Teologia do novo testamento



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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

Norberto Quesada

Seminário Evangélico de Cuba

“Los Pinos Nuevos”

2005


Matéria: Teologia do Novo Testamento

Professor: Norberto Quesada


  1. Justificativa do Curso

Um conhecimento do conteúdo teológico o Novo Testamento é absolutamente necessário para o ministro que pretende basear seu ministério na revelação do Novo Testamento. E deve-se procurar adquirir a capacidade de analisar teologicamente os vários problemas que atualmente são enfrentados pelos pastores.


  1. OBJETIVO GERAL

O curso oferece um conhecimento da História do desenvolvimento da Teologia do Novo Testamento e do estado da investigação atual. O estudante deve entender as várias aproximações a Teologia do Novo Testamento e as implicações de cada um. Procura fornecer ao estudante a habilidade de analisar um problema para buscar uma solução à luz da Bíblia.


  1. PLANO DE CURSO

Tema I – História do Desenvolvimento da Teologia Bíblica

  1. Objetivo: O estudante deverá entender a história do desenvolvimento da Teologia Bíblica e o estado atual da Teologia Bíblica.

  2. Temas Particulares:

Introdução a Teologia Bíblica

Definições de termos

Uma história da Teologia Bíblica
Tema II – As aproximações da Teologia Bíblica


    1. Objetivo: O estudante deverá compreender as várias formas de fazer Teologia do Novo Testamento em particular as aproximações históricas e confessionais.

    2. Temas Particulares

Aproximação Histórica

Aproximação Confissional

Outras aproximações

Tarefas relacionadas com a Teologia do Novo Testamento

Nossa aproximação a Teologia do Novo Testamento
Tema III: Conteúdo da Teologia do Novo Testamento


  1. Objetivo: O estudante deverá entender o conteúdo teológico do Novo Testamento.

  2. Temas Particulares

Jesus – A mensagem do Reino de Deus

Paulo – A Soteriologia Paulina

Evangelhos Sinóticos – Messianismo e Implicações escatológicas

Atos e Cartas Católicas – A Igreja em busca da identidade

João – A divindade de Jesus


  1. Metodologia

O estudante deverá cumprir com várias leituras, uma prévia, um exame final, um projeto, três pesquisas de reação e uma avaliação de um documento específico.


  1. Avaliação

Projeto

20%

Pesquisa de reação

10%

Avaliação

10%

Exame Final

60%


PROJETO

O projeto deverá de ser escrito em cinco páginas escrito a maquina em duplo espaço sem contar as notas bibliográficas nem bibliografia. O projeto deve responder a um dos seguintes problemas ou deve apresentar o conceito bíblico de um dos seguintes temas.



  1. É um pastor de uma igreja de 150 membros. Um dia se dá conta que os cultos de adoração tem caído na rotina. Interessa-lhe evitar o perigo de “perder o sentido da Fé”. Deve responder a pergunta: O que é adoração? e Como se aplica à igreja hoje?

  2. Um jovem de sua igreja completou 18 anos e deve inscrever-se na Junta do Serviço Militar. Não está disposto a subornar e nem mentir, goza de boa saúde e pagaria seus anos de serviço, mas sente que não pode em plena consciência receber treinamento para matar outro ser humano em nome do Estado. Deve responder a seguinte pergunta: “Qual é o conceito bíblico de guerra (tanto no Antigo testamento como nos ensinamentos de Jesus)? O que implica para o jovem de hoje com relação ao serviço militar?”.

  3. Um casal de uma igreja tradicional se une a sua congregação. Precisa-se uma informação teológica e tem um bebê recém nascido, pede que batize a criança. Deve responder a pergunta: O que é o batismo? E deve ser aplicado a crianças?

  4. Descreva um problema que sua igreja tem vivido ou esteja vivendo e tente solucioná-la a luz da Bíblia. Apresente a descrição escrita do problema ao professor para receber sai aprovação antes de trabalhar nele.


Pesquisa de Reação

A cada sexta feira é feita ao máximo para entregar uma pesquisa escrita em duas folhas a máquina. Deve reagir negativa ou positivamente a algum tema apresentado no material. Deve mostrar conhecimento do tema, capacidade de reflexão e análise e capacidade de escrever.



