome de Cristo;

6 - Isso significava que os gentios juntamente com os judeus estavam em plena e igual comunhão com Deus e com os outros. Qualquer coisa que separasse os judeus dos Gentios deveria ser rejeitada. Agora, através da graça, judeus e gentios haviam sido salvos, viviam e estavam associados a Deus e uns aos outros. Mais tarde, Pedro contou este incidente para o Conselho em Jerusalém, e declarou que: "Nós acreditamos que através da graça do Senhor Jesus Cristo nós seremos salvos da mesma maneira que eles" (15:11).


3.3 A morte de Tiago e a prisão de Pedro

Lucas começa o relato da sua própria história, falando sobre o Rei Herodes. O Rei Herodes era neto de Herodes, o grande. Os romanos fizeram dele um rei. Não era popular, mas como desejava ganhar crédito com os judeus, atacou a Igreja. Ele primeiro atacou Tiago (James), o irmão de João (9:2). Depois de perceber que isso agradou aos judeus (não está claro porque motivo isso agradou os judeus), ele prendeu Pedro, com a intenção de matá-lo após a Páscoa.

Pedro foi libertado da prisão na noite anterior ao dia que seria executado. Lucas salienta a natureza milagrosa da sua libertação. Embora, estivesse sendo vigiado por dois guardas, Pedro conseguiu escapar, passando por mais de dois guardas na porta, e alcançando depois o portão principal da prisão, ele fugiu. Milagrosamente, um anjo ajudou Pedro, que desapareceu ao alcançar a rua. Lucas comenta que a razão para a libertação de Pedro foi uma fervorosa oração feita pela Igreja (12:5). Apesar da oração ter sido fervorosa, não foi perfeita, já que os apóstolos não acreditavam que Pedro havia escapado (12:15). Pedro então, foi encontrar Maria, a mãe de João, cujo sobrenome era Marcos. Esse João Marcos era o mesmo que foi mencionado, mais tarde junto a Barnabé e pelas epístolas de Paulo. Pedro, então, enviou um relatório a Tiago e desapareceu.

A história mostra que a natureza da vida cristã em Jerusalém havia terminado, em particular aquela, que no início, os apóstolos haviam adquirido da população. Eles agora viviam com medo. Embora a Igreja já estivesse espalhada, ainda foi possível para os apóstolos permanecerem em Jerusalém, até o momento que sentissem a necessidade de se mudar. A igreja de Jerusalém ainda era o alicerce do cristianismo, mas agora, era uma igreja em constante ameaça e perseguida. Por alguma razão, Tiago, o irmão de Jesus, parecia ser uma exceção a esse fato.



4. Tiago, o irmão de Jesus e a Igreja de Jerusalém
Lucas escreveu que, quando Pedro ficou fora da prisão, ele enviou uma mensagem para Tiago. Existem duas mensagens importantes para Tiago em Atos. Havia dois discípulos: Tiago, o irmão de João, e Tiago, o irmão de Jesus. Tiago, irmão de João, foi morto em Atos 12:2. Em Atos 12:17, Tiago, o irmão de Jesus é mencionado.

Tiago era o irmão do Senhor Jesus. Ele viu Jesus depois da ressurreição (1 Coríntio 15:7). Paulo se encontrou com ele em sua primeira viagem a Jerusalém (Gálatas 1:19) e chamou-lhe de um dos pilares da Igreja (Gálatas 2:9). Curiosamente, foi Tiago, e não Pedro, que se tornou o líder da Igreja em Jerusalém. No Concílio de Jerusalém era Tiago quem apresentava mais argumentos e sabia concluir as discussões (15:13ss). Quando Paulo voltou para Jerusalém após a sua terceira viagem missionária, ele foi ver Tiago (21:18). Tiago parecia ter mantido um bom relacionamento com os judeus em Jerusalém. Nas notas de Bruce (239), vemos que ele continuou no templo e orou pela cidade regularmente. E acabou sendo morto, apedrejado pelo sumo sacerdote Ananias II em 62 d.C.



CONCLUSÃO
Nesta lição vimos que a perseguição da Igreja provocou uma poderosa expansão da Igreja de Jerusalém para a Judéia e Samaria. Os sinais e os prodígios acontecidos em Jerusalém deram testemunho do evangelho, e assim estes mesmos sinais e maravilhas acompanharam o Evangelho pelas viagens para Judéia e Samaria, através do Ministério de Filipe, e principalmente pelo de Pedro.

