Shoemaker, Alan H



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Linhas Mestras para a Manutenção e Manejo de Antas em Cativeiro

Shoemaker, Alan H.¹; Barongi, Rick²; Flanagan, Joe²; Janssen, Donald L.³ & Hernandez-Divers, Sonia4
¹ 330 Shareditch Road, Columbia, SC 29210, USA, E-mail: sshoe@mindspring.com

² Houston Zoo Inc., 1513 N. MacGregor Dr, Houston, TX 77030, USA, E-mail: rbarongi@houstonzoo.org

³ San Diego Zoo, PO BOX 120551, San Diego, CA 92112, USA, E-mail: djanssen@sandiegozoo.org

4 Institute of Ecology, University of Georgia, Athens, Georgia 30605, USA, E-mail: SHernz@aol.com
Traduzido por: George Ortmeier Velastin, Patrícia Medici e Danilo Kluyber


Introdução

Como grupo, as antas são relativamente fáceis de se manter e reproduzir em cativeiro, desde que se possa contar com uma boa experiência de trabalho e conhecimento de sua biologia e comportamento. A falta de informação sobre estes aspectos é altamente responsável por muitos dos problemas médicos e comportamentais sofridos por antas de cativeiro.


No momento de desenvolver padrões para manejo em cativeiro para antas, deve-se considerar as variáveis individuais de comportamento, compatibilidade, e grau de interação com o tratador. Mesmo sendo conhecido que existem grandes diferenças entre instituições zoológicas, esta lista de padrões de manejo de antas em cativeiro deve ser usada como base para quaisquer programas que desejem realizar um manejo que seja bem sucedido e humano para com estes animais.


Taxonomia

A família Tapiridae é representada por quatro espécies, uma do Sudeste da Ásia, e três nas Américas Central e do Sul. Duas espécies, a Anta Baird e a Anta da Montanha são classificadas como “Em Perigo de Extinção” pela IUCN, enquanto que as espécies asiática e brasileira são consideradas como “Vulneráveis”. As quatro espécies, com exceção da anta brasileira, são reguladas pela CITES como espécie em APPENDIX I. Nomes científicos e distribuições geográficas estão listadas a seguir:


Tapirus indicus Anta Asiática ou Anta Malaia

Sul de Burma, Península da Malásia, Sudeste da Tailândia e Sumatra, Indonésia.


Tapirus bairdii Anta de Baird ou Anta Centro Americana

Sul do México até o Norte da Colômbia e Equador e Oeste dos Andes.


Tapirus terrestris Anta Brasileira ou Anta Sul Americana

Colômbia e Venezuela até o Norte da Argentina e Sul do Brasil.


Tapirus pinchaque Anta da Montanha ou Anta Lanosa

Dos Andes desde o Noroeste da Venezuela, Colômbia e Equador até o Noroeste do Peru.





  1. Variáveis ambientais:




    1. Temperatura: Em geral, as antas são tolerantes ao calor e a temperaturas externas que excedam 37,8ºC, embora devam ser protegidas no caso de exposição prolongada a temperaturas acima de 35ºC. Os cambeamentos devem oferecer proteção (sombra e água) a temperaturas superiores a 35ºC, caso a exposição seja prolongada.

    2. Luz e Sombra: Devido ao seu grande porte, as antas são normalmente mantidas em ambientes externos, onde a luz natural é disponível. Entretanto, por serem animais de habitat florestal, as antas requerem sombra durante todo o dia, e todos os recintos abertos devem possuir sombra suficiente, sendo este um fator particularmente importante para zoológicos localizados em regiões de clima muito quente. As antas asiáticas são especialmente propensas a problemas oculares na ausência de ambientes sombreados. As antas na natureza podem ter hábito diurno, crepuscular e/ou noturno e seus hábitos reprodutivos não estão associados à duração de fotoperíodo, sendo que desta forma não existem requerimentos de iluminação específicos.




    1. Espaço:




      1. Recintos de Exposição: Antas são relativamente inativas, mas requerem espaços amplos para poderem se exercitar e realizar suas atividades reprodutivas. Os recintos devem ter no mínimo 56m² para cada animal. As antas podem ser facilmente mantidas em superfícies rasas e secas, cercadas por fossos inclinados com 2 metros de parede externa vertical. Recintos sem fosso devem ter barreiras altas de no mínimo 2 metros. O cercado pode ser de madeira ou de correntes argoladas (calibre 10 ou mais pesada). Antas não saltam para cima, mas são capazes de escalar facilmente sobre uma parede vertical de até 1,5 metro de altura. São animais muito fortes e podem empurrar as correntes passando por baixo, caso estas não sejam instaladas corretamente. Todos os visitantes do zoológico devem ser mantidos a um mínimo de 1 metro de distância do recinto. Aconselha-se a instalação de barreiras visuais dentro destes espaços de forma a permitir que os animais possam se separar voluntariamente uns dos outros, como para o caso de animais submissos poderem se separar de seus dominantes ou para que fêmeas que estão para parir possam se manter isoladas. Recintos de exposição devem ser relativamente planos e projetados de forma a eliminar espaços estreitos e angulações de 90 graus. O substrato deve ser de solo duro batido com terra ou grama. As antas não aparentam ser particularmente sensíveis a barulhos fora de seus recintos.




