Tecendo novos olhares sobre as práticas punitivas na paraíba do século XX



Baixar 358,88 Kb.
Página2/2
Encontro07.11.2018
Tamanho358,88 Kb.
1   2

Fonte: Arquivo pessoal de Kalyne Barbosa Arruda.

Barbosa Arruda


Fonte: Arquivo pessoal de Kalyne

Barbosa Arruda





Fonte: Arquivo pessoal de Maria do Carmo Moreira de Oliveira Araújo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Professora Joana Carvalho Moreira

(Joaninha Moreira)

Fonte: Arquivo pessoal de Maria do Carmo Moreira de Oliveira Araújo.
Os traços da foto acima demonstram uma postura de mulher séria, rigorosa. Uma educadora considerada incisiva nas suas atuações escolares, porém, condição justificada como necessária, como relataram os ex-alunos neste estudo.

Por essa condição paradoxal: educadora rígida e amada, Joaninha Moreira se notabilizou na história escolar de Alagoa Grande. Nesse sentido, perscrutar sobre a sua contribuição através da memória de ex-alunos e familiares traz à tona relevantes contribuições à historiografia da educação brasileira e, em especial, a paraibana.

Portanto, neste estudo, baseado nos relatos de memória escolar, objetivou-se desvelar as práticas educativas utilizadas pela educadora Joana Carvalho Moreira (Joaninha Moreira), no curso da sua trajetória de vida, além de recorrer às fontes bibliográficas e outras fontes documentais acerca do processo de escolarização de Alagoa Grande-PB, com destaque ao seu estilo de educação peculiar, ou seja, o uso dos castigos corporais em diferentes momentos históricos da sua atuação, no qual são vistos entre os alunos entrevistados como práticas necessárias para um bom desenvolvimento.

REFERÊNCIAS
A UNIÃO-Terça-feira, 3 de outubro de 1944, ano LII, nº 225, p.5
Alagoa Grande – Paraíba – Brasil. Disponível em: http://wikimapia.org/1573564/pt/Alagoa-Grande-Paraíba-Brasil. Acesso em 05 de agosto de 2009.
ALBERTI, Verena. Fontes orais: História dentro da História. In. PINSKY, Carla BASSANEZI (Org.) Fontes históricas. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006, p.155-202.
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: Unesp, 1999.
FOUCAULT apud FERRARI, Márcio. Um Crítico da Instituição Escolar. Grandes Pensadores. Fundação Victor Civita, n. 19, p. 116-118, jul. 2008.
GONÇALVES, Irlen Antônio. Cultura Escolar: práticas e produção dos grupos escolares em Minas Gerais (1891-1918). Belo Horizonte: Autêntica/FCH-FUMEC, 2006.
GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Amansando meninos: uma leitura do cotidiano da escola a partir da obra de José Lins do Rego (1890-1920). João Pessoa: ed. Universitária, UFPB, 1998, 312 p.
LE GOFF, Jacques. “Memória”. In: História e Memória. Campinas: Ed. UNICAMP,

1994, p. 423-483.


SANTOS, Tatiana de Medeiros. Magistério em declínio: histórias e memórias de ex-alunas do magistério do colégio Nossa Senhora das Neves (1970). Dissertação de mestrado. Universidade Federal da Paraíba – UFPB: João Pessoa, 2009.
SIMIÃO, Regina Aparecida Versoza; REIS, Rosinete Maria dos. Memórias de educadores mato-grossenses: uma primeira abordagem. In: PALHARES SÁ, Nicanor; SIQUEIRA, Elizabeth Madureira; REIS Rosinete Maria dos (Orgs.). Instantes e Memória na História da Educação. Brasília-DF: Inep; Cuiabá-MT: EdUFMT, 2006.

Fontes pesquisadas
Orais
Francisco de Assis de Oliveira, entrevista concedida a Kalyne Barbosa Arruda em 06 de outubro de 2009.

