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www.acert.pt/tomdefesta11 DOSSIER IMPRENSA | TOM DE FESTA’2011



21º TOM DE FESTA — FESTIVAL DE MÚSICAS DO MUNDO ACERT’11

TONDELA, 13 A 16 DE JULHO’11
Afirmar a Cultura e o Engenho para Regenerar Travessias
A ACERT na Cidade, a Cidade na ACERT

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.”1


Despertados do torpor que momentaneamente nos paralisara, corremos e fomos juntar-nos à comitiva, dançando animadamente atrás da banda que entretanto se ia agigantando, deliciando-nos com as canções populares que executava sob a batuta de um maestro (…). E a multidão era já um rio caudaloso que transbordava de cor e alegria.”2

Porque as histórias mais bonitas são também as mais simples, não é difícil imaginar esta tarde azul em que um grupo de artistas foi transformando a rua de todos numa imensa pauta musical. O apetite pela melodia faz engordar a massa de transeuntes que, gulosos de aventura, cedo se juntam ao tão sonoro banquete. A verdadeira Arte não é ver a Banda passar um dia… mas sim passar um dia com a Banda.

O Tom de Festa constrói um palco como o dessa rua, numa edição especial onde a ACERT celebra, em 3(6)5 dias, 35 anos de aventuras culturais, artísticas, solidárias e comunitárias. Um palco não de uma Banda, mas de um Bando de artistas com quem todos podem pass(e)ar quatro dias. Neste vigésimo primeiro Festival, é o público que vem primeiro. É o público quem mais ordena. É o público que, sem batota, segura a batuta. É o público que se lança num voo artístico, pegando a crise pelos cornos da desgraça para fazer da tristeza graça.

Comecemos, pois, de batuta em riste. Tudo porque desde que o Conservatório Regional de Música de Viseu Dr. Azeredo Perdigão foi criado, a terra deu vinte e cinco voltas ao sol. Numa celebração a condizer, os músicos vêm em quantidade astronómica. E a ACERT junta-se à(s) Orquestra(s) neste concerto de abertura, aproveitando também para apagar as suas trinta e cinco velas.

No embalo deste sopro, chega uma brisa de todos os pontos da Rosa-dos-Ventos. Suécia, Grécia, Senegal, Canadá e México entram numa lâmpada mágica chamada Alle Möller Band. Cabe aos espectadores – como participantes, importa não esquecer! – esfregar o místico objecto para soltar o génio de seis músicos magistrais, num serão que desafia geografias. No dia seguinte, será a vez de Vieux Farka Touré, proveniente do Mali, fintar os mapas. De onde vêm, afinal, as notas que aconchega na guitarra? Para descobrir The Secret, só mesmo vendo o espectáculo daquele que é justamente apelidado de “Hendrix do Sahara”.

Com passo de dança, os portugueses do país de Molelos, Quinta do Paço, também passam por aqui! E são como a banda atrás de um casamento: o da tradição musical portuguesa e das melodias reinventadas. Tudo com amizade à mistura preparando a boda!

Três foi a conta que Sofía Rei fez! Basta reparar no trio de línguas em que sabe cantar: o espanhol da sua Argentina Natal, o português da nossa Terra e o inglês do Mundo. Assim se celebra outra união – do local e do universal – pelo carisma desta cantora e do seu ensemble Peru-Colombiano. Quem não se lembra de Samuel Torres, percussionista do concerto memorável de Richard Bona na ACERT?

Ensemble partilha com L’Herbe Folle as cumplicidades dos dicionários francófonos. Porém, não há livro que consiga descrever de forma plena os rodopiantes malabarismos destes foliões. Haverá, talvez, um manual de instruções que, num sussurro ruidoso, nos proíbe de…não dançar! Pelas ruas da Cidade, Os Diatónicos pedem emprestado esse guia, não fosse o público pensar em parar o baile. E, já agora, acrescentam um novo verbo ao nosso (des)acordo linguístico: obrigatório ‘concertinar’!

No seguimento desta Festa diabólica, entra em cena Diabo na Cruz, cruzando música moderna e popular do seu país de origem, Portugal. “Virou!” o disco e tocam… melodias sempre novas! Tudo isto antes de a cabo-verdiana Mo’Kalamity e os franceses The Wizards enfeitiçarem encantos com um não menos enfeitiçado reggae a sobrevoar a morna, a coladeira, o funaná, o batuque e o finaçon de um Cabo Verde plural. E as ruas de Tondela são acariciadas por mais uma Banda com um Bando de “Cottas”, num clube em que a única regra é um jazz sem regras!

É a Cidade a invadir o Tom de Festa, que lhe retribui o afago, embelezando-a regeneradoramente numa parceria com a nossa Autarquia – uma aposta de harmonia entre a memória e modernidade. É o consumismo a ser combatido pela Feira das Trocas, onde o que julgamos inútil angaria aquilo de que necessitamos. São as Artes todas mestiçadas, comprovando que a música não morre solteira. E são as gentes de muitas paragens que, numa Tondela aberta ao Mundo, se sentem como se cá morassem. E até o Shakespeare, que nunca nos visitou, mandou um recado mesmo a calhar: "Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos."

E assim irão (es)correr quatro dias, qual esponja mágica absorvendo Arte, apagando a linha divisória entre o palco e o público, numa Cidade sem muros e numa Festa que é sua. Como no conto que partilhámos no início, todos se juntam à Banda de muitos Tons. Junte-se também e venha cantar, letra a letra, com a ACERT:



Afectos artísticos que fazem das contrariedades um motivo para accionar imaginação e solidariedades múltiplas.

Cumplicidades com um público que, de forma persistente, merece um dos mais marcantes acontecimentos culturais e artísticos na Região Centro do país.

Entusiasmo em fazer um programa artístico multicultural, enaltecendo e valorizando um Local que se torna Universal pela forma como se abre ao Mundo. A Regeneração da Cidade ganha novos impulsos por ter a Cultura como fio condutor.

Resistência em não aceitar que a crise atrofie uma das áreas fundamentais no desenvolvimento de Portugal. O sector cultural e criativo representa 2,8 por cento da riqueza gerada no nosso país (3,691 milhões de euros) e dá emprego a 127 mil pessoas, que podem servir de base a profundas e imprescindíveis mudanças.

Trabalho que agrega esforço criativo, empenhos, parcerias que dotam a festa com tons únicos, em primeira mão. Programa anti-crise com concertos de eleição resultantes das relações artísticas estabelecidas pela ACERT com criadores portugueses e do Mundo.

E uma nota final (desta vez, na música distintiva que só as palavras originam):



(…) a diferença entre ser sujeito e ser consumidor é abismal. O sujeito escolhe, o consumidor é escolhido. Pelas modas, pelas marcas, pelos fabricantes, pelo marketing, pela publicidade, pelas imagens sedutoras. O sujeito raciocina, o consumidor deixa-se arrastar pela volúpia e emoção do consumo. O sujeito pondera, o consumidor é um alucinado. O sujeito age, o consumidor é agido. O sujeito questiona, o consumidor faz do consumo a sua fé, a sua religião. O sujeito cria, o consumidor consome a imitação e fica feliz. Enfim, enquanto o sujeito exige, o consumidor é cúmplice na promoção da irracionalidade consumista que o envolve e o subjuga. (…)”3

13 Julho - 4ª feira
Conservatório Regional de Música de Viseu Dr. Azeredo Perdigão


PORTUGAL

Porque o Todo é a Soma das Partes, o concerto de abertura celebra 60 anos (25 do Conservatório + 35 da ACERT) de Arte!



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