Tecendo algumas consideraçÕes em torno do colégio dos anjos na cidade de botucatu



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TECENDO ALGUMAS CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO COLÉGIO DOS ANJOS NA CIDADE DE BOTUCATU
Neise Marino Cardoso

PPGE do UNISAL

GT Americana/SP

neise_cardoso@hotmail.com

Este trabalho integra os debates presentes em nossa pesquisa de Mestrado, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação Sócio-Comunitária do Unisal/Americana/SP. O tema apresentado fez parte de um projeto de pesquisa e relatou a história de um Colégio Confessional Católico instalado em Botucatu, no Estado de São Paulo: o Colégio dos Anjos, criado em 1912.

A pesquisa teve por objetivo levantar dados desde a fundação na Itália, com a Congregação das Irmãs Marcelinas e que fizeram história e, com a vinda para o Brasil no início do século XIX. O Colégio dos Anjos cumpriu com um importante, papel na formação cultural e educacional da cidade e a pesquisa demonstrou suas ligações com as questões políticas e socioeconômicas envolvidas em âmbito regional.

Os procedimentos metodológicos da pesquisa levaram em consideração o levantamento e análise de fontes primárias, e secundárias, que tratam do objeto pesquisado, articulando o diálogo com os dados obtidos e a elaboração de conceitos que deram origem às categorias de análise.

Percebeu-se que o Colégio dos Anjos apresentou, uma peculiar importância histórica, demonstrando ter relevante significado para a sociedade local, na medida em que também simbolizou os ideais republicanos que eram divulgados e implementados com a instauração da República.

Neste, sentido, reconstruir a trajetória histórica de uma determinada instituição escolar é uma tentativa de elaborar uma interpretação a diferentes momentos ou fases que influenciaram sua constituição.



Botucatu e as condições políticas, econômicas e sociais

Para entendermos a história da educação no município de Botucatu no período é importante ressaltarmos que a ordem das marcelinas não foi a primeira ordem a chegar na região de Botucatu.

Segundo Delmanto (1995), no ano de 1719, a Companhia de Jesus, por intermédio do tenente Estandilau de Campos, superior da ordem no Brasil, partia para a formação de duas fazendas, objetivando a sustentação do Colégio de São Paulo em termos de alimentos e renda originada para comercialização dos produtos: as sesmarias seriam a base para as fazendas de Guareí e Botucatu.

A fazenda de Botucatu era voltada à pecuária, tendo uma população de aproximadamente 20 pessoas. E com o tempo a fazenda foi crescendo, sendo possível então ajudar comercializar o gado para todo o sertão.

Desde o início da fazenda havia muita perseguição do Marquês de Pombal aos jesuítas, mesmo assim a fazenda tinha vida própria. Diziam ainda os historiadores que os primeiros habitantes de Botucatu nasceram nas fazendas dos padres jesuítas, como consta nos arquivos de Sorocaba, então matriz de toda região.

Entre muitos nomes como prováveis fundadores ou benfeitores de Botucatu, fora, é claro, a presença indiscutível dos jesuítas, Gomes Pinheiro e Joaquim Costa, que segundo pesquisa do historiador Hernãni Donato(1955), encontrou nos arquivos de Sorocaba, então matriz de toda a região, foram os que doaram, consolidaram e incentivaram o povo a permanecer na fazenda de Botucatu.

Por volta de 1846, o governador da província, Manuel da Fonseca Lima e Silva, promulgava lei criando uma freguesia no Distrito de Cima da Serra de Botucatu. Esse município está localizado na região centro sul do estado de São Paulo.

Botucatu, como hoje é chamada, começou numa pequena vila, escura à noite e sem água encanada. A luz tênue dos lampiões abrandava a escuridão, e havia biquinhas de águas, geralmente à beira do ribeirão Lavapés.

Como bem nos diz os escritos de Donato (1955), nem bem se haviam passado 20 anos desde o início das plantações de café, o município explodia em crescimento, alimentado pela força, dos produtores de café. Entre eles os maiores Cia. Lavoura e Colonização, que tocava duas unidades, Morro Vermelho e Monte Selvagem, com 23 mil arrobas. Vinham em seguida João Batista Conceição, Gafiré Guiínle S. Veloso e Vilas Boas e irmãos.

Com o crescimento urbano, novos desafios vieram, como, por exemplo, aberturas de novas ruas, fazendo a ligação com os bairros mais distantes, e crescia a concentração do comércio local nessas novas ruas. Dessa maneira o centro da cidade desenvolveu-se, tendo como principal meio o comércio voltado para as fazendas do setor sudeste e sul do município.

Em virtude desse crescimento os italianos começaram a deixar o campo para morar e trabalhar na cidade.

Por volta dos anos de 1880, algumas conseqüências coincidiram no Brasil e na Itália para que um número considerável de homens e mulheres, excedentes no mercado de trabalho de sua pátria, visualizassem na América o seu futuro ideal. Necessidade lá, precisão aqui, especialmente entre os cafeicultores paulistas, tidos como mais avançados e mais bem informados. Dessa maneira era necessário atrair trabalhadores, muitos se organizaram em sociedades de imigração.

