Sérgio wladimir cazé dos santos



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SÉRGIO WLADIMIR CAZÉ DOS SANTOS



PERCURSOS DA MÚSICA ELETRÔNICA

Projeto Experimental

Apresentado ao Curso de Comunicação da Universidade Federal da Bahia

como requisito à obtenção do grau de

BACHAREL EM COMUNICAÇÃO

ORIENTADOR: PROF. MONCLAR E. G. L. VALVERDE



SALVADOR


1998


Resumo: O trabalho, centrado no tema das relações entre música e tecnologia no século XX, consiste em duas linhas gerais complementares que atravessam todo o texto: a) um relato narrativo e informativo que procura traçar uma visão panorâmica da história da música eletrônica e das inovações tecnológicas que a impulsionaram e condicionaram, tanto no ambiente da música de vanguarda quanto no da cultura pop; e b) um exercício de crítica cultural buscando explicitar o vínculo, estreito e rico em sugestões poéticas e formais, entre as práticas desse universo musical e os equipamentos que constituem suas ferramentas.
Palavras-chave: música / eletrônica / tecnologia / Kraftwerk / dance / techno

A minha família


A todos os que contribuíram, ainda que

involuntariamente, para a realização deste Projeto

Experimental - com uma idéia, uma sugestão

ou mesmo uma conversa corriqueira

sobre por onde passa o som.

Computadores fazem arte

Artistas fazem dinheiro

Pesquisadores avançam

Artistas pegam carona

Cientistas criam o novo


Artistas levam a fama.

Fred Zero Quatro



Índice
Apresentação

Capítulo I - O uso da tecnologia na música do século XX




À procura de novos sons

Máquinas, ruído e música


O tape studio: sons da música concreta

Elektronische Musik: Stockhausen e o som artificial puro


Outras músicas eletrônicas

Guinada para o pop



Capítulo II – O input do Kraftwerk: Electronic Folk Musik


Na auto-estrada do pop eletrônico

A música folclórica da aldeia global

Desenvolvimentos simultâneos


Output: tecnhopop, industrial, tecno, electrofunk


Capítulo III – A linha de montagem da música eletrônica: bricolage, colagem, pulso, loop

Questão de bricolage


O sampler e a colagem sonora

Circularidade e estrutura em loop: o techno no fluxo da cultura contemporânea



Conclusão

Apêndice I – “Derrange”, a canção: uma experiência de colagem sonora

Apêndice II Glossário

Bibliografia

Discografia




Apresentação

A decisão de escrever, como Projeto Experimental de Conclusão de Curso, uma monografia que tivesse como tema o universo da música eletrônica surgiu de uma curiosidade pessoal que encontrou obstáculo na escassez de bibliografia brasileira sobre o assunto. A inexistência de obras que tematizem a história e as particularidades da música eletrônica no mercado brasileiro - desde suas gerações iniciais, ligadas à pesquisa formal da música erudita contemporânea, até as vertentes atuais da música eletrônica dançante - me levou a procurar informações e abordagens de questões correlatas em livros de especialistas e em sites na Internet, a maioria deles em inglês, reunindo, ao fim de algum tempo, um material significativo. Apresento aqui uma visão abrangente, embora apenas panorâmica, da história da música eletrônica e das respectivas inovações tecnológicas que a impulsionaram, numa tentativa de sistematizar em um único trabalho as abordagens parciais das tendências diversas e dos diferentes momentos que esse modo de fazer música conheceu desde o início deste século.

O tema da música eletrônica (termo genérico que decreve uma vasta gama de manifestações musicais muito distintas, mas que possuem em comum a utilização de som gerado ou modificado eletronicamente) ganha destaque na reflexão sobre a comunicação contemporânea porque põe em evidência a intersecção entre os domínios artístico, mediático e tecnológico, alertando as teorias da cultura para o fato de que hoje nenhum deles pode existir isolado dos outros. Na experiência artística contemporânea, o domínio tecnológico é questionado mediante a exploração dos recursos do equipamento, com a intenção trangressora de ultrapassar seus usos previstos e seus limites.


Assim, o surgimento de inovações tecnológicas no exato momento em que as práticas musicais consolidadas viviam, no âmbito da música de concerto de tradição ocidental, uma grande crise e uma necessidade de renovação, resultou em uma apropiação imediata desses meios pelas novas gerações. Nesse sentido, acompanhar as mudanças formais e estruturais introduzidas pelos novos meios nas noções de consonância e dissonância, nas condições de produção e fruição musicais e no próprio significado da palavra “música” é apreender um aspecto do movimento de incorporação da tecnologia pela cultura musical.

Também uma rica interface entre a tecnologia e a música popular pode ser verificada facilmente, na medida em que a última é “não somente veiculada mas efetivamente tornada possível e abrangida pelo estabelecimento técnico-industrial, através da fonografia – inicialmente do disco, do rádio e do cinema falado”1. A introdução de microfones direcionais e mais potentes, por exemplo, permitiu que os cantores criassem uma nova forma de colocar a voz, que abandona o canto empostado, quase operístico, e adota uma vocalização mais próxima da fala comum. Os equipamentos de gravação analógica e reprodução, por sua vez, criaram novas condições de fruição musical, em que as peças passam a estar sempre disponíveis para o ouvinte, que pode ouvi-la em casa, sem necessidade da “ritualização” do concerto ou do espetáculo.



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