      1. Cambeamentos: Recintos de antas devem possuir cambeamentos fora de exibição, sendo que cada um deles deve medir um mínimo de 12’ x 15’ (17m²). Os cambeamentos devem ser interconectados com portões corrediços de no mínimo 1,20 metro de largura, que possam ser operados sem que haja risco para o tratador. As áreas de segurança como os cambeamentos, devem ser acessíveis diretamente pelo recinto principal, e organizadas de maneira a facilitar a introdução de animais. Deve haver um cambeamento para cada animal, de forma que os indivíduos possam ser separados em eventos de nascimento, medicações ou problemas comportamentais. Deve haver também um cambeamento maior com medidas de no mínimo 2,5 X 2,5 metros, para manter fêmeas com filhote. Sombras devem ser providenciadas caso não estejam disponíveis naturalmente. Para a segurança do tratador, os animais devem ser transferidos para um cambeamento adjacente antes de se realizar a limpeza do recinto.




      1. Substratos e Paredes do Cambeamento: As paredes dos cambeamentos fora de exibição devem ter no mínimo 2 metros de altura e devem ser sólidas (madeira ou concreto) ou construídas com barras de aço verticais com no mínimo 20cm entre elas. Barras horizontais não devem ser usadas de modo a evitar que as antas as escalem. Se pisos de concretos forem usados, estes devem ser ligeiramente inclinados em direção a drenos cobertos. A superfície do piso não deve ser áspera, para se prevenir lesões em seus coxins. Alguns materiais para forragem, como, por exemplo, o feno, pode aliviar os efeitos de superfícies escorregadias se uma camada suficiente for depositada. Por outro lado, camadas finas podem em alguns casos aumentar o risco de lesões por superfícies escorregadias. Caso o feno seja utilizado para forragem da cama, deve-se levar em conta que alguns tipos de feno devem ser evitados uma vez que quando ingeridos podem causar a síndrome chamada “lumpy jow”.

      2. Água: Água fresca deve ser disponibilizada a todo instante. Na ausência de piscina, baldes e bebedouros devem estar seguros para que não sejam derrubados.




    1. Piscinas: As piscinas devem ser grandes o suficiente para duas antas adultas e um filhote jovem submergirem todo seu corpo. Este é um fator importante tanto na questão sanitária, como também na questão comportamental. As antas freqüentemente defecam em suas piscinas e quando não podem fazer isto a incidência de prolapsos retais pode aumentar. As piscinas devem ter laterais com inclinações suaves e possuir bordas largas e com superfícies não deslizantes. A profundidade deve ser de 1,5 a 2,0 metros, com uma inclinação lateral de 1:8 para permitir submersão total dos animais. As entradas devem ser largas para permitir o acesso de mais de um animal adulto. Deve-se realizar a limpeza e a troca de água da piscina uma vez ao dia. O uso de cloro em sistemas de filtragem deve ser evitado. A antas podem segurar a respiração debaixo d’água por 2 a 3 minutos.




    1. Transporte: Para se reduzir o risco de tanto o animal quanto o tratador sofrerem lesões durante o transporte e carregamento de um animal, algumas características básicas devem ser incorporadas ao cambeamento e ao design da caixa de transporte. As antas não devem ser imobilizadas para o carregamento, mas sim treinadas a entrar adequadamente na caixa de transporte antes da data da transferência. Os filhotes não devem ser transportados antes de seis meses de idade e devem ser completamente separados de seus pais pelo menos uma semana antes do transporte.




      1. Carregamento: Todos os cambeamentos das antas devem ser conectados a um corredor de passagem que facilite a transferência simples e segura para uma caixa ou trailer de transporte. Deve-se permitir que as antas tenham acesso livre ao corredor e à caixa ou trailer, por várias semanas antes da data da transferência (quanto maior o tempo melhor).




      1. Caixas de Transporte: As caixas devem ser grandes o suficiente para que o animal possa permanecer em estação ou deitado, mas não larga o suficiente para encorajá-lo a se virar. A caixa deve ser construída com placas sólidas de uma polegada de madeira ou metal, as quais devem ser devidamente pregadas ou parafusadas umas às outras. Reforços de metal devem estar presentes ao redor de todo o container e o interior deve ser completamente liso e livre de quaisquer riscos de o animal sofrer quaisquer lesões. A caixa deve possuir vários orifícios de ventilação (diâmetro máximo de cinco centímetros) ao longo do topo e abaixo do nível dos olhos. Alimento e água devem ser providenciados através de acesso externo. As caixas de transporte devem possuir portas removíveis do tipo guilhotina em ambos os lados.




      1. Trailers: As baias ou caixas devem ser escuras para reduzir os efeitos dos estímulos visuais. Quando da utilização de um trailer de transporte, os animais devem ser confinados isoladamente, e cada baia deve ser dividida de modo que o animal consiga deitar ou se manter em pé, mas não se virar. Muito espaço permite que o animal pule para cima, correndo o risco de se machucar. Alimento e água devem ser oferecidos aos animais durante o transporte. Os animais geralmente ficam excitados e até mesmo agressivos, e por esta razão é aconselhável que um bebedouro seja instalado previamente na baia do trailer ou na caixa de transporte. Uma porta tipo “armadilha” ou uma abertura deve estar disponível para se adicionar água ou comida durante o transporte. Não se deve abrir completamente a porta da baia para se oferecer água ou comida. Devido ao fato de captura e transporte serem alguns dos eventos mais estressantes na vida do animal deve-se procurar minimizar os ruídos durante o transporte. A maioria das antas tende a se deitar durante o transporte desenvolvendo dores musculares após longos períodos naquela posição. Portanto, é importante estimulá-las a se levantar pelo menos duas ou três vezes ao dia. Para animais confinados em caixas, o tempo de transporte deve ser curto, dois dias no máximo a menos que o transporte seja internacional, devido ao fato de suas habilidades de movimentação estarem muito mais restritas.

