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CONCLUSÃO
O livro de Atos descreve como Deus estabeleceu sua Igreja no mundo. Isso deveria ser um encorajamento para nós tendo em vista que os propósitos de Deus irão acontecer. Isso mostra ainda que a obra de Deus acontece de maneiras inesperadas. Por exemplo, a oposição e o sofrimento de Paulo e o da Igreja são parte do plano divino de crescimento da Igreja de Deus. A oposição não impediu o testemunho da Igreja; Deus usou a oposição para promover a sua causa.

RESUMO
O livro de Atos compõem a segunda metade do livro de Lucas. Os Atos mostram como o plano de Deus para levar o Evangelho ao mundo foi cumprido. A obra de Deus no mundo não foi recebida somente pela oposição liderada pelos judeus, mas pelos gentios e pela Igreja propriamente dita. E apesar desta oposição, o plano de Deus através de Cristo, pelo poder do Espírito, e auxiliado pelos milagres e anjos foi bem sucedido.

LIÇÃO 1. Questões:
1. Por que Atos são chamados Atos dos Apóstolos? Trata-se de um bom nome?

2. Explique o que queremos dizer com o plano de Deus em Atos. Cite um versículo chave.

3. Qual é o papel Espírito no plano de Deus?

4. Explique o surgimento e a natureza da oposição judaica ao evangelho.

5. Todos os Judeus cristãos eram favoráveis à missão de Paulo e dos Gentios?

6. Por que Roma ameaçava o Cristianismo?

7. Como a Igreja primitiva em Jerusalém reagiu à perseguição?

8. Qual é a estrutura de tópicos do Hendrickson para capítulos 1-7 dos Atos?

9. Qual é a estrutura de tópicos do Hendrickson para capítulos 8-12 dos Atos?

10. Qual é a estrutura de tópicos do Hendrickson para capítulos 13-28 dos Atos?



LIÇÃO 2 - CRISTO ESTABELECE SUA IGREJA EM JERUSALÉM
1. A missão do Rei ressuscitado em Jerusalém (1:1-11)
O livro de Atos começa falando sobre o Cristo Rei ressuscitado delegando aos seus discípulos uma missão.

"No primeiro livro, Ó Teófilo, fiz o primeiro tratado sobre tudo que Jesus começou a fazer e a ensinar, até o dia em que foi recebido em cima, depois de ter ordenado aos Apóstolos através do Espírito Santo, quem ele escolhera. Ele apresentou-se vivo para eles, depois do seu padecimento, por várias provas, durante quarenta dias, lhes falando sobre o reino de Deus. E, estando com eles, determinou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas para esperar a promessa do Pai, que ele disse: Ouvistes falar de mim? Porque João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Portanto quando eles se reuniram, perguntaram-lhe: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e sereis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. E, enquanto dizia isto, e eles o vendo, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens Galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi retirado de ti para o céu, há de vir do mesmo modo como o vistes ir para o céu".

Jesus permaneceu com seus discípulos os quarenta dias depois da ressurreição. Ele lhes ensinou sobre o Reino de Deus. Seu Ministério inaugurou o Reino e os discípulos foram instruídos à continuar dando o testemunho desse reino até os confins da terra. O conjunto do livro de Atos refere-se à expansão do Reino de Deus. Os Atos começam com uma discussão sobre a vinda do Reino e termina com Paulo em Roma, falando sobre o Reino de Deus. Isso está declarado em Atos 28:30: "Aí viveu dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e congratulou-se com todos os que vieram a ele, pregando o Reino de Deus e ensinando com toda a confiança as coisas que dizem respeito ao Senhor Jesus Cristo, sem nenhum impedimento". O Reino é explicitamente mencionado em Atos 1:3, 8:12, 14:22, 19:8, 20:25, 28:23, 31 e o Reino é implicitamente mencionado quando se diz que Jesus era chamado o Cristo, o Rei Messias.

Bruce comenta sobre a relação entre o reino e pregação em Atos afirmando: "O Reino ou a pregação dele é concebida segundo os acontecimentos da vida, morte e ressurreição de Jesus e para proclamar estes fatos de modo adequado, é pregar o Reino de Deus. O Reino já está aqui, porque Cristo veio e os discípulos irão proclamá-lo... esta pregação deve incluir o juízo final e o retorno de Cristo" (Atos 10:42, 17:31, 11; Mateus 6:10).

