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O estabelecimento e a natureza da Igreja (Atos 2:41-47; 4:32-37, 5:12-16)



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4. O estabelecimento e a natureza da Igreja (Atos 2:41-47; 4:32-37, 5:12-16)
A descida do Espírito Santo em Pentecostes e a pregação de Cristo levaram à formação e ao estabelecimento da primitiva Igreja. Vamos primeiro considerar o crescimento da Igreja e, em seguida, veremos a natureza desta nova comunidade centrada em Cristo e cheias de Espírito Santo. Em resumo, a Igreja cresceu de maneira muito rápida, formando uma nova e distinta comunidade, ou seja, uma comunidade baseada em Cristo e no Espírito Santo, e marcada por dois pilares principais: amor e santidade.
4.1 O crescimento da Igreja

A Igreja primitiva cresceu rapidamente. Atos 2 relata que os apóstolos desfrutaram de um poderoso ministério acompanhado por sinais e prodígios (2:43, 3:1-10, 5:1-11) o que levou a um rápido crescimento. Lucas escreveu: "E foram batizados aqueles que receberam a sua palavra e naquele dia agregaram-se cerca de três mil almas (2:41)". A pregação de Pedro levou à conversão de 3.000 pessoas. A Igreja foi estabelecida rapidamente, o número de fiéis aumentou de 3.000 (2:41-7) para 5.000 (Atos 4:4). E continuando a crescer, vemos em Atos 5:14: "E mais do que nunca os crentes foram se agregando ao Senhor, multidões de homens e mulheres". O aumento do numero de adeptos foi impressionante se levarmos em conta a população total de Jerusalém, que na época variava entre 25.000 a 250.000. Marshall 14 declara que a população estimada ficava entre 55.000 e 95.000. Assumindo que o numero correto era de 100.000, então 1 em 20 pessoas eram crentes.15 O clima era de alegria, energia, coragem e um senso de união e amor (4:32-37). E rapidamente, uma nova comunidade se formou.


4.2. A natureza da Igreja (2:42-47; 4:32-37, 5:1-12)16

Lucas salientou também a natureza da nova comunidade criada pelo Espírito. Deveríamos estudar isso com muito cuidado, como mostra Lucas, tanto o que é possível, bem como, fornecendo um modelo para os fiéis e da Igreja hoje.

1. Cristo estava formando uma nova comunidade. As conversões individuais eram importantes para Lucas, e ele mostra que a obra de Cristo no dia de Pentecostes levou à formação de uma nova comunidade cristã. O relato de Lucas é uma manifestação prática da teologia de que Cristo era a cabeça sobre o corpo; de que os cristãos eram todos os membros de um corpo juntos; de que não há santificação fora do corpo e de que separar alguém do seu corpo seria colocá-lo para fora da obra de Cristo neste mundo (Ef 4).
2. Lucas ressaltou as seguintes características desta nova comunidade:

"E eles se dedicaram à doutrina dos Apóstolos e à Irmandade na divisão do pão e às orações. E o temor veio sobre toda a alma e muitas maravilhas e sinais eram realizados através dos Apóstolos. E todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. E vendiam seus bens e pertences e distribuíam os proventos para todos, pois todos tinham necessidade. E dia a dia, frequentando o templo juntos e repartindo o pão em suas casas, eles receberam a comida com prazer e de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E o senhor acrescentou à Igreja, dia a dia, aqueles que haveriam de se salvar (2:42-47)".

Lucas identificou quatro elementos principais. No primeiro deles, a Igreja era dedicada à doutrina dos Apóstolos. O ensinamento de Jesus como Messias estruturava e protegia a comunidade. A Igreja estava fundamentada na teologia.

O segundo elemento é a irmandade da comunidade. Essa irmandade se manifestava em atividades conjuntas, em reuniões, na comunhão à mesa e na divisão dos bens. A fraternidade entre eles era um compromisso do grupo. E estava vinculada aos ensinamentos, às refeições conjuntas, às orações e ainda às doações em comum. Lucas aborda sobre isso em Atos 2, mencionado acima e ainda faz um extenso relato em Atos 5. Em Atos 2, nos dizem que os discípulos tinham tudo em comum. E Lucas explica melhor sobre isso em Atos 5. Aqui se fala que aqueles que tinham posses deveriam doar aos discípulos para que fossem distribuídos para aqueles que tinham necessidade (Atos 5). Não havia nenhuma exigência no sentido de que todos os bens dos fiéis fossem reunidos a fim de ser tornar membro da Igreja; pelo contrário, como Pedro disse a Ananias: "Cada pessoa continua a possuir seus próprios bens e as doações serão feitas de acordo com a necessidade". Marshall declara: "Cada pessoa mantém seus bens à disposição dos outros para serem usados conforme a necessidade" (84).17 Não havia necessidade de uma reunião das mercadorias para fazerem parte da comunidade (Atos 5:4). Barnabé é um bom exemplo desta prática (4:36, 37) e Ananias demonstra como este princípio foi corrompido (5:1-11).