Avaliação

Leia, analise a opinião do autor dos artigos que aparecem nos apêndices.


Exame Final

Conteúdo da TNT

Reino de Deus nos Evangelhos




Justificação em Paulo

Redenção e reconciliação em Paulo




Vida de Cristo em Paulo

Jo. 1: 1-18 e implicações




sua ipsius interpres

Textos de prova

Método Histórico - crítico

Heilsgeschichte

Teologia Dialética

Teologia Existencialista

Hermenêutica

Teologia Bíblica

Teologia Sistemática

Teologia Histórica

Método descritivo

Método Confessional

Método Seccional

Uso do AT e NT

Relação Teologia- História

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
DONNER, Theo G. Pautas para uma Teologia do Novo Testamento. Medellín, SBC, 1990.

HASEL, Gerhard. New Testament Theology: Issues in the Current Debate. Grand Rapids: Eerdemans, 1972.

KNIGHT, G. ed. The New Testament and its Modern Interpreters. Atlanta: Scholars Press, 1989.

LOHSE, Eduard. Teología del Nuevo Testamento. Madrid: Ediciones Cristiandad, 1975.

LONGENECKER, Richard. Biblical Exegesis in the Apostolic Period. Grand Rapids: Eerdmans, 1975.

NEILL, Stephen. The interpretation of the New Testament: 1861 – 1961. Oxford: University Press, 1964.

REVENTLOW, V. H. G. Problems of Old in Testament Theology in the Twentieth Century. London: SCM Press, 1985.

SPACHT, Randall. Preparativos para uma teología Del Nuevo Testamento Histórica. Medellín, SBC, 1992.

STRECKER. G. Das Probleme der Theologie des Neuen Testaments. Darnstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1975.

FLORES, José. El Texto de Nuevo Testamento. Terrasa, Barcelona: CLIE, 1977.

BRUCE , F.F El Mensaje Del Nuevo Testamento. Buenos Aires, Argentina: CERTEZA, 1975.

BENWARE, Paul. N. Panorams Del Nuevo Testamento. Grand. Rapids, ML Portavoz. 1999.

DUNNETT, W. M. Síntesis Del Nuevo Testamento. Miami FLA.: Caribe, 1985.

LEA, Thomas D. El Nuevo Testamento Su trasfondo e su mensaje. Bielorrusia: Mundo Hispano. 2004.

HESTER H.I. Introducción al estúdio Del Nuevo Testamento. Candá : Casa Bautista de Publicaciones. 1999.

LADD, George E. Crítica Del Nuevo Testamento: Una perspectiva evangélica. USA: Mundo Hispano. 1990.

MEAS Henrietta C. Lo que nos dice el Nuevo Testamento. Miami, FLA.: VIDA. 1979.

PACKER, J.L. TENNY, Cerril C., WHITE, Willian, Jr. El mundo Del Nuevo Testamento. Miami, FLA.: VIDA 1985.

MALINA, Bruce J. El mundo Del Nuevo Testamento: Una perspectiva desde la Antropología Cultural. Navarra, España: Verbo Divino. 1994.
ÍNDICE

CAPÍTULO 1.


