Tiradentes Frei Galvão



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PROJETO DE LEI Nº 498, DE 2008
Dá a denominação de "Tiradentes - Frei Galvão" a Estação Tiradentes da Linha 1 (Azul) do Metrô, na Capital de São Paulo.



A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:
Artigo 1º - Passa a denominar-se de “Estação Tiradentes-Frei Galvão” a atual Estação Tiradentes da Linha 1 (Azul), Norte-Sul, do Metrô de São Paulo.

Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.




JUSTIFICATIVA

Tiradentes é, e com muita justiça, considerado um herói nacional. Joaquim José da Silva Xavier, juntamente com vários integrantes da aristocracia mineira, poetas e advogados, passou a fazer parte do movimento que ficou conhecido pela denominação de Inconfidência Mineira, cujo principal objetivo era conquistar a Independência do Brasil.


O movimento surgiu em um período em que o país sofria o domínio e a exploração de Portugal. O Brasil era desprovido de Constituição, não tinha o direito de desenvolver indústrias em seu território e o povo sofria com os altos impostos cobrados pela metrópole portuguesa.
Excelente comunicador e orador, Tiradentes detinha capacidade de organização e liderança, o que fez com que fosse o escolhido para liderar os inconfidentes. No entanto, em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento veio a ser descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792.
Alguns, por serem filhos de aristocracia, receberam penas mais brandas, tais como o açoite em praça pública ou o degredo. Tiradentes, na condição de líder do movimento e com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado a forca e executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.
Assim, com muita razão, seu cognome foi atribuído a importante avenida da cidade de São Paulo:
“No princípio do século XIX, o bairro paulistano da Luz mantinha-se com uma acentuada configuração semi-rural. Situado ao norte da cidade, limitava-se a leste com os meandros do Rio Tamanduateí e a norte com o curso do Rio Tietê. (...)

A parte setentrional da cidade era constituída por campos férteis, regularmente inundados com o crescimento das águas do Tietê e Tamanduateí, ocorrido durante o verão. Quando a casa jesuítica de São Paulo passou à condição de vila em 1560, os portugueses transferidos de Santo André trouxeram suas cabeças de gado para pastar na região da Luz, então denominada Guaré ou Guarepe. Ainda no século XVI uma pequena ermida foi construída à beira da trilha indígena que seguia em direção ao norte. Como sua invocação era de Nossa Senhora da Luz, essa denominação acabou estendida a toda circunvizinhança. Mesmo quando, no século XVIII, se construiu um recolhimento feminino próximo do local da ermida, parte do antigo orago acabou conservado na invocação da nova instituição religiosa – Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz –, cuja sede abriga hoje o conhecido Museu de Arte Sacra de São Paulo. (...)

Desde fins dos Setecentos, vinham surgindo ao longo da estrada que se dirigia para o sul de Minas (atual Avenida Tiradentes) alguns equipamentos importantes para a região. O mais venerável deles era sem dúvida o Recolhimento da Luz (1773), a que já fizemos menção. Mas havia também o Jardim Público, antigo Jardim Botânico (1825), a Casa de Correção (c.1840- c.1870), penitenciária provincial, e o Seminário Episcopal (1853- c.1860).

As primeiras residências paulistanas a chamar a atenção por seu estilo arquitetônico foram a do Conselheiro Fidélis Nepomuceno Prates (1857- c.1860), erguida na Rua do Comércio da Luz (Avenida Tiradentes), e a de José Maria Gavião Peixoto (1858-1860), sita na esquina da Rua Alegre (Brigadeiro Tobias) com a Rua Episcopal (Washington Luís), ambas concebidas segundo os padrões do Neoclassicismo que nos chegava da Corte. (Campos, Eudes. A vila de São Paulo do Campo e seus caminhos. Revista do Arquivo Municipal. São Paulo, DPH, p.13-36, n.204, dez.2006). (grifamos).


