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Encontro17.07.2017
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INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO CIENTÍFICO SOBRE O SOCIAL
13.1 As origens do pensamento científico sobre o social
Desde que o ser humano desenvolveu a capacidade de pensar, busca explicações para os fenômenos que o circundam. A partir desta preocupação básica, o homem torna-se produtor de conhecimento sobre o mundo. Num primeiro momento, as explicações sobre o funcionamento da natureza e da vida humana são dadas a partir de mitos, depois cria-se a religião, a filosofia e a ciência.
O conhecimento mítico manifesta-se através de um conjunto de estórias, lendas, crenças. Os mitos carregam mensagens que traduzem os costumes de um povo e constituem um discurso explicativo da vida social. O mito se explica pela fé, sem a necessidade de comprovação.
Segundo Meksenas, “o mito fez com que o ser humano procurasse entender o mundo através do sentimento e busca da ordem das coisas”.1
Na medida que o homem desenvolve sua consciência, sente necessidade de descobrir as leis que regem o mundo e procura entendê-lo de um modo racional. Enquanto o mito, através de estórias contribuía para o homem aceitar o mundo, a filosofia atuava no sentido de compreender o porquê das coisas.
O conhecimento filosófico também é valorativo, mas se apóia na formulação de hipóteses, é pautado na razão e tem como finalidade buscar uma representação coerente da realidade estudada.
Como afirma Lakatos, “o conhecimento filosófico é caracterizado pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado, unicamente recorrendo às luzes da razão humana”.1
A importância da civilização grega (300 a.c.) para a história da humanidade, foi que, nesta civilização, nasceu a filosofia. Para aprofundar os estudos, vale a pena a leitura de autores como Platão e Aristóteles.
Como afirmava Sócrates “não existe no mundo conhecimento pronto, acabado e que se desejamos chegar à raiz do conhecimento, devemos – em primeiro lugar – criticar o que já conhecemos”.2
O conhecimento religioso apóia-se em doutrinas valorativas3 e suas verdades indiscutíveis. É um tipo de conhecimento que não se apóia na razão e na experimentação, mas na fé da revelação divina.
O conhecimento religioso impôs-se como conhecimento dominante no mundo ocidental durante o período medieval. O cristianismo impediu o desenvolvimento de outras formas de conhecer a realidade e constituiu-se num saber “todo poderoso” que justificava o poder de uma instituição: a igreja católica.
As transformações que ocorreram no mundo a partir do século XVI, com as grandes navegações, internacionalização do comércio, são acompanhadas pela crítica ao poder eclesiástico de explicar a realidade.
Com a desagregação do mundo feudal, é conferida ao saber científico uma importância única. Existe uma necessidade histórica de formular um saber que permitisse estabelecer um critério de verdade funcional.
A razão, ou a capacidade racional do homem de conhecer é definida como elemento essencial que se colocaria frontalmente contra o dogmatismo e a autoridade eclesial, criando-se, pois uma nova atitude diante da possibilidade de explicar os fatos sociais.1
O conhecimento científico pauta-se na realidade concreta, é baseado na experimentação e não apenas na razão. É um saber que possui uma ordenação lógica e busca constantemente se repensar. A característica elementar do pensamento científico é a busca constante da verdade através do desenvolvimento de métodos de análise.
Portanto, mito, religião, filosofia e ciência são formas de conhecimento produzidas pelo ser humano. O sentido da busca de conhecimento é chegar à verdade.
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O compromisso da universidade é com o conhecimento científico. Portanto, foge aos nossos objetivos discutir os problemas sociais com base no pensamento religioso ou do senso comum.
13.2 A Sociologia pré-científica
O termo “sociologia pré-científica” foi emprestado da Professora Cristina Costa que se refere ao pensamento social anterior ao desenvolvimento da Sociologia como ciência. Tratase do pensamento filosófico que se desenvolveu a partir do Renascimento e estende-se até a Ilustração.
Nesta unidade, vamos citar a contribuição de alguns filósofos para a compreensão das transformações sociais que culminaram com o desenvolvimento do capitalismo. Para relembrá-los, é o que pretendemos analisar no decorrer deste curso.
A partir do século XV significativas mudanças ocorrem na Europa, começa uma nova era para a organização do trabalho, e o conhecimento humano também sofre modificações. O ser humano deixa de apenas explicar ou questionar racionalmente a natureza, para se preocupar com a questão de como utilizála melhor. Essa nova forma de conhecimento da natureza e da sociedade, na qual a experimentação e a observação são fundamentais, aparece neste momento, representada pelo pensamento de Maquiavel (1469-1527), Galileu Galilei (1564-1642), Francis Bacon (1561-1626), René Descartes (1596-1650).
O pensamento social do Renascimento expressa-se na criação imaginária de mundos ideais que mostrariam como a realidade deveria ser, sugerindo, entretanto, que tal sociedade seria construída pelos homens com sua ação e não pela crença ou pela fé.1
Thomas Morus (1478-1535) em “A Utopia” defende a igualdade e a concórdia. Concebe um modelo de sociedade no qual todos têm as mesmas condições de vida e executam em rodízio os mesmos trabalhos.
Maquiavel, em sua obra “O Príncipe”, afirma que o destino da sociedade depende da ação dos governantes. Analisa as condições de fazer conquistas, reinar e manter o poder. A importância dessa obra reside no tratamento dado ao poder, que passa a ser visto a partir da razão e da habilidade do governante para se manter no poder, separando a análise do exercício do poder da ética.
Segundo (COSTA:2005,35) as idéias de Thomas Morus e Maquiavel expressam os valores de uma sociedade em mudança, portam uma visão laica1 da sociedade e do poder.
Com a Ilustração2, as idéias de racionalidade e liberdade convertem-se em valores supremos. A racionalidade aqui é compreendida como a capacidade humana de pensar e escolher. Liberdade significa que as relações entre os homens deveriam ser pautadas na liberdade contratual. No plano político, isto significa a livre escolha dos governantes, colocando em xeque o poder dos monarcas. Os filósofos iluministas concebiam a política como uma coletividade organizada e contratual. O poder surge como uma construção lógica e jurídica.
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), em sua obra “O contrato social”, afirma que a base da sociedade estava no interesse comum pela vida social, no consentimento unânime dos homens em renunciar as suas vontades em favor de toda a comunidade3. Identificou na propriedade privada a fonte das injustiças sociais e defendia um modelo de sociedade pautada em princípios de igualdade.
Diferentemente de Rousseau, John Locke (1632-1704) reconhecia entre os direitos individuais e o respeito à propriedade. Defendia que os princípios de organização social fossem codificados em torno de uma Constituição.
Concluímos que a sociologia pré-científica é caracterizada por estudos sobre a vida social que não tinham como preocupação central conhecer a realidade como ela era, e sim propor formas ideais de organização social. O pensamento filosófico de então já concebia diferenças entre indivíduo e coletividade, e como afirma (COSTA:2005, 49) “Mas, presos ainda ao princípio da individualidade, esses filósofos entendiam a vida coletiva como a fusão de sujeitos, possibilitada pela manifestação explícita das suas vontades”.








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