“Sugerir, eis o sonho” (S. Mallarmé) Início 1893 – Com a publicação de duas obras



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MÓDULO 02

O SIMBOLISMO BRASILEIRO

(1893 - 1922)

Sugerir, eis o sonho” (S. Mallarmé)


Início 1893 – Com a publicação de duas obras:

Missal (livro de poemas em prosa) e

Broquéis (livros de poemas), ambos de Cruz e Sousa.
A voz da História

O Segundo Sol

Nando Reis: composição



Cássia Eller: intérprete
Quando o segundo sol chegar
Para realinhar a órbita dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam se tratar
De um outro cometa
Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
Que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora e vi dois sóis num dia
E a vida ardia
Sem explicação
Box: Entrevista de Nando Reis (por Angelo Medina)

Uma das mais belas canções do pop/Brasil deste ano com certeza é O Segundo Sol. Hit escrito pelo titã Nando Reis. Sua letra possui enfoque esotérico e é a canção de trabalho do recente CD da Cássia Eller Com você... Meu Mundo ficaria mais completo (Universal). O álbum tem produção dirigida pelo próprio Nando, no qual assina quatro faixas. (...). Nesta entrevista ao Vya Estelar, o compositor falou sobre a referida canção, revelou seu lado místico e, evidentemente, conversou sobre música, é claro.



Vya Estelar - Como nasceu a canção O Segundo Sol?

Nando Reis - Há um tempo atrás, mas não me lembro onde, li um texto de um esotérico no qual afirmava que iria surgir um segundo sol. Achei a ideia interessante e resolvi escrever a música. O segundo sol também pode ser interpretado como uma metáfora de uma relação amorosa. Uma pessoa pode ter um segundo sol na sua vida.

Vya Estelar - Como é seu processo de composição?

Nando Reis - Meu processo de composição é simultâneo. Letra, melodia e harmonia. Acontece num impulso, vêm tudo junto. Depois, muito trabalho. Escrevo vários rascunhos, inclusive fiz isto no Segundo Sol. Embora esta música tenha uma roupagem pop, eu reescrevi várias vezes até chegar num padrão; que eu achei que estava bacana. Algumas pessoas consideram que este trabalho não tem fim, mas eu chego num ponto de satisfação. Você chega na palavra certa e na imagem que agrada.

Vya Estelar - Fale um pouco sobre o seu lado místico?

Nando Reis - Não sigo nenhuma religião em específico. Respeito todas. Acredito na beleza. Principalmente na beleza das coisas da natureza, vejo isto como uma manifestação divina. Vejo também uma manifestação divina de fé, através da vida vinda de meus quatro filhos.

Vya Estelar - Possui simpatia por alguma corrente mística?

Nando Reis - Não posso falar com conhecimento de causa, mas tenho um simpatia pelo candomblé, acho interessante o sincretismo e a manifestação dos orixás.

(...)


Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/nandoreis.htm

Momento Histórico

Em virtude do excessivo desenvolvimento tecnológico havido na segunda fase da Revolução Industrial, o mundo mostrava um enorme fascínio por todos os avanços cientificistas e tecnicistas, deixando de lado as abordagens mais subjetivas do homem e da sociedade. Teorias como o Marxismo, o Darwinismo, o Materialismo, o Positivismo, entre outras, tentavam dar aos homens mecanismos de abordagem que fossem lógicos e não se apegassem a pensamentos metafísicos românticos (romântico aqui não se refere à Escola Literária, mas ao modelo idealizado de pensamento em voga a partir do final do século XVIII e início do século XIX).

Em uma época que, sob o pretexto da função naturalista, a arte foi reduzida somente a uma imitação do contorno exterior das coisas, como se pode bem ver na poesia parnasiana, os simbolistas voltam a ensinar aos jovens temas como a alma, a espiritualidade, o interior, a subjetividade, o sonho, o vago; estados da alma que os olhos humanos não captam, ficando restritos somente ao invólucro, ao véu, à máscara, à casca.

Assim, o Simbolismo correspondeu a uma resposta artística à civilização burguesa que se escorava nas respostas dadas pelo progresso, passando a ser uma revolta contra a ideologia tecnocrática e contra o convencionalismo social, entendidos como preceitos que sufocavam a criatividade artística. O artista dos últimos anos do século XIX negava os valores da sociedade burguesa de forma problemática, autodilacerante. Ele parecia estar desgostoso com o mundo e consigo mesmo. A esta sensação de vazio existencial deu-se o nome de “Decadentismo”.


