Sobre leon tolstóI



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Encontro18.08.2017
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SOBRE LEON TOLSTÓI

LITERATURA E ESPIRITUALIDADE


Foi uma surpresa imensa descobrir que, além dos famosos romances “Guerra e paz” e “Ana Karenina”, Tolstoi também escreveu belíssimos contos de forte conotação cristã. Grande a perplexidade quando procurando adquirir esses contos em língua portuguesa, verificar que quase nada existia no mercado editorial brasileiro.

Eles são belíssimos, de uma simplicidade e profundidade tão sinceras que só poderiam brotar de uma inquestionável genialidade, de uma experiência genuína, de um conhecimento real da alma humana, de uma convicção verdadeira.

De família nobre, descendente de senhores feudais, Leon Nikolaievich Tolstoi nasceu na Iasnaia Poliana em 28 de agosto de 1828 e morreu em 07 de novembro de 1910. Não conheceu a mãe, falecida pouco antes de ele completar três anos. Alguns anos depois, faleceu o pai, o conde Nocolai Ilitch, deixando os cinco filhos agora totalmente órfãos e uma situação financeira precária. A educação das crianças ficou em grande parte sob a responsabilidade de parentes.

Tolstoi tentou estudar línguas orientais, mas não se distinguia nos estudos. Ingressou mais tarde na faculdade de direito, mas foi reprovado nos exames. Voltou então a Iasnaia Poliana,onde começou a ler a Bíblia e as obras de Jean-Jacques Rousseau.A partir daí,acentou-se a inquitação que já era constante em Leon Tolstoi.Tomara consciência de que essa agitação que lhe era característica se devia ao fato de buscar fugir de si mesmo e das perguntas sobre o sentido da vida para as quais não obtinha resposta.

Entre 1851 e 1856, fascinado com as aventuras do irmão militar, ingressou no Exército Russo, resolveu partir para batalha, conquistando respeito e admiração dos companheiros de armas. Data dessa época a publicação de duas obras: ”Infância”, relato biográfico de sua meninice, e “Relatos de Sebastópol”. A partir de então,Tolstoi começou a ser admirado e reconhecido como escritor.

Foi nessa ocasião que Tolstoi pensou em fazer da literatura seu meio de vida. De 1863 a 1869, ajudado pela esposa que atuava então como sua secretária, escreveu “Guerra e Paz” romance em que exaltava a coragem e as virtudes morais do povo russo,usando como pano de fundo a resistência às invasões napoleônicas de princípios do século XIX.

Anna Karenina” publicado em 1875 e 1877 no “Mensageiro Russo” também agradou imensamente o público e foi classificado como “uma perfeita obra de arte” por Dostoiévcki.



O autor ficou indiferente às críticas e aos elogios.Suas preocupações se centravam em problemas morais e religiosos.A pergunta sobre o sentido da vida não deixava de martelar em sua mente.Buscou a resposta na religião ortodoxa, conviveu com os monges em mosteiros,estudou os evangelhos,mas nada o tranqüilizava.

Quando contava com aproximadamente 55 anos, depois de ter escrito seus mais famosos romances – “Guerra e Paz” e “Anna Karenina” -Tolstoi passou por uma experiência espiritual muito significativa.Mergulhou no estudo da Bíblia em sua busca por sentido de vida.Decidiu praticar os ensinamentos do cristianismo,buscando servir ao próximo como Jesus ensinou.

No final da vida, Tolstoi e Sofia desentenderam-se: ela queria viver na corte; ele no recolhimento, na paz, na simplicidade. Pressionado pela esposa fugiu de casa em outubro de 1910. Doente, cansado, deteve-se na aldeia de Astápovo onde em 07 de novembro morreu.

O mundo inteiro rendeu-lhe o tributo de uma admiração e de um reconhecimento sem limites. Tolstói é considerado grande, não pelos seus ensaios, mas pelas obras de ficção que tantas vezes rejeitou em vida. Não pelas doutrinas que criou, pelas previsões de sociedades do futuro ou pelos arroubos de misticismo, mas pelo fato de ter lutado para tentar pôr suas idéias em prática, pela visão de mundo que transmitiu, pelo conhecimento profundo da alma humana que captou com maestria e registrou em sua obra.

E seus escritos espirituais?
Não raramente, ouvimos referência à produção literária de Tolstoi classificada em fases. Assim, a primeira fase se encerraria em 1877 com publicação de “Anna Karenina”. Essa é a sua fase de excelência, segundo os estudiosos, na qual sua genialidade se expressa sem interferência das teorias e falsas noções que mais tarde povoariam a mente do autor. Tem início a seguir a segunda fase que, de acordo com uma visão mais convencional, é marcada pelo interesse em propaganda política, por um arrefecimento de seu poder criativo e um crescente isolamento do mundo secular para abraçar a religião.

Embora se supervalorizem as obras de sua primeira fase, do ponto de vista cristão seus escritos espirituais são tão valiosos e legítimos quanto “Guerra e Paz”,por exemplo.Desde muito cedo Tolstoi se interessou apaixonadamente pelas questões espirituais e,durante um tempo considerável,buscou soluções espirituais.Como afirmam alguns estudiosos,interessava-se pelas motivações e comportamento do homem,pelo que era justo e pelo que era injusto,pelo que era do nobre e pelo que era do vil,pelo que era puro e pelo que era impuro.E,quanto mais amadurecia,mais se aprofundava nessas questões.

Foi enorme o impacto de seus escritos da segunda fase sobre o mundo.Gandhi leu-os enquanto se encontrava na África do Sul e captou de Tolstoi o conceito de resistência passiva pela não-violência.Outros mais tarde serviam-se das táticas de não-violência de Gandhi,aplicando e transmitindo em todas as situações em que se lutava pela libertação de povos e de nações.

Importante observar que foram seus textos religiosos que lhe abriram portas para o Ocidente. Em 1884 e 1885 foram impressas na Inglaterra as traduções dos seus principais escritos cristãos e lidas por milhares de ocidentais. Muito mais do que as obras de ficção, foram as de fundo religioso e que atraíram a atenção dos leitores deste lado do mundo.

Existe em Tolstoi em grande desejo de clareza e simplicidade. Na verdade o que faz com que Tolstoi seja importante para os nossos dias é sua retidão e simplicidade. A Bíblia está envolta em mistério e nem sempre favorece respostas claras e simples. De qualquer forma, o que mais contou para Tolstoi foi a força espiritual e moral que Cristo possui na vida do ser humano. Um questionamento como esse – O ensinamento moral de Jesus é verdadeiro? – merecia resposta e, se esta fosse afirmativa, exigiria mudança de vida.

Para seus leitores, os contos de Tolstoi representam ficção da mais excelente qualidade: histórias criativas, cheias de imaginação, ricas em ensinamento, evocando em nosso íntimo o desejo de sermos melhor, histórias que nos fazem refletir sobre a necessidade de sermos coerentes, de vivermos fiéis à mensagem evangélica na medida em que tocam o nosso coração ao nos apresentarem situações reais, personagens que tem vida própria, uma visão de mundo rica, colorida, com sabor de realidade.

O conto que tem por título “O homem que não acreditava em Deus” ou “Onde existe amor, Deus está aí”, dependendo do tradutor e do original russo escolhido, por sua forma e conteúdo é considerado por toda a crítica mundial uma obra prima da literatura universal.

Cordialmente

DOC COMPARATO







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