A tão conhecida Avenida Tiradentes emprestou sua denominação, já consolidada, à Estação Tiradentes, da Linha 1 do Metrô de São Paulo, estação subterrânea que foi inaugurada em 26 de setembro de 1975.
Temos ciência do quanto é desafiador agregar nova denominação a um equipamento público que, há mais de trinta anos, integra a geografia da cidade de São Paulo, no entanto recentes acontecimentos, que tiveram repercussão nacional e internacional, vêm fornecer os meios necessários para a adoção dessa providência.
A beatificação do brasileiro Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, conhecido pelas multidões de fiéis como Frei Galvão, foi resultado de um processo onde constam 27.800 graças documentadas, além de outras consideradas milagres, foi celebrada pelo Papa João Paulo II em 1998, constituindo-se num grande marco na história do sentimento religioso do povo brasileiro.
Frei Galvão era Sacerdote da Ordem dos Frades Menores Descalços, foi beatificado no dia 25 de outubro de 1998, na Cidade Eterna, recebendo do Papa João Paulo II os títulos de Homem da Paz e da Caridade e de Patrono da Construção Civil no Brasil.
Sua canonização pelo Papa Bento XVI, ocorrida em 11 de maio de 2007, foi um fato inédito, pois se deu em solo brasileiro, no Campo de Marte, na cidade de São Paulo, durante a visita do sumo pontífice ao Brasil. Frei Galvão foi o primeiro brasileiro nato a merecer a grande honra dos altares. É o primeiro Santo Brasileiro.
Muito já se escreveu sobre a vida de São Frei Galvão, no entanto cumpre destacar que o Mosteiro da Luz, localizado na Avenida Tiradentes nº 676, em São Paulo, ao lado da Estação Tiradentes do Metrô, foi uma obra que consumiu 48 anos da vida de Frei Galvão, foi ele quem desenhou a planta e deu início à construção do Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, conforme nos informa o Padre Dimas de Paula Inácio em seu livro: Frei Antônio de Sant'Anna Galvão: O Santo Brasileiro, Editora Boas Novas, Suzano, São Paulo, 2007.
O Mosteiro da Luz é famoso em São Paulo pela densa espiritualidade que possui. É muitíssimo solicitado nas orações, aconselhamento e assistência espiritual. Além disso, o ponto central das atenções é Frei Galvão, por ter sua sepultura no interior na capela do Mosteiro. Ele foi venerado como "Santo" já em vida e continua aumentando sempre mais a fileira de seus devotos. Seu túmulo é visitado constantemente, fazendo acontecer muitas peregrinações.1
Não se pode negar a importância de Frei Galvão, aliás, sobre ele afirmou Dom Odilo Scherer, arcebispo da Arquidiocese de São Paulo, a maior do Brasil, com seis milhões de católicos:
“(...) Acolhia bem as pessoas e tinha especial atenção pelos pobres, doentes e pessoas aflitas. Desempenhou vários cargos de responsabilidade na sua comunidade religiosa. Era um "homem de Deus" e não media esforços para ajudar as pessoas a se aproximarem de Deus. Por isso, já em vida, era venerado pelo povo, que recorria a ele em suas inumeráveis necessidades.”
O Santo Frei Galvão, cujos restos mortais acham-se abrigados na capela do Mosteiro da Luz é, sem dúvida uma referência que não pode ser ignorada, especialmente pelo fato de muitíssimos fiéis católicos, de todo o Brasil, procurarem se dirigir àquele local, ao lado da Estação Tiradentes do Metrô, para professarem sua fé cristã, muitos, inclusive, por não conhecerem a cidade e a inexistência de uma referência adequada, ficam perambulando, semi-perdidos, pelas imediações do mosteiro.
Referido pleito teve seu embrião quando, intermediados pelo cidadão Paulo Troise Voci, tivemos a oportunidade de conhecer a comunidade polignanesa em São Paulo que, vinculada à Igreja São Vito, é responsável pela realização da tradicional Festa de Rua São Vito Mártir, que acontece nos meses de maio e julho desde 1918.
Trata-se de uma festa litúrgica, evento oficial da Cidade de São Paulo e da Igreja Católica, que possibilita que sejam transmitidas as tradições culturais italianas às gerações de descendentes, bem como a todos os brasileiros, transformando o bairro do Brás numa rota cultural-gastronômica.
Diante de todo o exposto entendemos existirem razões suficientes que possibilitarão impulsionar nossos nobres pares a apoiarem e aprovarem o presente projeto de lei.



Sala das Sessões, em 1/8/2008
a) Olímpio Gomes - PV


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