Subsídios para o 4º Dia do Curso Ritos e Símbolos



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RITOS E RITUAIS

Borres Guilouski

Diná Raquel D. da Costa
Os ritos são gestos simbólicos repetitivos que expressam uma crença religiosa, um desejo, uma intenção, uma saudação, entre outras finalidades. (Foto ao lado: Muçulmano realizando o rito de prostração em reverência a Allah)1.

No âmbito do sagrado, por meio do rito os seres humanos adentram no mundo divino e, de certa forma, o trazem para a realidade humana. O rito é a poesia que o ser humano cria com o intuito de impressionar a divindade, os espíritos ou as forças da natureza e assim obter o seu favor.


Através do rito, o homem se incorpora ao mito, beneficiando-se de todas as forças e energias que jorraram nas origens. A ação ritual realiza no imediato uma transcendência vivida. O rito toma, nesse caso”, o sentido de uma ação essencial e primordial através da referência que se estabelece do profano ao sagrado". Em resumo: o rito é a praxis do mito. É o mito em ação. O mito rememora, o rito comemora. Rememorando os mitos, reatualizando-os, renovando-os por meio de certos rituais, o homem torna-se apto a repetir o que os deuses e os heróis fizeram "nas origens", porque conhecer os mitos é aprender o segredo da origem das coisas. "E o rito pelo qual se exprime (o mito) reatualiza aquilo que é ritualizado: re-criação, queda, redenção". E conhecer a origem das coisas - de um objeto, de um nome, de um animal ou planta - "eqüivale a adquirir sobre as mesmas um poder mágico, graças ao qual é possível dominá-las, multiplicá-las ou reproduzí-las à vontade". Esse retorno às origens, por meio do rito, é de suma importância, porque "voltar às origens é readquirir as forças que jorraram nessas mesmas origens". Não é em vão que na Idade Média muitos cronistas começavam suas histórias com a origem do mundo. A finalidade era recuperar o tempo forte, o tempo primordial e as bênçãos que jorraram ‘illo tempore’2.
Maria Ângela Vilhena, (2005), professora associada ao Departamento de Teologia e Ciências da Religião de PUC/SP, doutora em Ciências Sociais e escritora de diversas obras na área das ciências sociais e temáticas relacionadas ao estudo das religiões, em seu livro: “Ritos – Expressões e propriedades” desenvolve o tema sobre os ritos. Segundo esta autora, conhecê-los é compreender a nós mesmos. Ela afirma que:
O rito refere-se, pois, à ordem prescrita, à ordem do cosmo, à ordem das relações entre deuses e seres humanos e dos seres humanos entre si. Reporta-se ao que rima e ao ritmo da vida, à harmonia restauradora, à junção, às relações entre as partes e o todo, ao fluir, ao movimento, à vida acontecendo. A busca pela ordem e o movimento são elementos constitutivos dos rituais3.
Os rituais são compostos por uma série de ritos. Podem ser de caráter religioso e não-religioso.

A romaria ou peregrinação aos lugares sagrados, o culto na igreja evangélica, a novena e a missa católica, o casamento na igreja ou sinagoga, o culto de funeral indígena, a gira no Candomblé são exemplos de rituais religiosos.

O hasteamento da bandeira nacional, o canto do hino nacional, a cerimônia de formatura são exemplos de rituais de caráter cívico.

A festa de aniversário é um exemplo de ritual social ou cultural.

Os rituais religiosos são as cerimônias elaboradas e reelaboradas pelas tradições religiosas para celebrar momentos importantes na vida dos adeptos, (nascimento, casamento, iniciação para a idade adulta ou para uma determinada função, morte, entre outros).

Há rituais destinados à celebração dos acontecimentos ligados à história das tradições religiosas, são as datas comemorativas ou feriadas religiosos. Muitos cristãos celebram o nascimento de Jesus, o Natal, mas em datas diferentes. Os cristãos católicos e alguns grupos evangélicos no dia 25 de dezembro e os cristãos ortodoxos no dia 7 de janeiro.