RESUMO
A perseguição da Igreja conduziu a uma forte expansão. Quando Felipe e os outros fugiram, eles compartilharam do evangelho. Essa expansão conduziu muitos fiéis à salvação. O evangelho se espalhou por Samaria. No caso do Etíope Eunuco, Lucas salientou que o evangelho trouxe o surgimento de uma nova ordem. Outro passo importante ocorrido foi a conversão de Paulo e a sua incumbência para ser um apóstolo para os Gentios. Pedro continuou o testemunho da Igreja, expandindo o evangelho para Cesaréia. A conversão de Cornélio representou o primeiro temente a Deus a ser convertido. Ele não precisou se tornar um judeu antes, mas foi salvo somente pela fé.

LIÇÃO 4. Questões:
1. Por que o Apóstolo teve que colocar as mãos sobre os samaritanos para que eles recebessem o espírito?

2. Cite duas lições da história da conversão do Eunuco Etíope.

3. Quais foram as palavras ditas por Jesus a Paulo na estrada de Damasco?

4. O que Bruce quis dizer quando mencionou que a teologia de Paulo foi reorganizada?

5. Como a experiência de Paulo está relacionada com seu desenvolvimento teológico?

6. O que Donnelly disse que Paulo estava fazendo por 15 dias em Jerusalém?

7. "Os anos perdidos" de Paulo se referem a qual período?

8. Por que os Judeus não comiam com os Gentios?

9. O que aconteceu na casa de Cornélio?

10. Qual a conclusão de Pedro em Atos 15, sobre a experiência de Cornélio?




LIÇÃO 5. A MISSÃO DE PAULO NA GALÁCIA (PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA)
Nesta lição vamos ver a segunda metade do livro de Atos. A idéia principal dessas seções será abordar as viagens missionárias de Paulo, iniciadas primeiramente a partir da poderosa missão cosmopolita da Igreja em Antioquia. Paulo e Barnabé foram escolhidos e encarregados pela Igreja. Eles viajaram através de Chipre e Galácia, fundando Igrejas e, em seguida, voltaram para Antioquia. Logo após seu retorno, os judeus cristãos (da seita dos fariseus) vieram de Jerusalém e disseram que nas novas igrejas, os fiéis teriam que ser circuncidados. Paulo e a Igreja em Antioquia contestaram a idéia e, assim, Barnabé e Paulo foram enviados ao Conselho de Jerusalém. O Conselho rejeitou os judaizantes e declarou, claramente que os gentios somente deveriam ser aceitos e totalmente integrados à Igreja através da fé.

A lição possui três partes: em primeiro lugar, vamos falar sobre a Igreja em Antioquia, em segundo lugar, vamos considerar a viagem missionária para Galácia, e em terceiro lugar, vamos falar sobre o desafio dos judeus e do Conselho de Jerusalém.


1. A Igreja em Antioquia
A cidade romana de Antioquia situa-se na Síria. Foi a terceira maior cidade do Mundo Romano (Pollock 62). Era um lugar de comércio, cultura e aprendizagem. Foi uma cidade cosmopolita, um lugar onde o mundo oriental conheceu o mundo ocidental.

A Igreja de Antioquia ocupava um lugar único na história da Igreja. Foi a primeira a ter uma missão ativa baseada na Igreja. A missão anterior e a expansão vinda de Jerusalém foram impostas à Igreja primitiva pela perseguição de Estevão, mas em Antioquia, a missão da Igreja foi um ato deliberado. Antioquia tornou-se o novo centro para a expansão da Igreja. Além disso, os discípulos pela primeira vez foram chamados de cristãos em Antioquia (11:26).


1.1. A história da Igreja

Antioquia tinha uma forte comunidade judaica. Muitos cristãos espalhados pela perseguição de Jerusalém acabaram indo para lá. Houve também um número de judeus de Chipre, que começaram a falar a palavra aos outros judeus, "Hebraístas". Alguns desses judeus de Chipre e de Cirene levaram o evangelho para os Helenistas (11:19-20). Estes eram os judeus que cultuavam a Deus usando a língua grega e os costumes, ao invés de lerem as Escrituras Hebraicas e falarem Aramaico (6:1-7). A Igreja então, se preocupou em aumentar a conversão dos gentios (Bruce 227). A Igreja em Jerusalém ouviu falar desse trabalho e enviou Barnabé como seu representante (11:22).

