Sopece disciplina: Antropologia Curso: Direito Profª Claudia Gouveia Cultura



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SOPECE

Disciplina: Antropologia

Curso: Direito

Profª Claudia Gouveia
Cultura
Questionamentos: qual a 1ª palavra que vem à mente quando se fala em cultura?

Como explicar tantas culturas diferentes no mundo?


Dilema da Ciência: conciliar unidade biológica do homem com a grande diversidade cultural.
Tentativas de explicação:

  1. Variações dos ambientes físicos.

Contudo, antropólogos demonstraram que a influência geográfica sobre os fatores culturais é limitada, sendo possível e comum existir grande diversidade cultural num mesmo ambiente físico (ex. nordeste brasileiro).




  1. Há teorias que atribuem diferenças a capacidades inatas específicas a raças.

Deve ser por isso que existe a gracinha que diz: brasileiro herdou a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxúria dos portugueses. Sendo que, só para começar, no que se refere aos negros trata-se de uma balela, porque se eles fossem preguiçosos não teriam sido trazidos como mão de obra escrava.




  1. Existe a crença do senso comum de que as qualidades são adquiridas por transmissão genética.

Mais uma vez os antropólogos estão convencidos de que as diferenças genéticas não determinam as diferenças culturais, porque se um bebê nascido no sertão nordestino e filho de pais nordestinos for criado na Europa ele irá se desenvolver como qualquer bebê europeu.


Ou seja, as tentativas de explicação não explicam e mais questionamentos surgem. Por exemplo, o que falar das diferenças de comportamento entre homens e mulheres. São inatas ou culturais?

Pesquisas realizadas no início do século XX por Malinowski, Margareth Mead e Ruth Benedict em sociedades diferentes da nossa demonstraram, além de características sociais e culturais diferentes das nossas, que muitas atitudes atribuídas a cada sexo consideradas inatas são criações condicionadas culturalmente.


Posição da Antropologia moderna: as diferenças entre os homens não são explicadas pelas limitações impostas pela biologia ou pelo meio-ambiente, porque o homem foi o único que rompeu com suas limitações por possuir cultura.
Importante salientar que o homem resulta do meio cultural no qual foi socializado, herdando através de um processo cumulativo conhecimentos e experiências adquiridas por várias gerações, devendo-se as inovações e invenções a manipulação adequada e criativa do patrimônio cultural.
Questionamento: se o homem resulta do meio cultural o que pensar sobre os instintos?
Segundo Laraia há um erro semântico porque instinto se refere a padrão cultural e não a comportamento biológico. Por que? Porque senão toda a humanidade reagiria de maneira igual às mesmas situações!
Por exemplo: o que pensar sobre o instinto de conservação dos homens-bomba no Oriente Médio?

O que pensar sobre o instinto materno das índias Tupi do Mato Grosso que matam sem culpa os filhos que nascem após o 3º filho?

O que pensar sobre o instinto filial dos esquimós que levam seus pais velhos para serem devorados por ursos nas montanhas?
Conclusão: tudo o que o homem faz aprendeu com outros homens e não se origina fora da cultura.
A cultura se transmite por um processo cumulativo, como já mencionado, ou seja, as experiências são transmitidas, e essa transmissão se dá pela comunicação, sendo esta o que diferencia uma criança de um chimpanzé. Vocês sabiam que no primeiro ano de vida ambos têm um desenvolvimento semelhante?

Mas, embora o chimpanzé tenha igual capacidade de observar e inventar ele não fala e a observação realizada por ele, morre com ele, ele não a transmite aos outros. Ao contrário do homem que aprende e ensina através da comunicação.

Vale salientar que há uma importante inter-relação entre o homem e a cultura, pois o homem se distingue por ter cultura, mas a cultura não existiria se o homem não tivesse um sistema articulado de comunicação oral.
Questionamento: como o homem adquiriu este processo extra-somático, também chamado cultura, que o tornou diferente de todos os outros animais?
Resposta simples: o homem adquiriu ou produziu a cultura a partir do momento que seu cérebro, modificado pelo processo evolutivo, foi capaz de proceder para isso.
Resposta mais elaborada: para alguns estudiosos o desenvolvimento do cérebro se deu com a perda da importância do faro, a necessidade de visão estereoscópica e o uso das mãos.

Outros estudiosos acham que o bipedismo foi essencial, visto que proporcionou uma altura maior, tornando o homem mais intimidante, proporcionou também o transporte de objetos, o uso de armas e uma maior visibilidade, além de maior estímulo devido a posição ereta.


