Sexo e evoluçÃo walter barcelos índice explicaçÃo sexo e evoluçÃo prefácio perfil de um livro apresentação Introdução relaçÃo de números correspondentes das obras consultadas capítulo 1 = senhor



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SEXO E EVOLUÇÃO WALTER BARCELOS ÍNDICE EXPLICAÇÃO SEXO E EVOLUÇÃO Prefácio - PERFIL DE UM LIVRO Apresentação Introdução RELAÇÃO DE NÚMEROS CORRESPONDENTES DAS OBRAS CONSULTADAS CAPÍTULO 1 = SENHOR! EDUCA NOSSA SEXUALIDADE! CAPÍTULO 2 = O SEXO NA VIDA UNIVERSAL CAPÍTULO 3 = A SEDE REAL DO SEXO CAPÍTULO 4 = A ALMA FEMININA CAPÍTULO 5 = SEXO E DESEQUILÍBRIO CAPÍTULO 6 = INCONTINÊNCIA SEXUAL E DOENÇAS CAPÍTULO 7 = ADULTÉRIO E INDULGÊNCIA CAPÍTULO 8 = PROSTITUIÇÃO E REEDUCAÇÃO ESPIRITUAL CAPÍTULO 9 = HOMOSSEXUALIDADE E REENCARNAÇÃO CAPÍTULO 10 = ABUSO DO SEXO E EXPIAÇÃO CAPÍTULO 11 = AMOR LIVRE E RESPONSABILIDADE CAPÍTULO 12 = SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA CAPÍTULO 13 = ROGATIVA PARA A RENOVAÇÃO JUVENIL CAPÍTULO 14 = SEXO E EDUCAÇÃO CAPÍTULO 15 = INSTITUTO DE REEDUCAÇÃO SEXUAL NO PLANO ESPIRITUAL CAPÍTULO 16 = SEXO E AMOR CAPÍTULO 17 = SEXO E ESTÍMULO CAPÍTULO 18 = SEXO E MATRIMÔNIO CAPÍTULO 19 = SEXO E MATERNIDADE CAPÍTULO 20 = ABORTO E JUSTIÇA DIVINA CAPÍTULO 21 = ABSTINÊNCIA SEXUAL E APERFEIÇOAMENTO CAPÍTULO 22 = EVOLUÇÃO DO INSTINTO SEXUAL CAPÍTULO 23 = ENERGIA SEXUAL E SUBLIMAÇÃO CAPÍTULO 24 = LEMBRETES AO EXPOSITOR EXPLICAÇÃO A obra SEXO E EVOLUÇÃO, agora apresentada em 3ª edição (1ª edição pela Editora da Federação Espírita Brasileira), sofreu cuidadosa revisão, quer nos trechos extraídos de livros de Chico Xavier, quer na redação do próprio Autor, Walter Barcelos. As edições anteriores foram publicadas pela Editora Espírita Cristã FONTE VIVA, de Belo Horizonte, MG. Esta Editora e o Autor repassaram à FEB os direitos patrimoniais da obra em questão, dando-nos o Autor permissão para revisá-la, em pequenos senões que em nada alteram o conteúdo e os objetivos maiores da obra. Foi feito layout para uma nova capa, que apresenta o triângulo afetivo pai, mãe e filho, como que a simbolizar a finalidade do sexo: a família. Vários outros aspectos ligados à função sexual são debatidos, todos recebendo esclarecimentos à luz da Doutrina Espírita. A Federação Espírita Brasileira acredita que SEXO E EVOLUÇÃO continuará a merecer a acolhida entusiasmada dos estudiosos em geral. A Editora Rio, outubro de 1994. SEXO E EVOLUÇÃO “Ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo.” Emmanuel (“O Consolador” — F. C. Xavier — FEB — Pergunta 184.) “Ainda assim, mergulhado em deploráveis desvios, pergunta o homem pela educação sexual, exigindo-lhe os programas. Sim, semelhantes programas poderão ser úteis; todavia, apenas quando espalhar-se a santa noção da divindade do poder criador, porque, enquanto houver imundície no coração de quem analise ou de quem ensine, os métodos não passarão de coisas igualmente imundas.” Emmanuel (“Pão Nosso” — F. C. Xavier — FEB — Lição: 94 — Sexo.) Prefácio PERFIL DE UM LIVRO O livro ‘Sexo e Evolução”, de Walter Barcelos, da bela cidade de Uberaba, consubstancia o resultado de minuciosa pesquisa e sua conseqüente análise sobre a questão sexual, matéria delicada e complexa, mas, nem por isso, inabordável aos estudiosos. O tema sempre teve, em todos os tempos, a mais compreensível significação para o Lar, a Família, a Sociedade, enfim, para todos os Grupos Humanos, sendo notório que, em nossos dias, quando profundas e vitais transformações se operam em todos os segmentos comunitários, tenha ele e suas múltiplas conexões adquirido indisfarçável importância. Evidencia-se, na contextura da obra, a judiciosa análise que a norteia, baseada na excelente fonte em que se inspira o autor: conceitos de Allan Kardec, inseridos na Codificação Espírita, e princípios constantes de mensagens psicografadas por Francisco Cândido Xavier, que fundamentam ensinos da maior valia sobre a temática objeto do livro, e nos indicam a necessidade de lhe compreendermos a sagrada função (Emmanuel, “O Consolador”), a nível das diretrizes espíritas-cristãs, conscientizando-nos, igualmente, quanto à justa preocupação do Plano Espiritual pelos rumos pertinentes, que se baseiam em parâmetros predominantemente materialistas. O gabarito moral e a cultura filosófica, científica e religiosa de Emmanuel, de cuja equipe fazem parte André Luiz e outros luminares do Mundo Maior, conferem-lhe e aos demais inconcussa autoridade para instituírem e consagrarem uma fonte de consulta da maior confiabilidade. Louvável, portanto, a nosso ver, a sensatez do autor procurando embasar o seu estudo — e o fez muito bem — em fonte fértil em luminosas torrentes aclaradoras do tema. A leitura da obra faz-nos antever o seu êxito, isto porque Walter Barcelos, em criterioso trabalho seletivo, tece apreciações de ótimo conteúdo, entregando assim ao público magníficas elucidações à luz abençoada do Evangelho e da Doutrina Espírita. Quando escrevíamos estas linhas, currente calamo, em forma de prefácio, pensamos em anteciparmos aos futuros leitores o prévio conhecimento de algumas considerações expendidas pelo autor, contudo, desistimos de tal comportamento, em face do raciocínio óbvio: Por que privá-los de recolherem, eles mesmos, do próprio livro, no silêncio de singela sala ou de vistoso gabinete, a preciosa água do esclarecimento!... O esforço da pesquisa foi, certamente, afanoso, por isso mesmo meritório; os frutos dela advindos, porém, serão espiritualmente gratificantes para o autor, essencialmente sob o ponto de vista do “prêmio da consciência tranqüila”, ante o dever bem cumprido. Walter Barcelos aprofundou interpretações, focalizando várias nuanças pertinentes ao tema, circunstância que propiciará aos leitores construtivas meditações, indutivas ao reequilíbrio mento-conceptual, pela descoberta do próprio caminho, em termos mais altos, sob o ponto de vista do sexo. “Sexo e Evolução” é obra séria, objetiva, amena, nela não se vislumbrando aridez descritiva, pesada; todavia, se aridez nela houvesse, lá estaria para amenizá-la o sugestivo poema “Senhor Educa a nossa sexualidade!”, que Walter Barcelos modelou com o cinzel da inspiração, incluindo-o entre os magníficos capítulos. Deus abençoe o talento e a dedicação do companheiro uberabense, a quem, fraternalmente abraçando, parabenizamos, desejando sucesso ao livro junto às mentes e aos corações. E, como as nossas almas devem estar sempre visualizando o Alto, em postura de gratidão, rogamos a Jesus, Senhor e Mestre, ilumine os Espíritos que constituíram opulenta literatura sobre a delicada faceta da vida humana, plena de sonhos e esperanças, facultando a elaboração de um compêndio de real serventia moral-intelectual, numa época conflitante, como a atual, quando a temática do sexo recebe, de autores não-espíritas, enfoques nem sempre adequados e consentâneos com a realidade evangélico-doutrinária, por se alhearem do prisma espiritual, que enobrece o ser humano. Belo Horizonte, 2 de setembro de 1992. JOSÉ MARTINS PERALVA Vice-Presidente da União Espírita Mineira Apresentação Não podemos ignorar, de forma alguma, a questão sexual na atualidade, sobretudo porque a sexualidade exerce influência muito importante na vida do casal. Inúmeras dificuldades podem ser prevenidas se o homem e a mulher adquirirem uma compreensão maior desta questão. Não basta, entretanto, uma visão apenas material do sexo; é necessário, sobretudo, compreendê-lo sob o ponto de vista espiritual. O companheiro de lides espírita Walter Barcelos, há bastante tempo, compreendeu a necessidade de estudar a fundo as questões relacionadas à família. Este livro enfoca um dos ângulos deste estudo. O presente livro não é apenas uma compilação, mas uma pesquisa bibliográfica seguida de amplos comentários que ajudam o leitor a melhor compreender as instruções dos Espíritos sobre o tema. Um dos aspectos positivos de seu trabalho é o de permanecer fiel às obras idôneas, plenamente aceitas pelos espíritas mais estudiosos e sensatos; outro é o de ser uma pesquisa bastante abrangente. Os vários ângulos da questão aqui abordada são de grande importância, não so para aqueles que estejam planejando formar um lar, mas também para os que já o constituíram, porqüanto tudo o que aprendermos a mais nos ajudará a viver melhor e a aproveitar bem a nossa experiência na Terra. Dispõe, pois, o leitor de mais uma obra para ampliar os seus conhecimentos sobre a questão sexual, para compreendê-la sob o ângulo espiritual. Temos a certeza de que “Sexo e Evolução” será extremamente útil para todos os que o compulsarem. DR. UMBERTO FERREIRA Goiânia, setembro de 1988. Introdução Em virtude da grande necessidade de estudos mais vastos e aprofundados sobre o tema SEXO, que as experiências dolorosas do instinto sexual desorientado nos dias de hoje estão a exigir, e estimulado pela riqueza de lições esclarecedoras que os Espíritos Superiores nos oferecem, na atualidade, é que resolvemos grafar alguns estudos em torno deste fascinante e maravilhoso assunto. O tema SEXO não é um assunto fácil para se estudar e muito menos para se escrever — primeiro, pela dificuldade de interpretar o que os Espíritos nos querem transmitir; segundo, porque precisamos escrever buscando a Luz maior em Espírito e Verdade, abandonando preconceitos, superando tabus e vencendo também o falso receio de aprofundar o entendimento da sexualidade à luz da Doutrina Espírita. Analisemos as palavras bastante elucidativas do respeitável e sábio médium Chico Xavier, respondendo a questão nº 43 do livro “Entrevista”; Pergunta: “O Espiritismo não deverá contribuir para que o problema sexo deixe de ser um tabu? Resposta: “Os Benfeitores da Vida superior esclarecem que o Espiritismo contribuirá, decisivamente, para que OS TEMAS DO SEXO SEJAM TRATADOS NO MUNDO, COM O DEVIDO RESPEITO, sem tabus que patrocinem a hipocrisia e sem a irresponsabilidade que impele à devassidão.” Este livro originou-se de um longo trabalho, através de artigos que escrevemos para o jornal “A Flama Espírita”, da cidade de Uberaba-MG, no período de junho de 1983 a novembro de 1986. Somente iniciamos estes trabalhos de redação, por aquele periódico, depois que concluímos a pesquisa e catalogação de vasto material doutrinário sobre a sexualidade, principalmente nas obras de Allan Kardec e nas psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier. Em todos os temas estudados, nos diversos capítulos deste livro, buscamos focalizar mais os esclarecimentos no campo moral e espiritual do que propriamente o aspecto fisiológico, o qual já é sobejamente pesquisado, comprovado e divulgado pela Ciência terrestre. O nosso principal objetivo, dentro daquilo que nos propomos a escrever sobre SEXO, é, em primeiro lugar, interpretar os ensinamentos dos Espíritos. Deste modo, explica-se o bom número de textos extraídos de ensinamentos dos Espíritos Superiores, contidos em cada capítulo, enriquecendo a análise do leitor e a ampliação das idéias sobre Sexualidade com Doutrina Espírita, no campo infinito do espírito imortal e nos processos profundos da evolução na Vida Universal. Dentre os vários assuntos a serem estudados pelos espíritas, o tema SEXO é um dos mais necessários na atualidade. Há de chegar uma época em que estudaremos com mais amor e carinho este assunto, sob as luzes da Doutrina Espírita, que ilumina e disciplina nossas manifestações afetivas e sexuais, realizando estudos sistematizados em nossas Casas Espíritas, buscando o entendimento da Verdade e a EVOLUÇÃO de nossas vidas, para manifestações afetivas mais elevadas. Muito antes de empreendermos a elaboração deste programa de estudos, foi recebida uma mensagem do amigo espiritual que se denominou “Caminheiro de Agostinho”, através do médium psicógrafo Celso de Almeida Afonso, no Centro Espírita “Aurélio Agostinho”, onde militamos, a qual incentivava a equipe a estudar o tema SEXO à luz da Doutrina Espírita, da qual extraímos o seguinte trecho: “Vamos escolher a melhor escola para o sexo, que é a CASA ESPÍRITA, onde, com o Evangelho de Jesus, poderemos educar-nos neste mecanismo de reprodução, que ainda é o maior projeto obsessivo, devido às suas dificuldades.” O sexo é a força da própria Vida, e os temas: CRIAÇÃO, VIDA E SEXO se conjugam no mesmo processo divino de luz, progresso, felicidade e evolução. A energia sexual nos acompanhará em toda a nossa trajetória de ascensão espiritual para a Vida Superior, até alcançarmos a angelitude, porque o sexo faz parte da essência da vida no Universo. O objetivo maior destas páginas humildes, mas sinceras, é buscar uma compreensão mais vasta do instinto sexual e também o roteiro de educação e aperfeiçoamentO à luz da Doutrina Espírita, em benefício de nossas almas imensamente endividadas nas manifestações afetivas, ante as Leis Divinas. Que o Divino Mestre e Senhor Jesus-Cristo nos abençoe. WALTER BARCELOS Uberaba-MG, abril de 1988 RELAÇÃO DE NÚMEROS CORRESPONDENTES DAS OBRAS CONSULTADAS No final de cada trecho transcrito de uma obra consultada, colocamos entre parênteses, dois números. O primeiro corresponde ao nome do LIVRO, O segundo, à referência para pesquisa: PERGUNTA, CAPÍTULO, LIÇÃO ou PÁGINA, de acordo com o que a obra oferece. EXEMPLOS: 1. (01.150) — Nº 01 — “O Livro dos Espíritos” / Allan Kardec — Nº 150 — Questão 150. 2. (26.11) — Nº 26 — “No Mundo Maior” / André Luiz / F. C. Xavier — Nº - Capítulo 11 — Sexo. 3. (23.18)1 P) — Nº 23 — “Evolução em Dois Mundos” / André Luiz / F. C. Xavier — Nº 18 — Capítulo 18 — Sexo e o corpo espiritual — Nº 1P —1ª Parte. 4. (13.133) — Nº 13 — “Religião dos Espíritos” / Emmanuel / F. C. Xavier — Nº 133 - Página 133 — Sexo e Amor. * 01. “O Livro dos Espíritos” — Allan Kardec — FEB — 74ª Edição, 1994 - QUESTÃO 02. “O Evangelho segundo o Espiritismo” — Allan Kardec — FEB – 108ª Edição, 1994 - CAPÍTULO 03. “O Céu e o Inferno” — Allan Kardec — FEB — 38ª Edição, 1992 - CAPÍTULO 04. “Revista Espírita” — Jornal de Estudos Psicológicos — Allan Kardec Editora: Edicel – ANO Nº DO MÊS 05. “A Terra e o Semeador” — Emmanuel / F.C. Xavier — Editora: IDE — 1ª Edição, 1975 - PERGUNTA 06. “Ave, Cristo!” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB — 4ª Edição, 1972 - CAPÍTULO 07. “Caminho, Verdade e Vida” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB — 13ªEdição, 1989 - LIÇÃO 08. “Emmanuel” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB — 16ª Edição, 1994 - CAPÍTULO 09. “Escrínio de Luz” — Emmanuel / F. C. Xavier — Editora: O Clarim — Edição: 1973 - LIÇÃO 10. “Estude e Viva” — W. Vieira / F. C. Xavier — Emmanuel / André Luiz — FEB — 7ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 11. “Leis de Amor” — Emmanuel / F. C. Xavier — Editora: FEESSP — 8ª Edição, 1980 - PERGUNTA 12. “O Consolador” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB — 16ª Edição 1993 - PERGUNTA 13. “Religião dos Espíritos” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB —9ª Edição, 1993 - PÁGINA 14. “Renúncia” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB – 21ª Edição, 1994 – CAPÍTULO / 1ª OU 2ª PARTE 15. “Roteiro” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB — 8ª Edição, 1989 - LIÇÃO 16. “Rumo Certo” — Emmanuel/ F. C. Xavier — FEB — 5ª Edição, 1991 - LIÇÃO 17. “Vida e Sexo” — Emmanuel / F. C. Xavier — FEB —14ª Edição, 1993 - LIÇÃO 18. “Ação e Reação” — André Luiz / F.C. Xavier — FEB — 14ª Edição, 1991 - CAPÍTULO 19. “Agenda Crist㔠— André Luiz / F. C. Xavier —FEB — 30ª Edição, 1993 - LIÇÃO 20. “Desobsessão” – André Luiz / F. C. Xavier / Waldo Vieira – FEB – 14ª Edição, 1993 - LIÇÃO 21. “E a Vida Continua” – André Luiz / F. C. Xavier – FEB – 20ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 22. “Entre a Terra e o Céu” — André Luiz / F. C. Xavier – FEB – 15ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 23. “Evolução em Dois Mundos” – André Luiz / F. C. Xavier / Waldo Vieira – FEB – 13ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 24. “Mecanismos da Mediunidade” – André Luiz / F. C. Xavier – FEB – 12ª Edição, 1991 - CAPÍTULO 25. “Missionários da Luz” — André Luiz / F. C. Xavier — FEB — 24ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 26. “No Mundo Maior” — André Luiz / F. C. Xavier — FEB — 18ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 27. “Nosso Lar” — André Luiz / F. C. Xavier — FEB — 42ª Edição, 1994 - CAPÍTULO 28. “Os Mensageiros” — André Luiz / F. C. Xavier — FEB — 26ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 29. ”Sexo e Destino” — André Luiz / F. C. Xavier / Waldo Vieira — FEB — 16ª Edição, 1993 - CAPÍTULO 30. “Sinal Verde” — André Luiz / F. C. Xavier — FEB — 13ª Edição, 1983 - LIÇÃO 31. ”Boa Nova” — Irmão 10º / F. C. Xavier — FEB — 19ª Edição, 1992 - LIÇÃO 32. ”Reportagens de Além-Túmulo” — Humberto de Campos / F. C. Xavier — FEB – 8ª Edição, 1992 - LIÇÃO 33. “Coletânea do Além” — Espíritos Diversos / F. C. Xavier — Editora: FEESP — 1ª Edição, 1981 – LIÇÃO 34. “Ideal Espírita” — Espíritos Diversos / F. C. Xavier — Editora: CEC — 8ª Edição, 1982 - LIÇÃO 35. “Instruções Psicofônicas” — Espíritos Diversos / F. C. Xavier — FEB — 6ª Edição, 1991 - LIÇÃO 36. “Lindos Casos de Chico Xavier / Ramiro Gama” — Editora: LAKE — 12ª Edição, 1981 - LIÇÃO 37. ”Mãe” — Espíritos Diversos / F. C. Xavier – Casa Editora O Clarim – 2ª Edição, 1971 - PÁGINA 38. “Na Era do Espírito” — F. C. Xavier / J. Herculano Pires — Editora: GEEM — 2ª Edição, 1973 - LIÇÃO 39. “Seareiros de Volta” — Espíritos Diversos / Waldo Vieira — FEB — 5ª Edição, 1993 - PÁGINA 1 SENHOR! EDUCA NOSSA SEXUALIDADE! Senhor Jesus! Mestre do Amor Perfeito Auxilia-nos, Na educação gradativa Do instinto sexual, Para que nós, humanos, Sejamos realmente felizes. Esclarece, Instrutor Divino, Na escola sagrada do lar, Aos pais — primeiros educadores, Com teu maravilhoso Evangelho, Para que a educação sexual No recinto doméstico Não seja uma dourada ilusão. Que alcance o coração infantil, Desde seus primeiros dias, Com a palavra amorosa Rica de noções evangélicas, Amor, orientação, Corrigenda e disciplina. Fortalece, Mestre da Eterna Juventude, Os jovens adolescentes, Na recapitulação necessária Das experiências sexuais De vidas passadas, Pela resistência moral, Para que não se escravizem De forma triste e perturbadora Aos incontidos prazeres carnais, Intoxicando e danificando As engrenagens da alma. Abençoa, Mestre da Afeição Sublimada, Os jovens namorados No cultivo dos sentimentos puros, Para doarem sempre: Afeição sincera, alegria, Respeito e entendimento, A fim de que Os laços da atração Não fiquem restritos Somente às expressões Do contato corpo a corpo, Que se podem desvanecer Com a primeira dificuldade. Ilumina, Mestre de Sentimento Puro, A união afetiva dos cônjuges, No corpo — a lei divina material, No espírito — a lei divina moral. Que eles busquem Doar também, Cada vez mais, Os valores espirituais, Descobrindo prazeres nobres Com a permuta constante Da bondade e do perdão, Do carinho e da gentileza, Da paciência e do respeito, Do amor e da humildade. Que a dupla amorosa Reconheça sempre Que casar, em essência, E serviço e construção Para todos os dias, Com os materiais sutis Extraídos com fé Do santuário do coração. Obrigado, Senhor, Pelas riquezas imensas De luz, verdade e amor Que deixaste na Terra Para a felicidade humana. Que saibamos honrar Teu sacrifício supremo, Legando-nos, O Tesouro Celeste Para construirmos O verdadeiro paraíso No templo da alma. Mais uma vez pedimos: Dá-nos forças, Senhor, Para educar e sublimar A energia sexual Com tua Divina Luz, Hoje e sempre. Assim seja. 2 O SEXO NA VIDA UNIVERSAL “O sexo, portanto, como qualidade positiva ou passiva dos princípios e dos seres, é manifestação cósmica em todos os círculos evolutivos.” — André Luiz (25.13) 2.1 — Espiritismo e a ignorância sexual O Espiritismo veio na época predita por Jesus, a fim de recordar e reavivar todos os seus ensinamentos, que foram esquecidos, e esclarecer muitos outros pontos importantíssimos no campo do conhecimento espiritual, que a Humanidade tinha condições de receber. Dentre os vários assuntos esclarecidos pela nova doutrina, temos o tema sexo, sobre o qual os Espíritos nos oferecem um riquíssimo material para estudos, dissipando dúvidas, incertezas e preconceitos, clareando os caminhos ainda sombrios da afetividade humana. Diante do que o Espiritismo nos oferece na atualidade, no campo do esclarecimento sexual, a visão das criaturas humanas sobre a missão sagrada do sexo ainda é muito limitada e obscura, reinando profunda ignorância. Para a maioria dos homens, o conhecimento sobre sexo está restrito às suas manifestações primárias, onde surgem o desequilíbrio, a viciação e a devassidão moral. É o que nos fala o Espírito André Luiz: “Não podemos, dessa forma, limitar às loucuras humanas a função do sexo, pois seríamos tão insensatos quanto alguém que pretendesse estudar o sol apenas por uma réstia de luz filtrada pela fenda de um telhado.” (18.15) Na quase totalidade, conhecemos atualmente o sexo, tal como alguém que se gabasse de conhecer uma imensa floresta, por ter analisado tão-somente algumas humildes ervas encontradas em seus primeiros passos na mata virgem. Não devemos restringir as funções sagradas do sexo às manifestações biofisiológicas e aos desequilíbrios comuns da afetividade humana. Para estudar e compreender sexo com Doutrina Espírita, é necessário deslocarmos nossa visão do campo estritamente fisiológico e projetá-la no campo ilimitado do Espírito imortal. 2.2 — O Sexo na Vida Universal Sexo é fundamento da Vida Universal. Encontra-se nas origens da própria vida, a qual é emanada do Criador. É o que nos esclarece o Espírito André Luiz: “Criação, vida e sexo são temas que se identificam essencialmente entre si, perdendo-se em suas origens no seio da Sabedoria Divina.” (18.15) A energia sexual está intimamente ligada a todo princípio de vida, em todos os graus evolutivos, tanto no planeta Terra como em todos os recantos do Universo. O sexo, na essência, é energia divina. Força da vida, encontra-se na base de todos os processos de evolução dos seres. Elucida-nos o Espírito Em-manuel: “(...) Os estímulos genésicos (...) são ingredientes da vida e da evolução, criados pela mesma Providência Divina para a sustentação e a elevação de todos os seres” (17.25) 2.3 — Magnetismo, atração sexual e evolução A evolução de todos os seres está condicionada aos recursos do sexo, que se desenvolvem e se aperfeiçoam, no curso dos milênios, impulsionados pela Lei de Deus, que é a de progresso para todos os seres do Universo. É através dos recursos magnéticos do sexo que as criaturas humanas e todos os seres dos reinos inferiores se atraem uns aos outros, formando os casais e conseqüentemente as famílias, garantindo a preservação da vida no planeta e no Universo. Fala-nos o iluminado Espírito Emmanuel: “A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, à face das potencialidades criativas de que se reveste.” (17.05) 2.4 — Sexo: Energia Divina O sexo é energia da própria vida. Todos nós somos chamados a administrá-la em nós mesmos e somos responsáveis pelo que fazemos com ela. A energia sexual está tão ligada às profundezas da vida, que nos diz André Luiz: “Examinado como força atuante da vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros porque, então, expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus.” (18.15) A energia divina do sexo, expressando força de amor gerada pelo amor infinito de Deus, tanto existe na lei de atração entre os elementos químicos quanto no magnetismo planetário de atração, que dá harmonia aos mundos no espaço cósmico. Sentimos dificuldades de entender a grandeza do sexo na Vida Universal, em virtude de reduzirmos suas funções unicamente a determinados órgãos e sensações do corpo físico. Encontramo-nos ainda muito distanciados das belezas das leis divinas em nossa própria vida afetiva. Se as águas de um rio, em quase toda a sua extensão, são poluídas, colocando em risco a vida dos animais e do próprio homem, que dela se servem, não podemos dizer o mesmo com relação à sua nascente, cujas águas serão naturalmente claras e puras. Assim devemos ver também a energia sexual que, no seu estado de maior pureza, faz parte das forças que proporcionam o equilíbrio da vida universal. A grandeza chega a tal ponto que os Espíritos se referem também à energia sublimada de nosso Mestre e Senhor Jesus-Cristo pelas palavras de André Luiz: “E a própria influência do Cristo, que se deixou crucificar em devotamento a nós outros, seus tutelados na Terra, para fecundar de luz a nossa mente, com vistas à divina ressurreição, não será, na essência, esse mesmo princípio, estampado no mais alto teor de sublimação?” (18.15) O sexo na Terra não será sempre o que sentimos, vivemos e experimentamos, na ignorância de paixões e vícios, pois a Lei de Deus, que é de progresso para todos, nos favorecerá sempre para conquistarmos valores mais altos, de relacionamento afetivo, na construção de nossa verdadeira felicidade. 3 A SEDE REAL DO SEXO “Sexo é espírito e vida, a serviço da felicidade e da harmonia do Universo.” — Emmanuel (17.01) A energia sexual que, na essência, é energia divina, tendo como base a lei de atração, manifesta-se em todos os seres, garantindo a perpetuidade da vida no Universo, promovendo em toda parte a evolução, o progresso e a felicidade. 3.1 — Definição de sexo A definição primária da palavra sexo, segundo o dicionário é: “Diferença física e constitutiva do homem e da mulher, do macho e da fêmea.” Esta definição é baseada unicamente no aspecto físico, diferenciando a condição orgânica do masculino e do feminino. 3.2 – Constituição da criatura humana Para a Doutrina Espírita, a criatura humana não é somente matéria, pois ela é formada de corpo físico, corpo espiritual e espírito. Destes três, o espírito é o comandante, o gerente absoluto, da organização psicossomática. Quem sobrevive após a morte e a destruição do corpo é o Espírito, com sua sensibilidade e os recursos morais, intelectuais, caráter e hábitos. Cada criatura humana é, na Terra, o que realmente o Espírito já acumulou em si mesmo, na fieira das reencarnações, sendo o corpo instrumento transitório para a romagem terrena. As qualidades do Espírito não são o produto do mecanismo do corpo físico, através de glândulas e hormônios. Como nos diz o Espírito André Luiz: “A personalidade não é obra da usina interna das glândulas, mas produto da química mental.” (26.11) 3.3 — União Fisiológica Para entendermos melhor o assunto “sexo” com Doutrina Espírita, é necessário não limitarmos a sua função sagrada simplesmente à união fisiológica. Segundo André Luiz. “(...) na Terra é vulgar a fixação do magno assunto no equipamento genital do homem e da mulher. Contudo, é preciso não esquecer que mencionamos o sexo como força de amor nas bases da vida, totalizando a glória da Criação”. (18.15) O sexo, para a maioria esmagadora das criaturas humanas, está restrito à função dos órgãos genésicos. E muito natural esta visão, em virtude da profunda ignorância humana com relação ao Espírito. Sexo não é somente o prazer de minutos e a permuta de células sexuais. 3.4 — O Espiritismo e os impulsos sexuais O Espiritismo, pelos seus ensinamentos libertadores, veio descortinar horizontes novos para a afetividade humana, elevando-a a níveis mais altos de relacionamento, na esfera do Espírito. O campo de participação do sexo na vida é imenso e profundo, mas somos ainda humildes aprendizes na escola do amor, a fim de percebermos os maravilhosos mundos novos das emoções santificadoras que a Lei de Deus nos facultará alcançar quando o desejarmos sinceramente. A infelicidade na área do comportamento sexual entre os cônjuges decorre do fato de a maioria deles teimar em permanecer nos impulsos primários, desinteressados de vivenciar os valores mais nobres do Espírito. 3.5 — Sexo no corpo físico e no Espírito Os Espíritos trataram muito rapidamente do assunto sexo em “O Livro dos Espíritos”, deixando para mais tarde a ampliação desses ensinamentos, os quais foram complementados ricamente, através das obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier e outros. Em “O Livro dos Espíritos” temos a interessante pergunta de nº 200: “Têm sexo os Espíritos? “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.” (1.200) Se atentarmos bem para a resposta dos Espíritos Superiores, iremos observar que eles não responderam com um simples “não”. Mas sim. “não como o entendeis”. É, portanto, uma negação que traz também uma afirmação implícita, que poderia ser traduzida assim: “os Espíritos têm sexo, mas não como vocês o conceituam na Terra”. Os Espíritos têm sexo, mas não de acordo com a concepção de sexo das criaturas humanas. O que precisamos saber é discernir entre o sexo enquanto na vida corpórea e o sexo na vida espiritual. Os Espíritos realmente não têm o sexo como o da organização física, pois no corpo espiritual não possuem o mecanismo de fecundação com possibilidades para a reprodução entre si. Os Espíritos, só Deus cria. Vejamos as palavras elucidativas do escritor J. Herculano Pires: “No sentido orgânico, biofisiológico, os Espíritos não têm sexo, pois não possuem corpo material e não se reproduzem.” (38.25) Recordemos também as palavras seguras do insígne Codificador, Allan Kardec: “Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais, mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual.” (4.1866-1) Se os Espíritos não têm o sexo biofisiológico semelhante ao experimentado na Terra, o que será então o sexo nos Espíritos, quando libertos do corpo físico e em plena atividade no mundo espiritual? 3.6 — A individualidade do Espírito após a morte Para compreendermos a questão do sexo nos Espíritos é preciso formarmos a convicção de que eles, após o fenômeno da desencarnação, conservam as suas características. O Espírito na vida espiritual não é um fantasma, uma sombra, um ser vazio. Ele leva consigo tudo que realizou, aprendeu e conquistou nas experiências da vida corpórea, seja no campo do intelecto ou do sentimento, e isso é o que vai caracterizá-lo no mundo espiritual. Em “O Livro dos Espíritos”, temos a seguinte pergunta: “A alma, após a morte, conserva a sua individualidade? “Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?” (1.150) O sexo nos Espíritos não é de ordem biofisiológica, mas sim de vida psíquica, como nos esclarece o Espírito André Luiz: “A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.” (23.18-1P) Ainda o mesmo Espírito reafirma: “O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações (...).“ (23.18.1P) O corpo não comanda a mente, e sim esta éque administra profundamente a organização do corpo espiritual e do corpo físico. A sexualidade da criatura humana, antes de tudo, nasce do arquivo mental. Os órgãos genitais masculinos e femininos são instrumentos do Espírito, através da ação mental. Perdendo o corpo físico, o Espírito nada perde de imediato, de sua sexualidade, de suas características, de sua maneira de ser. 3.7 — Subconsciência: arquivo profundo da personalidade A mente é o equipamento sublime do Espírito, resultado de milênios incontáveis de evolução incessante, onde estão gravados, de maneira indelével, todos os recursos psicológicos de nossa personalidade: caráter, cultura, hábitos, aptidões, sensibilidade, desejos, virtudes, vícios, amor, paixões etc. Os recursos mentais variam de Espírito para Espírito, em função do livre-arbítrio de cada um no aproveitamento das experiências, na existência terrena. Tudo que praticamos: pensando, falando, sentindo e agindo, na fieira das reencarnações, é arquivado, na forma de reflexos nos escaninhos de nossa mente, na sua zona mais profunda, que é a sub-consciência, estruturando assim a nossa individualidade. A subconsciência, explica-nos o Espírito Emmanuel: (...) é o acervo de experiências realizadas pelo ser em suas existências passadas. O Espírito, no labor incessante de suas múltiplas existências, vai ajuntando as séries de suas conquistas, de suas possibilidades, de seus trabalhos; no seu cérebro espiritual organiza-se, então, essa consciência profunda, em cujos domínios misteriosos se vão arquivando as recordações ( ‘. (8.14) Se a mente é a sede real do sexo, pode-se entender daí como é o sexo nos Espíritos. Realmente, os Espíritos não podem reproduzir-se, mas conservam, no seu maravilhoso arquivo mental, todos os reflexos resultantes de suas atividades praticadas aqui na Terra, na sucessão das reencarnações, vivenciando as funções masculinas ou femininas que o corpo físico lhes ofereceu. É o que André Luiz nos reporta: “Na Esfera da Crosta, distinguem-se os homens e mulheres segundo sinais orgânicos, específicos. Entre nós, prepondera ainda o jogo das recordações da existência terrena, em trânsito, como nos achamos, para regiões mais altas.” (26.11) O mesmo afirmava também o Codificador, Allan Kardec, comentando o problema da influência da experiência física na vida espiritual e vice-versa. A influência que se transfere para a vida espiritual que o Codificador analisa, são as mesmas recordações guardadas na mente, ditas por André Luiz: “Se essa influência se repercute da vida corporal à vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito.” (4.1866-01) 3.8 — Departamento das almas femininas e masculinas na cidade espiritual “Nosso Lar” Se o caráter dos sexos não continuasse em realidade na vida espiritual, como uma expressão particular e mais profunda de cada Espírito, não veríamos trechos nas obras de André Luiz, como estes: “As almas femininas não podem permanecer inativas aqui. É preciso aprender a ser mãe, esposa, missionária, irmã.” (27.20) “Eu não sabia explicar a grande atração pela visita ao departamento feminino das Câmaras de Retificação.” (27.40) Reservam-se estas câmaras — explicou o companheiro bondosamente — apenas a entidades de natureza masculina.” (27.27) O Espírito continua, além-túmulo, com suas tendências de homem ou de mulher, pois elas estão guardadas na MENTE. A atração entre os sexos continua no Plano Espiritual, pois permanece também o namoro, o noivado e o casamento nas sociedades espirituais. Vejamos a admiração do Espírito André Luiz em presenciando um casamento no Mundo Espiritual: “Não tinha, no mundo, a menor idéia de que pudéssemos cogitar de uniões matrimoniais, depois da morte do corpo. Quando assisti a festividades dessa natureza, em “Nosso Lar”, confesso que minha surpresa raiou pela estupefação.” (28.30) 3.9 — A identificação sexual do Espírito nas comunicações psicofônicas Notemos também que o escritor espiritual André Luiz nos adverte quanto à necessidade, quando no intercâmbio com os Espíritos, no trabalho de desobsessão, de deduzirmos qual o sexo que tal Espírito possui na Terra, pois este permanece com as mesmas características em sua estrutura psicológica, como vemos neste trecho: “Os médiuns esclarecedores, pelo que ouçam do manifestante necessitado, deduzam qual o sexo a que ele tenha pertencido, para que a conversação elucidativa se efetue na linha psicológica ideal (...).“ (20.33) A sexualidade continua profundamente viva em cada Espírito. A nossa personalidade, hoje, tanto no plano físico como no espiritual, é resultado das funções executadas nos milênios, através dos recursos abençoados do sexo, que a Providência Divina nos oferece para a nossa evolução. O sexo, portanto, está na base da formação das características de nossa individualidade. 3.10 — Personalidade sexual: soma de milênios de experiências O mentor espiritual Emmanuel esclarece-nos: “(...) Toda a estrutura psicológica, em que se nos erguem os destinos, foi manipulada com os ingredientes do sexo, através de milhares de reencarnações”. (17.14) 3.11 — A sexualidade nos órgãos genitais Os órgãos genitais não são os elementos básicos para definir a sexualidade das criaturas humanas, pois eles são instrumentos passivos, obedecendo ao comando mental. Não são eles que decretam a nossa sexualidade, mas sim a nossa estrutura psicológica. É o que nos explica André Luiz: “O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime.” (23.18-1 P) Nossos desejos, sonhos, ideais, sensibilidade, hábitos, aptidões, impulsos afetivos, tendências e reações intimas, tanto na feminilidade quanto na masculinidade, continuam conosco na vida espiritual, pois estão registrados na mente. 3.12 — Homossexualidade: o sexo é mental Uma prova de que o sexo é mental está no problema da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a homossexualidade. O Espírito, voltando à Terra em um novo corpo físico em desacordo com as características marcantes guardadas na mente, é o que explica o fenômeno do homossexualismo. A morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas sujeita-se às suas ordens. André Luiz dilata o nosso conhecimento a respeito, dizendo: “(...) o sexo, analisado na essência, é a soma das qualidades femininas ou masculinas que caracterizam a mente, razão por que é imprescindível observá-lo, do ponto de vista espiritual, enquadrando-o na esfera das concessões divinas que nos cabe movimentar com respeito e rendimento na produção do bem”. (18.15) Na vida espiritual, cada Espírito será, em matéria de masculinidade ou de feminilidade, definido de conformidade com as qualidades que forem predominantes no seu campo mental. O Espírito, no curso das reencarnações, precisa habitar em corpo de homem ou de mulher, para a aquisição das experiências que lhe possibilitarão alcançar a perfeição. É o que “O Livro dos Espíritos” nos esclarece na pergunta: “Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou de uma mulher? “Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.” (1 .202) Não há problema para o Espírito encarnar em corpo de homem ou de mulher, O que o governa é a necessidade de experimentar as provas e obedecer à lei do progresso que o impulsiona a melhorar O mestre Allan Kardec também nos ensina: “(...) com o mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem, poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá nascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer-lhes as provas.” (4.1866-01) O Espírito precisa passar pelas experiências dos dois sexos, porque o campo de aprendizado de cada um é diferente. Nenhum Espírito chegará ao porto da perfeição, sem antes ter acumulado em sua estrutura psíquica as qualidades de ambos os sexos. 3.13 — Caráter psicológico predominante Esta alternância do Espírito, ora em corpo de homem, ora em corpo de mulher, não é automática e nem uniforme: varia de Espírito para Espírito. Na maioria dos casos, permanece o Espírito longo tempo nas experiências de homem ou de mulher, consolidando características bastante fortes, na sua estrutura mental. É o que nos explica ainda Allan Kardec: “(...) pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa”. (4.1866-01) Na atualidade, diz-nos com outras palavras o Espírito André Luiz: “Considerando-se que o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos, nas linhas evolutivas da mulher e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem”. (18.15) A sexualidade em cada criatura humana será sempre a soma das experiências adquiridas em corpo de homem e de mulher, embora uma delas seja o percentual maior no campo mental, determinando a condição de masculinidade ou feminilidade. 3.14 — Evolução incessante da estrutura psicológica sexual Como somos chamados pela Lei de Deus ao aperfeiçoamento incessante, é natural que não vamos permanecer com a nossa vida mental estacionada e limitada indefinidamente em seu poder. A modificação das funções do Espírito na escola terrena, habitando em corpo de homem ou de mulher, faz com que a estrutura mental vá assimilando valores novos e transformando a sua personalidade, com o passar dos séculos. A posição mental de cada Espírito na feminilidade ou na masculinidade não é fixa, mas, transitória, porque evolui sempre. Como nos diz Emmanuel: “(...) Espíritos que aspiram a realizar tarefas específicas na elevação de grupamentos humanos, reencarnam “em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem”.” (17.21) Com o revezamento das experiências, cada vez mais acentuadas, de homem ou de mulher, na rota dos milênios, o Espírito vai acumulando as qualidades dos dois sexos, fazendo que a entidade imortal enriquecida apresente características femininas e masculinas, não na organização física, mas na sua estrutura psicológica, manifestando virtudes de ambos os sexos, mas com predominância de uma delas. É o que aprendemos com Emmanuel: “(...) através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciada, em quase todas as criaturas”. (17.21) 3.15 — A bissexualidade na estrutura psicológica do Espírito As ciências psicológicas da atualidade não conseguem determinar uma personalidade com normalidade integral, no sentido de feminilidade ou de masculinidade, em grande parte das criaturas humanas. O fenômeno da bissexualidade é a pessoa apresentar em sua personalidade, em seus hábitos, em suas aptidões e tendências, qualidades tanto femininas quanto masculinas. Quanto mais virtudes de ambos os sexos possuir o Espírito, maior será o seu grau de evolução na hierarquia espiritual. Desenvolve o nosso entendimento o Instrutor do Espírito André Luiz: “(...) na Crosta Planetária, os temas sexuaís são levados em conta, na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não define a realidade integral, porqüanto, regendo esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico. Homens e mulheres, em espírito, apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de características viris e feminis em cada indivíduo, o que não assegura possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social”. (29-09-2P) 3.16 — Aquisição de qualidades André Luiz nomeia as qualidades a serem adquiridas, tanto na masculinidade quanto na feminilidade: “Compreendemos, destarte, que na variação de nossas experiências adquirimos, gradativamente, qualidades divinas, como sejam a energia e a ternura, a fortaleza e a humildade, o poder e a delicadeza, a inteligência e o sentimento, a iniciativa e a intuição, a sabedoria e o amor, até lograrmos o supremo equilibrio em Deus.” (26.11) Na sucessão ininterrupta das reencarnações, o Espírito é chamado pela Lei de Evolução a conquistar qualidades divinas, executando funções tanto na condição de feminilidade quanto de masculinidade. O Espírito não pode ficar estacionado numa única característica, pois ficará sempre deficiente e não se alçará a vôos mais altos, na caminhada de ascensão para Deus. Se o Espírito tem característica marcadamente feminina e não reencarnar em corpo de homem, para novas experiências, ficará impossibilitado de enriquecer de virtudes que somente em corpo de homem poderá o Espírito adquirir, e assim também no caso inverso. Para o Espírito chegar à perfeição, é necessário que acumule qualidades que ambos os sexos oferecem, no campo da existência humana. 3.17 — Perfeição do Espírito e os característicos sexuais À medida que o Espírito vai alcançando graus mais altos na hierarquia do aperfeiçoamento espiritual, vai ele perdendo as características acentuadas dos dois sexos, porque elas vão se fundindo para surgirem muito mais belas e superiores às qualidades humanas. É o que afirma André Luiz: “Quanto à perda dos característicos sexuais, estamos informados de que ocorrerá, espontaneamente, quando as almas humanas tiverem assimilado todas as experiências necessárias à própria sublimação, rumando, após milênios de burilamento, para a situação angélica, em que o indivíduo deterá todas as qualidades nobres inerentes à masculinidade e à feminilidade, refletindo em si, nos degraus avançados da perfeição, a glória divina do Criador.” (23.12-2P) O Espírito, em chegando à perfeição, não apresentará, portanto, características masculinas ou femininas, como as conhecidas na Terra, mas, sim, a síntese gloriosa dessas virtudes desenvolvidas infinitamente, em plenitude de luz, sabedoria e amor. 4 A ALMA FEMININA “(...) se a alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado de espiritualidade na vida, é que, desde cedo, o espírito masculino intoxicou as fontes da sua liberdade, através de todos os abusos”. - Emmanuel (12, 67) 4.1 — Espírito e sexo na Lei de Evolução A evolução é lei para todos os seres do Universo. Todo Espírito se movimenta, trabalha, luta, sofre, acerta, erra, volta a acertar, aprende, se educa, melhora, se aperfeiçoa e se enriquece continuadamente de valores psíquicos, ampliando sempre estes recursos, através das existências corpóreas e dos trabalhos na Vida Espiritual, em busca de níveis cada vez mais elevados, até alcançar a condição de Espírito perfeito. Nem mesmo a sexualidade em cada Espírito foge à Lei de Evolução. A sexualidade que cada criatura humana possui hoje, definindo-se como homem ou mulher, não foi colocada pronta e acabada em cada Espírito. Tudo em nós, em matéria de sexo fisiológico e psicológico, foi conquistado por evolução. Os Espíritos desencarnados não têm sexo, enquanto organização para a fecundação e a reprodução, mas todos os Espíritos no Mundo Espiritual da Terra se definem como masculino ou feminino. O sexo, em essência, é psicológico, pois o fisiológico é comandado pela estrutura psíquica que cada um de nós guarda no campo mental. Os Espíritos da Terra, de condição ainda bastante inferior, conservam, na sua estrutura psicológica profunda, particularidades marcadamente masculinas ou acentuadamente femininas. Declara André Luiz: “(...) além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios”. (23.18-1 P) 4.2 — O corpo físico e a personalidade sexual Nenhum Espírito é masculino ou feminino por opção de última hora. O corpo físico, este sim, pode alternar quando aprouver ao Espírito, mas a sua personalidade sexual profunda, essa não se transforma de um momento para outro, só muito lentamente, dentro dos séculos, porque seus valores psíquicos estão acumulados nos arquivos transcendentais da subconsciência, que forma a sua individualidade. 