Serviço: Esculturas em cera de Júlio Manso



Baixar 7,47 Kb.
Encontro01.07.2018
Tamanho7,47 Kb.

Interna Mutilação na Casa João Turin
Imagino que uma cadeira elétrica, em seu repouso peculiar, pode ser instável como a corcunda de um camelo. Apresenta e traz o desconforto de ir ao chão a qualquer momento”. Desta forma, ao estabelecer uma relação direta entre tortura a presos políticos e imagens de animais, o artista plástico Júlio Manso reflete, na exposição Interna Mutilação, as feridas e perdas internas decorrentes dos sistemas repressores. Na mostra, que abre nesta sexta-feira, dia 9, às 18h30, na Casa João Turin (R. Mateus Leme, 38), Manso expõem dezoito esculturas de animais produzidas com cera de abelha e objetos cotidianos, como alicate e filtro de filme fotográfico. A exposição, com entrada franca, permanece até dia 9 de junho.

O artista adianta que Interna Mutilação é uma exposição que fala da repressão, de abrir mão de família, viagens e conforto, para viver um sonho de liberdade. Manso faz referência a seu pai que foi preso na Operação Morumbi, deflagrada pelo regime militar no Paraná em 1975. “Cada objeto fala de um momento da vida do meu pai. Teve um período em que ele vivia agarrado à grade da cela no presídio do Ahú, esperando a visita da família. Essa idéia de espera, pendurado na janela, ausente de sua liberdade e ao mesmo tempo vendo outras famílias chagarem me remete a um animal, consequentemente me leva a um objeto acoplado, mutilado”, explica Manso, que ficou cinco anos pensando e organizando esta exposição.

A escolha da cera de abelha como matéria-prima das esculturas também tem referência ao pai de Manso. “Eu manipulo esse tipo cera de abelha desde a infância para criar meus bichinhos e economizar dinheiro. Meu pai foi meu professor, pois, além da militância política, era um grande artista das mãos”. Para moldar esse material é necessário trabalhar em altas temperaturas. “Dificilmente há como modelá-la sem calor e o ideal é o calor do sol. No forno, no microondas, com a lâmpada não dá certo”.

A palavra mutilação nos remete à perdas externas, como não ter uma perna ou braço. Porém, o que Julio Manso espera mostrar, a partir das esculturas, é que a tortura nos remete também a uma mutilação interna. “A seqüela da tortura é o mutilamento da humanidade, é violenta, pois alguma coisa deixa de existir no seu ser com a dúvida entre morte e vida, entre delatar amigos, inventar histórias e assiná-las”.



A tortura, segundo o artista plástico, é apenas um elemento dentro da exposição. Outro elemento, escolhido por ele, são caixas de acrílico que protegem as delicadas esculturas. “A idéia é que essa caixa passe a ser parte da obra, pois ela mantém uma distância de respeito entre o público e o objeto”, finaliza.
Serviço: Esculturas em cera de Júlio Manso. Abertura: dia 9, às 18h30, na Casa João Turin (R. Mateus Leme, 38 – Alto São Francisco). Horário de visitação: de segunda a sexta-feira das 9h às 18h. Sábados e domingos das 10h às 16h. Tel: (41) 3223-1182. Exposição permanece até o dia 9 de junho. Entrada franca.
Secretaria de Estado da Cultura

Assessoria de imprensa


(41) 3321 4844

imprensa@seec.pr.gov.br / www.seec.pr.gov.br




©livred.info 2019
enviar mensagem

    Página principal