Em resumo, o livro de Atos é o livro do testemunho e da expansão do Reino de Deus (Bruce, Atos 32, 33).

Jesus ordenou os discípulos a esperar até que o Espírito Santo se manifestasse, até que eles fossem "vestidos com o poder do alto". O comando de espera do Espírito é um exemplo de um outro tema fundamental em Atos. Em primeiro lugar, os discípulos estavam agindo sob a orientação de Jesus e de Deus. Em segundo lugar, apenas pelo poder do Espírito é que eles poderiam realizar seu trabalho. Eles não poderiam e não deveriam tentar realizar o trabalho por conta própria. E foi Deus quem lhes enviou e lhes preparou para atingirem o sucesso.

O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes faz um paralelo com o próprio batismo de Jesus e a capacitação dada pelo Espírito para o cumprimento do ministério de Cristo. Assim como Jesus tinha sido ungido com o poder do Espírito Santo, também seus seguidores deveriam ser ungidos da mesma forma e habilitados a prosseguir o trabalho de Cristo (Bruce Atos 36). A Igreja hoje deve sempre lembrar que ela somente terá sucesso, se ela for conduzida e orientada por Cristo.

Cristo então, ascendeu nas nuvens do céu. E não podemos pensar que são nuvens de chuva; mas sim, devemos considerá-las como nuvens de glória, uma manifestação do "Shekhinah" (presença de Deus) do Velho Testamento. No Antigo Testamento, Deus se revelou a Israel através das nuvens (ex. 28:2). No êxodo, os Israelitas foram liderados por uma coluna de nuvens e fogo e uma "nuvem de glória" desceu sobre o tabernáculo, indicando para Moisés e para Israel que Deus estava presente. Mais tarde a glória do "Shekhinah" desceu sobre o Templo de Salomão. As nuvens são mencionadas por três vezes na vida de Cristo. Primeiro, a presença do pai foi manifestada por uma nuvem brilhante na Transfiguração (Mateus 17:2, 5). Segundo, na ascensão, Jesus subiu às nuvens (Atos 1:9). E em terceiro, como é dito no verso seguinte, há referências frequentes de que Cristo apareceria pelas nuvens junto com os santos anjos: "Eis que ele está chegando com as nuvens e todo olho irá vê-lo, mesmo aqueles que o perfuraram e todas as tribos da terra se lamentarão por causa dele. Assim sendo. Amém" (Rev. 1:7).

Os discípulos então, esperaram em Jerusalém (1:12-14). Eles escolheram Matias para substituir Judas, e, portanto, o número de discípulos voltou para doze. O interessante é que todos os doze apóstolos foram nomeados, mas apenas Pedro, Tiago, João e Paulo, desempenharam um papel significativo no livro de Atos. Nos primeiros capítulos, vemos Pedro e João juntos em Atos 3 (Cura do cego), Atos 5 (a detenção, a prisão e a pregação no Templo) e em Atos 8 (Indo para Jerusalém), porém em todos os casos, Pedro é o orador principal. João só é mencionado novamente depois em Atos 8.

Existem indícios de que o predomínio de Pedro era percebido quando ele agia em nome de todo o Grupo. Isso pode ser verdade em seções anteriores, pois na seção posterior Atos 10, Atos 15 e Gálatas 2, Pedro parece agir de forma independente.

O Apóstolo João desempenhou um papel de apoio em Atos 5. No relato de Lucas, Tiago, o irmão do Senhor, desempenhou um dominante papel no Concílio de Jerusalém e em Gálatas 2. Paulo considerava Tiago como um dos pilares da Igreja de Jerusalém. Pedro quase não foi mencionado depois de Atos 12, quando a Igreja começou a se expandir na região dos Gentios.

Lucas também mencionou que outras pessoas além dos apóstolos estavam presentes. Em Atos 1:14 ele disse que os discípulos estavam "juntamente com as mulheres e Maria, a mãe de Jesus e seu irmão". Isso foi encorajador. Sabemos que os irmãos de Jesus não acreditavam nele quando estava vivo. Em João 7:5 nos dizem: "Pois nem mesmo seus irmãos acreditaram nele". Mas sua mãe e seus irmãos somente acreditaram nele depois da ressurreição.


