Tempos de Formação



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Tempos de Formação”: Gilberto Freyre, Casa Grande & Senzala e as antecipações de um aprendiz1

João Batista Peixoto da Silva2

RESUMO

O artigo em questão analisa possíveis desdobramentos, do ponto de vista teórico, metodológico e temático, de algumas experiências intelectuais do escritor Gilberto Freyre durante seus anos de formação intelectual nas primeiras décadas do século XX, na sua produção intelectual mais consistente, com um destaque especial para a obra Casa Grande & Senzala.

Palavras-chave: Gilberto Freyre; Casa Grande & Senzala; intelectuais.

Muito embora não seja a maneira mais usual para se iniciar um texto, gostaria de fazer uma citação de início:

Não existem misturas culturais fora de um contexto de força, sejam as relações coloniais ou o neocolonialismo. Não se pode dissociar uma mistura cultural de uma situação histórica. (...) Foi importante também para fazer a crítica da ideologia da mestiçagem.3

O trecho em destaque é de uma entrevista concedida pelo historiador francês Serge Gruzinski no ano de 2004 e refere-se diretamente a algumas questões que são muito caras ao nosso artigo. O autor citado é um dos principais estudiosos do fenômeno da mestiçagem étnica e cultural que presidiu o processo da colonização européia nas Américas e no trecho em particular percebe-se claramente uma ênfase na necessária perspectiva crítica acerca do contexto histórico/cultural que referencia o processo da mestiçagem, daí que torna-se praticamente uma auto-evidência a expressividade dos novos rumos de análise e de pesquisa que marcam atualmente os estudos desenvolvidos no campo dos contatos interculturais e interétnicos.

Nesse sentido, é visível o quanto a passagem destacada acima dialoga diretamente com um conjunto de elementos temáticos e formas de abordagem bastante próximas do universo de estudos do nosso autor objeto das reflexões que aqui são desenvolvidas no presente artigo. Para o bem ou para o mal, todo um campo de estudos e de pesquisas que afloraram com muita força no Brasil, mas não só aqui, acerca das questões apontadas mais acima, organizaram-se em torno de uma dinâmica que ora tratava os estudos “freyreanos” como referência capital na configuração das feições do debate sobre questões como “mestiçagem cultural”, “contatos interétnicos”, “democracia racial”, entre outras, ou no outro lado dessa gangorra partia da idéia de se relacionar com os estudos “freyreanos” enquanto modelo explicativo que deve ser superado. Penso que a enorme quantidade de material produzido sobre Gilberto Freyre salientando a desproporcional ênfase do autor nos marcos culturais que organizaram a formação social brasileira, em detrimento de uma análise acerca da lógica econômica aí presente, sem falar na sua excessiva idealização da lógica que esquadrinhou os contatos interétnicos e interculturais, tudo isso reafirma cabalmente a atualidade da discussão em torno da obra de Gilberto Freyre.

Apesar de sua centralidade intelectual no debate brasileiro, Gilberto Freyre trilhou uma trajetória intelectual avessa às padronizações convencionais que definem, na grande maioria das vezes, o estatuto intelectual e a inserção dos sujeitos nas redes instauradas. Ele descortina a necessidade de uma postura mais comprometida, por parte da intelectualidade nacional, com os desafios que a realidade social e política do Brasil apresentava na época. Para além de uma análise conceitual e esquemática que na grande maioria das vezes vivenciava uma relação de completa indiferença perante cada vez mais complexos problemas sociais, o intelectual brasileiro precisou se colocar a tarefa da afirmação cidadã na construção de um protagonismo direto no mundo social no qual estava imerso. De uma certa maneira, os intelectuais se sentiam responsáveis pelos destinos do seu país, conforme nos sugere as palavras abaixo do próprio Gilberto Freyre:

(...) nenhum estudante russo, dos românticos do século XIX, preocupou-se mais intensamente pelos destinos da Rússia do que eu pelos do Brasil na fase em que conheci Boas. Era como se tudo dependesse de mim e dos de minha geração.4

A narrativa dos anos de formação intelectual do Gilberto Freyre ainda jovem estudante no final da segunda década e início da terceira década do século XX possui como um dos seus traços marcantes a importância fundamental, alegada pelo próprio Gilberto Freyre, do período em que ele estudou nos Estados Unidos (1918 - 1923). Período esse que Gilberto Freyre aproveitou para aparar as arestas e consolidar suas reflexões teóricas, dentro dos limites, é evidente, que é próprio de um jovem em processo de amadurecimento intelectual e que ainda procura definir de maneira mais clara seus trajetos de ordem intelectual; entretanto, já apontando pistas bastante sólidas de suas preferências intelectuais que mais tarde o caracterizarão como o grande estudioso da formação e do desenvolvimento da sociedade patriarcal no Brasil, autor da tríade que tornou-se referência do debate brasileiro sobre o tema, que é Casa Grande & Senzala (1933), Sobrados & Mucambos (1936) e Ordem & Progresso (1959).