H. A. M. M., entrevista concedida entrevista concedida a Kalyne Barbosa Arruda em 23 de maio de 2009.

J. S. M., entrevista concedida entrevista concedida a Kalyne Barbosa Arruda em 23 de maio de 2009.

J. S. M., entrevista concedida entrevista concedida a Kalyne Barbosa Arruda em 24 de outubro de 2009.

M. J. M., entrevista concedida entrevista concedida a Kalyne Barbosa Arruda em 06 de outubro de 2009.

Fotografias
Arquivo pessoal de Kalyne Barbosa Arruda.

Arquivo pessoal de Maria do Carmo Moreira de Oliveira Araújo.



ANEXOS

ANEXO I
UMA HISTÓRIA DO BRASIL

PARA AS ESCOLAS
José Lins do RÊGO

LEMBRO-ME de meus tempos do colégio do interior da Paraíba, com as lições de história na ponta da língua, nas perguntas e respostas do livro adotado.

E ainda hoje resistem em as noções aprendidas, naquela época.

As gravuras, aquele bispo Sardinha, com os índios de tacape em cima dele, o velho Tamandaré, afogado nas barbas e tantas imagens de nossa vida passada que não me bandonam, após mais de 30 anos.

O poder destas primeiras imagens permanece, como gravados de água forte. O tempo não pode com estas imagens que são verdadeiras sínteses.

A minha historia do Brasil era daquela de perguntas e respostas. E lá vinham fatos e datas em acumulo de nos esmagar.

O mestre se punha a nos inquerir com verdadeira furia. Para cada resposta não respondida com todas as palavras do livro, um par de bolos que nos adormeciam as mãos.

Era o regime pedagógico do velho Eugênio Lauro Maciel Monteiro homem de poucos agrados e de duras determinações. Fiquei com toda a historia do tal José Maria de Lacerda, na cabeça, com todos os nomes de tribus, de batalhas, com todas as datas e apelidos e fatos exprimidos na memória. Bastava a primeira palavra da pergunta e lá vinha a resposta com todas as letras, contada, sem uma palavra a menos ou a mais.

Agora, ler esta pequena história que Sérgio Buarque de Holanda e Otávio Tarquinho de Sousa escreveram para as nossas escolas secundárias, é que verifico o quanto sacrifiquei de minha pobre imaginação no trato com livros que me esgotaram a capacidade de sentir o romance das coisas que andam no passado. A força da poesia que se esconde em incidentes em contactos, em referências ocasionais, na verdade de certas afirmações, no jogo de imagens, tudo isto enriquece a vida interior e ilumina os lados obscuros da existência, se dissolvem e não se condensam quando nos entregamos a extravagancias ou deturpações que esterlisam terrenos que cultivamos impiedosamente. Fui ler esta história, para o terceiro ano, e ao lado de um rigor cientifico, da verdade histórica, já está o respeito pela imaginação do adolescente, em anotações típicas, e, sobretudo, na linguagem simples, mas que não exclue anotação poética.

Os nossos livros didáticos abusam da aridez de linguagem, são quase sempre elaborados para ensinar, mas com uma absoluta indiferença pelo que há de fantasia ou de florido na alma dos moços. São livros como que escritos para ensinar a velho. Ai está para mim a fraquesa de nosso homens de cátedra. Há um mundo que eles não levam a sério, que é o mundo da obra do adolescente ou do menino. Não se quer com isto insinar que se faça romance da matemática ou do latim. Nada disso. Pretendo, apenas registar um fato lamentável. Mais do que o rigor da disciplina que se procura propagar, devia haver um grande respeito do mestre por esta coisa substancial e preciosa que é o homem que se forma, a conciencia que se elabora.

Sérgio Buarque de Holanda e Otávio Tarquino de Sousa são dois escritores. Mais do que pedagogos são escritores, e isto quer dizer que são homens que fazem da palavra, não só um instrumento de transmitir noções, mas um instrumento de transmitir emoções.