A recente unificação (1870) do reino italiano suscitara recomendações econômicas, em certos casos agravando a desocupação laboral, a miséria na Itália rural.

É preciso ter em mente que optar pelo Brasil daqueles dias traduzia o desespero ou ignorância das condições a enfrentar.

Segundo Basbaum (1983), diz que o Brasil foi dos paises de imigração menos aquinhoados, pois durante muitos anos os imigrantes evitavam o nosso país não apenas por causa do clima e da febre amarela, como por causa da escravidão. O braço imigrante não podia concorrer com o braço escravo.

Dizia-se que os europeus viriam substituir os escravos tanto no eito quanto na senzala, nas correntes. Apesar das advertências esses novos italianos vieram, preferindo o Brasil, Botucatu não o Canadá ou a Argentina ou a Austrália que também os chamavam.

Segundo Donato (2000) em seu artigo na Gazeta de Botucatu, na edição comemorativa de 145 anos, no ano da libertação dos escravos, os cafezais atraíram 92.086 trabalhadores, sendo peninsulares 80.749. Na virada do século, italianos e seus descendentes brasileiros compunham metade da população da capital do estado.

A força cativante da sua adesão ao novo meio, o amor ao trabalho, impressionaram as sociedades paulistana.

Neste contexto parecem convincentes as palavras de Kreutz (1991).p.152:

Entre 1819 a1947, o Brasil recebeu 4.900.000 imigrante de diversas etnias. Vários motivos levaram o governo brasileiro a incentivar a imigração. A partir da programação da independência tornou-se intensa a discussão sobre um desejado projeto de nação. A elite política observava o rápido desenvolvimento que estava ocorrendo no Estados Unidos que a décadas, vinham recebendo um grande número de imigrantes. Era um exemplo a ser seguido. Seu desenvolvimento era atribuído à imigração, enaltecendo-se a pequena propriedade com fontes de virtudes. Outro motivo para incentivar a imigração para o Brasil era a necessidade de ocupação do espaço geográfico no sul, onde havia freqüentes conflitos de fronteiras.

Vários autores afirmam que também houve motivação racial para privilegiar a vinda de imigrantes europeus. Esses povos foram os favorecidos na imigração para o Brasil, incentivava-se a formação de núcleos etnicamente homogêneos. Cada família teria uma pequena propriedade, próxima a uma vila na qual se organizava uma estrutura que favorecesse a vida comunitária.

Segundo Donato(2004.p.262), em seu artigo à Gazeta de Botucatu na edição comemorativa dos 145 anos, consta nos arquivos do estado que os moradores do ano de 1865 da população botucatuense era de 500 pessoas. Três dos nomes soam e estão grafados como se fossem de italianos: Bressan, Pavan, Bressone. Outro nome, o de André João Klein, nome alemão sem dúvida, sugere que já nessa área não havia apenas mineiros e paulistas, mas também europeus.

No ano seguinte, 1866, havia mais ou menos 10 famílias de americanos sulistas que se instalaram na vila.

De acordo com artigo do jornal A Gazeta de Botucatu do ano 2000, documentos da época mostram que o primeiro contrato de trabalho entre patrão brasileiro e trabalhador italiano é de 29 de novembro de 1890. Quando naquela ocasião foram contratados para cuidar do cafezal (A Gazeta de Botucatu, edição comemorativa aos 141 anos de Botucatu, 2000).

Alguns italianos progrediram ao ponto de comprar escravos. No último decênio do século XIX a cidade era um centro buliçoso de progresso regional e de atração de imigrantes; por volta de anos de 1880, os italianos começaram a ganhar e economizar para então adquirir terras e casas.

Então, em pouco tempo enriqueceram e, quando em 1911 se editou em Turim publicação relacionando italianos proprietários e agrícolas no estado de São Paulo, estes eram 18 em Botucatu. Na maioria urbanizada participavam do surto do progresso geral e da cidade em particular.


A Igreja católica no município de Botucatu


Neste momento irei utilizar uma passagem de Figueiroa(2004), que referencia o surgimento da Igreja católica no município de Botucatu.

A


ssim que se criou a nova freguesia, o primeiro trio do poder local foi formado pelo vigário colado, pelo subdelegado de polícia e pelo juiz de paz. O vigário era o padre Joaquim Gonçalves Pacheco, que tomou posse em julho de 1849, e foi designado para atuar na matriz de Santana. Nasceu em 12 de dezembro de 1823 no município de Sorocaba, sua família chegou a Sorocaba por volta de 1800, procedentes de Borda do Campo (MG). Fez seus estudos ali mesmo, além das primeiras letras, estudou latim, retórica e filosofia.

Em seguida transferiu-se com intuito de seguir e carreira eclesiástica. Em 1848 foi ordenado sacerdote por D. Manuel de Monte Rodrigues de Araújo na cidade do Rio de Janeiro.

