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O autotestemunho de Paulo no papel de perseguidor



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3.3. O autotestemunho de Paulo no papel de perseguidor

Também nos ajuda se observarmos o testemunho de Paulo com relação à sua perseguição. Paulo disse em Gálatas 1:13: "Para vós que ouviste falar da minha vida no judaísmo, e de como persegui a Igreja de Deus, violentamente, e de como tentei destruí-la".



Donnelly comenta que a palavra "violentamente" pode também ser interpretada como: "Além da medida". E ela foi extrema em todos os sentidos. Eadie comenta este versículo afirmando: "seu fervor permeou cada esfera de sua vida e trabalho. Ele não poderia ser morno, tanto na perseguição como no estudo. E dedicou toda a sua alma a essa perseguição".

A perseguição era hostil e real e em alguns momentos Paulo lamentou amargamente (1 Cor. 15:9). Ele resumiu e definiu sua conduta em três palavras, em 1Timoteo1: 13; ele disse: "Antigamente eu era um blasfemo, perseguidor e insolente opositor" do evangelho.

Saulo, verdadeiramente, acreditava que estava fazendo as coisas certas na sua perseguição. Em Atos 26:9, ele declarou: "Eu mesmo, estava convencido de que deveria fazer muitas coisas em oposição ao nome de Jesus de Nazaré". Em Filipenses 3:6, falou de seu zelo, o qual usou para perseguir a Igreja. Saulo olhou para sua perseguição como sendo uma prova de que ele era um bom judeu e um seguidor de Deus. Quanto mais ele atacava a Igreja, mais ele pensava que era um seguidor de Deus.
3.3.1. O entendimento de Paulo sobre sua perseguição

Paulo salientou duas questões dentro da reflexão sobre sua perseguição. Em primeiro lugar, ele tinha um profundo e sincero arrependimento pelas suas ações e em segundo lugar, ele enxergou sua conversão como um exemplo e como um padrão de graça.


3.3.2 O arrependimento de Paulo

Paulo lamentou profundamente o sofrimento que causou e ele expressa isso em 1Coríntios 15:9: "Eu sou o menor dos Apóstolos e indigno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus". E da mesma forma, em Efésios 3:8 (tradução literal): "A mim, o mínimo de todos os Santos". Esta é uma figura de linguagem, mas mostra o próprio entendimento de Paulo sobre o que acontecia. Eadie observa que no idioma grego o "Eu sou" é realçado, para se enfatizar a posição de Paulo. Mas Eadie ainda observa que para o grego isso seria gramaticalmente impossível. Paulo usou então, um comparativo, baseado no superlativo "menos do que o mínimo"; como uma forma de expressar uma profunda humilhação de si mesmo.22

Donnelly observa que um dos motivos pelo qual Paulo estava tão preocupado com os pobres e viúvas se deve ao fato dele se sentir responsável por ter causado pobreza e viuvez para esses fiéis. Também podemos notar uma comparação entre o arrependimento de Paulo e a vergonha e o arrependimento de Pedro por ter negado Cristo.

3.3.3 Paulo - um padrão ou modelo da graça de Deus

Paulo percebeu a sua maldade e a graça de Deus dentro dele como um exemplo poderoso da graça de Deus. Ele declarou em 1 Timóteo 1:16: "Mas eu alcancei misericórdia por isso, para que em mim, antes de tudo, Jesus Cristo mostrasse sua paciência perfeita, para exemplo daqueles que haviam de crer nele para a vida eterna".


3.4 Razões para o ódio de Paulo e a rejeição de Cristo e da Igreja.

Bruce (Paulo 70,71) argumenta que a oposição de Paulo era baseada em dois fundamentos:

Primeiro, ele prezava a Lei e a tradição dos anciãos. Em Gálatas 1:14, Paulo disse: "E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais". E ainda falou sobre isso em Filipenses 3:5 dizendo: "quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da Igreja e quanto à justiça, dentro da lei, irrepreensível".

