Tarsila do Amaral



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PROJETO DE LEI Nº 685 , DE 2007
Dá a denominação de "Tarsila do Amaral" à Rodovia SP 308, trecho entre as cidades de Piracicaba e Salto.



A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:


  1. Passa a denominar-se “Tarsila do Amaral” a Rodovia SP 308, no trecho entre as cidades de Piracicaba e Salto.



  1. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA

Nascida no interior de São Paulo, na Fazenda São Bernardo, à época pertencente ao município de Capivari, hoje território de Rafard, Tarsila do Amaral teve papel fundamental no movimento modernista brasileiro, que no início do século passado marcou a busca pela brasilidade nas artes nacionais.


Depois de longa e sólida formação cultural e artística obtida na Europa, com artistas como Pablo Picasso, André Lhote, Fernand Léger, Blaise Cendrar e outros, na volta ao Brasil Tarsila foi buscar nas memórias de sua infância vivida na fazenda onde nasceu a inspiração para compor sua obra com o toque de brasilidade buscado pelos modernistas. Eis o seu próprio relato, feito em carta à família, datada de 1923:
“Sinto-me cada vez mais brasileira: quero ser a pintora da minha terra. Como agradeço por ter passado na fazenda a minha infância toda. As reminiscências desse tempo vão se tornando preciosas para mim. Quero, na arte, ser a caipirinha de São Bernardo brincando com bonecas de mato, como no último quadro que estou pintando.”
O “site” do Ministério da Cultura registra a seguinte biografia de Tarsila:
Tarsila do Amaral - Nasceu em 1º de setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, em Capivari (SP). De família rica, teve uma bela infância, morando em fazenda, crescendo entre bichos e plantas, um cotidiano de menina rica: tudo o que sua família usava - roupas e utensílios – vinha diretamente da Europa. Cresceu aristocrática em meio a paisagens simples e gente humilde.
Seu amor à arte iniciou com a família, em saraus domésticos em que a mãe tocava piano e o pai lia poemas em francês. Aos 16 anos foi estudar em Barcelona, na Espanha, onde literatura e desenhos passaram a fazer parte de sua vida. Voltou para o Brasil em 1906, a fim de casar-se com o marido que sua família escolhera. União que se revelou infeliz dada a diferença cultural gritante entre os cônjuges. Do casamento fracassado – mais tarde anulado - teve uma filha: Dulce.
Uma decidida Tarsila agora se esforçava para seguir a vocação para a pintura. No início de seus estudos artísticos, com os escultores Zadig e Mantovani, e com o pintor Pedro Alexandrino, não havia ainda os sinais do que ela viria a ser. Eram somente naturezas mortas e paisagens, ainda muito distantes de seu surto criativo em outros momentos.
Depois disso, fez uma rápida passagem entre os impressionistas e, em 1920, seguiu para a França, onde freqüentou a Academia Julian, e o atelier do retratista Émile Renard. Algumas de suas pinturas desse período apontam influências de Renard, então um artista da moda: tons de cor desmaiados, com predomínio do azul. Esses também muito distantes da arte que ela viria a construir, mas já se pode verificar nessas telas a promessa do que viria futuramente sob as formas simplificadas e a iluminação particular.
Em 1922, estava expondo no Salão dos Artistas Franceses, em Paris. Ano em que pintou A Espanhola (Paquita). Retorna ao Brasil no Massilia, navio de luxo, quatro meses depois da efervescência da Semana de Arte Moderna. A amiga e também pintora Anita Malfatti a apresenta a amigos intelectuais vanguardistas e que participam da Revista Klaxon: Oswald, Mário, Menotti Del Picchia, Sérgio Buarque de Holanda, Graça Aranha. Devidamente identificada com o ideário modernista, envolve-se afetiva e artisticamente com os novos amigos. Sua beleza física impressionava a todos nos salões elegantes e nos círculos intelectuais.
Com Oswald, Menotti, Mário de Andrade e Anita Malfatti compõe o chamado Grupo dos Cinco, que teve vida curta. No final de 1922, ela decide voltar para Paris, mas havia um Oswald no meio do caminho. Esse homem impetuoso, apaixonado e um mestre da ousadia a seguiu pela Europa e teve com ela mais que um casamento. Fizeram uma parceria intelectual poderosa em que um alimentava a arte do outro.