A Páscoa para vários grupos cristãos é a celebração da ressurreição de Cristo e para os judeus é a celebração do êxodo, a saída da escravidão do Egito para a liberdade.

Os budistas celebram o dia do nascimento de Buda no mês de maio. Essa festa é chamada de Hana Matsuri, Festa das Flores e da Liberdade.

Foto ao lado: crianças com vestimentas característica da cultura japonesa participando da festa Hana Matsuri em São Paulo, Brasil.

A foto é de Vivi Zanatta/AE – extraída do site: www. g1.globo.com/.../foto/0,,14431991,00.jpg


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Os povos indígenas celebram a época das colheitas, da caça e da pesca, entre outros momentos importantes no decorrer do ano.

Diversas tradições religiosas revivem o distante passado, muitas vezes envolto em mitos, trazendo-o para o presente por meio do ritual.

A dinâmica da vida e do Universo em permanente movimento cíclico é também um fantástico exemplo de ritual. Esse movimento ritualístico da natureza pode ser apreciado no nascer e no pôr do sol, resultado do movimento da Terra em torno de si mesma, gerando o dia e a noite.

Sempre que alguém vai vivenciar, aprender ou realizar alguma coisa nova está vivenciando esse momento de um modo ritualístico.

Os rituais fazem parte do universo simbólico na organização das sociedades humanas. Segundo Vilhena, (2005):


Sendo o rito expressão e síntese do ethos cultural de um povo, portanto expressão de sua vida há de se salientar que, como ação, é vida acontecendo, processando-se, sendo significada, interpretada, ordenada, criada. O rito é vida criando vida, pois que no caos, na indeterminação, na falta de horizontes e sentido não sobrevivemos. É, portanto, atividade, trabalho, obra que opera, transforma, cria, significa4.
Em diferentes ocasiões o ser humano serve-se da linguagem ritualística para administrar situações limites, celebrar a vida, a alegria, a vitória e legitimar sua posição no grupo social do qual faz parte. Nessa linguagem os símbolos substituem as limitadas palavras. O ritual religioso pode propiciar ao individuo adentrar na profundidade do seu sentimento e realizar a experiência do sagrado.

O ritual é, portanto, a práxis, a ação e a comemoração do mito. O mito é revevido e atualizado mediante a vivência ritualística.

Um exemplo marcante desta interpretação é o ritual do Candomblé conhecido como “Águas de Oxalá”. Este ritual celebrativo é um ato de respeito e pedido de perdão pelas injustiças ocorridas com o Orixá Oxalá em sua viagem ao Reino de seu filho Xangô. Vários rituais são iniciados durante o ano anterior e completados no mês de janeiro com o rito da lavagem das escadas de uma igreja em São Salvador, Bahia. Este ritual é conhecido como Lavagem do Bonfim.
ÁGUAS DE OXALÁ
A cerimônia das Águas de Oxalá é uma das mais belas do Candomblé, e rememora um mito pleno de ensinamentos sobre o modo de se viver no Candomblé.

Diz o mito que Oxalá sentia muitas saudades de seu filho Xangô, e resolveu visitá-lo.

Para saber se a longa viagem lhe seria propícia, foi consultar Orunmilá o deus adivinho, amigo de Obatalá. Este jogou seu jogo de ikins e lhe disse que a viagem não se encontrava sob bons auspícios. E que, se ele desejasse que tudo corresse bem, deveria se vestir inteiramente de branco e não sujar suas roupas até chegar ao palácio, devendo também manter silêncio absoluto até o momento em que encontrasse seu filho. E assim fez Oxalá.

Exu, contudo, que adorava atormentar Oxalá, disfarçou-se de mendigo e apareceu no caminho de Oxalá, pedindo a ajuda deste para levantar um pesado saco de carvão que se encontrava no chão. Sem poder responder nada e sendo piedoso, Oxalá levantou o saco de carvão para Exu, mas estando este saco com o fundo rasgado, abriu-se e caiu sobre Oxalá sujando sua roupa branca. Exu riu loucamente e se foi...