Como surgiu a cultura para alguns antropólogos:

  1. Lévi-Strauss – quando o homem convencionou a 1ª regra, a proibição do incesto;

  2. Leslie-White – quando o cérebro foi capaz de gerar símbolos, porque a faculdade de simbolização criou a cultura e o uso dos símbolos a perpetua.

  3. Kroeber – quando num dado momento houve alteração orgânica e nosso antepassado foi capaz de exprimir-se, aprender e ensinar. Essa teoria foi chamada teoria do ponto crítico, mas a ciência está convencida de que o salto foi lento e não repentino.

  4. Geertz – baseado nos estudos da paleontologia, de que o corpo humano surgiu aos poucos, defende que o homem é produtor da cultura, mas também é biologicamente produto da cultura.

Ou seja, a cultura se desenvolveu ao mesmo tempo em que o nosso equipamento biológico e por isso é uma das características do homem junto com o bipedismo e o volume cerebral adequado.



Cultura: é o conceito básico e central da antropologia.
Advém de: Colere = cultivar ou instruir;

Cultus = cultivo, instrução.


É utilizada em várias áreas com conotação diferente.
Muitas vezes usada para indicar desenvolvimento de indivíduo através da educação, instrução.
A Antropologia não usa termos culto ou inculto, nem faz juízo de valor sobre as culturas, por não considerá-las superiores ou inferiores, mas sim diferentes quanto a tecnologia ou integração de seus elementos.
Todas as sociedades possuem cultura e não há indivíduo desprovido de cultura, exceto o bebê, porque ainda não vivenciou a endoculturação e o homo ferus, porque foi privado do convívio humano.
Tem significado amplo, pois engloba modos comuns e aprendidos da vida, transmitidos por indivíduos e grupos em sociedade.
Existem 164 definições porque não se chega a um consenso sobre seu significado exato. Para alguns é comportamento aprendido, para outros não é comportamento é abstração do comportamento e para outros consiste em ideias, há os que consideram cultura apenas os objetos imateriais e outros que consideram os objetos materiais, mas também há os que consideram tanto os imateriais como os materiais.
Definições
O 1º a formular um conceito foi Edward B. Taylor (1871), na sua obra “Cultura Primitiva” disse que “é aquele todo complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, moral, lei, costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.
Para Boas (1938), é “a totalidade das reações e atividades mentais e físicas que caracterizam o comportamento dos indivíduos que compõem um grupo social”.
Para Malinowski (1944) é “o todo global consistente de implementos e bens de consumo, de cartas constitucionais para os vários agrupamentos sociais, ideias, ofícios humanos, crenças e costumes”.
Para Geertz (1973), “deve ser vista como conjunto de mecanismos de controle - planos, receitas, regras, instituições - para governar o comportamento”. No entanto, mecanismo de controle é símbolo significante, ou seja, “palavras, gestos, desenhos, sons, objetos ou qualquer coisa usada para impor significado à experiências”. Porque são estes símbolos correntes na sociedade e transmitidos ao indivíduos que os usam, enquanto vivem permanecem em circulação mesmo após a morte.
Componentes da cultura

  • Conhecimentos - possuídos em grande quantidade por todas as culturas. Geralmente são práticos, aprende-se o que permite a sobrevivência, mas engloba também aspectos relativos à organização social, estrutura do parentesco, usos e costumes, crenças, técnicas de trabalho.

  • Crenças - aceitação como verdadeira de proposição comprovada ou não cientificamente, atitude mental que baseia ação voluntária, intelectual com conotação emocional.

  • Valores - indicam objetos e situações consideradas boas, desejáveis, apropriadas, importantes. Sociedades possuem dominantes (liberdade de expressão, de religião, direito a vida) e secundários (servir café à visita, presentear recém-nascido, agradecer cartão etc.).

  • Normas - regras que indicam modo de agir em determinas situações, conjunto de ideias e convenções relativas ao que é próprio do pensar, sentir e agir em dadas situações. A cultura é constituída de normas comportamentais.

  • Símbolos - realidades físicas ou sensoriais as quais são atribuídos valores ou significados específicos, representam ou implicam coisas concretas.


O que constitui a essência da cultura?
Para a Antropologia consiste geralmente em ideias, abstrações e comportamento.

  • Ideias - concepções mentais de coisas concretas ou abstratas, isto é, toda variedade de conhecimentos e crenças. Ex. línguas, arte, mitologia.

  • Abstrações - o que se encontra no domínio das ideias, da mente, excluindo-se totalmente coisas materiais.

  • Comportamento - modos de agir comuns aos grupos humanos ou conjunto de atitudes e reações dos indivíduos diante do meio social.