A nova Igreja, então, tornou-se cosmopolita. Havia uma mistura de Hebraístas, Helenistas, homens de Jerusalém, Barnabé, Ágabo, o profeta e outros de Chipre e Cirene. Pela segunda vez, Barnabé, que era de Chipre procurou por Paulo, o encontrou em Tarso, e trouxe-o para Antioquia. Eles ministraram em Antioquia por um ano (11:26) e foram nomeados pela Igreja como representantes para socorrer os fiéis da grande fome que haveria em Jerusalém (11:26-30, 12:25).
1.2 A característica da Igreja

Cada Igreja tinha uma característica. Donnelly argumenta que a Igreja de Antioquia tinha quatro características particulares, que a tornavam adequada para a missão: ela era cosmopolita, caridosa, crescente e talentosa. Cada aspecto contribuiu para a missionária visão de Paulo.


1.2.1 Uma igreja cosmopolita

Antioquia era a capital da província da Síria. Foi uma grande Igreja e foi fundada por

Gregos de Chipre. A Igreja era uma mistura de gregos, cipriotas e judeus. A natureza cosmopolita da Igreja significava que estava aberta às idéias estrangeiras, a missão dos gentios.

1.2.2. Uma igreja em crescimento

A Igreja estava crescendo. Em Atos 11:21 nos dizem: "a mão do senhor estava com eles, e um grande número de pessoas acreditaram e viraram para o Senhor". O Senhor abençoava a todos pelos seus esforços e isso o levou a usá-los em esforços maiores em todo o mundo. A missão era um produto natural, um fluxo natural de crescimento da Igreja, e não algo que acontecia de maneira forçada dentro da Igreja.


1.2.3. Uma igreja caridosa e compassiva

Para aqueles que necessitavam, sempre uma ajuda era fornecida. Em Atos 11:29-31 Ágabo profetizou que haveria uma fome. A Igreja enviou ajuda para Jerusalém. Barnabé e Paulo lideram essa viagem (Atos 11:30).


1.2.4. Homens talentosos

Havia muitos homens talentosos na Igreja. Profetas e professores foram mencionados (13:1). É importante notar que Barnabé foi mencionado como um profeta antes de Paulo, o qual foi mencionado por último.32 E como havia um bom número de talentosos, dotados e habilidosos homens, eles poderiam ser enviados ao exterior sem causar um enfraquecimento da igreja. Em Atos 13:1 nos dizem: "Agora havia na Igreja de Antioquia profetas e professores; Barnabé, Simão (ou Simeão), que foi chamado de Níger (Negro), Lúcio, cireneu, Manaém, um membro de Tribunal de Herodes, o tetrarca, e Saulo". 33


1.3. A missão da Igreja, o Espírito e o chamado de Cristo: Barnabé e Saulo enviados em missão

Sob a orientação do Espírito, a Igreja de Antioquia foi a primeira a enviar um missionário: "Enquanto eles estavam adorando ao Senhor e jejuando, o Espírito Santo Disse: Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado" (Atos 13:2). A Igreja, o chamado apostólico de Deus (9:15) e o Espírito trabalharam todos juntos. O Espírito trabalhou na e através da Igreja para realizar seu trabalho. No entanto, vemos que nem o Apóstolo Paulo, nem o Espírito Santo agiram de maneira independente (13:1). O mesmo ocorreu com o chamado de Timoteo para o Ministério em Atos 16:1, 1Timóteo 4:14 e 2 Timóteo 1:14. A autoridade para o exercício da missão vem de ambos: do Espírito Santo e da Igreja.

O Espírito Santo escolhia os homens que achava serem adequados para a missão. Tanto Paulo como Barnabé foram escolhidos e eram líderes experientes da Igreja (13:1). Eles também eram de origem grega e judaica. Paulo era um cidadão romano de Tarso, educado dentro do pensamento grego e judaico. Paulo já possuía experiência missionária na Arábia e Tarso (9:20-25 e 11:1ss). Barnabé era um judeu, de Chipre, com experiência em Jerusalém e no mundo grego. Esses dois homens foram considerados apropriados para o trabalho que deveriam fazer. Deus preparava e escolhia os candidatos adequados e com a habilidade necessária para fazer o trabalho em seu nome. Se o candidato não tivesse dom próprio, era improvável que ele fosse chamado para esse tipo de missão.
2. A primeira viagem missionária
A primeira viagem missionária começou com a viagem para Chipre. Depois, a missão mudou-se para a Galácia e ficava indo e voltando para Antioquia. Paulo, então percorreu seus passos. A sua primeira viagem missionária, embora essencial, foi a mais curta das três. Com o passar do tempo, Deus guiou Paulo para frente e para o exterior na sua estratégia missionária. Paulo prosseguiu estabelecendo estradas e rotas de viagem, e se concentrando nas cidades. Como Deus foi abrindo-lhe portas, ele fundou Igrejas. Ele instruía as Igrejas da melhor maneira que podia e, em seguida, como em muitos casos, ele era obrigado a fugir por causa da perseguição. Paulo, depois de um tempo voltava às Igrejas, a fim de fortalecê-las.