      2. Cama ou Substrato: Forragem ou outro substrato deve ser colocado no trailer ou na caixa para promover tração para o animal. Se o piso do trailer não possuir uma superfície emborrachada que previna que o animal escorregue, uma grossa camada de feno ou algum outro substrato pode ser espalhado sobre o piso. O transporte das antas em temperaturas extremamente altas não é recomendado, podendo colocar o animal em risco. Em geral, a temperatura permitida para o envio de animais por linhas aéreas é de 29,5°C. É importante lembrar que mesmo quando a temperatura ambiente não pareça extrema, a temperatura dentro da caixa ou da baia pode estar até 12°C mais quente do que externamente, e que o transporte provavelmente não deve se estender em ambientes com temperatura acima de 32°C.




      1. Treinamento para Embarque: Todas as antas devem ser devidamente treinadas a entrarem na caixa antes de seu transporte. O treinamento envolve muitas semanas durante as quais permite-se que o animal tenha acesso à caixa (ou trailer) de transporte sem que esta esteja armada, e de forma que os tratadores possam fechar a porta da primeira vez que o animal entrar na caixa. Muitas antas morrem em caixas de transporte quando não estão devidamente habituadas ao sistema. Se a anta estiver com a mãe, esta deve ser gradualmente separada bem antes do transporte. Os animais não devem ser transportados antes de estarem totalmente confortáveis dentro das caixas de transporte, embora alguns animais nunca permaneçam completamente calmos nestas circunstâncias. Para animais extremamente hiperativos, pode ser necessário sedar levemente o animal antes do transporte, mas isso deve apenas ser feito com a presença de um veterinário experiente, que esteja familiarizado com o uso de fármacos e suas dosagens para antas.




  1. Nutrição:




    1. Dieta: As antas são herbívoras generalistas que selecionam diversas partes vegetais, incluindo folhas e frutas. As antas consomem várias pequenas refeições durante seus períodos ativos, um comportamento que é, em parte, função da capacidade limitada de seu estômago quando comparado a um estômago de ruminante. O trato gastrointestinal fermentador das antas é muito similar ao do cavalo. Uma dieta peletizada comercial para herbívoros (15% proteína bruta, 0,7% de lisina, 21% de fibra detergente ácido, [FDA]) e forragens de legumes (18% de proteína bruta, 30% de fibra detergente ácido [FDA]), suplementada com produtos vegetais disponíveis e plantas colhidas, parece ser adequada para se manter espécimes em cativeiro. Bananas e outras frutas úmidas são alimentos favoritos e podem ser oferecidos como reforço positivo para manejo comportamental (ex. treinamento para entrar nas caixas de transporte e administração de medicamentos). Qualquer dieta padrão de uma anta deve consistir das seguintes porcentagens de tipos de alimento como base:


Feno de legumes (alfafa, < {menos que ou igual a} 18% proteína bruta) 33%
Pelets nutricionalmente completos para herbívoros (12-18% proteína bruta) 33%
Produtos vegetais comerciais e/ou pasto colhido 33%

O peso total da alimentação para consumo diário para uma anta adulta deve ser de aproximadamente 4 a 5% de seu peso corpóreo total.

Média de peso de adultos das quatro espécies distintas:

Espécie

Machos

Fêmeas

Anta de Baird

180-270 Kg

227-340 Kg

Anta Asiática

295-385 Kg

340-430 Kg

Anta Brasileira

160-250 Kg

180-295 Kg

Anta da Montanha

136-227 Kg

160-250 Kg

Todos os produtos vegetais devem ser cortados em pedaços que possam ser mordidos, e devem ser diariamente oferecidos frescos e em comedouros individuais sobre áreas de alimentação cimentadas. Todas as vasilhas de água e comida devem ser duráveis e passíveis de serem lavadas e desinfetadas diariamente. Para reduzir o risco de doenças e parasitos, a alimentação não deve ser servida diretamente no chão.


Observação: Antas de cativeiro têm um histórico de prolapsos retais. A causa do problema ainda precisa ser determinada, mas dietas com baixas percentagens de fibras adequadas (ex. quantidade excessiva produtos vegetais) podem contribuir para o problema. Para minimizar este risco, a dieta não deve incluir grande quantidade de frutas, legumes e verduras. Estes itens possam ser utilizados como agrado, como técnica de enriquecimento ou como uma maneira de administrar medicamentos.
2.1.1 Horários: As alimentações programadas são comumente utilizadas de forma a facilitar treinamento e transporte de indivíduos, colocação de animais dentro de cambeamentos ou para outras necessidades de manejo. Não são requeridas variações na dieta mencionada acima, mas alimentos adicionais (frutas e vegetais frescos, pastagens etc) são apreciados em horários ocasionais estimulando e enriquecendo a dieta rotineira. Alguns cuidados devem ser tomados para se certificar de que os itens alimentares de enriquecimento não sejam oferecidos em quantidades que diminuam o consumo da dieta cuidadosamente balanceada. Para evitar a obesidade, o conteúdo calórico dos alimentos de enriquecimento deve ser fracionado a partir da dieta total. Quando animais são alimentados em grupos, múltiplos comedouros devem ser oferecidos dentro do recinto de forma a prevenir que indivíduos dominantes monopolizem a comida e também para reduzir a agressividade no momento da alimentação.