Prevenido como sempre fora, Oxalá  havia levado uma muda de roupa branca a mais. Toma banho num rio e veste roupas brancas novamente. E segue seu caminho.

Novamente Exu se disfarçou e pediu ajuda ao viajante, dessa vez para entornar um barril de azeite de dendê num tacho. Sem poder responder para explicar sua situação e tendo boa vontade em ajudar, Oxalá levantou o barril de azeite dendê e Exu o derramou sobre suas roupas, que desta vez não podiam mais ser trocadas, pois eram as últimas roupas limpas que Oxalá trazia.

Sujo e cansado, Oxalá vai seguindo seu caminho quando vê o exército de seu filho, Xangô,  aproximar-se dele, sinal de que estava bem perto de seu destino.

O exército, contudo, prende Oxalá, confundindo-o com um procurado ladrão das redondezas. Como não podia falar, Oxalá nada diz e permanece jogado numa prisão durante sete anos. Neste meio tempo o reino de Xangô entra em decadência: suas terras não produzem alimentos, os animais morrem, o povo fica doente... Desesperado, Xangô chama um babalaô que ao jogar o ikins lhe  diz que todo o mal do reino advém do fato de haver injustiça na terra do senhor da justiça.

Xangô vai então averiguar pessoalmente todos os presos de  seu reino e descobre seu pai na prisão.

Desolado, coloca o velho pai sobre suas próprias costas e o carrega para o palácio, onde se encarrega de banhá-lo e vesti-lo com suas alvas roupas, realizando a seguir uma grande festa.  A cerimônia do Candomblé chamada "Águas de Oxalá" rememora este episódio com a procissão representando a viagem de Oxalá5.  


TIPOS DE RITUAIS
Os rituais são compostos de uma série de gestos simbólicos (ritos) portadores de intencionalidades. Entre os diversos tipos de rituais religiosos destacam-se:


  • Iniciação ou passagem: rituais de iniciação para vida adulta nas sociedades tribais, batismo cristão, crisma, casamento, investiduras e ordenações de líderes das diversas tradições religiosas, Bar Mitzvah e Bat Mitzvah no Judaísmo, feitura na Umbanda e Candomblé...




  • Litúrgicos: culto evangélico, missa, novena, procissões, gira na Umbanda, o ritual do chamado Puja no Hinduísmo...




  • Comemorativos ou festivos: Natal, Páscoa, Corpus Christi, Caminhada para Jesus no dia da Bíblia, Diwali – festa das luzes no Hinduísmo, nascimento de Buda que é a festa das flores e outras comemorações existentes nas diversas tradições;




  • Propiciatórios: são rituais que propiciam a participação das cerimônias ou acesso aos mistérios sagrados, o banho de purificação no Rio Ganges, a purificação (lavagem) das mãos e do rosto antes da prece, na tradição muçulmana...




  • Votos religiosos: a solene investidura e celebração dos votos dos freis, freiras, monjas e monges cristãos, budistas, hinduístas...




  • Mortuários ou funerários: são cerimônias de despedida e homenagem a alguém que falece. O ritual pode incluir a prática do sepultamento ou cremação, conforme a tradição cultural e religiosa de cada povo;




  • Divinatórios: os oráculos ou rituais que propiciam um prognóstico ou presságio, como o jogo dos búzios, a consulta aos textos sagrados para obter respostas ou orientações sobre determinada situação, entre outros.




  • Cura: são rituais que objetivam a cura de enfermidades físicas, mentais e espirituais. São exemplos de rituais de cura: a pajelança, o benzimento, a unção com óleo, a prece com imposição de mãos, entre outros.

O conhecimento no Ensino Religioso, das diversas expressões ritualísticas, objetiva subsidiar os estudantes para o entendimento e a compreensão da diversidade cultural religiosa, visando a superação de atitudes preconceituosas que desvalorizam a experiência religiosa do outro.

O trabalho pedagógico com este conteúdo deve partir da realidade sociocultural dos estudantes de modo gradativo e de acordo com o nível de compreensão dos mesmos.


EXEMPLOS DE RITUAIS
Rituais nas tradições indígenas - Praticamente em todas as culturas e tradições religiosas, o comportamento humano é permeado de rituais. Os rituais são marcos que pontuam momentos importantes na vida das pessoas. Os rituais indígenas não estão separados da vida cotidiana. Há diferentes elementos simbólicos, como danças, cantos, pintura no corpo, adornos, vestimentas de palha e de materiais diversos extraídos da natureza. Os rituais fundamentam toda a realidade e organização da comunidade.

Entre quase todas as comunidades indígenas existem os ritos de passagem, que marcam a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação para outra. Esses ritos estão ligados à gestação e ao nascimento, a iniciação à vida adulta, ao casamento, à morte e outras situações.

As festas também são exemplos de rituais celebrativos e acontecem na época da colheita do milho, da mandioca, da caça e da pesca. Nestas festas, as variadas formas de pintura do corpo, os enfeites com penas, os cantos e as danças têm grande importância. As cores mais usadas são o vermelho, o preto e o branco, cujas tintas são extraídas do urucum, jenipapo, carvão, barro e calcário.

Conforme a tradição de cada etnia, a música é executada pelos homens e mulheres. Os instrumentos são construídos de madeira, casca de frutas, bambu entre outros materiais disponíveis.


O Kuarup - É um ritual indígena realizado para libertar a alma dos falecidos. Os falecidos são representados por toras (Kuarup) adornadas com cocares, colares e pinturas simbólicas.

A tora de madeira é extraída de uma árvore chamada mavunha – a mesma usada pelo herói criador Mavutsinim, no mito da criação.

São entoados cantos pelos pajés ao ritmo do maracá, instrumento sagrado, feito de cabaça, uma haste e sementes no seu interior.

A cerimônia é uma encenação do mito da criação, é também uma homenagem aos falecidos que foram figuras importantes para a comunidade.

O ritual inicia-se com a pintura dos corpos.

Os troncos representativos dos ancestrais são enterrados no pátio da aldeia e preparados com enfeites simbólicos.

Pajés, casais e guerreiros, choram, cantam, dançam e tocam a flauta sagrada em homenagem aos mortos.

Um momento importante do ritual é a formação do círculo sagrado com todos os presentes em respeito às famílias dos homenageados.

Durante os dias da festa são servidos alimentos aos convidados, principalmente peixe assado, geralmente preparado pelos familiares dos falecidos.

Outro ponto alto da celebração é a luta “huka-huka”. Os lutadores guerreiros se movimentam em círculos, para logo se ajoelharem, então, dão um bote no oponente e com força e agilidade tentam derrubar um ao outro.



No final da festa, os troncos são lançados no rio, simbolizando a libertação da alma dos falecidos6.
Ritual de benzeção - Apesar dos avanços da medicina, da cultura dominante dos meios de comunicação e da discriminação por parte de algumas religiões e igrejas que preconceituosamente tacham os benzedores e suas práticas como superstições, as benzeções resistem e continuam presentes no cotidiano de muitos brasileiros.

Trata-se de uma expressão de caráter terapêutico-religiosa, nascida do sincretismo religioso popular e das práticas de pajelança indígena.

As benzeções fazem parte da vasta cultura popular e envolvem crenças religiosas. Acreditando ou não no poder das benzeções e rezas, há sempre os que procuram nestas práticas, cura ou solução de problemas diversos.

O benzedor ou benzedoras geralmente realiza sua missão a partir de um espírito de solidariedade para com as pessoas doentes ou com dificuldades.

Os rituais de benzeções são rituais de cura e harmonização, caracterizam-se como uma expressão da religiosidade popular “... do seu pensar e do seu sentir, tantas vezes discordante do pensar e do sentir da cultura oficial e dominante” .
Segundo Vilhena:
... essas práticas são ensinadas e aprendidas no contexto familiar ou em relações primárias, quando mães passam seus conhecimentos para as filhas mais velhas, pais para seus primogênitos, mestres sem escolas para seus discípulos. Não sendo de domínio público, entretanto, referem-se a uma dimensão da vida social, posto que rezadores e rezadoras são conhecidos pela comunidade e aglutinam à sua volta pessoas que necessitam de seus serviços e reconhecem seus poderes7.