Segundo, ele estava convencido de que Jesus não poderia ser o Messias e qualquer um que afirmasse que Jesus era o Messias seria culpado de blasfêmia. Sua condenação foi baseada no fato de que a vida de Cristo e a sua morte não pareciam estar em conformidade com o padrão do Messias. Para os judeus, o Messias seria uma benção de Deus e não uma maldição (Is, 11:2) e as Escrituras ensinam que Deus amaldiçoou qualquer um que morresse enforcado e pendurado em uma árvore (Deuteronômio 21:23). Desde a sua crucificação, Jesus, teve que ser amaldiçoado por Deus, e não abençoado. E para Saulo, sendo um judeu, a morte de Jesus do modo como ocorreu foi um escândalo. Ele afirmou em 1Coríntios 1:23: "Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é um escândalo para os judeus e loucura para os Gentios". Somente mais tarde, Paulo percebeu que a glória do Messias era tirar os pecados de seu povo.


CONCLUSÃO
Conforme a Igreja se expandia, a perseguição também aumentava. O sermão de Estevão foi um marco importante na mudança dos acontecimentos. Paulo liderou a perseguição na Judéia e Samaria até a sua conversão.

RESUMO
A Igreja primitiva foi fundada em Jerusalém. Os ensinamentos dos discípulos desafiaram a estrutura de poder do Sinédrio no templo. A perseguição no início era leve, somente com ameaças e prisão, mas em pouco tempo passou a realizar espancamentos. Estevão foi apedrejado e Saulo, então liderou um ataque violento na tentativa de destruir a Igreja. Sua perseguição começou em Jerusalém e na Judéia e depois se espalhou para regiões vizinhas.


MÉTODO INDUTIVO: [Extrair informação do texto bíblico]

Textos de referencia. Como outros textos influenciam a nossa leitura do texto?

1.1 (etc.)




Explicação de informações importantes no texto:

-Palavras-chave e definições:

-Observações gramaticais: (estrutura das frases, leituras variantes)

-Figuras de linguagem: (comparações, associações, representações)

-O texto, explícita ou implicitamente, diz alguma coisa sobre Deus e sobre a salvação?

-Método de tradução utilizado:

-Há diferenças entre as versões da Bíblia? Quais são elas?

-Autoria humana. Como podemos saber?

-Em que ocasião o homem foi solicitado a escrever?

-Público original para leitura. Por que eles leriam o texto?

-Contexto geográfico:

-Contexto social e cultural:

-Contexto histórico:

-Contexto religioso:

-Em suas próprias palavras, o que o texto diz e qual o significado?


Comentários:



EXPLICAÇÃO EXPOSITIVA. Em ordem cronológica, identificar os principais ensinamentos do texto em estudo.

1.

2.



3.

(outros)




CONSIDERAÇÕES LITERÁRIAS

-Gênero literário: (evangelho, história, leis, parábola, poesia, profecia, provérbio, etc).

-como o texto está relacionado aos outros textos vizinhos?

-como o texto se relaciona ao tema do capítulo e de qual livro provem?




MÉTODO ANALÍTICO. Qual é a tese principal, antítese, síntese e sincretismo do texto?



MÉTODO DEVOCIONAL DE ESTUDO. Como o texto ajuda a adorar Deus, a confessar os pecados, dar graças a Ele e servi-lo?


LIÇÃO 3. Questões:
1. Como o Sinédrio reagiu à pregação de Pedro?

2. Os problemas vieram somente de fora da Igreja?

3. O que era um helenista?

4. Qual foi o ataque de Estevão no templo em Jerusalém?

5. O que Estevão disse que seus pais haviam feito aos profetas?

6. Quais as duas coisas que fizeram Estevão orar por sua morte?

7. Paulo estava presente na morte de Estevão?

8. Qual foi o papel de Paulo no inicio da perseguição da Igreja?

9. Paulo lamentou sua perseguição? Cite exemplos com base nas Escrituras.

10. Cite dois motivos para a rejeição de Paulo em relação a Jesus como o Messias.




LIÇÃO 4. A EXPANSÃO DA IGREJA NA JUDÉIA E SAMARIA (ATOS 8-12)

Esta lição trata do crescimento da Igreja. O martírio de Estevão não impediu o cristianismo, apesar dos discípulos terem sido espalhados, eles não perderam sua fé e seu testemunho. Esses discípulos viajaram para o exterior, para a Judéia, Samaria e até a Antioquia cumprindo a promessa de Deus em Atos 1:8: "O Evangelho irá de Jerusalém para Judéia e Samaria, e até mesmo os confins da terra". (Em Atos 11:19 nos dizem que eles foram até a Fenícia e Síria.) Durante a viajem, os discípulos davam o seu testemunho e muitas pessoas eram convertidas. O ponto central é que a perseguição não destruía a Igreja, pelo contrario, a perseguição levou ao crescimento e ao triunfo da Igreja no plano de Deus. Observemos a expansão da Igreja de três modos: a expansão na Judéia e Samaria, a conversão de Paulo e as atividades da missão de Pedro.