      1. Detalhes: Todos os componentes alimentares devem ser saudáveis e livres de materiais estranhos, vermes, mofos e contaminação química. Itens alimentares não consumidos devem ser removidos do recinto diariamente e forma a evitar a possibilidade de intoxicação alimentar. Quando possível, as alterações de dieta devem ocorrer gradualmente permitindo um período de transição e reduzindo o risco de problemas digestivos. Quando da transferência de uma anta para uma nova instituição, um suprimento da dieta atual deve ser enviado juntamente com o animal de modo a facilitar a transição para uma nova forragem ou ração. Se uma dieta balanceada é oferecida diariamente através da combinação de rações comerciais peletizadas e suplementos na forma de frutos, legumes etc., a suplementação mineral não é requerida. Para tanto, sais comerciais e barras de minerais podem ser usados quando necessário.

2.2 Água para Beber: As antas são dependentes de água e esta deve ser limpa, potável e estar sempre disponível. Embora as antas normalmente bebam água da piscina, quando disponíveis, vasilhas de água, bebedouros automáticos e piscinas de exibição são adequados como fonte de água fresca. Banheiras e bebedouros automáticos devem ser instalados de forma a prevenir que sejam derrubados ou que falte água. Da mesma forma, banheiras e bebedouros automáticos devem ser corretamente posicionados de forma a oferecer fácil acesso a antas de todas as idades. As banheiras e bebedouros devem ser limpos e sanitizados diariamente para assegurar a disponibilidade de água limpa a toda hora. Múltiplos acessos a fontes de água podem ser necessários para garantir que todas as antas e outras espécies em exibição tenham acesso à água todo o tempo.




    1. Considerações Sociais: Grande parte da literatura relata que as antas apresentam hábitos solitários e noturnos. Entretanto, observações de campo recentes têm demonstrado que as antas são mais ativas à luz do dia e mais tolerantes a seus companheiros do que se acreditava anteriormente. O comportamento social das antas em cativeiro é totalmente dependente das personalidades individuais de cada animal, das experiências passadas, bem como da disponibilidade de comida e tamanho do recinto. Alguns zoológicos apresentam problemas em colocar apenas dois animais juntos enquanto que outros zoológicos conseguem colocar de cinco a dez animais no mesmo recinto. Algumas antas são extremamente agressivas em relação a outras antas e a tratadores, enquanto que outras permitem a aproximação e adoram ser acariciadas. O comportamento da anta pode ser bastante imprevisível e deve-se ter muita atenção ao entrar em recintos onde o animal não esteja sedado. Existem numerosos registros de ataques de antas a tratadores e veterinários resultando em sérias lesões por mordidas, sendo que em alguns casos houve perda de dedos ou mesmo até membros.

2.3.1 Grupos Sociais: A maioria dos zoológicos possui um casal de antas adultas que são mantidas separadas ou juntas. As fêmeas devem ser separadas antes do nascimento do filhote e não devem ser re-introduzidas ao grupo antes do filhote completar três ou quatro meses de idade. As antas são reprodutoras não sazonais, portanto o período não é um fator importante quando se coloca um casal junto. Em alguns casos, o macho reprodutor pode ser introduzido mais cedo, enquanto que em outras situações a re-introdução não é possível antes que o filhote esteja permanentemente separado de sua mãe. Para uma permanência temporária na ausência de uma fêmea, alguns machos adultos podem ser mantidos junto a descendentes machos jovens ou sub-adultos, porém esse arranjo não deve ser permanente.


2.3.2 Emigrações: Como outros grandes ungulados, os machos adultos de anta tendem a expulsar os machos jovens entre 12 e 18 meses. O período desta emigração “forçada” dos machos adolescentes é freqüentemente dependente do tamanho do recinto. Em recintos menores, o macho adulto torna-se intolerante para com os machos jovens mais cedo. Em alguns casos, os machos jovens têm de ser removidos do grupo antes de completar um ano de idade, evitando assim que os machos adultos apresentem sinais de agressividade. Os machos adultos podem perseguir os jovens bem como as fêmeas no cio, portanto, deve haver espaço suficiente para que os animais se separem voluntariamente e barreiras visuais para permitir áreas de descanso para animais submissos. Não deve haver espaços em que um animal possa encurralar outro, ou áreas em que os animais possam ser apanhados por outros animais.
2.3.3 Recintos com Espécies Diferentes: As antas podem ser mantidas juntamente com espécies diferentes desde que o espaço disponível e o fornecimento alimentar sejam suficientes ou excedam as necessidades de todos os animais no recinto. Exemplos bem sucedidos de espécies neotropicais incluem: ema, capivaras, vicunhas, veado-galheiro, aves aquáticas, aves migratórias, tartarugas grandes, tamanduás, primatas e até mesmo o lobo-guará. As antas asiáticas podem ser exibidas com sucesso junto ao veado-ladrador, aves aquáticas, aves migratórias, grous, e primatas como o gibão, langurs e macaco rhesus.
2.3.4 Introduções: Todas as introduções devem ser monitoradas de perto, levando em consideração o comportamento específico dos indivíduos envolvidos. Quando introduzindo animais a um novo estabelecimento, é preferível mantê-los em uma área fora de exibição antes de introduzi-los ao novo recinto. Durante o período de adaptação, o animal se ajusta ao novo ambiente, à comida, à equipe de tratadores e aprende a rotina diária. Deve-se permitir que os animais explorem o recinto em seu próprio ritmo, sendo que eles nunca devem ser forçados a entrar em novos recintos, o que pode causar um estresse desnecessário. As portas do cambeamento devem permanecer abertas para que os animais possam retornar à área de segurança fora de exibição. O estabelecimento de uma alimentação programada facilita este comportamento.
Novos animais devem ter um período de familiarização com outras antas já existentes no local através de introduções preliminares que incluem olfação, visão e tato limitado através de uma barreira de proteção. Quando se introduz um macho a uma fêmea, há potencial de agressão, o qual é indicado através de perseguições e vocalizações. Em geral, é melhor introduzir animais em áreas em que os animais possam permanecer afastados uns dos outros ou onde existam grades ou portas que permitam dividir a área se for necessário separar os animais.


