Tim lahaye & bob phillips a profecia da babilônia 04



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TIM LAHAYE & BOB PHILLIPS


A PROFECIA DA BABILÔNIA 04

A ERA DA ESCURIDÃO





Best Seller

2011

Tradução: Marcelo Almada



Dedicado a todos aqueles que percebem que este mundo é uma confusão irreversível e que querem acreditar que existe esperança de um mundo melhor amanhã.
PREFÁCIO

de Tim LaHaye


Um famoso cientista apresentou uma sombria previsão ao di­zer: "Não vejo futuro além do ano 2025 para o mundo tal como o conhecemos." Mais otimista, outro profetizou que 2050 seria o ano do Juízo Final! Há pouca esperança para os adolescentes de hoje.

Nos dias atuais, abundam armas de destruição em massa nas mãos de terroristas; países rebeldes, como a Coréia do Norte, que não pretendem renunciar às armas nucleares a fim de chantagear o mundo com regimes ditatoriais implacáveis comprovadamente sem consideração pela vida, e, agora, a ascensão ao poder de um louco islâmico que se auto-definiu na ONU como destinado a criar o caos no mundo para que seu profeta volte à Terra e instaure uma ditadura islâmica mundial.

Correndo o risco de parecer demasiadamente negativo, cite­mos mais problemas no domínio da natureza: terremotos de intensidades inusitadas (alguns acima de 9 na escala Richter), furacões sem precedentes, epidemias fora de controle, como a Aids - que ameaça dizimar a África -, a ameaça de uma epidemia de "gripe asiática"... e a lista continua. Estamos nos aproximando de um tem­po de escuridão.

Contudo, esse não é o fim! Os profetas hebreus, Jesus Cristo e seus apóstolos advertiram várias vezes que tais dias viriam. Por isso, comecei esta série de thrillers de ação baseados nas profecias bíblicas; para mostrar que, mesmo à beira da escuridão, há muita esperança para o futuro.

O professor Michael Murphy, empolgante herói da nossa série A Profecia da Babilônia, é a pessoa perfeita para interpretar os tem­pos à luz das antigas profecias da Bíblia. Esse estudioso de arqueo­logia e profecias bíblicas encontra grande satisfação em provar, do ponto de vista arqueológico, a exatidão da Bíblia.

Este livro não poderia ser mais oportuno. Oferece uma respos­ta intrigante e extremamente relevante para os problemas do plane­ta e os tempos em que estamos vivendo.





UM


Chamem de instinto, intuição ou malícia, o fato é que um arre­pio percorreu a espinha de Murphy. Um estalo o fez saltar do assen­to do carro da montanha-russa o mais rápido que sua estrutura de l,90m lhe permitia. Saltou para trás, agarrando o assento com as duas mãos. Tão logo os pés tocaram o para-choque ao redor do carro, agachou-se e prendeu a respiração.

Foi por um triz. Uma lufada de vento desalinhou-lhe os cabe­los quando dois blocos de cimento de aproximadamente 35 quilos caíram, esmagando o assento onde ele estivera um instante antes.



Um milésimo de segundo a mais, e eu teria morrido, pensou. Como é que ainda faço coisas desse tipo?
Era um desses dias em que tudo dizia a Murphy Não vá trabalhar. Um dia belo demais para ficar dentro de uma sala de aula ensinan­do arqueologia bíblica. Enquanto com relutância juntava os papéis e os enfiava na pasta, as palavras de Mark Twain ecoavam em sua mente: Faça todos os dias algo que você não quer fazer; essa é a regra de ouro para adquirir o hábito de cumprir sem dor os deveres.

Murphy nunca se cansava de admirar o caminho para a facul­dade e o campus da Preston University. Algo o atraía profundamen­te nas viçosas folhagens do Sul e na beleza das magnólias em flor. Ao estacionar o carro na área reservada aos professores, percorreu a arborizada alameda que conduzia ao escritório próximo ao Memo­rial Lecture Hall. Um perfume de jasmim invadiu-lhe os sentidos.

Sob as árvores, alguns alunos estudavam, mas a maioria ape­nas conversava com os amigos. Um grupo lançava um frisbee de um lado para outro. Murphy lembrou-se de quando era estudante. A vida era muito mais simples naquela época. Eles nem sequer ima­ginam como eram bons aqueles tempos.

Pensou de repente na imagem de Laura, nos momentos de riso e alegria que tiveram durante o casamento. Anos felizes, antes de ela ser assassinada por Talon. A dor rasgou-lhe as entranhas, e um suspiro escapou-lhe dos lábios. Expulsou, então, as lembranças para que a tristeza não o esmagasse.