1. Judéia e Samaria (Atos 8)
1.1. O evangelho em Samaria

Lucas iniciou seu relato falando de Felipe, o Evangelista, um dos sete escolhidos pela Igreja em Atos 6, para ministrar aos santos (Taylor 10). Entre os "dispersos" depois da morte de Estevão, Felipe saiu pregando a palavra (8:4), e levou o evangelho a Samaria e até Cesaréia (8:40). Os samaritanos eram singulares, pois não eram Gentios, mas foram considerados "as ovelhas perdidas das tribos de Israel" (Marshall 153, citando Jervell, 113.132). Assim como a pregação em Jerusalém, os sinais e maravilhas fizeram parte da pregação aos samaritanos através da remoção dos espíritos sujos. Os coxos e os paralíticos foram curados e houve muita alegria. Muitos passaram a crer em Deus e foram batizados.

Depois da chegada do relatório sobre esses eventos aos discípulos em Jerusalém, eles enviaram João e Pedro para investigarem essa questão. Lucas mencionou, em particular, um estranho evento sobre o Espírito Santo. Em Atos 8:14-17 ele afirmou: "Agora quando os apóstolos em Jerusalém ouviram que Samaria recebera a palavra de Deus, mandaram para lá, Pedro e João, os quais tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo, porque ainda não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas eles só tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então lhes impuseram as mãos sobre, e receberam o Espírito Santo".

Lucas disse que eles acreditaram e foram batizados, mas ainda não tinham recebido o Espírito Santo. O Espírito seria concedido somente quando os apóstolos fossem investigar o trabalho da Igreja.23

Não está claro, porque Lucas disse isso. Marshall sugere que "Deus reteve o derramamento do Espírito, até o momento da vinda de Pedro e João, a fim de que os samaritanos pudessem ser vistos no momento da completa incorporação deles no círculo dos cristãos de Jerusalém, que já haviam recebido o Espírito Santo no dia de Pentecostes" (88, citando Lampe 70-72). Lucas menciona que Pedro e João não adicionaram nenhum ensinamento novo e nem pregaram para eles; em vez disso, eles oraram para que o Espírito Santo fosse concedido a eles. Marshall argumenta que Cornélio teve a mesma experiência quando o Espírito Santo caiu sobre ele em Atos 10. O caso de Cornélio mostra que Deus o havia aceitado, um Gentio, e consequentemente mostram a aceitação de Deus. Lucas incluiu este evento para salientar que os Samaritanos já não eram hereges ou ovelhas perdidas; eles agora eram membros da Igreja.
1.2 A conversão do Eunuco Etíope

A conversão do Eunuco Etíope é importante por várias razões:

Primeiro porque podemos observar o controle soberano de Deus no evento. Deus guiou Felipe "através do anjo". Nos dizem também que o espírito o guiou (8:29) e que após o evento, o Espírito o levou embora (8:39). E porque Deus usou o espírito e anjo, ao invés de um ou outro, não está claro, mas de todo modo, estes eventos extraordinários mostram o controle soberano de Deus neste acontecimento. O espírito trouxe Felipe até o eunuco no momento ideal para que ele lhe explicasse o Evangelho, quando o eunuco estava lendo sobre o sofrimento do servo em Isaías 53.

O Eunuco era um prosélito, um grego seguidor do modelo judaico. Lucas o incluiu como um representante, uma figura significativa entre os gentios, a quem Deus converteu para levar o Evangelho até os confins da terra. O Eunuco mostra que Deus abençoa aqueles que o temem de todas as nações (10:34).