  1. O que é Teologia Bíblica?

    1. O que é teologia?

    2. Os três sentidos de Teologia Bíblica

    3. Relação com as outras disciplinas Bíblicas

      1. Hermenêutica e Exegese

      2. História do Novo Testamento

      3. Crítica

      4. Teologia Dogmática

      5. Teologia Histórica

    4. Definição da Teologia Bíblica


CAPÍTULO 2

  1. Breve História do Desenvolvimento do Novo Testamento

    1. Pré Reforma

      1. O Novo Testamento Mesmo

      2. A Igreja Primitiva

      3. A Igreja Medieval

    2. Reforma

      1. Lutero e sua contribuição

        1. Escritura

REGULA FIDEI Y SUI EPSIUS INTERPRES

        1. Hermenêutica

      1. Os Reformadores Calvinistas

      2. Escolasticismo Protestante

      3. A reação pietista

    1. Iluminismo

      1. Racionalismo como Substância do Iluminismo

      2. J.P. Gabler

      3. Desenvolvimento Posterior

      4. Reações Conservadoras

    2. Influência Hegelianas

      1. A reação contra o Hegelianismo

      2. Ritschl

      3. Reemplantamento conservador da Aproximação Histórica

    3. Liberalismo


CAPÍTULO 3

  1. A metodologia da Teologia do Novo Testamento

3.1 Método descritivo Histórico

3.1.2. E. Jacob

3.1.3. E. Lohse

3.1.4. J. Jeremias

3.1.5. A. M. Hunter

3.1.6. Crítica


3.2. Método confessional/Kerigmático

3.2.2. P. van Imschoot

3.2.3. M. Mernertz

3.2.4. K. H. Schelckle

3.2.5. Crítica
3.3. Métodos Mistos

3.3.1. Método Diacrônico

3.3.2. Método Temático Histórico

3.3.2.1. D. Guthrie

3.4.2.2. L. Morris
3.4. Métodos Alternos

3.4.1. Heilgeschichte

3.4.1.1. Proponentes

3.4.1.2. G. Von Rad

3.4.1.3. O Culmann
3.4.2. Método Existencialista

3.4.3. Crítica de métodos alternos

3.5. Conclusão
Capítulo 4 – Hipóteses da Teologia do Novo Testamento


    1. Tensão do Ponto de Partida

    2. Tensão do meio de sistematização

    3. Tensão da meta da Teologia do Novo Testamento

    4. Tensão da Natureza do texto

    5. Tensão entre o Antigo e o Novo Testamento

    6. Conclusão


Capítulo 5. Nossa Metodologia

5.1. Um método misto

5.1.1. Predominância do método descritivo

5.1.2. Classe de organização pessoal

5.2. Procedimento Histórico-cronológico

5.3. O centro da teologia do Novo Testamento

5.3.1. Ensinamentos de Jesus

5.3.2. Instruções de Paulo

5.3.3. Comentários dos evangelistas sinóticos

5.3.4. Atos e Epístolas Católicas

5.3.5. Comentários de João

5.4. Conclusão


Capítulo 6 – O Reino de Deus em Paulo

6.1. O reino de Deus em Paulo

6.2. O Rei e seu reinado em Paulo: Cristologia e Teologia

6.2.1. O Messias

6.2.2. Cristo nos credos cristãos pré- paulinos

6.2.3. O Jesus histórico em Paulo

6.2.4. Jesus Cristo como Senhor

6.2.5. Jesus Cristo como Deus

6.2.6. Jesus Cristo como Salvador

6.2.7. Morte de Cristo no pensamento Paulino

6.2.7.1. Expiação como vitória (Teoria do preço como resgate)

6.2.7.2. Expiação como compensação ao Pai. (Teoria da satisfação)

6.2.7.3. Expiação como demonstração do amor de Deus (Teoria da Influência Moral).

6.2.6.4. Expiação como substituição penal (Teoria Reformada)

6.2.7.6. Expiação como demonstração da Justiça de Deus (Teoria governatória)

6.2.7.7. Antigo Testamento

6.2.7.8. Judaísmo Pré Cristão

6.2.7.9. Ensinamentos de Jesus

6.2.7.10. Credos Paulinos

6.2.7.11. Paulo

6.2.8. Ressurreição de Jesus em Paulo

6.2.9. Centralidade de Cristo para Paulo

6.3. O Reino em outras palavras: Mustrion (Mistério)

6.4. O reino em outras palavras (Mistério)


6.4.1. Antropologia Paulina:

6.4.1.1. Antigo Testamento como fonte do pensamento Paulino

6.4.1.1.1. Nepresh ( - ) “alma”. LXX. Psyche

6.4.1.1.2. ruach (_) “espíritu” LXX – pneuma

6.4.1.1.3. neshamah (_) “aliento” LXX – vários