Os benzedores e benzedoras são oriundos de diversas matrizes culturais, étnicas e religiosas.

A realização do ritual de benzeção geralmente se constitui de:


  • Recitação de fórmulas de preces;

  • Gestos com as mãos sobre a pessoa que está sendo benzida;

  • Comumente o benzedor ou benzedora segura um ramo de ervas, sendo a arruda e o alecrim preferidos. Com esse ramo tocam e circundam o corpo do que está sendo benzido traçando cruzes ou outros gestos;

  • Algumas vezes, utilizam água, sal, vela, defumadores ou incenso, óleo, pano branco ou vermelho, entre outros recursos.


Samskaras - São cerimônias para celebrar os momentos importantes na vida dos adeptos do Hinduísmo: nascimento, maioridade, casamento e morte.

Existem rituais específicos para diferentes ocasiões tais como, nascimento e nomeação do bebê, onde ainda antes do seu nascimento, são recitadas fórmulas de orações para que a criança seja saudável e feliz.

Há rituais para comemorar o nascimento e o primeiro corte de cabelo. Em geral, dez dias depois do nascimento o sacerdote desenha e lê o horóscopo para predizer o futuro do bebê e ajuda os pais a escolher um nome para o bebê baseado no horóscopo.

Aos nove ou dez anos de idade, os meninos passam pelo ritual de iniciação da Linha Sagrada. A cerimônia consiste em recitação de orações enquanto o sacerdote segura um laço sobre o ombro do menino posicionado diante do fogo sagrado.

Este ritual significa um segundo nascimento e início na vida adulta, podendo o menino estudar os livros sagrados e assumir responsabilidades.

A linha sagrada deve ser usada durante toda a vida8.


Bar Mitzvah e Bat Mitzvah - O Bar Mitzvah ou Bat Mitzvah é uma cerimônia de passagem que acontece entre os judeus. Considerada uma iniciação à vida adulta é celebrado aos 13 anos para os meninos e aos 12 para as meninas, enfatizando a importância de viver um estilo de vida judaico.

Na maioria das vezes, a educação conduz os adolescentes para o Bar Mitzvah. Literalmente, os filhos de descendentes judeus são compromissados com a tradição e no caso das meninas essa foi uma tentativa de trazer a mulher de volta para a sinagoga.

A cerimônia do Bat Mitzvah nasceu em meados de 1920 e buscava oferecer à mulher uma iniciação religiosa semelhante a dos homens. Ao pé da letra, o Bar Mitzvah significa “filho do mandamento”. Mas na realidade, isso significa que o jovem dessa idade já conseguiu atingir a maturidade religiosa.

Os homens usam a Kippa, uma pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento em que são feitas as orações. Os serviços religiosos são realizados por um rabino, ou seja, um sacerdote habilitado a comentar os textos sagrados. No judaísmo, as velas e o candelabro estão presentes no Bar Mitzvah, pois iluminam o ritual.

Na tradição judaica existem dois pontos base na vida de um homem que é a iniciação pela circuncisão do recém-nascido e o Bar Mitzvah.

O Bar Mitzvah geralmente é celebrado na sinagoga, no sábado, e consiste na leitura de um texto da Torá9.