Logo após sua ordenação foi para Botucatu, em menos de um ano foi transferido para da cidade de Itapetininga, depois para Sorocaba, onde permaneceu até morrer.

O subdelegado era João da Cruz Pereira e o juiz de paz era Claudino Antônio Pereira. Eram então as primeiras e principais autoridades locais e dividiam a responsabilidade de conduzir as coisas da nova freguesia.

Existia ainda o cartório de Manuel de Almeida Toledo, oficial da principal repartição pública civil da nova freguesia, e também havia o comandante do quartel da força policial, o tenente João Carlos de Souza Cananéia.

Excetuando o vigário, os demais constituíam o poder civil, representando o Estado Imperial Brasileiro. Porém, pela vigência do padroado, era ao vigário que cabiam as principais funções na condução da freguesia.

Por volta do ano de 1855 Botucatu ganhou sua condição de vila, o que até essa data não era considerada. De acordo com os historiadores botucatuenses Donato(2004) e Figueiroa(2004), Botucatu era freguesia da Vila de Itapetininga, portanto freguesia do Alto da Serra, e deveria remeter-se à sede do município de Itapetininga, que era a sede da Comarca Eclesiástica.

Sendo distante da sede, a freguesia de Botucatu reivindicou desde cedo a existência de uma Vara Eclesiástica de Cima da Serra.

No ano de 1859, mais de 30 cidadãos locais colocaram sua assinatura num abaixo-assinado e dirigiram uma representação ao bispo de São Paulo com a finalidade de criar uma Câmara Eclesiástica.

O bispo da capital da província visitava o interior e São Paulo. O de José Nogueira Jaguaribe diz que:

“[...] o bispo D. Antonio achava-se em Sorocaba e ali despachou a petição a 18 de fevereiro de 1859, autorizando o vigário a fazer a justificação relativa a diligencia de casamento, mas não criou a Câmara Eclesiástica". (A gazeta de Botucatu,2004.p.4).
Assim é também como imagina dom Zione em seu artigo editado no dia 10 de abril de 2004 no jornal local, deve ter existido uma outra paróquia.

No início do século passado existia o desejo de ampliar as formas de organização da Igreja pelo interior de São Paulo. Foi aí que ocorreu a criação do bispado.

Segundo artigo do jornal A Gazeta de Botucatu, escrito por João Carlos Figueiroa(2004,p.4), a Igreja católica era dirigida por um bispo, o bispo de São Paulo e da província do Paraná compunham uma diocese diferente, criada algum tempo antes. Ambas subordinavam-se ao arcebispo do Rio de Janeiro.

O bispo de São Paulo, dom José de Camargo Barros, e o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Joaquim Arcoverde, combinaram, no início de 1904, pela expansão dessa organização. A idéia era criar um arcebispado na capital de São Paulo, com abrangência sobre a diocese e paróquias do Paraná. Foi então o que aconteceu.

Um italiano que merece ser lembrado na historia de Botucatu é monsenhor Pascoal Ferrari, natural da província italiana de Massa Carrara; monsenhor Ferrari nasceu em Corvino (Toscana) em 3 de abril de 1853, e foram seus genitores: Luis Ferrari e Teresa Ferrari.

Seus estudos foram feitos no Seminário de Castel Nuovo d‘Aste. Já sacerdote, ordenado em 1879, e com 26 anos de idade, solicitou e obteve dos seus superiores autorização para exercer o seu ministério sacerdotal na diocese de São Paulo, conforme expressara por escrito em 14 de fevereiro de 1880.

No Brasil, o padre Pascoal Ferrari foi coadjutor, hoje diríamos vigário paroquial, na Paróquia de Sorocaba, onde permaneceu por dois anos, sendo transferido para a Paróquia de Bom Sucesso, que fica na cidade de Sorocaba onde permaneceu por três anos.

Em 1886 veio para Botucatu a pedido do padre João Lopes Rodrigues, dada a escassez de sacerdotes, respondeu por várias paróquias durante longo período; a cidade contava com aproximadamente 3.000 habitantes, e padre Ferrari ressentiu-se da frieza com que foi recebido, em virtude em parte da forte presença do protestantismo, e voltou para São Paulo.

Todavia, o bispo diocesano, dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, convenceu-o a voltar a Botucatu. O padre concordou e deu início ao seu trabalho apostólico e ministerial. Ele fundou associações religiosas na cidade e fora dela. No ano de 1888, começou a construção da nova Matriz de Santana nos altos da cidade, a capela-mor foi benta em 1892, com a mudança da velha igreja da praça da matriz velha (hoje Coronel Moura) para a praça da atual catedral. Com esse feito obteve da autoridade diocesana de São Paulo, o título litúrgico de São Benedito, em substituição ao de Sant” Ana da velha igreja.

A igreja de Sant’Ana foi definitivamente transferida para a recém construída igreja no alto da cidade(na porta principal da atual catedral) e como já dito, a velha matriz foi dedicada a São Benedito. Esta matriz foi a primeira catedral de Botucatu.