2. O Dia de Pentecostes: o derramamento do Espírito Santo (Atos 2)
As palavras de Jesus foram cumpridas no derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes. O trabalho do Espírito foi testemunhado em três eventos: vento impetuoso e forte, línguas de fogo e a habilidade de se falar outras línguas dadas à Igreja para a proclamação das obras poderosas de Deus (57 Johnson).

2.1. A intervenção sobrenatural de Deus (2:1-4)

"Quando chegou o dia de Pentecostes, todos estavam juntos em um só lugar. E de repente veio do céu um som como de um veemente e impetuoso vento, e encheu toda a casa onde estavam todos assentados. E línguas repartidas como de fogo foram vistas, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem".

A festa de Pentecostes se deu no quinquagésimo dia após a colheita. Na prática o período de 50 dias começou no primeiro domingo depois da Páscoa. O Dia de Pentecostes é também chamado de Festa das Semanas (ex.34: 22a, Deuteronômio 16:10) e também de Dia dos Primeiros Frutos (Nm 28:2).5 O espírito veio como um vento que "encheu a casa". No Antigo Testamento, vento e fogo indicavam uma Teofania, a revelação de Deus no Antigo Testamento. O fato de Lucas ter dito que o Espírito veio desta forma mostra a sua divindade (2 Samuel 22:16; Ezequiel 13:13; Ex. 3:2-5, 19:18; Lucas 3:16). O Espírito veio e habitou entre o povo; a Igreja começou um novo período na vida de Deus com seu povo. Em Gênesis 2, Deus soprou em Adão, e ele estava vivo. Deus prometeu que faria o mesmo com Ezequiel 37. Em Atos 2 mostra o cumprimento dessa promessa. Deus soprou em seu povo através do Espírito. A partir deste momento, o povo de Deus, o Espírito Santo, o Templo de Deus e a nova criação estavam unidos.

Línguas de fogo caíram sobre os discípulos (2:3). Elas anunciaram a presença de Deus, assim como os relâmpagos e o fogo sobre a montanha no Sinai e também sobre a tenda de reunião durante as viagens dos Israelitas (ex.19: 16, 40:34, 48). Agora cada fiel tinha uma língua de fogo indicando que cada um era um templo, e que cada um possuía o Espírito da glória e de Deus (Johnson 59).

E assim, a partir desse momento o Espírito Santo passou a ser o motor principal no livro de Atos. Como já se pode observar, a linguagem e o lugar de batismo, citado em Lucas e nos Atos revelavam uma ligação clara entre o batismo de Jesus na realização do seu trabalho e o batismo dos discípulos na realização do deles. Além disso, existia uma ligação entre o derramamento do Espírito em Pentecostes com o derramamento do Espírito ocorrido com Moisés e com os anciãos de Israel, citado em Números 11:26. Em "Números", nos é dito que o Espírito Santo descansou sobre Moisés como um mediador da Antiga Aliança. Em seguida, para ajudá-lo em seu trabalho, o Espírito Santo que já havia repousado sobre ele foi colocado sobre 70 anciãos (Nm. 11:17). Dessa maneira, esses anciãos profetizaram e dois deles, Eldad e Medad que não estavam com Moises, também profetizaram (Nm.11: 26). Moisés disse que desejava que o Espírito Santo repousasse sobre todo o povo (Nm. 11:29), e não apenas nos anciãos. Esse evento foi tipológico, e como uma previsão, ele foi cumprido no dia de Pentecostes. O Espírito estava sobre Cristo, o mediador da Nova Aliança (Lucas 3:22 4:1, 18). O Espírito, então foi derramado sobre os seus discípulos. E uma vez que Cristo possuía o Espírito sem medida, este foi derramado com mais vigor sobre os discípulos e diante de toda a Igreja (2:17, 18). O "Profeta maior do que Moisés" havia chegado (Deuteronômio 18:15).