BOX: Decadentismo

O termo decadentismo descreve uma sensibilidade estética que ocorre no fim do século XIX e se contrapõe ao realismo e ao naturalismo. Sua origem refere-se mais diretamente ao modo pejorativo como é designado um grupo de jovens intelectuais franceses que compartilham uma visão pessimista do mundo, acompanhada de uma inclinação estética marcada pelo subjetivismo, pela descoberta do universo inconsciente e pelo gosto das dimensões misteriosas da existência. Os versos do poeta Paul Verlaine indicam como o grupo incorpora positivamente o termo, dando a ele conotação diferente da original: "Je suis l'empire à la fin de la décadence" ("Sou o império no fim da decadência"). Os escritores e poetas simbolistas dos anos 1880 e 1890 são considerados os primeiros expoentes do decadentismo. O simbolismo, corrente de timbre espiritualista, encontra expressão nas mais variadas artes, pensadas em estreita relação de umas com as outras.

O objetivo das diferentes modalidades artísticas é a manifestação da vida interior, da "alma das coisas", que a linguagem poética - mais do que qualquer outra - permite alcançar, por trás das aparências. A poesia simbolista de Gérard de Nerval e Stéphane Mallarmé, por exemplo, sonda os mistérios do mundo e o universo inconsciente por meio de sugestões, do ritmo musical e do poder encantatório das palavras. É possível compreender o simbolismo e o decadentismo como desdobramentos do romantismo, alimentados pela reação ao cientificismo que acompanha o desenvolvimento da sociedade industrial da segunda metade do século XIX. Contra as associações frequentes entre arte, objeto e técnica, e as inclinações naturalistas de parte da produção artística, os simbolistas e decadentistas sublinham um ideal estético amparado na expressão poética e lírica.

Nas artes visuais especificamente, a pintura simbolista marca a origem do chamado decadentismo. Tendo surgido paralelamente ao neoimpressionismo de Georges Seurat e de Paul Signac, o simbolismo se apresenta como mais uma tentativa de superação da pura visualidade defendida pelo impressionismo. Porém enquanto o divisionismo de Seurat e Signac funda a pintura sobre leis científicas da visão, o simbolismo segue uma trilha espiritualista e anticientífica: a arte não representa a realidade, mas revela, por meio dos símbolos, uma realidade que escapa à consciência. Se o impressionismo fornece sensações visuais, o simbolismo almeja apreender valores transcendentes - o Bem, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado - que se encontram no polo oposto ao da razão analítica. A arte visa retomar a paixão, o sonho, a fantasia e o mistério, explorando um universo situado além das aparências sensíveis. Nesse sentido, o simbolismo encontra-se nos antípodas do realismo de Gustav Courbet, mobilizando um imaginário povoado de símbolos religiosos, de imagens tiradas da natureza, de fantasias oníricas, de figuras femininas, dos temas da doença e da morte. Os artistas trabalham esse repertório comum com base em estilos diferentes. A "pintura literária" de Gustave Moreau e Pierre Puvis de Chavannes, por exemplo, focaliza civilizações e mitologias antigas, com o auxílio de imagens místicas, tratadas com forte sensualidade, como A Aparição, ca.1875. Odilon Redon, explora, em desenhos e litografias, diversos temas fantásticos, sob inspiração da literatura de Edgar Allan Poe.



(Visconti, Eliseu. “A Dança das Oréades”, 1899, óleo sobre tela, 182,2 x 108 cm. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ)


Frequentemente associado à ideia de esteticismo - em virtude das formas preciosas, dos artifícios estilísticos e das temáticas tiradas do mundo interior -, o decadentismo, com base em sua origem francesa no simbolismo, se converte imediatamente em um fenômeno europeu. O ano de 1890 marca a difusão dos preceitos decadentistas pela Europa, que acompanham de perto os desdobramentos do art nouveau. Na Áustria, a obra de Gustav Klimt é emblemática da associação entre fórmulas decorativas e temáticas decadentistas, como indicam, por exemplo, as figuras femininas, de tom alegórico e forte sensualidade, visto no Retrato de Corpo Inteiro de Emilie Flöge, 1902, Judite I, 1901, e As Três Idades da Mulher, 1908, entre outros. Não apenas Klimt, mas outros artistas europeus da época, indica o crítico Giulio Carlo Argan, "embora vivendo num ritmo que crêem progressista, parecem perceber a inviabilidade, a inevitável decadência da arte na sociedade tecnológica". É o caso, por exemplo, dos suíços Ferdinand Hodler e de suas obras de cunho decadentista - O Desapontado, 1890, e Eurritmia, 1895 - e Arnold Böcklin, responsável por telas de tom místico e clima sombrio como A Ilha dos Mortos, 1880. Ou ainda, na Inglaterra, dos trabalhos de Aubrey Beardsley - autor das ilustrações da versão inglesa de Salomé, de Oscar Wilde - e das obras esteticistas de sir Edward Coley Burne-Jones.