Desconstruir a centralidade de abordagens que iconizam simplesmente a obra de Gilberto Freyre como marco fundante de uma visão moderna do que é o Brasil, num triângulo que tem seus lados completos com a presença de Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior, implica ressignificar a áurea de “genial” e “original” atribuída a ele, e pensar o contexto histórico do Brasil da década de 1930 com a inserção de um conjunto de desafios que são então postos num processo de atualização de questões que, desde o século XIX, vão conformando um arranjo de tessituras de ordem política, econômica, social e cultural, e que vai desaguar no início do século XX em torno de questões como Modernidade e Modernização e suas conseqüências nos padrões de relações sociais no Brasil, novos atores no cenário político e social, novas formas de intervenção no cenário cultural da época, a natureza dos rearranjos institucionais no Brasil no quadro das relações entre ruptura e permanência.

Num outro diapasão, acredito que prudência e cautela, como o senso comum geralmente sugere e recomenda, aqui ajudaria no sentido de um melhor mapeamento das possibilidades apresentadas para transitar no terreno explosivo que ora nos arvoramos a discutir. Talvez as palavras abaixo nos ajudem a melhor matizar a postura intelectual de Gilberto Freyre:

[Gilberto Freyre] Não foi, na verdade, uma coisa nem outra, pois sua vocação suprema parece ter sido a de conciliador de contrários. O fato, entretanto, é que Gilberto Freyre assumiu, com a idade, uma postura olímpica.5

Ao lado da necessária prudência a que fizemos alusão anteriormente, vale salientar igualmente a necessidade do desenvolvimento de uma perspectiva crítica no que concerne a uma “armadilha” bastante visível no campo da cultura contemporânea. Refiro-me ao fato de que uma corrente bastante expressiva contemporaneamente cada vez mais vem divulgando um discurso que atua no sentido de reabilitar intelectualmente o legado da abordagem freyreana numa perspectiva que tem muito de uma conjuntura intelectual de legitimação indiscriminada de determinados autores e obras relegados convencionalmente à categoria de autores e obras de segunda classe, de valor discutível.

O fato da dimensão do cultural ser hoje uma coordenada intelectual que esquadrinha os lugares discursivos e a possibilidade mesma da hegemonia do discurso me parece necessariamente repercutir na própria dinâmica do debate que é permeado por uma lógica que é a da “última novidade da moda”, então, o novo simplesmente porque surge numa conjuntura posterior ao anterior, é avaliado como elemento que é da ordem do mais eficiente, mais pertinente, mais potenciado heuristicamente. Como Gilberto Freyre de uma certa maneira funda uma escola de estudos da cultura no Brasil, ele é objeto de uma reavaliação que no final desemboca numa análise acrítica da potencialidade da obra de Gilberto Freyre no cânone do pensamento social no Brasil. Esse tipo de abordagem também não ajuda muito a nos desvencilharmos das armadilhas do caminho, simplesmente as ressignifica.

Nas tramas do nosso “retrato” intelectual de Gilberto Freyre, só é possível aquilatar adequadamente o impacto de sua obra, que ganha notoriedade a partir do impacto virulento e polifônico de Casa Grande & Senzala (1933), tentando melhor definir o grau de importância que determinadas experiências de ordem cultural vivenciadas antes dos anos 1930 tiveram na (con)formação do perfil intelectual do Gilberto Freyre escritor renomado e que será canonizado pelos analistas posteriores; experiências que terão um impacto no projeto de renovação dele, mas para além da percepção de uma relação que se dá ao nível exclusivo dos temas de estudo, relação essa indiscutivelmente marcante, enfoco aqui uma relação que dá-se igualmente quando pensamos a proposta renovadora do projeto de estudos freyreanos no interior de uma inflexão teórico-metodológica que possui uma enorme importância nesse contexto.

