Suma Teológica



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Vocabulário da Suma Teológica

Autores e Obras citados na Suma Teológica


VOCABULÁRIO DA SUMA TEOLÓGICA

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ÍNDICE


Abstração, Abstrair, Abstrato

Ação, Agente, Agir

Acidente, Acidental

Alma

Alteração

Analogia, Análogo

Apetite

Ato, Atualidade, Atualização

Bem, Bom, Bondade, Mal

Causa

Ciência

Coisa

Conceito

Conatural, Conaturalidade

Contingente, Contingência

Contraditório, Contrário

Conveniência, Conveniente

Corrupção

Determinação

Diferença

Disposição

Distinção

Ente

Entitativo

Equívoco, Equivocação

Espécie, Espécies, Especificação

Espírito, Espiritual

Essência

Exemplar

Extrínseco, Intrínseco

Fantasma

Fins e meios

Forma

Formal

Fundamento

Gênero

Habitus

Idéia

Indivíduo, Individuação, Individual

Integridade

Intelecto, Inteligível

Intenção

Intuição

Matéria

Medida

Modo, Modal

Movimento, Moção

Natureza

Necessário, Necessidade

Numérico

Obediencial

Objeto

Ordem, ordenação, ordenar

Paixão, Padecer

Participação, Participar

Perfeito, Perfeição

Pessoa

Por si

Possível

Potência

Predicado

Predicamento, Predicamental

Predicáveis

Princípio

Privação

Proceder, Processão

Próprio, Propriedade

Qüididade

Razão, Raciocínio

Relação

Semelhança

Ser

Sinal, Significação

Sobrenatural

Subsistir, Subsistência

Substância

Sujeito

Supósito

Tempo, Temporal

Termo

Todo, Totalidade

Transcendência, Transcendente, Transcender

Transcendental

Universal

Virtude

Virtual, Virtualmente






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ABSTRAÇÃO, ABSTRAIR, ABSTRATO (Abstractio, abstrahere)
(Literalmente: retirar de, extrair de)
1. No sentido mais geral – o da linguagem comum --, abstrair consiste em considerar num objeto um aspecto preciso, isolando este aspecto pelo pensamento (dele fazendo abstração) daquilo que, entretanto, o acompanha na realidade da existência.
2. Na linguagem de Sto. Tomás, a abstração é antes de tudo o ato pelo qual a inteligência depreende – da realidade sensível que lhe é oferecida pelos sentidos – o “inteligível” que esta contém em potência, ou seja, a realidade universal*, que dá origem ao conceito.
3. A partir dessa primeira abstração, dessa emergência do inteligível na inteligência, distingue-se a abstração total da abstração formal.

Pela abstração total, a inteligência depreende um todo universal de seus submúltiplos particulares: o gênero animal de suas diversas espécies, a espécie homem dos indivíduos nos quais esta espécie se realiza. As palavras que designam a realidade inteligível assim separada são ainda concretas (homem, animal), porque essa abstração designa essa realidade como existindo nos indivíduos.

Pela abstração formal a inteligência considera separadamente em um objeto aquilo que o determina ou o faz ser tal. Por exemplo: a animalidade, a humanidade. As palavras que designam esse aspecto assim isolado são palavras propriamente abstratas, pois não designam o que existe, mas os princípios de inteligibilidade daquilo que existe.
4. Sto. Tomás não atribui jamais àquilo que é abstrato uma existência separada e distinta. O universal não existe senão no particular.
ConceitoIntelectoUniversal
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AÇÃO, AGENTE, AGIR (Actio, agens, agere)


O conceito e a própria palavra “ato ou atualidade” provêm da experiência da atividade do ser, isto é, de sua ação. Mas esta é apenas o ato segundo do ser, sendo a existência o ato primeiro, aquele que o constitui em sua realidade, surgindo antes de qualquer ação, ainda que em vista da ação.
1. Tomada em seu sentido mais geral, a ação identifica-se com a operação. A palavra “operação”, diferentemente de “ação”, não passou para a linguagem filosófica moderna. Na linguagem de Sto. Tomás, ao contrário, a palavra operatio, empregada sobretudo no singular, ligada à palavra opus ou operatum (obra, coisa feita), indica a ação enquanto expressão de uma natureza, de um sujeito, consumação do ser e realização de seu fim, em uma palavra, enquanto ato segundo do ser. A palavra “ação” será, ao contrário, preferida para caracterizá-la como acidente advindo à substância. (Fala-se do predicamento ação, mas não de predicamento operação).