Terminada a construção da nova matriz de Botucatu, o padre Ferrari não parou. Ficou sabendo que o bispo do Bispado de São Paulo estava querendo se tornar Arcebispado e, assim , criar uma ou mais dioceses no interior paulista . Várias cidades começaram a se mobilizar, no intuito de será a sede do novo Bispado. Dentre elas: Itu, Campinas, Botucatu.

A cidade de Botucatu não tinha tanta coisa para oferecer, como ITU e Campinas, mas algo que muito iria influenciar na criação do novo Bispado: a distância. Tanto Itu como Campinas estavam muito próximas da capital. Botucatu não estava nem longe e nem perto demais.

Padre Ferrari foi convidado pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Joaquim Arcoverde e pelo bispo de São Paulo, dom José Camargo Barros, para conferenciarem, tendo como sede a cidade.

Voltando a Botucatu, padre Ferrari começou a fomentar o interesse dos chefes políticos, dos homens abonados e dos expoentes sociais e religiosos da cidade. Depois de algum tempo, recebeu cartas com o parecer positivo do arcebispo do Rio de Janeiro e do bispo de São Paulo e começou, então, a organizar uma comissão pró bispado de Botucatu. Isto aconteceu dia 3 de julho de 1904, na casa do coronel Rafael de Moura Campos.

Em carta enviada ao bispo de São Paulo, o cardeal do Rio de Janeiro, dom Arcoverde, comunicou que o papa Pio X havia determinado a criação da Diocese de Botucatu.

O então bispo de São Paulo, dom José Camargo Barros, viajou para Roma em 6 de maio de 1906. Entre os assuntos a tratar com o Papa estava a criação da nova Diocese de Botucatu.

No regresso, o navio naufragou no litoral da Espanha e o bispo morreu. Assim foi por água abaixo o sonho do povo botucatuense paulista.

Um novo bispo tomou posse em São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva no dia 14 de abril de 1907. Sua idéia era de criar em vez de uma diocese, mas sim cinco, compondo uma província Eclesiástica. Foi então o que ele fez.

Percorreu as cidades que haviam se candidatado a Diocese e em 3 de junho de 1907 chegou a Botucatu, juntamente com a comissão avaliadora. Eles concordaram em incluir a cidade entre as novas sedes episcopais.

Devidamente orientado pelo diocesano paulista, quanto ao desmembramento do seu território diocesano, o padre Ferrari foi tomando todas as medidas cabíveis para que a sede paroquial de Santana fosse o futuro bispado. Organizou e presidiu a Comissão Pró-Bispado e viu coroados os seus esforços com a criação da nova diocese em junho de 1908 e a nomeação do primeiro bispo.

Nessas oportunidades o bispo de São Paulo e primeiro administrador apostólico de Botucatu, no entremeio entre a criação da diocese e a posse do primeiro bispo diocesano, dom Duarte Leopoldo e Silva, obteve da Santa Sé, em 4 de junho de 1907, o título de monsenhor para o padre Pascoal Ferrari.

De acordo com fala de dom Zioni em 2000, o arcebispo de São Paulo ofereceu nesse dia um jantar no Palácio Episcopal da Rua São Luís, aos recém-nomeados monsenhores, Miguel Martins, Francisco de Campos Barreto, Agnelo de Morais, João Alves de Siqueira e Pascoal Ferrari, fazendo-lhes a entrega do título de Camareiro Secreto de Sua Santidade (FIGUEIROA - Joaquim Carlos, Hernani Donato, Zioni, Dom Vicente Marchetti; 2000 - Os italianos na história de Botucatu; p. 195. In. VENDITTO, Adolpho Dineici; Botucatu – História de uma cidade; 2004).

O padre Pascoal Ferrari, vigário da Matriz de Botucatu, foi chamado a São Paulo para uma conferência com dom Joaquim Arcoverde e dom José de Barros, ocasião em ficou decidido que a paróquia de Botucatu seria sede do bispado.

Padre Ferrari voltou de São Paulo preocupado, precisava convencer as elites locais da importância de ter na região um bispado e obter dela o compromisso de total empenho no desenvolvimento da idéia. Mas havia a exigência de montar uma forte infra-estrutura de manutenção do bispado, incluindo a montagem de um patrimônio girando perto de 50.000$000 (cinqüenta contos de réis), entre outras coisas.

Padre Ferrari convocou para uma série de reuniões algumas pessoas influentes na cidade, para expor confidencialmente o resultado da sua ida a São Paulo. Dizia aos presentes da importância para a cidade da vinda do bispado e que o município passaria a dirigir uma vastíssima região do estado e com certeza espalharia para outros setores não religiosos.

Ao final das reuniões foi montada uma comissão para dirigir a luta pró-bispado, segundo os escritos de Delmanto (1995) no ano de 1904, a 3 de julho, acontecia então a reunião da comissão pró-instalação do bispado na residência do monsenhor Ferrari. Estavam presentes na reunião os senhores coronel Antonio Cardoso do Amaral, o coronel Raphael Augusto de Moura Campos, o coronel Amando de Amaral Barros e João Batista de Souza Aranha.