Em 1923, Tarsila passa a travar contato com mestres cubistas, entre eles Picasso, Fernand Léger e André Lothe. De Léger guardará influências que serão visíveis em muitos dos seus trabalhos. Nesse período, conhece artistas do porte de De Chirico, Stravinsky, André Breton e Blaise Cendrars.
Suas telas estão nitidamente mais cubistas, mas impregnadas de uma brasilidade que se manifesta sobretudo nas cores que o poeta Carlos Drummond de Andrade tão bem definiu: “O amarelo vivo, o rosa violáceo, o azul pureza, o verde cantante”. (Ao lado a tela Urutu, 1928)
Em 1924, depois de uma viagem feita com Oswald e Blaise Cendrars às cidades históricas de Minas Gerais, iniciou uma pintura definida como de cores ditas 'caipiras', rosas e azuis, as flores de baú, a estilização geométrica das frutas e plantas tropicais, dos caboclos e negros, da melancolia das cidadezinhas, tudo isso enquadrado na solidez da construção cubista. É a fase Pau-Brasil registrando cidades, paisagens e tipos comoventemente brasileiros.
Em 1928, casada há aproximadamente dois anos com Oswald de Andrade, decide dar ao marido um inusitado presente de aniversário: pintar um quadro “que assustasse o Oswald, uma coisa que ele não esperasse”.
Nasce então o famoso Abaporu, figura monstruosa de cabeça pequena, braço fino e pernas enormes, tendo ao lado um cactus cuja flor dá a impressão de ser um sol.
Ao ver tal imagem, de fato Oswald se assusta. Acha a composição magnífica, extraordinária, selvagem: “Uma coisa do mato”.
Tarsila morreu em 17 de janeiro de 1973, aos 86 anos, deixando pouco mais de duas centenas de quadros, alguns desenhos e esculturas. É relativamente pouco, mas fundamental para uma busca que prossegue até hoje: a consolidação de uma pintura nacional.
(Fonte: Site do Ano do Brasil na França)
DEPOIMENTOS SOBRE TARSILA
"Uma mulher bonita, de fala suave e com enorme sede de liberdade e de amores verdadeiros. Uma personalidade muito além do seu tempo, capaz de enfrentar a hostilidade da elite paulista quatrocentona do início do século... reconhecida internacionalmente por especialistas como uma das mais importantes artistas brasileiras de todos os tempos, Tarsila consegue, ao mesmo tempo, cair no gosto do grande público. Este, com facilidade, se apaixona por suas paisagens rurais, casinhas coloridas e tipos humanos" (Paula Quental, Jornal do Brasil, 28/05/99).
"Tarsila não se opunha a ser considerada exótica ou antes, estimulou ou se deixou levar pela etiqueta que nos identifica no exterior, a partir de um momento em que o Brasil buscava afirmar sua identidade cultural". (Aracy Amaral - crítica de arte e diretora de Museus).
"..... A artista que pinta a realidade brasileira, trazendo as cores da nossa gente, ... a mulher exuberante que enfrenta preconceitos, sem nunca perder a elegância... usou o colorido e o bom humor como forma de transgressão de padrões conservadores ..." Benjamin Abdalla Junior – USP.
"Ela é feliz! Sua pintura tem ar de festa .. e eu gosto dessa cores vaidosas de serem cor, dessas formas coquetes de sua originalidade, ingênuas no despudor de sua pureza elementar. E eu me divirto esteticamente com a vitalidade, a coragem de certo mau gosto nacional que Tarsila impôs aos seus quadros, com certos rosas e amarelos, certos azuis e certos verdes..."Mário de Andrade.
O poeta Carlos Drummond de Andrade descreveu assim seu sentimento em relação a Tarsila e sua obra:
"Tarsila ,

nome Brasil, musa radiante

que não queima, dália sobrevivente

no jardim desfolhado, mas constante

em serena presença nacional fixada com doçura,

Tarsila amora amorável d’amaral

prazer dos olhos meus onde te encontres

azul e rosa e verde para sempre"


(trecho do poema BRASIL/TARSILA).

Por compartilharem ambas a condição de terra natal de Tarsila do Amaral, as cidades de Capivari e Rafard podem ser consideradas o berço da brasilidade artística, a fonte em que as artes nacionais encontraram seu caráter fundamental. A homenagem que ora se pretende prestar à pintora é também uma homenagem às duas cidades, cuja região é cortada pela importante rodovia hoje denominada “Rodovia do Açúcar”, motivo pelo qual peço a aprovação dos demais deputados.



JUSTIFICATIVA



Sala das Sessões, em 5/7/2007
a) Antonio Mentor - PT


SPL - Código de Originalidade: 727514 050707 1750




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