Com efeito, nessa generalidade, ação ou operação pode significar o próprio fim do ser, o ser não se completa a não ser quando opera ou age.


2. Sto. Tomás distingue constantemente o sujeito que realiza a ação e que é aquele próprio que existe, do princípio formal que é a forma segundo a qual ele age (que é também a forma segundo a qual ele é).

Contudo, ele concebe princípios imediatos de cada um dos tipos específicos e distintos de ação de que um ser é capaz e os denomina potências, no sentido ativo da palavra (as dynameis ou energias de Aristóteles). A potência é uma qualificação da natureza que a determina como princípio de tal ou tal tipo de ação. Na linguagem filosófica moderna, ele seria traduzido por faculdade, noção menos ontológica e menos realista.


3. Ele distingue igualmente a ação ou operação cujo termo permanece no sujeito agente (ação denominada imanente por seus comentadores) da ação transitiva (transiens).

A ação transitiva se define como uma comunicação da atualidade do ser agente (ou agens) a um paciente (submetido a uma ação, modificado por ela). Ela se traduz por um efeito exterior ao sujeito. Esse efeito é chamado termo da ação, e ele a especifica. Em relação a esse efeito, Sto. Tomás utilizará mais freqüentemente virtude* (virtus, no sentido eficiente da palavra), em vez de potência ou faculdade.

A ação imanente é uma ação cujo termo reside no interior do sujeito. É uma atualização do próprio sujeito por ele próprio. Os atos de pensar, querer, são ações imanentes. O ato de fazer, de mover, é uma ação transitiva. Só o espírito é capaz de ações propriamente imanentes, e de certo modo é isso que o define. Contudo, idéia à qual Sto. Tomás retorna freqüentemente, quanto mais um ser material eleva-se na escala do ser, mais sua operação interioriza-se. É desse modo que uma ação vital caracteriza-se como procedendo do interior do vivente. A ação propriamente dita à qual Sto. Tomás reserva o nome de ato (ato humano), é um complexo de ação imanente (pensar, querer, determinações livres) e de ação transitiva, atividade externa. A ação imanente desencadeia a ação transitiva.
AtoFormaPaixãoPotência
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ACIDENTE, ACIDENTAL (Accidens)
1. No sentido mais geral, o acidente é aquilo que sobrevém, que se adiciona, aquilo que acontece (accidit) a um sujeito, já constituído em si mesmo.

No sentido metafísico, o acidente é uma perfeição, pertencendo a um sujeito, a um ser substancial. O que os modernos denominam, de uma maneira mais vaga, um atributo (aquilo que pode ser atribuído ao sujeito do qual se fala).


2. O acidente não existe nele mesmo, mas nesse sujeito que ele faz ser de tal ou tal maneira sem modificar sua essência. “O acidente é mais propriamente de um ente que de um ser” (Accidens non est ens sed entis). Esse modo de existência de um acidente é denominado inhaesio: “O ser acidente consiste em ser inerente (inhaerere)”. A bem dizer, Sto. Tomás diz mais freqüentemente que o esse do acidente consiste em inesse, palavra que se traduziria de modo insuficiente por “estar em”, e que significa, na realidade: fazer ser a substância de um certo modo.

Assim, é de uma maneira analógica que o ser é atribuído ao acidente.


3. Distingue-se o acidente próprio e necessário (propriedade de uma substância), que segue necessariamente a substância, do acidente contingente, sem o qual a substância pode ainda ser.
4. Tomando da noção de acidente o caráter de contingência, denominaremos acidental tudo aquilo que acontece a um sujeito sem ser exigido por sua essência. Assim diremos de toda existência criada que ela é acidental. Mas, longe de ser um acidente da essência, a existência é seu ato.

Sto. Tomás foi levado a aprofundar o estatuto metafísico do acidente a propósito da Eucaristia (Na Terceira Parte da Suma, na Questão 77).


ContingentePor siPróprioSubstância
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ALMA (Anima)
O termo alma significa antes de tudo a forma substancial de um ser vivo, e, portanto, o princípio formal da vida. Ele equivale ao princípio vital. Todo ser vivo possui uma alma, seja um simples vegetal, e, ainda mais, um animal. O animal – animalis – é o ser que possui uma alma (anima). E o homem é um animal que, ainda que permanecendo animal, é racional.

Enquanto princípio do pensamento, a alma humana será denominada mens, a “mente”, o espírito.