Ao chegar ao escritório, abriu a porta e soltou um gemido. Na mesa, pilhas de provas de alunos e relatórios de leitura aguardavam avaliação. Vou deixar isso para Shari. Ela vai me odiar, mas assisten­tes não são para isso, para executar tarefas de que a gente não gosta?

Shari estava no laboratório há quase uma hora. Examinava um en­velope ao microscópio quando Murphy entrou.



  • Já sei, já sei. Você quer saber o que estou fazendo aqui tão cedo.

Murphy abriu um sorriso tipo gato de Cheshire e olhou para Shari. Sua tez muito clara e os olhos de um verde reluzente contras­tavam com os cabelos pretos, e suas marias-chiquinhas quase co­briam o microscópio sobre o qual ela estava debruçada. Shari vestia seu jaleco preferido.

  • Sei que adora este lugar - ele disse. - Talvez eu devesse tra­zer uma cama para cá, assim você não precisaria voltar para casa à noite.

Ela olhou para ele e franziu o nariz.

  • Até parece que você não se envolve com seu trabalho!

  • Quem, eu? - perguntou Murphy, soltando a pasta. - O que está olhando?

Shari ergueu o rosto com uma expressão de culpa.

  • Ah, é algo que chegou para você pelo correio.

  • Para mim? Por que está examinando minha correspondên­cia num microscópio?

Ela sorriu, com um brilho no olhar.

  • Só estou tentando protegê-lo.

  • Proteger-me de quê?

  • Do que pode estar aí dentro.

  • Muito misterioso. Do que está falando?

  • Acho que é uma carta de seu admirador - ela respondeu com um sorriso malicioso.

  • Deixe-me adivinhar. O nome dele começa com M?

  • Nada mal, professor, para esta hora da manhã.

Shari entregou-lhe a carta.

  • Estava comparando a caligrafia com a de outras cartas que você recebeu do admirador maluco. É a mesma.

Murphy segurou o envelope contra a luz e notou que dentro havia um cartão de 7 por 12 centímetros.

  • Por que não o abre?

Murphy sorriu. Shari sempre ficava curiosa com qualquer coi­sa que parecesse um mistério. Ele abriu o envelope, tirou o cartão e começou a lê-lo.
Reme, reme, reme, suavemente, pelo lago

Ande, ande, fale, coma um pedaço de bolo

Pegue, pegue, pegue o bonde

Esteja certo de parar e visite Molly
Dance, dance, dance o choo-choo

Visite o zoo e também o cassino
Você dá voltas, e voltas, e voltas

Não se deprima por causa do tornado
Procure, procure, procure e encontre

Cuidado para não perder a cabeça
Procure, procure, procure, como um rato

Talvez encontre uma casa de diversões


  • Chega de poesia! - ironizou Shari. - O que acha que ele quer dizer? Talvez tenha finalmente enlouquecido.

  • Matusalém é estranho, excêntrico, até mesmo sádico... mas não é louco. Suas indicações e enigmas já nos levaram a muitas des­cobertas arqueológicas. - Murphy levou a mão ao queixo, perdido em pensamentos. - Deve ter algum outro troféu para procurarmos.

  • Tem alguma idéia do que se trata agora?

Murphy passou os dedos pelos cabelos castanhos e começou a andar pela sala. Shari sorriu e ficou observando o chefe. Sabia que era melhor não incomodá-lo quando suas engrenagens mentais es­tavam em funcionamento.

Murphy foi até o computador e entrou na internet. Shari colo­cou-se atrás dele, intrigada, observando-o digitar "Parques de Di­versões". Depois de 15 minutos de buscas voltou-se para ela.



  • Talvez eu tenha decifrado o enigma.

  • Então diga logo, senhor Sherlock Holmes. Não faça suspense.

  • A primeira pista é a palavra bonde. No começo do século XX, um dos principais meios de transporte nas grandes cidades era o bonde elétrico.

  • E daí? O que isso tem a ver?

  • Vamos com calma. Consta aqui: as companhias de eletrici­dade no começo dos anos 1900 cobravam uma soma fixa das com­panhias de bonde. Independentemente do número de passageiros, a quantia era a mesma. Os donos das companhias de bondes tenta­ram, então, conseguir mais passageiros. O plano deles era construir parques de diversão no ponto final das linhas, o que atrairia mais gente e geraria mais renda. Não foi má idéia, né?