2.2. "Cheio" do Espírito Santo

Lucas relatou que os discípulos estavam "cheios" do Espírito. Ele usou a palavra "cheio" de várias maneiras diferentes. A palavra pode indicar o trabalho inicial de Deus diante dos homens. Em Atos 2, isto se refere ao inicio da vinda do Espírito Santo à Igreja no dia de Pentecostes. Lucas menciona que Paulo recebeu o Espírito Santo na sua conversão (9:17). O termo "cheio" também era usado quando o Espírito Santo descia sobre alguém a fim de prepará-lo para realização de um ato específico de Deus. Em Lucas 1:5 nos dizem que Jesus recebeu o Espírito Santo. Pedro recebeu o Espírito para que pudesse continuar seu testemunho (4:8, 11; 13:9). A idéia de se "receber" o Espírito Santo também aponta para a continuidade da vida do Espírito Santo na Igreja (EF 5:18) (Marshall, Atos 69).

Lucas usou também outras palavras para descrever a forma como o Espírito Santo desceu e habitou a Igreja. Jesus disse que seus discípulos seriam "batizados" pelo Espírito Santo (1:5, 11:16). Ao Espírito lhe foi dito para ser "derramado" em Atos 2:17ss, 10:45 e ser "recebido" pelos Gentios em Atos 10:48. É importante ressaltar que Lucas usou a palavra batismo para o recebimento inicial do Espírito, e nunca para uma recebimento posterior (Marshall, Atos 69). Se nós vamos falar sobre o Espírito Santo, é importante sermos precisos em quais termos vamos utilizar e o que eles significam. Grandes confusões ocorreram por causa do uso incorreto das palavras. Nas lições posteriores iremos ver outras maneiras que Lucas falou sobre o Espírito Santo.

Inicialmente, o poder do Espírito Santo habilitou os discípulos a falarem em outros idiomas, que poderiam ser entendidos por pessoas de todo o império. Há um grande debate sobre isso, mas percebemos que as Escrituras não nos contam muito sobre o fato. Mas sabemos que as línguas eram linguagens humanas (2:6, 8). Também sabemos qual é o propósito das línguas: Deus permitiu aos homens de falarem diferentes línguas para que as pessoas de todo o Império pudessem ouvir sobre as poderosas obras de Deus (2:11).


2.3. Pentecostes lança as bases da Igreja (2: 7-11) 6

O derramamento do Espírito no dia de Pentecostes sobre os discípulos lançou as bases da Igreja.



E eles ficaram surpresos e admirados, dizendo: "Não são Galileus todos estes que estão falando? E como é possível ouvir, a cada um, na nossa própria língua materna? Partos e medos, elamitas e os que habitavam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, Frigia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus".

Embora os eventos tenham ocorrido em Jerusalém, as pessoas presentes viam de cada parte do mundo romano. A ação de Deus no dia de Pentecostes significava que os apóstolos haviam testemunhado para os judeus de Jerusalém e para cada parte do Império Romano. O dia de Pentecostes e a pregação de Pedro significavam que o testemunho do Evangelho se tornara internacional. 7


2.4. Tipos de pessoas no livro de Atos

No versículo 10 Lucas relatou que judeus e prosélitos, no princípio, testemunharam o derramamento do Espírito. Ao longo do livro, Lucas falou sobre diferentes grupos religiosos e culturais. Eles serão mencionados à medida que avançamos neste estudo. Nos versículos 7-9 Lucas falou sobre judeus, prosélitos, tementes a Deus e posteriormente falou sobre os Gentios.

Judeus se referem àqueles que nasceram judeus. Prosélitos eram os Gentios que se tornaram judeus e mantiveram a fé completa. Havia três coisas que um Gentio deveria fazer para se tornar um prosélito: ser circuncidado, realizar o auto batismo diante de testemunhas e oferecer um sacrifício em Jerusalém (Bruce 58). A terceira classe era a dos tementes a Deus, gentios religiosos que temiam a Deus, mas que ainda não haviam dado o primeiro passo para se tornarem um prosélito.
3. Sermão de Pedro no Dia de Pentecostes (2:14-39; 3:12-26)
3.1 Uma visão geral da primitiva pregação apostólica