Um sintético perfil biográfico de Gilberto Freyre nos mostra que ele nasce no início do século XX, para ser mais preciso em 1900 (para alguns uma verdadeira conspiração dos Deuses que elegem justamente a virada de um século para outro como marco, ou seja, a ruptura de um bloco de tempo para outro!), e já na sua infância mantém por vias indiretas uma relação toda singular com a tradição pictórica, que tanta marca deixará depois na sua obra, quando foi alfabetizado em inglês por Mr. Williams que se apercebeu dessa forte tendência associativa dele. Seus estudos de adolescência e de primeira mocidade foram feitos num colégio de tradição protestante no Recife, o Colégio Americano Gilreath, hoje o Colégio Americano Batista.6

Ainda nos seus anos de mocidade na cidade do Recife Gilberto Freyre aproxima-se de Oliveira Lima, grande diplomata e historiador, que daí então estabelecerá com ele uma relação bastante fraternal durante anos e que será uma espécie de “guru” intelectual de Gilberto Freyre, influenciando inclusive em termos de interesse por determinados temas de estudo, como é o caso do seu interesse por temas como o patriarcado rural e a questão da miscigenação, sem falar na verdadeira “carta de apresentação” que o Oliveira Lima se tornará para Gilberto Freyre nos círculos intelectuais europeus e norte-americanos dos anos 1920.7

Após esse período no Recife, Gilberto Freyre parte para os Estados Unidos e em 1918 inicia seus estudos na Universidade de Baylor, em Waco, no Texas, vindo a terminar seus estudos e adquirindo o grau de bacharel em Artes Liberais. Após esse período de estudos numa instituição de pouca expressão e notoriedade, ele parte, em seguida, para a Universidade de Colúmbia, que tinha uma maior expressividade e respirava um ar mais cosmopolita, isso sem falar na possibilidade de contatos intelectuais mais diversos e variados. Em Colúmbia, Gilberto Freyre empreende seus estudos de pós-graduação em Ciências Políticas e Sociais com a elaboração de seu trabalho de mestrado intitulado Social life in Brazil in the Nineteenth Century e que foi publicado na Hispanic American Historical Review. Sobre essa etapa extremamente significativa de Freyre nos Estados Unidos, e de sua experiência em particular no Texas, chama-nos a atenção Skidmore:

Freyre iniciou sua carreira universitária em Baylor, uma universidade de afiliação batista em Waco, no Texas. Ele não poderia ter escolhido um local ou época mais improváveis. Sua estada nos Estados Unidos deu-se no ponto alto da expansão imperialista norte-americana na América Latina, paralelamente à emergência dos Estados Unidos como a maior potência econômica mundial.8

É nesse ambiente algo tumultuado e recém saído de sua participação significativa em um conflito bélico/militar de proporções mundiais, como foi a Grande Guerra de 1914 – 1918, que ele teve contato com um conjunto extremamente diversificado de tendências culturais e artísticas que eram efetivamente responsáveis pela impressão de novos códigos de sensibilidade e de representação da realidade cultural. Acerca de uma dessas tendências artísticas que facilmente podiam ser visualizadas no contexto da época, diz Chacon:

O Imagismo, com 19 anos, na Universidade de Baylor, em estudos ‘undergraduate’ de ‘libera arts’. Tivera[Gilberto Freyre] a sorte de encontrar em pleno Texas, numa Universidade de província, como o próprio Gilberto a considera, professores pouco convencionais de Literatura, capazes de ensinar-lhes o anglo-saxão de Chaucer e os então ultramodernistas Ezra Pound, Carl Sandburg, Amy Lowell e Vachel Lindsay. Destes dois últimos se tornaria amigo pessoal.9

Uma influência também bastante significativa para ele por essa época, diz respeito ao papel fundamental que o seu professor em Colúmbia, o antropólogo alemão judeu Franz Boas, teve na sua formação acadêmica. É o próprio Gilberto Freyre quem reconhece publicamente sua dívida para com o Franz Boas, já que, para ele, foi devido ao:

(...)estudo da Antropologia sob a orientação do professor Boas, (...) que primeiro me revelou o negro e o mulato no seu justo valor – separados dos traços de raça os efeitos do ambiente ou da experiência cultural, (...) aprendi a considerar fundamental a diferença entre raça e cultura.10

Nesse sentido, e de acordo com algum consenso na literatura pertinente, a originalidade com que Gilberto Freyre articula as relações entre raça e cultura para tecer sua interpretação do que é o Brasil e do que é a cultura brasileira é algo realmente digno de nota. Atuando dessa forma, conforme igualmente já é lugar comum em grande parte da discussão bibliográfica mais autorizada, ele atuou no sentido de alargar as possibilidades do debate cobre cultura e identidade nacional nos anos 1930, tendo como interlocutores outros estudiosos da nossa formação social. Mas o fato é que, e de acordo com o depoimento expresso por ele, não se pode pensar o grosso de suas contribuições teóricas, e também temáticas, sem se levar em conta esse seu contato com o Franz Boas, apesar de que, torna-se necessário matizar melhor a possibilidade de uma cisão radical entre raça e cultura em Casa Grande & Senzala, o que nos aponta para a insuficiência desse aporte conceitual enquanto elemento chave para a compreensão da formação social brasileira.