  • Acho que agora você deve ter perdido o juízo.

  • Minha querida, ouça bem. A frase "Faça uma visita a Molly" é a chave do enigma. Em 1910, um parque de diversões chamado Lakewood foi construído no final da linha de bondes em Charlotte, Carolina do Norte. Naquela época, ficava a quase 5 quilômetros da cidade. Sua planta era semelhante à do parque de Coney Island e tornou-se uma das maiores atrações do Sul.

  • Como você sabe disso tudo?

  • Genevieve Murphy.

  • Quem é Genevieve Murphy?

  • Minha avó. Ela morava em Charlotte, e eu costumava visitá-la no verão. Ela me contava histórias sobre a infância no Sul. Uma dessas mencionava um parque com bondes e um lago. Lembro-me de uma montanha-russa, que ela adorava a ponto de andar umas duas, três vezes a cada ida ao parque.

  • Continue, estou ouvindo.

  • O Lakewood Park tinha um pequeno lago com barcos a remo - Reme, reme, reme, suavemente, pelo lago. Ande, ande, fale, coma um pedaço de bolo. Ao redor, havia uma alameda com barra­cas arrendadas. Também havia uma montanha-russa de quase 1 quilômetro antigamente chamada Scenic Railway. Um trenzinho panorâmico, que também chamavam de Mollys Madness, loucuras de Molly. Além disso, havia um carrossel para cem pessoas, tiro ao alvo e um pequeno zoológico. E ainda uma pista de dança, que fi­cava sobre uma parte do lago, e um cassino. Essas atrações todas têm relação com o enigma de Matusalém.

  • E o que seria "Não se deprima por causa do tornado"?

  • Acho que é a parte conclusiva, Shari. Em 1933, a Grande Depressão levou o Lakewood Park à falência. As pessoas não ti­nham dinheiro para andar nos brinquedos nem para jogar. Em 1936, um grande tornado atingiu o local e arrasou o parque. As fortes chuvas que caíram em seguida romperam o dique e inunda­ram tudo. Nunca consertaram os estragos, e o parque fechou para sempre.

  • Ruína total. Não restou mesmo nada do parque?

  • Não. Acho que construíram algo no local anos atrás. Mas dizem que os donos do parque estavam construindo no subsolo uma espécie de casa de diversões. Era para haver barris rolantes, tobogãs, pontes balançantes, roleta humana, um labirinto de espe­lhos e um passeio no Túnel do Medo.

  • Tudo isso no subsolo?

  • É o que diziam. Talvez tenham construído, mas não para o público. Talvez isso se relacione à frase "Procure, procure, procure, como um rato. Talvez você encontre uma casa de diversões". Matu­salém sugere que eu procure algo. Provavelmente, velhos registros de edificações dos anos 1930. A casa de diversões talvez ainda este­ja lá, em algum lugar do subsolo, em Charlotte.

Shari notou o brilho no olhar de Murphy.

  • Você não vai tentar encontrá-la, vai? Preciso lembrá-lo de que Matusalém já tentou matá-lo várias vezes?!

  • Eu sei, eu sei. Mas suas indicações nos ajudaram a encontrar a cabeça de ouro de Nabucodonosor, a Arca de Noé e a famosa Es­crita na Parede. Fico curioso para ver a qual nova descoberta ar­queológica ele nos conduzirá.

- O problema é justamente esse. Você é curioso demais.

Se Shari falasse para a parede teria sido a mesma coisa. Ele já estava decidido.


O despertador de Murphy tocou às 5 horas da manhã. Ele resmun­gou um pouco e o desligou.

Muito bem, já é hora de uma nova aventura, pensou.

Queria acordar a tempo para o café da manhã e fazer a viagem de duas horas e meia de Raleigh para Charlotte. Ele telefonara no dia em que recebera o enigma de Matusalém e disseram-lhe que os Arquivos Públicos abriam às 9 horas da manhã.



O que será que aquele velho excêntrico reservou para mim?, pensou Murphy. É melhor eu me preparar.

Colocou na mochila água, uma faca, um machadinho, um kit de primeiros socorros, uma bússola, corda e mais algumas utilida­des. Em seguida, olhou ao redor pensando em o que mais levar.



Laser, ele pensou.

Foi até o closet e pegou um estojo preto à prova de choque, de l,50m por 30 centímetros. Abriu-o e sorriu, lá estava Laser. Acari­ciou o arco composto de fibra de carbono laminada e, instintiva­mente, examinou o sistema de tração com os cabos e polias excên­tricas instaladas nas pontas do arco. Com esse arco ele poderia lançar uma flecha em linha reta como um laser a uma velocidade de 100 metros por segundo.



