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O LIVRO DE ATOS


Curso de MINTS

(Miami International Seminary)

Reverendo Julian Michael Zugg

LLB (Hons) Barrister, M.Div.
APRESENTAÇÃO
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO

LIÇÃO 1. Uma Introdução ao livro de Atos


LIÇÃO 2. Cristo estabelece a Sua Igreja em Jerusalém
LIÇÃO 3. A ascensão da perseguição contra a Igreja
LIÇÃO 4. A expansão da Igreja na Judéia e na Samaria
LIÇÃO 5. Missão de Paulo na Galácia (Primeira viagem missionária)
LIÇÃO 6. Missão de Paulo na Macedônia - Acaia (Segunda viagem missionária)
LIÇÃO 7. Missão de Paulo na Ásia / Éfeso (Terceira viagem missionária)
LIÇÃO 8. A prisão de Paulo, defesa, viagem e chegada em Roma

BIBLIOGRAFIA

MANUAL DE INSTRUÇÕES

INTRODUÇÃO
O objetivo desse curso é proporcionar aos estudantes um conhecimento maior das Escrituras, e em particular do livro de Atos. O livro de Atos segue o Evangelho de Lucas com ênfase no crescimento e no triunfo da Igreja. O livro de Atos é um livro histórico do Novo Testamento e faz uma ponte para a compreensão das epístolas de Paulo.
CONTEÚDO DO CURSO
O curso é dividido em oito lições. Ele traça a história dos Atos desde o início da Igreja até a primeira prisão em Roma de Paulo. A primeira metade concentra-se na expansão do evangelho de Jerusalém a Samaria, principalmente através de Pedro. A segunda metade concentra-se na propagação do evangelho para os Gentios, principalmente através de Paulo.
MATERIAL DO CURSO
As aulas expositivas representam o conteúdo completo do curso. Será exigido dos alunos a leitura das aulas juntamente com as Escrituras. Os alunos também serão obrigados a ler os Atos de Marshall.
OBJETIVOS DO CURSO

- Estudar os Atos com os colegas de sala;

- Adquirir conhecimento detalhado da história e das lições dos Atos;

- Desenvolver um entendimento profundo do trabalho de Deus nesse mundo;

- Aumentar o conhecimento de como Deus lida com seus filhos;

- Dominar o livro de Atos para ser capaz de usá-lo na pregação, ensino, e aconselhamento pastoral;

- Dominar o livro de Atos para compreender os antecedentes históricos das epístolas de Paulo.
ESTRUTURA DO CURSO
Este curso foi organizado em oito aulas consecutivas. As aulas seguem o livro de Atos, e por isso devem ser estudadas em ordem.
REQUISITOS DO CURSO
1. Participar de quinze horas de aula.

2. Fazer os exercícios de estudo da Bíblia das oito lições.

3. Ler o livro de Atos e a Mensagem dos Atos de Dennis Johnson.

4. Escrever um sermão ou um estudo de plano de aula sobre um tema dos Atos com no máximo sete páginas ao nível de bacharelado e doze páginas ao nível de mestrado.

5. Fazer os dois exames sobre os Atos, com base nas perguntas do final de cada lição.
AVALIAÇÃO DO CURSO
1. Participação (15%): um ponto será dado pela presença do aluno em cada hora de aula.

2. Dever de casa (40%): cinco pontos serão dados para a conclusão das questões ao final de cada lição.

3. Leitura (10%): os alunos ganharão créditos por completarem os exercícios de leitura.

4. Tese (15%): os alunos irão preparar notas exegéticas para um sermão / ensino.

5. Exame (20%): os alunos serão examinados através de duas provas extraídas das perguntas do final de cada lição.
BENEFÍCIOS DO CURSO
O curso proverá ao aluno os fundamentos do Novo Testamento, mostrando-lhes a história do triunfo do Evangelho através da oposição e do sofrimento. Será mostrado ao aluno como Deus trabalha neste mundo.


LIÇÃO 1. UMA INTRODUÇÃO À IGREJA
1. Uma Introdução ao livro de Atos (Lucas 1:1-4, Atos 1:1-3)
Começaremos nosso estudo pelo Prólogo (Introdução) de Lucas e dos Atos.