6.4.1.1.4. basar (_) “carne” LXX – sarx

6.4.1.2. Ensinamentos de Jesus

6.4.1.3. Credos Primitivos

6.4.1.4. Judaísmo pré-cristão

6.4.1.4.1. Qumram

6.4.1.4.2. A Literatura apocalíptica também apresenta esse dualismo ético

6.4.1.5. Helenismo

6.4.1.5.1. Os rituais órficos incluíam a prática de êxtase religiosa

6.4.1.5.2. A filosofia platônica

6.4.1.5.3. O pensamento grego

6.4.1.6. Aporte de Paulo

6.4.1.6.1. physie

6.4.1.6.2. pneuma

6.4.1.6.3. sarx e soma

6.4.1.6.4. Outro vocabulário Paulino

6.4.1.6.5. Conclusões

6.4.2 JAMARTOLOGIA PAULINA

6.4.2.1. Antigo Testamento

6.4.2.2.1. Apostasia

6.4.2.2.2. culpa

6.4.2.2.3. rebelião

6.4.2.2.4. errar

6.4.2.2.5. Extensão do pecado

6.4.2.2. Judaísmo Pré- cristão

6.4.2.3. Helenismo

6.4.2.4. Ensinamentos de Jesus

6.4.2.4.1. Vocabulário

6.4.2.4.2. Pecado nos sinóticos

6.4.2.4.2. Pecado em João

6.4.2.5. CREDOS PRIMITIVOS

6.4.2.6. PAULO

6.4.2.6.1. Vocabulário e significado

6.4.2.6.2. Origem do pecado em Paulo

6.4.2.6.3. Pecado original

6.4.3. A Soteriologia Descritiva em Paulo

6.4.3. Termos de transferência em Paulo
Apêndices

Nº 1. O elemento mitológico na mensagem do Novo Testamento e o Problema de sua re-interpretação

Nº 2. O propósito do problema da desmistificação (1963)

Nº 3. É possível uma exegese sem hipótese?


Guia de estudo

CAPÍTULO 1

O QUE É TEOLOGIA BÍBLICA?
Antes de entrar no estudo da Teologia Bíblica do Novo Testamento, devemos definir claramente o que iremos estudar. Devemos definir o que significam os termos “teologia” e “teologia bíblica”.
O que é Teologia?

Tem-se definido como estudo sobre Deus – “O estudo, cujo propósito é o maior conhecimento de Deus”. Teologia é uma palavra genérica que resume os vários esforços do homem de falar sobre Deus. É uma definição clássica, Tomás Aquino disse: Teologia é ensinada por Deus, sobre Deus e conduz a Deus”.

Teologia é ensinada por Deus. Apenas Deus pode falar sua Palavra e sobre si mesmo. A Bíblia é a expressão da Palavra de Deus na história de seu povo. É uma palavra Histórica. Mesmo que o povo de Deus tenha mudado – no Antigo Testamento é uma nação de Israel e no Novo Testamento é a comunidade de seguidores de Jesus – a natureza da Palavra de Deus é imutável. Sempre é a expressão da vontade de Deus para o seu povo. Isto é evidente nas passagens legais e discursivas, nem tampouco alheio à literatura histórica e narrativa, onde os historiadores bíblicos não se contentam com a descrição dos atos, mas que avaliam os atos à luz da Palavra de Deus conhecida nesse tempo. Assim o estudo da teologia e o estudo da História do povo de Deus são inseparáveis.

Teologia ensina sobre Deus. O tema da teologia é Deus. Assim teologia inclui a reflexão humana sobre a Palavra de Deus anunciada na história. Esta reflexão tem como objetivo o entendimento e a obediência da Palavra. Implica que a relação é pessoal e nasce da fé. A teologia não pode ser escrita por um comitê, nem tampouco por um indivíduo que está fora da igreja.

A Teologia conduz a Deus e o seu propósito é uma compreensão mais profunda e um compromisso mais estreito com Deus na situação pessoal do estudante. A teologia não pode ser distante do desejo de aproximar-se de Deus.

Podemos colocar um elemento a mais. Teologia sempre busca relacionara fé com as obras, a crença com o comportamento. A Teologia da Libertação chama a nossa atenção à tendência prejudicial de separar a teologia ortodoxa da prática. A “ortopraxis” que não leva a ação. Mas não devemos separar obra da fé. Devemos insistir que ortodoxia necessariamente inclui ação que corresponda ao “dogma”. A teologia deve levar a obediência e compromisso.