Nesta seção vamos examinar o sermão do dia de Pentecostes feito por Pedro, mas devemos observar que embora o sermão tenha sido singular como o primeiro sermão de Pentecostes, este sermão foi um dos cinco principais sermões no livro de Atos. São eles: Pedro no dia de Pentecostes (Atos 2) Pedro no templo (Atos 3), defesa de Estevão (Atos 7), Paulo em "Pisídia" - Antioquia (Atos 13) e a defesa de Paulo em Atenas (Atos 17). Os sermões de Pedro, Paulo e Estevão aos judeus seguiram um padrão semelhante. Quando falavam aos judeus, cada um deles usava a mesma estrutura, mas a ordem exata usada por eles para falar de cada assunto provavelmente foram diferentes. Esse estilo semelhante mostra que existia um método comum usado na evangelização judaica no livro de Atos (Bruce, Atos 63).8

A estrutura básica era:

1. Eles alegavam que a "Idade do cumprimento" havia chegado.

2. Falavam da proclamação do Ministério, Morte e Triunfo de Cristo.

3. Eles alegavam o apoio das Escrituras do Velho Testamento.

4. Eles terminavam com um chamado à fé e ao arrependimento.
3.2 A Pregação de Pedro no Dia de Pentecostes e em Jerusalém
3.2.1 Corrigindo a confusão - A Declaração do Último Dia

Atos 2:14-15: "Mas Pedro, pondo-se de pé com os onze, levantou sua voz e lhes disse: Homens da Judéia e todos os que habitam em Jerusalém, que isto seja notório a vós, e escutai as minhas palavras. Para aqueles que não estão bêbados, como vós pensais, uma vez que é apenas a terceira hora do dia".

Pedro começou corrigindo a zombaria dos muitos que o ouviram. Alguns ouviram e acreditaram nas grandes obras de Deus (2:11), mas a doação do dom das línguas criou uma confusão entre a multidão. E assim, Pedro passou a corrigir o pensamento deles. 9

Pedro observou que os apóstolos não estavam bêbados, pois ainda não era a terceira hora do dia. Na cultura judaica, o dia judaico começa na alvorada, a terceira hora correspondia aproximadamente às 9:00 horas do nosso tempo, a sexta hora correspondia às 12:00 horas e a nona hora às 15:00 horas. Uma vez que se faz referencia à terceira hora, isto significava 9:00 horas da manhã.

Pedro explicou que estes sinais mostravam que as promessas de Deus estavam sendo cumpridas. Nos versos 16-21, ele ressaltou como estes eventos contribuíram para o cumprimento das promessas de Deus feitas para Joel.

"Mas isso foi proferido pelo Profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, Deus declara: Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões e os vossos velhos terão sonhos. E também do meu espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas naqueles dias, e profetizarão; E mostrarei prodígios nos céus e sinais na terra, sangue e fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo".

Pedro citou a Septuaginta (LXX). Ele modificou a frase-chave "naqueles dias" para "nos últimos dias" para salientar que a profecia de Deus fora cumprida e que o trabalho do espírito por meio de sinais e prodígios havia testemunhado que os últimos dias haviam chegado. Joel disse: "meu Espírito", no singular, ele será derramado, indicando que se referia ao Espírito Santo, o qual fora derramado sobre toda carne. O Espírito havia chegado e feito da Igreja a sua residência.

Não fica claro, porém, a quais sinais cósmicos Pedro estava se referindo (o mesmo palavreado utilizado em Rev. 6:12). A morte de Jesus foi um sinal assim como o sinal da escuridão que cobriu a terra, mas em outra parte das Escrituras, esses sinais estão particularmente relacionados com o período do fim dos últimos dias (Marshall 74).

De acordo com a profecia de Joel, a vinda dos últimos dias significa que o Dia do Juízo Final havia chegado. O dia do Senhor no Antigo Testamento foi o dia no qual Deus chegaria para julgar a terra. A profecia de Joel indicava que, embora o julgamento havia sido anunciado, ainda havia uma oportunidade para o arrependimento e misericórdia. "Todos os que invocarem seu nome (Deus) serão salvos". E ainda que os últimos dias estejam próximos, este será um dia de graça até que Cristo venha novamente uma segunda vez.


3.2.2. O pecado de Israel (23-24)

E tendo explicado sobre o Espírito Santo, Pedro passou a falar sobre Cristo, mostrando o pecado de Israel na rejeição do Messias deles.



"Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, homem aprovado por Deus entre vós com poderosas obras, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmo bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado Conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos (2:22-23)".