Lucas 1:1: "Na medida em que muitos se comprometeram a compilar a narração dos fatos que foram realizados entre nós, assim como aqueles que, desde o início, foram testemunhas oculares e Ministros da palavra e que a nós transmitiram, pareceu-me bom escrever um relato ordenado a ti, ó excelente Teófilo, já que fui testemunha dos fatos no passado, e para que tenhas a certeza sobre as coisas que te foram ensinadas".

Atos 1:1: "No primeiro livro, Ó Teófilo, fiz o primeiro tratado sobre tudo que Jesus começou a fazer e a ensinar, até o dia em que foi recebido em cima, depois de ter ordenado aos Apóstolos através do Espírito Santo, quem ele escolhera. Ele apresentou-se vivo para eles, depois do seu padecimento, por muitas e infalíveis provas, durante quarenta dias, lhes falando sobre o reino de Deus".

Na Igreja primitiva, Lucas e o livro de Atos originalmente circularam juntos. Em um certo ponto Lucas juntou os Atos com os outros evangelhos e Atos tornou-se seu próprio documento, agindo como uma ponte entre os Evangelhos e as Epístolas de Paulo. Uma vez que Lucas e os Atos possuem o mesmo autor, e originalmente circularam juntos, Lucas-Atos é uma narrativa estendida em duas partes (Atos 3-Bruce). Os dois prólogos nos ajudam a entender porque os Atos foram escritos. O primeiro concentra-se sobre a vida de Jesus e o segundo no estabelecimento do Reino. Bruce diz que "a ação de Deus oferece a salvação através de Jesus Cristo para Judeus e Gentios, criando assim um novo povo" (Atos 16). Ele observa que é a ação de Deus que está relatada em toda a narrativa (20) e Atos 1:8, sendo o versículo tema: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra". E será Deus que trará a realização deste plano através da ação do Espírito Santo, dos anjos e dos milagres. Estes Atos são uma necessidade divina, feita em cumprimento das Escrituras (Testemunho dos Evangelhos, 22).1

O livro de Atos é um documento histórico e teológico. As informações históricas indicam que ele foi escrito no primeiro século. Lucas era um historiador completo e detalhista e tanto Bruce como Carson concordam que o "livro de Atos denotava um gênero ou um subgênero reconhecido entre os povos da Antiguidade, caracterizando livros que descreviam os grandes feitos de um povo ou de uma cidade" (285). O livro de Atos abrange um período de trinta anos, entre a morte de Cristo e sua ascensão até os anos 62 d.C (Carson 285).

Lucas usou uma variedade de fontes. Ele disse que seguiu todos os fatos de perto por algum tempo e que teve acesso aos relatos de testemunhas oculares, "aqueles que foram, desde o inicio testemunhas oculares e ministros (Lucas 1:1-4)". Lucas também testemunhou pessoalmente muitos eventos. O pronome "nós" é usado três vezes nas seções em Atos, 16:10-17; 20: 5-21; 27:1-28, e indicam que Lucas estava com Paulo nesses momentos.

Embora existam dúvidas com relação à validade histórica dos relatos de Lucas, ninguém provou que a história dos "Atos" estava incorreta. Lucas registrou os acontecimentos no livro de Atos de maneira detalhada, sendo minucioso na descrição de nomes, datas e eventos. Lucas era um historiador preciso e registrou os fatos a partir de seu próprio testemunho e de outras fontes.

Os Atos de Lucas foram escritos a Teófilo. Não sabemos quem era ele. Podemos dizer que ele era culturalmente grego e, provavelmente, um romano importante. Ele era chamado de "ó excelente Teófilo" no prólogo de Lucas e de "Ó Teófilo" nos Atos.