Pode ser classificada em:

  • Material - coisas materiais e bens tangíveis fruto da criação humana e de determinada tecnologia. Exs. Machado de pedra, vasos de cerâmica, satélite artificial etc.

  • Imaterial - elementos que não têm substancia material como crenças, conhecimentos, aptidões, hábitos, normas, valores.

  • Real - aquela praticada concretamente pelos membros de uma sociedade em suas atividades cotidianas.

  • Ideal - conjunto de comportamentos expressos verbalmente como bons, mas nem sempre praticados.


Estrutura da cultura:

  • Traços culturais - menores elementos que permitem a descrição da cultura, podem ser objetos (cadeira, mesa, colar, casa etc.) ou coisas não materiais como atitudes, comunicação, habilidades (aperto de mão, beijo, oração, festa etc.).

  • Complexos culturais - conjunto de traços ou grupo de traços associados formando um todo funcional.

  • Padrões culturais - comportamento generalizado, padronizado e regularizado, estabelece o que é aceitável ou não na conduta de uma cultura. Forma-se pela repetição, quando muitas pessoas numa sociedade agem da mesma forma, durante longo período de tempo, se desenvolve um padrão cultural.


Pode ser analisada sob vários enfoques:

  • Ideias - conhecimento e filosofia.

  • Crenças - religião e superstição.

  • Valores - ideologia e moral.

  • Normas - costumes e leis.

  • Atitudes - preconceitos e respeito.

  • Padrões de conduta - monogamia e tabu.

  • Abstrações do comportamento - símbolos e compromissos.

  • Instituições - família e sistema econômico.

  • Técnicas - arte e habilidade.

  • Artefatos - machado e telefone.

Obs.: artefatos resultam da técnica, mas utilização é condicionada pela abstração do comportamento, as instituições ordenam padrões de conduta que resultam de atitudes condicionadas em normas e baseadas em valores determinados por crenças e ideias.


Na verdade, a cultura pode ser apreendida sob vários enfoques: por exemplo, cruz pode ser

  • Ideia quando sua imagem é formulada na mente.

  • Abstração do comportamento quando representa na mente símbolo cristão.

  • Comportamento aprendido quando católico faz sinal da cruz.

  • Objeto extra-somático quando vista por si mesma, independente de ação material ou imaterial.

  • Mecanismo de controle quando Igreja usa para afastar demônio ou para obter reverência dos fieis.

A cultura significa o modo de vida de um povo e se manifesta nos seus atos e artefatos. É criada, aprendida e acumulada pelos membros do grupo e transmitida socialmente de uma geração a outra, sendo perpetuada na sua forma original ou modificada. Ela é aprendida no decorrer da vida através dos grupos nos quais se nasce e se vive, sendo então compartilhada por todos.


A cultura é dinâmica e contínua, pois pode sempre se modificar através dos contatos com outros grupos e com as próprias invenções e descobertas, o que amplia o acervo cultural de geração em geração. No entanto, seu crescimento não é uniforme, pode haver épocas de grande desenvolvimento, de paradas e até de retrocesso.
O crescimento da cultura ocorre quando um grande número de elementos novos adotados supera os antigos em desuso.
A mudança cultural pode ocorrer pela inovação (máquina de escrever - computador), aceitação (adoção de novo traço cultural através da imitação ou cópia), eliminação seletiva (bonde, carruagem substituídos pelo carro), integração (desenvolvimento progressivo de ajustamento cada vez mais completo entre os elementos que compõem a cultura).

A cultura de uma sociedade pode sofrer alterações significativas devido ao aumento ou diminuição da população, migrações, contato com outros povos e culturas, inovações científicas e tecnológicas, catástrofes, depressões econômicas, descobertas fortuitas, mudança violenta de governo etc.


Só se mantêm estáveis as culturas totalmente isoladas daí ocorre a estagnação, ficando a cultura relativamente estática se modificando apenas por ações internas.
A cultura é padronizada quando todos os membros de uma sociedade agem da mesma maneira.
Há declínio cultural quando elementos culturais desaparecem, o que pode ocorrer devido a condições religiosas, sociais e ambientais.

Processo de aculturação:

  • Assimilação - quando grupos de lugares diferentes que vivem em territórios comuns alcançam solidariedade cultural.

  • Sincretismo - fusão de dois elementos culturais análogos (crenças e práticas) de culturas diferentes ou não.

  • Transculturação - troca de elementos culturais entre sociedade diferentes.

  • Deculturação - quando traço novo compete com um já existente e o substitui.

Referência bibliográfica:


LARAIA, Roque de Barro (1995) Cultura: Um Conceito Antropológico. 10ª edição. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor.






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