    1. Interação Homem-Animal: Apesar destes animais poderem se tornar habituados à presença de seres humanos ao seu redor e de darem a impressão de serem dóceis, deve-se levar em conta que qualquer anta pode se tornar agressiva e perigosa. É importante que tratadores estejam sempre atentos e que respeitem o tamanho e a força do animal de forma a impedir acidentes. As instituições zoológicas devem promover junto ao público a percepção de que estes animais são espécies exóticas, selvagens e não espécies domésticas ou pets.


2.4.1 Segurança do Tratador: Quando lidando com antas adultas, o tratador deve trabalhar com a mentalidade de “contato protegido”, não dividindo o mesmo espaço na ausência de algum tipo de barreira. Como regra, em recintos onde estejam antas adultas, é recomendável trabalhar em duas pessoas. Tratadores devem também ser cautelosos quando trabalhando próximos a fêmeas, especialmente quando estas estiverem com filhotes. Como é o caso para outras espécies, é importante que o tratador conheça seus animais e fique atento a qualquer circunstância especial que seja relevante. Da mesma maneira, é importante que o tratador esteja atento ao ambiente ao seu redor e tenha sempre em mente uma rota de fuga para o caso de uma situação de perigo.
2.4.2 Espaço: O nível de contato entre o tratador e os animais deve ser ajustado dependendo tanto do temperamento da espécie quanto dos diferentes indivíduos. Quanto maior o espaço para o animal, maior será a tolerância deste para com o tratador. Da mesma maneira, a complexidade do recinto, incluindo fatores como variações no terreno, presença de suportes, barreiras visuais e piscinas têm um papel na utilização do espaço pelo animal. Deve-se ter cuidado para que o espaço no qual o animal vive esteja livre de perigos.


  1. Manejo VETERINÁRIO




    1. Geral: Em geral, as antas possuem poucos problemas de saúde. Os problemas mais comuns que acometem estes animais em zoológicos são ulcerações e infecções nas patas, doenças respiratórias, prolapso retal, problemas em olhos e pele, edema mandibular, problemas dentais e infecções parasitárias. Casos de tuberculose foram registrados para alguns animais. Exames coproparasitológicos devem ser realizados pelo menos duas vezes ao ano. Muitos destes problemas sanitários mais comuns podem ser amenizados ou mesmo eliminados através de boas práticas de manejo incluindo uma dieta adequada, substrato não abrasivo, sombra externa adequada, aquecimento de ambientes internos e condições higiênicas básicas.

Uma enfermidade de agente etiológico desconhecido tem sido registrada em alguns zoológicos. É uma enfermidade aguda que se caracteriza por apresentar bolhas e feridas cutâneas superficiais na linha mediana dorsal do animal. Em alguns casos o animal apresenta fraqueza nos membros posteriores e pode cair ao tentar se movimentar. Com tratamento de suporte a maioria dos animais se recupera totalmente. A realização de biópsia das lesões cutâneas é útil para caracterizar a natureza da doença. A lesão cutânea se recupera rapidamente, contudo as cicatrizes podem permanecer por várias semanas.




    1. Medicina Preventiva: Exames laboratoriais padrão para doenças de eqüinos podem não funcionar para as antas, entretanto é razoável supor que podem ser válidos. Quando a situação requerer, e dependendo das condições do animal e das instalações disponíveis, as antas podem ser levadas para uma área hospitalar para exames clínicos ou mesmo até quarentena. Entretanto, se os cuidados médicos necessários puderem ser realizados sem interferir na dinâmica do casal ou grupo, é preferível permitir ao indivíduo que permaneça dentro ou próximo de sua unidade social.




      1. Exame Físico: O exame físico completo deve ser realizado por um médico veterinário. Este exame deve incluir a avaliação de todos os sistemas, incluindo inspeção oral, oftálmica, membros, e peso do animal (verdadeiro ou estimado). Um método de identificação permanente deve ser utilizado (microchip, tatuagens etc).

