Sr. Luiz carlos hauly



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Encontro06.07.2017
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O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB - PR) pronuncia o seguinte discurso: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os 25 Anos de Papado do Papa João Paulo II têm vários significados especiais.
Trata-se do terceiro pontificado mais longo em dois mil anos de história, no qual o primeiro Papa não-italiano desde 1523 foi peça fundamental não só para a derrocada do comunismo, mas principalmente também para a aproximação da religião católica com os patriarcados ortodoxos, com os judeus e com os muçulmanos, bem como com outras religiões e etnias.
Karol Wojtyla, o antes cardeal arcebispo de Cracóvia, foi o primeiro Papa a rezar numa mesquita e numa sinagoga. Para isso, primeiro teve que pedir perdão pelas omissões e erros do Cristianismo em relação aos judeus e islamitas; erros milenares, mas só reconhecidos neste pontificado.
Pediu perdão também pelo saque que os venezianos medievais, com o apoio do cristianismo ocidental, fizeram em Istambul, então sede do Império Romano do Oriente. O episódio manteve os ortodoxos rancorosos, e com razão, durante séculos.
João Paulo II será lembrado como o “Papa do Perdão” não apenas pelo perdão que pediu a religiões ou etnias – como às etnias indígenas da África e das Américas. Nosso homenageado será lembrado também pelo perdão que, pessoalmente ou em nome da Igreja, concedeu.
Sua Santidade perdoou até mesmo o homem queo tentou matar, o turco Mehmed Ali Agka. Em nome da Igreja Católica, revogou a excomunhão de Galileu Galilei, causada, como se sabe há séculos, por um erro da Igreja, e não do cientista italiano. Sendo assim, o perdão concedido valeu também por um pedido de perdão à história.
“João de Deus”, como foi apelidado pelos brasileiros, foi o Papa que mais viajou pelo mundo; veio duas vezes a nosso país, onde mora a maior população católica do mundo. Foi também o Papa que mais beatificou e canonizou. Madre Tereza de Calcutá foi canonizada apenas dois anos depois de sua morte, num processo mais rápido do que o de São Francisco de Assis, até então recordista.
O atual pontificado, marcado pelo conservadorismo e reafirmação dos dogmas tradicionais, estendeu, porém, pontes para todas as outras religiões e povos do mundo. Aliás, este é o significado da palavra pontífice: aquele que estende pontes.
O Pontifex Maximus João Paulo II, pedindo perdão a partir do trono do apóstolo Pedro, foi quem mais pontes construiu, em toda a história da Igreja. Tais pontes, alicerçadas na humildade dos pedidos de perdão, prepararam o catolicismo para o complexo e multifacetado 3o milênio, quando certamente a função da Igreja, após um breve recesso, tenderá a crescer.
Os apelos à razão e ao Direito Internacional, vindos do Papa, quando os presidentes dos Estados Unidos e do Iraque faziam apelos insensatos ao cristianismo ou ao islamismo, mostram que o vigor intelectual de João de Deus ainda é incomparável, e ele vence os percalços causados pela idade avançada.

Façamos votos, Senhoras e Senhores, que Sua Santidade ultrapasse do maior pontificado em toda história da Igreja Católica, na condução do Trono de São Pedro, no período mais proveitoso de todos os tempos.


Obrigado, João de Deus.








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