Quando os Atos eram parte de um único documento com Lucas, ele não teve um título próprio. A necessidade de se dar um nome aos Atos aconteceu quando os documentos foram divididos. A escolha do nome "Atos dos Apóstolos" foi infeliz e inadequada e aconteceu após um conflito entre a igreja e um herege do segundo século, chamado Marcião (c114), que tentou fundar uma igreja rival (Ferguson 685-686)2. O erro cometido por Marcião foi dizer que Paulo era o único apóstolo (Bruce, Atos 5). Em resposta a igreja deu o nome ao livro de "Atos dos Apóstolos", salientando o plural da palavra, Apóstolos. A escolha do nome não foi das melhores, já que Pedro e Paulo desempenharam um importante papel apostólico. Além disso, Lucas estava mais preocupado com a obra de Deus e do Espírito Santo na Igreja, do que com as ações dos Apóstolos. Palavras de abertura no Evangelho de Lucas: "O que Jesus continuou a fazer e a ensinar" (Lucas 1:1), resume o tema central e teria sido um bom título para o livro,
2. Temas teológicos chaves
Lucas não era somente um historiador preciso, mas também um teólogo que escrevia dentro de um propósito teológico. Ele escreveu seus relatos de forma a desenvolver três temas teológicos principais. Em primeiro lugar, Lucas salientou que Deus tem um plano para estabelecer o Reino de Cristo até às extremidades da terra. Os Atos nos mostram Deus trabalhando no seu plano na história da humanidade. O segundo tema principal é a oposição. Como o Evangelho segue adiante pelo mundo, a palavra de Deus, a Igreja, e os mensageiros enfrentam oposição. Em terceiro lugar, enquanto o livro de Atos não minimizava a oposição, os Atos salientavam que o Reino de Deus prevaleceria. Essa oposição não comprometeria o plano de Deus, mas sim, podemos ver que Deus usou a oposição para espalhar sua palavra até os confins da terra. No final, vemos que o plano de Deus foi cumprido enquanto que o Evangelho estava sendo espalhado pelo mundo. Por fim, Lucas escreveu os Atos como uma defesa, uma apologética, contra judeus que acusavam o Evangelho de ser apenas uma heresia judaica e uma ameaça para o domínio romano.

Vamos considerar cada um desses temas teológicos de forma mais detalhada.


2.1. Como a obra de Deus foi trabalhada 3
Em primeiro lugar, fica evidente que Lucas descrevia a obra de Deus no estabelecimento de seu reino. 4 Foi Deus quem conduziu e guiou seus apóstolos e profetas; eles não agiram por conta própria. Essa importante questão aparece em Atos 1:4-8, onde Cristo lhes ordenou que aguardassem até que o Espírito Santo lhes concedesse poder. Isso mostra que eles estavam sob a orientação de Deus e sendo preparados por ele para favorecer o seu o reino através da obra de Cristo. Atos 1:8 é um versículo importante. Cristo falou aos apóstolos que esperassem pelo Espírito Santo, pois ele os prepararia para que fossem testemunhas em Jerusalém e no exterior. Isto foi uma prova de que Deus havia ordenado para os apóstolos que fossem sua testemunha. O reino é de Deus e ele há de acontecer.

Squires (WttG 24-27) argumenta que os Atos descrevem a produção da obra de Deus (14:27, 15:4), de acordo com as Escrituras (1:16). Ele observa que Lucas disse: "que estas são coisas que deveriam acontecer" (26:22). No plano de Deus, Cristo e seu Reino permaneceram no centro do palco (2:22) e este plano teve a ajuda do Espírito Santo (1:8), dos anjos (1:10, 10:3) e dos milagres (14:3). Analisaremos um de cada vez.

A obra de Deus: Lucas e a Igreja primitiva estavam conscientes que os eventos em Atos mostravam as coisas que "Deus realizou entre nós" (Lucas 1:1, 2). Lucas acreditou que os eventos em Atos aconteceram de acordo com o plano de Deus. Paulo afirmou em Atos 14:27: "E quando eles chegaram e reuniram a Igreja, eles relataram sobre tudo que Deus fizera por eles, e como abrira a porta da fé aos gentios". O plano de Deus é descrito como sendo um cumprimento das Escrituras. Em Atos 1:16, Pedro afirma: "Irmãos, a Escritura tinha que ser cumprida, conforme o que o Espírito Santo previamente falara pela boca de David acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus." Também em Atos 26:22 ele afirma: "Até hoje eu tive a ajuda de Deus, e ainda permaneço aqui testemunhando tanto a pequenos e a grandes, não dizendo nada mais do que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer". As coisas profetizadas na escritura deveriam ser cumpridas como uma necessidade divina. Em Atos 3:21, nos dizem que Jesus "deveria" permanecer no céu até o tempo da restauração. Como os eventos do Novo Testamento seguiam o plano de Deus, era uma necessidade divina que estas coisas ocorressem.

O foco principal da obra de Deus é seu filho Jesus Cristo, o Messias, que Deus ressuscitou dentre os mortos. Em Atos 2:22 Lucas registrou: "Homens de Israel, escutai estas palavras: A Jesus de Nazaré, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; este Jesus, que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela".