Casamento na Igreja Ortodoxa - Entre os diversos grupos ou igrejas cristãs existem diferentes cerimônias de casamento. A Igreja Católica Apostólica Romana e as Igrejas Ortodoxas o consideram como um sacramento. Nas igrejas de tradição evangélica, o casamento não é tido como um sacramento, mas muitas Igrejas Evangélicas o celebram por ser um importante acontecimento na vida dos que estão se casando, por isso, é realizada uma cerimônia para abençoar os noivos. Nas Igrejas Ortodoxas o ritual do casamento varia de acordo com a tradição de cada etnia, porém em todas estão presentes alguns aspectos comuns, tais como:
Acolhida: A cerimônia inicia-se à porta da igreja com o padre abençoando os noivos com o Evangelho que é beijado por eles, em sinal de reverência aos ensinamentos de Cristo. Em seguida, são conduzidos pelo sacerdote até o altar central.
Litania diaconal: A litania diaconal são preces cantadas em gregoriano, intercedendo pelo casal, lembrando a presença de Jesus nas bodas de Canaã, na Galiléia, onde realizou o primeiro milagre, transformando a água em vinho. Também é relembrada nessa prece, a união do primeiro casal (Adão e Eva) abençoado pelo Criador para viver em família. Ora-se, também, pelos pais dos nubentes e seus padrinhos.
Alianças: As alianças são abençoadas e colocadas nos dedos dos noivos pelo celebrante, que faz com elas o sinal da cruz sobre o casal. A oração para este momento pede que Deus os una "num mesmo coração". Após a bênção das alianças, o sacerdote coloca-as nos noivos.
Coroação: Em seguida, os noivos são coroados em nome da Santíssima Trindade, o gesto da coroação é repetido três vezes, simbolizando que ambos serão reis no novo lar, ao qual deverão governar com sabedoria, alegria e responsabilidade. As coroas podem ser feitas de ramos de folhas e flores ou alecrim, ou de ouro e prata, conforme a tradição de cada igreja do rito bizantino. Ao colocar as coroas sobre os noivos o sacerdote diz: ”O Senhor nosso Deus com honra e glória os coroa”. Por isso, a cerimônia ortodoxa de casamento é também chamada de Sacramento da Coroação.
Leituras bíblicas e preces cantadas: Seguem leituras das Epístolas e do Evangelho, além de preces cantadas em gregoriano.
Juramento: Os noivos colocam as mãos sobre o Evangelho e são cobertas com a estola sacerdotal e então repetem as palavras do juramento.
Vinho: Depois bebem vinho no mesmo cálice, o qual é abençoado três vezes. Este gesto relembra o milagre na festa de Caná, quando Jesus, a pedido de sua Mãe, transformou a água em vinho. Segue a recitação da oração do Pai Nosso.
Caminhada em redor do altar: Então, dão três voltas em redor do altar simbolizando a presença da Santíssima Trindade na vida e no lar do novo casal. O celebrante os conduz dando três voltas no sentido anti-horário em volta do altar. Esta é a primeira caminhada dos recém-casados, e a Igreja, na pessoa do sacerdote, os conduz pelo caminho em que devem andar.  O círculo no centro do qual está o Santo Evangelho, é uma perfeita órbita ao redor da vida cristã, Jesus Cristo e seus ensinamentos. De volta ao lugar, o casal recebe a benção, beijando o Livro do Evangelho.
  Bênção e entrega dos ícones: Depois da bênção final, em algumas igrejas do rito bizantino, os neocasados recebem imagens sagradas, chamadas ícones, os quais serão colocados no lar como sinal de proteção e bênção de Deus para a nova família. Segue a festa oferecida aos convidados10.
Crisma ou Confirmação - A palavra “Cristo” significa “ungido” que quer dizer enviado, pois segundo os seguidores do Cristianismo, Cristo é o enviado de Deus para salvar a humanidade. Muitos cristãos acreditam que são chamados para serem discípulos e missionários do Cristo, o Ungido de Deus. A mesma origem tem a palavra “Crisma”. Crismar é o ato de ungir com óleo sagrado a fronte do crismando, que se torna também ungido, ou seja, enviado. A Crisma ou Confirmação é um dos sete sacramentos, é administrado pelo bispo geralmente aos adolescentes, durante a missa, seguindo o seguinte ritual:

Primeiramente impõe as mãos sobre o crismando e faz a invocação do Espírito Santo.