A conversão do eunuco indicou que uma nova ordem foi instigada em Cristo. Embora o eunuco era um prosélito e havia viajado para Jerusalém e o Templo, ele não poderia entrar no templo. Eunucos eram impedidos de adoração íntima e ao acesso a Deus pelo antigo testamento. Deuteronômio 23:1declara: "Ninguém cujos testículos são esmagados ou cujo órgão masculino é cortado entra na Assembléia do Senhor". O Espírito guiou Felipe, naquele momento, no verdadeiro Templo de Deus para que se juntasse a ele (6:3, 8:29). O espírito passou a residir no eunuco de uma nova maneira. E devido a isso, ele era um novo templo. Isso era um cumprimento de Isaías 56: 3-8.24 Estes versículos são cumpridos na vinda de Cristo. Ao invés de ser impedido de entrar do templo, e pela obra de Deus nele, ele tornou-se sacerdote na casa do Senhor (1 Pedro 2:9). Uma nova ordem da salvação, concedida pelo espírito para todos, os novos judeus, os gentios, o manco e os deformados havia chegado.

Finalmente, Marshall observa que este versículo faz um paralelo com o evento dos dois homens na estrada de Emaús (Lucas 24). Nesse caso, Jesus abriu os olhos dos discípulos para o entendimento das Escrituras. E Felipe ajudou o Etíope a compreender. O ponto chave é que as Escrituras do Velho Testamento não podem ser entendidas sem uma chave para destravá-las. Felipe, como um evangelista, ajudou o eunuco a compreender as Escrituras, dirigindo-o para Cristo.


2. A conversão de Paulo (Atos 9:1-31, 22:7ss, 26:14ss)
A conversão de Paulo foi surpreendente. Saulo estava viajando a caminho de Damasco em sua perseguição à Igreja quando, no final de sua jornada, ele foi "preso por Cristo" (Fp 3:12).25 A conversão de Paulo foi registrada em Atos 9:1-31 e referida por Paulo em Atos 22:7s e em Atos 26:14ss. Podemos considerar também as referencias em Gálatas 1 e Efésios 3:7-9.


2.1 A revelação de Jesus

Enquanto Paulo estava viajando, ele ficou cego, atingido por uma grande luz e ouviu uma voz: "Continuando no seu caminho, se aproximou de Damasco e de repente surgiu uma luz do céu que piscava em torno dele. E caindo no chão ele ouviu uma voz dizendo-lhe:" Saulo, Saulo, por que me persegues?" E ele disse: "quem és tu, Senhor?" E ele respondeu: "Sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levante-se e entre na cidade, e você saberá o que fazer. Os homens que viajavam com ele ficaram sem palavras, ouviram a voz sem ver ninguém (9:3-7)".

Saulo ouviu uma voz e viu uma grande luz, dois pontos marcantes da revelação divina no Antigo Testamento (2 Coríntios 4:6). Cristo lhe falou em aramaico, sua linguagem religiosa judaica, e lhe chamou pelo nome, duas vezes: "Saul, Saul" (26:12). Nas Escrituras é comum repetir o nome para dar ênfase. Deus chamou Moisés na sarça incendiada, repetindo seu nome. Donnelly nota que na verdade, isso seria um termo de ternura como Martha, Martha. E concluindo, Deus chamava carinhosamente seus discípulos.

Saulo respondeu chamando-lhe de SENHOR. Como vimos na Lição 1, o nome não implica em divindade, mas certamente aponta para ela.

Jesus, então, lhe disse: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues". Embora não tenha havido nenhuma referência direta à divindade, está claro que se trata de uma declaração de que: 1- Jesus foi ressuscitado por Deus (e assim o Messias) e 2- O "eu sou", aponta para a divindade. E isto se nota também quando Deus usou Moisés na sarça incendiada. Nesse exemplo, havia uma luz, uma voz e o clamor do "eu sou", assim como a reputação do nome de Moisés dado por Deus.

Paulo interpretou este evento como a visão do Senhor ressuscitado. Em 1Coríntios 9:1 ele pergunta: "Não sou livre? Não sou um apóstolo? Não vi eu a Jesus, nosso Senhor?" E em 1Coríntios 15:8, ele alegou que Cristo lhe apareceu: "E por último de todos, como a um prematuro, ele apareceu também a mim".



O evento ocorrido foi muito importante na vida de Paulo. Ele já não podia mais negar a realidade de que Jesus não era amaldiçoado, mas sim, que esse Jesus que havia sido crucificado era também o Messias ressuscitado (26:14). E ele percebeu que em seu zelo ele se enganou, e que ao invés de defender a Deus, ele estava, na realidade, atacando o Messias de Deus e a Igreja de Deus. A ressurreição mostrou que Jesus foi reivindicado. E está no céu. Ele é o Messias, não é anátema. Ele é o Abençoado.

Jesus também fez uma ligação entre ele e a Igreja. E ambos tiveram a sua importância prática e teológica. Saulo nunca tinha visto o Cristo, mas mesmo assim, ele estava perseguindo sua Igreja. Teologicamente isso demonstrou para Paulo a ligação existente entre Cristo e sua Igreja. Praticamente ele mostrou que a perseguir a Igreja de Cristo para persegui-lo. E na prática isso demonstrou a ele que perseguir a Igreja de Cristo era o mesmo que perseguir a si mesmo.

Grande parte da teologia de Paulo pode ser direcionada para este evento: o amor de Deus por si próprio, enquanto os homens forem pecadores; o chamado soberano e a vontade de Deus para trazer os homens à fé (Gálatas 1:12-16); a união entre Cristo e sua Igreja e a centralização de Cristo em Paulo, tudo isso parecia estar direcionado para este evento. A conversão de Paulo foi um modelo para toda a sua teologia. E ele sabia que tudo isso estava ligado às leis das Escrituras do Velho Testamento, e, portanto, tanto as Escrituras, como suas experiências guiariam a sua Teologia.

A conversão de Paulo envolveu uma grande reorientação do seu pensamento e teologia. Bruce comenta que a mudança no pensamento de Paulo, observando-se o acontecimento na "Estrada de Damasco" centralizou a teologia de Paulo. Anteriormente, tudo na vida de Paulo havia sido centrado na lei, mas agora tudo passou a ser centrado ao redor de Cristo. Bruce continua a afirmar que, embora essas alterações tenham ocorrido rapidamente, Paulo teria que trabalhar através das implicações delas ao longo do tempo. Bruce afirma: "Essa centralização da sua teologia não alcançou sua plenitude de uma só vez e como Paulo viu, tudo estava implícito na revelação que ocorreu na estrada de Damasco. De modo formal, todos os elementos da sua vida e os pensamentos foram organizados em torno do foco central da lei. A revelação de Jesus Cristo mostrou-lhe em um lampejo a falência da lei e que ela não poderia ser salva. Inevitavelmente isso levou um tempo para que Paulo concluísse que tudo estava envolvido nessa reorganização... e que isso tomaria todo o tempo de sua vida. Era como um ímã que atraia todos esses elementos juntos a um padrão bem definido... a lei havia sido substituída pela do Senhor ressuscitado, em torno da qual a vida e o pensamento de Paulo foram reorganizados para formar um novo padrão" (Bruce, Paulo 80).

Enquanto a conversão de Paulo foi única e espetacular, a mesma coisa estava acontecendo com todos os crentes. Todos pecaram. Todos abafaram a verdade, até que Cristo veio até eles mostrando poder e lhes revelando ser o Messias e Deus. Isso conscientizou os fiéis da sua humildade, levando-os a uma reorganização de suas vidas ao redor de Deus em uma nova obediência.
2.2 O Batismo de Paulo na Igreja

Paulo estava cego e assim ele foi guiado até Damasco e lá esperou por três dias.26 O Senhor chamou o discípulo Ananias para ajudá-lo.27 Ananias estava relutante em ir por causa da reputação de Paulo, mas decidiu ir (9:13).28 A visão de Paulo voltou ao normal e ele imediatamente começou a pregar o Evangelho.


2.3 O chamado de Paulo para se tornar um missionário

Na primeira reunião de Jesus com Paulo, Jesus o chamou para ser um apóstolo. Em Atos 26:17 Paulo nos diz que Cristo disse-lhe: "Eu vou livrá-lo do povo judeu, bem como dos gentios, a quem agora te envio, para abrir-lhes os olhos, e das trevas os converter para a luz e do poder de Satanás a Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre aqueles que são santificados pela fé em mim".

Deus também disse a Ananias sobre a missão de Paulo. Ele lhe disse: "Vá, porque ele é o instrumento da mina escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis e aos filhos de Israel. Pois vou mostrar-lhe quanto ele deve sofrer por causa do meu nome". Paulo ficou com os discípulos de Damasco e, em seguida, foi para a sinagoga e pregou.
2.3.1 As três principais fases da missão de Paulo

Normalmente, os relatos das missões de Paulo estão focados em suas três viagens, mas na verdade, eles são apenas uma parte das atividades missionárias de Paulo. As atividades de Paulo incluem:

1. O Ministério inicial em Damasco / Arábia durante três anos.

2. Um período de dez anos entre Atos 9 até 12, em que Paulo estava em Tarso. Estes são os chamados "anos perdidos", mas há boas evidências de que Paulo estava evangelizando e ensinando os judeus neste período (Donnelly).

3. As três viagens missionárias em Atos e a viagem a Roma.

4. Suas viagens após sua libertação da primeira prisão romana.

Devemos lembrar que o livro de Atos não aborda a vida completa de Paulo.
2.3.2 Primeira missão de Paulo em Damasco / Arábia

Em Damasco, Paulo imediatamente pregou na sinagoga declarando que Jesus era o filho de Deus.29

Os judeus foram surpreendidos (NVI) O verbo grego usado foi "surpreender ou confundir, ou" misturar tudo junto ". Donnelly nota que a palavra pode referir-se a" serem expulsos dos seus sentidos ", pois, agora os judeus teriam que acreditar na idéia de que aquele que chegou, estava agora pregando a fé, que eles tentavam destruir. Nos dizem que Paulo permaneceu lá por muitos dias. E como Donnelly disse:" Saulo (Paulo) cresceu ainda mais em força e confundiu os judeus que viviam em Damasco provando que Jesus era o Cristo ".
2.3.3 Arábia

Nos dizem que Paulo passou três anos na Arábia. Em Gálatas 1:17, 18, Paulo disse:

"Nem retornei a Jerusalém para encontrar aqueles que foram Apóstolos antes de mim, mas fui para a Arábia e voltei novamente a Damasco. Em seguida, depois de três anos eu fui até a Jerusalém para visitar" Cefas "(nome dado a Pedro por Cristo) e permaneci com ele quinze dias". Arábia ficava perto de Damasco e era parte do Reino dos Nabateus, governado pelo Rei Aretas.

Ao se falar desse episódio, é comum dizer que esses três anos de Paulo foram de treinamento, mas há evidencias sugerindo que esses três anos não foram de reclusão. Sabemos que Paulo já estava pregando e os seus próprios discípulos, considerados frutos da sua pregação e ensinamento, o colocaram dentro de um cesto e o desceram por uma janela da muralha até Jerusalém (Atos 9:25).30 Esse evento aliado ao fato de que suas ações suscitaram a ira do rei contra Paulo, parecem indicar que ele estava ativo na missão e na evangelização durante esse tempo.


2.3.4. Jerusalém e os anos perdidos (Atos 9:26-30) (Gálatas 1:17-18)

Lucas registrou que Paulo foi até Jerusalém após três anos para passar quinze dias com os apóstolos. No início, os apóstolos tiveram medo dele, pois não acreditavam que ele havia se convertido, mas Barnabé encontrou com Paulo e lhe apresentou aos discípulos. Pollock sugere que Paulo foi para Jerusalém a fim de passar um tempo com os discípulos para conhecer mais a respeito a Cristo. Whyte (49) argumenta que o idioma grego podia ser lido ao longo da "história" contada por Pedro sobre Cristo. Era o mesmo idioma grego usado numa primeira investigação histórica feita por alguém antes de se escrever um livro. Isso indica que Paulo estava buscando informações históricas adicionais sobre a vida e o Ministério de Jesus.

Paulo pregava com audácia em Jerusalém. Quando os judeus helenistas tentaram matá-lo, os discípulos o levaram para Cesaréia e depois para Tarso (9:30). E aí o relato de Lucas sobre Paulo termina, até quando Barnabé vai novamente procurar Paulo para lhe pedir ajuda com o trabalho em Antioquia (11:22ss). Bruce sugere que esse período durou dez anos, e Paulo faz referencias a isso em Gálatas 1:22, 23.




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