Atos 1:4-8 indica que Cristo trabalhou através do Espírito Santo. Em Atos 1:8 Jesus prometeu que "Vós recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra". O espírito é o principal agente através das regras de Cristo.

O trabalho do Espírito Santo teve a assistência do trabalho dos anjos. Em Atos 1:10 lemos: "E estando como os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que dois homens vestidos de branco se puseram entre eles". Anjos soltaram João e Pedro da prisão (Atos 5:19, 20). Anjos soltaram Pedro da prisão em Atos 12:11. Em Atos 10:3, um anjo disse a Pedro para ir a casa de Cornélio: "Na nona hora do dia, ele viu claramente numa visão um anjo de Deus, que se dirigia para ele e dizia: Cornélio...". Anjos desempenharam um papel importante ajudando a Igreja em seus testemunhos.

Finalmente, Deus testemunha seu trabalho através de milagres. Em Atos 14:3 nos dizem: "E assim eles permaneceram por muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual deu testemunho à palavra de sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios". Deus realizou milagres para estabelecer seu novo trabalho.

Estes temas chave no livro de Atos salientam que a obra de Deus estava trazendo o Evangelho até os confins da terra. Ao ler o livro de Atos, você verá que Deus usou estes meios para trabalhar no seu plano em cada seção do livro de Atos.


2.2. A oposição à Igreja
Um segundo tema chave é a oposição à propagação do evangelho. Essa oposição começou em Jerusalém e continuou ao longo do livro. Ela surgiu a partir de várias grupos: dos Judeus que se opuseram a obra de Deus, dos Gentios que também se opuseram e até mesmo dos cristãos judaicos que eram contra a propagação do evangelho para os Gentios.
2.2.1. Oposição Judaica

A primeira grande oposição à mensagem surgiu a partir da liderança judaica. Inicialmente, o povo em Jerusalém aceitaram a mensagem do Evangelho, mas a liderança foi ameaçada pelo poder e pela popularidade dessa mensagem. O Sinédrio se opôs ao ministério de Pedro e João em Jerusalém, aprisionando-os e espancando-os. Sob a liderança judaica, Estevão foi apedrejado, e esta oposição dos judeus, liderada por Paulo dispersou a Igreja de Jerusalém. Nos primeiros dias depois de Pentecostes, o evangelho e a Igreja eram apoiadas no judaísmo, mas rejeitados pela liderança judaica, particularmente pelo Sinédrio.

Esta situação mudou com a disseminação do Evangelho na região dos Gentios. Agora todos os Judeus se opunham à mensagem de Paulo. Paulo foi perseguido por varias cidades e por cinco vezes recebeu as 40 chicotadas menos uma. Ele também foi apedrejado e deixado para morrer em Listra (Atos 14) e os Judeus continuaram a atacar constantemente o seu testemunho. Paulo e as novas igrejas enfrentaram grande oposição e elas foram relatadas em todos os Atos remanescentes.
2.2.2. A oposição dos cristãos judeus
Oposição também surgiu dos judeus cristãos dentro da Igreja. A propagação do evangelho para os Gentios era vista de forma preocupante pelos cristãos judeus, os quais não tinham certeza se esta propagação era uma aberração do judaísmo ou algo novo de Deus que deveria ser aceito.

Pedro e Paulo enfrentaram esta oposição. Em Atos 10, Pedro levou o evangelho aos

Gentios tementes a Deus. Isso criou uma oposição por parte dos Judeus que acreditavam na circuncisão. Lucas registrou essa oposição em Atos 11:1, "Agora os apóstolos e os irmãos que estavam na Judéia e também os Gentios tinham recebido a palavra de Deus. Assim quando Pedro subiu a Jerusalém, foi criticado pelos que estavam na festa da circuncisão, dizendo: Entrastes em casa de homens incircuncisos, e comestes com eles".

Não existe muita clareza nas informações relativas à festa da circuncisão, se ela era uma seita dentro do cristianismo ou se ela fazia referencia a toda a comunidade dos cristãos judeus. Em todo caso, isso mostra que havia uma oposição real dentro da Igreja em relação à evangelização dos Gentios, já que eles não se tornaram judeus. Pedro foi forçado a defender suas ações antes da reunião da Igreja, e também mais tarde, antes do Conselho Judeu. Embora a Igreja em Jerusalém não tenha feito objeções, eles se reuniram e louvaram a Deus, 11:18. E isto não quer dizer que todos na Igreja os apoiavam. É importante notar que a Igreja de Jerusalém não se envolveu realmente com a missão dos Gentios.