A comissão havia concordado com o padre e com as metas propostas. Quase um ano depois, após longo trabalho dessas lideranças e do próprio padre, a comissão estava preparada para entregar o patrimônio ao arcebispo do Rio, como parte do acordo para fazer criar o bispado da cidade.

Ainda segundo esse mesmo autor, veio à Botucatu uma comissão liderada pelo bispo de São Paulo, encarregado de formar os patrimônios dos bispados que ficariam sob seu comando.

Um ano após a visita de dom Duarte Leopoldo, chegou a noticia da capital: o papa Pio X, pela Bula “Diocesium Nimiam Amplitudinem”, de 7 de junho de 1908, elevou São Paulo a condição de Província Eclesiástica, promovendo dom Duarte a 1º Arcebispo Metropolitano e, criando, assim cinco novas dioceses: Botucatu, Taubaté, Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos do Pinhal.

Nomeando bispos: dom José Marcondes Homem de Melo para o bispado de São Carlos do Pinhal; dom João Baptista Correa Nery para o bispado de Campinas; dom Lúcio Antunes de Souza para o bispado de Botucatu; e dom Alberto Gonçalves para o bispado de Ribeirão Preto e governador do bispado de Taubaté, monsenhor Nascimento Castro.

Criado o bispado de Botucatu, o mesmo recebeu uma vasta diocese, nela estavam incluídas cidades exageradamente distantes e extremamente rurais e litorâneas. Entre as cinco novas dioceses, Botucatu era a maior em extensão, abrangendo praticamente a metade do Estado de São Paulo.

A lista de cidades chegava a 53. No final do processo a comissão apresentou a totalização do que havia reunido para dotar o patrimônio do bispado:194:647$950.

No mesmo dia, foi nomeado o primeiro bispo: dom Lúcio Antunes de Souza, mineiro de Lençóis do Rio Verde, que era secretário do bispado de Diamantina. Grande figura do clero. O ilustre prelado (título honorífico de dignitário eclesiástico) foi sagrado em Roma no ano de 1908.

A festa da instalação do Bispado aconteceu dia 25 de outubro de 1908. O documento pontifício relativo a criação da diocese de Botucatu, foi lido pelo padre Humberto dos Santos, primeiro sacerdote nascido em terras botucatuenses.

Em 1908 monsenhor Ferrari foi investido da dignidade e, em 1910 o bispo diocesano o elevou a vigário-geral do bispado, cargo este que monsenhor exerceu até a morte.

Monsenhor Ferrari faleceu em 21 de abril de 1919 na sua residência. Foram 33 anos de sacerdócio num só lugar.

O historiador botucatuense Pinto (1955) reproduz na sua obra o depoimento de pároco de Botucatu, o padre Salústio Rodrigues Machado, descrevendo a personalidade do monsenhor Ferrari. “Era amigo do progresso e a cujos esforços se devem em grande parte a criação da Diocese de Botucatu, da qual chegou a ser Vigário Geral”.

E foi nesse contexto que Botucatu viu surgir o Colégio dos Anjos, colégio esse que objetivava formar as “moças” de sua sociedade local e regional


A presença da congregação presbiteriana em Botucatu e as questões históricas.
De acordo com o jornal local de Botucatu, não existem registros precisos sobre os primeiro fatos relativos, mas o líder dos emigrantes que aqui se fixaram era figura muito conhecido de todos eles. O major Robert Meriwether, que viveu e criou grande descendência, imagina-se que tenha sido um dos primeiros a propagar o culto presbiteriano na cidade de Botucatu. Os anais presbiterianos, no entanto, atribuem a Domingos Soares de Barros o mérito de ter-se transformado no propagador do culto evangélico e incentivador de sua organização na cidade. Domingos, que era um maçon, travou conhecimento da Bíblia na Loja Maçônica local, livro que servia para os votos e cumprimentos maçons (A Gazeta de Botucatu, 9 abr. 2004, p. 14).

Ainda segundo essa mesma edição do jornal A Gazeta de Botucatu, na cidade, naquela época, havia a ausência de Casa de Oração: “Se aparecesse alguém em Botucatu que pregasse a doutrina da Bíblia, ele construiria uma casa para aquele livro”. Respondendo esse chamado o reverendo George Chamberlain, fundador da escola Mackenzie em São Paulo, tomou conhecimento dessa situação e durante uma de suas viagens a Lençóis Paulistas, e aproveitando a curta distância entre as cidades resolveu chegar a Botucatu.

Do contato com Domingos Soares de Barros, feito durante um jantar, incentivou-o a levar adiante sua proposta. Nasceu desse contato e do esforço dele a primeira Casa de Oração presbiteriana de Botucatu. Segundo arquivos a data dessa reunião é desconhecida, porém muito significava o fato de considerar-se como sendo a data mais remota para a Igreja Presbiteriana de São Paulo o ano de 1874. É desse ano a chegada do pastor Chamberlain ao Brasil e da organização do Colégio Americano, e também a constituição da primeira Casa de Oração na capital, marco comemorado no aniversário paulistano.