O fato de falar de uma “teologia bíblica” implica que de alguma forma esta teologia está envolvida com a Bíblia.
Os três sentidos de “Teologia Bíblica”

Existe um termo da teologia bíblica que possui três possíveis sentidos. “Teologia Bíblica” pode referir aquela teologia que tem os seus fundamentos na Bíblia. A teologia escolástica protestante predominava nas últimas décadas dos séculos XVI e XVII. A reforma havia rejeitado a autoridade da tradição da igreja sobre a teologia a favor da autoridade da Bíblia sobre a teologia. Mas por rejeitar a Regula Fidei, a Reforma devia reiniciar o controle que tinha a igreja sobre as especulações teológicas por algo que exercera um semelhante controle. O que a Reforma indicou como suplente da Regula Fidei era a Bíblia. A Reforma exigiu uma teologia baseada radicalmente na Bíblia. Todavia, o bom início que a teologia bíblica teve com Lutero e Calvino se perdeu no Escolasticismo Protestante. A Teologia Escolástica Protestante se voltou à apresentação de teologia dogmática ortodoxa com a ação de textos bíblicos para apoiar seu ponto de vista. Chamaram este método de “dicta probantia” (textos de prova) Teologia Bíblica (p.e. W. J. Christmann, Teutsche Biblische Theologia, 1629; e H. A. Diest, Teologia Bíblica, 1643). Limita a compreensão do texto bíblico, por quanto impõe sobre o texto uma autoridade teológica exterior.

“Teologia Bíblica” pode referir a teologia que a Bíblia contem. Isto foi o conceito de Gabler, quem insistiu que a teologia bíblica é uma disciplina histórica e descritiva. A tarefa do teólogo bíblico é discernir e descrever o conteúdo teológico de um autor, um grupo de livros ou um período de tempo.

O “Movimento de Teologia Bíblica” deste século apresenta uma terceira definição. Este movimento se distingue entre “Teologia do Novo Testamento” e “Teologia do Antigo Testamento” e “Teologia Bíblica”. Para o Movimento de Teologia Bíblica,

Teologia Bíblica é uma disciplina diferente de uma disciplina do Antigo Testamento ou do Novo Testamento... Teologia Bíblica é uma teologia distintivamente cristã, porque utiliza tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento como escritura.

Para eles a teologia do Antigo Testamento e a teologia do Novo Testamento são disciplinas descritivas, mas a teologia bíblica implica no “reconhecimento da qualidade normativa de tradição bíblica”. Dizem que a teologia bíblica busca organizar e aplicar a teologia do Antigo Testamento e teologia do Novo Testamento à situação contemporânea.

O problema com esta descrição de teologia bíblica é que a teologia dogmática é a “exposição sistemática e coerente da fé... sempre condicionada pelas necessidades polêmica do momento e pela situação histórica concreta que a igreja está vivendo”.

Teologia bíblica é base para teologia dogmática. A teologia bíblica tem um propósito distinto da teologia dogmática. A teologia bíblica é primordialmente uma tarefa histórica-descritiva. Busca sintetizar e resumir o conteúdo teológico do texto bíblico. Para ganhar esse fim o teólogo bíblico está interessado em descrever o sentido original do texto para relacionar esse sentido com a cultura e história particulares do povo e as quais o autor escreveu. A teologia dogmática é primordialmente uma tarefa instrutiva – pastoral. Busca aplicar as conclusões da teologia bíblica à situação do teólogo dogmático. Para ganhar esse objetivo, o teólogo dogmático se interessa em sistematizar na forma coerente o conteúdo de teologia bíblica para apresentar ao povo, sempre com objetivo de prover soluções aos problemas vividas pela população.


Relação com as Outras Disciplinas Bíblicas

O estudo da Teologia do Novo Testamento não pode ser feito de uma forma dissociada. Depende de outras disciplinas e a sua vez é base para outras. A Teologia do Novo Testamento depende da Hermenêutica e Exegese, a História do Novo Testamento e a crítica. É base para a teologia dogmática e a teologia histórica.


Hermenêutica e Exegese

A Hermenêutica é definida pela Real Academia como “a arte de interpretar textos para fixar seu verdadeiro sentido”. O termo vem do grego “hermeneuo”, que significa “expressar em voz alta”, “explicar em outras palavras”, “traduzir para o outro idioma” e “interpretar”. A raiz “herme” é relacionada com o deus romano Hermes, a quem se atribui a invenção dos meios de comunicação – língua e escrita. Exegese é o processo de aplicar a hermenêutica para interpretar e entender o texto dado. Assim, a hermenêutica os princípios que regem a exegese.

