Subdoses dos herbicidas glifosate e do tembotrine no manejo de Brachiaria ruziziensis



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Subdoses dos herbicidas glifosate e do tembotrine no manejo de Brachiaria ruziziensis
Devair Carlos de Andrade (PIBIC/CNPq/Unioeste), Silvio Douglas Ferreira, Hugo Franciscon, Daniel Adriano Sontag, Neumárcio Vilanova da Costa(Orientador), e-mail: neumarcio.costa@unioeste.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Agrárias/Marechal Cândido Rondon, PR
Grande área e área: Ciências Agrárias - Matologia
Palavras-chave: Dessecação, planta daninha, herbicida
Resumo
O objetivo do presente trabalho foi avaliar subdoses de glifosato e do tembotrione no manejo da forrageira Brachiaria ruziziensis. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com quatro repetições. Os tratamentos corresponderam a dois herbicidas, aplicados em dois estádios da braquiária e em quatro doses: glifosato (1,25, 2,25, 5 e 10 g ha-1) e tembotrione (5, 10, 20 e 40 g ha-1) além de uma testemunha sem aplicação. As aplicações dos tratamentos foram realizadas 31 dias após a emergência (DAE), para o estádio 1 (até 1 perfilho) e 44 DAE, para estádio 2 (2 a 4 perfilhos). Para avaliar o efeito dos tratamentos, aferiu-se a fitotoxidez dos herbicidas sobre as plantas, a altura de plantas, número de perfilhos, massa seca de parte aérea e massa seca de raízes das plantas de B. ruziziensis. Ao final do experimento, aos 42 dias após a aplicação, realizou-se o arranquio das plantas, as quais foram lavadas e posteriormente secadas. O herbicida tembotrione demonstrou potencial de utilização na supressão do desenvolvimento de Brachiaria ruziziensis, em doses iguais ou superiores a 10 g ha-1 à iguais e inferiores a 40 g ha-1 do ingrediente ativo. O herbicida glifosato não se demonstrou eficiente na supressão do desenvolvimento de Brachiaria ruziziensis
Introdução
A preservação e acumulação de resíduos vegetais sobre o solo constitui-se em um dos benefícios trazidos pelo uso do sistema de semeadura direta. Tais resíduos reduzem o impacto da chuva sobre o solo e aumenta a rugosidade de sua superfície, diminuindo o potencial erosivo da chuva. Esse efeito é potencializado quando há, além dos resíduos vegetais, cobertura vegetal fresca (cultura) sobre o solo, a qual, por seu dossel, irá interceptar a chuva e liberá-la lentamente ao solo, diminuindo ainda mais sua energia cinética (Schicket al., 2000; Bezerra & Cantalice, 2006).

O herbicida glifosato é um inibidor da EPSPS e o tembotrione é o inibidor da síntese de carotenoides, os quais podem ser uma alternativa para a supressão da braquiária quando utilizados em subdosagem, para não causar prejuízos tanto à forrageira como à cultura.

Com base nas informações levantadas, a hipótese deste trabalho baseiaram-se na possibilidade da supressão do crescimento, da Brachiaria ruziziensis, com subdoses dos herbicidas glifosato e tembotrione, impedindo que estas compitam com a cultura do milho e gere perda de rendimento à cultura.

O objetivo do presente trabalho foi avaliar subdoses do glifosato e do tembotrione no manejo da forrageira Brachiaria ruziziensis.
Materiais e Métodos
O experimento foi implantado em casa de vegetação, situada no município de Marechal Candido Rondon-PR, à 24° 46’ S e 50° 22’ O, com altitude média de 420 metros acima do nível do mar. O solo utilizado foi classificado como Latossolo Vermelho Eutroférrico típico, de textura argilosa.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com quatro repetições. Os tratamentos corresponderam a dois herbicidas aplicados em dois estádios da braquiária e em quatro doses: glifosato (1,25, 2,25, 5 e 10 g ha-1) e tembotrione (5, 10, 20 e 40 g ha-1) além de uma testemunha sem aplicação.

As aplicações dos tratamentos foram realizadas 31 dias após a emergência (DAE), para o estádio 1 (até 1 perfilho) e 44 DAE, para estádio 2 (2 a 4 perfilhos). A aplicação do herbicida foi realizada com um pulverizador costal pressurizado à CO2, com uma barra equipada com seis bicos (modelo TT 110.02), espaçados em 0,5 m. O pulverizador foi regulado para aplicar o equivalente a 200L ha-1 de calda.