      2. Coleta de Sangue:

  1. Hemograma completo, incluindo fibrinogênio e padrão químico sérico.

  2. Banco de soro mínimo de 10ml - todas as amostras do banco devem ser identificadas com o nome da espécie, numero do studbook, idade, sexo e data de coleta.




      1. Análise Fecal: O levantamento parasitário pode ser realizado por teste direto e teste de flutuação para detectar infecções parasitárias. Além disso, o levantamento de patógenos entéricos pode ser realizado através da cultura de fezes.



      1. Teste para Tuberculose: Casos de tuberculose (complexo Mycobacterium tuberculosis) têm sido registrados em antas de cativeiro na América do Norte. Embora não exista um exame ante-morte válido, recomendamos os seguintes passos: lavar a narina com 20ml de solução salina estéril, coletar o líquido por gravidade ou aspiração em um tubo pequeno apropriado. Requisitar cultura micobacteriológica com especiação. Os veterinários das instituições zoológicas de onde os animais estão saindo e para onde estão sendo enviados devem determinar a necessidade de se esperar pelo resultado da cultura anteriormente ao envio. (Pode depender de fatores como história do grupo e disponibilidade de área de quarentena na instituição que vai receber o animal). Opção: fazer teste de tuberculina usando 0,1ml ppd bovino em pele mole, na região inguinal próxima dos mamilos. Ler a reposta por palpação em 72 horas.




      1. Vacinação: As vacinações são indicadas regionalmente para tétano, outras doenças clostridiais e encefalite eqüina. Vacinação para raiva pode ser apropriada em algumas áreas. O vírus da encefalomiocardite tem sido um problema ocasional em zoológicos localizados em regiões de clima quente, com mortes ocorrendo em algumas ocasiões. Devido ao fato de não existir uma vacina licenciada, a única prevenção para o vírus é boa higiene, boa alimentação e controle do vírus.




    1. Recomendações de Pré Transferência e Quarentena: Sempre que possível, os exames anteriores ao envio de um animal para uma outra instituição devem ser realizados com antecedência de 30 a 90 dias da data da transferência. [Observação: culturas micobacterianas exigem 60 dias para resultados finais]. O protocolo mencionado a seguir sugere que testes laboratoriais específicos sejam realizados no intuito de avaliar o estado sanitário atual do animal. Testes adicionais são recomendados para aumentar o conjunto de informações e determinar a sua significância para a saúde das antas. As decisões finais sobre a realização de procedimentos específicos devem ser feitas através de uma parceria entre a instituição que está enviando e a que está recebendo o animal. Qualquer achado anormal deve ser comunicado para a instituição que receberá o animal em tempo cabível.




      1. Histórico: Um sumário da informação a respeito de exames sanitários, problemas médicos, resultados de testes e tratamentos prévios deve ser provido ao zoológico que está recebendo o animal. Uma cópia impressa deste sumário, bem como um disco contendo todos os dados médicos gravados, devem ser enviados para a instituição recebedora previamente ao envio do animal.




      1. Quarentena: É recomendado que antas recentemente adquiridas sejam mantidas isoladas para um período de quarentena antes de sua introdução aos animais da coleção. Geralmente, o período de quarentena para antas recém adquiridas é de 30 dias, podendo ser prolongado caso surja algum problema de saúde. Embora os procedimentos de quarentena variem para as diferentes instituições, exames, testes e profilaxias adicionais são tipicamente realizados durante este período de forma a assegurar que o individuo recém adquirido esteja saudável para sua introdução na coleção. A seguinte lista de veterinários, considerados experientes em saúde de antas, podem ser consultados para recomendações mais recentes com respeito à medicina preventiva, imobilização e estado sanitário destes animais.

Dr. Donald Janssen, San Diego Zoo, Phone: +1-619-557-3932, E-mail: djanssen@sandiegozoo.org

Dr. Sonia M. Hernandez-Divers, Phone: +1-706-548-33414, E-mail: shernz@aol.com

Dr. Scott Citino, White Oak, Florida, Phone: +1-904-225-3387, E-mail: scottc@wo.gilman.com

Dr. Doug Armstrong, Omaha Zoo, Phone: +1-402-733-8401, E-mail: douga@omahazoo.com

Dr. Joe Flanagan, Houston Zoo Inc., Phone: +1-713-533-6628, E-mail: jflanagan@houstonzoo.org


3.4 Doenças Importantes: Doenças infecciosas, parasitárias e não infecciosas das antas estão resumidas nas referências abaixo. A maioria das mortes neonatais é devida a nascimentos precoces, afogamentos, negligência maternal e trauma. Em adultos, as causas principais de mortalidade são doenças gastrointestinais incluindo acidentes intestinais resultando em cólicas. Abscessos mandibulares são comuns em antas. Doenças respiratórias são também importantes causas de mortalidade. Pneumonia é uma causa bastante comum. Diversos casos de tuberculose pulmonar têm sido registrados em instituições zoológicas Norte-Americanas. Problemas envolvendo sistema esquelético como abscessos nas patas, artrite, osteomielite e doenças degenerativas das articulações são também comumente encontradas em instituições da América do Norte. Uma enfermidade de agente etiológico desconhecido tem sido registrada em alguns zoológicos. É uma enfermidade aguda que se caracteriza por apresentar bolhas e feridas cutâneas superficiais na linha mediana dorsal do animal. Em alguns casos o animal apresenta fraqueza nos membros posteriores e pode cair ao tentar se movimentar. Com tratamento de suporte a maioria dos animais se recupera totalmente. A realização de biópsia das lesões cutâneas é útil para caracterizar a natureza da doença. A lesão cutânea se recupera rapidamente, contudo as cicatrizes podem permanecer por várias semanas. Veja as referências abaixo para maiores informações sobre enfermidades de antas.