Os pintores do grupo belga Les Vingt (Les XX) - que reúne James Ensor, Theodor Toorop e Henri van de Velde - são outros exemplos da expressão européia decadentista. Ensor produz uma obra povoada de elementos macabros e figuras grotescas, que procura enveredar pelas profundezas do inconsciente - A Queda dos Anjos Rebeldes, 1888; Toorop, místico ligado ao grupo dos Rosas-Cruzes, é autor de pinturas de caráter literário As Três Noivas, 1893, que se beneficia de uma das faces da obra de Van de Velde, famoso pelos interiores decorados. A obra do norueguês Edvard Munch confere um sentido mais trágico ao diagnóstico pessimista lançado pelos artistas em relação à sociedade industrial do fim de século. Nesse ponto também se verifica um movimento de arte da realidade exterior para o universo interior, como em todo decadentismo, só que seus trabalhos recusam qualquer sentido de transcendência da arte e do símbolo. Suas obras tematizam a dor, a morte e os estados psicológicos extremos, sem nenhum apelo estetizante - O Grito, 1893, Ansiedade, 1894.

É possível pensar ainda em reverberações simbolistas e decadentistas no grupo francês dos nabis - Aristide Maillol, Pierre Bonnard e Édouard Vuillard - e no expressionismo do Der Blauer Reiter (O Cavaleiro Azul), de Wassily Kandinsky e Paul Klee.

No Brasil, o simbolismo literário de matiz decadentista encontra expressão na poesia de Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens. Na pintura, o repertório, as formas vaporosas, o colorido e as linhas ornamentais característicos da expressão decadentista são reeditados em trabalhos e fases da obra de alguns pintores. Por exemplo, A Dança das Oréades, 1899 de Eliseu Visconti, Estudo de Reflexos, 1909, de Carlos Oswald, Paisagem com Árvores, 1925, de Bruno Lechowski, Minha Terra (trípico), 1921, de Hélios Seelinger.

FONTE: http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=4624
Para entender esse posicionamento contrário ao positivismo que fazia parte do modo de pensar dos nossos artistas, leia os versos abaixo de Cruz e Sousa, retirados do poema “Marche aux Flambeaux” (Marcha das Tochas):
“Marche aux Flambeaux” (Excerto)
“Filósofos titãs, filósofos insanos
Que destes turbilhões, que destes oceanos
De lutas e paixões, de sonho e pensamentos
Espalhastes no mundo aos clamorosos ventos
A Ciência fatal, talvez como um veneno,
Que os tempos abalou no caminhar sereno;
Filósofos titãs, que os séculos austeros
No flanco da Matéria abris, graves, severos,
Sobre o escombro da fé, da crença e da esperança,
Da civilização o trilho que hoje alcança
No seu aço viril as regiões supremas,
Traçado em novas leis, doutrinas e problemas;
Vós que sois no Saber os monges da existência
E só acreditais na força da Ciência,
Que da morte sabeis os filtros invisíveis,
Narcóticos, sutis, incógnitos, terríveis,
Não sabeis, entretanto, apóstolos sombrios,
Como à luz da Ciência os homens estão frios,
Como tudo ficou num doloroso caos
E os seres que eram bons, rudes, egoístas, maus.
Em vão! em vão! em vão! os vossos largos crânios
Lutaram pelo Bem dos Bens contemporâneos!
Tudo está corrompido e até mais imperfeito...
Não há um lírio são a florescer num peito,
De piedade, de amor e de misericórdia...
Se brota uma virtude o ascoso vício morde-a,
Envilece, corrompe e abate essa virtude
Com o cinismo revel dum epigrama rude...
E até muita alma vil, feroz, patibular,
Impunemente sobe ao mais sagrado altar.
Por isso vão passar perante a turbamulta
Como abrupta avalanche, enorme catapulta,
Numa marche aux flambeaux, os famulentos vícios
Que cavaram no globo horrendos precipícios,
Os vícios imortais, que infestam tribos, greis,
Povos e gerações, seitas, templos e reis
E que são como a lava obscura da cratera
Que subterraneamente em tudo se invetera.
Com toda intrepidez hercúlea de acrobata
Vou sobre eles soltar, gloriosa, intemerata,
A sátira que tem esporas de galhardo
Cavaleiro ideal que joga a lança e o dardo.”



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