Considera-se o ano de 1885 como sendo o ano da fundação da primeira Congregação Presbiteriana na Serra de Botucatu. Porém, os primeiros seguidores da doutrina em Botucatu já estavam desde a segunda metade dos anos de 1860, quando aportaram no Brasil os americanos procedentes de várias cidades sulistas dos Estados Unidos, emigrados após a Guerra da Secessão.

Acredito que seja pertinente fazer referência à questão do protestantismo e da maçonaria no município de Botucatu, porque a instalação do Colégio dos Anjos tinha a ver com a conquista de espaço religioso e político da Igreja Católica. Como já enfatizei anteriormente, sabe-se que a maioria dos habitantes, como por exemplo os políticos e fazendeiros, no início da vila de Botucatu, eram de credos mencionados anteriormente. Há necessidade de compreender quem foram estes para dar prosseguimento da nossa pesquisa.

Um dos primeiros membros do Conselho da Igreja Presbiteriana em Botucatu foi reverendo João Ribeiro de Carvalho Braga, que se destacou na vida social e política. Tinha grande influência sobre a comunidade e toda cidade, tornando-se membro da primeira Junta Republicana de Intendentes de Botucatu, indicado que foi para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal, nos princípios de 1890. Teve uma atuação participativa e duradoura. Outro membro é Domingos Soares de Barros, a quem a história atribui um papel especial na organização dos presbiterianos locais. Fez parte do primeiro Conselho de Diretor da Igreja, transformou-se em diácono. Participou do manifesto resultante da Convenção Republicana, marco significativo para história brasileira.

João Thomaz de Almeida participou também da Câmara de Vereadores, foi secretário do jornal local O Correio de Botucatu e concomitantemente era secretário da loja maçônica.

Vejamos agora algumas figuras que merecem destaque na Congregação Presbiteriana local, segundo artigos do jornal A Gazeta de Botucatu (9 abr. 2004, p. 14).

O primeiro nome é do major Robert Meriwether, que tem o seu nome ligado indelevelmente à história da Igreja presbiteriana local. Isso porque foi um dos primeiros entre eles a habitar o alto da Serra de Botucatu. Foi para lá com o intuito de localizar propriedades para os imigrantes americanos que se mudavam para o Brasil.

Ainda segundo esse mesmo jornal acima mencionado de 09 de abril de 2004, p.18, consta que no livro Pioneiros Americanos do Brasil existe uma carta dirigida a um responsável pela emigração, então temporariamente localizado em Campinas dando conta de que iniciaria uma viagem de fronte da Serra de Botucatu, procurando dirigir-se aos campos de Lençóis Paulista. Estava fascinado pela terra e nessa carta que é datada de 06 de janeiro de 1866, acusava um grande frio em toda a região.

Quando eclodiu a cisão entre o norte e sul americanos, o major alistou-se no Exército Confederado, foi capitão da Companhia H, e durante quatro meses participou de numerosas batalhas; em agosto de 1865 mudou-se para o Brasil.

Fixado sobre o alto da serra, o major viveu o restante de seus dias em Botucatu. Teve vários filhos e faleceu em 1906, sendo enterrado no cemitério Portal das Cruzes.

O reverendo Erasmo Braga era considerado um dos mais cultos pastores da Igreja presbiteriana do Brasil. Iniciou sua formação escolar e religiosa em Botucatu e quando moço foi para capital prestar exames à academia de direito; fez também para o Instituto Teológico de São Paulo. Talvez porque a vocação já lhe tocasse o coração, optou pelo instituto e passados três anos se formou.

Seu primeiro trabalho foi em Niterói; além das atividades evangelizadoras, encontrava tempo para dedicar-se ao magistério e à imprensa. E a partir daí começou a editar livros didáticos, destinados à educação infantil e ao educador em geral; em 1910 estava entre os fundadores da Academia de Letras de São Paulo.

Um outro nome a ser lembrado é doutor Vital Brasil, talvez o nome de maior destaque, dentre tantos da comunidade presbiteriana local, médico em inicio de carreira. Conforme anúncio no jornal O “Botucatuense” atendia em casa, em sua clínica, nas fazendas e a domicílio.

Em 1898 mudou-se para São Paulo a convite de Adolfo Lutz e passou a compor a equipe de pesquisadores.

Recorro aqui a uma passagem de João Carlos Figueiroa quando na construção coletiva de um compêndio tentou resgatar e reatar a verdadeira ligação que tinha com a tradição histórica da cidade de Botucatu, que para ele e seus companheiros foi sem sombra de dúvidas uma contribuição valiosa contra essa verdadeira crise de conformismo que muitas vezes envolve o ser humano.