Isto poderá ser útil, pensou. Quem sabe o que Matusalém está tramando desta vez?

Desde a adolescência Murphy se interessava por arco e flecha. Era uma disciplina de precisão, e ele se tornara um excelente arqueiro. Suas flechas certeiras atingiam o alvo como pequenos mís­seis guiados. Laser o socorrera mais de uma vez, até mesmo contra um dos falcões de Talon, na Pirâmide dos Ventos.



Doze flechas serão o bastante, ele pensou. Deve ser o suficiente

A viagem a Charlotte deu a Murphy tempo para pensar. Ele se con­traiu todo ao lembrar-se de quando Matusalém o lançara contra um leão num armazém em Raleigh. Conservara a cicatriz no om­bro como lembrança. Depois houve o episódio da Caverna das Águas, onde quase se afogou tentando salvar dois filhotes de pastores-alemães. E também a vez em que Matusalém cortou o cabo com que ele atravessava a Garganta Real, no Colorado. Ah, e também a ocasião em que cascavéis caíram sobre ele em Reed Gold Mine.



Matusalém é um homem muito estranho, pensou Murphy. Deve passar noites em claro imaginando armadilhas para mim. E eu simplesmente faço o jogo dele, arriscando minha vida para resolver seus enigmas. Quem, então, é o louco?

Murphy, antes, passou pela biblioteca principal. Ficou uma hora vasculhando velhos recortes da Charlotte Gazette. Já estava indo em­bora quando viu um pequeno artigo datado de 12 de abril de 1929.

TÚNEL DO MEDO
Jesse P. East e Roland Kalance, proprietários do Lakewood Park e da Trolley Company, planeja­ram uma nova atração para o parque. Deve chamar-se Túnel do Medo. Será uma atração só para os corajosos e integrará a nova casa de diversões subterrânea. A construção começará em setembro e não tardará mais que um ano para ser concluída. A este repórter disseram que o custo da construção deve alcançar a espantosa cifra de 53 mil dólares.

Floyd Cornford - repórter


Murphy respirou fundo. Bem, Matusalém disse: "Procure, pro­cure, e encontre", pensou.

Murphy passou quase as quatro horas seguintes nos Arquivos Públicos do condado, a maior parte do tempo tentando abrir cami­nho em meio aos intermináveis labirintos e obstáculos da burocra­cia governamental. Chegou a precisar invocar a Lei da Liberdade de Informação até conseguir acesso a algumas plantas.

Ao se dar conta de que os nomes das ruas nos mapas antigos não coincidiam com os atuais, Murphy solicitou ajuda a um dos atendentes.


  • Senhor Murphy, que eu saiba, o Lakewood Park ficava entre a atual Lakeview Street e a Norwood Drive, ao norte, a Parkway Avenue, a leste, e a Parkside Drive, ao sul.

  • Tem idéia do que existe hoje no local? - perguntou Murphy.

  • Bem, o mapa indica que há uma subestação de energia elé­trica e, ao que parece, dez armazéns no local onde ficava o lago. Situam-se ao norte de Parkside Drive. Há também quatro grandes armazéns ao sul de Parkside. Estes já fora do lago.

Murphy sorriu.

  • Examinando estes velhos mapas, parece que a casa de diver­sões que o senhor East e o senhor Kalance construiriam se localiza­ria embaixo de um dos novos armazéns. Certo?

O atendente examinou os mapas de 1929.

  • Parece que sim. Olhe aqui, a oeste da casa de diversões. Pa­rece que cavaram um poço no chão. Se foi aberto, é por aí que os operários entravam e saíam ao escavar o terreno. Devia ser a entra­da para a casa de diversões, a partir do cassino.

  • Sabe se concluíram o projeto?

  • Isso foi 65 anos atrás. Eu ainda nem tinha nascido - respon­deu o atendente, folheando alguns papéis amarelecidos.

  • Aqui há uma observação de um dos fiscais, um certo senhor Fritz Schuler. Ele diz que a maior parte do projeto já estava con­cluída. Faltava só uma última fiscalização, adiada por insuficiência de fundos para a conclusão do projeto.

Murphy sorriu para si mesmo.

  • Parece que é tudo o que temos. Espero que lhe tenha sido útil, senhor Murphy.

  • Sim, o senhor me ajudou muito. Obrigado por seu tempo e paciência.



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