O grupo era formado por Barnabé, Paulo e João Marcos. João Marcos, que talvez tenha escrito com base nos relatos de Pedro (O Evangelho de Marcos), era primo de Barnabé e foi testemunha dos eventos em Jerusalém. Muitos pensam que Marcos foi o único que seguiu Jesus no Jardim do Getsemani e que fugiu nu.


2.1. Chipre
2.1.1. A ligação entre Antioquia e Chipre

A primeira viagem de missão começou na ilha de Chipre. Todavia, não se sabe, por que Chipre foi escolhida, mas, sabe-se que existia uma estreita relação entre Antioquia e Chipre (Barnabé e muitos outros eram de Chipre) e assim, Chipre acabou sendo a primeira parada. Eles provavelmente sentiram que tinham uma dívida para com a sua pátria.


2.1.2. O trabalho e a missão em Chipre

O grupo desembarcou em Salamina, no leste de Chipre e trabalhou em Pafos, que ficava na direção oeste. Lá eles começaram a pregar para os judeus e nas sinagogas.34

Paulo sempre se dirigia primeiro para os judeus e depois para os gentios (9:20; 13:5, 14, 46; 14:1). A reunião da sinagoga começou com um convite para adoração e oração. Em seguida, houve uma leitura feita pelos Pentateuco e pelos profetas, seguido pelo discurso proferido por um capacitado membro da Congregação, o governante da sinagoga controlava quem faria o discurso. A Congregação era uma mistura de judeus, prosélitos e os tementes a Deus (ver Lição 1, 3.1.3) (13:16) (Bruce 252, 264). Judeus e prosélitos eram respeitados, mas em regra, os tementes a Deus eram tolerados, mas, na verdade, não eram reconhecidos. Qualquer rabino (Paulo era um rabino) tinha o direito de falar nessas reuniões. Paulo usava esse direito como um ponto de contato em suas missões.

No norte, eles encontraram oposição através de Elimas Bar-Jesus, que tentou bloquear a conversão de Sergio Paulo, um importante aristocrata romano e procunsul.35 Esta é primeira vez que vemos Paulo usando seu poder apostólico e também é o primeiro exemplo do evangelho penetrando no coração do mundo romano.

A conversão de Paulo mostrou o poder de Deus e o sucesso imediato do evangelho nas mais altas esferas da sociedade romana. Isso foi um grande incentivo para eles. Se Deus conseguiu converter um homem como Paulo, ele pode converter qualquer um.36
2.1.3 Saulo torna-se Paulo, o líder da missão

A vinculação de Chipre com Bar-Jesus (um falso profeta) transformou Paulo em um pré-eminente missionário. Lucas começou a missão dizendo que Barnabé e Saulo deveriam ser trazidos de Antioquia. E Lucas manteve esta ordem quando eles chegaram em Pafos, Chipre. (13:2, 7). A partir desse ponto Lucas falou sobre Paulo e seu grupo: agora Paulo e seus companheiros partiram de Pafos e chegaram a Perga, na Panfília (13:13). Isso foi importante por duas razões: Primeiro porque Paulo emergiu como o líder do grupo. Isso foi um chamado de Paulo como apóstolo e assim era natural que ele tivesse primazia. Ele também deve ter refletido sobre sua força e capacidade de liderança. Teve um papel importante no incidente com Elimas, o Feiticeiro (13:6-12). Observamos também que Lucas mudou o nome de Saulo para Paulo (ver 13:9). Saulo era seu nome judeu, mas como um cidadão romano, Paulo teria tido três nomes. Donnelly observa que Paulo era seu sobrenome Romano. Saulo, o judeu tornou-se Paulo, o missionário em um mundo romano não judeu. Isso era semelhante a Abram, tornando-se Abraão durante o seu grande trabalho e Simão tornando-se Pedro e tendo Cristo construindo a Igreja a partir da sua confissão. Desde esse momento em diante, Lucas e Pedro passaram a chamar Saulo, de Paulo e, além disso, Paulo sempre chamava a si mesmo de Paulo em todas as suas epístolas.