Segundo esse historiador, foi criado o Sínodo do Brasil e implantado o que mais os pastores nacionais queriam, o seminário, a Igreja presbiteriana do Brasil experimentou forte crescimento. Mas não cessaram as diferenças de rumos a serem tomados, principalmente com os pastores norte americanos, que continuavam a investir em sua Escola Americana, a mesma que seria o embrião da Universidade Mackenzie.

Os atritos chegaram ao máximo, principalmente com o educador Horace M. Lane, trazido pelo reverendo Chamberlaim ao Brasil, especificamente para fundar a escola Americana. Devido a esse desenvolvimento, o reverendo Eduardo Carlos Pereira líder da igreja de São Paulo e a missão de Nova York, encarregado da escola paulista.

Desde a criação do Sínodo, além da questão do seminário Teológico, que era a meta dos pastores nacionais, outras questões acabaram por dividir reverendos, presbíteros e membros da igreja Sinodais.

É que as duas missões continuavam a influir na tomada das decisões, agora era a questão da localização do seminário. A mIssão de Nova York o queria em São Paulo, enquanto os missionários de Nasheville o queriam em Campinas, onde também já tinham um a escola.

A questão Maçônica, surgiu em 1898, no jornal “O Estandarte” editado pelo reverendo Eduardo Carlos Pereira, que discutia a correção ou não de evangélicos pertencerem à Igreja Sinodal ou mesmo as missões americanas e fazerem parte de alguma loja maçônica. Na história da igreja em Botucatu, o mais conhecido presbítero era o maçon e presbiteriano ao mesmo tempo ”Domingos Soares de Barros”.

Para concluirmos a respeito da história dos italianos, americanos e dos protestantes do município de Botucatu que sem sombra de dúvida foram criativos, ousados e valentes. Parecem convincentes as palavras dos historiadores locais Delmanto(2004) e Figueiroa (2004), que apontavam como fator de consolidação de expansão econômica que teve nos imigrantes italianos seus principais agentes. Naquela época muitos se transferiam das fazendas para a cidade, onde iniciaram seus rendosos negócios; vale também para a expansão da indústria de transformação local.

Alguns italianos se estabeleceram aqui; no ano de 1884 foi a vez de Alessio Varoli que foi o pioneiro com a fábrica de bebidas. Depois vieram outras conquistas, mas a empresa desenvolveu-se nacionalmente chegando a produzir máquinas para as regiões de expansão cafeeira, mundiais, inclusive à África.

As transações de produtos e serviços foram e continuam sendo o maior e mais silencioso desenvolvimento econômico de Botucatu. Vender, comprar e trocar são atividades importantes, cruciais, perenes, que unem ao longo do cordão do tempo as duas pontas visíveis da história de Botucatu.

Hernani Donato (1995), ensina-nos que na ponta atual da história da cidade de Botucatu, estavam os jesuítas, como já dito.. Notórios pastores da Igreja, que além de arrebanhar almas tinham vários rebanhos para a venda e troca. Foram tão hábeis comerciantes que a Companhia de Jesus acabou virando uma verdadeira companhia comercial de porte transnacional. Rica, influente e tentaculada, a companhia encheu os olhos de cobiça, primeiro os de Pombal em Portugal e depois os da própria Igreja. Foi seu fim.

Quando os jesuítas se foram e chegaram os fazendeiros, Botucatu virou a Boca do Sertão, o último ponto de civilização ocidental antes do verdor total das matas, seus labirintos, bichos e índios. Era aqui que estava a derradeira oportunidade de adquirir as provisões básicas para aventura e os parcos produtos que a rudeza da época tornava disponíveis.

Com o café, Botucatu ganhou status de produtora, sem, contudo, abandonar a prática comercial, que então já tomava ares de urbanidade, diversificando-se e sofisticando-se. Pelos trilhos da estrada de ferro ia o café, mas também vinham produtos variados que eram vendidos para população da cidade. Por esses mesmos trilhos vieram nossos antepassados com a mala vazia de pertences e abarrotadas de esperanças.

Foi no comércio que muitos deles acharam o caminho para perseguir seus sonhos. O comércio ainda se faz essencial para progresso da cidade, continua empregando muitas pessoas.

São botucatuenses nativos ou por opção, que constroem e sustentam suas vidas trabalhando direta ou indiretamente com as atividades comerciais.

Para a realização desta pesquisa tivemos acesso a jornais, livros, cartas, documento da congregação. Podemos dizer que pelas informações colhidas que o orgulho da comunidade botucatuense é sua própria gente. Que se unem por uma boa causa, não fugindo às suas responsabilidades quando são chamados para as causas sociais.

São pessoas que dão vulto às suas categorias profissionais, pela dedicação, competência, sobretudo pela humanidade. Pessoas que ocupam seus lugares na construção da história de seu município, com propriedade de vida porque compartilham de um mesmo objetivo: a busca da felicidade pessoal e coletiva nessa que um dia já foi chamada Princesinha da Serra.

Em busca de progresso e desenvolvimento, Botucatu consegue as suas primeiras escolas e suas primeiras indústrias.