O segundo rito ou gesto sagrado é a unção com o óleo do Crisma. O crismando se aproxima e o bispo faz o sinal da cruz na sua fronte, dizendo: “N… recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus!” O crismando responde: “Amém!” O bispo ainda diz: “A paz esteja contigo!”, o crismando responde: “E contigo também!”

Os gestos e sinais sacramentais desta cerimônia, segundo os católicos, está presente desde o Antigo Testamento, nos evangelhos e desde a Igreja Primitiva até os nossos dias, e tem os seguintes significados:


Imposição das mãos: É um gesto de autoridade na qual se transmite uma responsabilidade dentro da Igreja. Um gesto bíblico pelo qual o dom do Espírito Santo é comunicado.
Unção com óleo: O óleo usado pelo bispo é chamado “o Crisma”. É preparado com óleo de oliveira e bálsamo (que é perfumado) na Missa dos santos óleo, na Quinta-Feira Santa e significa:

  • que o crismado é impregnado pela força do Espírito Santo;

  • o perfume do óleo usado na Crisma significa que o cristão deve “exalar o bom odor de Cristo”, ou seja, deve testemunhar Jesus Cristo;

  • ser ungido é ser marcado com o selo, com o sinal da cruz, significando que o cristão pertence a Cristo;

  • a unção é também sinal de consagração, pois o ungido é o enviado e deve realizar a missão de Cristo;




  • como os atletas e lutadores eram ungidos com óleo, o crismado deve ser atleta e soldado de Cristo;

  • o óleo é ainda sinal de abundância, de alegria, de purificação, de cura, de fortalecimento e de reconforto11.


RITO

Borres Guilouski

O rito religioso é um gesto de fé

Uma ponte para o divino

Que pode dispensar o uso da palavra

E pode servir-se do poder que a palavra tem

Pode conferir sentido

Apontar um rumo

Consolar e aquecer o coração de alguém

Pode despertar forças

Elevar sentimentos

E provocar transformações

Um rito sagrado pode também

Alimentar e fomentar esperanças

Pontuar novos estados de ser

Ajudar a viver mais leve

E equilibrar as emoções

Fazendo a pessoa sentir-se bem


REFERÊNCIAS
BOWKER, John. Para entender as religiões. São Paulo: Ática, 1997.

CARNIATO, Maria Inês. A religião no mundo – 5ª série – subsídios do educador. São Paulo: Paulinas, 1997.

ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

____________. O conhecimento sagrado de todas as eras. São Paulo: Mercuryo, 2004.

GANERI, Anita. O que Sabemos sobre o Hinduísmo. São Paulo, Callis, 1998.

HELLERN, V.; NOTEKER, H.; GAARDER, J. O livro das religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.



VILHENA, Maria Ângela. Ritos expressões e propriedades. São Paulo: Paulinas, 2005.

http://www.mundodosfilosofos.com.br/mito.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/As_%C3%81guas_de_Oxal%C3%A1

http://www.casamentobrasil.com.br/materias.asp?ID_PUBLI=1&ID_REVISTA=2&ID_MATERIA=74

http://veleirokuarup.sites.uol.com.br/

http://saiu.com.br/crisma-simbolos-e-gestos/

http://igrejaespiritacristadesmiguelarcanjo.blogspot.com.br/2010/03/kuarup-festa-dos-mortos.html

www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946It006


1 http://noticias.gospelmais.com.br/livro-islamismo-professor-jesus-muculmano-40094.html

2 http://www.mundodosfilosofos.com.br/mito.htm

3 VILHENA, 2005, p. 21.

4 VILHENA, 2005, p. 55.

5 http://www.aguaforte.com/axeileoba/aguas.htm


6 http://veleirokuarup.sites.uol.com.br/


7 VILHENA. p. 92, 2005.

8 GANERI.p.34,1998.

9 http://www.noivasecia.com.br/conteudo.php?cod=191


10 http://www.casamentobrasil.com.br/materias.asp?ID_PUBLI=1&ID_REVISTA=2&ID_MATERIA=74


11 http://saiu.com.br/crisma-simbolos-e-gestos/






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