Para Sto. Tomás, a forma, a mesma identicamente, é o princípio animador de todo o ser corpóreo, vivo, sensível, que é o homem, e o princípio de sua vida espiritual de pensamento e liberdade.

Daí o nome de alma separada que é dado àquilo que subsiste no homem após sua morte e que, não tendo contudo outra vida senão a de pensamento, permanece inteiramente e em sua própria essência, ordenada ao corpo que ela animava.


Espírito
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ALTERAÇÃO (Alteratio)


Ser alterado significa tornar-se outro, mas não em sua substância. Tomada filosoficamente, a palavra não tem o sentido de atingir a própria integridade do ser, o que ela evoca na linguagem comum. É um dos nomes da mudança, uma das formas do movimento. A mudança é puramente acidental, e mais precisamente qualitativa. Mas a alteração pode chegar a uma transformação substancial, a uma mudança do ser substancial nele próprio, ao advento de uma nova forma substancial a qual é determinada (a ponto de ser requerida necessariamente) pela qualidade recém-produzida. Na ordem dos fenômenos da natureza, é mediante alterações prévias que se produzem as transformações substanciais. É a mesma ação que, para fazer advir a nova forma, a determina. E a qualidade que era disposição torna-se propriedade decorrendo da forma uma vez advinda. Essas noções valem em sentido próprio apenas para os seres materiais. Mas Sto. Tomás as transpõe constantemente à ordem superior.
DisposiçãoMovimento
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ANALOGIA, ANÁLOGO (Analogia, analogus)


1. A teoria da analogia é tão capital na filosofia e na teologia de Sto. Tomás que todos os anotadores dessa tradução deverão utilizá-la, e os da questão 1 e da questão 13 da primeira parte a exporão diretamente. Mas o ponto de partida desta teoria é uma questão de linguagem. Como realidades diversas podem ser denominadas por um mesmo nome? Poderia tratar-se de pura equivocidade: as realidades são pura e simplesmente diversas entre si, a comunidade de nome é acidental e não exprime nenhuma comunidade de conceito. Poderia tratar-se igualmente de univocidade: a unidade de denominação designa a unidade pelo menos genérica de essência. Mas pode tratar-se igualmente de analogia (em grego, analogia significa proporção). Nesse caso, realidades que permanecem diversas entre si por sua essência (a ponto de pertencer por vezes a ordens diferentes de ser) dão, contudo, lugar a uma mesma denominação, em razão de certa proporção.
2. E isto se dá de duas maneiras:
1. Ou várias realidades possuem, cada uma, uma relação com uma mesma realidade, que é a única à qual convém, de modo próprio, o nome e o conceito analógicos. É em função deste primeiro que os outros são nomeados. (Exemplo clássico: apenas o ser vivo pode ser dito propriamente estar com boa ou má saúde, ou seja, sadio ou malsão. Mas a mesma palavra “são” ou “malsão” pode aplicar-se ao ar, enquanto causa da saúde, ao sangue ou à tez, enquanto sinal de saúde, aos comportamentos, enquanto efeitos e manifestações de um ser são.)
2. Ou as diversas realidades que designamos pela mesma palavra definem-se entre si em seu ser mesmo por uma proporção semelhante entre os dois termos: a está para b, assim como c está para d. As realidades denominadas pelo mesmo nome são semelhantes pelo fato de que cada uma está intrinsecamente constituída por uma proporção, e que essas proporções são semelhantes entre si. (Assim os conceitos de princípio, causa, amor, potência, ato, etc.) Coisa que a linguagem comum exprime bastante bem quando dizemos “guardadas as devidas proporções”: podemos atribuir a mesma qualidade e a mesma palavra a a e a b. Na verdade, a própria palavra proporção, que aqui utilizamos, é ela mesma analógica. Ela provém da linguagem da quantidade, e nós a aplicamos àquela da qualidade.

Os dois tipos de analogia podem encontrar-se reunidos, e isto é particularmente manifesto na analogia do ser. Tudo aquilo que existe depende, com efeito, da mesma realidade (Deus), segundo uma relação de causalidade (primeiro tipo de analogia). Mas como a causalidade determina a semelhança, existe semelhança entre as realidades criadas e sua causa, e dessas realidades entre si. Por outro lado, sendo essa causalidade aquela do infinito em relação ao finito, a semelhança não pode ser unívoca, mas somente proporcional (segundo tipo de analogia).