    1. Captura e Contenção: Muitas antas podem ser habituadas a serem tocadas ou coçadas. Alguns indivíduos podem até mesmo se deitar, permitindo exames físicos e venopunção. Entretanto, o temperamento de diferentes indivíduos varia muito, e mesmo que o animal se deite enquanto o tratador o coça, deve-se sempre ter cautela, pois estes animais são capazes de infligir injúrias sérias com seus dentes.

Uma grande variedade de drogas anestésicas tem mostrado serem bem sucedidas na imobilização de espécies de antas. Anteriormente à última década, o anestésico mais comumente utilizado era a Etorfina. Outros protocolos anestésicos utilizados incluem a combinação de opióides agonistas (Butorfanol) e alpha-2 agonistas adrenérgicos utilizados com sucesso para vários procedimentos. Bom relaxamento muscular ocorre após 10 minutos. A Cetamina pode ser administrada de forma intravenosa caso seja necessária uma contenção adicional. Alpha-2 e narcóticos antagonistas revertem imediatamente os efeitos das drogas mencionadas. A recuperação é geralmente rápida e completa e o animal se levanta de maneira tranqüila. Veja referências abaixo para maiores informações incluindo sugestões de dosagem. Para facilitar processos de introdução ou para pequenos procedimentos com o animal em estação, pode-se utilizar o Azaperone ou Xilazina, embora esta última seja menos confiável.




    1. Necropsia: É recomendado que a necropsia seja realizada por um veterinário experiente. Amostras para histopatologia e outros testes diagnósticos devem ser coletadas durante o exame post-mortem. Uma avaliação detalhada dos sistemas e órgãos mais importantes, e dos resultados histopatológicos obtidos devem ser usados para guiar estudos mais detalhados de amostras post mortem.



4. Reprodução





    1. Nascimento e Cuidado Maternal: Todas as espécies de anta são bastante similares no que diz respeito à biologia reprodutiva e comportamento. Tipicamente, o ciclo estral de uma anta ocorre a cada 28-31 dias e a fêmea dá a luz a um único filhote após uma gestação de 13 meses. Os machos copulam com as fêmeas em estro pelo menos uma vez durante o ciclo e a cópula pode durar até 15-20 minutos. A idade de maturidade sexual está relacionada a fatores ambientais, nutrição e condições de saúde. As fêmeas podem procriar aos 13 meses de idade e os machos aos 24 meses. Devido ao fato de as fêmeas atingirem a maturidade sexual quando ainda muito jovens, elas devem ser separadas dos machos (irmãos, genitores ou quaisquer outros machos) a partir dos 15 meses de idade. Parece não haver um efeito sazonal na reprodução. Se a reprodução é desejada, os machos devem ser introduzidos às fêmeas durante o estro para assegurar que haja reprodução.

O comportamento reprodutivo varia muito e depende da idade, experiência e compatibilidade reprodutiva do casal. Muitas antas apresentam um comportamento de correr e beliscar antes da cópula propriamente dita e precauções devem ser tomadas para se evitar lesões. As áreas de reprodução e introdução devem ser livres de perigos potenciais e de quaisquer aberturas onde cabeça ou patas dos animais possam ficar presas. Algumas antas copulam em águas rasas enquanto outras se reproduzem em terra. As fêmeas de anta podem apresentar um estro pós-parto e são capazes de conceber dentro de um a três meses após dar a luz. Os intervalos entre nascimentos podem ser tão curtos quanto 14 meses para o caso de antas em cativeiro. Filhotes de antas estão completamente desmamados (e se alimentando de comidas sólidas) aos quatro meses de idade.


Todos as antas recém nascidas são cobertos por listras e pintas brancas e são completamente brancas no ventre, peito e pescoço, o que serve como camuflagem a predadores na natureza. Esta coloração começa a desaparecer aos três meses de idade e aos seis meses desaparece por completo.



    1. Manejo Pré-Natal: As fêmeas devem ser separadas do(s) macho(s) algumas semanas antes do parto. Deve-se construir barricadas ao redor de piscinas de forma a evitar acidentes de afogamento de recém nascidos. Dependendo da personalidade dos pais, fêmeas acompanhadas de filhotes jovens podem ser re-introduzidas aos machos cerca de um a três meses após o nascimento, desde que antes dessa re-introdução haja uma aproximação feita por contatos visuais e olfativos.

Fêmeas de anta são normalmente boas mães, mas fêmeas com primeira cria ou fêmeas que tenham sido criadas por seres humanos possuem uma alta incidência de negligência materna para com seus filhotes. As antas dão à luz após um trabalho de parto curto. Os filhotes são normalmente pequenos ao nascerem pesando normalmente entre cinco e 11 quilos. Os filhotes em geral são capazes de se levantar dentro de uma ou duas horas após o nascimento e empreendem freqüentes tentativas para encontrar os tetos de sua mãe. As fêmeas devem se deitar de lado de forma a permitir que o filhote mame. Mães inexperientes podem requerer que os tratadores as cocem até que se deitem, e que os filhotes sejam posicionados manualmente em seus tetos.


