Sr. Presidente, Sras e Srs. Deputados, prezados artistas presentes, saúdo a todos em nome de Jonnhy Alf



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Encontro19.10.2017
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Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, prezados artistas presentes, saúdo a todos em nome de Jonnhy Alf.

A história da Bossa Nova é a marca de uma geração. Uma geração de jovens artistas brasileiros que acreditaram no futuro e conseguiram realizar o sonho de levar a boa música aos quatro cantos do mundo.

As primeiras manifestações do que viria a ser conhecido como Bossa Nova, correram na década de 50, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Todos, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimento do gênero, que conseguiu unir a alegria do rítmo brasileiro, filha dileta do samba com o chorinho.

Ao se falar de Bossa Nova não se pode deixar de citar o Maestro Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Candinho, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Luizinho Eça, os irmãos Castro Neves, Newton Mendonça, Chico Feitosa, Lula Freire, Durval Ferreira, Sylvia Telles, Normando Santos, Luís Carlos Vinhas e muitos outros impossíveis de serem citados.

Todos eles jovens músicos, compositores e intérpretes que, cansados do estilo operístico que dominava a música brasileira até então, buscavam algo realmente novo, que traduzisse seu estilo de vida e que combinasse mais com o seu apurado gosto musical. Impossível precisar quando a Bossa Nova realmente começou.

Mas é certo que o lançamento, em 1958, dos discos Canção do Amor Demais, com a Divina Elizeth Cardoso interpretando composições de Tom e Vinicius, e Chega de Saudade - 78 rotações por minuto, com o clássico de Tom e Vinicius de um lado e Bim-bom, de João Gilberto, do outro -, nos quais João surpreendeu a todos com a nova batida de violão, foi o resultado de vários anos de experiências musicais. Experiências empreendidas não só por João Gilberto, mas por toda a turma que se encontrava nas famosas reuniões na casa de Nara Leão.

Após o lançamento, em 1959, do primeiro LP de João Gilberto, também chamado Chega de Saudade, a Bossa Nova rapidamente se transformou em mania nacional e em poucos anos conquistou o mundo.

Mas bem antes disso o Rio de Janeiro já vivia um raro momento de florescimento artístico, como poucas vezes se viu na história da cultura nacional. Não é à toa que os anos 50 são conhecidos como os "anos dourados". O Brasil vivia então um período de crescimento econômico que acabou se refletindo em todas as áreas. Em 1956, Juscelino Kubitschek tomou posse na Presidência da República com o slogan desenvolvimentista "50 anos em 5"

No mesmo ano, foram lançados os romances 0 Encontro Marcado, do mineiro Fernando Sabino, e Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa, dois importantes marcos na história da literatura brasileira.

Em 1958, a Seleção Brasileira de Futebol conquistava sua primeira Copa do Mundo, derrotando a seleção sueca por 5 a 2 e levando o povo brasileiro a cantar alegremente "A copa do mundo é nossa com brasileiro não há quem possa".

Em 1960, Juscelino Kubitschek inaugurava a nova capital do país, Brasília, que possivelmente teve a primeira música de Bossa Nova em sua homenagem, composta por Chico Feitosa. Billy Branco havia feito um sambinha jocoso, Não Vou, Não Vou Pra Brasília, e Chico musicou uma letra que falava da vida na nova cidade. O tema, chamado Paranoá, nunca foi gravado, mas encontra-se preservado numa gravação particular feita na época, com o próprio Chico Fim de Noite cantando. Foi neste contexto que surgiu o movimento que viria a revolucionar não só a música brasileira mas toda a produção musical internacional. Ainda nos anos 40, a grande novidade musical foi o lançamento, em 1946, de Copacabana um samba-canção de João de Barro e Alberto Ribeiro, gravado pelo cantor Dick Farney com claras influências da música americana. A composição foi a precursora do que se chamou samba moderno, cujos grandes intérpretes foram o próprio Dick Farney, Lúcio Alves, Orlando Silva e Sílvio Caldas, tentavam misturar os recursos do jazz e da música erudita aos elementos da música brasileira.

Também era moderno gostar de conjuntos vocais como os Garotos da Lua, do qual João Gilberto foi o crooner, e os Quitandinhas que contavam com Luiz Bonfá ao violão.

Apesar das inovações na área de interpretação, trazidas principalmente das experiências de Lúcio Alves e Dick Farney no exterior, no início dos anos 50, as músicas consideradas modernas eram do tipo dor de cotovelo, embora com as harmonias já mais trabalhadas, como em Ninguém Me Ama, do lendário jornalista Antonio Maria. Muito ligada à natureza exuberante do Rio de Janeiro e à excelente música que se produzia na América e chegava através de discos e programas de rádio, como o notável Em Tempo de Jazz, apresentado por Paulo Santos na Rádio JB, a nova geração, alegre e irreverente, criada nas areias limpas das praias de Copacabana e Ipanema e sedenta por novidades, queria retratar sua própria experiência, seus sonhos e estilo de vida

No mundo da música estrangeira mandando na indústria musical, e as rádios brasileiras na sua maioria com programação da música americana, o enaltecimento da boa música, é oportuno lembrar da riqueza da nossa cultura e do talento de nossos músicos.

Em nome do PRONA, congratulo-me com a iniciativa oportuna desejando vida longa a Bossa Nova, eterna em seu legado e no nosso coração.

Muito Obrigado!!!

Deputado Elimar Máximo Damasceno



PRONA-SP



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