1. EXPERIÊNCIAS DE UM APRENDIZ

Com sua dissertação de mestrado, apresentada na Universidade de Colúmbia, Gilberto Freyre já aponta, com alguma consistência, alguns elementos centrais que serão retomadas por ele em trabalhos posteriores, a exemplo do tipo de abordagem centrada na importância do complexo cultural que fundamenta as práticas de sociabilidade no Brasil patriarcal, ou mesmo a ênfase no cotidiano social do Brasil da época. Segundo José Pedro Nicodemos:

Não há (como) negar que esse trabalho é verdadeiramente renovador e coincidia com a efervescência das idéias modernistas, notadamente por aplicar métodos antropo-sociológicos à história dos meados do século XIX. Era um ensaio de história social.11

Enfatizando a importância que uma abordagem cultural possui para a devida compreensão de uma determinada realidade social, nesse trabalho Gilberto Freyre vai além do dado propriamente político que marca a historiografia da época enquanto elemento marcante e dessa forma constrói uma relação direta com alguns elementos que estarão presentes em Casa Grande & Senzala: “Sente-se, na verdade, lendo o original inglês da dissertação, a presença do futuro autor de Casa Grande & Senzala, tanto pelo assunto como pela empatia da abordagem.”12

No seu retorno ao Brasil em 1923, Gilberto Freyre, após tomar algumas decisões importantes para a sua trajetória intelectual, a exemplo do seu rompimento com a religião protestante e de afirmação do seu desejo de ganhar a vida como escritor, cada vez mais sente necessidade de “redescobrir” o Brasil e ressignificar o sentido da nossa história, ou seja, romper com aquele clima intelectual que marcou o próprio Freyre nas primeiras décadas do século XX. É o próprio Freyre quem admite isso, após mais de três anos fora do Brasil, quando ele teve a oportunidade de ver “(...) um bando de marinheiros nacionais(...)”[mulatos e cafuzos] no Brooklyn. Aquela cena trouxe-lhe à lembrança uma impressão nada agradável, e que lhe sugeria aquilo que acabara de ler em um viajante americano que comentava sobre o Brasil: “(...) the fearfully mongrel aspect of most of the population(...)”. Efetivamente, a miscigenação resultava naquilo.13 Essa questão é importante porque acentua a visibilidade mediante a qual o debate racial no Brasil das primeiras décadas do século XX se expressa, e nesse sentido, o traço da mestiçagem adquire um papel de protagonista nesse debate.

A valorização da paisagem e dos valores regionais, leia-se nordestinos, marcou enormemente a atuação intelectual de Gilberto Freyre nesses primeiros momentos de retorno ao Brasil, e afirmou em Gilberto Freyre um certo ceticismo frente aos influxos de renovação cultural advindos das posições modernistas do Centro-Sul do Brasil, visto a existência de um certo descompasso histórico e cultural entre o Nordeste, na época enfrentando um processo de declínio(político, cultural, econômico), e o Centro-Sul do Brasil, experimentando um momento de ascensão e prestígio.

Em 1925, Gilberto Freyre organiza um documento cultural de inestimável valor no debate sobre a cultura regional, que é o Livro do Nordeste, obra comemorativa do centenário do Diário de Pernambuco, periódico no qual Gilberto Freyre escrevia desde os seus primeiros anos no estrangeiro. Aglutinando nomes importantes da política e da cultura regional da época, Gilberto Freyre procura explicitar nessa obra a demarcação dos limites de uma cultura regional, no caso a nordestina. Nos seus três artigos elaborados exclusivamente para a obra, “Vida Social no Nordeste. Aspectos de um século de transição”, “A pintura no Nordeste” e “A cultura da cana no Nordeste. Aspectos do seu desenvolvimento histórico”, estão presentes elementos importantes que igualmente marcarão sua produção intelectual posterior, tais quais: a ênfase em temas e motes locais e a utilização de uma abordagem multidisciplinar e aberta. Tal o seu caráter flexível, fazendo dialogar abordagens e temas de estudo pouco semelhantes entre si e que não eram muito bem vindos no rol dos temas dignos de uma abordagem científica, que sobre o Livro do Nordeste (1925), diz Antônio Dimas: “(...) evidencia que rendas e janelas podem conviver, lado a lado, com estatísticas comerciais ou municipais, sem que um desmereça o outro (...)”14

Outro episódio importante na discussão sobre cultura regional e nordestina e no qual Gilberto Freyre se envolve diretamente é o Congresso Regionalista do Nordeste de 1926, realizado na cidade do Recife. Desde 1924, ele e outros intelectuais como Odilon Nestor, Ascenso Ferreira, Amauri de Medeiros e etc., articulavam suas posições regionalistas em torno do Centro Regionalista do Nordeste e de suas propostas de valorização da paisagem, da culinária, dos valores culturais nordestinos. É na defesa e na afirmação de valores como a tradição e a região que realiza-se o Congresso Regionalista de 192615, com a presença de nomes marcantes da cultura e da política regional.