No início do século XIX, Botucatu já se constituía em importante pólo irradiador de cultura e na segunda metade dos anos de 1880 a imigração dos americanos do sul, derrotados na Guerra Civil, proporcionou que Botucatu passasse a ser importante sede do protestantismo, inclusive com escolas, criadas para atender à exigente clientela que tinha vindo de outra cultura e de outra realidade.

Mesmo com a diminuição dos norte-americanos, no início de 1900, Botucatu continuava com a presença forte dos protestantes e sua influência. Esse parece ser um motivo pertinente para a criação da Diocese de Botucatu, que teve no monsenhor Pascoal Ferrari o seu representante, sabendo motivar os chefes políticos de então e, com diplomacia, até os protestantes quanto à importância da criação de uma diocese.

Grande era a influência do protestantismo entre os moradores de Botucatu, basta que se destaque a vinda para Botucatu do doutor Vital Brasil; dentre tantos da comunidade presbiteriana local, seu nome foi sempre lembrado com muito apreço trazido pela comunidade local que tinha a sua escola.

Neste estudo procurei construir a história do Colégio dos Anjos com olhar focado nas mudanças e permanências em sua imagem, nas estratégias da elaboração dessas imagens e em sua comunicabilidade. Para isso, utilizei várias fontes: seu discurso, documentos da congregação, notícias e anos comemorativos do colégio. Esta história é uma dentre inúmeras possibilidades do olhar, inicia-se com uma primeira imagem: um colégio que foi instalado na cidade de Botucatu.

Apresento, a fim de olhar para essa imagem com maior atenção, o Colégio dos Anjos em meio ao universo cultural do início do século XX, quando as escolas eram vistas como um dos meios mais eficazes para a resolução dos problemas sociais, como parte integrante do avanço cultural necessário aos novos tempos.

No início da República o país vivia um momento de reordenação política e econômica e ganhava ares de modernidade. As expansões culturais e demandas de escolas por parte da elite encontraram respaldo na Igreja católica, que passava por um período de reestruturação e expansão com o fim do padroado. Uma das medidas tomadas pela Igreja, a fim de renovar e ampliar seus quadros e difundir suas doutrinas era a fundação de escolas. Difundidas com espaços culturais privilegiados, foi no início da década de 1930, com a organização do sistema nacional de educação, que as escolas foram projetadas com maior força para fora de seus muros, expondo-se publicamente. Mais uma vez, como no início do século, era exaltada nos discursos políticos e culturais, saíam para desfiles e convidavam a população para atividades internas. Eram, portanto, espaços privilegiados de sociabilidade e cultura. Na cidade de Botucatu, região de grandes fazendas produtores de café, o status dado às escolas pela população não foi diferente. A cidade viveu, no início da República, um período de grandes investimentos culturais. Era preciso modernizá-la política, econômica e culturalmente. Assim, os emblemas da cidade moderna eram estampados no centro de Botucatu: estação ferroviária, luz elétrica, casarões, Igreja matriz, teatro, gabinete de leitura e um colégio católico destinado às filhas ou aos filhos da elite. A segunda imagem: o colégio bem-sucedido, um dos símbolos do progresso da cidade.

As fontes e o discurso produzidos no Colégio dos Anjos, durante o período estudado, foram coerentes, ao longo da história, e dialogavam com os ritos e discursos que a sociedade e a cultura do período acolhiam. Esta é a história de uma escola que absorveu os acontecimentos culturais, em seus aspectos cívicos e religiosos. É a história de como, em meio a eles e com sua ajuda, se construiu sua imagem trabalhando contradições.

A minha pesquisa tem como fonte principal, como já dito, conhecer a história da congregação Santa Marcelina.

O arquivo de escola é muito rico em documentação; da fundação na Itália e a vinda da Congregação para o Brasil até 1912, período desta pesquisa, encontraremos: informativos, revistas comemorativas, cartas do fundador, livros diversos. Além dessa documentação oficial produzida pela escola, todas elas são manuscritas, temos também algumas fontes impressas que são: alguns exemplares do jornal “A Gazeta de Botucatu”, jornal que circulava na cidade.

A maior parte da documentação foi produzida com um caráter oficial, portanto faz-se necessário compreender a finalidade da produção dessa documentação.

Percebe-se que havia uma preocupação muito grande de possuir todas as informações ligadas à escola anotadas, o que facilitou muito a pesquisa sobre a instituição. Os jornais encontrados sobre a época retratada traz notícias, sendo a mesma uma instituição que cuja função era formar as jovens da cidade na doutrina cristã e na sua conduta, formando jovens prendadas.

E dessa maneira, concluímos esse trabalho, esperando ter respondido a questão teórica posta logo de início sobre o porquê e a importância de analisar a história da Congregação Marcelina para melhor entender a história de Botucatu no início do século XX, pois sua instalação no município se entrecruza com o momento: econômico, político e cultural aí instaurado. De acordo com estudiosos das sociedades contemporâneas, o que mais uma vez, sedimenta a idéia do por que fazer história.
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