O terceiro elemento é a divisão do pão (Santa Ceia), que passou a fazer parte da refeição normal (1 Coríntios 11:17ss).

A característica final salientada por Lucas era a de que fiéis se reuniam diariamente para as orações. E isso acontecia numa casa ou no templo. Nesta fase os cristãos ainda eram aceitos pelas autoridades e tinham acesso ao templo. E provavelmente, eles ainda não tinham percebido qual era a implicação de Jesus cumprindo os preceitos do Velho Testamento. Eles se encontravam em público, no templo e nas casas uns dos outros. Eles faziam a adoração com ação de graças e evangelização. Neste momento eles desfrutavam o favor de todos, incluindo os sacerdotes (Atos 6:7) e os Fariseus (Atos 15:5), muitos dos quais acabaram por se converter. Esta situação pacífica continuou até o início da perseguição judaica.
4.3. A Santidade da Igreja

O ocorrido com Ananias e Safira mostrou a necessidade da existência de uma santidade dentro dessa nova comunidade.

O pecado desses dois membros da Igreja, Ananias e Safira, mostram um engodo, pois eles mentiram, fingindo doar à Igreja mais do que realmente tinham. Pedro, pelo poder do Espírito, teria exposto isso. E assim, a natureza espiritual do evento ficou evidente. Ananias disse ter sido guiado por Satanás a mentir contra o Espírito Santo, que é Deus. Safira disse ter sido testada pelo Espírito Santo. Bruce menciona que esse evento faz referencia ao momento quando Israel testou o espírito no deserto.

Esta foi a primeira vez que Lucas usou a palavra "Igreja" em Atos. Tanto os milagres quanto os sinais mostraram a glória e a seriedade da Igreja e da obra de Deus. As obras de Deus deveriam ser levadas a serio. A Igreja de Deus deveria ser sagrada. Lucas também nos lembra que os problemas e as dificuldades poderiam surgir dentro da Igreja ou mesmo fora dela (ver o aviso de Paulo em Atos 20:30).



CONCLUSÃO
Antes da ascensão, Jesus passou 40 dias com os discípulos e lhes ensinou sobre o Reino de Deus. Então, o espírito foi derramado sobre eles no dia de Pentecostes. No mesmo dia, o Espírito habilitou Pedro para uma poderosa pregação. E através da pregação de Cristo e do espírito, uma nova comunidade se formou.

RESUMO
Lucas começou a delegar autoridade aos discípulos em Jesus. Ele lhes ordenou que aguardassem o Espírito. O Espírito chegou e veio acompanhado por poderosos sinais e prodígios. Pedro pregou, explicando para o povo em Jerusalém que os milagres eram um sinal de que os últimos dias haviam chegado. Ele pregava que Jesus era o Messias, provando isso através dos textos do Velho Testamento. Em seguida, ordenou aos judeus a se arrepender e a serem batizados em nome de Jesus. Muitos acreditaram e a Igreja cresceu rapidamente em Jerusalém e nas regiões vizinhas.

LIÇÃO 2. Questões:
1. O que Jesus ensinou aos seus discípulos nos 40 dias antes de sua ascensão?

2. O que eram as línguas e por quem foram ouvidas?

3. De acordo com Joel, o que representava "falar em outras línguas".

4. O que significa a expressão: ser "cheio de Espírito"?

5. De acordo com Pedro, qual era a culpa de Israel?

6. Quais foram as duas coisas que Pedro ordenou a Israel?

7. De acordo com Pedro, o que comprovou a messianidade de Jesus?

8. O que significa o título "Senhor" de Jesus?

9. Como a pregação de Pedro foi eficiente em Jerusalém? Dê alguns exemplos.

10. Cite quatro pontos principais da Igreja primitiva.



LIÇÃO 3. A ORIGEM DA PERSEGUIÇÃO
A rápida disseminação do Evangelho em Jerusalém provocou uma perseguição por parte das autoridades judaicas. No início, o sacerdócio dos apóstolos no templo (4:33; 5:12, 13) e em Jerusalém era poderoso e acompanhado por muitos sinais e prodígios. O testemunho se espalhou em toda Jerusalém e depois para as cidades vizinhas (5:14-16). Os números de discípulos continuaram a crescer em mais de 5.000. A Igreja cresceu rapidamente. Houve temor e admiração. Jerusalém estava sendo virada de cabeça para baixo.