2.2. Antioquia da Pisídia: Primeiro para os Judeus, e depois para os Gentios.
2.2.1. Pregação no sul da Galácia

Esta pregação foi um grande avanço. Podemos supor que o evangelho já havia sido pregado em Chipre devido às relações entre Chipre e a Igreja de Antioquia, porém o evangelho ainda não tinha sido pregado na Ásia. E esta foi uma missão perigosa na fronteira, uma área que não estava totalmente sob o controle romano. Eles teriam que caminhar desde o litoral até as montanhas por estradas bem difíceis (Conybeare 129, Pollock, 76). Marcos os deixou na costa e voltou para Jerusalém. Nesta fase Lucas não nos diz o porquê.


2.2.2. Antioquia da Pisídia

Eles chegaram à cidade de Antioquia da Pisídia, uma cidade de fronteira romana (um posto militar) que foi estabelecida para impedir ataques de tribos assaltantes da área. Quando Paulo chegou lá, percebeu que a cidade tinha uma forte presença romana.


2.2.3. A evangelização Judaica

Paulo começou por evangelizar os judeus. Embora ele fosse um missionário para os

Gentios, ele trouxe sua mensagem para os judeus em primeiro lugar e, em seguida, para os gentios (veja Romanos 1:16, 9:1-5). O evento mostra o método de evangelização típico de Paulo. Ele começou falando aos judeus primeiro. Enquanto alguns o aceitaram, a maioria rejeitou sua palavra e o perseguiu. Esse padrão se repetiu ao longo do trabalho missionário de Paulo.

Lucas registrou o sermão de Paulo com grandes detalhes (13:16-41). O sermão mostra a abordagem de Paulo aos judeus. E pelo fato de ele estar pregando para aqueles que conheciam as Escrituras, Paulo baseou seus argumentos a partir dessas Escrituras, particularmente, daquelas escrituras que falavam da vinda de Cristo. O sermão mostra também que quando Paulo pregou aos judeus, ressaltando que as promessas do Antigo Testamento foram cumpridas em Cristo.37 O sermão de Paulo foi adaptado para o público judeu e foi considerado um modelo para a evangelização judaica.

O sermão divide-se em três partes. Paulo começou falando sobre as ações históricas do relacionamento de Deus com os judeus (13:17-22). Em seguida, ressaltou que Cristo representa o cumprimento do Velho Testamento (13:23-37) e finalmente, desafiou os ouvintes para aceitar ou rejeitar a Mensagem. O principal ponto da mensagem de Paulo era entender que Deus (a partir da família de Davi) levantou o "Salvador Messiânico", e que seu nome era Jesus. Quando pregou para os judeus, Paulo terminou o sermão com uma aplicação direta. Ele ofereceu o perdão de Cristo, o qual não estava disponível por meio da Lei de Moisés (38, 39). Salientou também que este evangelho, agora, estava sendo mostrado para as nações como havia sido profetizado. O período de exclusivismo judaico estava para acabar. E ele conclui avisando aos ouvintes que eles não deveriam rejeitar o evangelho (13:40, 41).
2.2.4 A rejeição e a hostilidade dos judeus

Apesar de poucas pessoas acreditarem, a maioria dos judeus rejeitou a Palavra de Deus. Parece que Paulo permaneceu em Antioquia por alguns meses (Atos 13:49). Quando a rejeição virou perseguição e expulsão da região, Paulo sacudiu "a poeira dos seus pés" (13:51). Esse acontecimento foi bem significativo. Paulo não estava apenas irritado, o fato dele "sacudir a poeira dos seus pés", representava um sinal de maldição, onde Deus faria seu julgamento e eles já não seriam mais o povo da Aliança de Deus. Eles foram excomungados. Até o pó sobre seus pés foi amaldiçoado e rejeitado por Deus (Lucas 9:5, 10:11, Atos 18:6). Ao fazer isso, Paulo deixou claro para os judeus incrédulos que eles tinham sido rejeitados. Esse evento foi ainda mais ofensivo, pois vinha de um missionário cristão. As ações de Paulo estavam dizendo que Deus já não era mais o Deus dos judeus; Ele era agora, o Deus dos cristãos e os judeus seriam expulsos, a menos que eles o seguissem.




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