Daí resulta que neste tipo de analogia é igualmente verdadeiro que o conceito “análogo” não se realiza plenamente senão no Ser primeiro do qual participa tudo quanto existe, e que, contudo, tal conceito se realiza propriamente em cada um de seus participantes.

Há um acordo entre os comentadores de Sto. Tomás em denominar o primeiro tipo de analogia, analogia de proporção ou de atribuição, e o segundo, analogia de proporcionalidade própria ou imprópria. O vocabulário de Sto. Tomás é menos fixo


3. Ele é menos fixo igualmente quanto à palavra “equívoco”. Seus comentadores (e também a linguagem ainda corrente) reservam a palavra “equívoco” a uma comunidade de denominação que não possui nenhum fundamento no conteúdo. Sto. Tomás, entretanto, chama causa equívoca, e não análoga, uma causa que imprime em seu efeito não sua própria forma mas uma forma analogicamente semelhante. Isso mostra a que ponto, em seu pensamento, quando se trata de analogia, o diverso prevalece sobre o semelhante.
Ser.
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APETITE (Appetitus)


No sentido mais geral, é o movimento interior que leva a satisfazer uma necessidade orgânica, um instinto. (Na linguagem comum trata-se, antes de tudo, da necessidade de comida.)

Na linguagem de Sto. Tomás, a noção de “apetite” é tão vasta e geral quanto a de inclinação ou tendência. É a inclinação, a tendência do sujeito para aquilo que lhe convêm, portanto, para seu bem.


1. Sto. Tomás distingue entre apetite natural e apetite elícito.

O apetite natural é a inclinação, a tendência da natureza, seja da própria natureza de um ser, de um sujeito, seja desta ou daquela faculdade sua. Como tal, o apetite, indissociável da natureza, é irreprimível. A definição vale tanto para a natureza espiritual quanto para a natureza material. Não devem ser confundidos, portanto, inclinação e movimento. O movimento para o objeto é determinado pela inclinação. O movimento segue necessariamente, a não ser em caso de impedimento ou inclinação contrária, a inclinação natural.

O apetite elícito é a inclinação motivada pela percepção do objeto e de sua conveniência* ao sujeito. Ela não deve ser confundida com o apetite natural pressuposto que ela procura satisfazer. Ela é o resultado de uma faculdade determinada, é “elicitada” por ela, elicitada significando que ela emana da faculdade como sua operação própria. É em direção a um bem para o sujeito que ela o inclina. A inclinação, de que a faculdade é o princípio, é aquela do sujeito em sua totalidade.
2. O apetite elícito é tanto o apetite sensível quanto o apetite racional.

A inclinação do apetite sensível é necessariamente ativada pela percepção do bem sensível ou de sua imagem. A inclinação para a posse, no caso do apetite concupiscível e, para a luta e a agressividade, no caso do apetite dito irascível. Toda emoção, paixão, reação da sensibilidade, diz-lhe respeito.

O apetite racional corresponde à percepção do bem sob a razão de bem. Sto. Tomás o chama racional mais que espiritual ou intelectual, pois é a razão que percebe o bem sob a razão de bem. O apetite racional corresponde exatamente à faculdade de querer, à vontade cujos movimentos todos Sto. Tomás reduz à inclinação para o bem, e, portanto, ao amor. Aquilo a que se dirige o apetite racional, mesmo que seja a realização de um apetite natural, será sob a razão do bem e da felicidade que ele se dirigirá. Daí sua liberdade com relação aos bens particulares, que são realizações particulares do bem. Daí a possibilidade de amar o bem por si próprio, e mesmo de amar um sujeito outro que si próprio, sem jamais excluir contudo o amor natural de si mesmo.

Contudo a vontade humana (o apetite racional) não é dissociável do apetite sensível – nem sequer dos apetites naturais do sujeito, dentre os quais o apetite da felicidade total está ligado à sua natureza espiritual.

Existe um apetite natural de Deus? Um desejo natural de possuí-lo e, portanto, de vê-lo? Um amor natural de sua bondade como fundamento de todo bem? Isso será estudado no local apropriado.
BemRazão
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ATO, ATUALIDADE, ATUALIZAÇÃO (Actus, actualitas, actuatio)
Na linguagem de Sto. Tomás, o sentido ontológico da palavra é o primeiro, necessariamente pressuposto ao sentido psicológico e moral, que é muito mais usual hoje, aliás, largamente utilizado também na Suma Teológica (o ato humano é a matéria da Segunda Parte da Suma).



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