O crescimento rápido da Igreja levou à perseguição. A perseguição começou de maneira gradual e foi aumentando ao longo do tempo. Inicialmente o Sinédrio pediu a Igreja para não falar em nome de Jesus (4:18). Com o contínuo testemunho da Igreja, a perseguição aumentou. Lucas relata que o Sinédrio aprisionou os apóstolos (5:18), bateu nos discípulos (5:28), e matou Estevão (Atos 7). Saulo (mais tarde chamado de Apóstolo Paulo) levou ódio e espalhou a perseguição da Igreja em Jerusalém e Judéia (8:3). Em resposta, a Igreja orou por ousadia e coragem para a continuidade dos testemunhos. Mais adiante, a perseguição fez com que toda a Igreja, exceto os Apóstolos, fosse forçada a se dispersar para Judéia e Samaria (8:1ss). E com a Igreja disseminada, ela deu seu testemunho.

Essa lição tem três partes. Na primeira, vamos analisar a perseguição à Igreja pelas autoridades judaicas em Jerusalém. Na segunda, vamos analisar a perseguição e a morte de Estevão, na Sinagoga dos Homens Livres e na terceira, analisaremos a eclosão da perseguição por parte de Paulo.
1. Primeiras perseguições pelas autoridades judaicas em Jerusalém
O Evangelho espalhou-se rapidamente através da pregação dos discípulos no templo em Jerusalém. As autoridades judaicas contestavam este ensinamento feito em nome de Jesus. Lucas aponta dois incidentes, em particular. No primeiro, em Atos 3:4, as autoridades se opuseram à pregação de Pedro depois que ele curou um cego. No segundo, em Atos 5, as autoridades reagiram aos poderosos sinais e prodígios feitos em nome de Jesus por Pedro no templo e em toda Jerusalém (5:12, 13ss). Vamos analisar um de cada vez.

Na nona hora (15:00 h do nosso tempo) Pedro curou um cego na frente do bonito portão do templo. Pedro explicou o evento, dizendo-lhes que o homem foi curado em nome de Jesus. Pedro e João, em seguida, foram presos e encarcerados durante a noite. No dia seguinte, os saduceus, os sacerdotes e os escribas questionaram Pedro e Paulo. E eles proibiram os discípulos de pregar e ensinar em nome de Jesus. Os discípulos se recusaram a aceitar a proibição e desafiaram os sumos sacerdotes dizendo-lhes: "Julgai por si mesmos se é justo, diante de Deus, ouvir a vós antes, do que a Deus, vos deveis julgar, porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido". (4:19, 20). Os discípulos então, saíram e oraram pedindo coragem, e continuaram seu sacerdócio por Jerusalém.

Com a continuação da propagação do evangelho, os sumos sacerdotes e o Sinédrio18 encheram-se de inveja (5:17). Em Atos 5, eles prenderam os apóstolos, ordenando-lhes a não mais pregar e então foram espancados (o espancamento seria de 40 chibatadas menos uma, que era a punição que o Sinédrio ou os funcionários da sinagoga judaica poderiam aplicar). No segundo incidente, Gamaliel, um líder fariseu, teve cautela em esperar e ver o que seria feito.19

Observemos o seguinte:

1. A perseguição surgiu quando a população ficou afetada de maneira significativa pela evidencia dos sinais e dos prodígios e pelo poderoso testemunho. Os sinais estavam claros para todos, até mesmo para o Sinédrio. Em Atos 4 nos é dito: "Eles viram o homem que foi curado de pé ao lado deles, eles não tinham nada a dizer em contrário".

2. Ainda que os sinais e os milagres fossem inegáveis, as autoridades rejeitavam a mensagem de Cristo que vinha inserida neles.

3. A perseguição começou de maneira gradual, mas foi crescendo ao longo do tempo, e esse crescimento começou a ameaçar as estruturas do poder judaico existente.

4. A Igreja endureceu sua posição ao longo do tempo. Inicialmente, Pedro disse às autoridades que tudo tinha sido feito na ignorância. "E agora, irmãos, eu sei que vocês agiram em ignorância, assim como fizeram também as regras (3:17)". Isso demonstra a grande graça de Deus, porém implica também na existência de um fim para a ignorância, até o ponto em eles agiriam por uma desobediência intencional.


2. Estevão e os Helenistas (6:1, 8-15, 7:1-57)
A perseguição se intensificou, no inicio, com a ascensão do helenista Estevão. Os judeus ficaram divididos entre Hebreus e Helenistas. Ambos eram judeus, porém os Hebreus eram na sua maioria de Jerusalém e eram os mais rigorosos entre as duas seitas. As Escrituras eram lidas por eles em hebraico e eles falavam e faziam a adoração em Hebraico. (Paulo era um exemplo dessa seita mais rigorosa: Em Filipenses 3:4-7, ele chamava a si mesmo um hebreu entre os Hebreus.) Os Helenistas eram judeus gregos que liam, falavam e adoravam em grego. Eles foram mencionados pela primeira vez em Atos 6:1-8, no que diz respeito à questão da distribuição para as viúvas. Os judeus helenísticos, que vinham de um mundo diferente em relação aos judeus hebraístas, entenderam as implicações do evangelho de uma maneira mais clara do que os Hebraístas.

Estevão era um judeu helênico e foi um dos escolhidos para ajudar na questão da distribuição. Nos dizem que ele era cheio de Espírito, cheio de fé e sabedoria, fazia prodígios e sinais. E também que pregou de maneira sabia e poderosa na Sinagoga Helenista dos Homens Livres onde judeus da Cyrenia, Alexandria, Cilícia e Ásia faziam a sua adoração.


2.1 A situação

Lucas escreveu o seguinte:



"E Estevão, cheio de fé e sabedoria, fazia grandes maravilhas e sinais entre o povo. E então, levantaram alguns que eram da Sinagoga chamada Sinagoga dos Homens Livres (Cireneus, Alexandrinos e da Cilícia e da Ásia), e disputaram com Estevão. E não foram capazes de resistir à sabedoria e ao Espírito do qual falava. Então eles secretamente induziram os homens a dizer: Ouvimos ele proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus. E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e investindo contra ele, o tomaram e o levaram ao Conselho. E apresentaram falsas testemunhas que disseram: Este homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este lugar sagrado e a lei; porque nós o ouvimos dizer que esse Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu. Então, todos aqueles que estavam sentados no Conselho, fixaram os olhos nele, e viram o seu rosto como o rosto de um anjo (Atos 6:1-8)".

Estevão foi um poderoso orador, um pensador incisivo e claro cuja pregação desafiava à posição tradicional judaica do momento, a qual não poderia ser rejeitada.20 Depois da sua pregação ter sido rejeitada na Sinagoga, homens foram induzidos a afirmar que ele havia proferido blasfêmias. Alguns homens da Sinagoga dos Homens Livres incitaram as pessoas, apresentando-lhes testemunhas falsas e, então o levaram até o Conselho, o Sinédrio, o tribunal religioso mais poderoso da época.
2.2 As acusações

Embora as acusações fossem falsas, elas sintetizavam a essência da pregação de Estevão. O sermão de Estevão falava sobre a questão teológica fundamental daquele tempo e particularmente sobre o papel da lei, sobre o templo, sobre Moises e sobre a posição de Israel no plano de Deus. Nas leis de Moisés, Taylor (9) afirma que a posição de Estevão era de que "a Lei de Moisés era para ser absorvida e substituída por um sistema espiritual duradouro e que um estrangeiro, deveria entender essa leis melhor do que aqueles que eram de Jerusalém". Conybeare (57) também observa que o sermão de Estevão atacou as duas partes mais sagradas da tradição judaica: a lei e o templo.


2.3 O sermão

O sermão de Estevão é o mais antigo registrado no livro de Atos. E ele é importante, pois ajuda a compreender o pensamento judaico (e mais tarde até o do cristão judaico em Gálatas e Atos 15) contra a propagação do cristianismo aos gentios.

O sermão apresentava quatro argumentos principais. O primeiro se concentrou na idéia de que a graça de Deus não estava limitada a um lugar determinado. E Estevão salientou que, no passado, Deus viajou com seu povo e os guiou. A obra de Deus jamais permaneceu limitada a uma só localidade. E isso significava que esse novo trabalho de Deus, o levaria para fora de Israel. O segundo, baseado no primeiro argumento, afirmava que o plano de Deus para Israel era sempre temporário. Mas que o plano maior de Deus era abençoar toda a terra. O terceiro argumentava que o plano tinha sido cumprido em Cristo e que, portanto uma nova era havia começado. O quarto argumento mostra que no passado, toda a Israel havia resistido à vontade de Deus. Eles estavam mais uma vez rejeitando a sua cristandade.21

Em seu sermão Estevão escolheu figuras históricas e momentos importantes da história de Israel. Começou falando sobre José desenvolvendo o argumento de que Israel havia sempre rejeitado os profetas de Deus, "E os patriarcas, tomados pela inveja, venderam José para o Egito. Mas Deus estava com ele e o livrou de todos os seus problemas". Depois ele salientou que Israel também rejeitou Moises (7:23-29, 7:35): "Este Moisés, o qual haviam rejeitado, dizendo: Quem te fez um governante e juiz? Este foi quem Deus enviou para ser um governante e um libertador pela mão do anjo que lhe aparecera no bosque". E disse, ainda, ao rejeitarem Moisés, eles também rejeitaram o Cristo (7:9)".

Estevão concluiu o seu sermão em Atos 7:51declarando: "Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais. A qual dos profetas vossos pais não perseguiram? E mataram aqueles que anunciaram a vinda do Justo, e de quem agora vós fostes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes".

O argumento de que Israel havia sempre rejeitado seus líderes é importante para se combater o argumento de que Jesus não poderia ser o Messias. Cada um dos grandes discursos em Atos argumentava que a verdadeira razão do Messias ter sido rejeitado e pendurado na Cruz foi porque os judeus o rejeitaram. Jesus era o Messias, mas os judeus cometeram um pecado quando o rejeitaram e o crucificaram (2:36, 4:10, 5:30 e 10:39).

Em segundo lugar, Estevão salientou que Deus não estava vinculado a um só lugar (7:44-50). Nos versículos 33 e 34, ele já havia afirmado que a terra sobre a qual estava Moises era sagrada, e a terra de Israel não era. Ele declara que primeiros padres adoraram a Deus no Tabernáculo no deserto, e não no Templo de Jerusalém. Mesmo quando Salomão construiu um Templo, Deus não viveu em templos construídos com as mãos (47). Estevão citou Isaías 66:1, 2 e 1 Crônicas 16:39 para lembrá-los de que o céu é o verdadeiro trono de Deus, não o trono terrestre em Jerusalém.

Falando assim, Estevão estava atacando a idolatria do templo judeu, ou seja, a idéia de que, enquanto tivermos o templo, Deus estará conosco, não importando se obedecermos a ele ou não. Esse tipo de pensamento já havia ocorrido anteriormente na história de Israel. Em 1 Samuel 3 e Jeremias 7:4, os profetas alertaram as pessoas sobre como não confiar em palavras idolátricas. "Não confie em palavras mentirosas dizendo: Templo do Senhor, Templo do Senhor, Templo do Senhor é este" (Jeremias 7:4).


2.4. Consequências da defesa de Estevão

Os Judeus reagiram à defesa de Estevão com ódio e raiva. Atos 7:54 declara: "E ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações seus dentes rangiam seus dentes contra isso”. E uma multidão levou Estevão para fora da cidade e ele foi apedrejado. Esse fato aparece em Deuteronômio 17:2-7. Enquanto Estevão era apedrejado, os judeus colocavam suas roupas aos pés de Saulo, que estava presente no local.
2.5. Estevão, o primeiro mártir

A morte de Estevão representou o primeiro modelo de mártir que havia nascido para testemunhar a fé em Deus, na primitiva Igreja. Nos dizem que seu rosto resplandecia, o que seria uma referencia à glória de “Shekhinah” (presença de Deus) do seu povo. Se isso era verdade, então, pode-se afirmar que a glória do templo, não estava mais no templo, mas sim no verdadeiro povo de Deus, ou seja, na Igreja. A glória havia saído do templo, e agora estava no povo de Deus, seu novo templo.

Lucas declara que Jesus estava de pé e pronto para receber Estevão. E essa posição (em pé) foi considerada importante, já que existia a referencia de um Cristo sentado no céu, em seu trono, e vendo o seu trabalho ser feito. Neste caso, porém, quando Cristo viu que seu servo estava sendo martirizado por sua causa, ele já estaria pronto para recebê-lo.

"E enquanto Estevão era apedrejado, ele clamava por Deus, dizendo: Senhor Jesus recebe o meu espírito. E pondo-se de joelhos, clamou em voz alta: Senhor não lhes impute esse pecado e depois de dizer isso, adormeceu. (Atos 7: 59-60)".



E Estevão orou, primeiro para si mesmo e depois orou pelo seu povo. Embora ele tenha dito palavras duras para seus opositores, ele com ternura e sinceridade desejou a salvação deles. As orações de Estevão foram respondidas. Cristo lhe recebeu e Estevão adormeceu com Cristo. Quanto aos seus inimigos, Paulo se converteu. E muitos comentaristas dizem que a conversão de Paulo se deu através do testemunho fiel de Estevão e às suas orações. Mais tarde, a própria pregação de Paulo seguia o método de Estevão: uma revisão histórica (método) e como conteúdo (a lei e a idéia de que o templo não salva). Alguns comentaristas especulavam ainda que Paulo usou, os relatos de Lucas como fonte para a sua pregação. E em Atos 7:60, Lucas usou o termo “adormecer” no lugar de “morte” em 1 Tessalonicense 4:13.
2.6 O catalisador da grande perseguição

Após a morte de Estevão surgiram grandes surtos de oposição à Igreja. A igreja de Jerusalém se espalhou e somente os apóstolos permaneceram em Jerusalém. Lucas nota o papel desempenhado por Paulo, no evento da morte de Estevão, se tornando um líder na perseguição da Igreja. Em Atos 8:1-3, Lucas fez uma ligação entre os dois eventos: "E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos. E uns homens piedosos foram enterrar Estevão, e fizeram sobre ele grande pranto. E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão".


3. Saulo como um perseguidor
Em Atos 8, Saulo era o ponto central da perseguição de Israel ao cristianismo. Para se entender o papel de Paulo consideraremos Atos 8, 9 e 26, assim como também declarações autobiográficas de Paulo mostradas em Gálatas 1:13, 1 Coríntios 15:9ss e 1Timoteo 1:13ss.
3.1 Paulo e Estevão

Lucas falou sobre Paulo em Atos 8: mostrando que ele consentia na morte de Estevão. Bruce (Atos 69) argumenta a partir de Deuteronômio 17:7 que se tratava de um ato oficial e formal. "Donnelly" sugeriu que ele era mais do que apenas uma testemunha passiva. É possível que Estevão fosse um supervisor em nome do Sinédrio.


3.2. Paulo e a perseguição geral

Saulo foi o agente principal entre os Atos 7 e 8. Em Atos 7 observamos Saulo como um supervisor da perseguição de Estevão. Em Atos 8, Saulo empreendeu a perseguição de toda a Igreja em Jerusalém e nas cidades da Judéia. Lucas usou uma linguagem forte para descrever a perseguição de Saulo. Ele afirmou: Paulo fez "estragos", entrando em "cada casa" e em "muitas sinagogas", arrastava as pessoas e os encerrava na prisão; fazia ameaças e provocou um massacre.

Usando a palavra "assolar" em Atos 8:3, Donnelly observa que na literatura grega clássica isto é visto como ações de um animal selvagem. Ele observa que o fato foi mencionado da mesma forma na Septuaginta em Salmo 79:2, onde há a referencia a "porcos selvagens" da floresta. Paulo era como um animal dilacerando um corpo morto. Ele queria fazer o mesmo com todos os crentes, assim como havia feito com Estevão.

Saulo também tentou destruir a fé de todos e levá-los a blasfemar. Em Atos 26:10: "E o que fiz em Jerusalém. Eu não só tranquei muitos dos santos nas prisões, mas após receber autorização dos principais sacerdotes, votei contra eles, quando foram condenados à morte. E castigando-os muitas vezes em todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar, e enfurecido em demasia contra eles, eu os persegui até mesmo em cidades estrangeiras". Conybeare (65) constata o uso do tempo verbal grego no imperfeito: "Estava cansado de levá-los a blasfemar", o que significa que não teve êxito.

No início a perseguição de Saulo, ficou limitada à Jerusalém, mas ele procurou expandi-la à Damasco. Porém, "Saulo, ainda respirando ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E lhe pediu cartas para as sinagogas em Damasco, a fim de que, se encontrasse algum daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém". E Damasco ficava a 170 km de distancia e a viagem levaria 12 dias. Apesar de Damasco estar em uma área separada, o Sinédrio Judeu possuía acordos com Damasco, o qual lhes permitiam exercer o poder de extradição (Bruce, Paulo 71). A fúria de Paulo foi tão grande que até Ananias e outros crentes em Damasco sabiam sobre ele (9:21).




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