Da mesma forma, os Fariseus cristãos fizeram oposição ao trabalho de Paulo dentro da Igreja. Após a primeira viagem missionária de Paulo, os Judeus, os fariseus e os cristãos foram de Jerusalém para Antioquia. Eles argumentavam que uma pessoa não poderia ser salva sem a circuncisão (15:1). Em Atos 15:5, os cristãos fariseus defenderam esta mesma posição no Conselho de Jerusalém. Embora o problema tenha sido resolvido, Paulo continuou a enfrentar oposição de dentro da Igreja de Jerusalém. Em Atos 21:21 (um evento que ocorreu no fim da carreira missionária de Paulo), Lucas registrou o aviso de Tiago a Paulo: "Eles têm dito sobre vós que estais a ensinar todos os judeus que estão entre os gentios à abandonarem Moises, dizendo-lhes para não circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei." Isto revela que mesmo nesta fase final, os judeus cristãos estavam desconfiados e declaradamente hostis (244).

A oposição dos cristãos judeus resultou de mal entendidos e receios de que os padrões morais dos judeus estivessem sendo deixados de lado e de que a igreja seria reformada pela cultura dos Gentios.


2.2.3 Oposição geral e os Gentios

Mais tarde quando o evangelho entrou em contato com o poder romano, Roma tornou-se a grande perseguidora e Paulo acabou sendo martirizado em Roma. A razão para essa oposição foi de que a igreja havia desafiado o estilo de vida pecaminoso daqueles que estavam em torno deles, qualquer Judeu ou Gentio. Os sacerdotes judeus estavam preocupados em perder sua posição. Eles estavam também com inveja do sucesso do Apóstolo e preocupados com a Nação (Atos 3, Atos 5:17:5). Os judeus não gostavam de perder seus costumes e tradições, ou o seu sentimento de privilégio diante de Deus (Atos 7-Estevão, 14-Antioquia, da Pisídia, 17-Tessalónica). Paulo, antes de sua conversão, ficou horrorizado que a Lei e Moisés estavam sendo rejeitados na suposta vinda do Messias. Os gentios estavam preocupados que seus ídolos seriam destruídos (Atos 19:23ss). Os romanos se preocupavam que o Evangelho seria a rejeição final da lealdade a Roma e da adoração ao imperador. Com a propagação do evangelho, a pecaminosidade do homem ficou exposta e como consequência, provocou a oposição.


2.3. A Igreja continuou a testemunhar e o plano de Deus foi cumprido
O terceiro tema era de que a Igreja continuava a testemunhar. Como uma apologética para os Judeus, Lucas citou o próprio teste da verdade do fariseu líder, Gamaliel em Atos 4, argumentando que as coisas que Deus prometeu iriam acontecer; isto provou, de acordo com Gamaliel, que se tratava de uma nova obra de Deus em Israel. Quem rejeitasse ou lutasse contra os relatos do livro de Atos, estaria rejeitando Deus também.

A oposição ao evangelho ocasionou ainda mais oportunidade para se testemunhar. Quando Paulo perseguiu a Igreja, isso se espalhou e forneceu testemunhos, não apenas em Jerusalém, mas em toda a Judéia e Samaria. Quando Paulo foi colocado na prisão em Filipos, ele testemunhou para o carcereiro de Filipos e, além disso, a sua detenção e prisão em Cesaréia em Atos 21, o levou a testemunhar para as autoridades judaicas e romanas. A oposição não impediu o testemunho do evangelho, em vez disso, a oposição, a detenção e o julgamento trouxeram ainda mais oportunidades para se testemunhar. Paulo resumiu este princípio em Filipenses 1:12: "E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para o avanço do Evangelho, e que minhas prisões por Cristo se tornaram conhecidas em toda a guarda imperial e por todos os lugares". Deus usou a oposição dos inimigos para proclamar ainda mais o seu testemunho.

As promessas de Deus estavam cumpridas. Em Atos 1:8 Jesus prometeu aos apóstolos que eles seriam testemunhas de Jerusalém em Roma. Em Atos 28 apareceu que as promessas haviam sido cumpridas. Da mesma forma, o Senhor prometeu a Paulo que ele iría testemunhar em Roma dizendo: "Mas na noite seguinte o Senhor permaneceu diante dele e disse", tem bom ânimo, Paulo; porque como testemunhastes por mim em Jerusalém, assim tu testemunharas também em Roma "(Atos 23:11). Apesar da chegada de Paulo em Roma ter sido inesperada e complicada, ele realmente conseguir chegar. Através de muitas labutas, perigos e armadilhas o evangelho se espalhou em todo o mundo. Ele começou em Jerusalém e se difundiu até Roma, que era o centro do Império e do mundo conhecido. As últimas palavras no livro de Atos ditas por Paulo foram:" Pregando o Reino de Deus e ensinando com toda a confiança as coisas que dizem respeito ao Senhor Jesus Cristo, ninguém o impediu ". (Atos 28:31)

2.4. Apologia de Lucas e Paulo para os Romanos
Um quarto tema em Atos é uma apologia, uma defesa dos cristãos contra a idéia dos judeus e romanos que alegavam que o cristianismo era uma ameaça. Aproximadamente 25% do livro de Atos aborda este tema e 50 % de todos os discursos registrados de Paulo em Atos são aqueles feitos em sua própria defesa. Para os Judeus, Lucas salientou que a ressurreição era uma doutrina judaica; e que a esperança judaica que era consistente com o ensinamento dos Fariseus (23: 6-9). Para os Romanos, Lucas mostrou que Paulo não era um revolucionário que desejava derrubar o governo da época . Lucas dedicou um quarto do livro de Atos a este propósito (18:14, 23:29, 28:17).
3. Estruturas de tópicos e marcadores literários do livro de Atos
Existem várias maneiras de dividir o livro de Atos. Uma estrutura clara e simples é apresentada em Atos 1:8 acima, no qual o Evangelho vai de Jerusalém, (capítulo 1-8), a Judéia e Samaria (capítulos 9-12) e até os confins da Terra (13-28). O livro de Atos também podem ser divididos em duas partes. A primeira parte fala de Pedro em Jerusalém, Judéia e Samaria (Atos 1-12) e a segunda parte fala de Paulo levando o evangelho de Jerusalém para Roma (Carson 13-28). Carson também observa que Lucas usou uma série de marcadores chaves. Em cada seção Lucas leva o leitor através de ambientações geográficas e culturais distintas e termina cada seção com um breve resumo sobre o crescimento da Igreja (Atos 6.7, 9:31, 12, 24, 16:5, 19:20) e (Carson 286). Esses recursos fornecem interrupções naturais na narrativa do livro de Atos. Incluí também um esboço padrão para o livro de Atos feito por Hendricksen.
A obra de Jesus Cristo na extensão da Igreja.

(1-12) I - A extensão da Igreja em e a partir de Jerusalém


(1-7) A - Em Jerusalém

  1. A ascensão de Cristo. Escolha de Matias para substituir Judas. O derramamento do Espírito Santo. Resultados: (1,2)

  2. Prodígios e sinais; particularmente a cura do mendigo coxo (3:1-4:31).

  3. Testemunhos e partilha voluntária; também a perversão no caso de Ananias e Safira (4:32-5:11).

  4. Conquista de almas; o rápido crescimento da Igreja, o que resultou em perseguição, prisão dos doze e o martírio de Estevão, o que provocou um maior crescimento do evangelho (5:12-7:60).

(8-12) B - De Jerusalém, em toda Judéia e Samaria e regiões vizinhas



  1. Trabalhos missionários de Filipe (8).

  2. Conversão de Saulo (9:1-30).

  3. Trabalhos missionários de Pedro (9:31-11:18).

  4. Os resultados destes trabalhos: o crescimento posterior da Igreja, o que resulta em mais perseguições: o martírio de Tiago, filho de Zebedeu e a prisão de Pedro (11:19-12:25).

(13-28) II - A extensão da Igreja de Antioquia, através de trabalhos de Paulo

A. Primeira viagem missionária de Paulo e o Conselho de Jerusalém (13:1-15:35).

B. Segunda viagem missionária (15:36-18:22).

C. Terceira viagem missionária (18:23-21:16).

D. Paulo em Jerusalém e Cesaréia (21:17-26:32).

E. Viagem a Roma, a chegada e a primeira prisão romana (27.28).

(Hendrickson 402.403)




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