Hermenêutica é a disciplina que provê os métodos ou princípios para interpretar os escritos de um autor, é ao mesmo tempo, uma ciência e uma arte. É ciência porquanto segue regras ordenadas de interpretação contextual e gramático-sintática e a histórico-cultural. É arte porquanto a hermenêutica traz sua própria habilidade a tarefa de interpretar e muito depende de sua própria habilidade e autocompreensão seus prejuízos e pré-entendimentos, etc.

A hermenêutica tem que responder a três níveis de compreensão. Deve identificar o sentido original de uma obra. Esta é a compreensão histórica e responde a pergunta: O que o autor quis dizer? Mas deve ir mais além – ao significado original da obra. Esta é a compreensão contextual e responde a pergunta: o que entendeu da escrita original e como aplicou? A finalidade da hermenêutica é a aplicação à situação do hermeneuta. Esta é a compreensão contemporânea e responde a pergunta: o que isso quer dizer para mim?

A hermenêutica e a exegese não seriam necessárias se não fosse por vários obstáculos ao entendimento. O fato que o nosso contexto histórico á distinto ao do tempo bíblico, com uma cultura, um idioma e uma cosmovisão distintos a dos tempos bíblicos, dificulta o entendimento do sentido original de um texto. O fato que temos interesses pessoais e prejuízos nos põe em perigo de fazer exegese – imposição de sentido – em vez de exegese.

As regras de hermenêutica e a prática de exegese são um ponto de partida da teologia do Novo Testamento. Formam as bases de entendimento necessárias para poder cumprir a teologia do Novo Testamento. A teologia do Novo Testamento é a sistematização dos vários resultados da exegese das várias partes do Novo Testamento.




      1. História do Novo Testamento

Sendo que a Palavra de Deus é a Palavra Histórica emitida em um contexto histórico e cultural específico, existirá uma relação íntima entre a Teologia do Novo Testamento e a história do Novo Testamento. A teologia depende da história, porque o Novo Testamento apresenta teologia – em – história.

R. Bultmann sugeriu uma relação antitética entre Kerigma e história no Novo Testamento. Bultmann rejeita a história como base para a fé e sugere que o exegeta deve interessar-se no Kerigma do Novo Testamento. Por isso, dedica menos que 5% de sua Teologia do Novo Testamento a mensagem do Jesus histórico. A fé cristã não é resultado do Jesus histórico, mas do Kerigma do Novo Testamento. Uma aproximação semelhante, mas moderado é o de E. Lohse.

“A teologia do Novo Testamento deve expor sistematicamente as idéias teológicas dos escritos neotestamentários, examinando com rigor cada um desses escritos a fim de mostrar como tem desenvolvido na pregação da qual a igreja extrai a mensagem de Cristo morto e ressurreto, tal como aparece no Novo Testamento”.

Nesta aproximação, a análise crítico-histórica chega a ser um ponto de partida para qualquer teologia do Novo Testamento, já que “seus resultados e ponto de vista nos permitem determinar com exatidão as afirmações teológicas contidas no Novo Testamento”.

Von Rad apresenta a mesma proximidade metodológica quando apresenta o contraste antitético entre a história “proposta pela crítica moderna e que foi fruto da fé de Israel”. Uma teologia do Antigo Testamento trata dos “testemunhos velho-testamentários”. Existe uma debilidade intrínseca na proximidade histórica que questiona a historicidade que os textos que estuda. E Jacob em contraposição a Von Rad disse:
“O Credo do povo consistia na afirmação e na lembranças de fatos históricos. O teólogo do Antigo Testamento não pode portanto ter respeito da história, essa atitude de indiferença que a pouco exibem os filósofos e dogmáticos a respeito das questões históricas. É importante saber (...) se os atos que narram o Antigo Testamento e sobre os quais fundamentam a sua fé tem realmente tido lugar”.

O Novo Testamento se apresenta como um livro histórico. Nossa proximidade aceita e ainda requer a historicidade essencial e veracidade dos textos bíblicos.





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