As mães amamentam seus filhotes de 5 a 10 vezes a cada 24 horas. Cada turno de amamentação pode durar até 10-15 minutos. É muito comum que ambos, filhote e mãe, adormeçam na posição de amamentação. Filhotes recém nascidos crescem rapidamente e dobram seu peso corporal com 14-21 dias de nascimento. Pequenos pedaços de frutas e vegetais podem ser oferecidos a filhotes com duas semanas de idade.
Filhotes recém-nascidos devem ser providos com recintos aquecidos (27-30ºC) e nunca devem ser deixados em chão de concreto frio. Pisos de chão batido ou forragem com feno provêm isolamento e uma superfície não escorregadia para o recém-nascido. Os filhotes não devem ter acesso à piscina por pelo menos uma semana após o nascimento.


    1. Parto: Para as antas, é bastante difícil prever precisamente a data do nascimento. Edema vulvar e secreção de mucos podem preceder o parto em duas ou três semanas. O úbere também ficará aumentado nas últimas semanas. A fêmea deve ser isolada do macho um pouco antes do nascimento e permanecer separada junto ao filhote por pelo menos uma semana. As antas normalmente dão a luz a um único filhote, embora a ocorrência de gêmeos seja possível podendo resultar em um parto distócico. O trabalho de parto é normalmente curto e um filhote saudável deve estar em pé dentro de poucas horas após o nascimento. O ambiente em que o filhote irá nascer é crítico para a sobrevivência neonatal. Mortes neonatais por hipotermia, trauma, afogamento e septicemia são passíveis de ser prevenidas. Um substrato próprio de solo batido, piso de borracha ou cama de palha é importante para prevenir hipotermia e traumas. A amamentação ocorre com a fêmea em decúbito lateral e deve começar nas primeiras 2 a 5 horas após o nascimento.

Exames neonatais são úteis para avaliar o estado geral de saúde e determinar o sucesso da transferência de imunoglobulina pela mãe. Pode ser um desafio coletar sangue de um relutante filhote recém nascido. A veia jugular é normalmente a melhor via para venopunção em neonatos. A coagulação do glutaraldeído realizada no soro irá testar a presença de imunoglobulinas adequadas. Em casos em que os filhotes não consigam amamentar é possível estimular a fêmea a deitar-se e então colocar o filhote em seus tetos.




    1. Criação por Seres Humanos: Embora se deva permitir que as fêmeas cuidem de seus filhotes recém-nascidos sempre que possível, os filhotes podem ser alimentados por tratadores quando as fêmeas não demonstrarem interesse em cuidar de suas crias. Filhotes criados por seres humanos podem ainda ser capazes de se reproduzir e, em geral, não costumam ter problemas comportamentais como é o caso de outras espécies mais sociais. Independentemente da técnica utilizada para a criação do filhote, pelos pais ou por seres humanos, deve-se realizar um exame geral de saúde 1 a 3 dias após o nascimento de forma a verificar a condição do neonato. Tais exames devem incluir auscultação pulmonar e cardíaca, nível de hidratação, reflexo de mamar, temperatura (hiper ou hipotermia), hérnia umbilical, padrão hematológico, e estado das imunoglobulinas. O umbigo deve ser mergulhado em solução de iodo a 3% para prevenir infecções. Jovens devem ser pesados regularmente para monitorar o crescimento.




    1. Contracepção: Em alguns casos pode ser desejável prevenir que as antas se reproduzam. Se possível, separar o macho da fêmea é a maneira mais simples de se fazer isto. Castração, implantes de acetato de melengestrol, injeções (5mg/kg a cada três meses) de acetato de medroxyprogesterona (Depo-Provera, Upjohn) e atrogenogest (Regumate) 0/22% oral têm sido utilizados com níveis variáveis de sucesso em antas.


5. Manejo Comportamental


    1. Técnicas para Manejo: As antas podem ser facilmente treinadas, através de enriquecimento comportamental, a permitir exames rotineiros em boa parte de seu corpo e dentição, coleta de sangue e vacinações. O processo de treinamento pode ser feito através do oferecimento de comida, mas as antas também respondem muito positivamente se a coçarem durante o exame físico. As antas podem também ser ensinadas a subir em balanças para a obtenção regular de peso.




    1. Segurança: As antas demonstram pouca expressão e geralmente exibem um comportamento pacífico. Contudo, alguns indivíduos podem atacar sem aviso algum e causar lesões sérias em membros da equipe. Certos indivíduos podem ser extremamente agressivos e pode ser necessário transferi-los para outros locais antes de se realizar qualquer serviço no recinto, especialmente no caso de recintos pequenos. Se for necessário entrar em um recinto onde esteja um animal, tal procedimento deve ser realizado com no mínimo duas pessoas, sendo que uma delas deve estar familiarizada como o animal e com o recinto, e deve levar consigo um rádio para comunicação.




    1. Introduções: Antas não devem ser introduzidas antes de terem passado por várias semanas de contato uma com a outra (visual e olfativa). Mesmo quando dois animais forem compatíveis, a equipe deve sempre ter disponíveis mangueiras de água e de fogo, de forma a separar possíveis brigas no início da introdução. É importante mencionar que tanto os machos quanto as fêmeas podem ser agressivos e que o tamanho não é um fator determinante.

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