4.3 — Característicos sexuais em maior grau Ninguém evolui nos dois sexos simultaneamente, em proporções iguais, pois desse modo o Espírito não se definiria na feminilidade ou na masculinidade. Uma das características deve sobressair à outra em experiência e conquista para dar ao Espírito a condição interior de homem ou de mulher, por um determinado trecho da evolução, antes de alcançar a posição de Espírito puro, onde haverá naturalmente a perda das características sexuais, pois as qualidades de ambos os sexos se encontrarão no maior grau de aperfeiçoamento e sublimação e se fundirão numa só luz divina. 4.4 — O Espírito feminino A mulher de hoje é o mesmo Espírito de mulher do mundo primitivo, da época dos homens das cavernas e que nestes numerosos milênios foi acumulando as qualidades da inteligência e do sentimento, tendo como base de edificação da sua individualidade as funções específicas realizadas principalmente no lar, junto ao marido e aos filhos. O Espírito feminino também se reencarnou em corpos de homem, adquirindo caracteres masculinos, mas em proporções bem menores. O corpo físico, por si, não dá qualidades para Espírito nenhum, pois este somente define funções e possibilidades de trabalho. Um Espírito que se reencarnou em corpo de mulher não vai manifestar as virtudes femininas, se não trouxer consigo essas virtudes como conquista de vidas passadas. O Espírito feminino, muito mais do que o Espírito masculino, foi adquirindo, através de suas atividades específicas na maternidade, nos trabalhos do reino doméstico, nos serviços e no amor ao marido, aos filhos e à família e nas profissões próprias, na sucessividade dos milênios, as qualidades preciosas: o SENTIMENTO, a HUMILDADE, a DELICADEZA, a TERNURA, a INTUIÇÃO e o AMOR. Estes valores estão em maior freqüência na mulher e caracterizam profundamente o sexo feminino. As belas qualidades do Espírito feminino no exercício da maternidade, fizeram surgir a imensa falange das “grandes mães” ou “grandes corações”, que é fruto de muitos trabalhos, amor e renúncia, no cumprimento correto de seus sagrados deveres, em milênios. André Luiz esclarece: “Maternidade é sagrado serviço espiritual em que a alma se demora séculos, na maioria das vezes aperfeiçoando qualidades do sentimento.” (22.28) Todo Espírito é feminino, quando as potencialidades do sentimento são muito mais ativadas e desenvolvidas do que propriamente os mecanismos do cérebro. Esclarecem os Espíritos da Codificação: “(...) ocupe-se do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão”. (1.822-a) 4.5 — O Espírito feminino avançou mais no campo do sentimento Analisemos o que Jesus elucidou ao apóstolo Pedro, quando falou sobre a evolução do Espírito feminino. O Espírito Irmão 10º reporta: “Precisamos considerar, todavia, que a mulher recebeu a sagrada missão da vida. Tendo avançado mais do que o seu companheiro na estrada do sentimento, está, por isso, mais perto de Deus que, muitas vezes, lhe toma o coração por instrumento de suas mensagens, cheias de sabedoria e de misericórdia.” (31.22) Reconheçamos que o Senhor não estava dizendo que o corpo da mulher é que conquistou o sentimento, mas, sim, o Espírito feminino. Como exemplo de Espíritos que se encontram em grande evolução espiritual e ainda conservam as características de sua feminilidade, vamos destacar: ALCÍONE, que vindo de um mundo superior do sistema de Sírius, ainda continuava manifestando a sua feminilidade com grandeza espiritual, personagem principal do livro “Renúncia”, de Emmanuel; LÍVIA, esposa do Senador Públio Lêntulus, personagem do livro “Há Dois Mil Anos”, de Emmanuel, era um Espírito que não pertencia mais ao planeta Terra e conservava todas as belíssimas qualidades de feminilidade; e, por último, temos o iluminadíssimo Espírito de MARIA — Mãe de Jesus, que, apesar de sua enorme evolução, irradiava sua feminilidade com a maior pureza espiritual. Quando estudamos sexo nos Espíritos, temos que analisar muito mais a personalidade, o caráter e o sentimento. Se Jesus disse que a mulher está mais perto de Deus, é porque é do sentimento que nascem o amor e a humildade, e com maior facilidade o Espírito feminino adquiriu preciosos valores do coração para se elevar aos planos iluminados da Vida Superior. O sábio Espírito Emmanuel nos faz uma distinção entre razão e sentimento: “A razão calcula, cataloga, compara, analisa. O sentimento cria, edifica, alimenta, ilumina. (...) A razão é o caminho humano. O SENTIMENTO É A LUZ DIVINA.” (33.111) 4.6 — O Espírito masculino Todos os progressos da inteligência, da ciência, da filosofia e da cultura em geral, em todas as épocas da Humanidade, foram outorgados mais aos homens do que às mulheres. Mas os homens, sem os valores do sentimento no próprio coração, não conseguirão alçar vôo para as esferas superiores, continuando o vôo rasteiro dos progressos materiais. 4.7 — O gérmen divino no coração das mulheres Jesus enalteceu sobremaneira o sentimento, atribuiu importante valor aos recursos do coração, mesmo o das mulheres mais infelizes e descrentes, nos trabalhos de melhoria moral da Humanidade, como se lê na descrição do Espírito Irmão X: “Por isso, as mulheres mais desventuradas ainda possuem no coração o gérmen divino, para a redenção da humanidade inteira. Seu sentimento de ternura e humildade será, em todos os tempos, o grande roteiro para a iluminação do mundo, porque, sem o tesouro do sentimento, todas as obras da razão humana podem parecer como um castelo de falsos esplendores.” (31.22) Como exemplo dessa assertiva, temos o Espírito valoroso e resoluto de Maria de Magdala, que saiu de uma vida de prazeres fáceis e do assédio de perigosos perseguidores espirituais para outra de lutas, trabalhos, sofrimentos e muito amor, a fim de seguir as pegadas do Divino Mestre Jesus. 5 SEXO E DESEQUILÍBRIO “(...) a afeição erradamente orientada, através do compromisso escarnecido, cobre o mundo de vítimas”. — Emmanuel (17.06) 5.1 — Inquietação sexual De todas as perturbações que experimenta a Humanidade, nenhuma é tão grande e tão devastadora na sua repercussão quanto os desequilíbrios do sexo. A inquietação sexual, embora se avolume e tome conta das atenções e emoções de grande parte das criaturas humanas, na atualidade, acarretando dificuldades incalculáveis de relacionamento, não é somente de hoje, mas, de todas as épocas da Humanidade. É o que nos diz o Espírito Emmanuel: “Quem estude os conflitos do sexo, na atualidade da Terra, admitindo a civilização em decadência, tão-só examinando as absurdidades que se praticam em nome do amor, ainda não entendeu que os problemas do equilíbrio emotivo são, até agora, de todos os tempos, na vida planetária.” (17.06) 5.2 — Psiquismo desequilibrado O desequilíbrio sexual não tem suas causas radicadas na organização física, mas, na alma, em sua estrutura complexa. Quem está necessitado de recuperação não é o corpo, nem tampouco os órgãos genésicos, porém, a nossa vida psíquica. Vejamos o que nos ensina o Instrutor do Espírito André Luiz: “(...) os enigmas do sexo não se reduzem a meros fatores fisiológicos. Não resultam de automatismos nos campos de estruturas celular, quais aqueles que caracterizam os órgãos genitais masculinos e femininos (...) temos, na inquietação sexual, fenômeno peculiar ao nosso psiquismo, em marcha para superiores zonas da evolução”. (26.11) As enfermidades nascidas do sexo mal orientado fazem vítimas aos milhões, todos os dias. Grande parte das doenças físicas e psíquicas das criaturas humanas tem suas causas nascidas das afeições desvirtuadas dos caminhos do verdadeiro amor. As estatísticas dos desvarios sexuais apresentam uma grande gravidade, tão acentuada na coletividade humana, que nos diz o Instrutor de André Luiz: “Vocês sabem que só a epidemia de bubões, no século 6º de nossa era, chamada “peste de Justiniano”, eliminou quase 50 milhões de pessoas na Europa e na Ásia. (...) Pois esse número expressivo constitui bagatela, comparado com os milhões de almas que as angústias do sexo dilaceram todos os dias.” (26.11) Preocupamo-nos muito mais com os recursos de sustentação do nosso corpo físico, com a preservação de nossa beleza exterior, com a nossa vestimenta bem apresentável, do que com a formação de valores superiores em nosso mundo íntimo e a conseqüente extinção de nossos mílenários desvarios sexuais. 5.3 — Ignorância na conduta sexual As criaturas humanas encontram-se em profunda ignorância de si mesmas. No mundo de hoje, comandam e manipulam, com facilidade, uma enorme variedade de máquinas maravilhosas e complicadas, desde os mais simples aparelhos domésticos e veículos motorizados, até aos complexos computadores e naves de sondagens dos espaços interplanetários, mas sentem-se incompetentes para dirigir suas mínimas emoções e atos de cada dia, na estrada luminosa do amor espiritualizado. Vejamos o que nos fala o Instrutor do Espírito André Luiz sobre a ignorância sexual: “No exame das causas da loucura, entre individualidades, sejam encarnadas, sejam ausentes da carne, a ignorância quanto à conduta sexual é dos fatores mais decisivos. A incompreensão humana dessa matéria equivale a silenciosa guerra de extermínio e de perturbação. (...) o cativeiro da ignorância, no campo sexual, continua escravizando milhões de criaturas.” (26.11) Tal ignorância não se refere somente à prática sexual em si mesma mas, principalmente, às doações afetivas. Grande parte da Humanidade desconhece que é um Espírito imortal envergando um corpo físico transitório e que toda a sua complexidade de caráter e de sentimento nasce de sua vida mental. Não percebe que, para ser feliz por dentro, precisa obedecer às Leis Morais que Jesus nos ensina, através de seu Evangelho. O sexo é mental em seus impulsos e manifestações e, como tal, deve ser tratado na intimidade de nós mesmos. A maioria esmagadora da Humanidade não está interessada em administrar o seu mundo afetivo sob as luzes espirituais, pois permanece experimentando a impulsividade do instinto sexual, do amor possessivo, da viciação, das taras, não refletindo nas conseqüências morais de sua conduta infeliz. Em virtude disto é que a coletividade humana sofre aflitíssimos problemas morais e espirituais, há milênios, onde o desequilíbrio sexual surge por toda a parte, devastando lares e infelicitando criaturas. Ignoram as criaturas humanas que as emoções descontroladas, os desejos inferiores acalentados, os pensamentos infelizes cultivados, os sentimentos de posse exclusiva e os excessos de prazeres sexuais prejudicam e danificam profundamente a vida íntima, a organização mental, o nosso corpo espiritual e, conseqüentemente, o corpo físico. 5.4 — Estados psíquicos do sexo torturado. Fixação da mente na subconsciência Como resultado dessa culposa indiferença às luzes do Espírito, vemos os imensos desastres morais por que passa a vida afetiva e sexual entre o homem e a mulher. Continua iluminando-nos o autor André Luiz: “(...) fixar o pensamento no sexo torturado, com desprezo dos demais departamentos da realização espiritual, através do cosmo orgânico, é estacionar, inutilmente, no trilho evolutivo; é entregar-se, inerme, à influência de perigosos monstros da imaginação, quais o despeito e a inveja, o desespero e a amargura, que abrem ruinosas chagas na alma e que co-minam ao exclusivismo, pena que pode avultar até a loucura e à inconsciência”. (26.11) Fixar o pensamento no sexo torturado não é problema somente dos que enveredam pelos excessos dos prazeres sexuais, pois é também um sintoma do sentimento doentio de nosso amor possessivo e da fixação mental em quadros sombrios oriundos de experiências sexuais e afetivas dolorosas, cometidas em vidas passadas ou na vida atual. Os perigosos monstros da imaginação: o despeito, a inveja, o desespero e a amargura podem ser cultivados pela alma em uma vida inteira e prosseguirem na vida espiritual. O referido autor espiritual enumera outros deprimentes estados psíquicos, nascidos da fixação no sexo torturado: “De mente desvairada, fixa no socavão da subconsciência, perdem-se no campo dos automatismos interiores, obstinando-se no conservarem deprimentes estados psíquicos. O ciúme, a insatisfação, o desentendimento, a incontinência e a leviandade alastram terríveis fenômenos de desequilíbrio.” (26.11) A permanência nos infelizes estados psíquicos quais o ciúme doentio, a insatisfação sexual e afetiva, o desentendimento entre cônjuges, a viciação do prazer sexual e a leviandade nos compromissos afetivos assumidos, fazem surgir também variados sintomas de desequilíbrio na vida mental, de recuperação longa e difícil. Mergulhada a mente nestes estados psíquicos depressivos, o Espírito passa a já não viver o presente, mas, a revolver, recapitular e cultivar as sombrias experiências de vidas passadas, que se encontram como lembranças arquivadas no porão da personalidade — a subconsciência. 5.5 — Enfermos da inquietação sexual Os enfermos do sexo torturado encontram-se em todos os ambientes de sofrimento do mundo, não somente nos gabinetes de psiquiatras e sexólogos, mas também em grande parte nos hospitais de recuperação da saúde mental. Além desses, outra enorme legião de enférmos psíquicos encontra-se em seus próprios lares, exigindo uma dose de muita compreensão e amor dos familiares para ajudá-los na reabilitação espiritual. É o que instrui o mesmo autor, que vamos examinando: “Devidos à incompreensão sexual, incontáveis crimes campeiam na Terra, determinando estranhos e perigosos processos de loucura, em toda parte. (...) Milhões de irmãos nossos se conservam semiloucos nos lares ou nas instituições; são os companheiros incapazes do devotamento e da renúncia, a submergirem, pouco a pouco, no caliginoso tijuco das alucinações...” (26.11) Muitos dos desequilíbrios psíquicos provêm das vidas pretéritas, nascidas da afetividade indisciplinada, das paixões incontroladas, do prazer sexual inconsciente, do amor possessivo e da falsidade sentimental. Distanciados do amor genuíno, nós, os humanos, em grande maioria, sabemos muito bem desejar para buscar desesperadamente ser amados mas não aprendemos ainda a doar amor no sentido de construir a paz, o equilíbrio, a liberdade e a felicidade real do companheiro ou da companheira, a quem dizemos querer bem. 5.6 — Libertação do instinto sexual doentio Para sairmos desses estados íntimos infelizes que podem aprisionar a alma na masmorra de sofrimentos por séculos, é necessário, como nos diz o autor de “Nosso Lar”: “Ensinemo-los a libertar a mente das malhas do instinto, abrindo-lhes caminho aos ideais do amor santificante (...).“ (26.11) Não libertaremos a mente destes profundos desequilíbrios, simplesmente na base de aplicação de técnicas de concentração mental, de meditação ou de permanência na fuga afetiva pela obediência a normas rigorosas de disciplina religiosa, visando a conquistar virtudes de um momento para outro. Essas novas atitudes pode facultar um descanso e fortalecimento para a alma, possibilitando a retomada de uma vida nova, mas não decretará, por si só, uma mudança profunda em nossos valores morais, pois são virtudes ilusórias que não suportarão, mais tarde, o choque com os testes indispensáveis. A virtude, para confirmar-se realmente, deverá ser provada e comprovada, inúmeras vezes, vencendo com valor moral as experiências difíceis e dolorosas. O Espiritismo não nos apresenta normas ngoristas para aquisição de virtudes imediatas. As técnicas de concentração podem ajudar, mas com a concentração nas técnicas de viver o bem legítimo para os outros, principalmente na vida afetiva e sexual. É o que nos explica André Luiz: “Não desejamos, portanto, preconizar no mundo normas rígoristas de virtude artificial, nem favorecer qualquer regime de relações inconscientes. Nossa bandeira é, sobretudo, a do entendimento fraternal. Trabalhemos para que a luz da compreensão se faça entre os nossos amigos encarnados, a fim de que as angústias afetivas não arrojem tantas vítimas à voragem da morte, intoxicadas de criminosas paixões.” (26.11) E o Espírito Emmanuel nos dá o seguinte esclarecimento sobre virtude: “Virtude é o resultado de experiências incomensuravelmente recapituladas na vida.» (16.23) 5.7 — Processo individual de cura dos desvarios sexuais Os graves problemas das angústias afetivas que assolam a Humanidade inteira não podem ser resolvidos somente com a colaboração de livros científicos, distanciados das leis morais e dos valores espirituais, nem das orientações e indicações da Medicina, a influir e beneficiar somente a organização fisica, com desprezo pela personalidade espiritual. As enfermidades, antes de tudo, estão radicadas no Espírito e a criatura humana precisa buscar a cura por si mesma, com aprovação de sua consciência, materializada na boa vontade sincera em conquistar valores morais mais elevados. Vejamos a palavra segura do autor de “No Mundo Maior”: “O cativeiro nos tormentos do sexo não éproblema que possa ser solucionado por literatos ou médicos a agir no campo exterior: équestão da alma, que demanda processo individual de cura, e sobre esta só o Espírito resolverá no tribunal da própria consciência.” (26.11) O equilíbrio moral e espiritual, tão desejado por todos nós, somente será adquirido se trabalharmos com paciência e perseverança o nosso próprio mundo interior, para uma vida mais nobre, iluminada pelos esclarecimentos espirituais e alimentado pelo amor verdadeiro, que proporcionará uma nova atividade mental e um comportamento mais fraterno e construtivo. Desse modo, aprenderemos a plantar a simpatia nos corações alheios, que, por sua vez, se transformarão em colaboradores na caminhada de nossa renovação, e conquistaremos também, pouco a pouco, o perdão e a reconciliação com aqueles que infelicitamos, com os nossos desvarios sexuais em vidas passadas. A recuperação da alma, vítima do desequilíbrio sexual, exige o esforço individual na aquisição de valores indicados a todos nós pelo Nosso Mestre e Senhor Jesus-Cristo. Continua elucidando-nos o médico espiritual André Luiz: “(...) cumpre-nos reconhecer que os escravos das perturbações do campo sensorial só por si mesmo serão liberados, isto é, pela dilatação do entendimento, pela compreensão dos sofrimentos alheios e das dificuldades próprias, pela aplicação, enfim, do ‘amai-vos uns aos outros’, assim na doutrinação, como no imo da alma, com as melhores energias do cérebro e com os melhores sentimentos do coração”. (26.11) 5.8 — Libertação do desequilíbrio sexual. O amor espiritualizado É indispensável que a criatura humana, tanto o homem como a mulher, deixe seu coração ser inundado pela luz suave e aquecedora do Evangelho de Jesus, a fim de aprender a trabalhar na eliminação de suas próprias deficiências afetivas. O coração é o terreno que mais deveremos cultivar, pois é dele que nascem as forças de nossa vida. Adverte-nos o Instrutor de André Luiz: “Convidemo-los a rasgar horizontes mais longes no coração. O amor encontrará sempre mundos novos. E para que tais descobertas se coroem de luz divina, bastará à criatura o abandono da ociosidade, que por si mesma combaterá a nefanda ignorância.” (26.11) O amor espiritualizado é o remédio mais importante na recuperação dos desequilíbrios do sexo, pois com ele aprenderemos a dirigir nossas afeições com educação, responsabilidade, discernimento e fidelidade, na reconstrução de nossa felicidade, fazendo, antes de tudo, os outros mais felizes, principalmente a alma que nos entregou o próprio coração na vida a dois. 6 INCONTINÊNCIA SEXUAL E DOENÇAS “A Medicina inventará mil modos de auxiliar o corpo atingido em seu equilíbrio interno; por essa tarefa edificante, ela nos merecerá sempre sincera admiração e fervente amor; entretanto, compete a nós outros praticar a medicina da alma, que ampare o espírito enleado nas sombras...” — André Luiz (26.11) As enfermidades fazem parte dos elementos necessários à evolução dos Espíritos da Terra — ainda planeta de provas e expiações. Podemos adquirir doenças que têm como causas as faltas praticadas em vidas passadas ou foram por nós adquiridas na atual existência, mediante nosso livre-arbítrio. De uma forma ou de outra, temos, portanto, como exemplo, as doenças venéreas, que são, obviamente, transmitidas pelo ato sexual, embora não sejam fruto unicamente da relação sexual, propriamente dita, entre parceiros heterossexuais e tiomossexuais, mas também pelas carícias íntimas, como o beijo e as relações transsexuaís. Na atualidade, apesar do grande avanço das ciências médicas, dos medicamentos eficazes, dos médicos especializados e da assistência hospitalar, as doenças transmitidas pelo ato sexual estão em crescimento gradativo, a cada ano que passa. Os pesquisadores acreditam que este fato se deve a uma maior liberdade sexual, que ocorre em virtude da liberação dos costumes, do uso indiscriminado dos contraceptivos e pela troca freqüente de parceiros. Dentre estas, temos as manifestações poligãmicas, viciando o instinto sexual, lesando fatalmente as criaturas humanas, provocando inevitáveis enfermidades que atingem, de uma forma ou de outra, os campos físico, moral, psíquico e espiritual. Dentre as enfermidades que avassalam a vida orgânica, as doenças venéreas são, apesar de tudo, menos danosas para as criaturas que as sofrem, se as compararmos às conseqüências desagradáveis e tormentosas das enfermidades radicadas na organização espiritual. 6.1 — As doenças venéreas mais comuns Não desejamos fazer aqui um estudo científico das doenças venéreas que já são muito bem estudadas, definidas e catalogadas pela Medicina, em extensa bibliografia, encontrada com grande facilidade em diversos livros e revistas especializados no assunto. Interessamo-nos, sim, em fazer algumas anotações daquilo que julgamos mais necessário para a análise do aspecto moral, espiritual e da Justiça Divina. Conforme já comentamos, atualmente ocorre verdadeira epidemia de doenças venéreas no mundo inteiro e a causa disto é a crescente promiscuidade sexual. Deixando-se levar pela viciação e desequilíbrio, corre-se o risco de contrair uma ou mais das doenças sexualmente transmissíveis. As moléstias venéreas não fazem distinção de sexo: invadem igualmente organismos masculinos e femininos, seja a pessoa heterossexual, homossexual ou bissexual. As doenças venéreas mais disseminadas na sociedade são: a gonorréia ou blenorragia, a sífilis, o cancro mole, o granuloma ingüinal, a tricomoníase e a herpes genital. Nesta mesma categoria foi incluída recentemente uma nova moléstia, a Aids — Síndrome da Imunodeficiência Adquirida —, que é também transmitida mais comumente pela relação sexual e pela transfusão de sangue. Queremos ressaltar a importância da disciplina emocional, do equilíbrio moral e do controle de nossos desejos à luz das regras morais de Jesus, para livrarmo-nos destas doenças que nos destrõem a vida orgânica, prejudicando os nossos trabalhos evolutivos. O corpo físico — ferramenta imprescindível do Espírito, torna-se debilitado, em suas defesas internas, dificultando a sua existência e até mesmo paralisando as chances na aquisição de experiências, resgate e aperfeiçoamento. 6.2 — A visão espiritual das doenças sexualmente transmissíveis — os bacilos psíquicos. Conforme podemos observar, todas as doenças venéreas possuem um agente causador, que é sempre um germe, representado em cada enfermidade por um tipo de bactéria ou de vírus. Qualquer um destes microorganismos, uma vez conseguida a hospedagem em nosso sistema orgânico, tenderá naturalmente, com o tempo, a desenvolver-se, proliferar e dominá-lo, através da destruição das defesas internas, eliminando as energias de manutenção do corpo, instalando-se definitivamente a doença. Para a recuperação parcial ou integral da saúde deste organismo, terá que passar necessariamente por um grande trabalho de assistência médica, a fim de combater e exterminar o elemento patogênico. De acordo com os ensinamentos da Doutrina Espírita, toda doença do corpo físico está sempre acompanhada de uma desorganização na estrutura profundamente plástica do corpo espiritual. Toda criatura humana, antes de tudo, é um Espírito atuante na existência corpórea, tendo o corpo físico como indispensável instrumento para os trabalhos de progresso na Terra — organização esta, frágil e suscetível a todas as influenciações do meio ambiente, dentre elas os seres parasitas. Até mesmo as doenças venéreas, como não poderia deixar de ser, possuem os seus gérmens de ordem psíquica, invisíveis por enquanto à investigação científica, mas reais e tremendamente atuantes no corpo espiritual e conseqüentemente no corpo físico, coexistindo com a perigosa fauna microscópica das doenças venéreas. Podemos, não obstante, notar que há bacilos físicos e psíquicos, agindo simultaneamente, de maneira devastadora, tanto no corpo físico quanto no corpo espiritual. Para aquilatar esta verdade espiritual, vejamos no livro “Missionários da Luz”, do autor André Luiz, uma descrição interessante e pormenorizada do problema sexual no campo espiritual de um rapaz que se encontrava em uma reunião de desenvolvimento mediúnico, no exercício de psicografia, em um centro espírita. O médico desencarnado André Luiz, observando atentamente o fenômeno psíquico do médium, descreve a visão espiritual registrada no sistema genital do candidato ao trabalho mediúnico enobrecedor. “Postara-se ao lado de um rapaz que esperava, de lápis em punho, mergulhado em fundo silêncio. Ofereceu-me Alexandre (mentor espiritual) o seu vigoroso auxílio magnético e contemplei-o, com atenção. Os núcleos glandulares emitiam pálidas irradiações. A epífise, principalmente, semelhava-se a reduzida semente algo luminosa. — Repare no aparelho genital — aconselhou-me o instrutor, gravemente. Fiquei estupefato. As glândulas geradoras emitiam fraquíssima luminosidade, que parecia abafada por aluviões de corpúsculos negros, a se caracterizarem por espantosa mobilidade. Começavam a movimentação sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compactas, nas vesículas seminais, na próstata, nas massas mucosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras microscópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica. Estava assombrado. Que significava aquele acervo de pequeninos seres escuros? Pareciam imantados uns aos outros, na mesma faina de destruição. Seriam expressões mal conhecidas da sífilis?” (25.03) A visão microscópica do médico André Luiz não estava detectando os gérmens facilmente observáveis pelos aparelhos de análise bacteriológica da Terra, mas sim os gérmens de ordem espiritual, originados da viciação sexual, frutos do desequilíbrio mental. Assim sendo, a nossa vida sexual, quando ausente dos princípios morais que regulam a nossa vida íntima e indiferente ao controle dos desejos libidinosos, tem seus resultados perniciosos tanto no corpo físico, quanto no corpo espiritual, afetando a saúde dos mesmos. O mentor espiritual Alexandre, com grande sabedoria na Ciência Divina, após o espanto do discípulo, ofereceu-lhe profundas explicações quanto aos microscópicos corpúsculos negros que destruíam as células reprodutoras masculinas no sistema genésico do jovem: “— Não, André. Não temos sob os olhos o espiroqueta de Schaudinn, nem qualquer nova forma suscetível de análise material por bactertologistas humanos. São bacilos psíquicos da tortura sexual, produzidos pela sede febril de prazeres inferiores, O dicionário médico do mundo não os conhece e, na ausência de terminologia adequada aos seus conhecimentos, chamemos-lhes larvas, simplesmente. Têm sido cultivados por este companheiro, não só pela incontinência no domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, senão também pelo contacto com entidades (...) que o visitam com freqüência, à maneira de imperceptíveis vampiros. O pobrezinho ainda não pôde compreender que o corpo físico é apenas leve sombra do corpo perispiritual, não se capacitou de que a prudência, em matéria de sexo, é equilibrio da vida e, recebendo as nossas advertências sobre a temperança, acredita ouvir remotas lições de aspecto dogmático, exclusivo, no exame da fé religiosa. A pretexto de aceitar o império da razão pura, na esfera da lógica, admite que o sexo nada tem que ver com a espiritualidade, como se esta não fosse a existência em si. Esquece-se de que tudo é Espírito, manifestação divina e energia eterna, O erro de nosso amigo é o de todos os religiosos que supõem a alma absolutamente separada do corpo físico, quando todas as manifestações psicofísicas se derivam da influenciação espiritual.” (25.03) Se há bacilos destruidores da vida física, há também bacilos psíquicos destruidores da saúde do corpo espiritual, ainda desconhecidos pela ciência humana. Neste trecho temos a destacar os dois maiores estimuladores da tortura sexual que poderá levar a criatura até à alienação mental completa; em primeiro lugar: a viciação do prazer sexual, as relações sexuais com vários parceiros; na atualidade é a prática do chamado “amor-livre”, seja pelos heterossexuais, homossexuais ou bissexuais; em segundo lugar temos a lei de atração e sintonia mental, observada quando da comunhão psíquica do rapaz com entidades espirituais bastante inferiores, tidas como verdadeiros vampiros do sexo, co-partícipes das suas relações sexuais, absorvendo as suas energias vitais, podendo debilitá-lo, intoxicando as reservas psíquicas, propiciando o surgimento de doenças estranhas, graves e até mesmo incuráveis. Na Doutrina Espírita, não existe norma que exija a abstinência sexual de seus adeptos, mas, sim, todas as explicações e orientações para ajuizarmo-nos a respeito do que é mais saudável moralmente em matéria de amor sexual. Somos livres para fazer o que desejarmos, mas seremos inelutavelmente escravos dos resultados daquilo que produzirmos, quer seja por pensamentos, palavras, emoções e atos. Em virtude de nossas imensas fraquezas no campo do instinto sexual, adquiridas por nossos deslizes praticados em vidas passadas e que na vida atual despontam dos arquivos transcendentais de nossa personalidade espiritual — a subconsciência, e dos perigos morais surgidos com a liberação e a devassidão sexual de nossos dias, o melhor que o espírita interessado sinceramente em sua reforma íntima poderá fazer, em qualquer faixa etária consciente, é controlar e disciplinar os próprios impulsos genésicos, conduzindo suas energias sexuais — faculdades criadoras no corpo e no Espírito —, para atividades enobrecedoras do estudo edificante e das boas obras, e empregando-as com dignidade e respeito na união conjugal. Quanto à filosofia materialista dos tempos atuais que prega, ensina e divulga a prática do prazer sexual sem responsabilidade, sem controle e sem discernimento, é oportuno refletirmos a respeito das palavras do apóstolo Paulo, que nos convida ao uso da prudência em nossa conduta: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas me são lícitas, mas nem todas edificam.” (1 Coríntios, 10:23.) Na esfera física, assimilamos continuamente os pensamentos de pessoas desencarnadas, que pensam, sentem e agem como nós. É a lei de atração das afinidades: “semelhante atrai semelhante”. Portanto, Espíritos libertos da vida corpórea, escravos da viciação sexual, podem participar de relações sexuais de criaturas encarnadas e mesmo dominá-las no período do sono, quando o Espírito anseia por desprender-se do corpo denso, para satisfazer seus interesses inferiores. Para ajuizarmos melhor a respeito do vampirismo espiritual na esfera psicossexual, reproduziremos alguns trechos do “caso Marcondes”, narrado pelo Espírito André Luiz, no livro “Missionários da Luz”, o qual vem comprovar a lei de sintonia universal “de mente para mente”, a subjugação ao poder de influenciação das entidades infelizes e desequilibradas do mundo espiritual que atraímos pelos nossos pensamentos, desejos, vícios e maus hábitos. Senão, vejamos o interessante fato registrado por André Luiz e o seu amigo Sertório, quando visitavam o companheiro Marcondes, com o intuito de conhecer a causa de sua ausência a uma importante assembléia de estudos no Plano Espiritual. Chegando à residência do referido servidor, depararam com o inusitado quadro: “Marcondes estava, de fato, ali mesmo parcialmente desligado do corpo físico, que descansava com bonita aparência, sob as colchas rendadas. (...) revelava a posição de relaxamento, característica dos viciados do ópio. Ao seu lado, três entidades femininas de galhofeira expressão permaneciam em atitude menos edificante. (...) as entidades visitantes eram da pior espécie, de quantas conhecia eu nas regiões das sombras. Irritadas talvez com o recuo do companheiro, que se revelava triste e humilhado, prorromperam em grande algazarra, acercando-se mais intensamente de nós, sem o mínimo respeito. — Impossível que nos arrebatem Mar-condes! — disse uma delas, enfaticamente. — Afinal de contas, vim de muito longe para perder meu tempo assim, sem mais nem menos! — Ele mesmo nos chamou para a noite de hoje — exclamou a segunda, atrevidamente — e não se afastará de modo algum. (...) A terceira entidade, que parecia reter instintos inferiores mais completos, aproximou-se de nós com terrível expressão de sarcasmo e falou, dando-me a entender que aquela não era a primeira vez que Senário procurava o sítio para os mesmos fins e nas mesmas circunstâncias: - Os senhores não passam de intrusos. Marcondes é fraco, deixando-se impressionar pela presença de ambos. Nós, todavia, faremos a reação. Não conseguirão arrancar-nos o predileto. E gargalhando, irônica, acentuava: — Também temos um curso de prazer. Marcondes não se afastará.” (25.08) Marcondes encontrava-se profundamente mergulhado no charco do prazer sexual inferior, em completa dependência das vibrações mentais grosseiras das entidades femininas altamente desequilibradas no instinto sexual. Estes Espíritos infelizes são as próprias criaturas humanas desencarnadas, dando continuidade, na vida após a morte, a tudo aquilo que mais desejaram, amaram, praticaram e viveram na Terra, seja no campo da virtude ou dos vícios, do amor ou da paixão, do bem ou do mal. Com este relato, conclui-se que até mesmo num simples sono noturno os Espíritos vampiros do sexo podem estar presentes em nosso leito, atraídos pelos nossos desejos, pensamentos e vícios, dominando nossas forças, intoxicando nossas energias e roubando os nossos melhores recursos vitais. Se em nosso diário sono noturno podem ocorrer desdobramentos acompanhados de fenômenos espirituais de baixo teor vibratório, como as obsessões, perseguições e dominações mentais, o que poderá ocorrer de vampirismo sexual por intermédio de entidades viciadas e escravas do prazer, quando presentes nas relações sexuais de criaturas encarnadas destituídas de valor moral, disciplina e vigilância dos pensamentos? E, ainda, o que pensar em termos de escravização psíquica, das pessoas encarnadas quando cultivadoras dos vícios perigosos do álcool e dos tóxicos? Certamente que o vampirismo espiritual vai ser bem mais acentuado e dominador. O domínio das entidades espirituais desequilibradas sobre os encarnados tem sua ação destruidora tanto sobre o organismo físico quanto sobre a estrutura sensível do corpo espiritual. Isto é o que André Luiz registrou no livro “No Mundo Maior”, na preleção do orientador espiritual Eusébio: “(...) os filhos da Terra abeiram-se de novo abismo, que o olhar conturbado não lhes deixa perceber. Esse hiante vértice, meus irmãos, é o da alienação mental, que não nos desintegra só os patrimônios celulares da vida física, senão também nos atinge o tecido sutil da alma, invadindo-nos o cerne do corpo perispiritual”. (26.02) O desequilíbrio sexual é uma das causas da alienação mental, seja praticada por heterossexuais, homossexuais ou bissexuais. O prazer sexual desvairado traz como resultado dolorosas feridas que deixam marcas profundas no corpo e na alma, conseqüências não somente das doenças venéreas que destróem a vida orgânica, mas essencialmente devido ao aniquilamento das reservas de fluídos vitais, bem como o destrambelhamento da estrutura psíquica, cuja recuperação será longa e difícil, podendo demandar anos ou séculos, de conformidade com a aplicação da vontade, no desejo resoluto de renovar o destino. 6.3 — Aids — A nova moléstia O homem sempre esteve sujeito aos mais variados tipos de doenças, assim como todos os seres vivos da natureza. Tributo este pago por nós, desde o início da escalada evolutiva, com o preço de milhões de vidas ceifadas impiedosamente, por estes dragões famélicos da vida física restauradora. No avanço histórico da Humanidade, podemos constatar o aumento gradual das doenças, dificultando a saúde, obrigando naturalmente os cientistas a uma análise cada vez mais profunda e específica para o seu diagnóstico e tratamento. 6.4 — O vírus da Aids. Contágio e propagação Surge, na segunda metade deste século, uma nova moléstia: a Aids (Síndrome da imunodeficiência Adquirida), causada pelo vírus do tipo HIV, responsável pela extinção de milhões de vidas na África, desde 1950. Difundindo-se pelo mundo, foi identificada nos Estados Unidos da América do Norte no ano de 1978. Desde o seu conhecimento, a Aids vem apavorando o mundo, por duas razões principais. A primeira delas por ser uma doença sexualmente transmissível e a segunda pelo seu poder de destruição e desafio da Medicina. Como agravante, despontou justamente no momento em que a liberação sexual estava cada vez mais difundida e espontânea na sociedade, com a dissolução dos usos e costumes no mundo. Esta moral ilícita fez do “amor-livre” a moda moral dos tempos modernos, a qual se caracteriza pela busca do prazer pelo prazer, de forma irracional. O vírus da Aids encontrou, portanto, um meio fácil de propagação e multiplicação, difundindo-se assustadoramente através das relações sexuais, principalmente entre homossexuais masculinos. A Aids transmite-se, essencialmente, através da relação sexual e da transfusão de sangue. Salientando mais uma vez, o contato sexual éa principal via de contaminação, constatada em cerca de 73% dos casos. É este o meio mais fácil de disseminação da doença, por ser o esperma constituído de milhões de células vivas, veículo predileto e indispensável para o vírus HIV, sem as quais ele se desintegra. Como existe uma grande promiscuidade sexual entre os homossexuais masculinos, o vírus da Aids encontrou aí um processo natural de multiplicação e desenvolvimento. Os heterossexuais e bissexuais promíscuos estão igualmente sujeitos à contaminação, bem como os toxicômanos que usam drogas por via venosa, utilizando a mesma seringa. Os índices de contaminação da Aids são também comprovadamente altos nos hemofílicos, periodicamente obrigados a receber transfusões sangüíneas, o que os torna presas fáceis da doença. Outro meio não muito comum é a transmissão do vírus de mãe para filho, verificada tanto antes, quanto durante ou logo após o nascimento. 6.5 — Homossexualismo e a lei moral Para a Humanidade ainda muito materialista, a prática do homossexualismo é tida como natural, permissível e simples opção sexual da pessoa, sem a devida preocupação pelos prejuízos morais a que está submetida. Do ponto de vista espiritual, a avaliação deverá ser outra, pois todos os nossos atos são analisados e julgados pela justiça maior do Universo — A JUSTIÇA DIVINA. Todo pensamento, ato ou palavra que venha desvirtuar a Lei Natural será, sem dúvida, uma transgressão da Lei Divina e, portanto, uma atitude criminosa. Este ato pecaminoso trará conseqüências obrigatoriamente desarmoniosas na estrutura delicada e sensível da nossa vida mental, da nossa organização perispirítica e, principalmente, na intimidade de nossa CONSCIÊNCIA, provocando enfermidades as mais estranhas, sejam elas físicas ou psíquicas. Os abusos sexuais, sejam praticados por heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, têm seus resultados infelizes, em nós mesmos e em nossos destinos, a longo prazo, de conformidade com a nossa teimosia em permanecermos nos erros. Reflitamos nas palavras judiciosas de um mentor espiritual ao autor André Luiz no livro “Missionários da Luz”: É lamentável — continuou o orientador, gravemente — que a maioria dos nossos irmãos encarnados na Crosta tenha menosprezado as faculdades criativas do sexo, desviando-as para o vórtice de prazeres inferiores. Todos pagarão, porém, ceitil por ceitil, o que devem ao altar santificado, através de cuja porta receberam a graça de trabalhar e aprender na superfície da Terra. Todo ato criador está cheio de sagradas comoções da Divindade e são essas comoções sublimes da participação da alma, nos poderes criadores da Natureza, que os homens conduzem, imprevidentemente, para a zona do abuso e da viciação. Tentam arrastar a luz para as trevas e convertem os atos sexuais, profundamente veneráveis em todas as suas características, numa paixão viciosa tão deplorável como a embriaguez ou a mania do ópio. (...) todos os infelizes, em semelhantes despenhadeiros, são punidos severamente pela Natureza divina.” (25.13) A moral humana destituída dos princípios da Lei Divina só avalia os prejuízos de nossas vidas e maus hábitos quando houver danos materiais, sem, contudo, divisar as conseqüências infelizes dos maus costumes para a personalidade espiritual. O Espiritismo é a doutrina da consciência livre, sem regras de proibição ou condenação. Por outro lado, oferece-nos o Código Universal de Sabedoria e Amor, ajudando-nos a discernir o certo do errado, o bem do mal, o benéfico do que é prejudicial, cabendo, então, a cada um de nós a responsabilidade pelos atos praticados. A Doutrina Espírita nos ensina a buscar na Lei Natural a regra e o guia seguro para a nossa boa conduta. Portanto, vejamos o que nos ensinam os Espíritos na Questão 633 de “O Livro dos Espíritos” sobre a Lei Natural: “Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz —basta, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à Natureza.” O corpo humano tem seus limites e funções bem definidas para os nossos desejos e ações. Todos os nossos excessos, sejam para mais ou para menos, o corpo humano acusa. Desse modo, toda criatura humana que usar comportamento ilícito, no sentido de modificar a missão fundamental dos órgãos (em nosso caso os órgãos genésicos) estará incondicionalmente transgredindo a lei natural, cometendo, assim, uma aberração sexual. Logo, todos os desvarios sexuais, tais como o excesso e o desvio, são transgressões da Lei Divina, criando transtornos e sofrimentos inevitáveis para aqueles que os praticam, sejam eles heterossexuais, homossexuais ou bissexuais. Há transgressão da Lei Divina na prática homossexual, devido ao desvio incondicional existente nesta relação. Nos textos sagrados, vamos encontrar uma referência do apóstolo Paulo sobre o homossexualismo, em sua Epístola aos Romanos, povo cuja depravação sexual era muito grande: “(...) porque até as suas mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro contrário à natureza; semelhantemente, os homens também deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro”. (Romanos, 1:26,27.) O Espiritismo explica o fenômeno da homossexualidade pela inversão do corpo físico, ou seja, em oposição à característica masculina ou feminina registrada profundamente no arquivo mental de cada Espírito, acumulada através das sucessivas experiências reencarnatórias. A personalidade sexual de cada Espírito está guardada na MENTE. André Luiz fala claramente no livro “Evolução em Dois Mundos”: “O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime (...).“ (23.18-1P) A homossexualidade, enquanto manifestação das qualidades masculinas e femininas da estrutura psicológica do ser, independente do corpo que se manifeste, não é considerada transgressão da Lei Divina, ao passo que a prática sexual dos homossexuais, ou seja, o homossexualismo, é transgressão da Lei Divina. Devemos compreender, amar e aceitar a pessoa do homossexual como irmão em evolução, tão necessitado de educação sexual quanto todos os heterossexuais, mas sem, contudo, abonar como lícita, ante a Lei Divina, a prática do homossexualismo. 6.6 — Doença e responsabilidade individual Quanto à responsabilidade individual, perante a Justiça Divina, há muita diferença entre os aidéticos que adquiriram a doença por causa de seus desvarios sexuais, em relação àqueles que contraíram a doença, sem o desvio ou a prática abusiva do instinto sexual. A criatura que busca voluntariamente a prática sexual de forma compulsiva e irresponsável, sem tomar os devidos cuidados corpóreos e morais, não estará, com o seu sofrimento, resgatando dívidas do passado, mas única e simplesmente purgando os sofrimentos de uma doença que poderia ser totalmente evitada na experiência atual. É um carma adquirido pelo próprio abuso sexual. Já para aqueles que são vítimas da doença, sem raízes nas aberrações sexuaís, a enfermidade torna-se um elemento providencial no ressarcimento de dívidas assumidas em vidas pretéritas, ensejando o resgate, aperfeiçoamento e iluminação da alma, isto é, se a criatura souber aproveitar os sofrimentos dolorosos, com resignação, humildade e confiança em Deus. Esclarecendo ainda: no primeiro caso, o aidético estará também, por sua vez, colhendo os benefícios do sofrimento em seu Espírito, como experiência valiosa para a sua educação sexual e a conquista do amor espiritualizado, sem, contudo, aliviar-se da lesão na estrutura sensível do corpo espiritual, acarretando, com isso, distúrbios não só espirituais mas também cármicos futuros. Os dramas dolorosos da Aids, acometem a todos os pacientes, cabendo unicamente à Lei Divina avaliar as causas e as necessidades de sofrimento do Espírito, na escalada evolutiva. 6.7 — O aidético e seus sofrimentos físicos e morais O indivíduo, depois de declarado enfermo da Aids pela Medicina e tomar-se conhecido pela sociedade como portador desta nova moléstia, padecerá, além dos terríveis sintomas da enfermidade, todos os tipos de preconceitos, incompreensão e abandono por parte de familiares, amigos e colegas, por ser ela por enquanto incurável, bem como pelo receio e pavor natural que assola todo o mundo, quanto aos riscos de contágio e transmissão para os cônjuges e filhos. Esse terror que toma conta da população é, de certa forma, benéfico, porque coloca um freio nos instintos sexuaís desequilibrados. As doenças físicas, por mais difíceis e dolorosas que sejam, não superam os traumas morais, que são muito mais profundos e conseqüentemente mais torturantes ao Espírito, por atingir de forma cruciante a sua sensibilidade total. Com o exílio afetivo decretado pelos familiares, amigos e colegas, vivendo o abandono geral dos corações queridos e recebendo até mesmo críticas sobre o seu comportamento, experimenta uma solidão imensa, superável apenas com muita força interior, sustentada pela fé na luz superior, que é DEUS, fonte inesgotável de Amor para o nosso fortalecimento espiritual. O aidético, quando banhado pela fé superior, passa a compreender suas dores e isolamento com o devido perdão e humildade, beneficiando-se em todos os aspectos físicos e psíquicos, pela eliminação da revolta, condenação, tristeza e desespero, que poderiam indubitavelmente lesar ainda mais o seu sistema mental. Existem inúmeras frentes de pesquisas na Ciência, buscando a cura da Aids — o que é louvável — mas, para o Espiritismo, não basta unicamente curar o corpo físico, o que seria apenas paliativo, mas sobretudo eliminar os agentes etiolõgicos radicados na alma. Para que possamos entender melhor o que acabamos de comentar, meditemos no que nos relata Emmanuel sobre as graves moléstias de difícil tratamento: “Indagareis, aflitos, quanto às moléstias incuráveis pela ciência da Terra e eu vos direi que a reencarnação, em si mesma, nas circunstâncias do mundo envelhecido nos abusos, já representa uma estação de tratamento e de cura e que há enfermidades d’alma, tão persistentes, que podem reclamar várias estações sucessivas, com a mesma intensidade nos processos regeneradores.” (12.96) O Espiritismo, que revive o Cristianismo Primitivo, descortinando a grandeza das Leis Divinas no Universo, nos ensina a conquistar primeiramente a saúde espiritual, como reflexo do equilíbrio interior, o qual nasce da disciplina das emoções, contenção de nossos desejos inferiores e da anulação completa de nossa inquietação sexual. A Humanidade mantém-se na ignorância das próprias misérias espirituais, ainda bastante distanciada que está dos princípios superiores da Vida Maior, contidos nas regras morais do Evangelho de Jesus. Jesus é o Divino Médico das almas. Aidéticos ou não, todos necessitamos enorme-mente dos esclarecimentos e da prática das Leis Morais e Espirituais que governam a vida e o destino de todas as criaturas. Emmanuel em seu livro “O Consolador” esclarece-nos, à luz do Evangelho, com relação aos benefícios das doenças incuráveis: “O Plano Espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de uma escola não pode decifrar os problemas relativos à evolução de seus discípulos. Além de tudo, a doença incurável traz consigo profundos benefícios. Que seria das criaturas terrestres sem as moléstias dolorosas que lhes apodrecem a vaidade? Até onde poderiam ir o orgulho e o personalismo do espírito humano, sem a constante ameaça de uma carne frágil e atormentada? Observemos as dádivas de Deus no terreno das grandes descobertas, mobilizadas para a guerra de extermínio, e contemplemos com simpatia os hospitais isolados e escuros, onde, tantas vezes, a alma humana se recolhe para as necessárias meditações.” (12.101) Que os irmãos aidéticos possam aproveitar suas experiências dolorosas, com as luzes da fé e as bênçãos do amor fraterno e universal, para o devido resgate e aperfeiçoamento espiritual. 6.8 — Educação sexual à luz do Evangelho. Medicina preventiva do corpo e da alma Analisando os problemas da educação sexual, principalmente do homossexual, à luz do Espiritismo, lembremos as palavras de uma elevada personalidade espiritual no livro “No Mundo Maior”, que nos faz recordar que os problemas sexuais são todos de ordem espiritual. Senão, analisemos: “(...) temos, na inquietação sexual, fenômeno peculiar ao nosso psiquismo, em marcha para superiores zonas da evolução”. (26.11) Todas as nossas manifestações sexu ais, bem como os problemas da sexualidade humana, estão profundamente radicados na estrutura mental, e não simplesmente em neurônios, glândulas e hormônios, cuja atuação no organismo se concentra unicamente no sentido da expressão dos caracteres sexuais físicos. Todos nós (em especial, o irmão homossexual interessado em educar-se para a prática do AMOR ESPIRITUALIZADO) enfrentamos não somente as doenças sexualmente transmissíveis, dentre elas a Aids, mas também o sintoma íntimo mais infeliz — a TORTURA SEXUAL, problema também da maior gravidade, inerente a cada pessoa, o qual está profundamente radicado em nossa estrutura psicológica, ou seja, na MENTE. A educação do homossexual na área do sexo, à luz do Espiritismo, não se fará com a eliminação dos seus reflexos mentais de feminilidade ou masculinidade, pois estes já constituem patrimônio íntimo, adquiridos em experiências nas reencarnações sucessivas, nos milênios. O que é bom no Espírito deve ser conservado, cabendo somente o dever de aperfeiçoar e purificar estas qualidades. É imprescindível que o homossexual trabalhe a espiritualização de sua própria personalidade para que possa, através dela, dominar os desejos inferiores, conter as aberrações sexuais e distanciar-se da promiscuidade sexual, direcionando suas energias psíquicas com MUITO ESFORÇO INTERIOR para as obras da FÉ SUPERIOR, da CARIDADE, da VIRTUDE e das ARTES. O Querido médium e sábio conhecedor da alma humana, Chico Xavier, em resposta à Folha Espírita, de novembro de 1988, quando questionado a respeito da Aids, iluminou-nos a mente com os seguintes esclarecimentos: “Acredito que a Aids, a nova moléstia, não é um castigo de Deus, mas uma questão criada por nós mesmos, as criaturas da Terra, e que alcançará, por misericórdia de Deus, a vacina necessária para que nos desvencilhemos de semelhante flagelo. Devemos compreendê-lo como uma sugestão para melhorar os nossos costumes. Não podemos dizer que seja um castigo de Deus uma doença que tem aparecido nos próprios recém-nascidos. Os cuidados, a higiene, a possível abstenção sexual e o respeito uns a frente dos outros são os remédios de que dispomos, à espera de um antídoto, uma vacina que está sendo elaborada pelos nossos cientistas.” Do ponto de vista material, a ciência oferece de imediato o preservativo ‘camisinha de Vênus” e orienta para a diminuição de parceiros sexuais, como meio de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, essencialmente da Aids, ao passo que o Espiritismo nos oferece a prática das virtudes evangélicas, como preservativo das doenças da alma, sem o qual estaremos expostos ao contágio de todo tipo de bacilos psíquicos e irradiações mentais infecciosas, a debilitar as nossas energias espirituais. De nossa parte, queremos afirmar que pertence a cada criatura, seja na condição de homossexual ou heterossexual, a responsabilidade pessoal de promover, quando lhe aprouver, a auto-educação das energias da libido, para que possa a cada dia, conquistar o amor espiritualizado, aprendendo a aplicá-las com equilíbrio e discernimento, expandindo a sensibilidade para novas fontes de prazeres mais nobres e sutis, muito além do sexo fisiológico. Em matéria de sexo, é necessário entender: não proibição, mas educação; não preconceito, mas compreensão da individualidade psicológica sexual de cada pessoa; não satisfação fácil do desejo, mas disciplina; não viciação do instinto sexual, mas uso com discernimento; não abstinência imposta, mas emprego digno. Devemos adquirir valores morais superiores, para purificar nossos desejos e aprimorar a energia sexual, a fim de sermos mais felizes no amor sexual, não somente no prazer momentâneo do orgasmo fisiológico, mas, muito especialmente no prazer íntimo e profundo de doar e permutar amor, carinho, simpatia, humildade e renúncia em nosso relacionamento afetivo e sexual, apesar das grandes dificuldades e imperfeições morais de todos nós em Humanidade. 7 ADULTÉRIO E INDULGÊNCIA “Aquele dentre vós que estiver sem pecado atire a primeira pedra.” — Jesus. — (João, 8:7) O adultério de que iremos tratar, se restringirá ao aspecto da violação da confiança conjugal, da infidelidade matrimonial e da viciação do instinto sexual, tanto por parte do homem como da mulher, abstendo-nos de considerar o aspecto jurídico. 7.1 — A mulher adúltera e a lei mosaica. A mulher, em todas as épocas da Humanidade, foi sempre submetida ao poder, à tirania, à deslealdade e à escravização pelo homem. Em caso de adultério, ela sempre ficou com a parte mais difícil e incompreendida de todos. Ao tempo de Jesus, a mulher, quando vista em adultério, era severamente castigada, geralmente com a morte, obedecendo aos princípios rígidos da religião judaica; ao passo que o homem, seu companheiro de comunhão sexual sem responsabilidade, não era considerado culpado, mas, sim, vítima de suas atrações perigosas. A rigidez da lei mosaica com a mulher adúltera era bem a manifestação da dureza de coração das criaturas humanas da época. 7.2 — Conhecimento das próprias fraquezas Interferindo no processo cruel da praça pública, em defesa da mulher desprotegida e desesperada que lhe solicitara apoio e salvação, Jesus não levantou os braços, não gritou, não usou a força física e nem manipulou um grupo de comandados para usar a violência contra a turba enlouquecida, mas simplesmente enviou uma mensagem de luz, para que as mentes masculinas compreendessem as próprias deficiências e fraquezas morais. Usando somente sua autoridade moral, fez uma indagação amorosa que penetrou profundamente na consciência de cada um, estimulando-os a efetuarem uma auto-análise de sua conduta na qual descobriram falsidades, deserções e negações, compenetrando-se de suas próprias deficiências. A mulher adúltera naquele momento simbolizava a Humanidade inteira. Jesus nos concitava a pensar em nossas próprias imperfeições, fraquezas e faltas, principalmente quanto à nossa sexualidade. O Espírito Emmanuel nos aclara o raciocínio: ‘Tantos foram os desvarios dos Espíritos em evolução no Planeta — Espíritos entre os quais muito raros de nós, os companheiros da Terra, não nos achamos incluídos — que decerto Jesus, personalizando na mulher sofredora a família humana, pronunciou a inesquecivel sentença, convocando os homens, supostamente puros em matéria de sexualidade, a lançarem sobre a companheira infeliz a primeira pedra.” (17.22) Após os homens se retirarem, um a um, em silêncio, Jesus transmitiu à infeliz criatura uma mensagem de amor, esperança e fé para o seu coração torturado e ela deixou a praça, experimentando uma sensação nova no Espírito. 7.3 — Compaixão para com as criaturas em quedas do sentimento O apóstolo João, ainda convivendo com as leis inflexíveis do Judaísmo e incapaz de compreender de imediato as palavras do Mestre, perguntou-lhe: “Por que não condenaste a meretriz de vida infame?” Vejamos o que o Mestre respondeu, segundo o Espírito Humberto de Campos: “Jesus fixou no discípulo o olhar calmo e bondoso e redargüiu: — Quais as razões que aduzes em favor dessa condenação? Sabes o motivo por que essa pobre mulher se prostituiu? Terás sofrido alguma vez a dureza das vicissitudes que ela atravessou em sua vida? Ignoras o vulto das necessidades e das tentações que a fizeram sucumbir a meio do caminho. Não sabes quantas vezes tem sido ela objeto do escárnio dos pais, dos filhos e dos irmãos das mulheres mais felizes. Não seria justo agravar-lhe os padecimentos infernais da consciência pesarosa e sem rumo.” (31.13) Para viver e servir com Jesus, é indispensável compreendamos as lutas e dificuldades morais e espirituais do próximo, a fim de não usarmos o estilete da crítica e nem as pedradas da condenação. O Mestre do Amor Maior nos convida a amar, iluminar, servir, educar e salvar almas e não relacionar os defeitos do próximo, os quais, em realidade, são ainda de todos nós, nas experiências da vida humana. Jesus nos fala, através de Humberto de Campos: “A Terra, portanto, pode ser tida como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos; o Evangelho, no entanto, traz ao homem enfermo o remédio eficaz (...).“ (31.13) Quem fixa a atenção nas falhas alheias, para descrevê-las, ainda não está apto para cooperar na grande obra de renovação com Jesus, pela reabilitação do espírito humano. 7.4 — A falsidade moral dos acusadores Continuando o episódio evangélico, o apóstolo João, ainda sem compreender a excelsitude da indulgência, volta a perguntar: “(...) ela pecou e fez jus à punição. Não está escrito que os homens pagarão, ceitil por ceitil, os seus próprios erros? O Mestre sorriu sem se perturbar e esclareceu — Ninguém pode contestar que ela tenha pecado; quem estará irrepreensível na face da Terra? Há sacerdotes da lei, magistrados e filósofos que prostituíram suas almas por mais baixo preço; contudo, ainda não lhes vi os acusadores. A hipocrisia costuma campear impune, enquanto se atiram pedras ao sofrimento. João, o mundo está cheio de tümulos caiados. Deus, porém, é o Pai de Bondade Infinita que aguarda os filhos pródigos em sua casa”. (31.13) Jesus refere-se à hipocrisia, ou seja, à nossa falsidade moral, nosso fingimento sentimental, nossas aparências de virtudes, nosso rigor com as faltas alheias, sem registrarmos as próprias, as quais, pela nossa rigidez de sentimento, são maiores e mais graves. 7.5 — O apedrejamento moral No mundo de hoje, não temos mais o apedrejamento das mulheres adúlteras em praça pública e o castigo até à morte, mas continuamos na intimidade de nosso relacionamento com a praça imensa e sombria da maledicência, o julgamento coletivo da crítica impiedosa, as pedradas fennas da calúnia, o vozerio da condenação irredutível, o prazer de ver alguém em queda, para comentar seu comportamento infeliz, no banquete pantanoso das conversações maldosas, o abandono aos que caem pela afeição doentia, a morte moral no desalento e no desespero dos enganados no sentimento, sem um coração amigo que os reerga da fuma da angústia! Há muitos crimes não registrados pela justiça humana, porque atingem a cidadela da alma, mas a Justiça Divina arquiva com detalhes, para julgamento imparcial, no futuro próximo ou distante. No diálogo de João e Jesus, vejamos o que o Divino Médico das Almas nos fala sobre os sofrimentos maiores da mulher adúltera: “Poder-se-ia desejar para a pecadora humilde tormento maior do que aquele a que ela própria se condenou por tempo indeterminado? Quantas vezes lhe tem faltado pão à boca faminta ou a manifestação de um carinho sincero à alma angustiada? Raras dores no mundo serão idênticas às agonias de suas noites silenciosas e tristes. Esse o seu doloroso inferno, sua aflitiva condenação.” (31.13) Todas as criaturas, em quedas no relacionamento afetivo, principalmente as do sexo feminino, esperam de nossa parte a indulgência. Que não sejamos, pois, juízes da conduta alheia, a fim de que realmente possamos ajudar, amparar e servir. “A Indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras, apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.” (02.10) Nos problemas do coração, a mulher sempre ficou com a parte mais difícil, pois sempre foi a mais acusada, a mais esquecida, a mais ferida, a mais desprotegida e a mais sofredora, mesmo nos tempos atuais. O autor de “Boa Nova” nos diz: “E o homem é sempre fraco e a mulher sempre sofredora!. 2’ (31.22) 7.6 — Valor espiritual das mulheres mais desventuradas Apesar de todas essas ingratidões, perseguições e crueldades, em todos os tempos, para com a mulher, o Divino Mestre Jesus confia e reconhece nelas, mesmo as mais desventuradas e infelizes nos caminhos das experiências humanas, o verdadeiro sustentáculo de regeneração da Humanidade, asseverando: ‘Por isso, as mulheres mais desventuradas ainda possuem no coração o gérmen divino, para redenção da humanidade inteira. Seu sentimento de ternura e humildade será, em todos os tempos, o grande roteiro para a iluminação do mundo (...).“ (31.22) No que concerne à prática do bem, da caridade e do auxílio aos sofredores, não podemos esquecer que usar a indulgência será sempre amar mais e melhor, para servirmos realmente com Jesus. 8 PROSTITUIÇÃO E REEDUCAÇÃO ESPIRITUAL ‘Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.” — Jesus. — (Mateus, 15:13) A prostituição não teve seu início nos primeiros dias da Humanidade, pois os homens ainda não possuíam os vícios e as paixÕes. Com o desenvolvimento das paixões é que vieram a surgir os maus costumes no seio dos agrupamentos humanos. Antes de Jesus, já existia a prostituição, mas não era tolerada pela religião dominante (que até mesmo aconselhava a lapidação da mulher adúltera), impossibilitando de certo modo a sua expansão. O Espírito Emmanuel nos esclarece: “(...) a prostituição que reúne em si homens e mulheres que se entregam às relações sexuais, mediante paga, estabelecendo mercados afetivos”. (17.22) 8.1 — O mercado dos prazeres sexuais nos seus primórdios. A mulher —a grande vítima O mercado organizado dos prazeres sexuais foi uma promoção originariamente das mulheres, mas, sim, dos homens, como nos diz Emmanuel: “Note-se que o lenocínio de hoje, conquanto situado fora da lei, é o herdeiro dos bordéis autorizados por regulamentação oficial, em muitas regiões, como sucedia notada-mente na Grécia e na Roma antigas, em que os estabelecimentos dessa natureza eram constantemente nutridos por levas de jovens mulheres orientais, direta ou indiretamente adquiridas, à feição de alimárias, para misteres de aluguel.” (17.22) Em todos os tempos e lugares, as mulheres se viram sempre oprimidas, enganadas, perseguidas, escravizadas e manipuladas pelos caprichos mesquinhos, desejos vis e ambições desmedidas dos homens. Nenhuma das irmãs que passam pelas experiências da prostituição deixa de sofrer duras provações, grandes desenganos e profundas necessidades do coração. 8.2 — Prostituição — flagelo social por desvirtuamento e deterioração do sexo Sob o aspecto lesivo à nobre finalidade do sexo, na condição imprescritível de instrumento de formação da família, a prostituição, como flagelo social, só é tolerada do ponto de vista do direito ao direcionamento às manifestações do livre-arbítrio feminino, atentatórias ao pleno acatamento à lei de procriação, a que deploravelmente permanecem desatentos o homem e a mulher. O Espírito Emmanuel nos esclarece que a prostituição funciona como um elemento de provação: “(...) o adultério e a prostituição ainda permanecem, na Terra, por instrumentos de prova e expiação (...).“ (17.22) Cada Espírito encarnado é tentado e experimentado, de acordo com as fraquezas e tendências que possui no coração. Ninguém nasce para errar, mas cada Espírito vai fazer de sua vida, hoje, conforme o que trouxe de vidas passadas. Não somos tentados, se não trouxermos a tentação dentro de nós mesmos. Os Espíritos que não se reeducam o mais cedo possível, em termos de idade física, tendem naturalmente a recapitular os mesmos erros e vícios de existências anteriores. 8.3 — Jesus acolhia amorosamente as mulheres decaídas Para que possamos aprender a amar verdadeiramente nossas irmãs infelizes, não temos melhor e maior exemplo do que aquele do Mestre Jesus, que convivia amorosamente com todos os tipos de pessoas. As irmãs decaídas chegaram a tal número, acompanhando o Divino Mestre em suas pregações, que o apóstolo Pedro, apreensivo, disse: “Observando os nossos costumes, Senhor, é que temo por vós, acolhendo tantas meretrizes e mulheres de má-vida, nas pregações do Tiberíades. ..“(31 .22) O Divino Amigo com ternura explica ao discípulo atento: Mas, ouve, Pedro! A lei antiga manda apedrejar a mulher que foi pervertida e desamparada pelos homens; entretanto, também determina que amemos os nossos semelhantes, como a nós mesmos. E o meu ensino é o cumprimento da lei, pelo amor mais sublime sobre a Terra. Poderíamos culpar a fonte, quando um animal lhe polui as águas? De acordo com a lei, devemos amar a uma e a outro, seja pela expressão de sua ignorância, seja pela de seus sofrimentos. E o homem ésempre fraco e a mulher sempre sofredora.” (31.22) 8.4 — Exemplo de reeducação espiritual Um grande exemplo de amor de Jesus para com as mulheres esquecidas vemos na figura de Maria de Magdala. Maria, depois de ouvir os ensinamentos de Jesus, sentiu-se tocada profundamente nas fibras mais sensíveis da alma e desejava ardentemente buscar uma vida nova. Concentrando seus pensamentos mais sinceros, deixou o ambiente de luxo e prazer e caminhou movida pelo intuito de dialogar com o Senhor e expor-lhe suas intenções mais puras. Encontrou o Mestre amado na residência humilde do apóstolo Pedro e confessou-lhe todos os seus anseios de seguir os ensinamentos sublimes. Jesus ouviu-a com bondade infinita e disse: “— Maria, levanta os olhos para o céu e regozija-te no caminho, porque escutaste a Boa Nova do Reino e Deus te abençoa as alegrias! Acaso, poderias pensar que alguém no mundo estivesse condenado ao pecado eterno? Onde, então, o amor de nosso Pai? Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ruínas? As ruínas são as criaturas humanas; porém, as flores são as esperanças em Deus. (...) Sentes hoje esse novo Sol a iluminar-te o destino! Caminha agora, sob a sua luz, porque o amor cobre a multidão dos pecados.” (31.20) Continuando a falar a Maria, Jesus discorreu com beleza inconfundível sobre o amor: “O que verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para o difícil acesso às luzes da redenção. O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema!. 2’ (31.20) Maria, magnetizada e embevecida pelas palavras amorosas e profundas do Divino Mestre, sente seu coração fortalecido para a grande luta interior pela sua renovação dentro do Evangelho e fala com muita convicção e desejo fervoroso de amar: Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor celestial que me ensinastes!... Acolherei como filhas as minhas irmãs no sofrimento, procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com os aleijados e leprosos...” (31.20) Jesus, depois de ouvir as palavras sinceras de Maria, finalizou sua conversação amorosa, dizendo-lhe: “(...) é necessário que cada um tome sua cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo. (...) Vai, Maria!... Sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil a jornada, estreita a porta, mas, a fé remove os obstáculos... nada temas: é preciso crer somente!” (31.20) Depois desse encontro maravilhoso, Madalena consagrou-se de alma e coração aos serviços do Evangelho, chegando a conviver com os leprosos abandonados, a fim de levar-lhes seu amor, sua amizade e os ensinamentos libertadores do Cristo. Seus trabalhos e suas lutas para a reforma íntima foram imensos, qual nos diz Emmanuel: “Dentre os vultos da Boa Nova, ninguém fez tanta violência a si mesmo, para seguir o Salvador, como a inesquecível obsidiada de Magdala. (...) bastou o encontro com o Cristo para abandonar tudo e seguir-lhe os passos, fiel até ao fim, nos atos de negação de si própria e na firme resolução de tomar a cruz que lhe competia no calvário redentor de sua existência angustiosa.” (7.92) Quantos que na época de Jesus acusaram e criticaram duramente o comportamento irregular de Madalena e, por sua vez, não fizeram sua própria renovação de vida em Jesus-Cristo? Maria de Magdala estava em erro, mas, quando acordou para a Vida Superior, caminhou decididamente no aperfeiçoamento interior e transformou-se num dos grandes expoentes do Cristianismo Nascente. Em nossas lutas e conflitos íntimos, busquemos ter em Maria de Magdala — o exemplo de decisão, o modelo moral de humildade e a força sincera do coração, para seguir Jesus, na conquista de uma vida afetiva mais nobre e mais pura. 8.5 — O Reino de Deus para os acusadores endurecidos Aos acusadores inveterados do mundo, que não ajudam e somente perturbam, embora vivendo acobertados por uma falsa religiosidade, Jesus advertiu-os, dizendo: “Em verdade, vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no Reino de Deus.” Jesus queria nos dizer que todos os religiosos endurecidos de coração que vivem destacando as imperfeições dos desequilibrados do mundo, ferindo e condenando, sem dar-lhes amor e educação espiritual, conquistarão os tesouros do Céu no reino da alma muito tempo depois dos pecadores arrependidos que revelam sinceridade diante do Cristo e trabalham pela sua própria renovação moral. Somente educa realmente alguém, aquele que já sabe amar profundamente com humildade sincera e serve desinteressadamente ao próximo, sem descanso. 8.6 — Um exemplo de amor — duas meretrizes ajudam Chico Xavier Outro grande exemplo de amor às irmãs dos prazeres passageiros, temos com o exemplo de nosso querido médium Chico Xavier, narrado pelo escritor Ramiro Gama. Certa feita, um cego que mendigava sofre uma queda de um viaduto. Chico socorre-o e, não tendo ninguém por ele, leva-o para sua casa. O mendigo cego, em virtude de seus ferimentos, necessitava de cuidados diários. Chico, não tendo tempo durante o dia, em virtude do trabalho profissional, solicita, através de um pequeno jornal da cidade, a cooperação de alguém. Depois de uma semana, surgiram duas meretrizes bastante conhecidas na cidade, oferecendo sua ajuda. Chico as recebeu com muito carinho e alegria. Indicou-lhes o serviço a fazer. Todos os dias, antes de elas se dirigirem para sua casa, Chico orava com elas junto ao leito do enfermo. Depois de um mês, o enfermo estava refeito. Após a prece habitual, as mulheres lhe confessaram: “Chico, a prece modificou a nossa vida. Estamos a despedir-nos. Mudamo-nos para Belo Horizonte, a fim de trabalharmos.” (36.51) E foi o que aconteceu às duas ex-meretrizes, em Belo Horizonte: uma foi trabalhar numa tinturaria e a outra, estudando, conquistou o titulo de enfermagem. Tendo em Chico Xavier um grande exemplo de como amar os esquecidos do mundo, não se importando com as opiniões alheias, esforcemo-nos para amar, servindo, ajudando a levantar, em silêncio, corações angustiados para uma vida nova. Todas as criaturas humanas são suscetíveis de se reformarem para o bem, mas isso não se realizará simplesmente com doutrinação primorosa, didática perfeita, técnicas maravilhosas e exigências de mudança repentina, pois se precisará muito mais de amor puro e desinteressado, para recebê-las em nossos corações, amando-as como elas são e amparando-lhes o espírito com tolerância incansável, para que façam, por si mesmas, dentro de suas próprias condições, o seu trabalho de reeducação espiritual. 9 HOMOSSEXUALIDADE E REENCARNAÇÃO “(...) a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios”. — André Luiz (23.18-1P) A homossexualidade é a atração sexual entre pessoas do mesmo sexo. O homossexual é alguém que possui uma identidade sexual em choque com a sua formação anatômica. A homossexualidade é uma anomalia da personalidade observável não somente neste século, mas em toda as épocas da Humanidade. O apóstolo Paulo fez referência aos abusos da homossexualidade em Roma, em sua Epístola aos Romanos. A diferença com o passado longínquo está em que hoje, graças aos progressos imensos dos meios de comunicação, os avanços da ciência e o crescimento numérico do fenômeno, este assunto é colocado em mais evidência em todo o mundo. 9.1 — Ciências psicológicas e suas pesquisas As ciências psicológicas efetuaram pesquisas detalhadas e aprofundadas na personalidade com inversão na manifestação sexual. Analisaram sua infância, sua educação, suas tendências, aptidões, comportamento, seu meio ambiente, a influência dos pais, visando a chegar às causas da homossexualidade, a fim de reeducá-la. Sendo seus conceitos unicamente materialistas, colocam todas as causas do problema no presente, fundamentadas na educação errônea dos pais, na instituição negativa das escolas, nos ambientes perniciosos à moral e também em algum desequilíbrio da genética, acreditando-se que os homossexuais nascem com um cromossoma a mais. Apesar de todos esses esforços, não conseguiram chegar às causas reais mas somente aos desencadeadores imediatos. 9.2 — Tendências homossexuais e reencarnação As causas profundas da homossexualidade não têm origem no hoje, mas nas vidas passadas, e somente a Lei da Reencarnação pode explicá-las. Na vida atual, o que acontece não é criar-se a homossexualidade, porém estimular-se a sua manifestação e desequilíbrio, pois os característicos sexuais profundos já nascem com o Espírito, adquiridos em experiências sexuais na esteira das reencarnações, através dos milênios. O Espírito Emmanuel nos fala sobre as pesquisas psicológicas e a reencarnação: “A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.” (17.21) Sabemos que o Espírito tanto pode reencarnar-se em corpo de homem como de mulher; o que lhe interessa é a aquisição de experiências, o resgate das dívidas e o aperfeiçoamento. Vejamos o que nos falam os Espíritos da Codificação, na Questão 201: “Em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa? “Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.” (01.201) A reencarnação é a explicação única para o fenômeno da inversão da sexualidade da criatura humana, dentro da lógica, do bom senso e da justiça. O Espírito já existia antes dessa existência atual. Quando ele reencarna, traz consigo, na sua subconsciência, um acervo imenso de experiências sexuais, valores morais, tendências, qualidades e defeitos adquiridos em múltiplas existências anteriores. 9.3 — A personalidade sexual está registrada na MENTE O sexo, antes de se manifestar no corpo, já se encontra arquivado no Espírito. A sede real do sexo está guardada na mente, ou seja, no Espírito, como nos diz André Luíz: “(...) o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e conseqüentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida (...)“. (23.18-1 P) Ainda André Luiz reafirma: “A sede do sexo não se acha no corpo grosseiro, mas na alma, em sua sublime organização.” (26.11) O Espírito é feminino ou masculino, em virtude das experiências inumeráveis repetidas nos séculos, exercendo as mesmas funções, reencarnando em um mesmo tipo de corpo físico. A sua mente estará grandemente enriquecida de qualidades específicas, determinando a sua individualidade. É o que nos explica o autor de “Ação e Reação”: “(...) O sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser. É natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem.” (18.15) Esclarecidos de que o sexo é mental, é psicológico, vejamos agora a explicação dos Espíritos em três situações nas quais fazem surgir a homossexualidade. 9.4 — As três situações em que ocorre a homossexualidade PRIMEIRO CASO — Espírito com mente acentuadamente feminina, reencarna em processo de expiação, em corpo masculino. O corpo masculino vai contrariar e criar muitas dificuldades para a manifestação dos impulsos e tendências da mente feminina, O Espírito reencarnado, não aceitando a sua nova posição, fará todo o possível para moldar o corpo masculino, a fim de atender a sua sensibilidade feminina. A inversão não é da mente, porém do corpo físico passageiro. Vejamos agora a causa por que o Espírito feminino reencarna, em processo expiatório, em corpo de homem. André Luiz continua nos iluminando: “(...) a mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à delinqüência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro, requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor”. (18.15) O Espírito com mente feminina, pela reencarnação, habitando em corpo masculino, continuará expressando a sua personalidade, seu caráter, suas tendências, aptidões e sensibilidade feminina. Não é a mente feminina que se escraviza às injunções do corpo masculino, mas, sim, este é que obedece as ordens absolutas da mente feminina. O Espírito feminino, envergando transítoriamente um corpo masculino, vai apresentar sua afeição e simpatia, não propriamente por uma mulher, mas sim por um outro homem, pois, na essência, é uma mulher. Sente atração sexual pelo mesmo sexo enquanto corpo, mas não enquanto estrutura psicológica —pois essas são realmente diferentes. O mentor de Chico Xavier afirma: “(...) a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias”. (17.21) SEGUNDO CASO — Espírito com mente marcadamente masculina em processo de expiação, reencarna em corpo feminino. Se é a mente que comanda o corpo, é lógico que o Espírito irá manifestar-se através do corpo feminino, com todos os seus característicos masculinos, apesar de o corpo ser diferente de seus impulsos mentais. A masculinidade psicológica irá moldar o corpo feminino para o comportamento de homem, dentro do possível. Vejamos as causas por que o Espírito masculino reencarna em corpo morfologicamente feminino, dentro dos estatutos da Justiça Divina. Explica-nos o médico do mundo espiritual: “(...) em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, éconduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus (...)“. (18.15) TERCEIRO CASO — Espíritos cultos e sensíveis com a mente acentuadamente feminina ou marcadamente masculina, reencarnam em corpos diferentes de sua estrutura psicológica, para execução de tarefas especializadas no campo do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual da Humanidade. O Espírito André Luiz continua explicando-nos: “(...) os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias, reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais recônditos sentimentos, posição solicitada por eles próprios, no intuito de operarem com mais segurança e valor, não só o acrisolamento moral de si mesmos, como também a execução de tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do campo social terrestre que se lhes vale da renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e no progresso espiritual”. (18.15) Nesse caso, os Espíritos não serão levados para comportamentos inconvenienteS e abusos sexuais, como pode ocorrer nos dois primeiros casos, pois já possuem elevação moral e espiritual que lhes confere a disciplina das emoções e desejos. O que mais lhes interessa é a garantia de cumprir bem sua missão na experiência humana. Essa inversão temporária não choca, não perturba e nem arrasa com sua personalidade; ao contrário, vai dar-lhe maior segurança e tranqüilidade para a concretização de seus trabalhos, em benefício da Humanidade. Não deixarão de sofrer também momentos difíceis e experiências amargas, principalmente no campo do sentimento, mas suportarão a solidão afetiva com fé, coragem, amor e idealismo superior. O Espírito Emmanuel fala-nos: “Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam.” (17.21) 9.5 — Homossexualidade: profundas lutas do sentimento e de identidade A homossexualidade nos dois primeiros casos é uma expiação e uma experiência muito mais dolorosa que no terceiro, em virtude das dificuldades morais e vícios em que geralmente se encontram. Nos três casos eles não poderão realizar-se no sentido da união conjugal normal, mesmo quando sofrem a cirurgia para mudança de sexo fisiológico, pois não obterão, com a colaboração da Ciência, as bênçãos da maternidade e nem a capacidade de fecundar uma mulher, constituindo isso uma grande frustração pela vida inteira. Entendendo essas profundas lutas do sentimento e de identidade consigo mesmos, devemos manifestar em nossos corações compreensão, indulgência e compaixão cristã para com todos eles. Respeitemos a vida afetiva e sexual de cada companheiro em experiência transitória da homossexualidade. Se encontrarmos dificuldades em aceitar, tolerar e conviver com esses irmãos em Deus, meditemos se agora estivéssemos encarnados em corpo diferente do que a nossa mente determina em matéria de sexualidade. Logicamente, poderíamos estar passando pelas mesmas lutas sentimentais e psicológicas de nossos irmãos homossexuais femininos ou masculinos. As suas lutas espirituais poderão ser as nossas em futura encarnação. Devemos amá-los como eles são, com todas as características de sua personalidade psicológica, pois são também Espíritos imortais, com aquisições valorosas e respeitáveis virtudes, adquiridas em séculos e séculos de aprendizagem nas vidas pretéritas. Se os homossexuais necessitam melhorar em alguns aspectos de conduta, moral e sexual, as criaturas heterossexuais, chamadas de “normais” na atividade sexual, têm também seus problemas morais e de caráter bastante graves para serem solucionados através da educação dos sentimentos. Se estes casos se contam aos milhões em todo o mundo, é porque o sexo desequilibrado é um dos problemas mais comuns a serem solucionados pela maioria dos Espíritos da Terra. A experiência homossexual exige da parte do Espírito duras disciplinas, conforme nos expõe André Luiz: “(...) inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. (...) homens e mulheres podem nascer homossexuais ou inter-sexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se e nunca sob a destinação do mal (...)“. (29.11-2P) A maioria de nós todos, desse modo, não poderá considerar-se então com normalidade sexual absoluta, não quanto a organização fisiológica, mas, sim, quanto às manifestações psicológicas, dizendo “eu sou totalmente homem” ou “eu sou integralmente mulher”, porque sempre possuirá um pouco ou muito dos característicos ou das qualidades psicológicas do outro sexo. Ante os irmãos na experiência da homossexualidade, o espírita não deve manifestar as atitudes negativas de: admiração, desapontamento, estranheza, zombaria, condenação ou desprezo, pois nenhum de nós, nas experiências da vida humana, está totalmente equilibrado nem seguro de sua vida emotiva e sexual. Todos nós somos chamados, na fieira das reencarnações, a adquirir qualidades de masculinidade e feminilidade. Embora as características psicológicas de uma delas surja em maior grau, definindo-nos como homem ou mulher, todos nós carregamos também, em menores proporções, em nossa estrutura mental, alguns traços do sexo oposto, manifestando-se em nossas aptidões e tendências. Somos sempre a soma de qualidades masculinas e femininas em nosso acervo psicológico, embora uma delas esteja em maior número de reflexos em nossa subconsciência. O Espírito André Luiz ajuda-nos a analisar com maior profundidade a realidade espiritual de nós mesmos: “(...) na Crosta Planetária os temas sexuais são levados em conta, na base dos sinais físicos, que diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não define a realidade integral, porqüanto, regendo esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico. Homens e mulheres, em Espírito, apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de característicos viris e feminis em cada indivíduo, o que não assegura possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social”. (29.09-2P) 9.6 — O fenômeno da bissexualidade Se pelo nosso corpo físico podemos nos definir como homem ou como mulher, o mesmo não podemos dizer com relação ao nosso mundo psíquico, que em quase todas as criaturas irá apresentar o fenômeno da bíssexualidade, ou seja, manifestar qualidades, aptidões, sensibilidade, caráter e tendências de ambos os sexos, embora uma das características esteja em maior percentual, decretando a feminilidade ou a masculinidade. Vejamos o que o Espírito Emmanuel nos expõe a respeito do fenômeno da bissexualidade: “(...) através de milênios e milênios, o Espírito passa por fieira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminino, sem especificação psicológica absoluta”. (17.21) 9.7 — Amar sem preconceito. Respeito àestrutura psicológica Com a Doutrina Espírita e o Evangelho de Jesus, temos bastante luz para aprendermos a tratar com dignidade nossas irmãos que passam temporariamente pelas duras experiências da homossexualidade. Com o Evangelho de Jesus nos corações, pais, educadores e técnicos da saúde humana física e psicológica muito poderão realizar em matéria de apoio e assistência aos homossexuais. As interpretações confusas da Ciência terrena não resolvem os problemas do Espírito do homossexual; nossas exigências não socorrem os seus sentimentos torturados; nosso descaso não ajuda na educação de sua personalidade. Não queiramos modificar a estrutura psicológica, formada nos milênios, com alguns esclarecimentos verbais de alguns meses ou anos. Para assistir os necessitados da alma, são indispensáveis, mais do que a simples bondade, os valores superiores da visão espiritual profunda e dos tesouros do amor no coração. O sábio Espírito Em-manuel nos mostra uma bondade maior: “Para atender aos que carecem de apoio físico, é preciso bondade; no entanto, para arrimar os que sofrem necessidades da alma, é preciso bondade com madureza.” (10.13) É indispensável muita luz de entendimento nos raciocínios e riquezas de amor no coração, para ver e sentir as profundas lutas morais dos irmãos em experiências expiatórias na homossexualidade, como se fossem nossos familiares queridos, a fim de ajudar amando, sem exigências, sem violência e sem a tola vaidade de julgar-se com superioridade moral diante deles. É ainda o Espírito Emmanuel quem nos adverte: “(...) o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais”. (17.21) Somente com o amor do Cristo no coração, haverá o amparo educativo adequado, em qualquer lugar, aos irmãos que apresentem desajustes da sexualidade. Recebamo-los em nossos corações como se fossem um filho, um pai ou uma mãe, doando-lhes amizade sincera, diálogo fraterno, convivência cristã, compreensão, tolerância, simpatia, bondade, atenção e respeito, a fim de amarmos e servirmos, tal como um dia o Divino Mestre Jesus recebeu, no portal de luz de seu coração magnânimo, a alma de Maria de Magdala, sofrida pelas experiências sexuais sem amor, trazendo-a da viciação do instinto sexual para as alegrias perenes e sempre crescentes do amor puro aos irmãos em Humanidade. 10 ABUSO DO SEXO E EXPIAÇÃO “Qualquer sombra de nossa consciência jaz impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, com o suor do trabalho ou com o pranto da expiação.. — André Luiz (18.04) Nenhum Espírito vive fora do amor de Deus e tampouco dos processos imparciais da Justiça Divina. É da Lei Suprema que cada um receba de acordo com as suas próprias obras. Somos vítimas de nossos próprios atos. Não há sofrimentos sem causas justas. A Justiça Divina existe, não simplesmente para punir e fazer sofrer as criaturas ainda imperfeitas, mas, principalmente para reajustar, reconciliar, reeducar, redimir e iluminar o Espírito culpado. Esclarece-nos o Codificador, Allan Kardec: “O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a conseqüência das suas imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências.” (3.07-1P) 10.1 — A sede dos prazeres sexuais. As loucuras do sentimento Dentre as faltas cometidas contra a Lei Divina, talvez nenhuma supere em número os abusos da sexualidade, pois está muito intimamente ligada ao nosso mundo afetivo, às nossas paixões e ao nosso amor egoísta. O Espírito André Luiz descreve-nos algumas loucuras do sentimento que se cometem, por força da sede dos prazeres sexuais: “(...) assistimos no mundo a todo um acervo de conflitos sentimentais que, por vezes, culminam em pavorosa delinqüência... Homens que renegam os sagrados compromissos do lar, mulheres que desertam dos deveres nobilitantes para com a família... Pais que abandonam os filhos... Mães que rejeitam rebentos mal-nascidos, quando os não assassinam covardemente... Tudo isso em razão da sede dos prazeres sexuais que, não raro, lhes situam os passos nas sendas tenebrosas do crime...“ (18.15) Esses abusos são comuns nas criaturas humanas, pois estamos, muitos de nós, escravizados ainda às emoções inferiores, à sensualidade, aos desejos imediatistas, sem disciplina e responsabilidade. 10.2 — Conseqüências infelizes do abuso sexual Os que abusam do sexo não estão simplesmente entre os freqüentadores inveterados dos prostíbulos, mas em todos aqueles que, experimentando conflitos do sentimento e cultivando a afeição falsa, abandonam compromissos sagrados, gerando sofrimentos para outrem, buscando cegamente satisfazer os seus desejos inferiores, não se importando com as conseqüências que daí possam advir. Pelos conflitos do sentimento, muitos crimes são cometidos, atingindo não somente os corpos físicos, mas muito mais os corações alheios, criando resultados tristes e dolorosos no destino das próprias almas envolvidas, seja nas zonas sombrias do Mundo Espiritual ou quando nas experiências da vida terrena. É o que o médico espiritual nos elucida: “Esses abusos são responsáveis não apenas por largos tormentos nas regiões infernais, mas também por muitas moléstias e monstruosidades que ensombram a vida terrestre (...).“ (18.15) 10.3 — Os delinqüentes do sexo e o trauma perispirítico Quantas enfermidades físicas, quantos desequilíbrios mentais complexos, quantos problemas graves de relacionamento afetivo na equipe familiar, têm suas origens nos abusos das faculdades sexuais em vidas passadas? Depois de perpetrados abusos sexuais na vida física, após a morte o Espírito experimenta sofrimentos inenarráveis nas zonas sombrias da vida espiritual, “(...) qual ocorre também aos desequilibrados do sexo, que acumulam na organização psicossomática as cargas magnéticas do instinto em desvario, pelas quais se localizam em plena alienação”. (23.19-1 P) Estes Espíritos, em reencarnando-se na Terra, refletem no corpo físico todo o seu trauma perispirítico, fazendo surgir as situações mais sofredoras. Continua explicando-nos o sábio mentor espiritual: “(...) os delinqúentes do sexo, que operaram o homicídio, o infanticídio, a loucura, o suicídio, a falência e o esmagamento dos outros, voltam à carne, sob o impacto das vibrações desequilibrantes que puseram em ação contra si próprios, e são, muitas vezes, as vítimas da mutilação congênita, da alienação mental, da paralisia, da senilidade precoce, da obsessão enquistada, do câncer infantil, das enfermidades nervosas de variada espécie, dos processos patogênicos inabordáveis e de todo um cortejo de males, decorrentes do trauma perispirítico que, provocando desajustes nos tecidos sutis da alma, exige longos e complicados serviços de reparação”. (18.15) Em outra obra, descreve ele as enfermidades que surgirão em futura encarnação, originadas dos desequilíbrios sexuais, quando analisa as conseqüências da criatura lesada pela interrupção da comunhão sexual e encontra-se sem suporte moral para superar os conflitos do sentimento: “(...) a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito. À face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem o progresso no tempo. Daí nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a ‘histeria de conversão’, a ‘histeria de angústia’, os ‘desvios da libido’, a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas (...)” (23.18-1P) Entre todos os vícios das criaturas humanas, nenhum ocasiona desequilíbrios tão vastos e profundos na organização do corpo espiritual como a viciação sexual. 10.4 — Expiações dolorosas e aperfeiçoamento espiritual A felicidade real do Espírito culpado consiste no cumprimento exato da Lei de Ação e Reação, que faz cada Espírito sofrer em si mesmo os danos causados ao próximo. Expiações dolorosas, no hoje, redundarão em paz da consciência no amanhã, quando sofremos dentro dos preceitos evangélicos. Nenhum Espírito caminhará para a frente, na senda do aperfeiçoamento espiritual, sem antes saldar suas dívidas com a Justiça Divina. 10.5 — Recuperação dos desequilibrados do sexo Aos desequilibrados do sexo, para sua definitiva libertação das algemas poderosas e destruidoras das energias desordenadas das paixões no campo da alma, será indispensável a iluminação no Evangelho, pois: “(...) apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio”. (23.18-1P) Somente nos esclarecimentos do Evangelho de Jesus, quando buscado com sinceridade, encontraremos os remédios-luzes para a reeducação das energias criadoras do sexo em todos nós, através da disciplina de nossos sentimentos, do aperfeiçoamento de nossas afeições, do enriquecimento de valores nobres no coração, resolvendo em definitivo o vaivém dos sofrimentos expiatórios. 11 AMOR LIVRE E RESPONSABILIDADE “(...) os parceiros da união sexual (...) no plano das chamadas ligações extralegais acham-se igualmente submetidos aos princípios das Leis Divinas que regem a Natureza”. — Emmanuel (17.19) O amor livre, constituindo as relações sexuais irresponsáveis, é costume milenar da Humanidade, somente com a diferença de que, na atualidade, tomou proporções gigantescas, transformando-se em costume não censurado e até mesmo aprovado no seio das organizações familiares e da sociedade. 11.1 — Danos da relação sexual sem compromisso O amor livre é a relação sexual sem compromisso, sem vínculo jurídico e afetivo duradouro, tendo por única finalidade a satisfação dos desejos e instintos sexuais, seja por parte do homem ou da mulher. Neste relacionamento de prazeres inferiores, momentâneos e passageiros, nem o homem nem a mulher interessam-se pela formação de laços afetivos que possam decretar uma vida conjugal responsável e permanente. Nesta ligação não entra o sentimento sincero de ambos os parceiros, nem procuram desenvolvê-lo. O romance amoroso existe e perdurará enquanto os impulsos genésicos entre ambos forem bastante fortes, pois, caso contrário, havendo diminuição da atração e dos desejos sexuais, extingue-se a já frágil união carnal e surge daí a separação natural. A expansão do amor livre é também resultado da divulgação da filosofia materialista que ensina a buscar o máximo de prazer enquanto há vida, saúde e tempo, não importando os meios para chegar-se aos fins colimados. 11.2 — A poligamia no curso da história No mundo primitivo, a poligamia era um costume natural, onde os homens conviviam maritalmente com várias mulheres. Nos dias atuais, o amor livre é ainda a recordação da poligamia dos tempos primitivos, com mudança somente quanto à forma. Atualmente, devemos entender por poligamia todo relacionamento sexual da pessoa, na condição de solteiro ou de casado, do homem ou da mulher, na busca de prazeres sexuais sem responsabilidades, com variação de parceiro ou parceira. Não somente a juventude se envereda pelo mundo livre das relações sexuais, pois os adultos, quando resvalam para a prática das relações extraconjugais, estão vivendo também a poligamia. Quanto às nossas recordações poligâmicas, diz-nos o Espírito Emmanuel: “Que a tentação de retorno aos sistemas poligâmicos pode ocorrer habitualmente com qualquer pessoa, na Terra; é mais que natural — é justo. Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências.” (17.19) Na prática do amor livre, que é poligamia, dizem os Espíritos em obra básica da Codificação: “(...) Na poligamia, não há afeição real: há apenas sensualidade.” (01.701) 11.3 — Ausência dos valores do sentimento No amor livre, sendo a satisfação do instinto sexual o objetivo único, procura-se fazer sempre do parceiro ou parceira mero instrumento do prazer sensual. Na busca incessante das sensações inferiores, as criaturas desinteressam-se pelos valores do sentimento, os quais são os únicos que poderão formar uma união ideal, que trará a paz, a alegria e a segurança relativas para a dupla de corações. A prática do amor livre pode atender à volúpia dos desejos e sensações inferiores da criatura, mas não fará bem para a alma de ninguém, pois todo coração somente alimentará alegria, através da afeição que garanta a estabilidade emocional e psíquica. 11.4 — Responsabilidade afetiva e Justiça Divina Quer nas relações afetivas da vida conjugal legalizada, quer na ligação amorosa, destituída de vínculos jurídicos, a responsabilidade ante a Justiça Divina é a mesma, de um para com o outro. O que as leis humanas não analisam, não exigem e não punem, a Justiça Divina, ao contrário, analisa, pesa, exige e pune com segurança e sem falhas. Há um código de Leis Divinas regendo profundamente a vida moral das criaturas humanas, desde os mínimos atos, dando a cada um de acordo com suas obras praticadas por pensamentos, sentimentos, palavras e atos. Com a prática das relações sexuais sem os valores afetivos enobrecidos, as criaturas valorizam e buscam somente o corpo físico do outro, desprezando-lhe a alma e desconhecendo as leis morais que regem este relacionamento. A criatura humana não é somente corpo físico, pois é muito mais alma, sentimento, coração e consciência. É esses sagrados valores internos da pessoa que dizemos amar, nos comumente os tratamos muito mal, danificando o altar interior do parceiro sem saber que estamos realmente ferindo é a nós mesmos, através da consciência culpada. O mentor espiritual de Chico Xavier com muita sabedoria nos faz entender: “Cada Espírito detém consigo o seu íntimo santuário, erguido ao amor, e Espírito algum menoscabará o ‘lugar sagrado’ de outro Espírito, sem lesara si mesmo.” (17.19) 11.5 — No relacionamento sexual, tratamos a pessoa amada como se fosse um objeto A pregação sistemática do materialismo para a liberação sexual, sem compromissos e responsabilidades, está estimulando as criaturas a se tratarem mutuamente como se fossem “coisas” ou seja, a vida afetiva e sexual entre o homem e a mulher nada tem a ver com a vida pessoal de ambos. Isto é um grande engano. Nenhuma criatura é um objeto, um boneco ou um autômato. Vida sexual implica participação afetiva profunda das criaturas, decretando variações múltiplas e imprevisíveis na vida sentimental, emocional e psicológica, para níveis mais elevados ou menos elevados moralmente. Crescem assustadoramente os desastres morais na vida afetiva entre o homem e a mulher, seja na união conjugal ou fora dela; em virtude do despreparo espiritual surgem os sintomas enfermiços: desentendimentos, discussões, inimizades, perseguições, crueldade, infidelidade, separação, abandono, assassínios e suicídios. No relacionamento afetivo entre o homem e a mulher, ambos são responsáveis pelos danos que venham a causar à vida íntima do outro, os quais serão cobrados, ceitil por ceitil, pela Justiça Divina. Quanto ao respeito à consciência de cada um, Emmanuel disserta: “Conferir pretensa legitimidade às relações sexuais irresponsáveis seria tratar ‘consciências’, qual se fossem ‘coisas’, e, se as próprias coisas, na condição de objetos, reclamam respeito, que se dirá do acatamento devido à consciência de cada um?” (17.19) 11.6 — Compromisso sexual cria leis do coração É indispensável compreendamos que qualquer comunhão afetiva e sexual cria um pacto de uma consciência para outra com responsabilidades bem definidas para ambos. Teremos que responder por todos os prejuízos físicos, financeiros e principalmente morais, psicológicos e espirituais que aplicamos ao parceiro ou à parceira, de imediato ou a longo prazo. Todo relacionamento sexual, sem o cultivo constante e crescente do amor espiritualizado, possui probabilidades de criar, mais cedo ou mais tarde, problemas gravíssimos de difícil solução. O amor-paixão não sabe caminhar todo o tempo nos trilhos da disciplina, da harmonia, do respeito, da assistência mútua e da gratidão, pois, com o desejo dominando os sentimentos, a criatura humana busca sempre a satisfação de si mesma, não se importando com a vida interior do outro. Esclarece Emmanuel: “(...) os deveres assumidos, no campo do amor, ante a luz do presente, devem prevalecer, acima de quaisquer anseios inoportunos, de vez que o compromisso cria leis do coração e não se danificarão os sentimentos alheios sem resultados correspondentes na própria vida”. (17.19) 11.7 — Prejuízos espirituais do sexo liberado O amor livre, sendo a liberdade sem controle para o instinto sexual, desenvolve a confusão emocional, favorece o desequilíbrio psíquico e a desorientação afetiva, fazendo surgir sintomas negativos que afetam a organização da familia e da sociedade: a licensiosidade, a devassidão, a falsidade afetiva, a viciação do instinto sexual, a infidelidade conjugal, a separação de casais e a destruição da família, são suas conseqüências diretas. É o que nos explica Emmanuel: “(...) isso no entanto, não autoriza ninguém a estabelecer liberdade indiscriminada para as relações sexuais que resultariam unicamente em licença ou devassidão”. (17.19) Os prejuízos do amor livre para o progresso espiritual da Humanidade são enormes, pois desvirtua, complica e paralisa todas as realizações de melhoria das almas, seja na formação da família, na vida conjugal, nos compromissos sagrados da educação dos filhos e em todos os empreendimentos nobres. 11.8 — Liberdade sexual no passado e no presente A Humanidade viveu muitos milênios acorrentada às pesadas algemas psíquicas das tradições, dos costumes, das superstições, dos preconceitos e principalmente da influência poderosa e benéfica das religiões ancestrais, controlando, disciplinando e vigiando a conduta afetiva e intelectual das criaturas humanas, diminuindo, deste modo, a responsabilidade individual, em virtude do cerceamento do livre-arbítrio de cada um. Quem manifestasse idéias e ações diferentes das indicadas pelo poder dominante era severamente perseguido, punido e tolhido em sua liberdade. Na atualidade, observa-se o enfraquecimento dessas algemas psíquicas, em virtude do enorme desenvolvimento das ciências em todas as áreas do conhecimento, a multiplicação crescente das invenções, trazendo comodidades, o crescimento vertiginoso da imprensa; a difusão da cultura, a pregação do materialismo, desvinculando os princípios morais que controlavam os grupos humanos, e a espantosa expansão da imprensa pornográfica em todo o mundo. Queremos com isso somente enfatizar que as pessoas estão mais livres para serem elas mesmas, porque hoje é praticamente impossível, mesmo parcialmente, vigiar e controlar as pessoas quanto ao aspecto moral, mesmo no recinto doméstico. Vemos isto com muita clareza nas dificuldades de relacionamento e educação por parte dos pais com os filhos. Na atualidade, o convite à liberdade dos instintos é universal, O anseio de liberdade sem disciplina toma conta dos ideais de adultos e jovens. Isso estabelece uma maior responsabilidade individual, porque no campo moral fica a pessoa com maior poder de decisão naquilo que deseja para si mesma, embora nem sempre sabendo buscar o melhor. Infelizmente, a cultura do século, intoxicada pelo materialismo, contribui muito mais para as más tendências do que para as boas resoluções. 11.9 — O testemunho individual ante a crise moral da Humanidade A Humanidade está em crise, mas principalmente em crise moral e espiritual. O amor livre éuma das enfermidades dessa crise. Deus sempre tira do mal o bem. Dentro desses gigantescos conflitos, Deus aproveita para avaliar cada Espírito reencarnado. Encontramo-nos na época da aferição dos valores do Espírito. Chegou a hora de cada um dar o seu testemunho individual, de amor-paixão ou de amor espiritualizado, apresentando o seu aproveitamento dentro das lições superiores que o Mestre Jesus endereçou a todos nós. 11.10 — Educação sexual e a conquista do amor espiritualizado O de que precisamos não é negar a nossa liberdade, nem trancar as nossas possibilidades de desenvolvimento das potencialidades da alma, mas de dirigir, controlar e educar a nossa liberdade na direção do bem, da verdade e do amor espiritualizado. O poeta Adelmar lavares, pela psicografia de Chico Xavier, nos ilumina com belíssima trova: Amor livre, uma expressão Que vive a se contrapor: Amor em si não é livre; Se é livre não é amor! (05.27) Ante os convites inumeráveis do mundo para a porta larga da devassidão sexual, arrastando-nos pela nossa invigilância para vivenciar emoções inferiores, meditemos nos princípios superiores da vida que já iluminam o nosso entendimento e fiquemos com o apóstolo Paulo, em sua Primeira Epístola aos Coríntios, Cap. 6 vers. 12: Tudo me é lícito, mas nem tudo convém. Somos livres para fazer o que mais desejamos, mas, com a Luz do Cristo de Deus, já sabemos que não podemos mais atender aos impulsos da animalidade e, sim, procurar educar nossas energias sexuais para níveis mais elevados de espiritualidade, a fim de que possamos ser mais felizes e mais edificantes em nossos empreendimentos afetivos. Se aspiramos à educação sexual de nós mesmos, não deixemos a vela de nossas emoções e desejos ao sabor dos ventos arrastadores das ofertas fáceis do sexo livre, com possibilidades de naufragar o barco do coração no mar tormentoso da viciação sexual e dos crimes afetivos. Reflitamos nas palavras conscienciosas do Espírito Emmanuel que nos fala da necessidade de nossa vigilância íntima ante nossos impulsos sexuais: “(...) se a inquietação sexual te vergasta as horas, não te decidas a aceitar o conselho da irresponsabilidade que te inclina a partir levianamente ao ‘encontro de um homem’ ou ao ‘encontro de uma mulher’, muitas vezes em perigoso agravo de teus problemas”. (13.135) 11.11 — O socorro da oração Se ansiamos por ser melhores, se possuímos uma fé, se acreditamos em Deus, elevemos nossas forças mais íntimas na direção da Providência Divina, através dos fios invisíveis, mas poderosos, da oração, e estejamos certos de que não nos faltarão recursos superiores para o nosso coração se equilibrar, na estrada segura da afeição espiritualizada, abandonando a idéia do prazer sexual irresponsável. É o que nos recomenda o autor de “Religião dos Espíritos”: “Antes de tudo, procura Deus, na oração, segundo a fé que cultivas, e Deus que criou o sexo em nós, para engrandecimento da criação, na carne e no espírito, ensinar-nos-ácomo dirigi-lo.” (13.135) Cuidemos das energias sexuais de nossa alma, iluminando-as com as luzes do Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo — roteiro único de libertação dos instintos, a fim de construirmos nossa felicidade real, tanto na vida corpórea quanto na vida espiritual, com residência segura em nossa própria consciência do dever afetivo retamente cumprido. 12 SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA “Mocidade é amor. Entretanto, se o amor não se equilibra na sublimação da alma, cedo se transforma em paixão infeliz.” — Emmanuel (09.19) A adolescência é o período que se estende desde a puberdade — (12, 13) anos, até atingir o estado adulto pleno — (22, 25) anos. É variável entre os pesquisadores da personalidade juvenil, em virtude das diferenças na idade emocional e mental nos adolescentes. Período da existência que se caracteriza por transformações acentuadas de comportamento, acompanhando as mutações físicas, apresenta, muitas vezes, dificuldades de relacionamento com os pais e problemas complexos no caráter e no sentimento, desafiando orientadores e psicólogos. 12.1 — Sexualidade e reencarnação. Impulsos sexuais na infância Somente com a chave da reencarnação é possível explicar os problemas intrincados da personalidade humana, principalmente nas fases da infância e da adolescência. Na infância, o Espírito reencarnado encontra-se na situação de hipnose terapêutica — sono profundo, do qual vai acordando, gradativamente, com o passar dos dias e dos anos. Este sono é tão profundo para fins de renovação que, mesmo na fase da adolescência, ele se repercute, pois o Espírito ainda não se revelou com todas as suas características, no processo da existência humana. Todo Espírito reencarnado, a partir dos primeiros dias de vida, vai readquirindo, gradativamente, sua personalidade real — um enorme acervo de emoções, instintos e paixões, que construiu por si mesmo nas existências passadas. Explica-nos o lúcido Espírito Emmanuel: “Toda criatura consciente traz consigo, devidamente estratificada, a herança incomensurável das experiências sexuais, vividas nos reinos inferiores da Natureza.” (17.24) A nossa sexualidade, hoje, é o resultado de milênios de experiências vivenciadas — não somente na condição humana, mas também nas fases da vida animal, incorporadas, século a século, como patrimônio imperecível, na zona instintiva do ser. Não se pode observar e analisar uma criança ou um adolescente tão-somente pelas suas experiências na atual reencarnação, pois, as influências recebidas agora são apenas pequena fração que vai somar-se ao grande celeiro de recursos do Espírito, acumulados em milênios. As influências dos pais e educadores, hoje, são importantes, na medida em que trabalham por recuperar, reeducar e iluminar o campo do caráter e do sentimento da criança e do jovem. A criança, ao nascer, já traz em si uma riqueza imensa de emoções, impulsos sexuais e paixões, muitas vezes em situações infelizes, que irão emergir, ao longo dos anos, de acordo com o desenvolvimento do organismo físico. É o que nos fala Em-manuel: “(...) surpreenderemos na criança todo o equipamento dos impulsos sexuais prontos àmanifestação, quando a puberdade lhe assegure mais amplo controle do carro físico”. (17.14) 12.2 — Os problemas psicológicos do adolescente O Espírito, ao sair da fase infantil e penetrar na adolescência, passa a apresentar mudanças bruscas e imprevisíveis no seu comportamento, em virtude do fardo de estímulos sexuais que já carrega em si mesmo, como herança de si próprio, oriunda de séculos de experiência. Na fase da adolescência, o organismo passa a dar melhores condições para a manifestação mais profunda da alma. Começa a funcionar com mais intensidade o instinto sexual. A libido, de que fala a Psicanálise, não é nada mais do que a carga dos impulsos sexuais arquivados no Espírito imortal. Como o maior percentual de Espíritos da Terra se acha ainda imperfeito, é lógico que, ao renascer na vida física, cada ser é obrigado a manifestar as qualidades e imperfeições que traz em si mesmo. O autor de “Vida e Sexo” esclarece: “(...) é impelido naturalmente a carregar o fardo dos estímulos sexuais, muita vez destrambelhados, que lhe enxameiam no sentimento, reclamando educação e sublimação”. (17.24) Os problemas psicológicos de solução difícil nos jovens adolescentes são o resultado das transgressões morais e dos abusos sexuais de vidas passadas, que naturalmente surgem no hoje, requisitando reeducação, a fim de aprender a dirigir suas próprias emoções e desejos. 12.3 — Epífise — glândula da vida mental As recordações profundas da alma que são arquivadas no mundo mental têm o comando de uma glândula muito importante no corpo espiritual — a epífise, ou glândula pineal. A ciência terrena pouco sabe ainda acerca das funções desta glândula. A epífise é um pequeno corpo glandular, situado na parte central do cérebro. Acredita-se que sua função seja a de frear a ação dos órgãos reprodutores na fase infantil, perdendo tal função, com a normalização da atividade sexual na criatura adulta. Para a Doutrina Espírita, a epífise tem funções importantísSimas, ainda desconhecidas pela própria Ciência humana. A glândula do corpo físico é dirigida pela correspondente do corpo espiritual. O organismo físico é uma cópia imperfeita do corpo espiritual. Ensinamentos maravilhosos recebemos do Espírito André Luiz, nesta dissertação sobre a epífise: “É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. (...) Ela preside aos fenômenos nervosos de emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo.” (25.02) A epífise, como centro importante do corpo espiritual, é ligada à mente, através de forças eletromagnéticas e funciona como válvula de escapamento do celeiro de emoções, instintos e paixões, registrados ordenadamente no arquivo sublime da subconsciência. A retomada plena da sexualidade dá-se mais ou menos, aos quatorze anos, apresentando sintomas íntimos os mais variados por parte de cada jovem. O autor de “Missionários da Luz” descreve as funções da epífise: “Aos quatorze anos, aproximadamente, de posição estacionária, quanto às suas atribuições essenciais, recomeça a funcionar no homem reencarnado, O que representava controle é fonte criadora e válvula de escapamento. A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos. (...) Na qualidade de controladora do mundo emotivo, sua posição na experiência sexual é básica e absoluta.” (25.02) Cada jovem adolescente é um Espírito reencarnado que não propriamente inicia, mas recomeça sua vida sexual, no ponto em que deixou suas experiências de vidas passadas. O despertar sexual do adolescente é a recapitulação, através de impulsos, desejos e emoções fortes, das paixões vividas nas encarnações passadas. A epífise controla o mundo emocional, e sua influência na vida sexual da criatura humana é poderosíssima, porque cada Espírito herda de si mesmo e cada um somente dá aquilo que já construiu de bom ou de mal, de nobre ou inferior, de vício ou de virtude, ou o que armazenou em si mesmo, na forma de reflexos condicionados. 12.4 — Desregramentos emocionais e o desgaste da epífise Em virtude de nosso infeliz comportamento afetivo em vidas pretéritas, causamos sérios prejuízos a nós mesmos, desregulando a usina maravilhosa do controle das emoções, criando problemas graves e sofrimentos para a encarnação futura. Somos filhos de nossas próprias obras. Ao médico espiritual André Luiz esclarece um Instrutor: “Lamentavelmente divorciados da lei do uso, abraçamos os desregramentos emocionais, e daí, meu caro amigo, a nossa multimilenária viciação das energias geradoras, carregados de compromissos morais, com todos aqueles a quem ferimos com os nossos desvarios e irreflexões.” (25.02) Os desatinos do sentimento praticados nas vidas anteriores, surgem, hoje, em nosso psiquismo, na forma de desequilíbrios, enfermidades e inibições. Toda vez que prejudicamos alguém, realmente estamos ferindo a nós mesmos. Abusos, leviandade e falsidade na vida afetiva e sexual deixam marcas profundas na estrutura sensível da alma, danificando e desregulandO o funcionamento do importante centro de controle que é a epífise. As funções dessa glândula no crescimento mental do homem são relevantes, cujos recursos devem ser preservados por nós, como nos diz um dos instrutores do médico espiritual: Segregando ‘unidades-forças’ — continuou —, pode ser comparada a poderosa usina, que deve ser aproveitada e controlada, no serviço de iluminação, refinamento e benefício da personalidade e não relaxada em gasto excessivo do suprimento psíquico, nas emoções de baixa classe.” (25.02) 12.5 — Secreções elétricas da epífise e a prática dos esportes pela juventude. A beleza física e os desregramentos emocionais Os cientistas e estudiosos materialistas de todo o mundo, percebendo os efeitos danosos para o organismo, em virtude do saturamento das forças nervosas, e no intuito de preservar, na estrutura fisiológica, a juventude, a plástica e a eugenia, recomendaram, acertadamente, a prática dos esportes como medida de saúde, principalmente para os jovens: “(...) Contra os perigos possíveis, na excessiva acumulação de forças nervosas, como são chamadas as secreções elétricas da epífise, aconselharam aos moços de todos os países o uso do remo, da bola, do salto, da barra, das corridas a pé. Desse modo, preservavam-se os valores orgânicos, legítimos e normais, para as funções da hereditariedade.” (25.02) A ciência terrena, ainda incapaz de ver a alma no corpo, permanece com as medidas que procuram atender da melhor maneira possível ao organismo humano, garantindo a saúde física, o equilíbrio psíquico, o porte atlético e a beleza da forma, com indiferença quase que completa pelos valores morais para a personalidade juvenil. Estagia a juventude nos respeitáveis, organizados e belos esfabelecimentos de ensino do mundo, no desenvolvimento da cultura, da inteligência nos diversos ramos do conhecimento humano, acrescidos das atividades desportivas, mas lamentavelmente distanciada de um trabalho de orientação no campo do caráter e do sentimentO. A medida para resguardar a saúde da juventude ainda é insuficiente: “(...) A medida, embora satisfaça em parte, é, contudo, incompleta e defeituosa. Incontestavelmente, a ginástica e o exercício controlados são fatores valiosos de saúde; a competição esportiva honesta é fundamento precioso de socialização; no entanto, podem circunscrever-se a meras providências, em benefício dos ossos e, por vezes, degeneram-se em elástico das paixões menos dignas.” (25.02) O brilhantismo da inteligência, o cérebro enobrecido pela cultura, o corpo esculturadO pelos exercícios e competições esportivaS não são suficientes para dar equilíbrio, alegria e paz reais à alma da juventude. A medida é incompleta e defeituosa, porque atende ao corpo, mas não dá equilíbrio a personalidade espiritual. É o que nos fala o mentor espiritual Telésforo, nas palavras do Espírito André Luiz: “(...) à medida que se suprimem sofrimentos do corpo, multiplicam-Se aflições da alma (...). Atendido, porém, o corpo revelará as necessidades da alma (...)“. (28.05) Intensificam-Se no mundo as atividades respeitáveis dos esporteS, promovendo junto aos jovens a saúde, o vigor físico, a alegria, a confraternização cultural, mas ao mesmo tempo proliferam também os desmandos do prazer sexual irresponsável, levando a mocidade aos desregramentos das emoções dos vícios do álcool e dos tóxicos, com prejuízos enormes para a família e a sociedade, retardando o progresso espiritual da Humanidade. 12.6 — A liberdade sem disciplina e o desamparo espiritual dos jovens A juventude com bela e bem cuidada organização física, mas infelizmente vivenciando a delinqüência, a libertinagem e a viciação, revela as profundas necessidades da alma e o estado de imenso desamparo espiritual. Na atualidade, a fase da adolescência caracteriza-se por uma maior liberdade que o progresso da civilização proporcionou com as mudanças rápidas dos costumes, as facilidades dos meios de comunicação de massa universalizando novos hábitos, a complexidade social com os conglomerados humanos, a imprensa materialista, a pregação sistemática de liberdade por parte de escritores e filósofos, o conforto excessivo das horas livres sem ocupação edificante, o requinte nas diversões e no lazer. O mundo das novidades, hoje, cativa muito mais os jovens do que a vida afetiva dos pais, no calor humano do reduto doméstico, O mundo mental do jovem não está aprisionado às fronteiras do recinto familiar, como se encontrava na fase infantil. A fase da adolescência é muito mais perigosa do que a infantil. O jovem é como um filhote de pássaro que abandona o seu ninho, ensaiando os primeiros vôos, e passa a enfrentar maiores perigos, em virtude dos vôos baixos da fraqueza, da incompetência e inexperiência. A criança pode ser vigiada, corrigida e limitada nas suas liberdades, o que não é possível junto aos adolescentes, principalmente agora, no mundo das facilidades atuais. 12.7 — Necessidade de orientação espiritual aos jovens, O diálogo evangelizado entre pais e filhos A fase da adolescência precisa assim, não mais de sentinelas vigiando e amparando seus passos, mas, sim, de muito apoio e orientação dos pais, no sentido de esclarecimento espiritual e diálogo evangelizado. O que acontece, normalmente, é o abandono dos pais, no campo da orientação, julgando que os filhos com essa idade já possuem condições para enfrentar e superar, por si mesmos, todas as circunstâncias da vida, dispensando até mesmo o simples diálogo. Com o desabrochar gradativo dos instintos e paixões, a nascer dos profundos arquivos da subconsciência, surgem as primeiras experiências afetivas e sexuais, desponta o namoro com variações amorosas, as ofertas perigosas da imprensa pornográfica deformando por completo as funções sagradas do sexo, ensejando o surgimento dos vícios das drogas, da libertinagem e do amor-livre, colocando a juventude à beira de abismos morais, muito dificeis de serem vencidos sem o apoio do Espírito envelhecido na experiência. Adverte-nos o Espírito Humberto de Campos: Crianças sem disciplina e jovens sem orientação sadia constituem o gérmen dos imensos desastres humanos.” (32.06) A orientação para os moços não deve circunscrever-se tão-somente aos conhecimentos científicos da fisiologia, mecanismos e prática do sexo, das explicações psicológicas sobre as dificuldades e problemas dos jovens, dos esclarecimentos médicos sobre as doenças venéreas e os meios de higiene e defesa das enfermidades provenientes da prática sexual. Tudo isto é muito importante mas não é o bastante, pois está atendendo mais ao corpo físico e à filosofia do prazer sensual. Há necessidade, também, e principalmente, das noções religiosas nascidas no trabalho educativo dos pais, no reduto doméstico, a fim de atender, não somente à curiosidade do cérebro mas, muito especialmente, ao sentimento da juventude, em virtude do desamparo moral e espiritual em que ela se encontra, no mundo atual. 12.8 — Educação sexual dos jovens pelas regras morais do Evangelho É necessário amparar o espírito do jovem, iluminando-o com as normas libertadoras do Evangelho de Jesus: “Daí procede a necessidade de regras morais para quem, de fato, se interesse pelas aquisições eternas nos domínios do Espírito. Renúncia, abnegação, continência sexual e disciplina emotiva não representam meros preceitos de feição religiosa. São providências de teor científico, para enriquecimento efetivo da personalidade.” (25.02) O mundo tem zombado e desdenhado das máximas morais de Jesus-Cristo, mas infelizmente os desastres nas relações afetiva e sexual são imensos em todos os países: os desentendimentos entre os cônjuges, as separações de casais, a crueldade doméstica, os homicídios passionais, os suicídios por desgosto amoroso e as obsessões mais variadas são experimentadas em todas as famílias da Terra, seja por parte dos adultos ou dos jovens. Sem as regras morais que iluminam, socorrem, fortalecem e educam a alma, toda orientação especializada para a juventude será deficiente, não alcançando as metas reais da educação da personalidade. Sem a reeducação sentimental, alicerçada nas regras libertadoras do Evangelho, a mocidade continuará desorientada, infeliz e vítima das influências perniciosas do mundo. Jesus também ofereceu a todos nós uma prática de esporte, ainda quase desconhecida na Terra: “O homem vive esquecido de que Jesus ensinou a virtude como esporte da alma.” (25.02) A prática dos esportes é a virtude dos exercícios para o corpo saudável, enquanto que a vivência das virtudes é a ginástica do bem aos outros, que garante a saúde da alma. Parafraseando o insígne Codificador Allan Kardec, podemos dizer: Reconhece-se o verdadeiro jovem espírita pela sua transformação moral, sob as luzes do Evangelho de Jesus, e pelos esforços que emprega, diariamente, para educar suas emoções e desejos, na direção do amor espiritualizado. 13 ROGATIVA PARA A RENOVAÇÃO JUVENIL Senhor Jesus!... Estamos em teu Natal, Que nos traz ao coração A sublime mensagem De paz, fraternidade e amor. Ante a excelsa melodia, Nas vozes doces dos anjos, Cantando a alegria De tua chegada à Terra Em simples manjedoura, Alcanço novo ânimo Para buscar tua Luz. Mestre amado, Venho pedir-Te: Ampara-me nos meus dias De fraquezas e incertezas, Pois a barra por aqui Não está nada fácil. Educador Divino, auxilia-me A não escravizar Meus impulsos e emoções Aos hábitos infelizes Da revolta e da rebeldia, Da desobediência e do desrespeito, Da vida sem rumo e ociosa, Das bebidas em excesso e dos tóxicos, Da velocidade sem controle, De desequilíbrio sexual E dos enganos do amor-livre. Amoroso Mestre, Por mais que lute e trabalhe, Estude e tenha turma legal, Caminhe na moda e me divirta, Curta um som e dance, Namore e seja amado, Tendo as coisas boas da vida, Sinto, Senhor Jesus, A falta de algo mais Por dentro de mim mesmo... Embora eu faça Tudo que mais desejo, Ainda não tenho paz Para ser mais feliz! Bondoso Mestre, Creio me faltar mesmo E tua paz e teu amor Nas engrenagens do coração. Doador da Eterna Juventude, Fortalece-me, Para que não permaneça, Ante teu carinhoso convite Para uma nova vida, Como o moço rico Que não decidiu seguir-Te, Porque tinha muitos haveres Para a vaidade e o prazer; E nem como o Filho Pródigo De tua linda parábola, Que abandonou o bom pai, Lançando-se na vida infeliz Do esbanjamento e vícios. Divino Amigo, Levanta-me do sepulcro Da noite escura da descrença Para o dia radioso da fé, Tal como fizeste um dia Com o jovem Lázaro, Trazendo-o das sombras da morte Para a vida plena de amor. Mestre do amor Maior, Ensina-me a amar Além da forma física, Com as energias educadas Da bondade e da compreensão, Da paciência e do perdão. Instrutor Sublime, Educa-me No controle da energia sexual, Para o exercício santo, Nas bênçãos da maternidade E da felicidade conjugal. Preparador Angélico das Almas, No grande Estádio-Terra, Ajuda-me a praticar O esporte da alma, No exercício das virtudes, Que eu cultive sempre A ginástica da disciplina, O exercício em barra do esforço, O halterofilismo da humildade, O salto em altura da coragem, A natação da boa vontade, O remo da abnegação, O basquete da gentileza, O futebol da fraternidade, O ciclismo da paciência E a maratona do sacrifício, Vencendo os obstáculos E fazendo todo o bem. Aspiro, Mestre da Alegria Perfeita, A estudar, trabalhar, construir, Amar, confraternizar e servir; Viver, mesmo com dificuldades, Teus iluminados exemplos. Que eu possa seguir-Te, Como os jovens discípulos João, Tiago e Tadeu, Do teu grupo maravilhoso De seguidores primeiros. Senhor Jesus! Não quero mais incomodar-Te E nem a meus queridos pais Com minhas extravagâncias; Preciso crescer por dentro Para melhor viver. Ilumina meu cérebro No entendimento da Verdade E meu pobre coração Com teu amor sem fronteiras, Para trilhar nova estrada De luz, bondade e fé. Mestre de Celeste Harmonia, Que tua paz Possa ser minha paz, Hoje, amanhã e sempre. Assim seja. 14 SEXO E EDUCAÇÃO “Toda criatura na Terra transporta em si mesma determinada taxa de carga erótica, de que, em verdade, não se libertará unicamente ao preço de palavras e votos brilhantes, mas àcusta de experiência e trabalho, de vez que instintos e paixões são energias e estados inerentes à alma de cada um, que as Leis da Criação não destróem e sim auxiliam cada pessoa a transformar e elevar, no rumo da perfeição.” — Emmanuel (17.24) 14.1 — Uniões sexuais infelizes Deus criou simples e ignorantes todos os Espíritos, orientando-os e educando-os, através das vidas sucessivas, para a meta final: a perfeição. A Humanidade ainda é consfituída na sua maioria, de Espíritos imperfeitos, muito distantes dos cimos da evolução espiritual. O relacionamento entre os sexos, em quase sua totalidade, encontra-se bastante primitivo, perturbador, acidentado, desequilibrado e infeliz. Não fomos criados por Deus para permanecermos indefinidamente, pelos milênios afora, nestas situações espirituais bastante enfermiças: dos desejos insatisfeitos, das emoções primitivistas e grosseiras, das afeições desajustadas, das uniões infelizes e do relacionamento amoroso hipócrita. Nosso Senhor Jesus-Cristo veio à Terra com a finalidade de nos ensinar a Verdade e o Amor, para superarmos definitivamente tais contingências perturbadoras, que atormentam a maioria das almas humanas. Na vida sexual é que se encontra grande parte de nossas velhas imperfeições, que têm acarretado as experiências mais torturantes, dentro da Lei de Causa e Efeito, solicitando de todos nós o aperfeiçoamento necessário. O sábio Espírito Emmanuel declara: “O sexo se define, desse modo, por atributo não apenas respeitável mas profundamente santo da Natureza, exigindo educação e controle” (17.01) Que nós precisamos educar nossa sexualidade, disto não resta a menor dúvida. 14.2 — A educação sexual nas ciências médicas e psicológicas e na Doutrina Espírita Existe a educação sexual nas ciências médicas e psicológicas do mundo, buscando orientar as criaturas para uma vida sexual plena, efetiva e feliz, vencendo timidez, inibições e complexos diversos, e existe também a educação sexual segundo o Evangelho de Jesus e da Doutrina Espírita. Ambas têm orientações diferentes e às vezes contrárias. A primeira vê somente o corpo e o prazer imediatista; a segunda vê muito mais além, na esfera do Espírito, da personalidade eterna, da reencarnação e do destino. A educação sexual do mundo se restringe quase que unicamente ao estudo da união sexual fisiológica, visando a alcançar o máximo de prazer e os valores psicoterapêuticos que ela pode proporcionar. A Doutrina Espírita não condena, nem despreza a orientação científica, e temos que a respeitar e valorizar no que ela tem de nobre, útil e construtivo para as criaturas humanas, mas, pelos esclarecimentos amplos e profundos que o Espiritismo nos oferece, percebemos que os pesquisadores, cientistas e escritores estão estudando, pesquisando e ensinando dentro de um campo limitado e diminuto sobre a sexualidade. Sexo não é somente união sexual de corpos! 14.3 — As dificuldades na educação sexual. A satisfação dos instintos e o prazer do coração A maioria dos problemas de afeição e relacionamento entre um homem e uma mulher não se encontra somente na união dos sexos corpóreos. O ato sexual é um acontecimento nobre dentro da Natureza, e todos os Espíritos da Terra, há milênios incontáveis, através das reencarnações, evoluem para a sua finalidade providencial. As dificuldades de ajustamento entre o homem e a mulher são muito mais de ORDEM MORAL do que propriamente física. O QUE ESTÁ FALTANDO NA MAIORIA DAS UNIÕES SEXUAIS Ë O PRAZER DO CORAÇÃO. O prazer imediatista poderá manter a união sexual, mas não cultivará, por si só, os vínculos do entendimento e da harmonia na vida conjugal. Os Espíritos nos mostram a necessidade da educação moral, muito acima do instinto para o prazer: “(...) ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo”. (12.184) Não basta uma educação para o prazer, é necessário, antes de tudo, a educação da alma. A sexologia procura orientar as criaturas a fim de desenvolverem a satisfação dos instintos para o fortalecimento da união conjugal, com desprezo quase completo pelos sentimentos e regras morais. A Doutrina Espírita nos esclarece, ilumina e orienta quanto à sexualidade na vida, mostrando-nos a sua origem divina e o quanto devemos crescer e aperfeiçoar-nos, a fim de sermos realmente melhores para o parceiro. Ela educa nossas almas para conhecermos, valorizarmos e empregarmos dignamente a sagrada função do sexo, dentro das linhas do amor, respeito e disciplina. 14.4 — As imperfeições das criaturas na área sexual Vejamos algumas de nossas imperfeições na área da sexualidade, para avaliarmos sua extensão desastrosa em nós mesmos: as aberrações e excessos, a prostituição, a incontinência, os artifícios mentirosos de conquista, seja no namoro, no noivado ou no casamento, a infidelidade conjugal, a bigamia, a insatisfação sexual, o ciúme, o desgosto, a frieza, a leviandade, o desentendimento entre os parceiros, o despeito, a inveja, o desespero, a amargura, a brutalidade, a separação de casais; os crimes e suicídios passionais nascidos de verdadeiras psicoses possessivas, tudo isto ocasionando imensos desastres na vida emotiva das criaturas. Precisamos nos elevar pelas linhas do aperfeiçoamento espiritual, abandonando o sentimento animalizado, conquistando gradativamente o amor espiritualizado. Para isso é necessário abandonar as relações poligâmicas e permanecer na monogamia. 14.5 — Educação sexual: vontade, discernimento e responsabilidade Ninguém educa ninguém, pois cada um educará a si mesmo, quando o desejar sinceramente. O que o educador poderá fazer é esclarecer, orientar e estimular cada criatura a desenvolver espontaneamente os seus próprios recursos íntimos para um padrão moral mais elevado. Em “O Livro dos Espíritos”, os Espíritos Superiores afirmam, respondendo a Questão 909: “Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações? “Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!” A vontade é a participação consciente, esclarecida e responsável da alma que deseja sinceramente melhorar, depois de muito sofrer e de reconhecer suas grandes imperfeições, seus graves erros e imensas deficiências. O trabalho de vencer a si mesmo não é tarefa fácil. A educação sexual com Doutrina Espírita recomenda a aplicação da energia sexual com discernimento e responsabilidade, sob as luzes do Evangelho de Jesus, porque somente com Ele haverá renovação profunda e definitiva de nossas personalidades. A Educação Sexual não se reduz simplesmente à união sexual fisiolôgica, dentro de um controle dirigido ou de abstenção imposta. Vejamos o Espírito Emmanuel quando enaltece o aspecto moral para disciplinarmos a energia sexual: “(...) a energia sexual envolve o impositivo de discernimento e responsabilidade em sua aplicação, e que, por isso mesmo, deve estar controlada por valores morais que lhe garantam o emprego digno (...)“. (17.05) Nossas imperfeições em matéria do instinto sexual desvairado são o resultado de milênios de faltas e viciações e estão profundamente arraigadas em nossa alma. Em virtude de nossa fraqueza moral, invigilância, indiferença e ignorância, voltamos sempre a cometer os maiores absurdos e crimes, em nome do amor, complicando e infelicitando o nosso destino. Se desejarmos sair desta rotina de sombras, desequilíbrio e perturbação, devemos perceber e sentir a grande necessidade de educarmos a nós mesmos: “É aí que surge o esforço de auto-educação, porqüanto toda criatura necessita resolver o problema da renovação de seus próprios valores.” (12.184) É imprescindível aprendermos a ser médicos de nós mesmos. Procuremos em todos os momentos da vida, com os nossos melhores recursos íntimos, administrar e dirigir os próprios DESEJOS, EMOÇÕES e ATRAÇÕES AFETIVAS, com discernimento, ou seja, a claridade da razão iluminando a nossa vontade sincera, como o mentor espiritual Emmanuel nos observa: “(...) nossos irmãos e nossas irmãs precisam e devem saber o que fazem com as energias genésicas, observando como, com quem e para que se utilizam de semelhantes recursos (...). (17.01) 14.6 — Educação do amor sexual Em virtude de nossa enorme fraqueza moral, não queiramos aparentar, de um momento para outro, ares de santidade, de heroísmo moral e controle completo de nossos impulsos. É muito difícil controlarmo-nos, quando as más tendências gritam mais forte em nós, em assuntos de viciação do amor sexual, cultivadas há milênios. Há uma discrepância muito grande entre o saber e o fazer. O importante é procurar fazer sempre o melhor no campo afetivo, dentro do amor, da humildade, da fé e da coragem, para não esmorecermos e nem estacionarmos diante daquilo que devemos conquistar em Espírito. A evolução espiritual não dá saltos. Se cairmos em matéria de afeição mal dirigida, levantemo-nos de nossas fraquezas, o mais rápido possível, procurando não incorrer no mesmo erro. Se somos inconstantes no sentimento, procuremos fortalecer-nos no amor de Deus, na prece, na auto-análise, na compreensão e na prática do amor puro. 14.7 — Coração: fonte de imperfeições e de virtudes Toda vez que o instinto sexual esteja dominando nossas emoções e desejos, busquemos usar o nosso altar íntimo: a consciência, O Espírito André Luiz nos recomenda: “Use a consciência, sempre que se decidir ao emprego de suas faculdades genésicas, imunizando-se contra os males da culpa.” (30.45) Todas as imperfeições, viciações, paixões, inibições e complexos no campo do instinto sexual desorientado não são defeitos localizados nos órgãos genésicos, mas, sim, no CORAÇÃO. Nosso Mestre e Senhor Jesus nos ensinou isto, há dois mil anos como vemos no Evangelho de Mateus, Capítulo 15, vv. 18 e 19: “O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem; porqüanto do coração é que partem os maus pensamentos os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos-testemunhos, as blasfêmias e as maledicências.” Ter educação sexual, nas ciências do mundo é, muitas vezes, conhecer bem todas as funções dos órgãos genésicos, as atividades do corpo e as funções psicológicas na sexualidade; a preservação ao máximo da higiene, evitando as doenças venéreas e outras, garantindo a saúde do corpo; desenvolver as técnicas da ação sexual, a fim de extrair o máximo de prazer, alegria, reconforto, estímulo e segurança para a união conjugal ou de qualquer outra situação de ligação sexual. Educação sexual com Doutrina Espírita não éum adestramento para o prazer imediatista, pela satisfação máxima dos instintos, embora respeitável e necessário para o atual estágio espiritual da Humanidade, mas, sim, esclarecer, iluminar e fortalecer as almas interessadas sinceramente para a educação completa da personalidade, de seu caráter, de seus sentimentos, em busca de uma capacitação interior sempre mais crescente para um relacionamento superior e nobre na esfera de Espírito para Espírito, de coração para coração, dentro das regras morais do Evangelho de Jesus. EDUCAÇÃO SEXUAL É, ANTES DE TUDO, REEDUCAÇÃO DOS SENTIMENTOS. Jesus nos fala qual deve ser a nossa principal preocupação na existência humana, segundo o registro do Espírito Humberto de Campos: “(...) a edificação do reino do Céu no coração dos homens deve constituir a preocupação primeira, a aspiração mais nobre da alma, as esperanças centrais do Espírito”!... 14.8 — Um grande exemplo de reeducação sexual: Maria de Magdala Não há melhor exemplo de reeducação sexual, nos tempos do Cristianismo nascente, do que o da personalidade corajosa e resoluta de Maria de Magdala, que abandonou a vida fácil dos prazeres carnais para seguir Jesus, em busca de uma modificação em seu coração, como nos mostra com profundidade o Espírito Emmanuel: “Madalena, porém, conhecera o fundo amargo dos hábitos difíceis de serem extirpados, amolecera-se ao contacto de entidades perversas, permanecia ‘morta’ nas sensações que operam a paralisia da alma; entretanto, bastou o encontro com o Cristo para abandonar tudo e seguir-lhe os passos, fiel até ao fim, nos atos de negação de si própria e na firme resolução de tomar a cruz que lhe competia no calvário redentor de sua existência angustiosa.” (07.92) 14.9 — Evangelho de Jesus: código divino de regras morais No Evangelho de Jesus, encontramos todas as luzes e recursos inestimáveis para resolver os problemas da afeição mal dirigida, das fraquezas do sentimento e da viciação sexual. Se a Ciência cuida do corpo, o Evangelho orienta e ilumina o Espírito. Enquanto a Humanidade continuar acreditando que os problemas afetivos se reduzem unicamente à ignorância das funções do sexo ou à deficiência de capacidade para o prazer, os desastres morais continuarão a se multiplicar, porque as criaturas viverão sempre vazias das luzes libertadoras do Evangelho, elementos únicos que nos oferecem campo para o crescimento real de entendimento e disciplina, no aperfeiçoamento integral da personalidade. Sem o Evangelho do Cristo no coração, não haverá aperfeiçoamento moral para ninguém. O sábio Espírito Emmanuel nos disserta sobre o trabalho íntimo de dominar as paixões: “Haveis de observar que Deus não extermina as paixões dos homens, mas fá-las evolutir, convertendo-as pela dor em sagrados patrimônios da alma, competindo às criaturas dominar o coração, guiar os impulsos, orientar as tendências, na evolução sublime dos seus sentimentos.” (12.184) 14.10 — As fraquezas e as tentações Em assunto de sexo fala-se muito em tentações, afirmando-se que são elas as responsáveis pelos desastres morais de homens e mulheres que sucumbem aos atrativos ditos irresistíveis. Acusam as tentações de não dar paz a ninguém. Dizem que é preciso af astar ou eliminá-las do seio da sociedade. Com o Evangelho, porém, aprendemos a conhecer as causas profundas das tentações, para melhor lutar contra elas. O apóstolo Tiago, no Capítulo 1, v. 14, de sua epístola, esclarece perfeitamente as raízes das tentações: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” A tentação não é um agente externo das sombras, atraindo-nos para a prática do mal e, sim, as nossas próprias más tendências (concupiscência), gritando alto no íntimo de nós mesmos, impulsionando-nos à recapitulação dos maus hábitos, viciações e perversões, sempre que estivermos invigilantes, displicentes, inconseqüenteS e possesSivos. Ninguém é tentado, se não traz a tentação dentro de si mesmo O Espírito André Luiz mostra para nós a realidade íntima das tentações: “(...) a tentação é sempre uma sombra a atormentar-nos a vida, de dentro para fora”. (18.18) 14.11 — Educação sexual: vencer a nós mesmos Para vencermos a nós mesmos, é necessário, pois, ouvir em espírito, sentir com sinceridade, compreender com raciocínio o “orai e vigiai” das lições luminosas do Evangelho de Jesus-Cristo, roteiro único para a felicidade verdadeira, para que possamos, através da CORAGEM REAL, como a de Maria de Magdala, executar a melhoria de nossos sentimentos, a fim de que nossas ações e comportamento sejam dignos, nobres e cristãos. A educação sexual para alcançar somente o prazer do instinto poderá nos levar à viciação, às aberrações e às ilusões, ao passo que a educação sexual que procura o aperfeiçoamento dos sentimentos, nos dará segurança, estabilidade, controle, emprego digno e o amor espiritualizado, possibilitando-nos vivenciar um plano de vida espiritual mais elevado e mais feliz. 15 INSTITUTO DE REEDUCAÇÃO SEXUAL NO PLANO ESPIRITUAL É de salientar a emoção que me empolgava ao observar o crescendo de veneração com que o sexo era homenageado nas diversas faculdades de ensino, pesquisado e enobrecido em cadeiras diferentes”. — André Luiz (29.09-2P) O Mundo Espiritual é a pátria natural de todos nós, é a verdadeira vida e a plenitude da vida do Espírito, quando liberto da matéria. Ele não é conseqüência da existência corpórea, mas, sim, a sua origem, a raiz de todos os empreendimentos humanos. Tudo que, um dia, nasce através do esforço dos homens, para benefício da Humanidade, tem a sua idealização e inspiração no Plano Espiritual. As cidades espirituais elevadas possuem atividades avançadas de aprendizagem e de trabalhos que as criaturas da Terra estão muito longe de imaginar e mais distantes ainda da possibilidade de realização semelhante aqui, na vida física. Dentre os trabalhos organizados e eficientes na área do esclarecimento, para um grande número de Espíritos desencarnados, encontram-se também os estudos quanto ao tema SEXO, o qual é tratado com seriedade, profundidade e disciplina, obedecendo a um programa preestabelecido. Analisemos um desses institutos, de que o autor espiritual, André Luiz, nos fala através de bom trabalho de reportagem, o INSTITUTO DE REEDUCAÇÃO SEXUAL “ALMAS IRMÃS”, edificado na cidade espiritual “NOSSO LAR”: “O ‘Almas Irmãs’, assim chamado pelos fundadores que o levantaram em socorro dos irmãos necessitados de reeducação sexual, após a desencarnação, exibia plano extenso de construções. Conjunto de linhas harmoniosas e simples, ocupando quatro quilômetros quadrados de edifícios e arruamentos, parques e jardins. Autêntica cidade por si.” (29.09-2P) 15.1 — A personalidade sexual masculina e feminina no Plano Espiritual Os sexos continuam na vida do Além-Túmulo. Os Espíritos não se reproduzem, pois não há organização genésica masculina e feminina para a fecundação e a gravidez, mas o sexo não é somente união fisiológica e reprodução da espécie. Sexo é muito mais a força de atração, o desejo acalentado, a afeição mútua, a emoção experimentada, a troca incessante de vibrações simpáticas, a permuta de qualidades próprias de cada sexo, a necessidade íntima do estímulo revitalizador, a euforia interior pela convivência pacífica e construtiva ante uma alma feminina e uma masculina, seja na vida corpórea ou na vida espiritual. As almas masculinas e femininas não podem ter filhos como na vida terrestre, mas não deixam de se amar, de se unir pelos laços de simpatia, de praticar o namoro e o noivado e realizar o matrimônio no Plano Espiritual. O Espírito André Luiz reporta-se ao noivado e matrimônio no Plano Espiritual: É curioso — observei, intrigado —encontrarmos noivados, também por aqui... — Como não? (respondeu o Instrutor) vive o amor sublime no corpo mortal, ou na alma eterna? O noivado é muito mais belo na Espiritualidade. Não existem véus de ilusão a obscurecer-nos o olhar. Somos o que somos.” (27.45) Em outro livro, comenta o mesmo autor: “Não tinha, no mundo, a menor idéia de que pudéssemos cogitar de uniões matrimoniais, depois da morte do corpo. Quando assisti a festividade dessa natureza, em Nosso Lar’, confesso que minha surpresa raiou pela estupefação.” (28.30) O Espírito acentuadamente feminino — continua com todos os pendores maravilhosos da mulher terrestre e muita vez mais belos; e o Espírito marcadamente masculino permanece com todas as características do homem humano, porque a vida continua, após a morte do corpo, muito mais por dentro de cada um. O sexo está guardado na MENTE e se expressa através dos impulsos e manifestações. As características intrínsecas da alma são muito mais importante do que as que a organização física temporariamente lhes confere, pois são as que vão perdurar na Vida Espiritual. Assim, compreendemos porque no Instituto Espiritual “Almas Irmãs” “Todas as idades se expressavam nos companheiros de ambos os sexos, com os quais renteávamos, satisfeitos.” (29.09-2P) 15.2 — O que é o Instituto “Almas Irmãs” Quando da primeira visita do Espírito André Luiz ao Instituto, este já contava 82 anos de existência e possuía uma população de aprendizes, oscilante de 5.000 a 6.000. O Instituto guarda semelhança com as grandes universidades terrestres, em sua organização e moradia: “(...) sustenta zonas residenciais, além dos edifícios reservados à administração, ao ensino, à subsistência e à hospitalização transitória. Aí se acomodam famílias inteiras, casais, Espíritos em conjunções afetivas e repúblicas de estudiosos que se visitam ou recebem amigos de outras organizações e de outras plagas, efetuando excursões edificantes e recreativas ou atendendo empresas artísticas e assistenciais, de permeio com as obrigações de rotina”. (29.09-2P) O instituto é um perfeito educandário para o esclarecimento, a renovação e a iluminação das almas, principalmente daquelas que possuem problemas graves e desastres morais na área afetivo-sexual que trouxeram das experiências infelizes da existência terrena. É realmente um hospital-escola, porque abriga não somente almas em estado de ignorância, mas também as bastante enfermas e desequilibradas por força dos vícios, paixões e excessos nas experiências do sexo, quando encarnados: “(...) pisávamos num hospital-escola de suma importância para os candidatos à reencarnação. Os internados ou estudantes vinham, em maioria, de estâncias purgatoriais, após alijarem as conseqüências mais imediatas dos vícios e paixões aviltantes, por eles acalentados no plano físico”. (29.09-2P) 15.3 — Recrutamento de alunos para o Instituto “Almas Irmãs” Os Espíritos matriculados nesse educandário não são recolhidos nas zonas sombrias de sofrimento e levados diretamente para o Instituto. Faz-se antes um trabalho de selecionamento e assistência, mais ou menos longa, aos Espíritos recolhidos nas zonas umbralinas, muitas vezes em completa alienação. Precisam readquirir um certo equilíbrio, para, depois, obterem condições de participar efetivamente dessas maravilhosas aulas de conhecimento sexual, sob a luz da Verdade, do Amor e da Justiça. “Rigorosamente examinados, atendiam a critério de seleção, nas paragens de angústia expiatória em que se demoravam, e, somente depois de julgados dignos entravam naquele pouso de refazimento para estações mais ou menos longas de estudo e meditação, pesquisando as causas e observando os efeitos das quedas de natureza afetiva em que se haviam precipitado...” (29.09-2P) As criaturas encarnadas, quando escravizadas na viciação sexual, em retorno à vida espiritual pela morte do corpo, colocam-se em condições mentais e perispirituais das mais tristes, permanecendo longo tempo nas zonas umbralinas ou trevosas, em sofrimentos indescritíveiS, e, depois de socorridas nas próprias zonas purgatoriaiS, são recolhidas em manicômios, para tratamento mais profundo e demorado; somente depois de certo grau de refazimentO, podem ser matriculadas no Instituto “Almas Irmãs”: “(...) os verdadeiros alienados em conseqüência de alucinações emotivas, trazidas da Terra, permaneciam reclusos em manicômios, sob tratamento indicado, sempre que apartados das falanges dementadas nas regiões tenebrosas”. (29.09-2P) 15.4 — Os professores do Instituto “Almas Irmãs” — Matérias professadas As finalidades do Educandário Sexual “Almas Irmãs comparam-se aos centros de cultura superior da Terra, conferindo também títulos acadêmicos aos instrutores espirituais muitíssimo competentes em assuntos de Sexologia à luz da Verdade Espiritual, os quais devem desenvolver um trabalho de pesquisa e especializar-se em algum tema. As aulas são ministradas em salas preparadas especialmente para cada tema, como nos noticia, com beleza de narração, o Espírito André Luiz, no livro “Sexo e Destino”: “Os salões de aula comoviam pelas revelações, e os professores pela simpatia. O sexo, por tema central, merecendo o maior apreço. Os alunos contemplavam gravuras e croquis que configuravam implementoS do sexo, com interesse carinhoso de quem se enternece ante o colo maternal e com a atenção de quem agradece concessões divinas.” (29.09-2P) Para que os Espíritos fracassados na experiência sexual se iluminem e recuperem, a fim de voltar às lides humanas com mais competência nas idéias, mais moderação nos desejos e mais disciplina nas emoções, os temas mais importantes na área do sexo são estudados, meditados, analisados e debatidos, oferecendo conhecimentos aprofundados e promovendo a renovação nas idéias, sentimentos e atitudes, que são os alicerces para o êxito no retorno à Terra: “Matérias professadas em regime de especialização. Cada qual atendia em construção apropositada. Sexo e Amor. Sexo e Matrimônio. Sexo e Maternidade. Sexo e Estímulo. Sexo e Equilibrio. Sexo e Medicina. Sexo e Evolução. Sexo e Penalogia. E outras discriminações.” (29.09-2P) Essas matérias de aprendizagem sexual superior, no futuro da Humanidade, serão estudadas com o maior interesse pelas criaturas humanas, até mesmo nos CENTROS ESPÍRITAS, pois o Espiritismo possui um celeiro imenso de conhecimentos, esperando por um trabalho maior, mais profundo e mais sério para levar aos jovens, aos noivos e aos cônjuges, a visão espiritual e evangélica da missão sagrada do sexo. 15.5 — Os temas sexuais mais estudados pelos alunos Todos os temas estudados no Instituto “Almas Irmãs” eram assistidos com a maior atenção e entusiasmo pelos aprendizes, porém havia dois deles que eram os mais procurados e tinham maior número de alunos: Sexo e Maternidade e Sexo e Penalogia. Estes tratavam de questões que atendiam a iluminação sobre a maternidade, ainda muito difícil de ser dignificada na Terra, e das questões da Justiça Divina quanto às conseqüências expiatórias dos desequilíbrios afetivo-sexuais: “(...) todas as disciplinas são freqüentadas por grande cópia de alunos, e, tentando saber em quais delas se inscrevia o número mais extenso, viera a saber que os assuntos de “Sexo e Maternidade” e “Sexo e Penalogia” retinham proeminência franca. O primeiro reúne centenas de criaturas que se endereçam aos ajustes de lar, na Terra, e o segundo enfeixa enorme quantidade de Espíritos conscientes que examinam a melhor maneira de infligirem a si próprios determinadas inibições, para se corrigirem de hábitos deprimentes no curso da reencarnação a que se dirigem”. (29.09-2P) 15.6 — Objetivos do Instituto de Educação Sexual Os benefícios desse programa de estudos sobre o assunto SEXO alcançam a vida mental de todos os alunos que, na sua maioria, tinham ali aportado, depois de tristes experiências e quedas dolorosas no campo sexual, merecendo reequilibrio, reajuste, resgate, reconciliação e reeducação, a fim de não se entregarem novamente aos mesmos erros e fraquezas dos sentimentos vivenciados em existências anteriores. Com a renovação mental, havia muito maior segurança, coragem, ânimo e confiança para reencarnarem na Terra e executarem, da melhor maneira possível, a sagrada função do sexo. “Ali, a mente se rearticulava, aprendia, refazia, restaurava, mas, de modo geral, sempre no objetivo de retornar ao mundo, a fim de incorporar em si mesma o valor das lições recebidas.” (29.09-2P) O Instituto “Almas Irmãs” era um posto de transição, pois todos os Espíritos ali esclarecidos não são conduzidos para as Esferas Superiores e, sim, encaminhados a uma nova encarnação na Terra. O objetivo do Educandário de Sexologia é auxiliá-los a se equilibrarem e se fortalecerem para enfrentar as provas e expiações, e, recapitulando experiências na área sexual, superá-las corajosamente, em busca de novas conquistas morais e espirituais. É preciso voltar logo, para comprovar, na existência corpórea, o aproveitamento dos conhecimentos libertadores adquiridos. Na maioria das vezes, estes Espíritos retornam aos mesmos lugares, junto às pessoas com as quais cometeram deslizes e abusos da afeição mal dirigida. Os testes serão difíceis, pois correrão o risco de falir de novo, mas são valiosos pela oportunidade de o aluno provar a sua modificação para o Bem, a Verdade e o Amor. Sem testes e lutas morais, ninguém se aperfeiçoa. O Espírito André Luiz nos explica perfeitamente: “(...) todos eles, depois de suficientemente instruídos, são recambiados ao domicílio terrestre, onde reencarnam nos ambientes em que faliram e, tanto quanto possível, nas equipes consangüíneas que lhes impuseram prejuízos ou que lhes sofreram os danos. No “Almas Irmãs” obtinham a láurea do conhecimento, na Terra volviam a aplicá-lo, através das dificuldades e tentações da faina material, que nos comprovam a assimilação das virtudes adquiridas”. (29.09-2P) Que bom não será para a Humanidade, quando os Centros Espíritas estiverem trabalhando no campo da instrução sobre sexualidade para ajudar os jovens, os noivos, os casais e os celibatários, tendo como modelo o Instituto “Almas Irmãs”! 15.7 — A cooperação mútua entre os alunos do Instituto Os alunos do “Almas Irmãs”, aprendendo as mesmas lições iluminadoras, sofrendo o remorso das mesmas quedas morais, desenvolvendo a capacidade de analisar suas próprias existências fracassadas, naquele período maravilhoso de aprendizado das verdades espirituais, passam a criar poderosos laços de simpatia e amizade que irão prolongar-se até o retorno à vida física. Muitos programam ter como filhos os próprios colegas, os quais, depois de os futuros pais reencarnarem, os protegem e assistem, até ao momento de voltarem ao berço terreno. Estão unidos pelas mesmas necessidades de reeducação dos sentimentos e vão se esforçar juntos, na condição de pais e filhos, para a libertação das algemas poderosas do DESEJO TIRÂNICO, da AFEIÇÃO POSSESSIVA e da FASCINAÇÃO SEXUAL, para conquistarem os tesouros espirituais, a fim de amarem com alma e coração. O autor de “Sexo e Destino” disserta sobre este esforço de apoio mútuo: “(...) o problema do regresso requeria considerações específicas e preparações adequadas, razão pela qual muitos companheiros do “Almas Irmãs” se corporificavam na Terra com programas domésticos preestabelecidos, de maneira a hospedarem com os seus próprios recursos genésicos os colegas afins. Dali, do estabelecimento, esses colegas, que se lhes indicavam na posição de filhos para o futuro, os resguardavam e defendiam, até a ocasião em que lhes fosse possível mergulhar no berço terreno, constituindo-se, dessa formas, famílias inteiras, em edificações e provas redentoras (...)“. (29.09-2P) Os alunos do Instituto, amparando os colegas já reencarnados, preparavam um melhor ambiente espiritual para a sua volta à vida corpórea, garantindo a sua futura família terrestre, pavimentando o solo dos corações com o arado da boa vontade e as sementes maravilhosas da bondade e da simpatia. 15.8 — Registro individual dos alunos Os Espíritos reencarnados permanecem ligados ao Instituto “Almas Irmãs”, que não abandona nenhum de seus alunos, nas experiências terrenas, às próprias forças. A Terra é o campo real de avaliação das lições apreendidas no entendimento e no coração. Cada discípulo tem a sua própria ficha de registro individual, muito mais detalhada do que qualquer sistema de fichas das organizações terrenas. O registro se destina não somente à avaliação de seus conhecimentos intelectuais, mas muito mais de acompanhamento de suas ações no cumprimento dos deveres, a partir das mais pequeninas, suas reações emotivas, seus desejos mais íntimos, o desenvolvimento de suas idéias de fraternidade e amor universal, suas manifestações afetivas etc. Tudo isto, para saber, a qualquer momento, se o aluno está aproveitando as provas da experiência humana, em que parte está falhando e se já possui valores educativos e créditos espirituais para merecer uma maior ajuda em suas dificuldades. Vejamos o que o médico espiritual nos fala sobre a ficha individual: “Cada individualidade reencarnada com vínculos no “Almas Irmãs”, ali se encontra convenientemente fichada, com todo o histórico do que está realizando na reencarnação obtida, no qual se lhes vê o balanço dos créditos conquistados e dos débitos contraídos, balanço esse que é examinável a qualquer momento, para efeito de auxílio maior ou menor aos interessados, segundo a lealdade que demonstrem na desincumbência das obrigações a que se empenharam e conforme o esforço espontâneo que revelem na construção do bem geral.” (29.09-2P) Os detalhes chegam a tal ponto que são registrados todos os atos de bondade, todos os trabalhos nas boas obras e todos os esforços da inteligência e do coração para o bem das criaturas humanas, com desprendimentO, desinteresse e esquecimento de si mesmo. 15.9 — A torcida pela vitória moral dos colegas encarnados Os laços de amizade entre os alunos do Instituto chegam a ser tão grande que os Espíritos que permanecem na Vida Espiritual não ficam indiferentes aos seus colegas matriculados na vida corpórea e acompanham seus progressos morais, com enorme alegria ou demonstram tristezas, quando vêem seus companheiros fugirem dos sagrados deveres, na busca de ambições, prazeres e vícios, acumulando débitos e cultivando ilusões. André Luiz comenta sobre o estado íntimo dos companheiros da vida espiritual: “(...) ninguém na Terra consegue avaliar a expectativa, o esforço e o sacrifício com que os amigos desencarnados torcem pelo triunfo ou pelo aprimoramento parcial dos afeiçoados, em serviço no mundo, e nem imaginar a desolação que lhes sacode o ânimo, quando não logram abraçá-los de volta, mesmo ligeiramente renovados para o suspirado convívio”. (29.09-2P) Vendo essa torcida moral dos colegas desencarnados, ficamos a meditar quando será que nós, que ansiamos seguir Jesus, vamos trabalhar, amar, sofrer e torcer com todas as energias do coração pelos irmãos mais infelizes que nós mesmos, seja nas experiências da vida material ou nas lutas e quedas do coração. 15.10 — Quadro estatístico de aproveitamento de cada aluno O Instituto “Almas Irmãs” possui também seu quadro estatístico, que mostra os graus de aproveitamento de cada aluno reencarnado. Os discípulos reencarnados ficam sob sua supervisão, com acompanhamento pormenorizado de suas atividades e ações, registrando débitos e créditos, de acordo com sua natureza moral. “(...) em oitenta e dois anos de existência, o “Almas Irmãs”, que detinha habitualmente uma população oscilante de cinco a seis mil pessoas, apontava, no coeficiente de cada cem estudantes, 18 vitoriosos nos compromissos da reencarnação, 22 melhorados, 26 muito ímperfeitamente melhorados e 34 onerados por dívidas lamentáveis e dolorosas”. (29.09-2P) As experiências no campo afetivo, do instinto sexual e da melhoria dos sentimentos são as mais difíceis de ser vencidas por qualquer Espírito, porque quase sempre nos deixamos levar pelos desejos inferiores, pelas paixões obsessivas e pelo prazer sexual sem responsabilidade. O Educandário de Sexologia Superior chega a destacar os alunos que foram absolutamente irrepreensíveis, ou seja, não praticaram faltas e enganos, em nenhum momento, na área afetivo-sexual e mantiveram um comportamento de caráter enobrecido, uma existência inteira, direcionando suas energias sexuais para os deveres mais sagrados na união conjugal ou nas atividades culturais e religiosas a benefício dos semelhantes. Para o Espírito conquistar a libertação verdadeira, não basta uma virtude negativa: não praticar o mal, o vício e a infidelidade; é indispensável uma virtude ativa: vivenciar o amor sincero, a disciplina, o respeito, o perdão, a humildade, o devotamento e a renúncia, junto ao parceiro ou parceira, à família e à Humanidade. Espíritos com aproveitamento integral da encarnação são muito poucos, como nos afirma André Luiz: “(...) em apontamentos fiscalizados de quase oitenta anos consecutivos, a média de irrepreensibilidade não excedia de cinco em mil, não obstante surgirem fichas honrosas de muitos que atingiam até mais de noventa por cem na matéria de distinção absoluta, o que, no “Almas Irmãs”, representa elevado grau de mérito”. (29.10-2P) O Instituto sabe também premiar aqueles aprendizes que, adquirindo a condição de irrepreensíveis no coração e na consciência, em retornando ao Mundo dos Espíritos, adquirem o direito de realizar trabalhos e estudos em faixas superiores, de acordo com as tendências e aptidões. Na Vida Espiritual, um simples estágio ou visita a uma colônia ou cidade superior, deverá apresentar, por parte do interessado, méritos incontestáveis, pois a administração dos planos superiores distribui mérito e promoção dentro da absoluta justiça. É o que o grande repórter espiritual noticia: “Os aprendizes que se laureiam, através do aproveitamento substancial dos recursos fornecidos pela organização, aí se honram com admiráveis oportunidades de trabalho, em estâncias superiores, conforme os desejos que expressam.” (29.09-2P) 15.11 — Alunos vitoriosos na Terra Nas escolas do mundo, os exames testam a inteligência, a memória, a imaginação e o raciocínio. Na Escola de Aprimoramento Espiritual, as notas vão surgir da manifestação dos sentimentos, dos pensamentos, das ações e reações, principalmente no relacionamento dos cônjuges e ambiente familiar. As nossas maiores vitórias espirituais devem, antes de tudo, nascer dos trabalhos, lutas e sofrimentos no grupo familiar. Aqueles que suportam com nobreza de coração as torturas afetivas, junto aos familiares, obedecendo às regras do Evangelho do Cristo, são recebidos no Plano Espiritual como grandes homens ou grandes mulheres: heróis em Espírito. Quem consegue amar verdadeiramente algumas almas no reduto doméstico está preparado para servir mais além, junto à Humanidade, em tarefas variadas e que exigem maior abnegação. O autor de “Sexo e Destino” continua nos explicando: “(...) alcançam a Pátria Espiritual, na condição de enobrecidos filhos de Deus, as grandes mulheres e os grandes homens, justificadamente considerados grandes, diante da Providência, quando suportam, sem queixa, as infidelidades e as violências do parceiro ou da parceira de reduto doméstico, esquecendo incompreensões e ultrajes recebidos”. (29.10-2P) As almas que, apesar de todos os sofrimentos, permanecem praticando o amor cristão, cumprindo com seus deveres, em retomando à Pátria Espiritual, são motivo de muita alegria por parte dos companheiros de sua colônia, por terem, em seu quadro de trabalhadores, alunos que alcançaram tão respeitável posição de testemunhos do amor espiritualizado. O médico espiritual noticia para nós as festividades em torno do Espírito herói na Terra: “Os que possuem semelhante comportamento dignificam todos os grupos espirituais a que se entrosam e venham dessa ou daquela religião, desse ou daquele clima do mundo, são acolhidos sob galardões de heróis verdadeiros, por haverem abraçado sem revolta os que lhes espancavam a alma, sem repelir-lhes a afeição e a presença.” (29.10-2P) 15.12 — Os processos da Justiça Superior no “Almas Irmãs” No Instituto funcionam, também, os processos da Justiça Superior. Deus é amor, mas é justiça também. A Justiça no Universo não nasceu para punir somente, mas principalmente para INSTRUIR e REEDUCAR, distribuindo a cada Espírito, de acordo com seus créditos e débitos, o mérito ou a culpa, o prêmio ou o problema, a promoção ou a recapitulação. Existe no Instituto um prédio especializado, chamado “CASA DA PROVIDENCIA”, para tratar somente de assuntos que avaliam os créditos e débitos dos alunos. O mentor espiritual Félix é o Diretor do Instituto “Almas Irmãs” e também participa dos processos realizados na “Casa da Providência”, como narra o cidadão de “Nosso Lar”: “(...) o próprio Félix conduziu-me, de passagem, a pequeno palácio, localizado no centro da instituição, “Casa da Providência”, esse o nome com que o edifício é designado. Curioso foro do “Almas Irmãs”, onde dois juízes funcionam, atendendo os petitórios formulados pelos integrantes da comunidade, com respeito aos irmãos reencarnados na esfera física”. (29.10-2P) Na Vida Espiritual, em todos os trabalhos, não há decisão individual, prevalecendo sempre o esforço de equipe. Além de dois juízes e de Félix, Diretor da instituição, existe um conselho formado por dez competentes orientadores. Se, nos quesitos apresentados pelos alunos, houver pontos mais dificeis para decisão, estes processos serão enviados a departamentos superiores, onde haverá melhores condições para avaliar e opinar sobre os petitórios de cada aluno. André Luiz declara: “Ainda assim, os dois magistrados amigos e ele mesmo Félix, que é constrangido pela força do cargo a estudar e informar todas as peças, uma por uma, não decidem só por si. Um conselho constituído por dez orientadores, seis companheiros e quatro irmãs, com méritos suficientes perante a Governadoria da cidade, opina, através de assembléias semanais, em todas as recomendações e diligências, aprovando-as ou contrariando-as, a fim de que as decisões não se comprometam em arbitrariedades.” (29.10-2P) No Mundo Espiritual, a Justiça Superior analisa profundamente as questões morais, nossos pensamentos, sentimentos, emoções e, com o maior peso nas análises dos nossos atos, observa a abrangência de suas conseqüências benéficas ou prejudiciais para os semelhantes, para somente daí avaliar créditos ou débitos. Todos estes trabalhos de julgamento pormenorizado, à Luz da Justiça Divina, são para o próprio bem dos aprendizes e demonstram que os Espíritos iluminados estão interessados na recuperação real de seus alunos. O dedicado repórter espiritual descreve os assuntos mais tratados naquele Fórum Espiritual: “(...) alí somente se organizavam processos de auxílio e corrigenda, relacionados aos companheiros destinados à reencarnação e aos que já se achassem no estágio físico, espiritualmente ligados aos interesses do Instituto. Renascimentos, berços torturados, acidentes da infância, delitos da juventude, dramas passionais, lares periclitantes, divórcios, deserções afetivas, certas modalidades de suicídio tanto quanto moléstias e obsessões resultantes de abusos sexuais e uma infinidade de temas conexos são aí examinados, segundo as rogativas e as queixas entregues aos pronunciamentos da justiça”. (29.10-2P) Que essa organização espiritual de educação superior da sexualidade, à luz da Verdade Divina, seja modelo, exemplo e estímulo para as instituições educacionais do mundo no futuro e — por que não? dos Centros Espíritas, onde possam desenvolver estudos aprofundados com dignidade, respeito e amor, sobre a sexualidade, dentro da riquíssima bibliografia espírita. 16 SEXO E AMOR “(...) o sexo é a energia criativa, mas o amor necessita estar junto dele, a funcionar por leme seguro”. — Emmanuel (13.133) Sexo e amor são temas de que se tem falado, escrito, analisado, enaltecido, discutido e divulgado, em todas as épocas da Humanidade. Apesar de todas as forças da inteligência e do sentimento humano falarem desses dois temas, tomando um pelo outro, a ignorância espiritual e a confusão de interpretação de ambos é muito grande ainda nos tempos modernos. 16.1 — Instinto sexual é energia divina O instinto sexual é força criativa da vida, que tem sua origem na energia divina. Essa energia é santa e sagrada em si mesma, pois ela vive perfeitamente dentro dos estatutos das leis divinas e com ela temos: as bênçãos da reencarnação, do corpo físico, da família, do lar, dos reencontros para reconciliação e formação dos laços de simpatia. Se a energia criativa do sexo cessasse de atuar, a vida paralisaria e as humanidades nas escolas planetárias pereceriam. O mentor espiritual Emmanuel esclarece-nos com profundidade: “O instinto sexual, exprimindo amor em expansão incessante, nasce nas profundezas da vida, orientando os processos da evolução.” (17.24) O sexo não é patrimônio exclusivo da Humanidade terrestre, é tesouro divino em todos os mundos, no Universo Infinito, e permanece nas mãos das criaturas humanas, que ainda estão muito distantes da compreensão e vivência das Leis Divinas, num quadro triste de ignorância, perversão e desequilibrio. O instinto sexual é força poderosa de atração, unindo os corpos físicos, criando as experiências afetivas e fazendo os destinos entre as criaturas, dirigindo-as para as conquistas dos objetivos da Lei Suprema: o Amor, a Felicidade e a Harmonia. Mesmo com a pobreza de valores íntimos, a Humanidade caminha, embora muito lentamente, dentro da Lei Divina, que nos orienta e aperfeiçoa com paciência infinita. 16.2 — Diferença entre sexo e amor Não podemos confundir sexo e amor, pois, enquanto o sexo é força instintiva e inconsciente, o amor é energia consciente e espontânea. Misturamos muito estes dois valores em nossas experiências afetivas, porque é a energia instintiva sexual, a qual temos sempre definido como sendo “o amor”, que tem promovido a maior parte das uniões de homens e mulheres na Terra, em virtude de seu poderoso magnetismo de atração. Para a quase totalidade da Humanidade, acredita-se que o sexo é o próprio amor, porque não conhecemos e nem experimentamos ainda outro grau superior de afeição. O amor real está surgindo muito lentamente na terra árida dos corações humanos, pois ele é uma conquista da personalidade que deverá fazer uma revolução em seu mundo interior. Envolvemos a energia sexual com os nossos valores do coração, pois é o coração que dita as normas de nossa vida, de nossos hábitos, de nossas tendências, de nossas afeições e de nosso caráter. E como o nosso coração ainda está empobrecido de virtudes e rico de imperfeições e sentimentos inferiores, é muito natural e lógico que a nossa vida sexual, dirigida por ele, vá, por enquanto, sendo muito infeliz. O sábio Espírito Emmanuel esclarece-nos sobre o poder do coração na conjugação das forças do Espírito: “(...) no coração mora o centro da vida. Dele partem as correntes imperceptíveis do desejo que se consubstanciam em pensamento no dínamo cerebral, para depois se materializarem nas palavras, nas resoluções, no atos e nas obras de cada dia”. (15.10) O instinto sexual atrai as criaturas, faz a fusão do magnetismo entre o homem e a mulher, mas o relacionamento das pessoas corre por conta do sentimento de cada um e não simplesmente pela energia sexual, pois esta é energia neutra. É neste momento que surgem as dificuldades de entendimento e união, pois a normalidade do desempenho sexual, entre os cônjuges, por si só, não solucionará os problemas de relacionamento. Explica-nos muito bem André Luiz, como é ainda o amor na Terra: “Nosso amor é, por enquanto, uma aspiração de eternidade encravada no egoísmo e na ilusão, na fome de prazer e na egolatria sistemática, que fantasiamos como sendo a celeste virtude.” (18.14) 16.3 — Sentimento de posse no namoro No relacionamento dos sexos, principalmente na época do namoro e do noivado, expressamos esses sentimentos: gostamos muito um do outro, com forte atração mútua, sentimos terrivelmente a ausência do outro, encontramos alegrias infinitas ao lado do ser amado, desejamos ardentemente viver juntos pelo resto da vida, queremos a vida do outro para completar a nossa vida, sonhamos juntos os melhores planos para o futuro, procuramos fazer o melhor de gentileza e carinho para agradar; tudo isso e mais outras aspirações humanas podem ter muito de desejo e de posse, mas ainda não é o amor, pois ele não se resume nesses anseios. O impulso do desejo e o sentimento de posse são as raízes do amor egoístico e da paixão. Enquanto nossos corações forem dominados pelo egoísmo e pelo orgulho, nossos melhores sonhos e nossas mais fortes afeições ainda terão muito de amor egoístico e de paixão. A pessoa dominada pela paixão tortura intensamente a si mesma, na busca desesperada de conquistar e ser amada por alguém a quem muito deseja. A paixão é a loucura do coração. A atividade sexual pode estar muito bem, ao passo que o amor se encontra em imensas dificuldades para surgir, mesmo em migalhas para alimentar as almas, na vida conjugal. Não notamos que, em vez de amar o outro, estamos, na verdade, é amando a nós mesmos, adorando-nos como nós somos, encontrando no outro somente a nossa satisfação. É o que André Luiz afirma: “De conformidade com a Psicanálise, que vê na atividade sexual a procura incessante de prazer, concordamos em que uns, na própria sublimação, demandam o prazer da Criação, identificando-se com a Origem Divina do Universo, enquanto que outros se fixam no encalço do prazer desenfreado e egoístico da auto-adoração. Os primeiros aprendem a amar com Deus. Os segundos aspiram a ser amados a qualquer preço.” (23.18-1P) 16.4 — O amor sexual no leito conjugal Se encontramos prazer e alegria somente na relação sexual, é sinal de que o amor verdadeiro ainda não nasceu para nós. Somente o amor no leito conjugal não basta para alimentar e fortalecer as almas, no leito extenso e complexo da vida matrimonial. O amor não está limitado aos momentos fugazes da relação sexual. Pode surgir o amor, porque são dois corações e não somente dois corpos em comunhão, mas uma fração muito diminuta do amor, pois a união sexual não tem a capacidade de manifestar toda a amplitude do amor de que as almas necessitam para viverem em paz e alegria, em meio às lutas e trabalhos. Toda afetividade sexual é como se fora uma única gota de amor, diante do oceano de amor de que precisamos para vivermos e sermos mais felizes. Quem procura manifestar o amor somente na relação sexual é como alguém que quisesse sobreviver recebendo somente um raio de sol por um minuto diário, ficando o resto do tempo na escuridão e no congelamento. A Espiritualidade Superior ilumina o nosso entendimento sobre sexo e amor: “Lembremos aos corações desalentados que tal é o sexo em face do amor, quais são os olhos para a visão, e o cérebro para o pensamento: não mais do que aparelhamento de exteriorização. Erro lamentável é supor que só a perfeita normalidade sexual, consoante as respeitáveis convenções humanas, possa servir de templo às manifestações afetivas. O campo do amor é infinito em sua essência e manifestação.” (26.11) Na união conjugal, que tem no prazer sexual sua maior força de atração, cedo os cônjuges depararão com os sintomas desagradáveis da rotina, do prazer sem estímulo, da frieza, da insatisfação e do desencanto, patenteando a ausência do amor genuíno nas almas. 16.5 — A sexologia humana A Sexologia muito tem estudado e pesquisado sobre as manifestações sexuais, procurando desvendar seus mistérios, a fim de oferecer às criaturas humanas os meios mais eficientes para alcançarem uma vida sexual normal, saudável e feliz. Apesar de todos os esforços respeitáveis das pesquisas científicas, com suas conclusões e orientaçõeS, elas têm-se preocupado unicamente com os aspectos fisiológicos e emocionais, das técnicas e do desenvolvimento do prazer nos momentos rápidos do ato sexual. A maioria dos compêndios sobre sexo, não tendo o aspecto moral como base e princípio das suas idéias colocadas como regras para o grande público, torna-se muitas vezes perigosa, porque pode levar as criaturas humanas para a zona do abuso, das ilusões, dos vícios e das aberrações sexuais. Não queremos dizer que certas orientações científicas não tenham o seu justo valor, mas observamos que a Ciência ainda é materialista e não cogita dos temas: Deus, amor espiritualizado, princípios da moral, valores da consciência, da existência da alma, da lei da reencarnação, da necessidade de aprimoramento dos sentimentos e da Lei de Causa e Efeito funcionando profundamente no intercâmbio das afeições. Grande parte dos livros sobre sexo, infelizmente, dirige-se para as manifestações animalizadas: “Tentam arrastar a luz para as trevas e convertem os atos sexuais, profundamente veneráveis em todas as suas características, numa paixão viciosa tão deplorável como a embriaguez ou a mania do ópio.” (25.13) Com a Doutrina Espírita, percebemos que todas essas orientações, embora fundamentadas em aspectos científicos, são muito acanhadas, simplórias e defeituosas, porque sexo não e somente união fisiológica e prazer de alguns minutos. As criaturas humanas, antes de tudo, são almas e necessitam de esclarecimentos para superarem suas deficiências profundas no campo do sentimento. A relação sexual por si só não é amor, como nos escreve André Luiz: “(...) o sexo, na existência humana, pode ser um dos instrumentos do amor, sem que o amor seja o sexo”. (25.13) A Ciência terrena pode conhecer muito bem o funcionamento do corpo humano, os segredos da relação sexual, mas desconhece quase por completo tudo sobre o amor espiritualizado. Se algum dia ela se interessar em saber sobre o AMOR, terá que procurar esclarecimentos com JESUS, através de seu Evangelho. Ele é o Mestre Maior do amor, que solucionará todos os problemas da união afetiva entre o homem e a mulher. A Sexologia preocupa-se basicamente com os meios de estimular, desenvolver e conservar o prazer sexual para uma vida afetiva mais feliz e duradoura. 16.6— Sexo em Doutrina Espírita A Doutrina Espírita, refletindo com maior intensidade o Cristo de Deus, ensina como desenvolver as energias profundas da alma alojada num corpo físico, para que o prazer dos cônjuges ultrapasse as fronteiras do instinto físico, penetrando o campo maravilhoso das vibrações harmoniosas do amor iluminado, na esfera do Espírito: “—E ninguém diga que o fenômeno é simplesmente sexual. O sexo é manifestação sagrada desse amor universal e divino, mas éapenas uma expressão isolada do potencial infinito.” (27.18) 16.7— Prazer sexual e amor espiritualizado A alegria do prazer sexual tem duração breve e somente ela não tem suporte para conservar a alegria e a simpatia na vida conjugal. O casal, se não estiver cultivando um certo grau do amor espiritualizado, facilmente poderá chegar aos estados sombrios de tédio, desencanto e indiferença. É necessário, para a elevação do grau de simpatia no casal, abandonar o amor-sonho, buscando conquistar o amor-essência. O amor vinculado somente ao instinto sexual tem duração transitária, porque vai perdendo sua vitalidade de interesse, com o passar dos anos, e é em virtude disso que muitos casais procuram desenvolver novas práticas de atividade sexual, para promover o prazer, a fim de compensar as enormes deficiências de amor no imo de seus corações. As técnicas sexuais são ginásticas do prazer, mas não desenvolvem o amor que traz paz e alegria ao coração. Neste caso, o amor é prisioneiro do prazer egoísta e muito pobre em expressão de vibrações puras da alma. Emmanuel nos esclarece quando a atração sexual é mais forte do que os sentimentos enobrecidos: “(...) sempre que a atração genésica émais poderosa que o amor, surgem as crises de longo curso, retardando o progresso e o aperfeiçoamento da alma, quando não lhe embargam os passos na loucura ou na frustração, na enfermidade ou no crime”. (13.134) Não é o corpo quem ama, sofre, sente saudades, sonha, tem alegrias e tristezas, mas sim, a alma. A estrutura psicológica da criatura humana necessita realmente é de alimento espiritual. É preciso aprender a educar-se, aperfeiçoar-se e purificar os sentimentos, a fim de que realmente o amor venha a brotar no chão da vida afetiva. Apenas o cultivo metódico e perseverante de uma religiosidade sincera facultará o desenvolvimento das energias do coração, fazendo desabrochar o amor que alimenta, ilumina, balsamiza, conforta, socorre, fortalece e pacifica. Se o casal se interessar sinceramente em que o seu amor cresça, no curso do tempo, e vença as barreiras da morte, continuando na Vida Espiritual, é indispensável que não se escravize aos desejos do corpo mas penetre o reino sutil das vibrações espirituais pelo aperfeiçoamento e purificação dos sentimentos. A André Luiz é dito, de maneira incisiva: “Os que se consagram exclusivamente aos desejos do corpo, não sabem amar além da forma, são incapazes de sentir as profundas vibrações espirituais do amor sem morte.” (28.30) 16.8 — Edificar o amor espiritualizado O amor espiritualizado é fruto da dedicação e do esforço constante da criatura em educar a si mesma, dominando seu orgulho e egoísmo ferozes, nas regras libertadoras do Evangelho de Jesus, para poder amar sem se preocupar em ser amada. Na floresta imensa das imperfeições e defeitos, a lavoura abençoada do amor não poderá nascer sem proteção e cultivo constante na terra do coração. O amor espiritualizado começará a surgir com o desenvolvimento das sementes das virtudes: a humildade, a bondade, a paciência, o perdão, a tolerância, a indulgência, a ternura, a delicadeza, o entendimento e o respeito. Sem os tesouros da fé sincera, guardada no cérebro e no coração, essas plantas divinas não germinarão no canteiro sublime da alma. Não basta ficar esperando pelo amor do companheiro ou da companheira: o importante é aprender a amar sem exigência, a fim de materializá-lo no dia-a-dia da convivência conjugal. Os cônjuges devem promover entre si estes tesouros da felicidade, como nos escreve o autor de “Nosso Lar”: “O homem encarnado saberá, mais tarde, que a conversação amiga, o gesto afetuoso, a bondade recíproca, a confiança mútua, a luz da compreensão, o interesse fraternal — patrimônios que se derivam naturalmente do amor profundo — constituem sólidos alimentos para a vida em si.” (27.18) Nos cônjuges que procuram sinceramente espiritualizar-se, inobstante o envelhecimento lhes diminua progressivamente a atividade sexual fisiológica, o intercâmbio entre suas almas alcançará níveis cada vez mais altos de espiritualidade, sustentando e multiplicando a alegria, a simpatia e o entendimento. É a sexualidade em sua expressão espiritual, como nos ensina o Instrutor de André Luiz: “Entre os casais mais espiritualizados, o carinho e a confiança, a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física, reduzida, entre eles, a realização transitória.” (27.18) A manifestação sexual evolui com o ser. O sexo não se acabará por causa da espiritualização das criaturas, mas, sim, os cônjuges deixarão as vibrações grosseiras pelas vibrações sutis e harmoniosas, intensificando o contato das almas, conquistando novos níveis superiores de vida, em busca da Espiritualidade Maior, ficando a união física como expressão passageira, embora ativa, mas sem ser a fonte maior de suas alegrias. Entre os cônjuges na velhice corpórea, quando há o crescimento dos valores espirituais, poderá haver maior coeficiente de prazer sutil da alma, maior alegria no coração e maior simpatia nas vibrações espirituais do que entre cônjuges recém-casados que também muito se amam, mas ainda não aperfeiçoaram a harmonização recíproca. O amor é todo espiritual e não está escravizado a qualquer tipo de desejo. O Espírito André Luiz define com profundidade: “Amar não é desejar. Ë compreender sempre, dar de si mesmo, renunciar aos próprios caprichos e sacrificar-se para que a luz divina do verdadeiro amor resplandeça.” (19.28) 16.9 — Continuidade do amor conjugal na Vida Espiritual Na Terra, dificilmente as pessoas acreditam no amor espiritualizado, pois julgam-no uma ilusão, uma fantasia, uma coisa irreal. Somente vamos sentir profundamente sua falta quando estivermos no Mundo Espiritual. Cônjuges que não se amam verdadeiramente na vida física não se reencontrarão pela união afetiva na Vida Espiritual, mas os que se amam com as profundas vibrações espirituais estarão unidos sempre, em qualquer lugar, para realizações sempre mais elevadas e maravilhosas, dentro da Lei de Evolução, em busca, cada vez mais, das sublimes irradiações do Amor Universal. 17 SEXO E ESTÍMULO “A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, à face das potencialidades criativas de que se reveste.” — Emmanuel (17.05) Cada criatura humana possui um potencial de energia sexual produzindo cargas magnéticas específicas. Segundo os dicionários, estímulo quer dizer: “toda ação física ou mental que provoca reações no ser vivo”. Dentro da lei de atração, as criaturas humanas influenciam-se mutuamente, num universo de forças intangíveis e poderosas, provocando estímulos em graus diversos. O homem e a mulher não são somente corpos físicos, pois, antes de tudo, são Espíritos. E se eles se relacionam com todos os recursos físicos que possuem, se comunicam também, e muito mais, de alma para alma. Ensinam os Espíritos Sábios, em “O Livro dos Espíritos”, quando tratam das simpatias e antipatias terrenas: “Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor.” (01.388) Cada pessoa possui o seu magnetismo próprio, resultado do laboratório interior, ativado pela química mental. Por esse magnetismo, embora possa ignorar o seu mecanismo e funcionamento, o ser se colocará em intercâmbio com todas as pessoas de sua área de influência e, principalmente, com maior intensidade, com as criaturas de sua maior afeição, sobressaindo, neste caso, o cônjuge. 17.1 — A permuta das forças magnéticas Para avaliarmos a veracidade desta lei de troca das forças magnéticas, vejamos o que diz Allan Kardec, quando busca explicar o porquê da maneira de sentir diferente, nas manifestações de simpatia ou antipatia entre as pessoas: “A diversidade na maneira de sentir, nessas duas circunstâncias diferentes, resulta mesmo de uma lei física: a da assimilação e da repulsão dos fluidos.” (02.12) Ninguém conseguirá circunscrever o sexo unicamente aos aspectos físicos, pois, sem dúvida, além do contato dos corpos, entram também em sintonia os valores íntimos de cada pessoa, numa intensidade inimaginável, através da conexão da mente feminina com a mente masculina. O Espírito comanda profundamente todas as atividades orgânicas, tendo na MENTE a grande geradora de energias eletromagnéticas. Energias essas que vitalizam tanto o corpo espiritual como o corpo físico e através das quais entramos em sintonia com as outras mentes, de encarnados ou desencarnados, emitindo e recebendo incessantemente estas mesmas energias, as quais são de enorme importância para a sustentação e preservação de nossa vida psíquica, dentro da qual vivemos em realidade. Este processo de intercâmbio das forças da alma muito especialmente acontece entre o homem e a mulher, dentro dos laços afetivos. Antes de os olhos se encontrarem, antes de as mãos se entrelaçarem e antes mesmo de os corpos se tocarem, as ondas mentais já se sintonizaram e trocam informações, recursos e valores, automaticamente. A organização mental de qualquer pessoa tem a capacidade maravilhosa de emissão e recepção simultâneas das energias psíquicas. Esclarece-nos André Luiz: “Entendendo-se que toda mente vibra na onda de estímulos e pensamentos em que se identifica, facilmente percebemos que cada Espírito gera em si mesmo inimaginável potencial de forças mento-eletromagnéticas, exteriorizando nessa corrente psíquica os recursos e valores que acumula em si próprio.” (24.91) Cada mente está emitindo, numa velocidade vertiginosa, em direção a todos aqueles que estão na sua área de influência, suas forças eletromagnéticas, elaboradas, trabalhadas e armazenadas em si mesma. No relacionamento dos sexos, em qualquer fase, em qualquer grau de afeição, em qualquer idade, sempre ocorrerá o fenômeno da permuta profunda e constante das energias mento-eletromagnéticas, da mente da mulher e do homem, pois são duas organizações psíquicas de recursos inimagináveis que estão em evolução incessante há milênios. Os recursos mentais femininos são diferentes dos recursos mentais masculinos e um complementa o outro, tal qual o pólo negativo e o positivo na eletricidade. O lúcido André Luiz explica: “(...) que, gerando força criativa incessante em nós, assimilamos, por impulso espontâneo, as correntes mentais que se harmonizam com o nosso tipo de onda, impondo às mentes simpáticas o fruto de nossas elucubrações e delas recolhendo o que lhes seja característico, em ação que independe da distância espacial, sempre que a simpatia esteja estabelecida e, com mais objetividade e eficiência, quando o serviço de troca mental se evidencie assegurado conscientemente.” (24.91) Quanto mais as almas se buscam e se atraem pelos laços de simpatia, de amizade e de sinceridade, maior será o grau de troca de recursos e valores psíquicos enobrecidos, em processo de alimentação mútua, fortalecendo o mundo íntimo de ambos. 17.2 — Sexo é também reconstituinte das forças espirituais Sexo não é somente a troca de abraços, de beijos, de carícias, conjunção de células reprodutoras e de prazer mútuo na união dos corpos, pois as almas que animam os corpos estão também em permuta de recursos mentais imperceptíveis, em qualquer lugar, em qualquer momento, robustecendo-se mutuamente, desde que se encontrem em posição de interesse mútuo, de entendimento e de respeito. Os estados íntimos dos parceiros, de calma, paz, euforia, entusiasmo e coragem, não se originam somente dos aspectos físicos visíveis, do mecanismo sexual, pois nascem principalmente da comunhão mental harmoniosa, e isto também é sexo, pois nossas emoções não são fisiológicas, mas psicológicas. O Espírito André Luiz distingue muito bem as duas grandes funções: “(...) o instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente, na permuta de raios psíquico-magnéticos que lhes são necessários ao progresso”. (23.18) 17.3 — Os cônjuges e as correntes mentais desequilibradas Todo casal vive numa rede complexa de raios mentais, alimentando-se mutuamente, e de muita importãncia para as realizações de cada cônjuge. Esta sintonia se verifica em graus de freqüência variadíssima, desde os casais de condição moral inferior até aos mais espiritualizados e virtuosos. A grande diferença entre estes dois tipos de casais é que os de condição moral inferior trocarão entre si correntes mentais desequilibradas. Observando que a maioria dos casais na Terra ainda se encontram em condições espirituais de ignorância e rebeldia, perguntamos: se cada criatura é uma alma imortal, com um mundo mental próprio, o qual entra em intercâmbio com outras mentes simpáticas, num processo de relacionamento muitíssimo maior do que o contato dos corpos físicos, por que não devemos interessar-nos pelo desenvolvimento e purificação de nossas forças espirituais, para doarmos mais e melhor àqueles que amamos, principalmente à esposa ou ao esposo, ao noivo ou à noiva, ao namorado ou à namorada? 17.4 — Uniões infelizes e as correntes mentais enfermiças O desinteresse dos cônjuges pelo enriquecimento de valores espirituais é que tem dado como resultado as uniões infelizes, formadas invariavelmente de desentendimentos constantes, cultivo da tristeza e alimentação da angústia. Nesta situação, cada cônjuge passa a emitir somente correntes mentais desarmoniosas e enfermiças, criando um circuito de forças psíquicas sombrias, de vibrações grosseiras, prejudicando em muito o mundo íntimo de ambos. A vontade de cada cônjuge é que dita as normas para formação dos estados de mentação indutiva. Portanto, ninguém deve acusar a outrem, porque cada um tem a sua responsabilidade pessoal. É indispensável cuidados especiais com os recursos psíquicos que vamos transferir inegavelmente para o mundo íntimo do companheiro ou da companheira, de conformidade com o que pensamos, desejamos, nos emocionamos, falamos, idealizamos e praticamos. Vivemos em realidade dentro daquilo que produzimos na vida mental, como nos diz André Luiz: “(...) a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente-a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade”. (24.47) 17.5 — Vínculos sexuais e elemento magnético As forças psíquicas não existem somente para serem usadas por trabalhos mediúnicos, pois são energias da própria vida, manipuladas intensamente por nós, em nossa vida de relação com os semelhantes. Quanto mais espiritualizada é a afeição entre o homem e a mulher, maior será a riqueza de permuta magnética. O sábio mentor Emmanuel fala com profundidade: “Quando o homem e a mulher se confiam um ao outro, pelos vínculos sexuais, essa rendição é tão absoluta que passam, praticamente, a viver numa simbiose de forças, qual se as duas almas habitassem num só corpo. (...) A sexualidade no casal existe, sobretudo, em função de alimento magnético entre os dois corações que se integram um no outro e daí procede a necessidade de vigilância para que a harmonia não se perca, neste circuito de forças.” (17.13) A sexualidade entre os cônjuges é muito mais de ordem psíquica do que simplesmente de união orgânica. O que está havendo é muita ignorãncia e pobreza espiritual nesta parte e, conseqüentemente, muita invígílância, não sabendo os cônjuges conservar o grau de simpatia que já existe e desenvolver um trabalho íntimo de enriquecimento dos valores do coração, para que a alegria nasça em profusão na vida conjugal. 17.6 — Campos de atuação entre os cônjuges Cada criatura humana possui: um campo físico e estreito de manifestação, que é o corpo físico; um campo social particular, que é o lar; e um campo psíquico individual, intransferível e de expressão universal, que é a mente. Com faciLidade, amparamos e assistimos o nosso corpo físico, a nossa vida intelectual e o nosso ambiente de conforto doméstico, mas muito dificilmente cooperamos com o campo mental do parceiro ou da parceira. Comumente, o que mais desprezamos na vida conjugal é o mundo íntimo do outro, pois quase sempre estamos muito pobres de recursos do sentimento para oferecer o melhor de nós mesmos para o coração que dizemos amar. Se os cônjuges se preocuparem somente com os dois primeiros “campos”, é notório que esta união permanecerá muito mais na esfera material, com relacionamento afetivo artificial e distante dos valores legítimos do coração que fortalece a união e produz a felicidade interior. 17.7 — Estímulos espirituais depressivos Com o relacionamento de superfície, é lógico que, na união conjugal, irão surgir com mais freqüência os estímulos depressivos, que são emanações fluídicas negativas da mente, raios tóxicos da antipatia, que, concentrados, se transformam em venenos magnéticos, suscetíveis de provocar o desânimo, a tristeza, a enfermidade e a morte. Entre outros, temos os seguintes estímulos depressivos: o ódio, a violência, a cólera, o ciúme, a mágoa, a crítica, o azedume, o pessimismo, a discussão, a inveja, a intriga e as queixas. Cada um desses elementos possui uma forte carga magnética destruidora que, pela sua continuidade, poderá decretar a ruína da vida conjugal e o desequilíbrio psíquico completo. 17.8 — Verdadeira união conjugal: almas simpáticas O marido deve à esposa e a esposa deve ao marido não somente os estímulos que nascem da completa realização do instinto sexual satisfeito, bem como os estímulos que surgem da boa apresentação pessoal no sentido exterior, dos serviços materiais, do conforto doméstico, dos presentes, dos elogios e de tudo aquilo que possa satisfazer nossos desejos e vaidades pessoais. Tudo isso tem sua importância, mas muito relativa e passageira, porque poderá esconder a falsidade de sentimentos. Para a construção da verdadeira união conjugal é necessário ir mais além em espírito. Nem tudo aquilo que atende às necessidades do corpo físico satisfaz às necessidades e interesses profundos da alma. Somente os recursos de uma alma alimentarão as engrenagens sensíveis de outra alma. Os cônjuges devem procurar doar estímulos mais elevados que cheguem até ao mundo mental do outro, fortalecendo-o para as lutas e trabalhos da experiência humana. A felicidade na união conjugal nasce principalmente do elemento espiritual que se doa mutuamente. 17.9 — Estímulos espirituais edificantes A fim de avaliarmos o que é o estímulo para a alma, de suma importância na vida conjugal, vejamos as palavras do Espírito Evelina Serpa, personagem central do livro “E a Vida Continua...”, quando confessa a um mentor espiritual o seu anseio mais profundo do coração, ante as lutas do progresso espiritual, que é também de todas as almas sensíveis na Terra. “(...) sinto necessidade de um estímulo (...) preciso de alguém que me escore o Espírito, que se me erija em apoio, na movimentação do cotidiano, em busca daquele estado de alma que apelidamos por paz interior, euforia ou mesmo felicidade”. (21.17) O que o Espírito, tanto o de caracteres femininos quanto o de caracteres masculinos, mais necessita são realmente os estímulos edificantes, que constituem as emanações fluídicas harmoniosas e sutis exteriorizadas do mundo mental do cônjuge em sua direção, os quais vão contribuir para a solidificação da união, garantindo a paz, a alegria, o encorajamento e a felicidade. Enumeramos alguns desses estímulos edificantes, que todo homem e toda mulher são convidados a doar espontaneamente: a bondade, a compreensão, o bom ânimo, a delicadeza, a ternura, o respeito, a humildade, a paciência, o perdão, a alegria, o sorriso, a simplicidade, o carinho. Cada um desses elementos enobrecidos do coração, possui sua carga eletromagnética harmoniosa específica, que é de importância vital para a manutenção e preservação da alegria pura e simples na vida conjugal. Para que vejamos a grandeza dessa verdade espiritual, temos a belíssima frase do Espírito Valerium: “Sorriso é raio de luz da alma.” (34.10) 17.10 — Sexualidade e Evangelho. Intercâmbio de vibrações simpáticas Para os cônjuges doarem estes valores enobrecidos da alma, há necessidade de obedecerem às regras de bem-viver ensinadas pelo Divino Mestre Jesus, em seu Evangelho de Redenção, a fim de que a sexualidade não permaneça somente no campo limitado e fugaz da união física. Quanto mais os cônjuges dirigirem sua vontade sincera para a irradiação de vibrações simpáticas em tudo que pensam, falam e fazem, maior será a troca de forças magnéticas equilibradas, assegurando a união e a vitória de suas realizações e lutas, não somente conjugais mas também educacionais, culturais, profissionais e principalmente espirituais. Enquanto a união sexual orgânica é limitada e transitória, a sexualidade na esfera do Espírito é de caráter ilimitado, na conjugação de energias sutis das almas simpáticas, superando com facilidade os obstáculos da distância, da enfermidade orgânica, do defeito físico e das lutas ásperas da vida humana. A felicidade do corpo passa, enquanto que a do Espírito continua e cresce com o tempo, apesar de todas as dificuldades da existência. Um Instrutor de André Luiz, no livro “No Mundo Maior”, disserta com beleza e profundidade sobre a felicidade verdadeira: “A construção da felicidade real não depende do instinto satisfeito. A permuta de células sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das formas físicas em processo evolucionário, é apenas um aspecto das multiformes permutas de amor. Importa reconhecer que o intercâmbio de forças simpáticas, fluidos combinados, de vibrações sintonizadas entre almas que se amam, paira acima de qualquer exteriorização tangível de afeto, sustentando obras imperecfveis de vida e de luz (...)“. (26.11) 17.11 — União sexual nos casais espiritualizados. Integração de alma a alma A Humanidade não permanecerá estacionada em seu grau evolutivo. A evolução espiritual é lei para todos. Se hoje são raros os casais espiritualizados a manifestarem esta sexualidade superior, estejamos certos de que nos séculos porvindouros eles irão crescer gradativamente, em número, pois este é o intento de Jesus. Para tanto, Ele nos oferece, na atualidade, o seu Evangelho interpretado pelo Espiritismo com a clareza da verdade e a grandeza de amor, para que nós mesmos, começando por nos educar hoje, possamos multiplicar progressivamente a estatística dos casais espiritualizados no Terceiro Milênio. Vejamos a sabedoria espiritual, quando André Luiz expõe, em “Missionários da Luz”, o relacionamento dos casais espiritualizados: “Por isso mesmo, os homens e as mulheres, cuja alma se vai libertando dos cativeiros da forma física, escapam, gradativamente, do império absoluto das sensações carnais. Para eles, a união sexual orgânica vai deixando de ser uma imposição, porque aprendem a trocar os valores divinos da alma, entre si, alimentando-se reciprocamente, através de permutas magnéticas, não menos valiosas para os setores da Criação Infinita, gerando realizaçôes espirituais para a eternidade gloriosa, sem qualquer exigência dos atritos celulares. Para esse gênero de criaturas, a união reconfortadora e sublime não se acha circunscrita à emotividade de alguns minutos, mas constitui a integração de alma com alma, através da vida inteira, no campo da Espiritualidade Superior. Diante dos fenômenos da presença física, bastam-lhes, na maioria das vezes, o olhar, a palavra, o simples gesto de carinho e compreensão, para que recebam o magnetismo criador do coração amado, impregnando-se de força e estímulo para as mais difíceis edificações.” (25.13) Sexualidade nos casais espiritualizados não quer dizer abstinência sexual, mas, sim, corações cheios de amor e virtudes para se darem mutuamente, servindo à família e à Humanidade com o máximo de si mesmos. A união sexual existe sempre, mas não é mais importante para as bases da vida conjugal produtiva, progressista e feliz. A evolução não dá saltos. Ninguém se aperfeiçoa de um momento para outro. Jesus e os Bons Espíritos esperam que melhoremos o nosso coração gradativamente, pela auto-educação, a fim de que possamos oferecer melhores elementos espirituais na união matrimonial, hoje e no grande amanhã. 18 SEXO E MATRIMÔNIO “O marido dê a mulher o que é devido e, da mesma forma, a mulher, também ao marido.” — Paulo (I Coríntios, 7:3). O casamento é a união permanente de um homem e uma mulher, atraídos por interesses afetivos e vínculos sexuais profundos. Esta união não é uma invenção humana, mas, sim, o resultado da Lei Divina que nos criou para o regime de interdependência. Nenhum sexo é superior ao outro, pois um somente se realizará no outro. O Espírito Emmanuel nos descreve os frutos abençoados da comunhão sexual pelo matrimônio: “Através dele (do sexo) dimanam forças criativas, às quais devemos, na Terra, o instituto da reencarnação, o templo do lar, as bênçãos da família, as alegrias revitalizadoras do afeto, o tesouro inapreciável dos estímulos espirituais.” (17.01) 18.1 — Casamento: compromisso e responsabilidade Com a união conjugal, nasce automaticamente o compromisso de um para com o outro, pois ambos viverão na dependência um do outro. No acasalamento entre os animais, não há compromisso e nem responsabilidade permanente, pois não existem os valores afetivos, morais e conscienciais em jogo, e são justamente esses valores que tornam o matrimônio uma realização superior e de serviços extensos e complexos para ambos os sexos. Emmanuel nos esclarece: “O casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua.” (17.07) O casamento não é, pois, somente um contrato de compromisso jurídico, mas, muito mais, um contrato espiritual de consciência para consciência, de coração para coração, onde surgem compromissos mútuos: materiais, afetivos, morais, espirituais e cármicos, determinando responsabilidades intransferíveis de apoio mútuo. A responsabilidade conjugal não se resume simplesmente em adquirir um título de mulher e de marido, de mãe e de pai, mas, muito mais, o desenvolvimento da compreensão precisa, do desejo sincero e do esforço constante para cumprir da melhor maneira possível os compromissos individuais, visando a um fim único, que é a sustentação da união para a felicidade mútua dos cônjuges e, conseqüentemente, a dos filhos. Responsabilidade quer dizer também que, se não cumprirmos com a parte de nossos deveres, teremos que responder, mais cedo ou mais tarde, perante a Justiça Divina, por todos os prejuízos que provocarmos no parceiro ou na parceira, em virtude de nossa falsidade sentimental, frieza, leviandade, crueldade e abandono. Emmanuel nos mostra a gravidade da responsabilidade na união afetiva: “Imperioso, porém, que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, de vez que na comunhão sexual um ser humano se entrega a outro ser humano e, por isso mesmo, não deve haver qualquer desconsideração entre si.” (17.07) 18.2 — Simbiose de forças sexuais A união matrimonial não está unindo somente dois corpos, duas estruturas de carne e ossos, mas em realidade duas almas, dois Espíritos com personalidades próprias, dois mundos psicológicos diferentes. É o Espírito que comanda o corpo e é nele que reside toda a afetividade, toda a sensibilidade e estrutura psicológica. A atração entre duas criaturas é, acima de tudo, a atração entre duas almas, com base nos valores culturais, morais, sentimentais e espirituais. A sexualidade entre os cônjuges não se restringe ao contato corpo a corpo, com os prazeres que daí decorrem, pois ela se apresenta também nas manifestações sutis da alma, ainda imperceptíveis para a quase totalidade da Humanidade. Emmanuel nos lembra a figura evangélica, quando fala que no casamento os cônjuges passam a habitar um só corpo: “Quando o homem e a mulher se confiam um ao outro, pelos vínculos sexuais, essa rendição é tão absoluta que passam, praticamente, a viver numa simbiose de forças, qual se as duas almas habitassem num só corpo.” (17.13) 18.3 — Compromisso sexual e alimento magnético O compromisso sexual entre os cônjuges não se limita unicamente à prática sexual fisiológica, pois outros valores que expressam também sexualidade são indispensáveis, na esfera do Espírito, para complementação e sustentação da alegria na união conjugal. A sexualidade no casal não é somente a troca de elementos sexuais físicos mas, muito mais, a permuta do alimento magnético, que nasce das forças desconhecidas da alma, funcionando num circuito de forças. Em virtude deste vínculo magnético é que nasce a grande responsabilidade do parceiro ou da parceira, na permanente manutenção, não somente do instinto sexual satisfeito, mas também a doação dos valores mais altos do sentimento, que constitui o alimento básico para que os cônjuges possam continuar espiritualmente fortes, na execução de seus deveres matrimoniais, familiares, educacionais, profissionais e religiosos. Para tanto, é indispensável a vigilância interior de ambos, a fim de não prejudicar o equilíbrio emotivo do companheiro ou da companheira. Emmanuel nos fala da importância do alimento magnético: “A sexualidade no casal existe, sobretudo, em função de alimento magnético entre os dois corações que se integram um no outro e daí procede a necessidade de vigilância para que a harmonia não se perca, nesse circuito de forças.” (17.13) 18.4 — União sexual fisiológica e sexualidade espiritual Imprescindível se torna aos cônjuges cuidar da regularidade da união sexual fisiológica, mas muito mais deve ser cuidada a sua sexualidade espiritual, pois esta é que é a usina mantenedora da união matrimonial, sendo a reunião dos corpos apenas uma complementação e não o fator básico da união. Se a perfeita normalidade sexual fosse o fator fundamental da união, não poderia haver separação e crescimento de antipatia entre casais, depois de muitos anos de atividade sexual normal, satisfazendo as necessidades do instinto sexual e a complementação da sede afetiva. Neste caso houve união de corpos, mas não de corações. Quando na união conjugal o fator básico é a relação sexual fisiológica, desprezando o desenvolvimento da permuta de vibrações psíquicas harmoniosas, é sinal de que essa união terá sempre problemas de relacionamento, surgirão a insatisfação, o desencanto e o desalento, e ela poderá vir a ser desfeita com o tempo. O amor não está limitado ao instinto sexual satisfeito. A relação sexual, por si só, une corpos e desejos, mas não funde almas, dentro da lei de simpatia. O perfeito ajustamento sexual entre os cônjuges, antes de tudo, nasce do cultivo de vibrações simpáticas mútuas em todas as suas realizações, seja no lar ou fora dele. Não queremos dizer que, com o desenvolvimento da permuta dos recursos psíquicos harmoniosos entre o casal, se esteja decretando a diminuição ou a ausência da relação sexual. Não. O que vai acontecer é que as alegrias entre o casal, não se limitando ao prazer rápido do instinto sexual regularizado, encontrará fontes de prazer muito mais belas, profundas e intensas, no reino infinito do Espírito. As relações sexuais permanecem, mas sustentadas, iluminadas e fortalecidas pelas vibrações magnéticas equilibradas e reconfortadoras dos cônjuges. 18.5 — Lei Divina Material e Lei Divina Moral. Instinto sexual e amor Meditemos nas palavras esclarecedoras do Codificador Allan Kardec, quando nos instrui sobre as duas leis que devem reger a vida matrimonial: “(...) na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres, há outra lei divina imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma (...)“. (02.22) Para a felicidade conjugal, é indispensável observar estas duas leis: a do instinto sexual e a do amor. A primeira é poderosa e muito forte em todas as pessoas, e, além disso, sua atividade é comum e fácil, pois rege a união dos corpos; a segunda já não está no corpo, não é instintiva e se encontra no Espírito. A primeira necessita da utilização dos órgãos genésicos, a segunda necessita do órgão da alma: o coração. O cumprimento consciente, equilibrado e harmonioso dessas duas leis pelos cônjuges é que vai decretar uma vida matrimonial profunda, eficaz, ativa, produtiva, alegre, atuante e progressista, dentro e fora do lar. 18.6 — Abandono da sustentação sexual fisiopsíquica A lei do instinto sexual não deve ser desprezada pelos cônjuges, em momento algum, nem mesmo sob a alegação de que se deseja o aprimoramento espiritual, salvo em casos especiais de entendimento recíproco. Afora isso, o homem e a mulher que, tomados do ideal de sublimação imediata do sexo, abandonarem a sustentação sexual fisiopsíquica do parceiro, estarão cometendo também infidelidade na comunhão sexual, responsabilizando-se pelas ocorrências funestas que daí poderão advir para com o cônjuge prejudicado. O Espírito Maia de Lacerda, em uma belíssima mensagem no livro “Seareiros de Volta” nos adverte: “Aceitando obrigações de sustento recíproco, na esfera da harmonização sexual, não dispõem do direito de abandonar os companheiros ou companheiras, sem o pão do estímulo psíquico que lhes garante a euforia e lhes tonifica as forças, sob o pretexto de nobilitação em virtudes carentes de base por manifestadas em diretrizes inconvenientes e prematuras, na condição evolutiva em que se encontra.” (39.158) O admirável apóstolo Paulo, também dissertando sobre os deveres dos cônjuges, em sua primeira carta aos Coríntios, assim nos fala com clareza: “Não vos recuseis um ao outro, a não ser por consentimento mútuo, a fim de vos entregardes à oração; depois ajuntai-vos outra vez para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência” (I Coríntios., 7:5.) 18.7 — Comportamento sexual dos cônjuges e ambiente espiritual O homem e a mulher são livres para ter o comportamento sexual que lhes aprou Ver no leito conjugal, mas estão sujeitos às leis morais e espirituais, como qualquer tipo de relação amorosa na Terra. Apesar de casados legalmente, não há privilégios, nem proteção espiritual automática para suas relações mais íntimas, O apóstolo Paulo em sua Epístola aos Hebreus, 12:1, nos diz: “Estamos rodeados por uma grande nuvem de testemunhas.” Temos a nossa volta as Companhias espirituais que atraímos em função do que pensamos, sentimos, desejamos, falamos e agimos. Nem as relações sexuais dos cônjuges estão livres necessariamente da presença dos Espíritos, sejam eles inferiores ou elevados. 18.8 — As companhias espirituais no leito conjugal Vejamos como se apresenta o ambiente espiritual dos cônjuges, em suas relações mais íntimas, em três situações, conforme o estado moral e mental. 1º CASO — Cônjuges com mútua infidelidade O Espírito André Luiz em seu livro “Missionários da Luz” apresenta com nitidez o ambiente espiritual dos casais de vida sexual infeliz: “A esposa infiel aos princípios nobres da vida em comum e o esposo que põe sua casa em ligação com o meretrício, não devem esperar que seus atos afetivos permaneçam coroados de veneração e santidade. Suas relações mais íntimas são objeto de participação das desvairadas testemunhas que escolheram. Tornam-se vítimas inconscientes de grupos perversos, que lhes partilham as emoções de natureza fisiológica, induzindo-as à mais dolorosa viciação. Ainda que esses cônjuges infelizes estejam temporariamente catalogados no pináculo das posições sociais humanas, não poderão trair a miserável condição interior sequiosos que vivem de prazeres criminosos, dominados de estranha e incoercível volúpia.” (25.13) Nesta situação não está existindo nenhuma participação de amor entre os cônjuges, mas somente a união pelos laços da carne, alicerçada nos desejos dos prazeres imediatos, com a participação de entidades espirituais desencarnadas de condição inferior, vampirizando suas forças psíquicas e levando-as às condições mais tristes de viciação e aberração sexual. Neste caso, as relações mais íntimas são sigilosas para as criaturas humanas, mas não o são para os habitantes infelizes e desequilibrados do Mundo Espiritual. A casa material está devida-mente fechada e segura, mas, quanto à esfera espiritual, ela se encontra escancarada e insegura, dando liberdade de entrada para qualquer tipo de Espírito. Não importa se os cônjuges estejam colocados em condições respeitáveis na vida social, pois o que vai definir o ambiente espiritual do ninho conjugal são as suas qualidades morais e espirituais. Encontraremos sempre o que merecemos. 2º CASO — Lar com esposa fiel e marido desleal ou vice-versa É da lei que cada um receba de acordo com seus méritos. A esposa virtuosa não participará espiritualmente da condição sombria de seu esposo infiel aos seus sentimentos por estar ligado ao meretrício. A mulher, pelas suas virtudes reveladas, merecerá o amparo e a vigilância dos benfeitores espirituais, mesmo no momento das relações sexuais no leito conjugal, superando as influências espirituais negativas do marido desleal. A lei espiritual funciona com méritos precisos, baseados principalmente nos tesouros íntimos de cada pessoa e não simplesmente por alguns momentos de prece, distantes do coração e dos atos. O mentor espiritual Alexandre, no livro “Missionários da Luz” nos explica com discernimento a lei de Justiça e do mérito: “(...) que condição, por exemplo, é a da esposa fiel e devotada, ante um marido desleal e aventureiro, no campo sexual? Permanecerá a mulher nobre e santa à mercê das criminosas testemunhas que o homem escolheu?” Não — disse ele, veemente — o mau não pode perturbar o que é genuinamente bom. Em caso dessa espécie, a esposa garantirá o ambiente doméstico, embora isto lhe custe as mais difíceis abnegações e pesados sacrifícios. Os atos que lhe exijam a presença enobrecedora são sagrados, ainda que o companheiro, na vida comum, se tenha colocado em nível inferior aos brutos. Em situações como essa, no entanto, o mando imprevidente torna-se paulatinamente cego à virtude e converte-se por vezes no escravo integral das entidades perversas que tomou por testemunhas habituais, presentes em todos os seus caminhos e atividades fora do santuário da família. Chegado a esse ponto, é muito difícil impedir-lhe a queda nos desfiladeiros fatais do crime e das trevas.” (25.13) 3º CASO — Os cônjuges com vida moral elevada Existe a proteção espiritual, mas ela não é privilégio automático de nenhum casal, pois está baseada unicamente nas próprias irradiações mentais equilibradas dos cônjuges. Estes têm que fazer por merecer essa proteção. Utilizando o material sutil e poderoso emanado do campo mental do casal de qualidades nobres, os mentores espirituais constroem a residência fluídica no lar dos cônjuges virtuosos. Os Espíritos vampirizadores não têm condições de ultrapassar as fronteiras vibratórias construídas pelos benfeitores espirituais no recinto dos cônjuges espiritualizados. O mentor espiritual Alexandre explica a importância da mente sadia dos cônjuges: ‘Todos os encarnados que edificam o ninho conjugal, sob a retidão, conquistam a presença de testemunhas respeitosas, que lhes garantem a privatividade dos atos mais íntimos, consolidando-lhes as fronteiras vibratórias e defendendo-as contra as forças menos dignas, tomando, por base de seus trabalhos, os pensamentos elevados que encontram no ambiente doméstico dos amigos (...)“. (25.13) 18.9 — Necessidade fundamental: Lei Divina Moral no coração Muito fácil é, pois, a união pelos laços da carne, pois basta-nos obedecer à força poderosa da atração do instinto sexual que existe em todas as criaturas e que tem orientado a maioria das uniões dos sexos, em todas as épocas da Humanidade. Agora, com Jesus e o Espiritismo, precisamos aprender a desenvolver, cada vez mais, a Lei Divina Moral no santuário do coração, para que as forças harmoniosas de amor venham fazer a fusão de luz entre as almas, na união matrimonial. 19 SEXO E MATERNIDADE “(...) a maternidade é a plenitude do coração feminino que norteia o progresso. Concepção, gravidez, parto e devoção afetiva representam estações difíceis e belas de um ministério divino... — Emmanuel (37.207) 19.1 — Maternidade e Lei de Evolução A maternidade é exercida, desde os primeiros dias da Humanidade, sob a supervisão amorosa de Espíritos sábios e benevolentes que sempre inspiraram, protegeram e assistiram o sentimento materno, dentro das necessidades e lutas evolutivas. A personalidade feminina evoluiu no exercício da maternidade, no decorrer das vidas sucessivas, nos milênios incontáveis. Nada surgiu por acaso na organização perispiritual e na personalidade feminina, nem mesmo o automatismo da organização física foi ganho pronto de Deus. Tudo foi adquirido através da Lei de Evolução, no espaço e no tempo, pela repetição infinita e crescente das experiências que foram sedimentando-se na organização espiritual do Espírito acentuadamente feminino. 19.2 — A Ciência humana e o desconhecimento do Espírito A Ciência humana pesquisou, analisou, observou, e desvendou todos os fenômenos maravilhosos, relacionados à reprodução. Estudou as características, funções e cargas biogenéticas dos elementos genésicos femininos e masculinos, da fecundação, concepção e formação do embrião, do desenvolvimento do feto, dos sintomas fisiológicos e psicológicos da mulher no período da gravidez e dos serviços do parto, visando, no seu amplo domínio, a melhor garantir a vida e a saúde do nascituro e da mãe. Apesar de seus enormeS conhecimentos, tão úteis, benéficos e sempre crescentes, em virtude do avanço vertiginoso das investigações científicas, ainda está lidando no terreno dos efeitos e não percebe que, junto a este corpo perecível, existe um Espírito — comandante absoluto do corpo, que é o principal responsável por todos os fenômenos, ações e reações observáveis. 19.3 — O corpo espiritual e o centro genésico Temos muito que conhecer na área da maternidade, no seu aspecto espiritual, pois todas as atividades automáticas do corpo físico são conseqüência direta dos recursos inalienáveis do corpo espiritual que os comanda. O corpo espiritual é o nosso verdadeiro corpo, pois existia antes do berço e subsistirá após a morte, carregando toda a riqueza de nosso automatismo e sensibilidade. O corpo espiritual, ou perispírito, possui sete centros de força, conjugados com as glândulas endócrinas, de importância fundamental para o funcionamento e sustentação da organização física, pois, através deles, o Espírito gerencia todas as suas funções, a partir das mais simples. O Instrutor Hilário enumera estes sete centros vitais: 1. CENTRO CORONÁRIO; 2. CENTRO CEREBRAL; 3. CENTRO LARÍNGEO; 4. CENTRO CARDÍACO; 5. CENTRO ESPLÊNICO; 6. CENTRO GÁSTRICO; 7. CENTRO GENÉSICO. (22.20) Dentre estes destacamos aquele centro de força que nos interessa para o tema que ora estamos estudando, que é O CENTRO GENÉSICO, sobre o qual o Espírito Hilário esclarece: “(...) o centro genésico, guiando a modelagem de novas formas entre os homens ou o estabelecimento de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação e à realização entre as almas”. (23.02-1P) O centro genésico, juntamente com os demais, funciona em perfeita sinergia na organização sublime do perispírito. Este centro perispirítico, sob o influxo do poder diretriz da mente, comanda profundamente as funções do útero materno. Todos os conhecimentos da ciência terrena a respeito da maternidade estão ainda muito distantes da verdadeira causa dos fenômenos da gravidez por não perceber a presença profunda e atuante do Espírito na vida microscópica. O visível é comandado pelo invisível. Para se compreender toda a extensão dos fenômenos da maternidade, é indispensável conhecer-se tanto os que se produzem no corpo físico, quanto aqueles que se realizam no campo do Espírito. Os Espíritos sábios em o livro uEntre a Terra e o Céu” revelaram a André Luiz: “— O seio maternal (...) é um vaso anímico de elevado poder magnético ou um molde vivo destinado à fundição e refundição das formas, ao sopro criador da Bondade Divina, que, em toda parte, nos oferece recursos ao desenvolvimento para a Sabedoria e para o Amor. Esse vaso atrai a alma sequiosa de renascimento e que lhe é afim, reproduzindo-lhe o corpo denso, no tempo e no espaço, como a terra engole a semente para doar-lhe nova germinação, consoante os princípios que encerra.” (22.28) O útero materno é um vaso anímico, porque todos os acontecimentos biofisiológicos acontecem sob a influência poderosa, sutil e desconhecida da força mental do Espírito reencarnante, em conjunção com a mente materna, determinando situações que nem a ciência terrestre e nem mesmo a mulher podem perceber em toda a extensão espiritual. O seio materno é manjedoura divina que abriga amorosamente um Espírito para refundição da forma humana, garantindo sua volta às lutas evolutivas da vida terrena. 19.4 — A mulher e a Providência Divina A maternidade não está a serviço tão-somente dos interesses particulares da mãe e do pai, no desejo de trazerem mais uma criança à Terra, pois existe uma determinação divina, uma proteção espiritual superior, um programa particular de progresso, na dinâmica de perpetuação da espécie humana. Deste modo, a mulher é alvo de atenção profunda, paciente, disciplinada e misericordiosa da Providência Divina para a efetivação dos objetivos universais de dar aos Espíritos oportunidade de retorno à existência humana, sejam eles endividados ou detentores de programas de serviços elevados na Terra. 19.5 — Determinantes espirituais nos fenômenos da gravidez Quando a mulher conhecer melhor os fenômenos espirituais que ocorrem com ela mesma, principalmente no período da gravidez, vai sentir uma grande necessidade de se elevar espiritualmente, cada vez mais, a fim de se colocar em melhores condições morais e psíquicas, e não somente físicas, para receber o Espírito reencarnante — futuro filho, em sua própria matriz sublime das formas, para que possa ajudá-lo com suas energias harmoniosas, antes mesmo do momento da concepção. Um mentor de André Luiz expressa com beleza o papel da maternidade: “Maternidade é sagrado serviço espiritual em que a alma se demora séculos, na maioria das vezes aperfeiçoando qualidades do sentimento.” (22.28) O período da gravidez é um processo maravilhoso, lento e progressivo da materialização do Espírito para a vida corpórea. O colo materno é um santuário de energias criadoras, onde se aloja o Espírito sequioso de nova encarnação, possibilitando-lhe a formação de novo corpo físico que lhe garantirá a permanência nas múltiplas lições da existência humana. Ao lado dos acontecimentos extraordinários que ocorrem no organismo da mulher gestante, como concepção, formação do embrião, crescimento e desenvolvimento do feto, estão também ocorrendo, simultaneamente, fenômenos espirituais maravilhosos que, em realidade, são as causas dos acontecimentos biofisiológicos. 19.6 — Miniaturização do corpo espiritual do Espírito reencarnante O Espírito reencarnante, para que possa estar em condições de justapor-se ao seio materno, não pode permanecer como se encontra na Vida Espiritual. O seu corpo espiritual deve sofrer profundas transformações quanto ao seu aspecto externo, preparando-se para o abençoado recomeço. Vejamos como narra André Luiz o processo delicado de diminuição volumétrica do perispírito: “— A reencarnação - tanto quanto a desencarnação, é um choque biológico dos mais apreciáveis. Unida à matriz geradora do santuário materno, em busca de nova forma, o perispírito sofre a influência de fortes correntes electromagnéticas, que lhe impõem a redução automática.” (22.29) O corpo espiritual do Espírito reencarnante, unido ao da futura mãe, passa a sofrer uma diminuição progressiva em sua organização, até chegar àminiaturização. É preciso deixar uma parte de fluídos e forças espirituais no laboratório do invisível, para dar condições de receber um novo corpo na existência humana, O perispírito do reencarnante, depois de ligado à mente materna, passa a sofrer desta uma incessante descarga de energias eletromagnéticas, favorecendo a desagregação das energias perispirituais em excesso, para que, alojado no nínho materno, reestruture o seu novo corpo. No livro “Entre a Terra e o Céu” deparamos com esta explicação: “Constituído à base de princípios químicos semelhantes, em suas propriedades, ao hidrogênio, a se expressarem através de moléculas significativamente distanciadas uma das outras, quando ligado ao centro genésico feminino experimenta expressiva contração (...). Observa-se, então, a redução volumétrica do veículo sutil pela diminuição dos espaços intermoleculares. Toda matéria que não serve ao trabalho fundamental de refundição da forma é devolvida ao plano eteral, oferecendo-nos o perispirito esse aspecto de desgaste ou de maior fluidez.” (22.29) O Espírito introduzido no seio materno permanece na condição de semente inteligente, para que, no período de nove meses, possa, juntamente com a mente materna, construir novo carro físico, de acordo com a Lei do Mérito. Para percebermos a realidade da miniaturização do corpo espiritual do Espírito reencarnante, vejamos os primeiros instantes da reencarnação do personagem Segismundo, quando o mentor espiritual Alexandre ajustava a sua forma perispirítica ao óvulo fecundado, minutos após a fusão do elemento genésico masculino. André Luiz descreve o trabalho de técnica espiritual executado pelo mentor Alexandre: “Em seguida Alexandre ajustou a forma reduzida de Segismundo, que se interpenetrava com o organismo perispirítico de Raquel, sobre aquele microscópico globo de luz, impregnado de vida, e observei que essa vida latente começou a movimentar-se.” (25.13) 19.7 — Interação da mente materna e do Espírito reencarnante Para a manutenção da vida e desenvolvimento do feto, o organismo materno forneceu-lhe incessantemente, através de seu sangue, o alimento e o oxigênio, mas não apenas isso, pois o mesmo assimila também as correntes fluídicas que jorram em profusão da mente materna, nutrindo o sistema psicobiofisiológico do nascituro. A interação permanente da mente do reencarnante com a mente materna faz surgir nela uma infinidade de sugestões psíquicas, provocando emoções, idéias e comportamentos na personalidade feminina e também estados anômalos em suas funções orgânicas. André Luiz transmite-nos o esclarecimento do Ministro Clarêncio sobre este ainda desconhecido processo de simbiose: “A organização feminina, durante a gestação, sofre verdadeira enxertia mental. Os pensamentos do ser que se acolhe ao santuário íntimo envolvem-na totalmente, determinando significativas alterações em seu cosmo biológico.” (22.30) 19.8 — Assimilação de vibrações desordenadas Se a entidade espiritual que se acolhe ao ventre materno é de condição inferior, trazendo graves problemas da consciência culpada, é natural que a mente materna venha a sofrer, pela assimilação de suas vibrações desordenadas, os estados de desequilíbrio, angústia, medo e perturbação: “A mulher grávida, além da prestação do serviço orgânico à entidade que se reencarna, é igualmente constrangida a suportar-lhe o contato espiritual, que sempre constitui um sacrifício quando se trata de alguém com escuros débitos de consciência.” (22.30) Então a mulher começa o exercício da dedicação materna, a caridade com o Espírito reencarnante, desde os primeiros minutos da concepção, amparando-lhe e sofrendo-lhe a influência psíquica. A associação mental de ambos é de tal profundidade que a mente materna acolhe os desequilíbrios mais diferentes, pois transforma-se em médium, em fenômeno de comunhão telepática profunda. O Ministro Clarêncio fala com sabedoria espiritual: “A gestante é uma criatura hipnotizada a longo prazo. Tem o campo psíquico invadido pelas impressões e vibrações do Espírito que lhe ocupa as possibilidades para o serviço de reincorporação no mundo. Quando o futuro filho não se encontra suficientemente equilibrado diante da lei, e isso acontece quase sempre, a mente maternal é suscetível de registrar os mais estranhos desequilíbrios, porque, a maneira de um médium, estará transmitindo opiniões e sensações da entidade que a empolga.” (22.30) 19.9 — O destino do Espírito reencarnante está na sua mente Para que a Humanidade possa entender a realidade espiritual da maternidade, duas idéias básicas devem ser aceitas e compreendidas: primeiro, a presença atuante do Espírito imortal, que conserva a sua individualidade nos milênios incessantes, e, segundo, a Lei da Reencarnação, que traça o destino de cada criatura, dentro da Lei de Causa e Efeito. O mundo espiritual assim esclarece a lei do destino, em cada nova existência do Espírito reencarnante: (...) o destino, ao principio de cada nova existência, está guardado na mente. (...) a alma humana é uma consciência formada, retratando em si as leis que governam a vida e, por isso, já dispõe, até certo ponto, de faculdades com que influir na genética, modificando-lhe a estrutura, porque a consciência responsável herda sempre de si mesma, ajustada às consciências que lhe são afins. Nossa mente guarda consigo, em germe, os acontecimentos agradáveis ou desagradáveis que a surpreenderão amanhã (...)“ (18.07) A mente em cada Espírito é semelhante à semente minúscula: já traz em si, em estado latente, as energias misteriosas e diretoras para a formação da árvore-existência no futuro. 19.10 — Experiências do Espírito reencarnante Júlio, ex-suicida O processo de comunhão mental entre o Espírito reencarnante Júlio e a gestante Zulmira. A fim de avaliarmos as conseqüências da enxertia mental entre a mente materna e a do Espírito reencarnante, no período da gravidez, vejamos os acontecimentos com a reencarnação de Júlio, que éum ex-suicida com dupla tentativa: envenenamento e afogamento, por causa do abandono afetivo da mulher amada, a qual hoje é Zulmira, que o acolhe no útero materno para uma nova encarnação. Acompanhemos a narrativa de André Luiz: “— Se Zulmira atua, de maneira decisiva, na formação do novo veículo do menino, o menino atua vigorosamente nela, estabelecendo fenômenos perturbadores em sua constituição de mulher. A permuta de impressões entre ambos é inevitável e os padecimentos que Júlio trazia na garganta foram impressos na mente maternal, que os reproduz no corpo em que se manifesta. A corrente de troca entre mãe e filho não se circunscreve à alimentação de natureza material; estende-se ao intercâmbio constante das sensações diversas. Os pensamentos de Zuimira guardam imensa força sobre Júlio, tanto quanto os de Júlio revelam expressivo poder sobre a nova mãezinha. As mentes de um e de outro como que se justapõem, mantendo-se em permanente comunhão até que a natureza complete o serviço que lhe cabe no tempo.” (22.30) Que as mulheres vejam e compreendam nos acontecimentos e sintomas da gravidez não somente os fenômenos biofisiológicos, mas principalmente, os ascendentes espirituais. A Lei de Causa e Efeito reflete-se no corpo de Zulmira, através da amidalite. As influências psíquicas do futuro filho, Júlio, não ficaram somente nas impressões psicológicas, pois as disfunções de sua garganta do corpo espiritual, em virtude da tentativa de suicídio por envenenamento, reproduziram-se fielmente na garganta da gestante, provocando perigosa amidalite. Zulmira estava recebendo em seu próprio cosmo mental e biofisiológico os resultados iniciais de seu desatino afetivo do passado, que estimulou Júlio ao suicídio. Sempre nos encontramos com nossas próprias obras. A mulher espírita, especialmente, deverá fazer sempre o possível para não se deixar contrariar ou desequilibrar, quando o período de gravidez é difícil e doloroso, a fim de dar assistência ao Espírito reencarnante, oferecendo o melhor de si mesma, não somente quanto aos recursos protéicos para a organização fetal, mas principalmente, quanto aos valores espirituais. Nossos filhos são companheiros de vidas passadas que retornam ao nosso convívio, necessitando, em sua grande maioria, de reajuste e resgate, reconciliação e reeducação. Observemos a narrativa de André Luiz: “Zulmira, incompreensivelmente para ela, havia contraído perigosa amidalite. Sofria muito. Por seis dias consecutivos, informou nossa amiga inquieta, achava-se no trabalho de vigilância. Esforçara-se, quanto lhe era possível, por liberá-la de semelhante aborrecimento físico, entretanto, via baldadas todas as providências. (...) Zulmira, no leito, demorava-se em aflitiva prostração. Cabelos em desalinho, olheiras arroxeadas e faces rubras de febre, parecia aguardar a chegada de alguém que a auxiliasse na debelação da crise. A supuração das amídalas poluira-lhe o hálito e lhe impunha dores lancinantes.” (22.30) 19.11 — Requisitos para melhores condições mentais da gestante A gestante, em virtude dos sofrimentos advindos dos processos da gravidez difícil, necessitará inegavelmente da valiosa assistência médica permanente, salvaguardando, pelo acompanhamento seguro do desenvolvimento do feto, a saúde da mãe e a vida do futuro filho. Como os problemas da maternidade são também espirituais, a mulher precisará também cultivar os valores da fé sincera, da confiança na Providência Divina, da oração diária, da leitura evangélica, do estudo libertador, dos recursos medicamentosos do passe magnético restaurador, do culto do Evangelho no lar, do amor espiritualizado, que a colocarão em melhores condições psíquicas para o exercício da maternidade. 19.12 — As náuseas e a causa espiritual Um dos sintomas desagradáveis na mulher, o mais comum no período de gravidez, são as náuseas, cujas causas não repousam simplesmente nos distúrbios do organismo físico, mas também no resultado da assimilação de fluidos enfermiços da mente do Espírito reencarnante de condição sofredora. Cada mulher recebe em sua matriz divina um Espírito de acordo com as suas necessidades e afinidades. Todos os sofrimentos e dificuldades têm a sua razão de ser. É preciso saber suportar com fé, paciência, resignação e entendimento espiritual este período maravilhoso de exercício da renúncia maternal. O Ministro Clarêncio dá esta explicação: “O organismo materno, absorvendo as emanações da entidade reencarnante, funciona como um exaustor de fluidos em desintegração, fluidos esses que nem sempre são aprazíveis ou facilmente suportáveis pela sensibilidade feminina. Daí, a razão dos engulhos freqüentes, de tratamento até agora muito difícil.” (22.30) 19.13 — As revelações do Espiritismo A Ciência terrestre percebe, ainda que de muito longe, a influência sutil e poderosa da mente nas células, nos órgãos e nas funções do organismo humano. Acusam-se distúrbios variados e até enfermidades do organismo, em virtude da tensão emocional sistemática, do acesso de cólera, da discussão acalorada, do estado de profunda tristeza, da irritação persistente. Apesar de estar penetrando no terreno das causas profundas, a Ciência humana ainda sabe muito pouco sobre o Espírito, o corpo espiritual, a mente com seus recursos, poder e manifestação intangíveis, a reencarnação e a Justiça Divina. O Espiritismo — a terceira revelação divina, veio na época predita pelo Divino Mestre e Senhor Jesus-Cristo para revelar as verdades espirituais que os homens já podem compreender, sentir e viver. 19.14 — A força mental da gestante e os “sinais de nascença” A mente da gestante pode também deixar suas marcas visíveis no corpo do nascituro, e, quando isto acontece, a ciência humana diz serem “sinais de nascença”. No início do processo de formação do embrião, quando a matéria ainda é sutil e mais plasticizante, a força mental da gestante, inconscientemente, em virtude de sua idéia fixa persistente em alguma coisa, pode deixar marcas no feto, as quais vão desenvolver-se e apresentar-se no corpo do bebê, permanecendo por toda a vida. Este fenômeno de apresentação externa prova a ascendência da força psíquica sobre os processos biofísiológicos. Há grande necessidade de harmonia interior da gestante, como observa o Espírito Clarêncio: “De semelhante associação, procedem os chamados ‘sinais de nascença’. Certos estados íntimos da mulher alcançam, de algum modo, o princípio fetal, marcando-o para a existência inteira. É que o trabalho da maternidade assemelha-se a delicado processo de modelagem, requisitando, por isso, muita cautela e harmonia para que a tarefa seja perfeita.” (22.30) 19.15 — A sinergia: mente — perispírito —corpo físico O exercício da maternidade evoluiu sempre no Espírito feminino, em virtude das experiências recapituladas nos séculos, e deverá aperfeiçoar-se muito ainda, tendo como maior fonte de orientação o Evangelho de Jesus, que veio a fim de que cada criatura possa edificar o seu templo interior de Sabedoria e Amor para a Eternidade. Quando os Espíritos falam na necessidade de muita cautela e harmonia por parte da gestante, éporque pode ela suportar e superar os períodos difíceis, tanto físicos quanto espirituais, se buscar essa harmonia tão desejada não somente nos medicamentos dos laboratórios, nas orientações para a boa alimentação e no preparo físico, visando à saúde completa do corpo para um parto feliz e nascimento seguro de uma criança saudável e perfeita, mas também cultivar, na própria esfera psíquica, os princípios superiores da vida espiritual. A Doutrina Espírita nos ensina que devemos ser “médicos de nós mesmos”, principalmente na área das energias psíquicas e no campo das forças do coração. Para visualizarmos um campo maior de atuação da mente em nosso cosmo biofisiológico, vejamos o que nos esclarece o Espírito Druso, sobre a sinergia mente — perispírito — corpo físico: “— Da mente, clareada pela razão, sede dos princípios superiores que governam a individualidade, partem as forças que asseguram o equilíbrio orgânico, por intermédio de raios ainda inabordáveis à perquinção humana, raios esses que vitalizam os centros perispiríticos, em cujos meandros se localizam as chamadas glândulas endócrinas, que, a seu turno, despendem recursos que nos garantem a estabilidade do campo celular. Como é óbvio, nas criaturas encarnadas esses elementos se consubstanciam nos hormônios diversos que atuam sobre todos os órgãos do corpo físico, através do sangue.” (18.19) A realidade espiritual vibra em todas as criaturas, embora a desconheçamos e nem nos interessemos por compreendê-la. Em realidade, viveremos sempre dentro da substância de nossos desejos, emoções, pensamentos e idéias. O nosso mundo moral e o nosso caráter determinam a direção de nossas energias interiores. O sangue do organismo da gestante está profundamente submetido à influência mental e é ele que transporta todos os elementos nutritivos para a organização fetal. A mente comanda e supervisiona todas as atividades do organismo físico, com resultados positivos para a saúde orgânica ou para o surgimento de enfermidades, tanto no corpo da mãe como da criança em processo de formação. Em cada simbiose mental no período da gravidez, entre a mente materna e a do Espírito reencarnante, ocorrerão fenômenos físicos e estados psicológicos diferentes, em virtude das características particulares de cada individualidade. 19.16 — Estado íntimo da gestante com Espírito reencarnante de condição elevada Até agora temos analisado os efeitos na gestante, quando o Espírito reencarnante é de condição inferior. Se porém é de posição elevada, com respeitáveis valores de virtudes e méritos adquiridos, o estado íntimo da gestante logicamente deverá ser de indefiníveis alegrias, otimismo e serenidade, em função de assimilar em seu campo mental as riquezas espirituais de luz, amor e harmonia provenientes da mente iluminada do Espírito. Clarêncio explica: “Se o filho é senhor de larga evolução e dono de elogiáveis qualidades morais, consegue auxiliar o campo materno, prodigalizando-lhe sublimadas emoções e convertendo a maternidade, habitualmente dolorosa, em estação de esperanças e alegrias intraduzíveis (...)”. (22.30) 19.17 — Colaboração do marido com o campo mental da esposa Até o momento, pouco falamos sobre a participação do esposo no processo da maternidade, porque os Espíritos pouco relatam a respeito. Comumente encontra-se distante dos acontecimentos complexos da gestação da esposa, pois a realidade espiritual íntima e profunda da gestante é intransferível. O homem, naturalmente, poderá possuir conhecimentos pormenorizados do processo da gestação e ver o seu desenvolvimento, mas não tem possibilidade de um acompanhamento mais participativo. O marido terá maior participação e melhor colaboração com a esposa, especialmente quando o Espírito reencarnante a ele se liga por grande afinidade em vidas passadas. Ele intuitivamente percebe a presença do ser afim, em virtude de receber dupla descarga de energias psíquicas harmoniosas e amigas, passando a oferecer maior potencial de atenção e carinho à esposa, colaborando eficazmente com a maternidade da companheira. A alegria com a chegada de um Espírito amigo estimula o pai a emitir melhores recursos do sentimento para o campo psíquico da esposa. É ainda Clarêncio quem elucida: “A esposa, por devotamento ao companheiro, cede facilmente à necessidade da alma que volta ao reduto doméstico para fins regeneradores e, em se tratando de alguém com intensa afinidade junto ao chefe do lar, vê-se o marido docemente impulsionado a oferecer maior coeficiente afetivo à companheira, de vez que se sente envolvido por forças duplas de atração. Sob dobrada carga de simpatia, dá muito mais de si mesmo em atenção e carinho, facilitando a tarefa maternal da mulher.” (22.30) Conhecendo esta verdade espiritual no período da gravidez, o marido deve sentir aumentar a sua responsabilidade não somente nas necessidades materiais da vida doméstica e assistência médica à querida esposa, mas também quanto às suas doaçoes espirituais no que pensa, no que fala, no que sente e no que pratica, a fim de contribuir psiquicamente, da melhor maneira possível, com a companheira gestante e com o futuro filho em processo de formação fetal. 19.18 — Necessidade do conhecimento espírita para pais e mães. O amor de Deus e a maternidade Com o conhecimento das leis Espirituais, da importância dos valores da fé raciocinada e fé viva no coração, a mulher gestante e o marido irão desenvolver sua visão para além dos fenômenos da vida física e perceberão quanto podem fazer colaborando positivamente com o Espírito que volta à Terra, na condição temporária de filho para ser amado, assistido e educado, desde os primeiros instantes da concepção. Quanto aos fundamentos da maternidade, O AMOR DE DEUS A TUDO DIRIGE, COORDENA, AMPARA E SUSTENTA, visando sempre à vitória da luz, do progresso e da evolução, mas espera que cada mãe e cada pai venham a contribuir com a melhor cota de boa vontade, amor, compreensão, dedicação e esperança, ultrapassando as preocupações unicamente orgãnicas da maternidade para penetrar de maneira lúcida e harmoniosa nos valores eternos do Espírito. 20 ABORTO E JUSTIÇA DIVINA “O aborto provocado, mesmo diante de regulamentos humanos que o permitem, é um crime perante as Leis de Deus.” — Emmanuel (11.11) A Terra é um planeta de provas e expiações, um mundo inferior, onde o mal ainda predomina na esmagadora maioria dos corações humanos. Embora o progresso da civilização alcance posição maravilhosa nas invenções e na tecnologia, produzindo máquinas que trazem as facilidades inumeráveis, o conforto crescente e a expansão da cultura, as criaturas humanas continuam ainda moralmente na fase dos povos bárbaros, sendo o aborto criminoso um dos fatos que confirmam isso. 20.1 — Aborto: crime dos mais dolorosos A visão materialista da vida e a ausência dos princípios de fraternidade legítima, concorrem para a onda sombria e crescente do aborto injusto. Este ato abominável é a prova mais contundente do desprezo pela vida, a qual vem de Deus, que é a sua causa primeira. Neste crime a vítima étotalmente indefesa, pois não tem condição nenhuma de se proteger, defender ou fugir das mãos dos algozes. O Espírito Emmanuel nos fala deste hediondo crime: ‘Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza... Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.” (13.17) A insensibilidade humana na prática do aborto cruel mostra quanto estamos distantes das Leis Divinas, ainda mais quando as instituições dos códigos humanos criam leis aprovando o direito à mulher de negar a continuidade da vida a um ser que está desenvolvendo-se dentro de seu próprio organismo. Colocamos o estudo sobre o aborto logo após o capítulo que estuda a maternidade para, facilmente, avaliarmos a sublimidade da missão da maternidade, o trabalho de imenso amor da Espiritualidade Maior para o Espírito reencarnar e a baixeza do ato doloroso do aborto delituoso, cortando vidas e destruindo o processo sublime e misericordioso de uma reencarnação. O aborto provocado destrói não somente o corpo do bebê, mas também o santuário divino das formas humanas na mulher. 20.2 — Aborto não criminoso O aborto provocado não será crime ante a Justiça Divina, quando se tem por finalidade salvar a vida da mãe, quando seu organismo não possuir condições de dar seqüência ao desenvolvimento fetal. Vejamos em “O Livro dos Espíritos” a Questão 359: “Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvara segunda? “Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.” (01.359) 20.3 — Efeitos imediatos do aborto As conseqüências imediatas do aborto delituoso logicamente se refletem, primeiro e em maior grau, no organismo fisiopsicossomático da mulher, pois abortar é arrancar violentamente um ser vivo do claustro materno. O centro genésico, que é o santuário das energias criadoras do sexo e tem sua contraparte na organização perispiritual da mulher, com a prática do aborto condenável sofre desequilíbrios profundos, ainda desconhecidos da ciência terrena. O Espírito André Luiz em seu livro “Evolução em Dois Mundos” descreve os resultados no mundo psíquico da mulher que comete o aborto delituoso: “É dessa forma que a mulher e o homem, acumpliciados nas ocorrências do aborto delituoso, mas principalmente a mulher, cujo grau de responsabilidade nas faltas dessa natureza é muito maior, à frente da vida que ela prometeu honrar com nobreza, na maternidade sublime, desajustam as energias psicossomáticas, com mais penetrante desequilíbrio do centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que frutescerão, mais tarde, em regime de produção a tempo certo”. (23.14-2P) O crime do aborto não é simplesmente o de destruir um corpo que está se formando, mas também o de interferir no direito do Espírito reencarnante que realmente está dando vida ao feto, pois a partir do momento da concepção, o Espírito passa a atuar profundamente no crescimento do embrião. Analisemos o que nos esclarecem os Espíritos Superiores em “O Livro dos Espíritos”, na Questão 344: “Em que momento a alma se une ao corpo? “A união começa na concepção mas só écompleta por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até o instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.” (01.344) Como na organização fetal existe um Espírito administrando o seu crescimento em simbiose mental com a mãe, em realidade já é o dono desse corpo em formação, e em sã consciência a mulher gestante não poderá dizer que é dona do feto e faz dele o que lhe aprouver, pois ela já está trabalhando em parceria com um Espírito, filho de Deus como ela mesma, e com os mesmos direitos de possuir um corpo e de voltar à Terra. A prática do aborto passa então a incomodá-lo, perturbá-lo e ofender o seu direito à vida corpórea, que é uma bênção de Deus para todas as criaturas. 20.4 — Conseqüências infelizes na mulher que comete o aborto A mulher que cometeu aborto delituoso passa a sofrer conseqüências desagradáveis imediatas em seu próprio organismo, seja pelo surgimento de enfermidades variadas ou pelos processos sombrios da obsessão, em virtude da antipatia nascida no Espírito reencarnante, que vê seu tentame frustrado. Meditemos nas explicações de Emmanuel: “O aborto oferece conseqüências dolorosas especiais para as mães? Resposta —O aborto oferece funestas intercorrências para as mulheres que a ele se submetem, impelindo-as à desencarnação prematura, seja pelo câncer ou por outras moléstias de formação obscura, quando não se anulam em aflitivos processos de obsessão.” (11.04) O mal é todo ato praticado pelas mãos, pelos pensamentos e pelas palavras, contrários às Leis de Deus, que venha prejudicar os outros e a nós mesmos. As conseqüências imediatas ou a longo prazo virão sempre, para reajustar, reeducar e reconciliar os Espíritos endividados, mas toda cobrança da Justiça Divina tem o seu tempo certo. 20.5 — A legalização do aborto Nos países onde o aborto está legalizado, cuida-se somente dos interesses egoísticos da mulher, pois somente vêem inconvenientes graves na prática do aborto, quando este é feito com deficiências, distante da assistência médica especializada, colocando em risco a saúde e a vida da mulher criminosa. A extração do embrião, desde que com toda a assistência médico-hospitalar e segurança jurídica, não constitui crime nos países que legalizaram o aborto e é um direito inalienável da mulher, se assim o desejar. Essas idéias infelizes estão dominando o mundo. Isso também é loucura, é desequilíbrio, é barbárie. Para combater-se a proliferação do aborto irresponsável, não bastam simplesmente as campanhas poderosas da publicidade “contra”, que atuam apenas na superfície, pois a causa maior é a ausência de religiosidade sincera no coração das criaturas. As idéias materialistas estão dominando as pessoas invigilantes, que ignoram quase completamente os princípios superiores que regem a Vida, em todo o Universo. Há necessidade primeiramente de mostrar às mulheres desorientadas que há um Espírito no feto e que este não é somente vida vegetativa sobre a qual julgam erroneamente terem posse absoluta. 20.6 — A maternidade e o amor de Deus Deus nos deixa com o livre-arbítrio para decidirmos se cometeremos ou não o hediondo crime do aborto, uma vez que somos responsáveis pelos nossos próprios atos. Mas Deus não dá a ninguém o direito de eliminar a vida de um ser que está em formação no organismo materno, pois este direito somente Ele o possui. Quem está patrocinando o renascimento de qualquer criança, antes de tudo, é DEUS. A maior luz e a maior força de Amor na maternidade é a de DEUS. A organização física e os elementos genésicos femininos e masculinos são criação de DEUS e todo o processo e formação da criança no ventre materno está sob a diretriz de Suas Leis. A participação da mulher na maternidade não é absoluta, mas parcial, pois a maior pertence a DEUS. Nossos filhos, antes de tudo, são filhos de DEUS, como eSclarece o Espírito Emmanuel: “A mãe terrestre deve compreender, antes de tudo, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus.” (12.189) 20.7 — Vibrações de angústia do Espírito reencarnante. Processo obsessivo da mãe criminosa Observamos que, no processo expiatório do aborto cruel, as conseqüências mais infelizes permanecerão sempre com a mulher, quando sua prática nasce de sua única decisão, O remorso virá, mais cedo ou mais tarde, cobrando o reajuste. E também as reações psíquicas negativas do Espírito que deveria ser o futuro filho são resultantes quase que naturais, após o extermínio intra-uterino. André Luiz assim descreve o estado íntimo do Espírito frustrado em sua reencarnação: “Isso ocorre não somente porque o remorso se lhe entranhe no ser, à feição de víbora magnética, mas também porque assimilam, inevitavelmente, as vibrações de angústia e de desespero e, por vezes, de revolta e vingança dos Espíritos que a lei lhes reservara para filhos do próprio sangue, na obra de restauração do destino.” (23.14-2P) Retira-se violentamente o organismo fetal do ventre materno, eliminando a vida física, mas não se consegue destruir o Espírito reencarnante, o qual, muitas vezes, permanece profundamente arraigado à tessitura períspirítíca da frustrada mãe, provocando os desequilíbrios mentais e disfunções orgânicas as mais diversas. Não podendo extinguir-se a simbiose psíquica com a mesma brevidade com que se elimina a vida em gestação no ventre materno, sua natureza de permuta magnética muda-se totalmente, porque o Espírito reencarnante transforma-se no seu mundo íntimo, que antes era de alegria e esperança, para as emoções traumatizadas de desapontamento, ódio e vingança, por não concordar com a destruição de seu organismo em formação. Geralmente são Espíritos sofredores com grandes problemas a enfrentar e resolver, a quem as mães insensíveis, em geral, devem muito em virtude dos compromissos afetivos espezinhados em vidas passadas, e que agora a bênção da reencarnação chama para o reajuste do destino. É preferível deixá-los reencarnar e ser para nós filhos-problemas, trazendo lutas incessantes para o lar, pois os sofrimentos serão muito menores do que se estivessem no mundo espiritual, cultivando perseguição implacável, pelos fios da obsessão atormentadora. Em-manuel em o livro “Vida e Sexo” nos esclarece: “Se, porém, quando instalados na Terra, anestesiamos a consciência, expulsando-os de nossa companhia, a pretexto de resguardar o próprio conforto, não lhes podemos prever as reações negativas e, então, muitos dos associados de nossos erros de outras épocas, ontem convertidos, no Plano Espiritual, em amigos potenciais, à custa das nossas promessas de compreensão e de auxílio, fazem-se hoje — e isso ocorre bastas vezes, em todas as comunidades da Terra — inimigos recalcados que se nos entranham a vida Intima com tal expressão de desencanto e azedume que, a rigor, nos infundem mais sofrimentos e aflição que se estivessem conosco em plena experiência física, na condição de filhos-problemas, impondo-nos trabalho e inquietação.” (17.17) 20.8 — O desequilíbrio do centro genésico e as enfermidades dolorosas As conseqüências desagradáveis do aborto delituoso podem ser imediatas e a longo prazo, principalmente para a mulher, seja no seu corpo físico, na atual existência, seja na vida espiritual após a morte, e também na próxima encarnação. Já analisamos o problema da obsessão por parte do Espírito reencarnante que não pôde ser um filho na Terra. Vejamos agora as enfermidades na organização física da mulher, tendo como causa a prática do aborto. Esses desequilíbrios, que têm começo nesta existência, seguirão por muito tempo na organização psicossomática da mulher que engendrou o aborto cruel. Os desajustamentos do centro genésico no penspírito da mulher irão refletir-se em enfermidades graves do corpo físico, ao longo da existência terrena: “Arrancar uma criança ao materno seio éinfanticídio confesso. A mulher que o promove ou que venha a cometer semelhante delito éconstrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite, o vaginismo, a metralgia, o enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos estes com os quais muita vez, desencarna, demandando o Além para responder, perante a Justiça Divina, pelo crime praticado. Ë, então, que se reconhece rediviva, mas doente e infeliz, porque, pela incessante recapitulação mental do ato abominável, através do remorso, reterá por tempo longo a degenerescência das forças genitais.” (18.15) 20.9 — Angústias indefiníveis e centro genésico desordenado Na vida corpórea, dificilmente percebemos que nossas enfermidades são resultados positivos de nossos deslizes diante da Lei Divina, mas na Vida Espiritual cada Espírito vê, sente e vive em si mesmo os reflexos negativos de seus pensamentos enfermiços, emoções inferiores e ações criminosas, praticadas na existência humana irresponsável. A miséria moral se estampa perfeitamente no mundo mental e tem como conseqüência a desorganização e a deformidade do corpo espiritual. É o que acontece com as mulheres que praticaram o aborto com plena liberdade e consciência do que estavam fazendo, segundo as declarações de André Luiz: “O aborto provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se matematicamente seguido por choques traumáticos no corpo espiritual, tantas vezes quantas se repetir o delito de lesa-maternidade mergulhando as mulheres que o perpetram em angústias indefiníveis, além da morte, de vez que, por mais extensas se lhes façam as gratificações e os obséquios dos Espíritos Amigos e Benfeitores que lhes recordam as qualidades elogiáveis, mais se sentem diminuídas moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e infeliz, assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante carregando uma chaga que a todo instante se denuncia.” (23.14-2P) 20.10 — Enfermidades irreversíveis na próxima encarnação Para a mulher que praticou o aborto, injustificadamente, os sofrimentos continuarão na próxima encarnação, através dos desequilíbrios psíquicos diversos, enfermidades do útero e a grande frustração pela impossibilidade de gerar filhos. Mesmo a mulher que praticou o aborto, após já ter concebido o primeiro ou o segundo filho, receberá, na próxima encarnação, os sintomas perturbatórios de seu crime, justamente depois do primeiro ou do segundo filho, período exato em que praticou o aborto na existência anterior. Diversos problemas que sofrem hoje as mulheres no exercício da maternidade têm suas causas profundas nos deslizes do passado, que hoje surgem no corpo físico como reflexo positivo da desorganização perispirítica. Em razão disso, nem sempre a mulher recupera a saúde, afetada por esses transtornos, somente com o uso de medicamentos e hábeis cirurgias da medicina terrestre, pois há que resgatar em si mesma, à custa de muitos sofrimentos, suportados com fé e abnegação, os crimes do ontem, para aprender a valorizar, respeitar e amparar a vida dos filhos que Deus temporariamente lhe entrega nas mãos. 20.11 — Os cúmplices do crime de aborto Todos aqueles que induzem ou auxiliam a mulher na eliminação do nascituro possuem também a sua culpabilidade no ato criminoso: maridos ou namorados que obrigam as esposas, médicos que estimulam e o realizam, enfermeiras e parteiras inconscientes. Para a justiça humana, não há crime, nem processo, nem punição, na maioria dos casos, mas para a JUSTIÇA DIVINA todos os envolvidos no ato criminoso sofrerão as conseqüências sombrias, imediatas ou a longo prazo, de acordo com o seu grau de culpabilidade. Emmanuel nos esclarece bem isso: “O aborto oferece conseqüências dolorosas especiais para os pais? Resposta — Os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da crueldade que praticam, atraindo sobre as próprias cabeças os sofrimentos e os desesperos das próprias vítimas, relegadas por eles aos percalços e sombras da vida espiritual de esferas inferiores.” (11.04) 20.12 — Mães solteiras — heroínas desconhecidas As mães solteiras, com a maternidade fora do casamento, podem sofrer muita incompreensão e dificuldades na criação dos filhos, mas são consideradas verdadeiras heroínas em espírito, por resistirem com coragem às influências sombrias para a prática do aborto impiedoso. Em suas consciências apresenta-se a idéia iluminada de que — é preferível sofrer as incompreensões e o abandono dos familiares e do parceiro sexual a praticar o hediondo crime do aborto. 21 ABSTINÊNCIA SEXUAL E APERFEIÇOAMENTO “Indubitavelmente, os que consigam abster-se da comunhão afetiva, embora possuindo em ordem todos os recursos instrumentais para se aterem ao conforto de uma existência a dois, com o fim de se fazerem mais úteis ao próximo, decerto que traçam a si mesmos escaladas mais rápidas aos cimos do aperfeiçoamento.” — Emmanuel (17.23) O sexo é criação divina em todas as pessoas e em todos os seres, para que tudo participe e coopere no processo maravilhoso e profundo da Vida e da EVOLUÇÃO. Deus não criaria alguma coisa, para que Ele mesmo, depois, proibisse a sua utilização. O sexo foi criado para manifestar-se no corpo e no Espírito, dentro da Lei de Evolução, o que indica estar num processo constante de aperfeiçoamento, dentro das experiências nos séculos. A sexualidade, portanto, que se manifesta no Espírito imortal, visa ao seu engrandecimento para a Eternidade. 21.1 — Causas básicas da abstinência sexual e celibato A abstinência sexual e a vida celibatária não são requisitos absolutos para todos os Espíritos, mas somente para uma determinada fração de criaturas, atendendo suas necessidades particulares de serviço, resgate e burilamento. São duas as causas básicas que provocam a abstenção sexual e a vida de solidão afetiva na experiência humana. O Espírito Emmanuel esclarece-as: “Abstinência, em matéria de sexo e celibato, na vida de relação pressupõe experiências da criatura em duas faixas essenciais — a daqueles Espíritos que escolhem semelhantes posições voluntariamente para burilamento ou serviço, no curso de determinada reencarnação, e daqueles outros que se vêem forçados a adotá-las, por força de inibições diversas.” (17 23) Uma parte de Espíritos escolhe a vida celibatária, a fim de terem condições e tempo suficiente para o cumprimento integral de determinada tarefa em auxilio à Humanidade, outros para educar melhor os seus sentimentos e outros, ainda, não alcançam a união matrimonial, na Terra, em virtude de inibições psicológicas e físicas nascidas da consciência culpada, torturada por erros e crimes da afeição mal dirigida, em vidas pretéritas. 21.2 — Pessoas celibatárias sofrem incompreensões. Celibato: período para educação dos próprios impulsos As criaturas com vida celibatária na Terra muito dificilmente são compreendidas e normalmente sofrem críticas e acusações, por parte de familiares e amigos, de possuírem indiferença, frieza, preguiça, irresponsabilidade ou de serem afeitos à vida fácil, porque não se casaram, fugindo das obrigações sagradas do matrimônio. São acusações que não retratam a realidade espiritual destas criaturas, na maioria dos casos. Não podemos taxar as pessoas que vivem solidão afetiva, sejam homens ou mulheres, servindo a uma ordem religiosa qualquer ou participando da vida em sociedade, como criaturas sem necessidades afetivas, assexuais e sem anseios do coração. Salvo as exceções de causa já mencionadas, são portadoras de equipamentos genésicos perfeitos, anseios afetivos intensos, que obedecem a um programa elevado de serviço e burilamento, quando almas superiores; ou a um processo expiatório, quando menos elevadas, tolhidas por inibições diversas. Tais Espíritos devem passar por estas experiências de caráter transitório, ou seja, não eterna, pois nenhum Espírito está destinado a uma vida solitária, indefinidamente, através das reencarnações. Ninguém foi criado para viver só. Em futuras reencarnações, estes mesmos Espíritos retomarão a experiência da união conjugal, a qual por certo saberão muito honrar, valorizar, executando os seus sagrados deveres. Emmanuel no livro “Vida e Sexo”, observa: “Abstinência e celibato, seja por decisão súbita do homem ou da mulher, interessados em educação dos próprios impulsos, no curso da reencarnação, ou seja por deliberação assumida, antes do renascimento na esfera física, em obediência a fins específicos, não contam indiferença e nem anestesia do sentimento.” (17.23) 21.3 — Canalização das energias sexuais para objetivos espirituais Uma pequena parte dos Espíritos em vida celibatária, seja em atividades nas diversas ordens religiosas do mundo ou fora dela, em outras realizações nobres, são almas já com respeitáveis conquistas evolutivas de sabedoria e amor, que buscam aproveitar o máximo de suas vidas no serviço à Humanidade. Estes fazem de suas existências um serviço constante de amor e abnegação, embora não deixem também de sofrer duras e difíceis carências para testar e ratificar seus valores espirituais. Suas energias sexuais não estão paralisadas, pois, sendo elas energias da própria vida, estão sendo aplicadas em manifestações elevadas de ordem espiritual, no exercício da fé, da caridade, da assistência fraternal, da instrução, da arte, da educação e da ciência. O Espírito Emmanuel explica a canalização das energias sexuais: “Agindo assim, por amor, doando o corpo a serviço dos semelhantes e, por esse modo, amparando os irmãos da Humanidade, através de variadas maneiras, convertem a existência, sem ligações sexuais, em caminho de acesso à sublimação, ambientando-se em climas diferentes de criatividade, porqüanto a energia sexual neles não estancou o próprio fluxo; essa energia simplesmente se canaliza para outros objetivos — os de natureza espiritual.” (17.23) 21.4 — Vida de sacerdote: lutas e sofrimentos Para aquilatarmos um pouco das grandes lutas experimentadas pelo Espírito em vida celibatária, vejamos alguns detalhes da vida religiosa do Padre Damiano, personagem do livro “Renúncia”, o qual é o próprio autor espiritual, Emmanuel, e que soube aproveitar muito bem essa experiência, em mais de uma vez, para a sublimação das energias sexuais dentro da disciplina, do amor e da abnegação: “Que fora a sua vida de sacerdote senão aquele rigoroso programa esboçado pela jovem Alcione? Recordava os tempos difíceis, as horas de tentações mais ásperas, os sacrifícios longos, as dores que pareciam sem termo. (...)“ (14.01-2P) Ninguém conseguirá valores espirituais respeitáveis sem esforço, persistência, desprendimento e humildade. 21.5 — Celibato voluntário sem aproveitamento espiritual Entre os Espíritos que se encontram em vida celibatária servindo às diversas ordens religiosas do mundo, somente uma minoria é que já educou e sublimou realmente os seus impulsos sexuais, pois a maioria tem, nesta experiência difícil de silêncio afetivo, uma grande oportunidade a fim de educar suas emoções e desejos para a vida espiritual superior. Os hábitos exteriores da convivência regulada, da disciplina planejada, do regime afetivo e da vida de ascetismo não determinam, por si só, as conquistas dos valores espirituais. Pode-se viver em pleno egoísmo e muito distante das virtudes cristãs. É o que vemos na pergunta de “O Livro dos Espíritos”, na Questão 698: “O celibato voluntário representa um estado de perfeição meritório aos olhos de Deus? “Não, e os que assim vivem por egoísmo, desagradam a Deus e enganam o mundo.” (01.698) Vida monástica, por si só, não é sinônimo de evolução espiritual. Podemos passar uma vida toda com disciplinas rígidas e não aproveitá-las para o aprimoramento dos sentimentos. Num regime de abstenção sexual, sem desenvolver os valores do coração, através do serviço de amor desinteressado aos semelhantes, a alma continuará estacionária e sem sublimação das energias sexuais. O Espírito Emmanuel aprofunda esta análise sobre celibato e aperfeiçoamento espiritual: “A criatura que abraça encargos dessa ordem está procurando ou aceitando para si mesma aguilhões regeneradores ou educativos, de vez que ordenações e providências de caráter externo não transfiguram milagrosamente o mundo íntimo. As realizações da fé, por isso mesmo, se concretizam à base de porfiadas lutas da alma, de si para consigo.” (17.25) 21.6 — Causas mais comuns do celibato: inibições irreversíveis e processos de inversão A esmagadora maioria dos Espíritos em vida celibatária, nas ordens religiosas ou fora dela, são criaturas menos elevadas em grandes lutas expiatórias para educar seus impulsos genésicos, que em vidas passadas foram muito mal aplicados. Agora voltam em abstinência sexual, não simplesmente por uma aceitação voluntária, mas, sim, impulsionados por duas forças poderosas de contenção sexual: inibições irreversíveis e processos de inversão, que são os complexos psicológicos profundos e o fenômeno da homossexualidade, seja no homem ou na mulher. As causas espirituais são básicas na maioria das experiências celibatárias, como nos diz Emmanuel: “(...) encontramos aqueles outros, os que já renasceram no corpo físico induzidos ou obrigados à abstinência sexual, atendendo a inibições irreversíveis ou a processos de inversão pelos quais sanam erros do pretérito ou se recolhem a pesadas disciplinas que lhes facilitem a desincumbência de compromissos determinados, em assuntos do Espírito”. (17.23) Podemos considerar os Espíritos, nestes casos acima, como submetidos ao regime de abstinência sexual involuntária, pois uma força mais poderosa do que a própria vontade ou aptidão, determinou este tipo de experiência para disciplinar e educar as suas energias desordenadas e muitas vezes confusas. 21.7 — Eunucos que se castraram pelo Reino dos Céus O Evangelho nos fala dos “eunucos que se castraram a si mesmos por causa do Reino dos Céus”. Os eunucos serão, em nosso entendimento, aqueles que, com abstinência sexual e vida celibatária, entregaram a vida a benefício da Humanidade ou de si mesmos, em duas situações: 1º) a dos Espíritos Superiores que vêm com missão definida em atividades religiosas para impulsionar as criaturas humanas ao progresso espiritual e que aceitaram voluntariamente, vivendo num clima de amor, renúncia e humildade a bem dos semelhantes; 2º) a daqueles Espíritos que se encontram com necessidades expiatórias e aceitaram involuntariamente ou seja, sem a aprovação de um desejo íntimo. Trazem ainda muitos problemas morais por resolverem, através de um trabalho árduo e penoso de reeducação dos sentimentos, em busca do Amor Universal. Os Espíritos do segundo caso não superaram ainda dificuldades e defeitos do sentimento e se encontram protegidos por uma determinada disciplina externa, à feição de um braseiro encoberto por pequena camada de cinzas, mas que, ao leve sopro das tentações e testes, voltam à tona das emoções e dos hábitos menos felizes, trazendo angústias, frustrações e desencanto. Estão sujeitos a falhas e quedas no campo da afeição, pois todos os seus recursos genésicos não estão mortos nem imperfeitos mas, sim, algemados por inibições e inversões, as quais não lhes garantem absoluto afastamento dos deslizes do sentimento. Apresentação exterior de religiosidade não determina conquista de valores espirituais e sublimação da energia sexual. O Espírito Emmanuel analisa, com agudeza psicológica, as criaturas com experiência de vida celibatária: «Esses eunucos, porém, muito ao contrário do que geralmente se afirma, não são criaturas psicologicamente assexuadas, respirando em climas de negação da vida. Conquanto abstêmios da emotividade sexual voluntária ou involuntária, são almas vibrantes, inflamadas de sonhos e desejos, que se omitem, tanto quanto lhes é possível, no terreno das comunhões afetivas, para satisfazerem as obrigações de ordem espiritual a que se impõem. Depreende-se daí a impossibilidade de se doarem a quaisquer tarefas de reparação ou elevação sem tentações, sofrimentos, angústias e lágrimas, e, às vezes, até mesmo escorregões e quedas, nos domínios do sentimento, de vez que os impulsos do amor nela se mantêm com imensa agudeza, predispondo-as à sede incessante de compreensão e de afeto.” (17.23) 21.8 — Compreensão para com os de vida celibatária Percebendo a complexidade afetiva e as experiências difíceis do sentimento por que passa a maioria das criaturas em vida de solidão afetiva, seja o homem ou a mulher, devemos compreender suas profundas lutas intimas, respeitá-los e não exigir-lhes uma posição de vida matrimonial na presente encarnação, que para eles seria muito difícil ou impossível de concretizar-se. A união matrimonial deverá ser sempre uma busca afetiva natural, autêntica, pessoal e não para atender simplesmente aos anseios, embora louváveis, dos pais, familiares e amigos. E isto ocorre algumas vezes com Espíritos que vieram para a vida de celibato e que se consorciam para atender aos pais e familiares — uniões essas que não obterão durabilidade e causarão maiores sofrimentos. 21.9 — Programa de abnegação não cumprido por um sacerdote Vejamos agora os belíssimos votos de abnegação sacerdotal do Espírito Pólux, quando se encontrava na Vida Espiritual, pouco antes da reencarnação, prometendo uma vida exemplar de sacerdócio com renúncia, ascetismo e aperfeiçoamento. Atentemos no que nos fala Emmanuel em o livro “Renúncia”: “— Sim, esclareceu Pólux, desfeito em lágrimas —‘ roguei a recapitulação do esforço dos sacerdotes devotados ao labor divino. Uma vez mais, quero tentar as provas da abnegação e o ascetismo, na exemplificação do amor ao próximo. (...) Quero viver sem lar e sem filhos carinhosos, quero conhecer a solidão que muitas vezes já experimentaste no mundo, nos estrêmos sacrifícios por mim. Minhas noites hão de ser desertas e tristes, caminharei junto dos que caem e padecem sobre a Terra, no propósito de servir a Jesus, através da sua Seara de Amor e Perdão.” (14.O1-1P) Este maravilhoso projeto de trabalhos de amor e aperfeiçoamento não foi concretizado por Pólux, pois na Terra ele foi o sacerdote Carlos Chenagham, no século dezoito, na época da Inquisição, e levou sua vida de sacerdote para a intriga, o crime, a perseguição e a crueldade. Embora sendo alma afim do Espírito elevadíssimo de Alcíone, ainda nesta encarnação não soube aproveitar as experiências de sacerdote para o bem da Humanidade. 21.10 — Modificação de programa de celibato para o de matrimônio O Espírito que renasce com o programa traçado para uma vida celibatária, com a finalidade de amparar e educar os que o cercam, se modificar sua vida para uma paixão matrimonial ou outro tipo de experiência afetiva, fugindo ao conjunto de deveres inadiáveis, assumidos antes da reencarnação, irá complicar, dificultar e atrasar em muito o seu aperfeiçoamento espiritual. Em o livro “Sexo e Destino” assim está expressado: “(...) há provações e circunstâncias difíceis em que o homem ou a mulher são chamados à abstenção sexual, no interesse da tranqüilidade e da elevação daqueles que os cercam, situação essa que não se modifica sem alterar ou agravar os próprios compromissos”. (29.10.2P) Para ilustrar este ensinamento, quanto ao desvio da experiência celibatária para a vida conjugal, temos o sugestivo caso do jovem Otávio, em o livro de André Luiz “Os Mensageiros”, Capítulo 6, intitulado: A queda de Otávio. Fizemos o resumo deste capítulo, em que buscamos destacar a mudança de destino da vida celibatária para o de casamento. Otávio precisava experimentar a vida de celibato, porque o seu caso particular assim o exigia. Como missão particular, deveria receber, com a vida de solteiro, seis crianças órfãs, seus credores de vidas passadas, a fim de ampará-las e educá-las. Aos dezenove anos, sofrendo problemas mediúnicos, interpretados como alucinações, vai ao médico, o qual lhe aconselha experiências sexuais. De imediato, entrega-se aos abusos sexuais. Aos vinte anos de idade, quando foi chamado à tutela das seis crianças, fugiu ao compromisso assumido, tomado de horror. Em virtude de uma ação menos digna com uma jovem, foi obrigado a casar-se, precipitadamente, o que não estava no seu programa de vida. A mulher a quem se ligara somente por apetites do instinto sexual era criatura muito inferior aos seus recursos espirituais. Otávio não foi feliz no casamento, pois sofreu muito com a esposa, que não se dedicava a nenhum valor espiritual. Teve um filho de triste condição espiritual, o qual, juntamente com a sua esposa, atormentou sua vida a tal ponto, que, sem os recursos inestimáveis da fé viva, desalentado e infeliz, veio a desencarnar aos quarenta anos de idade, roído pela sífilis, pelo álcool e pelos desgostos. Perdeu todas as oportunidades para o resgate, aperfeiçoamentO e libertação. 21.11 — Respeito para com a vida sexual de qualquer criatura Grande parte dos Espíritos em vida celibatária encontra-se em grandes lutas de auto-superação e necessita, por parte daqueles que possuem normalidade na atividade sexual, da compreensão que ajuda e do respeito que conforta. Permaneçamos distantes de toda conversação maledicente, das críticas impiedosas, das exigências insistentes para o matrimônio e mesmo de brincadeiras de mau gosto com sua posição de solteiro ou de solteira. Tais comportamentos são contrários ao Evangelho do Cristo de Deus e criam situações mais difíceis para as criaturas que passam pela experiência da solidão afetiva. Emmanuel explica quanto à compreensão com a vida sexual de cada pessoa: ‘Tais considerações nos impelem a concluir que a vida sexual de cada criatura é terreno sagrado para ela própria, e que, por isso mesmo, abstenção, ligação afetiva, constituição de família, vida celibatária, divórcio e outras ocorrências, no campo do amor, são problemas pertinentes à responsabilidade de cada um, erigindo-se, por essa razão, em assuntos, não de corpo para corpo, mas de coração para coração.” (17.23) Amar é também compreender o estado espiritual de cada criatura, buscando não perturbar de modo algum sua vida íntima, fazendo sempre o melhor em palavras e atos como nos ensinou Jesus. 22 EVOLUÇÃO DO INSTINTO SEXUAL “(...) tudo, na vida, é impulso criador. Todos os seres que conhecemos, do verme ao anjo, são herdeiros da Divindade, que nos confere a existência, e todos somos depositários de faculdades criadoras”. — Calderaro (26.11) A vida vem de Deus e pertence a Deus, pois a vida é a presença de Deus em toda parte. Deus criou a vida de tal forma que tudo nela caminhará dentro da Lei de Evolução. O Pai não criou nada para ficar na estagnação eterna. A vida, em essência, é evolução. É o que Emmanuel esclarece com profundidade em o livro “O Consolador”: Na conceituação dos valores espirituais, a lei é de evolução para todos os seres e coisas do Universo.’ (12.07) Todos os seres e coisas do Universo estão sujeitos à lei de evolução, porque todos têm a capacidade intrínseca de assimilar, acumular, armazenar aprender, desenvolver-se, crescer, progredir e aperfeiçoar-se com as Leis Divinas, na sucessividade das experiências nos milênios, tanto na vida física, como na vida espiritual. Fomos criados na condição de simples e ignorantes e nada nos foi dado pronto, mas, sim, conquistado por evolução, ou seja, todo ser vivo deverá sempre executar algum trabalho, a fim de memorizar, aprender, repetir quantas vezes necessárias e desenvolver-se. Os Espíritos Superiores em “O Livro dos Espíritos” assim se expressam sobre a lei de Evolução desde a simplicidade da matéria, na Questão 540: “(...) É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo.” (01.540) 22.1 — Primórdios do instinto sexual na Terra Não ganhamos nada grátis de Deus, a não ser a própria vida. A Lei Divina nos acompanhará sempre, em qualquer distrito do Universo. Os princípios espirituais, ou mônadas celestes, foram trazidos pelos Gênios Celestes sob a égide de Jesus-Cristo e, como uma geléia cósmica, envolveram todo o planeta Terra, a fim de dar início à vida. Naquele momento, estes princípios já possuíam um determinado “teor de força”, acusando potencialidades ativas ou passivas, masculinas ou femininas. A diferenciação sexual se iniciara nos primórdios da vida microscópica nas águas mornas do orbe terráqueo. André Luiz explica sobre as características sexuais nos seres primeiros da vida na Terra: “Os princípios espirituais, nos primórdios da organização planetária, traziam, na constituição que lhes era própria, a condição que podereinos nomear por teor de força, expressando qualidades predominantes ativas ou passivas.” (23.12-2P) As mônadas celestes são as sementes da vida, possuíam em germe qualidades ativas ou passivas, com a possibilidade de desenvolvê-las infinitamente, dentro dos incontáveis milênios de luta, trabalho e experiência. Enquanto o princípio inteligente caminha nas faixas inferiores da Natureza, ele será guiado, orientado e testado pelos Arquitetos divinos, inumeráveis vezes, até alcançarem a faixa inaugural da razão. André Luiz descreve o trabalho inicial das mõnadas celestes: “E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo, vem das profundezas, para nós inabordáveis, da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multimilenária da evolução. (...)”.(23.18-1P) 22.2 — Evolução do instinto sexual nos reinos inferiores O instinto sexual não foi dado por Deus, pronto e completo em cada Espírito, mas, sim, colocado em germe, para ser desenvolvido e aprimorado, através de experiências infinitamente recapituladas nos reinos inferiores da Criação, provocando, com essas atividades e trabalhos, o desenvolvimento natural de suas faculdades criadoras. Para chegar aos impulsos sexuais do homem primitivo, foi necessário ao princípio espiritual passar por exercícios imensos, diversos e cada vez mais complexos a fim de desenvolver suas potencialidades, não somente fisíológicas, mas principalmente psíquicas, pois todo ser vivo, antes de tudo, é Espírito e somente o Espírito é capaz de preservar intacta para o futuro toda a riqueza de aprendizagem. A matéria não dirige: é dirigida. André Luiz refere a alternância de experiências para definição das características sexuais: “Longo tempo foi gasto na evolução do instinto sexual em vários tipos de animais inferiores, alternando-se-lhe os estágios de hermafroditismo com os de unissexualidade para que se lhe aperfeiçoassem as características na direção dos vertebrados.” (23.18-1 P) 22.3 — O instinto sexual no homem primitivo: posse absoluta Quando o Espírito conquistou a razão, acordando para a Vida Universal, já possuía por conquista própria um manancial enorme de forças sexuais advindas de experiências infinitamente recapituladas nos reinos inferiores da natureza. Com a era da razão, o Espírito alcançou o direito de livre-arbítrio e conseqüentemente da responsabilidade em seus atos. Todas as criaturas humanas passaram, um dia, dentro da Lei da Evolução, pela escala dos reinos inferiores da Natureza e pela fase do homem primitivo, quando o instinto sexual se caracterizava pela posse absoluta por parte do homem, com relação à mulher, sua companheira na comunhão sexual. Em o livro “No Mundo Maior” há esta passagem sobre a sexualidade no mundo primitivo: “Nos povos primitivos, a eclosão sexual primava pela posse absoluta. A personalidade integralmente ativa do homem dominava a personalidade totalmente passiva da mulher.” (26.11) O homem e a mulher primitivos não possuíam ainda sentimentos, mas somente o instinto sexual profundamente dominado pela animalidade. O homem já possuia a sua característica de domínio tirânico sobre a mulher que se entregava completamente, sem reação, e essa posição grande parte dos homens ainda conserva nos dias de hoje, apesar de todos os progressos da civilização. 22.4 — A força criadora do sexo nos progressos da organização sexual Do instinto sexual brutalizado da era primitiva, até aos nossos dias, as criaturas humanas estão aplicando os recursos das faculdades criadoras do sexo em todas as expressões de progresso humano: afetiva, social, cultural e inventiva, pois o sexo é força de amor nas bases da vida, impulsionando todos os seres para a frente, na conquista dos degraus da evolução. André Luiz descreve alguns progressos da organização social estimulada pela energia sexual: “O trabalho paciente dos milênios transformou, todavia, essas relações. (...) Com base nas experiências sexuais, a tribo converteu-se na família, a taba metamorfoseou-se no lar, a defesa armada cedeu ao direito, a floresta selvagem transformou-se na lavoura pacífica. (...) a barbárie ergueu-se em civilização, os processos rudes da atração transubstanciaram-se nos anseios artísticos que dignificam o ser, o grito elevou-se ao cântico: e, estimulada pela força criadora do sexo, a coletividade humana avança, vagarosamente embora, para o supremo alvo do divino amor.” (26.11) 22.5 — Herança incomensurável das experiências sexuaís. Forças sexuais na poligamia Com a lei da Reencarnação, percebemos que, na atualidade, a maioria dos Espíritos na Terra, no campo afetivo, se vêem a braços com forças sexuais desequilibradas, acumuladas ao longo dos milênios. Tudo que possuímos em nós é criação nossa mesmo, com necessidade inadiável de controle, disciplina, educação e aperfeiçoamento. Emmanuel comenta sobre a nossa herança quanto às energias sexuais: “Toda criatura consciente traz consigo, devidamente estratificada, a herança incomensurável das experiências sexuais, vividas nos reinos inferiores da Natureza.” (17.24) Estamos todos nós, os Espíritos da Terra, sentindo muita dificuldade em administrar nossas forças sexuais porque nosso livre-arbítrio e nossa vontade ainda estão sendo dirigidas somente para as manifestações inferiores: paixões, sensações, posse afetiva, falsidade e amor sexual passageiro. Há muita força do instinto sexual determinando a união do homem e da mulher e muito pouca força de amor disciplinado e consciente, nascida do coração. A poligamia ainda é a característica de grande parte da Humanidade, porque nós somos bastante inconstantes em nossas relações afetivas e nosso amor ainda não tem responsabilidade. Na união conjugal dificilmente acontece a evolução dos sentimentos e somente a força sexual está comandando a dupla afetiva. O amor livre, a infidelidade conjugal, a variação de parceiro ou parceira sexual, a troca de cônjuges sem ligação afetiva duradoura — são manifestações da POLIGAMIA. André Luiz nos fala sobre o desperdício das energias sexuais: “Ao nível dos brutos ou daqueles que lhes renteiam a condição, a descarga de semelhante energia se efetua, indiscriminadamente, através de contatos, quase sempre desregrados e infelizes, que lhes carreiam, em conseqüência, a exaustão e o sofrimento como processo educativos.” (23.18-1P) 22.6 — Evolução da poligamia para a monogamia A evolução espiritual é lenta, profunda e inabalável. Os valores espirituais terão que ser apresentados, demonstrados, provados e testemunhados duramente, para se fixarem realmente nos escaninhos da alma como talento eterno. Cada criatura há que aprender muito com a verdade espiritual, saber sofrer bem com as lutas e dores, tanto físicas como morais, e educar seu amor sexual para a conquista do amor espiritualizado, de maneira gradativa e crescente, a fim de abandonar as manifestações polígâmicas e partir para a união ideal dos cônjuges: a monogamia. Emmanuel nos mostra a necessidade deste processo evolutivo da afeição sexual: “A princípio, exposto aos lances adversos das aventuras poligâmicas, o homem avança, de ensinamento a ensinamento, para a sua própria instalação na monogamia, reconhecendo a necessidade de segurança e equillbrio, em matéria de amor (...).“ (17.24) Não há evolução por acaso e nada se constrói com indisciplina. A monogamia é a união afetiva permanente, dinâmica, responsável, produtiva e crescente, entre duas almas que se unem pelos laços de simpatia, compreensão e discernimento. Ela não vai ser conquistada por leis humanas, mas, sim, por leis espirituais. Deverá ser cultivado o amor espiritual, alicerçado na sinceridade, fidelidade, respeito, humildade, simpatia e entendimento, virtudes estas que somente nascem do coração verdadeiro e sincero. A monogamia não é a prisão de duas almas, mas, sim, a união espontânea, sincera e permanente das almas que desejam viver juntas para trabalhar, aprender, reconciliar-se, reajustar-se, educar e progredir, servindo, um e outro, aos filhos, à família e à Humanidade. André Luiz traduz perfeitamente o que seja a monogamia: “(...) a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento (...)” (23.18-1P) 22.7 — Gradações evolutivas da energia sexual A evolução não dá saltos, ninguém deixará as manifestações poligâmicas de um momento para outro. O Evangelho de Allan Kardec é muito claro, resumindo em poucas palavras as gradações de evolução das faculdades criadoras do Espírito. O Espírito Lázaro em “O Evangelho segundo o Espiritismo” disserta sobre a evolução do instinto na criatura humana: “Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.” (02.11) Apesar de as criaturas humanas terem conquistado algum grau de sentimento, não quer dizer que já eliminaram as fases das sensações e dos instintos. Não, eles continuam bastante fortes e poderosos dentro de cada personalidade masculina ou feminina. Ainda no Evangelho de Allan Kardec o Espírito Lázaro mostra a evolução dos instintos para a fase do sentimento: “(...) os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito”. (02.11) Da fase dos instintos não alcançamos diretamente os sentimentos, mas, sim, as sensações que são o requinte do egoísmo, do orgulho e da vaidade. Uma parte dos Espíritos da Terra não se perdeu nas ilusões das sensações e conquistou mais rapidamente os sentimentos e conseqüentemente aperfeiçoando os sentimentos, alcançou — o amor. 22.8 — Jornada de sublimação da energia sexual Para ampliarmos melhor a nossa compreensão quanto à evolução do instinto sexual, como faculdade criadora que devemos desenvolver na direção do Amor Universal, vejamos uma escala de evolução do instinto sexual inscrita no livro “No Mundo Maior”, pelo Espírito André Luiz: “Da espontânea manifestação brutal dos sentidos menos elevados a alma transita para gloriosa iniciação. Desejo, posse, simpatia, carinho, devotamento, renúncia, sacrifício constituem aspectos dessa jornada sublimadora.” (26.11) Esta gradação de valores da afeição caberá a cada Espírito conquistar gradualmente, nas reencarnações sucessivas, com o esforço individual no amor, no trabalho e na educação, em direção à LUZ DIVINA. O período de permanência de uma fase para outra superior é diferente para cada Espírito, pois o aproveitamento espiritual fica por conta do livre-arbítrio de cada um. Podem-se passar muitos séculos numa fase, sem avançar quase nada em valores do Espírito. André Luiz anota o tempo de transparência dessas fases: “Por vezes, a criatura demora-se anos, séculos, existências diversas de uma estação a outra.” (26.11) 22.9 — Fases evolutivas do INSTINTO SEXUAL Vejamos um pequeno comentário de cada uma das fases evolutivas do instinto sexual. DESEJO É a forte atração do instinto sexual entre o homem e a mulher, sem a existência da afeição. O desejo sexual é a força de atração única, unindo as criaturas, como no mundo animal. Passado este impulso de atração, mediante a satisfação dos instintos sexuais, há o afastamento natural no relacionamento do casal. POSSE É a união sexual entre o homem e a mulher, onde o desejo já está acrescido da afetividade. Essa afeição apresenta o amor exclusivista, o amor egoísta, o amor possessivo. O parceiro ou a parceira quer, a todo custo, vigiar, exigir, dominar e aprisionar a si mesmo, dentro de seus caprichos, a pessoa amada. É aqui que surgem o ciúme, a tirania e as exigências do coração desorientado. Em virtude da pobreza moral das criaturas humanas, é muito difícil abandonar esta fase sombria da afeição doentia. “No Mundo Maior” nos apresenta as dificuldades que se manifestam nesta fase: “Muito poucas atravessam a província da posse sem duelos cruéis com os monstros do egoísmo e do ciúme, aos quais se entregam desvairadamente” (26.11) SIMPATIA É a permuta de afeição sincera, profunda e permanente entre duas almas. E a afinidade de idéias, sentimentos e ideais de almas que se atraem e se combinam. Há uma alegria interior de depositar confiança na criatura eleita do seu coração. Simpatia é o resultado da afeição trabalhada nos milênios. Muitas almas plantam mais simpatia do que o outro parceiro ou parceira, em virtude de sua noção de responsabilidade afetiva, sua sinceridade de coração e virtudes já conquistadas. A simpatia constrói o amor-amizade, que é o alicerce de toda união conjugal. André Luiz nos explica os elementos básicos da amizade verdadeira na união matrimonial: “A amizade pura é a verdadeira garantia da ventura conjugal. Sem os alicerces da comunhão fraterna e do respeito mútuo, o casamento cedo se transformará em pesada algema de forçados do cárcere social.” (22.38) CARINHO Desdobra o seu sentimento amoroso e sincero, com toda a ternura, delicadeza, cuidados, zelo e respeito com a pessoa amada, não somente quanto ás necessidades físicas, mas principalmente quanto às da alma. O carinho verdadeiro alcança muito mais o Espírito do que o corpo físico da criatura amada. A personagem Lívia, de elevada condição espiritual, em o livro “Ave, Cristo”’ nos fala sobre a pureza dos sentimentos: “O afeto, a confiança e a ternura, a meu ver, devem ser tão espontâneos quanto as águas cristalinas de um manancial.” (06. 02-2P) DEVOTAMENTO Nesta posição de sentimento, o homem ou a mulher já ultrapassaram os limites confortadores do carinho. Procuram doar o seu amor, através do esforço constante, não somente nas horas fáceis e alegres, mas também nos trabalhos, problemas e dificuldades, para levar ao cônjuge e à equipe doméstica os bens inapreciáveis da alegria, da paz, da boa vontade, do conforto material e espiritual. O grande devotamento é o alicerce para a manifestação inicial da renúncia. RENÚNCIA É a afeição santificada, e a alma está enriquecida pela luz do entendimento. Sabe ceder em qualquer circunstância, vivendo o silêncio para dignificar e elevar bem alto o amor e a verdade em Deus. Nunca espera recompensa. Entre os espinhos da incompreensão, crueldade e abandono, vive a alegria interior de cumprir com os seus sagrados deveres, em obediência àvontade de Deus. O coração que renuncia cede de si mesmo, para que a liberdade dos entes queridos não sofra prejuízo de qualquer procedência. Possui a doce caridade de compreender a criatura amada, não somente a entende em suas lutas, dificuldades e imperfeições, mas procura ampará-la pelo desprendimento de seus próprios desejos, percebendo que a alegria, a paz e a felicidade do cônjuge são o seu próprio bem. Não dispensa o uso da energia e da firmeza para se manter nos princípios elevados, dentro dos padrões morais do Evangelho de Jesus. O ponto máximo da renúncia é o começo do sacrifício. (Trecho inspirado nos livros: “Boa Nova” e “Irmão X” — F. C. Xavier — FEB — Lição: 12 — Amor e renúncia e “instruções Psicofônicas” — Espíritos Diversos — F. C. Xavier — FEB — Lição: Renúncia.) SACRIFÍCIO O exercício permanente da renúncia divina leva ao sacrifício da própria vida pela Humanidade. É a renúncia profunda da alma que coloca todos os valores do coração a serviço dos semelhantes, para construir a felicidade de todos. Seu coração não vive mais para si, não consegue projetar desejos para si, pois coloca o amor àHumanidade em primeiro lugar. É incansável nos seus trabalhos, multiplica suas forças físicas, morais e espirituais, a fim de ser útil sempre. Tendo tudo para acolher-se ao bem próprio, procura, acima de tudo, o bem para todos. É aquela alma que, podendo exigir, não exige, podendo pedir não pede, podendo complicar em busca de seus justos direitos, não complica. Não pára de servir em circunstância alguma. Transforma a dor da incompreensão das criaturas mais queridas em um cântico de humildade. Suas dores já não são dores, pois transubstanciou-as na doce alegria de servir com DEUS pela alegria dos semelhantes. A maior manifestação de sacrifício pela Humanidade, em todos os témpos da Terra, é inegavelmente a personalidade divina de JESUS-CRISTO. (Trecho inspirado no livro “Religião dos Espíritos” — Emmanuel — F. C. Xavier — FEB — Lição 79: Abnegação.) 22.10 — A subida dos degraus evolutivos do amor sexual A união conjugal será sempre oportunidade bendita a todas as criaturas humanas, no processo contínuo das reencarnações redentoras, de desenvolver, aperfeiçoar, purificar e sublimar as energias criadoras do sexo, tendo por base a força motriz do coração renovado no amor de Jesus-Cristo. Subamos, com destemor, os degraus evolutivos do amor sexual, desprendendo-nos da lama viscosa e pantanosa do desejo brutalizado e da posse tirânica, adquirindo em nós mesmos, passo a passo, esforço a esforço, sofrimento a sofrimento, os mundos novos da sensibilidade psíquica no amor conjugal, no amor familiar, no amor maternal, no amor paternal e no amor a Humanidade. Caminhemos na estrada de ascensão para a vida mais enobrecida, sem detença e sem desânimo, cultivando no imo do ser as energias conscientes e positivas da boa vontade, da coragem, do bom ânimo e da perseverança, embora nossos sentimentos, por enquanto, apresentem estados enfermiços de desorientação, paixões, ciúme, egoísmo e crueldade. É indispensável vencermos a nós mesmos, através de um trabalho no silêncio profundo da alma, superando, etapa por etapa, nossas fraquezas e inferioridades. Aprendamos a olhar para dentro de nós mesmos, descobrindo nossa miserável condição de doentes do coração, mas com vontade firme de melhorar com sinceridade. No grande futuro da Humanidade, depois de séculos e séculos de educação da alma, quando as criaturas humanas se espiritualizarem (pois a evolução espiritual é uma certeza divina), os casais da Terra, em sua maioria, serão almas simpáticas, almas irmãs ou almas gêmeas, iluminados pelas aquisições morais das almas marcadamente femininas ou acentuadamente masculinas. Empreendamos este programa de evolução do instinto sexual, agora, enquanto nos encontramos nas luzes da experiência física. 23 ENERGIA SEXUAL E SUBLIMAÇÃO “As leis do Universo não destroem o instinto, mas transformam-no em razão e angelitude, na passagem dos evos, pelos mecanismos da sublimação.” — Emmanuel (17.25) Todos os seres vivos e todas as criaturas humanas estão revestidas de potencialidades sexuais criativas que as Leis Divinas dirigem, impulsionam e educam, através das reencarnações sucessivas, rumo ao aperfeiçoamento íntegral. Todos os Espíritos têm como divina herança, dentro do destino da Vida imperecível, a perfeição, pelas vias da EDUCAÇÃO e SUBLIMAÇÃO das energias sexuais. Não obteremos os maravilhosos frutos espirituais da sublimação, sem que, antes, construamos os trilhos seguros e eficientes da educação sexual em nós mesmos. 23.1 — Definição de sublimação A definição concisa de sublimação, segundo o Dicionário de Filosofias e Ciências Culturais, Editora Matese é: Chama-se sublimação ao desvio das energias sexuais para fins não sexuais. Desta forma as manifestações estéticas do homem são sublimações das energias da libido, desviadas para fins não sexuais. Esta conceituação está de acordo com os esclarecimentos dos Espíritos porque a energia sexual é a energia da própria vida e não existe somente para ser aplicada nas relações sexuais de caráter fisiológico. Diz-nos o Espírito Emmanuel: “Sexo é espírito e vida, a serviço da felicidade e da harmonia do Universo.” (17.01) Sendo patrimônio do Espírito imortal, ela não está anulada e extinta nem mesmo nas criaturas em vida celibatária severa, pois esta energia manifesta-se no corpo físico mas não está limitada às expressões simplesmente fisiológicas. Emmanuel nos mostra a perenidade da energia sexual: “(...) de que forma exigir a extinção dos estímulos genésicos em alguém, tão-só porque esse alguém se consagre ao Serviço Divino da Fé, quando esses mesmos estímulos são ingredientes da vida e da evolução, criados pela mesma Providência Divina, para a sustentação e a elevação de todos os seres?” (17.25) 23.2 — Os prejuízos da viciação sexual A energia sexual aplicada única e exclusiva-mente na relação fisiológica, na busca incessante do prazer egoísta, limitado e fugaz, distante da educação nos valores espirituais, ao invés de nos levar às culminâncias da alegria, do reconforto e do estímulo permanente, nos lançará fatalmente para o terreno sombrio da viciação sexual, com desperdício lamentável das energias preciosas da vida, trazendo desequilíbrios, enfermidades e monstruosidades, seja na mente, no corpo espiritual ou no corpo físico, de duração prolongada, de difícil recuperação e de solução no processo expiatório das reencarnações. Há que educarmos as energias sexuais não somente dentro dos princípios científicos, mas muito mais, dentro das regras morais do Evangelho de Jesus, para que possamos dar seqüência eficiente, pelos processos da sublimação, à purificação do sentimento. 23.3 — Sexo: usina de estímulos espirituais Não possuímos a energia sexual, concedida pela Providência Divina, somente para as bênçãos da reprodução e do prazer de alguns minutos, pois seus recursos se estenderão ao infinito, de acordo com a nossa capacidade de adequação do cérebro e coração às Leis Divinas. O sexo é fonte de energias, tanto para a formação dos corpos físicos como para o desenvolvimento dos estímulos espirituais, pois somos Espíritos imortais, envergando temporariamente um corpo de duração passageira. Com a morte do corpo físico perdemos o sexo fisiológico, mas não perdemos a nossa sexualidade psicológica. A sexualidade é patrimônio do Espírito imortal, que nos cabe disciplinar, desenvolver e aperfeiçoar para a Vida Imortal. Emmanuel esclarece com clareza o sexo no corpo e no Espírito: “Diante do sexo, não nos achamos, de nenhum modo, à frente de um despenhadeiro para as trevas, mas perante a fonte viva de energias em que a Sabedoria do Universo situou o laboratório das formas físicas e a usina dos estímulos espirituais mais intensos para a execução das tarefas que esposamos, em regime de colaboração mútúa, visando ao rendimento do progresso e do aperfeiçoamento entre os homens.” (17.24) 23.4 — Sexo na essência é união de qualidades psíquicas É justamente neste segundo caso, ‘usina dos estímulos espirituais mais intensos’, que cada um de nós deverá aplicar o trabalho árduo, perseverante e incessante de sublimação das energias sexuais. Instruem-nos os Espíritos que substituamos as palavras “união sexual” por “união de qualidades”, pois sexo é troca, é simbiose, é combinação, não somente de células sexuais dos corpos físicos, mas principalmente de elementos psíquicos, oriundos de duas mentes, duas almas, dois corações que se atraem, que se buscam, que se afinizam. No livro “Missionários da Luz” é explicado muito bem essa união de qualidades: “Essa ‘união de qualidades’, entre os astros, chama-se magnetismo planetário de atração; entre as almas, denomina-se amor; entre os elementos químicos é conhecida por afinidade. Não seria possível, portanto, reduzir-se semelhante fundamento da vida universal, circunscrevendo-o a meras atividades de certos órgãos do aparelho físico. A paternidade ou a maternidade são tarefas sublimes; não representam, porém, os únicos serviços divinos, no setor da Criação infinita.” (25.13) Muito se produzirá com as energias sexuais biológicas, nas bênçãos da maternidade e da paternidade, em favor desses tesouros inapreciáveis: o corpo físico, a reencarnação, o lar, a família, os laços de simpatia; mas, muito mais, infinitamente mais, poderemos construir para a nossa riqueza futura, com as energias sexuais psíquicas, no campo das trocas de Espírito para Espírito. 23.5 — A personalidade sexual está guardada na MENTE Há muita dificuldade para as criaturas encarnadas, ainda distantes de um conhecimento mais aprofundado da Doutrina Espírita, conceberem sexo nos Espíritos, pois estão muito presas às manifestações físicas, e não únicas, da função sexual. O Espírito guarda na intimidade de si mesmo, no seu maravilhoso mundo mental, todas as características que foi adquirindo e fixando, nas experiências das reencarnações sucessivas, através dos milênios, ora na feminilidade, ora na masculinidade, embora uma destas características seja predominante no sistema psíquico de cada um. O sexo, tanto na vida corpórea quanto na vida espiritual, antes de tudo, está ajustado ao campo mental de cada Espírito, porque cada homem ou mulher é, não o que o corpo demonstra, mas sim o que a sua estrutura psicológica expressa. A mente é que governa o corpo físico e também o corpo espiritual. André Luiz define em o livro “Evolução em Dois Mundos” o que seja o sexo mental: “O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestaçõeS, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime (...).“ (23.18-1P) 23.6 — Fecundações: físicas e psíquicas Em matéria de sexualidade, temos produzido muito quanto às fecundações físicas, pois o instinto sexual em nós é bastante forte para nos impulsionar, com disciplina ou sem disciplina, com amor ou sem amor, para os serviços da família na Terra e os frutos gratificantes do prazer sexual fugaz. Existem também as fecundações psíquicaS, que já não são uma manifestação da relação corpo a corpo, pois que se fazem na esfera de Espírito para Espírito, na simbiose sutil, intensa e abundante das forças da alma. Este intercâmbio sexual ainda é desconhecido pelas criaturas humanas, em virtude do desconhecimento do Espírito e suas potencialidades. Tais fecundações psíquicas já existem na Terra, em gradações diversas de vibrações espirituais: “Há fecundações físicas e fecundações psíquicas. As primeiras exigem as disposições da forma, a fim de atenderem a exigências da vida, em caráter provisório, no campo das experiências necessárias. As segundas, porém, prescindem do cárcere de limitações e efetuam-se nos resplandecentes domínios da alma, em processo maravilhoso de eternidade.” (25.13) 23.7 — Desenvolvimento das energias sexuais para o amor Universal A sublimação das energias sexuais não se dará pelo ato sexual, simplesmente considerado, mas no desvio de parte dessas energias sexuais, para fins não sexuais fisiológicos, porém, importantíssimos para a nossa vida e nosso enriquecimento intelectual, moral e espiritual, visando a conquistar as emoções purificadas da Espiritualidade Superior. Em realidade, ninguém será feliz, em plenitude de consciência e coração, orientando suas energias sexuais exclusivamente para a ação sexual fisiológica, na busca insaciável do prazer ególatra, do amor possessivo, fazendo do outro sexo somente um objeto de satisfação pessoal. Aprendamos a libertar as energias da libido da rede viscosa da viciação sexual, dirigindo-as para atividades construtivas da vida. Emmanuel em o livro “Vida e Sexo” aclara o nosso entendimento: “(...) toda criatura humana, sempre nascida ou renascida sob o patrocínio do sexo, carreia consigo determinada carga de impulsos eróticos, que a própria criatura aprende, gradativamente, a orientar para o bem e a valorizar para a vida”. (17.24) A maioria de todos nós, na Terra, somos aprendizes da Vida Superior, ainda incipientes na ciência do Espírito; não sabemos ainda administrar as nossas próprias energias interiores e facilmente desperdiçamos esses recursos preciosos, pelos vícios e excessos sexuais, ou aprisionamos e envenenamos essas forças com o egoísmo terrível, cultivando ódio, antipatia, vaidade, falsidade, ciúme, despeito e amargura no relacionamento afetivo-sexual, intoxicando os mecanismos sutis da alma, agravando os problemas da consciência e complicando o nosso destino. É em virtude de nossas imensas fraquezas morais, imperfeições encravadas nas profundezas da alma, que o Espírito Emmanuel declara que aprenderemos gradativamente, ou seja, devagar, de pouco em pouco, a orientar essas energias para o amor verdadeiro, a fraternidade, o bem comum a todos. 23.8 — Prazeres nobres para a sublimação da energia sexual O caminho da sublimação das energias sexuais é o caminho do amor, da caridade, do trabalho pelo progresso da Humanidade, materializado em nossos hábitos enobrecidos e ações edificantes. É indispensável a cada aprendiz da Espiritualidade Superior, seja homem ou mulher, buscar outros PRAZERES NOVOS e ELEVADOS, muito acima dos prazeres sexuais puramente fisiológicos, sem, no entanto, desprezar estes últimos. No sexo, sendo energia da vida, pela união das criaturas em Espírito, dá-se a permuta de valores e qualidades com participação profunda na essência da Criação Divina. Eduquemo-nos, a fim de desviar essas energias sagradas para outras atividades nobres da vida, que irão trazer enormes tesouros à alma, multiplicando a FONTE DE PRAZERES, ainda desconhecidos e não experimentados pela maioria das criaturas humanas. Reflitamos nos prazeres mais nobres que André Luiz em seu livro “Ação e Reação” nos descreve: “Pela energia criadora do amor que assegura a estabilidade de todo o Universo, a alma, em se aperfeiçoando, busca sempre os prazeres mais nobres. Temos, assim, o prazer de ajudar, de descobrir, de purificar, de redimir, de iluminar, de estudar, de aprender, de elevar, de construir e toda uma infinidade de prazeres, condizentes com os mais santificantes estágios do Espírito.” (18.15) A alma, em se educando para a Vida Superior, busca a prática dos prazeres nobres, fonte inesgotável de alegrias infinitas, sempre crescentes, que realmente permanecerão no santuário do coração, como patrimônio inalienável, ao passo que as emoções do sexo carnal, os orgasmos fisiológicos e psicológicos, embora necessários, sadios e essenciais na vida conjugal, são fugazes e passageiros. As energias sexuais de cada criatura fazem parte do mecanismo profundo da Vida e, em nos iluminando na CIÊNCIA DE VIVER O BEM, passaremos a buscar NOVAS FONTES DE ALEGRIA, não nascidas do contato corpo a corpo, mas sim de alma para alma, através dos fios tenuíssimos e divinos do amor fraterno, da fraternidade legítima e da cooperação mútua, que brotam do coração. Nossa morada verdadeira é a Vida Espiritual, onde as alegrias não são exterminadaS e a Lei Divina nos convida ao aperfeiçoamento incessante, a fim de conquistarmos NOVOS PADRÕES DE ALEGRIA, dentro do Amor Universal. PodemoS relacionar mais alguns prazeres nobres, tais como ensinar, educar, meditar, escrever edificando, pesquisar, criar a arte elevada, unir almas, divulgar a fé iluminada, libertar corações... 23.9 — Desvio do amor sexual para os filhos Na união matrimonial, com o passar do tempo, os cônjuges são convidados, ante a missão da paternidade e sob os impositivos da vida, a dividir o amor sexual, de início intenso, com os filhos que chegam, e isso já é um trabalho de sublimação sexual que os pais exercem espontaneamente, pois estão desenvolvendo o amor mais puro para com os filhos. Emmanuel explica essa transformação da energia sexual na união conjugal: “Em toda comunhão mais profunda do homem e da mulher na formação do grupo doméstico, seguida de filhos a lhes compartilhar a existência, há que contar com a sublimação espontânea do impulso sexual, cabendo ao companheiro e à companheira que o colocaram em função aderir aos propósitos da vida, que tudo renova para engrandecer e aperfeiçoar.” (17.11) O amor aos filhos é a continuação do amor sexual dos pais, pois é a mesma energia direcionada para os frutos espirituais da união conjugal. 23.10 — Energia sexual aplicada nas ciências e artes A sublimação das energias sexuais é a canalização gradativa e crescente de nossas potencialidades da alma, no momento convergidas quase que unicamente para a satisfação de nosso egoísmo, de nossos caprichos, de nossos desejos inferiores e de nosso instinto sexual desorientado para outras modalidades de aplicação na vida, nas quais a alma se eleva e purifica, na construção de sua VERDADEIRA ALEGRIA E FELICIDADE FUTURA. Aprendamos com Jesus — o Divino Disciplinador de nossas emoções — a usar nossas energias sexuais através de todo ato de bondade, de trabalho útil, de esforço intelectual, de pesquisa nobre para o progresso e a felicidade das criaturas humanas. Em o livro “Ação e Reação” nos é lembrada a aplicação da energia sexual noutros setores da vida: “As faculdades do amor geram formas sublimes para a encarnação das almas na Terra, mas também criam os tesouros da arte, as riquezas da indústria, as maravilhas da Ciência, as fulgurações do progresso...” (18.15) 23.11 — Permuta de qualidades psíquicaS com as Esferas Superiores Há muitos Espíritos de condição espiritual elevada que reencarnam na Terra e passam a vida inteira em situação afetiva solitária, sem as bênçãos do lar, dos filhos, de um companheiro ou companheira e que, apesar dessa ausência sexual fisiológica, não deixam de gastar suas energias sexuais em trabalho enobrecedor, com isso colaborando eficazmente para o progresso espiritual dos semelhantes, seja em atividade literária, artística, científica, educacional ou religiosa. Se o sexo é troca, essas almas virtuosas permutam suas energias psíquicas com as entidades elevadas das Esferas Superiores, colhendo bênçãos, alegrias e estímulos poderosos para o prosseguimento de seus árduos trabalhos, na Terra. André Luiz nos relata essa permuta de qualidades purificadas: “O apóstolo que produz no domínio da Virtude, da Ciência, ou da Arte, vale-se dos mesmos princípios de troca, apenas com a diferença de planos, porque, para ele, a permuta de qualidade se verifica em esferas superiores.” (25.13) Compreendendo esta Lei Espiritual de aplicação da energia sexual, todos nós, na Terra, que ainda experimentamos a inquietação sexual, torturando e arrasando nosso mundo emocional, encontrando-nos na condição de solteiro ou de casado, busquemos direcionar esta energia sagrada da vida para os estudos espíritas e a divulgação da Doutrina, para os serviços de assistência aos menos favorecidos dos bens materiais, com o máximo de boa vontade e esforço, educando e disciplinando essas energias dentro dos valores da Fé e da Caridade, vencendo a nós mesmos e, muitas vezes, fugindo de sofrer complicações desastrosas em nosso destino pelo uso indevido do impulso genésico. 23.12—A conquista da túnica nupcial. A energia sexual sublimada de Jesus. A energia sexual, em época alguma, será aniquilada nas engrenagens sutis da alma, porque ela faz parte da essência da Criação, e dentro da Lei de Evolução será transformada, renovada e purificada pelos mecanismos da sublimação através dos milênios de lutas, trabalhos, reeducação e aperfeiçoamento, para que possamos participar com a túnica nupcial do banquete do Amor Universal, entre as almas purificadas, dentro da Eternidade gloriosa. Nosso Mestre e Senhor Jesus — Espírito Puro e Governador Espiritual da Terra, se utiliza dessa mesma energia, com a diferença incomensurável de que ela se encontra no mais alto grau de purificação, na simbiose divina das almas puras. Em o livro “Ação e Reação” assim se explica a energia sexual sublimada de Jesus: “Examinado como força atuante da vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros, porque, então, expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus (...). E a própria influência do Cristo, que se deixou crucificar em devotamento a nós outros, seus tutelados na Terra, para fecundar de luz a nossa mente, com vistas à divina ressurreição, não será, na essência, esse mesmo princípio, estampado no mais alto teor de sublimação?” (18.15) A energia sexual jamais será imundície ou trevas, porque a imundície que nós humanos queremos impingir-lhe se encontra realmente em nossos corações, ainda distantes do exercício do amor espiritualizado. Creiamos na Lei de Evolução e busquemos crescer, passo a passo, esforço a esforço, galgando os degraus do aperfeiçoamento espiritual. Nos séculos futuros, com a evolução do instinto sexual, a Humanidade experimentará no campo afetivo uma vida sexual sublimada, decretando a felicidade verdadeira na união conjugal. 24 LEMBRETES AO EXPOSITOR Em virtude da delicadeza e complexidade dos assuntos em torno da sexualidade humana e seus dramas angustiosos, a serem estudados diante do grande público com grau de interpretação da verdade espiritual muito diversificada, tomamos a liberdade de destacar alguns lembretes para os confrades expositores espíritas, objetivando maior e melhor produtividade doutrinária e espiritual nos estudos públicos: 1º — Preparemo-nos para falar ao público atento em aprender, como se fôssemos falar aos próprios familiares. 2º — Esclareçamos aos irmãos que nos ouvem com muito amor, humildade, otimismo e simpatia. 3º — Usemos a palavra quanto aos temas delicados do sexo com nobreza e profundo respeito. 4º — Tenhamos compaixão evangélica nas palavras, quando expusermos os problemas do sexo torturado. 5º — Não apliquemos palavras que possam induzir os irmãos participantes das assembléias de estudos a criarem idéias e imagens negativas, prejudiciais ao bom entendimento. 6º — Quando tratarmos do sexo viciado, não deixemos os irmãos assistentes penetrar nos caminhos escuros da discussão acirrada, do deboche, da crítica, do desrespeito e do uso de palavras de baixo nível. 7º — Analisemos os problemas do sentimento desequilibrado, observando e sentindo que os primeiros e grandes necessitados de reeducação do instinto sexual somos nós mesmos, que estamos expondo a matéria. 8º — Não falemos como que ostentando virtudes, que estamos muito longe de possuir. Ensinemos sem exigir santidade e retidão de conduta moral dos que nos ouvem. 9º — Não induzamos os irmãos ouvintes a uma educação sexual baseada numa “falsa virtude” ou “santidade mentirosa”. O uso da consciência e do coração são indispensáveis na educação sexual com Jesus-Cristo e Kardec. Fim 1



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