Pedro mostrou aos homens de Israel o pecado deles. Mesmo Jesus tendo mostrado quem ele era, através de poderosos sinais e prodígios, os judeus, deliberadamente rejeitaram o Messias. A culpa deles era clara. Pedro, então, continuou a falar que esta rejeição e morte de Jesus faziam parte do plano de Deus. Deus provou que Jesus era o Messias através da reivindicação e da ressurreição do próprio Jesus.10


3.2.3. A prova da "Messianidade"

Pedro por fim, acabou por provar que Jesus era o Messias. A morte não pôde segurar Jesus. As Escrituras claramente nos dizem que o Messias seria ressuscitado dentre os mortos. (Salmos 16:8-11; 2:32) Jesus ressuscitou e, portanto, ele era o Messias (Marshall 76). Pedro alegou também que o derramamento do dom do Espírito Santo mostrou que Jesus era o Messias (2:33-36).11




3.2.4 Os títulos dados a Jesus

Pedro nos conta sobre a nova posição de Jesus através de dois termos bíblicos poderosos: "Ele está sentado à direita de Deus", o que indica uma posição de poder e supremacia, e "A ele foi dado um nome acima de qualquer outro". Este último título equipara Jesus a Deus.

Em Atos 3 e 4, Pedro usou outros títulos importantes para se referir à Cristo no seu sermão e ainda em sua defesa. Vamos examinar brevemente cada um:

A. O servo do Senhor (Deus) (3:13, 26; 4:27, 30) Isso vincula Jesus, em seu sofrimento de morte e sua subsequente ressurreição aos Cânticos do servo de Isaías 52:13-53.12

B. O Santo e o Justo (3:14). O título de Santo aparece em Salmos 116:6; Aaron e Elias também foram chamados de Santos (2 Reis 4:9, Mk. 1:24). Pedro também usou esse título, o Santo como seu nome próprio, e ele ainda usou para mostrar a relação especial de Jesus com o pai. (pode ser uma referencia a Isaías 53:11).

C. O Príncipe da vida (3:15) (ver 5:31 e Hebreus 12:2 indicando a fonte, autor e líder da vida).

D. Um profeta maior que Moisés. É uma referencia da promessa feita em Deuteronômio 18:15, onde se fala que Deus se tornaria um profeta maior que Moisés.

E. Aquele que "Todos os profetas predisseram". É uma descrição geral de que todos os profetas aguardavam ansiosos por Cristo.

F. O SENHOR (ver Bruce, Paulo 76). A palavra Senhor é uma referência ampla e geral para alguém em autoridade; no entanto, na Septuaginta, a palavra Senhor é usada em nome de Deus. Neste caso, Pedro usou o título de Senhor, para atribuir divindade à Cristo.
3.2.5 O comando para Israel: Arrependimento e Batismo

Pedro fez duas exigências, ou melhor, uma exigência com dois aspectos: Israel teria que se arrepender do pecado e ser batizada. Esse pecado era, em particular, a rejeição do Messias. A segunda exigência era: o batismo "em nome de Cristo". Isso significava, na verdade, colocar a fé deles em Jesus, o que somente poderia ser feito se Israel acreditasse que Jesus era o Messias. Paulo salienta uma relação entre fé e batismo em Romanos 10:9 e 1 Coríntios 12:3. Nestas passagens percebemos a ligação da profissão de fé com o batismo. Marshall argumenta que fé e batismo ou arrependimento e fé são duas faces da mesma moeda. A posição de Calvino era de que a fé vem antes, produzindo o arrependimento em seguida (Marshall, 81). Israel foi chamada a se arrepender, a crer e a ser batizada em Jesus assim como, Cristo e Messias.13

A promessa foi feita para eles e para seus filhos. E ela pode ser lida à luz da promessa na ampla aliança feita a Abraão, David e toda a Israel. Deus nunca foi um mero Deus de indivíduos isolados; ele era o Deus de Israel e incluiu também as gerações ainda por vir. A promessa não se limitou a Israel apenas, mas foi sempre para todas as Nações (Gn. 12:1-3). Marshall a viu como uma referência para a promessa de Isaías 57:19 e Efésios 2:13, 17 (81).




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