Para avaliar o efeito dos tratamentos, aferiu-se a fitotoxidez dos herbicidas sobre as plantas, a altura de plantas, número de perfilhos, massa seca de parte aérea e massa seca de raízes das plantas de B. ruziziensis.

A fitointoxicação foi avaliada visualmente, por meio de notas que variaram de 0% (sem fitotoxidez) a 100% (morte da planta). Os parâmetros utilizados para estabelecimento das notas foram: inibição do crescimento, quantidade e uniformidade das injúrias, capacidade de rebrota das plantas, quantidade de plantas mortas e acúmulo de biomassa. As avaliações foram realizadas aos 7, 14, 21, 28, 35 e 42 dias após a aplicação (DAA).

A altura das plantas foi mensurada, com auxílio de uma régua. Juntamente, foi realizada a contagem do número de perfilhos. As avaliações foram realizadas nos mesmos dias das de fitotoxidez.

Ao final do experimento, aos 42 DAA, realizou-se o arranquio das plantas, as quais foram lavadas. Posteriormente, foram levadas à estufa por 48 horas, a 55°C, para secagem. Em seguida, determinou-se a massa seca total das plantas, por meio de uma balança de precisão (0,0001g).

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e aplicada análise de superfícies de resposta às médias, dentro de cada herbicida e cada estádio de aplicação, utilizando-se o programa estatístico SigmaPlot 12.0.


Resultados e Discussão
Ao avaliar-se a fitotoxidez infringida às plantas de B. ruziziensis pelo herbicida tembotrione, observou-se nas plantas aumentou conforme se elevou a dose do herbicida. Além disso, a fitotoxidez infringida às plantas pelo herbicida foi de maior magnitude quando aplicado no estádio 2, em relação ao estádio 1, chegando a 60% de fitotoxidade quando aplicado 40 g ha-1. Porém, as plantas demonstraram rápida recuperação com o passar dos dias, de modo que a fitotoxidade apresentada a partir dos 20 dias após a aplicação (DAA) foi ínfima para ambos estádios de aplicação (Dados não apresentados).

Para o herbicida glifosato, por sua vez, as doses não influenciaram no comportamento dos dados, o que indica que o herbicida, nas doses aplicadas, não gerou fitotoxidadez à braquiária.

A altura das plantas não foi afetada pelos herbicidas glifosato e tembotrione, independentemente da dose ou do estádio de aplicação. Resultado semelhante também fora observado para a variável número de perfilhos, para ambos herbicidas e estádios de aplicação (Dados não apresentados)..

Em relação à massa seca das plantas aos 42 DAA, para a aplicação de glifosato nos estádio 1 e 2 da braquiária, foi possível observar que o herbicida não suprimiu o desenvolvimento da braquiária, até a maior dose (10 g ha-1). Ao contrário, houve efeito homótico para o estádio 1, o qual apresentou ponto de máxima hormesis na dose de 5 g ha-1. Porem não apresentou o mesmo efeito para o estádio 2 (Figura 1A).



O mesmo foi observado para o tembotrione quando aplicado sobre plantas com até 1 perfilho (estádio 1). Entretanto, quando aplicado sobre plantas com 2 a 4 perfilhos (estádio 2), observOU-se redução do acúmulo de massa seca com a aplicação de doses de tembotrione acima de 5 g ha-1 (Figura 1B).




Conclusões
O herbicida glifosato não se demonstrou eficiente na supressão do desenvolvimento de Brachiaria ruziziensis, em doses iguais ou inferiores a 10 g ha-1 do ingrediente ativo.

O herbicida tembotrione demonstrou potencial de utilização na supressão do desenvolvimento de Brachiaria ruziziensis, em doses iguais ou superiores a 10 g ha-1 à iguais e inferiores a 40 g ha-1 do ingrediente ativo.


Agradecimentos
Agradecemos ao CNPq pela disponibilização da bolsa de iniciação científica ao primeiro autor para a realização do presente trabalho de pesquisa
Referências
BEZERRA, S.A.; CANTALICE, J.R.B. Erosão entre sulcos em diferentes condições de cobertura do solo, sob cultivo da cana-de-açúcar. Revista Brasileira de Ciência do solo, v.30, p.565-573, 2006.

SCHICKET, J.; BERTOL, I.; BATISTELA, O.; BALBINOT JR., A.A. Erosão hídrica em cambissolo húmico alumínico submetido a diferentes sistemas de preparo e cultivo do solo: I. perdas de solo e água. Revista Brasileira de Ciência do solo, v.28, p.427-436, 2000.








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