Esta história que escreveram, em parceria, é um modêlo de síntese, ao mesmo tempo que me parece uma magnifica prova do quanto vale a literatura. E’ um livro rigorosamente didático que nos absorve a atenção como livro de esplendida forma poética. Nada do vicio inicial do livro didático. Não está escrito para empurrar lições, está escrito com um seguimento de verdadeira obra de arte. Quando se servem do documentos, das versões dos cronistas, fazem com uma economia de textos, extraindo deles o essencial, a medula.

João Ribeiro já nos havia dado uma historia do Brasil com este mesmo espirito. Mais do que a de João Ribeiro que aparece, em alguns trechos, um tanto rigido, esta nova historia me contentou inteiramente. Veja-se como vem bem escrito, em lingua sobria o com aguda penetração o que se diz ali sobre os primeiros contactos das raças do pensamento. E’ o que chamar de “diálogo do raça”. Extraem da carta de Caminha trechos inclusivos e nos dizem:”Apesar de tudo, não, haveria aqui nenhum obstaculo invencivel á sua conversão e domesticação: esta gente é bôa e de bôa simplicidade. E imprimir-se-á ligeiramente neles quaisquer cunho que lhe quiserem dar. O padre Manuel da Nóbrega, cincoenta anos mais tarde, dirá a mesma coisa em outras palavras, comparando os índios ao papel branco onde tudo se pode escrever”.

Sente-se ai i que era o homem selvagem para o juizo do branco que chegava para descobrir terra e gente.

Para caracterizar o momento, o estado de espirito de uma época, a realidade de movimento nada como o retrato de tipos que comandavam e inspiravam os contemporaneos. Veja este Pedro I, em perfil que jamais sairá da cabeça do mesmo que o estudou: “D. Pedro era muito diferente de seu pai. Enquanto em D. João predominavam como traços mais expressivos e do seu carater e de seu temperamento, a pacatez, a tibieza, a irresolução, ao lado de uma astucia que constituia a sua melhor defesa e de uma bonhemia que o tornava simpatico, no filho, aqui chegado ainda menino e criado á solta os caracteristico principais eram o gênio impetuoso, a coragem, a resistência esportiva capaz de transformar-se em heroismo, um feitio cavalheiresco que não excluia certa malicia herdada do pai, uma irradiante simpatia pessoal, uma ambição de glória que o enquadaria entre as mais singulares figuras de seu tempo, uma capacidade de exaltar-se, próprio de seu fundo romântico”.

E assim nos aparece este D. Pedro I com todos os seus contrastes e desequilibrio de personalidade. O homem de ações decisivas na história, outra para a galeria do rapaz que estuda, com o relêvo de uma natureza atraente.



Ao acabar de ler esta historia do Brasil eu me recordo do meus anos de Itabaiana, na Paraiba, para alegrar-me com o destino dos meninos que a vão tomar para aprender, sem os meus sofrimentos e as minhas canceiras.


1 Ver anexo I.

2 José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em Pilar, Estado da Paraíba, em 03 de junho de 1901, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 1957. Criado no engenho Corredor, de propriedade do avô materno, fez os estudos secundários em Itabaiana e na Paraíba (atual João Pessoa), vindo a se formar em Direito no Recife no ano de 1918. Exerceu o cargo de promotor público em Manhaçu (MG). Publicava, desde sua tenra juventude, artigos em suplementos literários, passando após algum tempo a escrever romances. Seu primeiro livro foi publicado em 1932: Menino de Engenho, custeado com dinheiro do próprio bolso, e que atingiu enorme repercussão, abrindo caminho para uma série de obras de grande importância em nossa literatura. José Lins do Rego veio para o Rio de Janeiro em 1935. Consagrado como o grande escritor regionalista brasileiro ao lado de Graciliano Ramos, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras no ano de 1956.


1   2


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal