Servos dos servos de Cristo



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III. As qualificações do presbítero


Deus dota homens comuns com dons para se tornarem modelos do Seu rebanho.
A qualificação pessoal

1. Homem35: liderança masculina como princípio de autoridade.

2. Boa reputação: exerce bom testemunho.

3. Sábio: sabe tomar decisões com discernimento e conhecimento de causa.

4. Respeitável: tem o respeito da sua família, da igreja e na sociedade.

5. Honrado de palavra: não mentiroso, mas responsável no que fala.

6. Experiente: possuí maturidade e bom senso.
A qualificação doutrinária36

1. Maneja bem a Palavra da verdade: convicto conhecedor no quer crê.

2. Conserva o mistério da fé: sustém e apega-se a doutrina firmemente.

3. Defensor da sã doutrina: sabe expor a razão da sua fé.



A qualificação espiritual

1. Cheio do Espírito Santo: frutos do Espírito amadurecidos e perceptíveis.

2. Irrepreensível: inculpável, sem motivo para ser acusado.

3. Sensibilidade e dom pastoral: atento observador das necessidades dos membros da igreja.

4. Piedoso: vida de oração e intimidade com Deus.
A qualificação familiar

1. Marido de uma só mulher: um modelo de singular afeição e fidelidade à sua esposa.

2. Governe bem os seus próprios filhos: recebe o respeito e obediência dos filhos.

3. Governe bem a própria casa: administra as finanças, e o relacionamento familiar harmonicamente.


Defeitos a evitar37

1. Não dado ao vinho: não viciado em bebidas alcoólicas.

2. Irascível: rápido em irar-se, explosivamente furioso, facilmente irritável.

3. Espancador: violento fisicamente.

4. Cobiçoso: ambicioso, ou materialista.

5. Soberbo: orgulhoso, pedante, auto-suficiente.

6. Amigo de contendas: provocador de discussões, inclinado à polêmica.

IV. A escolha dos presbíteros

Antes da ordenação deve-se verificar a vocação divina, a eleição da assembléia e o exame doutrinário. Todavia, o candidato ao presbiterato deve ter outras características que tornarão vigoroso o exercício do seu ofício.

A piedade é requisito indispensável para o exercício do ofício de presbítero. Os líderes da igreja devem saber administra-la, porque ela é uma instituição, mas devem saber nutrir e lidera-la para um crescimento saudável, que ocorre não apenas com decisões tomadas na sala do Conselho, mas com a piedade. Uma igreja saudável cresce com santidade. John Murray observa que “antes de tudo, a piedade é o primeiro requisito, mas nem todo homem piedoso é dotado com os dons requeridos para o ofício na igreja.”38

O aspirante ao ofício de presbítero deve ser alguém que tenha experiência administrativa. Embora não tenha que ser uma pessoa madura de idade, é indispensável que tenha maturidade na sua liderança. A igreja é uma sociedade, e com todos os problemas comuns de uma sociedade, como os de manutenção, de ordem, de disciplina, de relacionamentos e de expansão.

O presbítero F. Martins afirma que os presbíteros devem possuir habilidades especiais para o convívio com o rebanho. Estes habilidades devem ser verificadas pelo Conselho e pela igreja na indicação do candidato ao ofício, pois, não adiantará exigir do individuo após eleito, se ele não os tem. Será apresentado abaixo um resumo destas virtudes:39


  1. Ser trabalhador. O presbítero não pode ser alguém conhecido pela preguiça, ou negligência com o seu sustento familiar.

  2. Ser acessível. “É preciso entrar nas recamaras das almas para conhecê-las, consola-las, e alimenta-las. É preciso conversar, para ouvir, compreender e corrigir. É preciso confraternizar, para amar e servir.”40

  3. Ter habilidade no trato. A diplomacia e ternura no modo de tratar as pessoas são indispensáveis na área das relações públicas, sendo o convívio da comunidade cristã um ambiente onde o amor de Cristo impera.

  4. Atitudes precisas. O presbítero tem de ser preciso no falar, no fazer, no defender, no denunciar, no prometer, e no cumprir.

  5. Ser fiel. “O presbítero não pode oscilar no depoimento (Pv 14:15), nas contas (Mt 25:31), na contribuição (Sl 66:13), no lar (1 Co 7:1-5), nas mínimas coisas (Lc 16:10). Quem não é fiel, frauda e defrauda; como ser bom, assim, no ministério do Senhor? Que confiança pode merecer da parte dos membros de uma comunidade quem vive torcendo os caminhos?”41

  6. Ser ativo. Freqüente na participação das reuniões da igreja, ativo nos deveres dos cargos, e prática das qualidades pessoais e familiares, e produtivo nas funções do seu ofício (vide* As funções do presbítero).

  7. Ser prudente. A prudência evita que se decida sem o devido conhecimento prévio e confirmado da causa discutida. Sabemos que o prudente é um homem que esmaga os seus impulsos (Pv 16:21). “O convívio com pessoas de características variadas, com padrões espirituais que diferem de individuo para individuo, com educações, com culturas, com posições, com condições sociais, e financeiras de todos os matizes (que assim se constituem as sociedades das nossas igrejas em toda parte), exige do presbítero muita cautela, muita prudência nos e nas atitudes.”42

V. As funções dos presbíteros

As funções atribuídas aos presbíteros aqui descritas não são exaustivas. Elas mencionam o que o presbítero deve ser e fazer, mas ele não pode se limitar a elas. Todos os presbíteros devem exercer o seu ofício em conformidade com a diversidade dos dons de cada um, e discernindo segundo a necessidade da Igreja. A vitalidade da igreja depende muito da operosidade dos presbíteros.

Uma palavra grega usada para se referir ao ofício de presbítero é episcopos. Sabemos que “o uso no N.T., em referência aos líderes, parece ser menos técnica do que uma tradução como ‘bispo’ sugeriria; daí, superintendente, ou supervisor At 20:28; Fp 1:1; 1 Tm 3:2; Tt 1:7.”43 O presbítero tem a responsabilidade de supervisionar a igreja que o escolheu para ser o seu líder. Louis Berkhof afirma que “claramente se vê que estes oficiais detinham a superintendência do rebanho que fora entregue aos seus cuidados. Eles tinham que abastecê-lo, governá-lo e protegê-lo, como sendo a própria família de Deus.”44

A responsabilidade dos presbíteros de supervisão não se limita aos membros da igreja. Os presbíteros devem supervisionar o seu pastor. R.B. Kuiper observa que

um dos seus mais solenes deveres é vigiar a vida e o trabalho do pastor. Se o pastor não leva uma vida exemplar os presbíteros regentes da igreja devem chamar-lhe a atenção, e corrigi-lo. Se não é tão diligente em sua obra pastoral como deveria sê-lo, devem estimulá-lo para que tenha maior zelo. Se a falta de paixão que deve caracterizar a pregação da Palavra de Deus, os presbíteros regentes devem dar os passos necessários para ajudá-lo a superar tal defeito. E, se a pregação do pastor, em qualquer assunto de maior ou menor importância, não está de acordo com a Escritura, os presbíteros não devem descansar até que o mal tenha sido resolvido.45
Os presbíteros devem oferecer liberdade e recursos para que o seu pastor desenvolva-se e possa oferecer mais ao rebanho. Incentivando pelo custeio de cursos, congressos, ou livros.
A autoridade do presbítero

A autoridade dos governadores é puramente ministerial e declarativa. Cada função do Conselho, como o ensino, a admoestação, governo e o exercício da disciplina, devem fundamentar-se na Palavra de Deus. Os presbíteros não possuem autoridade inerente. Não possuem o direito de impor as suas opiniões pessoais, preferências, filosofias sobre o culto, a doutrina, ou o governo da igreja, antes, devem examinar e extrair das Escrituras os padrões e princípios estabelecidos por Deus.

A autoridade do presbítero procede de:

1. A autoridade de Cristo como cabeça da Igreja.

2. Submissão à Cristo como o Senhor da Igreja.

3. A obediência e fidelidade à Escritura Sagrada como única regra de fé e prática.

4. Uma vida de santidade pessoal e familiar.

5. O exercício responsável da sua vocação e dos seus dons segundo o seu chamado.


As funções pastorais

1. Visitar os membros menos assíduos às reuniões da igreja;

2. Resolver os desentendimentos entre os membros;

3. Instar os disciplinados ao sincero arrependimento;

4. Orar por/com todas as famílias da igreja;

5. Consolar os aflitos e necessitados;

6. Supervisionar o bom andamento das atividades da igreja;

7. Exortar aos pais que tragam os seus filhos ao batismo;

8. Ser um pacificador em assuntos controversos;

9. Lembrar aos membros da sua fidelidade com os dízimos e ofertas;

10. Dar assistência e/ou liderar as congregações (quando houver);

11. Auxiliar na distribuição da Ceia do Senhor.


As funções doutrinárias

Os presbíteros em nosso sistema de governo têm a responsabilidade de guardarem a doutrina da corrupção. (1 Tm 3:16; Tt 2:7-8).

1. Conhecer o sistema e doutrinas presbiterianas;

2. Zelar pela fidelidade e pureza doutrinária da igreja;

3. Avaliar a qualificação doutrinária do pastor;

4. Examinar os candidatos ao rol de membros da igreja;

5. Discernir os novos “movimentos” que os membros estejam se envolvendo;
As funções administrativas (indivíduo)

1. Representar as necessidades dos membros nas reuniões do Conselho;

2. Zelar para que as decisões do Conselho sejam cumpridas pela igreja;

3. Lembrar os membros dos seus deveres e privilégios;

4. Acompanhar o funcionamento das sociedades e ministérios da igreja;

5. Elaborar propostas e projetos para a edificação da igreja.


As funções administrativas (concílio)

1. Reunir periodicamente para decidir sobre o bem estar da igreja;

2. Divulgar na igreja local as decisões dos concílios superiores (presbitérios, sínodo, Supremo Concílio, ou Assembléia Geral);

3. Avaliar candidatos ao batismo e profissão de fé;

4. Participar na aplicação da disciplina bíblica para que atinja a sua finalidade;

5. Analisar se a Junta Diaconal está realizando as suas atribuições;

6. Acompanhar o bom andamento das sociedades internas e ministérios da igreja;

7. Avaliar para o envio ao presbitério os candidatos ao sagrado ministério pastoral;

8. Participar da ordenação e instalação de novos pastores e presbíteros;

9. Representar a igreja local nos concílios superiores.



VI. Os perigos que cercam o ofício de presbítero
Orgulho: pecado fatal

A Escritura nos adverte que o candidato ao ofício de presbítero não deve ser novo na fé para que não se ensoberbeça (1 Tm 3:6). O fato de sermos supervisores (episcopos) do rebanho de Deus, não significa que estamos acima deles, como que numa posição de superioridade e de privilégios, que poderia ser identificado como sendo um “alto clero”. O orgulho é a disposição de mostrarmos uma condição superior àquilo que realmente somos. Por mais capazes que sejamos, nunca poderemos nos esquecer que Deus nos fez servos. Por isso, no Antigo Testamento a palavra hebraica para orgulho realça a altivez ilusória da pecador, e no Novo Testamento, a palavra grega refere-se ao engano de olhar por cima dos demais, considerando-se superior aos outros.

Esta disposição transforma-se em pensamentos, motivações, sentimentos e finalmente concretiza-se em comportamento. É interessante como este pecado é tão comum em todo ser humano, e ao mesmo tão prazeiroso, e tão difícil de ser reconhecido em si mesmo. Mas, é precisamente por causa do próprio orgulho, é que ele se esconde, somos motivados pelo sentimento de auto-preservação. O orgulho é sujo demais para aparecer manchando a nossa tão ilustre imagem! C.S. Lewis observa que “o orgulho é um câncer espiritual: devora toda possibilidade de amor, de contentamento ou até mesmo de senso comum.”46 Estas três virtudes [o amor, contentamento e o senso comum] são indispensáveis para a liderança cristã.

Em seu ofício de governo os presbíteros não podem se iludir pensando que se tornaram intocáveis. O Conselho não possui “imunidade parlamentar” diante da justiça de Deus. John Murray comenta que

é na igreja que a supervisão é exercida. Existe aqui uma sutil e necessária distinção. Enquanto a supervisão é sobre a igreja, ela não está acima de algo da qual os presbíteros se isentam. Os presbíteros não são senhores sobre a herança do Senhor; eles mesmos fazem parte do rebanho e devem ser exemplos para ele. A Escritura tem um modo singular de enfatizar a unidade e diversidade, e neste caso, a diversidade que reside no exercício do governo é mantida na mesma proporção em que lembramos que os presbíteros também são sujeitos ao governo que eles exercem sobre outros. Presbíteros são membros do corpo de Cristo e estão sujeitos à mesma espécie de governo da qual eles são administradores.47
O resultado final do pecado que ostenta, e que nos ilude com uma pseudo-elevação [altivez] será uma vergonhosa queda. Os efeitos do orgulho são: engano do coração [Jr 49:16]; endurecimento da mente para a verdade [Dn 5:20]; produção da inimizade [Pv 13:10]; leva à auto-destruição [Pv 16:18; 2 Sm 17:23]; esgota as energias, porque o esforço de manter o orgulho é demasiado difícil para ostentá-lo de forma permanente [Sl 131]. A Palavra de Deus diz que ele resiste ao soberbo [Tg 4:6].

A cura para o orgulho não está na maturidade obtida com os anos. Não é recomendado que o neófito se torne presbítero, para que não corra o perigo de tornar-se soberbo (1 Tm 3:6), mas, a altivez não é vencida pelo acúmulo do conhecimento, ou das experiências, mas, somente com o quebrantamento produzido pelo Espírito do Senhor. A Escritura Sagrada ordena-nos humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará [Tg 4:10]. Noutro lugar, Tiago disse: “meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que receberemos maior condenação” (Tg 3:1), e Jesus declarou que: “a todo aquele que muito é dado, muito lhe será cobrado; e ao que muito se lhe confia, mais ainda se lhe exigirá” (Lc 12:48).


Agindo como donos da igreja: autoritarismo

Fazer exegese em 3 Jo vs. 9-12

É possível que alguns presbíteros

tirando proveito do ofício, os regentes da igreja têm perpetrado horrores indizíveis, escravizando as almas dos homens. Há aqueles que têm lutado mais para dominar a igreja do que os ditadores desejariam governar sobre os corpos e as fortunas dos homens; contudo, estes líderes de igreja desejam governar do mesmo modo as almas dos homens.48


Somos todos passíveis de sermos corrompidos pelo poder. John Stott observa que “foi Lord Acton, um político inglês do século 19, amigo e conselheiro do primeiro-ministro William Gladstone, que compôs a máxima: ‘o poder tende a corromper; mas o poder absoluto corrompe absolutamente.’”49 Ninguém está livre desta sutil, porém corrosiva tentação, a não ser que tenhamos sempre em mente que somos servos dos servos de Cristo (Jo 13:12-20).
Quando se esquece do propósito da lei: Legalismo

A estrutura da instituição é necessária para exista ordem, todavia, não podemos fazer dela um fim em si mesmo.


Ativismo ou produtividade?

Nunca abandonar a ordem de valores.

Produtivo não é o mesmo que ser agitado.
Uma sensibilidade desnecessária

É inevitável que nos escandalizemos com o pecado dentro da igreja. Mas não podemos ter uma sensibilidade que nos fragilize a fé.

Decepção com o lado feio da igreja local. (vide* Philip Yancey).

O nosso trabalho não significa maquiar os defeitos da igreja, mas de tratá-los.


A prática devocional: homens de Deus ou executivos?

É indispensável pensarmos neste tema tão importante para a liderança da nossa igreja. Embora a igreja local tenha uma organização estrutural, e exija burocracias, nunca poderemos esquecer que ela é antes de tudo o Corpo de Cristo. O que mantém a igreja local viva e saudável não é a sua administração impecável e eficaz, mas a qualidade de relacionamentos entre os membros e a sua servil obediência à Cristo.

Devemos temer ser confundidos com meros executivos. Administramos o patrimônio da igreja, decidimos acerca das aplicações financeiras, planejamos a aquisição, construções e reformas de imóveis, mas estas são tarefas periféricas do nosso real chamado de servos. Servimos o povo e ao reino de Deus. Somos servos ordenados com este sublime propósito. Nunca devemos nos esquecer que: pessoas são mais importantes do que coisas.

Cuidando do próprio coração (Lucas 5:15-16). Necessitamos da oração e o diligente estudo da Palavra de Deus.

Devemos planejar todas as atividades mirando a glória de Deus e a produção de um ambiente no amor de Cristo onde o evangelho é pregado com fidelidade.

VII. A importância dos presbíteros

Dean Allen, importância dos presbíteros, Fé para hoje, nº 22, 2004.


Quando um pastor contaminado com doutrina estranha se torna líder da igreja local, é dever dos presbíteros proteger a igreja deste perigo. Primeiramente, devem repreender o ministro de sua infidelidade doutrinária, e quebrar os votos de ordenação, quanto à sua fidelidade aos padrões de Westminster. Caso permaneça no erro, os presbíteros devem comunicar ao presbitério, encaminhando para que o caso seja resolvido no concílio superior.

Os presbíteros que desconhecem a teologia reformada, e relaxam no exercício da disciplina, comprometem a pureza da comunidade, e a igreja normalmente seguirá o caminho do pragmatismo, e estará aberta aos movimentos de estranhas doutrinas. São estes oficiais responsáveis de supervisionar a saúde moral e doutrinária, sob os seus cuidados estão famílias que confiam na sua liderança.


A honra do presbítero
O presbítero emérito



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