Apesar da polêmica em torno da veracidade do texto do Manifesto Regionalista como não tendo sido escrito em 1926 e sim em 1952, posição defendida por Wilson Martins e Joaquim Inojosa, observa-se no Movimento Regionalista dos anos 20, e nas propostas lá colocadas, principalmente do ponto de vista temático, a afirmação de elementos que estarão presentes não só em Casa Grande & Senzala como em outras obras de Gilberto Freyre que tornaram-se clássicas no pensamento intelectual brasileiro a partir dos anos 30 e que buscavam expressar um passado grandioso, ou seja, “(...)defender esses valores e essas tradições (...) do perigo de serem de todo abandonadas(...)”16

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Azevedo, Neroaldo Pontes de. Modernismo e regionalismo(os anos 20 em Pernambuco). João Pessoa: Secretaria de Educação e Cultura da Paraíba, 1984.

CHACON, Vamireh. “Tradição e Modernidade em Gilberto Freyre” in Viagem ao Universo de Gilberto Freyre. João Pessoa: Editora A União, 1983.

DIMAS, Antônio. “Um manifesto guloso” in Ethel Kosminsky, Claude Lépine e Fernanda Peixoto (orgs.). Gilberto Freyre em quatro tempos. Bauru, SP: EDUSC, 2003.

FONSECA, Edson Nery da. “Recepção de Casa Grande & Senzala no Recife dos anos 30 e 40” in Ethel Kosminsky, Claude Lépine e Fernanda Peixoto (orgs.). Gilberto Freyre em quatro tempos. Bauru, SP: EDUSC, 2003.

FREYRE, Fernando de Mello. “Gilberto Freyre: ontem e hoje, além do apenas moderno” in Ethel Kosminsky, Claude Lépine e Fernanda Peixoto (orgs.). Gilberto Freyre em quatro tempos. Bauru, SP: EDUSC, 2003.

FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala. Rio de Janeiro: Maia e Schmidt, 1933.

______________. Sobrados & Mucambos. Rio de Janeiro: Maia e Schmidt, 1936.

______________. Ordem & Progresso. Rio de Janeiro: Maia e Schmidt, 1959.

______________. Manifesto Regionalista. Recife: FUNDAJ/Massangana, 1996[1926].



GRUZINSKI, Serge. Entrevista. Revista Nossa História (Ano 2/nº 13), 2004.

MARTINS, Mário Ribeiro. Gilberto Freyre, o Ex-Protestante. São Paulo: Aliança Bíblica Universitária do Brasil, 1973.

NICODEMOS, José Pedro. “Gilberto Freyre, Historiador Social” in Viagem ao Universo de Gilberto Freyre. João Pessoa: Editora A União, 1983.

SKIDMORE, Thomas. “Raízes de Gilberto Freyre” in Ethel Kosminsky, Claude Lépine e Fernanda Peixoto (orgs.). Gilberto Freyre em quatro tempos. Bauru, SP: EDUSC, 2003.

1 O presente artigo consiste numa versão resumida do primeiro capítulo da monografia intitulada Gilberto Freyre e a visão moderna do Brasil nos anos 1930: contribuição ao estudo de Casa Grande & Senzala (1933), apresentada ao curso de Licenciatura Plena em História da Universidade Federal da Paraíba no ano de 2007.

2 Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba (PPGH/UFPB).

3 Gruzinski, 2004, p. 23.

4 Freyre, 1933, p. XII.


5 Fonseca, 2003, p. 35.

6 Ver Martins (1973) para uma discussão acerca da influência do protestantismo na trajetória intelectual de Gilberto Freyre.

7 Freyre, 2003, p. 15-16.

8 Skidmore, 2003, p. 45.


9 Chacon, 1983, p. 15.

10 Freyre, 1933, p. XII.


11 Nicodemos, 1983, p. 145.


12 Fonseca, 1983, p. 26.

13 Freyre, 1933, p. XII.

14 Dimas, 2003, p. 329.

15 Ver Azevedo, 1984.

16 Freyre, 1926, p. 52.




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